setembro 2014 – Widoctor

Archive setembro 2014

CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 6

    

     Bem vindo! Hoje encerraremos nossa série de artigos sobre RCP. Como conversamos no último post, serão expostos a AESP e a Assistolia. Faremos, ainda, uma breve passagem pelo tópico de cuidados pós RCP. Fique atento!

     A Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) e a Assistolia NÃO são passíveis de choque. Mas por quê?

1. A AESP caracteriza-se por possuir uma atividade elétrica ventricular que já é organizada, tendo, por isso, possibilidade de gerar pulso central. Ao chocar o paciente que apresenta esse ritmo, pode-se provocar uma desorganização. Logo, seria mais um problema a ser resolvido. É importante identificar as causas da AESP para que se possa direcionar o tratamento. Algumas dessas causas são reversíveis e conhecidas com 5H e 5T.  São elas:

 

CAUSA TRATAMENTO
HIPOVOLEMIA Administrar VOLUME
HIPÓXIA OXIGÊNIO
H+  (Acidemia) Administrar BICARBONATO DE SÓDIO
HIPOTERMIA REAQUECER
HIPOCALEMIA/HIPERCALEMIA Reposição de POTÁSSIO/BICARBONATO DE SÓDIO
TAMPONAMENTO CARDÍACO Realizar PUNÇÃO PERICÁRDICA
TROBOEMBOLISMO PULMONAR Tratar PCR, considerar TROMBÓLISE
TROMBOSE CORONARIANA Tratar PCR, considerar tratamento de REPERFUSÃO
TENSÃO (pneumotórax  hipertensivo)

Realizar PUNÇÃO de alívio/drenagem de tórax

TÓXICO ANTAGONISTA específico

 

AESP (Atividade Elétrica sem Pulso) – “NÃO CHOCÁVEL”

 

     OBS: A hipovolemia é a principal causa de AESP.

 

2. A ausência de atividade elétrica é o que caracteriza a Assistolia, sendo o ritmo de pior prognóstico.  Muita ATENÇÃO, pois o diagnóstico de assistolia muitas vezes é dado erroneamente, pois alguns fatores podem levar a isso. Para evitá-los, deve-se observa se a conexão dos eletrodos está correta, deve-se aumentar o ganho do monitor cardíaco e checar o ritmo em duas derivações. Tais ações constituem o PROTOCOLO DE LINHA RETA.

 


Assistolia – “NÃO CHOCÁVEL”

     O quadro de causas anteriormente citado aplica-se, também, à assistolia.

     As drogas a serem utilizadas no tratamento de ambos os ritmos são:

  1. Epinefrina: é a primeira escolha. A apresentação é em Ampolas de 1mg, sendo a dose inicial de 1mg de 3/3 a 5/5 minutos e a dose máxima é inderteminada.
  2. Pode-se utilizar a Vasopressina com a finalidade de substituir a primeira ou segunda dose de adrenalina ou, ainda, como primeira droga. Sua apresentação é de 20 unidades/ml e a dose inicial é de 40 unidades. A dose máxima é de 40 a 80 unidades.

     Quando interromper as manobras de reanimação?

     Essa decisão envolve vários fatores, tais como: quanto tempo passou entre o início a PCR e a desfibrilação, quando tempo decorreu entre a parada e o início das manobras, o prognóstico antecipado do paciente, história patológica do mesmo, entre outros. Além disso, se, na assistolia, não há reversão da parada, mesmo após serem aplicadas todas as medidas terapêuticas possíveis, deve-se considerar o fim dos esforços de ressuscitação.

     Cuidados pós RCP
 

 

     Encerramos aqui nosso módulo de Ressuscitação Cardiopulmonar. Esse tema, por sua imensa importância, deve ser lido com muita atenção, visando preparar teoricamente para, munido de complementação prática, prestar um socorro de qualidade quando necessário.

     É muito satisfatório poder fazer parte da construção de seu conhecimento! Nos próximos artigos, daremos continuidade ao tópico CTI. Continue conosco!

Celso Neto

Bibliografia

 

1.Ética e Questões Legais em RCP: quando iniciar e quando interromper a RCP. http://www.saj.med.br/uploaded/File/novos_artigos/152.PDF

2.Arq. Bras. Cardiol. vol.101 no.2 supl.3 São Paulo Aug. 2013     http://dx.doi.org/10.5935/abc.2013S006 

3.MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.

 

Gota: patogênese e manifestações

      Gota é uma doença reumatológica, resultante da deposição de cristais de ácido úrico nos tecidos e articulações. Foi descrita pela primeira vez no século V por Hipócrates. Seu nome decorre de uma época em que se acreditava que a doença ocorria quando uma bruxa, ou espírito demoníaco, pingava um fluído nas articulações dos homens maus.

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Cirurgia Bariátrica

     A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, reúne técnicas com respaldo científico destinadas ao tratamento da obesidade. Estas cirurgias agem basicamente de duas formas para promover a redução de peso, sendo classificadas em procedimentos restritivos (diminuem a quantidade de alimento que o estômago é capaz de comportar), disabsortivos (reduzem a capacidade de absorção do intestino) e mistos (uma combinação dos dois anteriores).

