Medicina Paliativa : Residência

Medicina Paliativa : Residência

Pergunta : Anônima 

Gostaria de uma consulta com o senhor. Estou fazendo anatomia patologica, mas nao estou me sentindo feliz na minha especialidade. Ja estou no R2 e não consigo achar super interessante o que supostamente devo fazer pelo resto da minha vida produtiva. Cada dia que passa, estou mais romantica e menos ambiciosa, pois tenho cada vez mais certeza que se você não estiver feliz pelo que faz, nada vale a pena.

Pergunta : Anônima 

Gostaria de uma consulta com o senhor. Estou fazendo anatomia patologica, mas nao estou me sentindo feliz na minha especialidade. Ja estou no R2 e não consigo achar super interessante o que supostamente devo fazer pelo resto da minha vida produtiva. Cada dia que passa, estou mais romantica e menos ambiciosa, pois tenho cada vez mais certeza que se você não estiver feliz pelo que faz, nada vale a pena. Nem mesmo o dinheiro. Gostaria de saber sua opinião sobre medicina paliativa, algo pouco difundido aqui no meu estado  O que o senhor acha? Que lugares posso procurar  a especialidade? São necessário pré-requisitos de clinica medica?

Resposta :

Nunca é tarde para se “chutar o pau da barraca “e voltar atrás, buscando uma maior felicidade no dia a dia profissional. Assim, se vc não está feliz com essa sua escolha, não deve perder tempo e deve tomar logo a decisão de parar com a atual residência.

Mas a escolha de novos caminhos profissionais deve ser bem pensada e analisada. Sugiro que vc faça o teste vocacional de nosso site e avalie com atenção as 5 primeiras especialidades apontadas no seu teste.

Essa sua possibilidade de sair da residência de anatomia patológica ( uma especialidade onde não se lida com pacientes ) para uma especialidade de medicina paliativa ( onde se lida com pacientes terminais ) pode não ser a melhor escolha. Ambas são especialidades consideradas “tristes”.

A medicina paliativa é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina , não como especialidade médica, mas como area de atuação.

Mais algumas informações sobre essa area de atuação podem ser úteis para vc.:

Medicina Paliativa : Residência com duração de 1 ano : Especialidade para a qual será exigida a comprovação de pré-requisito em uma das seguintes áreas: Anestesiologia, Clínica Médica, Geriatria, Medicina de Família e Comunidade, Oncologia Clínica, em Residência credenciada pela CNRM.

1. A Residência Médica em Cuidados Paliativos é uma modalidade de treinamento em serviço seguindo os moldes estabelecidos pela Comissão Nacional de Residencia Médica (CNRM) e MEC. Toda seu conteúdo teórico-prático é voltado para familiarizar e treinar os médico a exercer as atividades inerentes a sua profissão voltadas para as condições onde não se pode curar, mas deve-se cuidar do paciente dignamente até que a morte aconteça.

2. O marco teórico para o desenvolvimento do currículo mínimo para este programa de Residência foi adaptado e segue as recomendações estabelecidas pela Força Tarefa da Associação Europeia de Cuidados Paliativos (Recommendations of the European Association for Palliative Care for the Development of postgraduate Curricula – Leading to Certification in Palliative Medicine), e busca desenvolver, no médico residente, as habilidades necessárias para atuar com os pacientes portadores de enfermidades crônicas e que se encontram fora de possibilidade de cura.
3. A ementa da Residência Médica em Medicina e Cuidados Paliativos desenvolver-se- á nos seguintes eixos principais:

a) Introdução aos Cuidados Paliativos (Definições e Princípios dos Cuidados Paliativos, História dos Cuidados Paliativos, Qualidades pessoais e atributos do Médico de Cuidados Paliativos)
b) Cuidados Físicos e Tratamentos: Manejo das doenças progressivas limitantes da vida; Processos de doenças específicos; princípios gerais do controle de sintomas; Outros sintomas e problemas físicos; Emergências em Cuidados Paliativos; Procedimentos Práticos; Farmacologia e Terapêutica; Reabilitação; Cuidados do paciente em fase de agonia e família;

c) Cuidados Psicossociais e intervenções: Relações familiares e Sociais; Comunicação com pacientes e família; Resposta psicológica de pacientes e Cuidadores para doenças ameaçadoras da vida e as perdas; Atitudes e respostas dos Médicos e outros profissionais; Luto; Finanças familiares e do paciente;

d) Cultura, Linguagem, Questões Religiosas e Espirituais;
e) Ética e Bioética: Ética Teórica e Ética Aplicada a Cuidados Paliativos;
f) Estrutura Legal: Morte, Tratamento e Relação Médico – Paciente;
g) Trabalho em Equipe;
h) Ensino e Aprendizado;
i) Pesquisa
j) Gerenciamento: Recursos Humanos, Recrutamento, Desenvolvimento de Pessoal, Habilidades em Liderança, Habilidades de Gerenciamento, Gerenciamento da Informação; Sistema de Saúde e suas relação com o Cuidado Paliativo; Auditoria; Documentação.
k) Habilidades Clínicas em Comunicação e aspectos correlatos (dar más notícias, comunicação com a equipe multiprofissional, conspiração do silêncio, dizer a verdade, gerenciamento do tempo de consulta, vinculação profissional, comunicação não- verbal)

II – OBJETIVOS DO CURSO:

