outubro 2014 – Página: 3 – Widoctor

Archive outubro 2014

Ascites: Abordagem Diagnóstica

    Ascite é a presença de líquido na cavidade peritoneal, sendo uma manifestação comum a várias doenças. Encontra na hipertensão portal do paciente cirrótico sua principal causa. Em todo paciente com ascite, faz-se obrigatória a realização de uma paracentese diagnóstica. Desse modo, torna-se possível o exame do líquido ascítico em seu aspecto macroscópico, bioquímico e citológico.

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SEPSE – Parte 1 – Conceitos gerais

 

     Iniciaremos hoje esse tema de importância ímpar no CTI. Conversaremos de maneira mais detalhada possível sobre esse processo, a fim de proporcionar um auxílio mais aprofundado para construção do seu conhecimento. Seja bem vindo!

 

    A identificação e adequado tratamento precoce da SEPSE demonstram ser fatores eficazes para redução de mortalidade em pacientes por ela acometidos. Para isso, é necessário saber não só o tratamento medicamentoso, mas também todo o processo etiológico e fisiopatológico da enfermidade.

Conceitos EXTREMAMENTE essenciais:

SIRS, SEPSE, SEPSE GRAVE e CHOQUE SÉPTICO.

 


 
 

     A SIRS (SRIS) é a Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica, sendo uma resposta generalizada a diversos agressores. Para que o diagnóstico seja fechado, deve-se obedecer a no mínimo dois dos critérios abaixo:

1.  Temperatura: < 36 OU >  38º C;

2.  Taquicardia: FC > que 90 bpm;

3. Taquipneia: FR > que 20 irpm OU PCO2 < 32 mmHg OU necessidade de ventilação mecânica desencadeada por processo agudo.

4. Contagem leucocitária: > 12.000 OU < 4.000 leucócitos OU mais que 10% de formas imaturas (bastonetes).

 

SEPSE: inclui o conceito de SIRS, adicionando-se a necessidade de se ter ou se presumir uma infecção associada. Logo, SEPSE = SIRS + Infecção.

     

SEPSE GRAVE: inclui o conceito de SEPSE, adicionando-se uma disfunção orgânica, hipotensão ou hipoperfusão tecidual. Logo, SEPSE GRAVE = SEPSE + Disfunção orgânica

 

CHOQUE SÉPTICO: inclui o conceito de SEPSE, adicionando-se uma hipotensão que persiste apesar do adequado manejo de ressuscitação volêmica e que não se pode recuperar sem o tratamento medicamentoso vasopressor. Logo, CHOQUE SÉPTICO= SEPSE + Hipovolemia não responsivo à ressuscitação volêmica + tratamento vasopressor (ou presença de hiperlactemia).

 


 

      E INFECÇÃO, o que é?

    É um fenômeno microbiano que desencadeia uma resposta inflamatória pela PRESENÇA de dado microrganismo ou, ainda, pela INVASÃO pelo mesmo de tecidos estéreis .

 

    No segundo módulo o tema será aprofundado, no qual destacaremos a fisiopatologia da SEPSE. Continue conosco!

 

Celso Neto

 

 

Bibliografia

1. Sociedade Brasileira de Infectologia

2. Revista Brasileira de Terapia Intensiva

3. International Guidelines for Management of Severe Sepsis and Septic Shock

4. MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.

Endocrinologia : boa opção

Pergunta : Sebastião Cardoso (Universidade Federal de Ouro Preto)

 

Bom dia. Seria muito arriscado optar por uma especialidade como Endocrinologia nos dias de hoje? Visto que nesta área não há procedimentos e estamos, talvez, sob pressão de planos de saúde?

Além disso, gostaria de saber qual perfil de pacientes irei mais lidar. Muito obrigado.

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Bacharel em Medicina

 

Pergunta: Paulo Lacerda (Universidade Federal do Amapá)

Olá, a respeito dos diplomas de médico e de bacharel em medicina, quais as diferenças dessa mudança de nomenclatura na prática no Brasil e no exterior? Caso minha faculdade seja de bacharelado em medicina, existe algum meio legal de conseguir que no diploma saia que minha titulação é de médico?

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ACNE! E agora??? Parte 1 – Patogênese e manifestações – (Espinha)

     Como se a adolescência já não fosse um período suficientemente complicado para uma grande parcela dos jovens, ainda surgem pequenos “problemas” que, para muitos, representam mais um motivo complicador para essa fase. Dentre eles, a ACNE se destaca como uma grande vilã, sendo, muitas vezes, um motivo de autoestima baixa.

 

    

Tentemos, então, esclarecer um pouco sobre a bendita ESPINHA e, sob a luz desse esclarecimento, descontruir o medo que ronda esse incômodo.

O que é? E como surge?

     Costumeiramente, usamos o nome Acne como sinônimo de Espinha. Contudo, o conceito de Acne é mais extenso, já que essa dermatose engloba todas as manifestações decorrentes dela: espinhas, cravos, caroços, cistos e cicatrizes.

     Como podemos observar no nosso dia-a-dia, a acne acomete também a população adulta, apesar de ser, majoritariamente, uma afecção presente em adolescentes. Nos homens, a acne costuma ser mais grave, mas nas mulheres costuma ser mais duradoura (motivos endócrinos).

