CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 5

CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 5

     

Seja bem vindo! Hoje daremos continuidade ao tópico “Desfibrilação”, ilustrando os ritmos cardíacos. Além disso, explicaremos de maneira rápida sobre o que fazer em caso de, após o primeiro choque, o paciente continuar em FV/TV sem pulso.

     O conhecimento dos ritmos cardíacos em uma PCR é essencial para se decidir se a desfibrilação será ou não realizada. Como já foi comentado, aplica-se o choque em FV e TV sem pulso, enquanto na Assistolia e na AESP o mesmo não deve ser realizado.

OBSERVE e MEMORIZE:

 

Fibrilação Ventricular Grosseira – “CHOCÁVEL”

 

 

Taquicardia Ventricular sem Pulso – “CHOCÁVEL”

 

 

AESP (Atividade Elétrica sem Pulso) – “NÃO CHOCÁVEL”

 

 

Assistolia – “NÃO CHOCÁVEL”

 

     No artigo anterior deixamos a seguinte pergunta: mas o ritmo ainda continua em FV/TV sem pulso após o primeiro choque. O que fazer?

     É importante ressaltar que estes procedimentos fazem parte apenas do Suporte Avançado de Vida. Diante dessa situação, recorre-se às drogas que tenham efeito na reversão da arritmia e que, concomitantemente, atuem com a finalidade de melhoria do quadro hemodinâmico. Para isso deve-se fazer:

  1. Um acesso venoso periférico ou intraósseo,
  2. Via aérea definitiva, melhorando a oxigenação,
  3. Monitorização cardíaca.

     OBS: caso o acesso venoso ou intraósseo não seja possível, pode-se administra o medicamento pela cânula da via aérea definitiva, Intubação Orotraqueal (IOT), por exemplo. CONTUDO, nesse caso, a dose a ser administrada deve ser de 2,0 a 2,5 vezes maior. É importante ainda, levar em consideração a aplicação, via cânula, de um bolo 10 ml de soro fisiológico a 0,9% para que ocorra melhor absorção da droga. A vasopresina é exceção à regra, devendo ser administrada na mesma dose.

    Com os objetivos de se obter um melhor retorno venoso e uma melhor da perfusão coronariana, é necessária a utilização de drogas vasopressoras. Elas devem ser administradas durante o período em que ocorre o carregamento do desfibrilador ou logo após o choque.


Quais são as drogas?

  1. Epinefrina: é a primeira escolha em uma PCR (FV, TV sem pulso, Assistolia ou AESP). A apresentação é em Ampolas de 1mg, sendo a dose inicial de 1mg de 3/3 a 5/5 minutos e a dose máxima é inderteminada.OBS: pode-se utilizar a Vasopressina com a finalidade de substituir a primeira ou segunda dose de adrenalina ou, ainda, como primeira droga. Sua apresentação é de 20 unidades/ml e a dose inicial é de 40 unidades. A dose máxima é de 40 a 80 unidades.
  2. Amiodarona: é a primeira escolha utilizada em FV/TV sem pulso após reversão. Sua apresentação é em Ampolas de 150 mg, sendo sua dose incial de 5mg/kg de peso (300mg). A dose máxima é de 7,5 mg/kg de peso.

    OBS: Lidocaína: utilizar somente se não houver Amiodarona. Dose inicial de 1,0 a 1,5mg/kg de peso, sendo dose máxima de 3mg/kg de peso. Já o Sulfato de Magnésio tem indicação em Torsades de Pointes, na dose 1 a 2 g  EV.

     

    No nosso próximo encontro conversaremos um pouco sobre a Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) e a Assistolia. Falaremos rapidamente dos cuidados a serem tomados pós ressuscitação, finalizando, assim, nossa seção de RCP. Continue conosco!  

    Celso Neto

     

    Bibliografia

     

    1.    Arq. Bras. Cardiol. vol.101 no.2 supl.3 São Paulo Aug. 2013     http://dx.doi.org/10.5935/abc.2013S006 
    2. Heidenreich JW, Higdon TA, Kern KB, Sanders AB, Berg RA, Niebler R, et al. Single-rescuer cardiopulmonary resuscitation: ‘two quick breaths’–an oxymoron. Resuscitation. 2004;62(3):283-9.
    3. Kobayashi M, Fujiwara A, Morita H, Nishimoto Y, Mishima T, Nitta M, et al. A manikin-based observational study on cardiopulmonary resuscitation skills at the Osaka Senri medical rally. Resuscitation. 2008;78(3):333-9.
    4. MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.
     

     

 

Celso Alves Neto

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