Gota: patogênese e manifestações – Widoctor

Gota: patogênese e manifestações

Gota: patogênese e manifestações

      Gota é uma doença reumatológica, resultante da deposição de cristais de ácido úrico nos tecidos e articulações. Foi descrita pela primeira vez no século V por Hipócrates. Seu nome decorre de uma época em que se acreditava que a doença ocorria quando uma bruxa, ou espírito demoníaco, pingava um fluído nas articulações dos homens maus.

 

Gota: patogênese e manifestações

 

     Gota é uma doença reumatológica, resultante da deposição de cristais de ácido úrico nos tecidos e articulações. Foi descrita pela primeira vez no século V por Hipócrates. Seu nome decorre de uma época em que se acreditava que a doença ocorria quando uma bruxa, ou espírito demoníaco, pingava um fluído nas articulações dos homens maus.

     É uma doença que se manifesta principalmente em homens (40-50 anos). Quando acomete mulheres, faz-se após a menopausa (estrogênio tem efeito uricosúrico). A história natural da doença se inicia com a hiperuricemia assintomática, isto é, os níveis de ácido úrico encontram-se elevados, mas ainda não se desenvolveu a doença (o risco de gota aumenta em função do grau e duração da hiperuricemia). Nos casos de hiperuricemia primária, 90% dos casos são decorrentes de um problema na eliminação renal do ácido úrico, sendo o restante devido uma hiperprodução endógena.

 

Hiperuricemia: níveis séricos > 7 mg/dl.

Se hiperprodução endógena: eliminação renal > 800 mg/24h.

 

 

     Dentre as causas de hiperuricemia secundária, destacamos: álcool, obesidade, diuréticos tiazídicos, hipertrigliceridemia, neoplasias hematológicas, anemias hemolíticas e psoríase.

                                      

     O quadro de artrite gotosa aguda é extremamente doloroso e de início súbito, sendo geralmente uma monoartrite sem manifestações sistêmicas (acometimento do grande artelho, ou podagra, em 90% dos casos). A crise de gota depende da fagocitose de cristais de ácido úrico liberados no espaço sinovial. Entretanto, as crises se resolvem completamente em 3 a 10 dias. O período assintomático entre as crises é denominado período intercrítico, sendo fundamental para a caracterização da doença. Com o tempo, as recaídas tendem a ser mais frequentes, duradouras e graves (pode-se tornar oligo ou poliarticular, podendo inclusive deixar certo comprometimento residual). Lembre-se: durante a crise aguda, a uricemia pode encontrar-se normal (por isso, não é utilizada para o diagnóstico!).

                                    

     A gota tofosa crônica caracteriza-se pela formação de tofos teciduais (tofos são acúmulos de cristais envolvidos por tecido granulomatoso). Sua sede clássica, mas não a mais frequente, é o pavilhão auricular. Pode também se desenvolver nos rins, gerando uma nefropatia crônica por urato. Também faz parte da síndrome a nefrolitíase por ácido úrico, podendo se manifestar durante as etapas de gota aguda, período intercrítico ou gota tofosa crônica.

 

 

Resumindo:

  • Homens 40-50 anos;
  • Hiperuricemia primária (> 7 mg/dl) por problema na eliminação renal (90% dos casos) ou por hiperprodução endógena (> 800 mg/24h);
  • Hiperuricemia assintomática: ainda não é gota;
  • Artrite gotosa aguda: artrite dolorosa de início súbito (podagra em 90% dos pacientes);
  • Durante a crise aguda, a uricemia pode encontrar-se normal;
  • Período intercrítico: fundamental para a caracterização da doença;
  • Gota tofosa crônica: tofos em cartilagens, articulações, tendões, partes moles e interstício renal;
  • Nefrolitíase pode se manifestar no decorrer de quaisquer dessas etapas, à exceção da hiperuricemia assintomática.

 

     No próximo post, abordaremos o diagnóstico e o tratamento da gota, além de trazer algumas questões clássicas de concursos. Até a próxima!

Igor Torturella

Igor Torturella

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