     A formação da acne se dá pela obstrução dos poros, que pode ocorrer por produção excessiva de sebo, por resto de células mortas e bactérias nos folículos pilosebáceos (principalmente Propionibacterium acnes). Sob a atividade hormonal, a produção de sebo é aumentada.

E quais são as regiões mais acometidas? E como se manifesta?

     Em maior proporção o rosto, sendo em, menor grau, costas, peito e ombros.

As lesões podem ou não ser inflamatórias:

1) As não-inflamatórias são os comedões abertos (pontos negros) e os comedões fechados (pontos brancos). O primeiros são caracterizados pela oclusão do folículo por queratina e lipídios. O poro permanece fechado, mas com a superfície aberta. Já os segundos, são caracterizados por uma pápula sobrelevada de difícil visualização, em que tanto os poros quanto a superfície estão fechados.

2)  As inflamatórias apresentam formas variadas, que vão desde pequenas pápulas com aréola inflamatória a pústulas ou nódulos e cistos flutuantes (é o tipo mais grave de acne).

 

     O diagnóstico é clínico. Observe a classificação segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia:

  • Acne Grau I: apenas cravos, sem lesões inflamatórias, espinhas ou cistos.
  • Acne Grau II: cravos e espinhas pequenas – pequenas lesões inflamadas e pontos amarelos de pus, também chamados de pústulas.
  • Acne Grau III: cravos, espinhas pequenas e cistos – lesões mais profundas e dolorosas, avermelhadas e bem inflamadas.
  • Acne Grau IV: cravos, espinhas pequenas e cistos, que se comunicam causando inflamação mais grave e aspecto desfigurante.  Este tipo de acne também é conhecido como acne conglobata.
  • Acne Grau V: surgimento súbito da acne com lesões graves, como cistos dolorosos que ulceram deixando grandes cicatrizes, acompanhado de sintomas gerais, como febre, mal estar e dor no corpo. É uma forma rara e mais comum no sexo masculino.

 

     No próximo artigo daremos continuação a esse tópico, no qual serão expostos o tratamento e a profilaxia da acne. Continue Conosco! Até a próxima.
 

Celso Neto

 

Bibliografia

  1. Academia Española de Dermatología y Venerealogía  – AEDV
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD
  3. American Academy of Dermatology – AAD

 

ACNE! E agora??? Parte 2 – Tratamento e Profilaxia – (Espinha)

     Hoje daremos continuidade ao tópico ACNE. Destacaremos as principais formas de tratamento e a profilaxia.

 

Tratamento

     Em algumas pessoas, a acne tem uma resolução espontânea, não exigindo um tratamento medicamentoso, seja ele tópico ou oral ou mesmo tratamento estético. No entanto, outros pacientes necessitam de algum tipo de tratamento médico. Adiante serão expostos alguns dos principais tratamentos disponíveis no mercado.

 

Uso oral:

1)  A Isotretinoína é administrada a pacientes que apresentam a acne mais grave e refratária a outros tratamentos. Seu uso não se restringe a esses casos, pois como foi dito anteriormente, a afecção é acompanhada, muitas vezes, de um componente psicológico no que diz respeito à autoestima. Dessa forma, a droga é também indicada a pacientes com esse perfil. O mecanismo de ação ainda não está muito elucidado, contudo, sabe-se que reduz o tamanho das glândulas sebáceas e a produção de sebo em até 90%.

 

2) Os antibióticos atuam na eliminação das bactérias e, indiretamente, no processo inflamatório. Seus efeitos podem ser avaliados após 6 a 8 semanas de uso. Mas isso não indica, necessariamente, que o tratamento deva ser interrompido. Pode durar muito mais tempo.

 

3)   A regulação hormonal, no caso de algumas mulheres, é um fator importante no combate a acne. Assim, os anticoncepcionais e outros medicamentos que atuam nesse âmbito podem ser de grande utilidade.

 

Uso tópico:

1)       Peróxido de benzoilo.   

2)       Antibióticos.

3)       Acido retinoico tópico.

4)       Acido azelaico

5)       Nicotinamida.

6)       Adapaleno.

7)       Tazaroteno.

 

Tratamento estético:

1)   Limpeza de pele,

2)   Peelings químicos,

3)   Lasers (outras terapias com luz)

 

 

Profilaxia

     Alguns fatores influenciam no agravamento da acne, sendo assim, evitá-los é um bom ponto de partida. Evitar comidas muito calóricas e gordurosas, não espremer as espinhas, evitar muita exposição ao sol e às substâncias que originam comedões (óleos e cosméticos) e controlar o estresse são algumas das ações positivas na profilaxia.   

     O tratamento, qualquer que seja, deve ser acompanhado pelo dermatologista, que é o profissional qualificado para tal. É mandatório atentar-se para as indicações, contraindicações e cuidados durante o processo. O médico é que poderá dar suporte de qualidade para que se possa alcançar o êxito desejado.

Continue conosco!

 

Celso Neto

Bibliografia

  1. Academia Española de Dermatología y Venerealogía  – AEDV
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD
  3. American Academy of Dermatology – AAD