2. Os objetivos específicos da Residência Médica em Medicina e Cuidados Paliativos são preparar o Médico para:
a) Conhecer a História, as definições, os valores e os princípios dos Cuidados Paliativos no mundo e no Brasil;

b) Reconhecer, diagnosticar e manejar os sintomas prevalentes em pacientes com enfermidades progressivas e ameaçadoras da vida

c) Aplicar de forma prática os princípios éticos, bioéticas e legais ‘as circunstâncias inerentes ‘as doenças crônicas, progressivas ameaçadoras da vida;
d) Se apropriar de técnicas de comunicação para utilizá-las com pacientes, familiares e a própria equipe;
e) Conhecer as reações e atitudes dos pacientes e familiares frente a situações ameaçadoras da vida, bem como contê-las e manejá-las;
f) Trabalhar com equipe multiprofissional de maneira interdisciplinar;
g) Adquirir noções de planejamento, gerenciamento e desenvolvimento de serviços e equipe;
h) Adquirir noções de pesquisa específica na área de cuidados paliativos;
i) Adquirir noções básicas de ensino.

A matéria a seguir , publicada no jornal O Estadão de São Paulo, também é interessante.:

Eram pouco mais de 15h20 de quarta-feira quando uma enfermeira da ala de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo chamou o médico residente Bruno Reis, de 30 anos, ao leito 22. A família da paciente em tratamento contra um câncer terminal estava angustiada. Ao entrar no quarto, Reis constatou que a paciente já não respirava mais e sua morte foi registrada às 15h25. Coube a ele a missão de anunciar o fim da vida aos familiares.

Reis, de 30 anos, é o primeiro médico a cursar residência em medicina paliativa em São Paulo. Além dele, há também a médica Michelle Fontenele, de 31, que começou o mesmo tipo de residência no Instituto de Medicina Integral de Pernambuco (Imip). O Hospital do Servidor e o Imip são os dois primeiros do País a abrir residências nessa especialidade, que só foi reconhecida como área de atuação em 2011.

Mineiro de Raul Soares, uma cidade com pouco mais de 23 mil habitantes, Reis é o primeiro médico de uma família de comerciantes. Fez todo o ensino fundamental e médio em escolas públicas e escolheu prestar Medicina pelo desafio de um curso concorrido. Passou na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), fez residência em clínica médica, m
as ainda não estava satisfeito. Chegou a cogitar uma especialização em Oncologia, mas queria mais.

Além de tratar da saúde dos pacientes, Reis queria “cuidar” deles. E é nesse contexto que entra em cena a medicina paliativa, cujo foco é cuidar do doente e não da doença. É cuidar da “qualidade da morte”, para que ela aconteça de maneira menos dolorosa para o paciente e para a família.

As aulas da residência em medicina paliativa no Hospital do Servidor começaram em março, no 12.º andar, na ala para onde só vão os pacientes graves, com doenças praticamente sem chances de cura. São dez leitos em quartos individuais, com direito a acompanhante permanente. É nesse cenário que Reis passa o dia inteiro em contato com os pacientes e seus familiares.

Em menos de dois meses, ele já se deparou com a morte de 11 pacientes. Ainda chora por todos. Mas nada o faz desanimar. “É isso que eu vim buscar aqui, a prática. Ainda estou aprendendo a lidar com a morte, pois sou humano. Mas é muito bom poder fazer algo mais por essas famílias.”

Dor. Promover o alívio, diminuir casos de delírio, de depressão e até indicar cirurgias para os pacientes são algumas das características dos cuidados paliativos. “A gente lida com medicações que se forem mal usadas podem colocar a vida em risco”, diz a médica Maria Goretti Charles Maciel, que trabalha na ala de cuidados paliativos.

O pernambucano Severino Inácio da Lima, de 79 anos, por exemplo, está internado para aliviar as dores provocadas por um câncer de próstata e está com metástases no abdome. A solução para amenizar o problema é fazer uma cirurgia para implantar um catéter no rim. “Isso vai melhorar a qualidade de vida dele.” É dessa forma que a medicina paliativa tem tentado fazer mais pelos pacientes.

Brasil tem apenas 22 serviços estruturados

O movimento que difundiu os cuidados paliativos para pacientes com doenças avançadas e muitas vezes sem cura surgiu na Inglaterra em 1967, dentro da filosofia de evitar o prolongamento da vida com angústia. 

No Brasil, o primeiro relato desse tipo de acompanhamento é do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 1989 – 22 anos após o dos ingleses -, mas ainda de forma tímida e superficial.

Nos anos 2000, alguns centros brasileiros começaram a se estruturar e oferecer cuidados paliativos. Hoje, segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), são cerca de 65 serviços cadastrados, mas só 22 são reconhecidos com equipes minimamente estruturadas.

“O Brasil ainda possui poucos serviços e, isolados”, diz Luís Fernando Rodrigues, vice-presidente da ANCP. Segundo ele, um consenso mundial estabelece três parâmetros para avaliar como os países fazem o controle da dor e se eles têm cuidados paliativos.

Um deles é a quantidade de doses diárias de opioides (substâncias derivadas do ópio, usadas para controlar a dor), segundo a Organização Mundial da Saúde. Nos países desenvolvidos, o consumo médio é de 30 mil doses diárias de medicamento por milhão de habitantes. Já nos países da América do Sul, entre eles o Brasil, essa medida é de 200 doses por dia.

Outro parâmetro é um ranking da revista The Economist, feito em 2010, que avaliou a “qualidade de morte” em 40 países – o Brasil aparece em 38.º, atrás de Índia e Uganda. / F.B

Sucesso

Mário Novais.

Mario Novais

You must be logged in to post a comment