CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 4

CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 4

 

   

     ATENÇÃO, desfibrilar é um ponto muito importante da ressuscitação, mas nem sempre devemos realizá-lo. Então, QUANDO o faremos?

      Retornamos hoje com mais 2 tópicos da RCP: a ventilação e a desfibrilação, em que detalharemos, já no próximo artigo, um pouco mais este último.

A VENTILAÇÃO

    

      Como já conversamos anteriormente, o foco principal são as compressões. Sendo assim, deve-se voltar a atenção para as vias aéreas somente depois de se realizar as 30 compressões. Deve-se obedecer a ordem de 2 ventilações (que devem durar apenas 1 segundo cada) para 30 compressões.

      A diretriz enfatiza que há prioridade no uso de um dispositivo de barreira durante o processo, seja lenço facial com válvula antirrefluxo, máscara de bolso ou bolsa-válvula-máscara.

 

 

duas maneiras de se abrir as vias aéreas:

1) Elevação da mandíbula e  hiperextensão da coluna cervical ou

2) Pela tração da mandíbula.

      OBS: elevação da mandíbula e hiperextensão da coluna cervical: deve-se dar preferência a esta manobra, exceto haja suspeita de lesão cervical.

      E o “VER, OUVIR, SENTIR”?

      Essa técnica NÃO está mais indicada, pois atrasa o início das compressões, podendo trazer prejuízo à RCP.

      E o que se deve fazer após mantermos a via aérea pérvia?

      Observa-se, então, se há respiração espontânea do socorrido. Se essa for notada, checa-se a cada 2 minutos o pulso (não deve durar mais que 10 segundos) e, até que o atendimento de emergência chegue, mantem-se a vítima em decúbito lateral, com a via aérea ainda aberta.

      MUITO IMPORTANTE: segundo as novas recomendações, a checagem de pulso deve ser feita apenas por profissionais, sendo obrigatória a checagem do pulso carotídeo pelo socorrista. Dessa forma, a falta de pulso e a apneia tem o mesmo valor diagnostico para o leigo: uma PCR.

A DESFIBRILAÇÃO

 

      O prognóstico do paciente é tanto melhor quanto antes ocorre a desfibrilação. Como já citamos anteriormente, nem todos os ritmos cardíacos são susceptíveis a esse processo. A Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular sem Pulso (TV sem pulso) são os ritmos mais observados nos primeiros minutos de uma PCR extra – hospitalar. Contudo, a efetividade da desfibrilação torna-se menor com o decorrer do tempo, pois esses ritmos respondem cada vez menos ao choque (tornam-se refratários) ou evoluem para uma assistolia. Reforçamos aqui que não se aplica a desfibrilação em assistolia e em AESP.

      IMPORTANTE: caso o paciente já seja atendido pelo sistema de emergência e, até o 4º/5º minuto, ainda não tenha recebido o suporte básico de vida, pode-se proceder de duas maneiras:

  1. Iniciar, imediatamente, o choque ou
  2. Realizar 5 ciclos de compressão + ventilação seguida de desfibrilação (2 minutos de PCR + desfibrilação).

      E qual a quantidade de energia que deve ser utilizada?

      Há dois tipos de desfibrilador: monofásico e bifásico. O primeiro trabalha com uma energia de 360J, enquanto o último trabalha com uma energia que é equivalente, de 150 a 200J.  Não se recomenda realizar choques sucessivos e com energias cada vez maiores.

 

     

      O choque foi aplicado e agora?

     Posteriormente, realiza-se 2 minutos de RCP, avaliando-se em seguida o ritmo. Caso necessário, aplica-se novamente o choque, repetindo o processo.                 

      Mas o ritmo ainda continua em FV/TV sem pulso após o primeiro choque. O que fazer?

      No próximo artigo continuaremos batendo um papo a respeito da desfibrilação, ilustraremos os ritmos já comentados e discorreremos de maneira breve sobre o que fazer no Suporte Avançado de Vida na persistência de FV/TV sem pulso pós-primeira desfibrilação.

      Até a próxima e continue conosco!                                                            

 

Celso Neto

 

Bibliografia

1. Arq. Bras. Cardiol. vol.101 no.2 supl.3 São Paulo Aug. 2013     http://dx.doi.org/10.5935/abc.2013S006 
2. Heidenreich JW, Higdon TA, Kern KB, Sanders AB, Berg RA, Niebler R, et al. Single-rescuer cardiopulmonary resuscitation: ‘two quick breaths’–an oxymoron. Resuscitation. 2004;62(3):283-9.
3.    Kobayashi M, Fujiwara A, Morita H, Nishimoto Y, Mishima T, Nitta M, et al. A manikin-based observational study on cardiopulmonary resuscitation skills at the Osaka Senri medical rally. Resuscitation. 2008;78(3):333-9.
4.    MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.

 

Celso Alves Neto

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