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Obesidade

 

   A obesidade é uma doença caracterizada pelo excesso de gordura no corpo, cujo acúmulo ocorre quando a oferta de calorias é maior que o gasto. No mundo, a doença atinge 600 milhões de pessoas. A Organização Mundial de Saúde estima que, em 2015, este número alcançara a cifra de 700 milhões.

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Quando fazer residência fora do Brasil

Quando fazer residência fora do Brasil

Pergunta (Lucas): Dr. Vítor, tudo bem?

Estou me formando em medicina daqui a 1 ano, e tenho algumas dúvidas. Sempre quis morar fora do Brasil, por ordem (Canadá, Eua e Alemanha), e, após algumas pesquisas, me deparei com o processo de validação do diploma, e tenho algumas dúvidas quanto a isso. Vale mais a pena eu fazer a residência fora do Brasil? Ou fazer a residência aqui e depois validar o diploma? Ou talvez, fazer a residência, validar o diploma e tentar um Fellow, para depois ser convidado a entrar em algum serviço? Digo isso porque penso em realmente viver fora do país, e não somente ficar lá por 1 ou 2 anos..

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ESTRIAS! E agora???

ESTRIAS! E agora???

     Você é, ainda, apenas um graduando em medicina, mas é claro que para a família, principalmente para aquelas queridas tias, você já é médico desde o primeiro período.  Não é verdade? E todas elas torcem para que você se torne um brilhante cirurgião plástico, que dará a elas “uma levantada” e, com certeza, gratuitamente.  Mas elas não esperam nem mesmo o fim da graduação para a consulta. Daí vem perguntas de toda ordem, desde uma dor de garganta a um probleminha estético.  E você deve estar preparado para responder, certo? É claro que não.

 

     Contudo, um pouco de conhecimento sobre alguns assuntos recorrentes pode dar uma boa satisfação a essas “pacientes” especiais e garantir que você saia “bem na fita”.  E se te perguntarem sobre as temidas ESTRIAS? Você saberia o que responder? Seja bem vindo e acumule mais conhecimento!

O que são as ESTRIAS? E como surgem?

     As estrias são cicatrizes atróficas, que se dão quando há o rompimento das fibras elásticas do tecido epitelial formadas por colágeno e elastina. Seu aparecimento pode ser favorecido pela genética ou por hiperextensibilidade da pele. Neste último caso, podem-se citar como exemplos o uso prolongado de corticoides, uso de estrógeno, uso de anabolizantes e hormônios adrenocorticais, gravidez, uso de próteses mamárias/próteses de glúteos e o famoso “efeito sanfona”.

Mas existem dois tipos, as vermelhas e as brancas. Qual a diferença entre elas?

     As estrias vermelhas são as mais recentes, ainda em processo inflamatório, em que as fibras estão sob um processo de reorganização, sendo, por isso, mais susceptíveis ao tratamento. Já as estrias brancas estão em processo cicatricial, sendo o tratamento menos efetivo.

 

 

E o tratamento é eficaz? Como é feito?

     A eficácia do tratamento dependerá diretamente do estágio em que o mesmo é iniciado. Outros fatores são muito importantes, tais como etnia, a idade, local de formação, tamanho da cicatriz etc.

     Caso ainda seja do tipo vermelha haverá uma melhor resposta, pois o que será feito é uma redução do processo inflamatório a fim de se evitar a desestruturação total das fibras.

     Há a forma medicamentosa e a manipulação cirúrgica/estética para o tratamento dessas indesejadas cicatrizes.

Medicamentoso:

  1. Ácido Retinóico: estimula a produção de colágeno. É o mais efetivo. 

Cirúrgico:

  1. Subcisão: rompem-se a fibrose, podendo posteriormente fazer o preenchimento das áreas com ácido hialurônico ou proceder com a sutura das estrias.  

Estético:

  1. Laser não-ablativo
  2. Laser ablativo e fracionado
  3. Microdermoabrasão
  4. Infravermelho

OBS: o tratamento não fará com que as estrias desapareçam 100%.

     O médico dermatologista é o profissional mais habilitado para realizar o tratamento necessário. Isso inclui receitar o Ácido Retinóico, que exige um cuidado muito especial para que não haja danos à pele, a citar o uso imprescindível de filtro solar diariamente em regiões expostas e a hidratação adequada da pele.

A prevenção é possível? Como é feita?

     Sim, é possível prevenir. A utilização de hidratantes assume papel de destaque nessa questão. Além disso, a maneira mais efetiva de se evitar o aparecimento de estrias é evitando suas causas. Nota-se então, por exemplo, que não usar anabolizantes e que um balanço alimentar, que não coloque o corpo sob o ciclo engorda-emagrece-engorda, garantindo um peso adequado, são atitudes que, além de proporcionar uma boa saúde, dificultam o aparecimento de efeitos estéticos não desejados, como as estrias.

 Celso Neto  

 
Bibliografia
 

  1. Academia Española de Dermatología y Venerealogía  – AEDV
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD 
  3. Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional do Piauí – SBDPI