CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 6

CTI – Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) – Parte 6

    

     Bem vindo! Hoje encerraremos nossa série de artigos sobre RCP. Como conversamos no último post, serão expostos a AESP e a Assistolia. Faremos, ainda, uma breve passagem pelo tópico de cuidados pós RCP. Fique atento!

     A Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) e a Assistolia NÃO são passíveis de choque. Mas por quê?

1. A AESP caracteriza-se por possuir uma atividade elétrica ventricular que já é organizada, tendo, por isso, possibilidade de gerar pulso central. Ao chocar o paciente que apresenta esse ritmo, pode-se provocar uma desorganização. Logo, seria mais um problema a ser resolvido. É importante identificar as causas da AESP para que se possa direcionar o tratamento. Algumas dessas causas são reversíveis e conhecidas com 5H e 5T.  São elas:

 

CAUSA TRATAMENTO
HIPOVOLEMIA Administrar VOLUME
HIPÓXIA OXIGÊNIO
H+  (Acidemia) Administrar BICARBONATO DE SÓDIO
HIPOTERMIA REAQUECER
HIPOCALEMIA/HIPERCALEMIA Reposição de POTÁSSIO/BICARBONATO DE SÓDIO
TAMPONAMENTO CARDÍACO Realizar PUNÇÃO PERICÁRDICA
TROBOEMBOLISMO PULMONAR Tratar PCR, considerar TROMBÓLISE
TROMBOSE CORONARIANA Tratar PCR, considerar tratamento de REPERFUSÃO
TENSÃO (pneumotórax  hipertensivo)

Realizar PUNÇÃO de alívio/drenagem de tórax

TÓXICO ANTAGONISTA específico

 

AESP (Atividade Elétrica sem Pulso) – “NÃO CHOCÁVEL”

 

     OBS: A hipovolemia é a principal causa de AESP.

 

2. A ausência de atividade elétrica é o que caracteriza a Assistolia, sendo o ritmo de pior prognóstico.  Muita ATENÇÃO, pois o diagnóstico de assistolia muitas vezes é dado erroneamente, pois alguns fatores podem levar a isso. Para evitá-los, deve-se observa se a conexão dos eletrodos está correta, deve-se aumentar o ganho do monitor cardíaco e checar o ritmo em duas derivações. Tais ações constituem o PROTOCOLO DE LINHA RETA.

 


Assistolia – “NÃO CHOCÁVEL”

     O quadro de causas anteriormente citado aplica-se, também, à assistolia.

     As drogas a serem utilizadas no tratamento de ambos os ritmos são:

  1. Epinefrina: é a primeira escolha. A apresentação é em Ampolas de 1mg, sendo a dose inicial de 1mg de 3/3 a 5/5 minutos e a dose máxima é inderteminada.
  2. Pode-se utilizar a Vasopressina com a finalidade de substituir a primeira ou segunda dose de adrenalina ou, ainda, como primeira droga. Sua apresentação é de 20 unidades/ml e a dose inicial é de 40 unidades. A dose máxima é de 40 a 80 unidades.

     Quando interromper as manobras de reanimação?

     Essa decisão envolve vários fatores, tais como: quanto tempo passou entre o início a PCR e a desfibrilação, quando tempo decorreu entre a parada e o início das manobras, o prognóstico antecipado do paciente, história patológica do mesmo, entre outros. Além disso, se, na assistolia, não há reversão da parada, mesmo após serem aplicadas todas as medidas terapêuticas possíveis, deve-se considerar o fim dos esforços de ressuscitação.

     Cuidados pós RCP
 

 

     Encerramos aqui nosso módulo de Ressuscitação Cardiopulmonar. Esse tema, por sua imensa importância, deve ser lido com muita atenção, visando preparar teoricamente para, munido de complementação prática, prestar um socorro de qualidade quando necessário.

     É muito satisfatório poder fazer parte da construção de seu conhecimento! Nos próximos artigos, daremos continuidade ao tópico CTI. Continue conosco!

Celso Neto

Bibliografia

 

1.Ética e Questões Legais em RCP: quando iniciar e quando interromper a RCP. http://www.saj.med.br/uploaded/File/novos_artigos/152.PDF

2.Arq. Bras. Cardiol. vol.101 no.2 supl.3 São Paulo Aug. 2013     http://dx.doi.org/10.5935/abc.2013S006 

3.MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.

 

Celso Alves Neto

Você deve estar logado para postar um comentário