O que já existe de nanotecnologia na Medicina?

O que já existe de nanotecnologia na Medicina?

O horizonte da nanotecnologia é amplo mas também ambicioso. Muitas idéias baseadas na nanotecnologia precisam ainda aguardar anos de pesquisa para se tornarem realidade. O NIH (National Institutes of Health), porém leva bastante a sério as possibilidades futuras para a nanotecnologia e por isso tem como uma de suas prioridades fomentar a pesquisa em nanomedicina. Entre 2004 e 2006  o NIH estabeleceu uma rede de 8 Centros de Desenvolvimento de Nanomedicina como parte de uma iniciativa chamada NIH Nanomedicine Roadmap Initiative. Em vários países já existem produtos comercializados ou em processo de aprovação que incorporam inovações da nanotecnologia sendo o Brasil um desses lugares.

De acordo com um estudo de 2010 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), chamado Panorama da Nanotecnologia no Mundo e no Brasil, em 2004, os produtos nanotecnológicos movimentaram na economia mundial não mais do que US$ 13 bilhões, o que representava menos que 0,1% da produção global de bens manufaturados naquele ano. Três anos depois, esse mercado havia crescido 10 vezes, chegando a US$ 135 bilhões (incluindo semicondutores e equipamentos eletrônicos). A previsão é de que esse valor chegue a US$ 1 trilhão no próximo ano e atinja US$ 2,95 trilhões em 2015 ou mais de 15% de todos os bens industrializados fabricados no planeta. Hoje a maior parcela desse mercado é do setor químico, 53%, seguido pelo de semicondutores, 34%.

Já existem produtos comercializados ou em processo de aprovação que incorporaram a engenharia de nanomateriais:

 BIND-014: O BIND-014 é uma acurina, nanomaterial que foi projetado para atuar como adjuvante do quimioterápico docetaxel (Taxotere) empregado principalmente no tratamento do câncer de próstata mas também utilizado no tratamento de outros cânceres. Esse produto está em processo de aprovação e é desenvolvido pela empresa BIND Therapeutics. Abaixo está um desenho esquemático da acumina e uma fotomicrografia onde os pontos vermelhos evidenciam as acuminas aderidas ao núcleo em azul.

Nanocápsulas: As nanopartículas polimé­ricas são sistemas carreadores de fármacos e outras moléculas que apresentam diâmetro inferior a 1 μm e incluem as nanocápsulas (NC) e as nanoesferas (NE). Esses dois sistemas diferem entre si segundo a composição e organização estrutural. As NC são constituídas por um invólucro polimérico e um núcleo oleoso, podendo o fármaco estar dissolvido neste núcleo e/ou adsorvido à parede polimérica. Já as NE são formadas por uma matriz polimérica e não apresentam óleo em sua composição. Neste sistema, o fármaco pode ficar retido ou adsorvido. Esses materiais são veículos que ao se associarem a fármacos já existentes modificando algumas de suas propriedades, sobretudo farmacocinéticas, como a solubilidade em meios hifrofílicos ou lipofílicos, aumentando a meia-vida do medicamento, possibilitando a transposição de barreiras naturais dos tecidos e também proporcionando uma liberação controlada do medicamento. A Biolab, empresa brasileira, está desenvolvendo alguns produtos que incorporam nanocápsulas à lidoccaína, prilocaína e finasterida que são anestésicos locais e remédio para calvície respectivamente.

                   

Nanocristais: São nanopartículas de estrutura cristalina que são atualmente amplamente empregadas para aumentar a solubilidade de fármacos e consequentemente sua biodisponibilidade. Isso é possível graças a capacidade dos nanocristais de realizar a nanonização. Este processo sucede o de micronização realizado com microcristais para obter maior área de superfície de contato entre os fármacos e o solvente. Sendo assim os macroagregados e microagregados de fármacos com baixa solubilidade na água passam a ser reduzidos a partículas ainda menores aumentando a sua solubilização e sua biodisponibilidade. O Rapamune® é um medicamento comercializado que incorpora a nanonização por nanocristais.

Leonardo

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