SEPSE – Parte 6 – Diagnóstico Diferencial e Tratamento

SEPSE – Parte 6 – Diagnóstico Diferencial e Tratamento

Hoje finalizaremos o tema, destacando o diagnóstico diferencial e o tratamento. Seja bem vindo!

 

     

     São várias as enfermidades que fazem parte da lista de diagnóstico diferencial de SEPSE ou Choque Séptico, dentre as quais podemos citar doenças cardiovasculares, pulmonares, abdominais, neurológicas e metabólicas.

  • Cardiovascular:

Choque cardiogênico

Insuficiência cardíaca descompensada

 

  • Pulmonar:

SDRA

Embolia pulmonar

 

  • Abdominal:

Pancreatite aguda

 

  • Neurológico:

Hemorragia subaracnóidea

Encefalopatia

 

  • Metabólico:

Intoxicação aguda

Anafilaxia

Síndromes hipertérmicas

Crise tireotóxica

Crise addisoniana

 

Tratamento

 

     O tratamento na sepse/choque séptico deve ser instituído o mais precocemente possível a fim de se garantir um melhor prognóstico. São preconizadas metas importantes:

  • Controle do foco infeccioso,
  • Iniciar prontamente ressuscitação hemodinâmica com solução cristaloide,
  • Se PAM < 65 mmHg após ressuscitação volêmica, fazer Noradrenalina,
  • Manter  SvcO2 > 70 %, prescrevendo dobutamina caso seja necessário para atingir esse objetivo,
  • O lactato sérico deve ser normalizado dentro das 6 primeiras horas,
  • Se for necessário aumentar frequentemente a Noradrenalina com objetivo de se manter PAM > 65 mmHg ou no choque refratário, utiliza-se a hidrocortisona.
  • Em choque refratário à Noradrenalina utiliza-se a vasopressina ou epinefrina.

 


    

     

     Aos pacientes ressuscitados nas primeiras 6 horas integra-se ao manejo da sepse a terapia guiada por metas, as quais incluem, além das metas das 6 horas, a intubação orotraqueal e ventilação mecânica, que podem ser procedimentos necessários durante o atendimento.

MUITO IMPORTANTE: deve-se fazer uma abordagem protocolizada do controle da glicose no sangue em pacientes da UTI com sepse grave, iniciando a dosagem de insulina quando 2 níveis consecutivos de glicose no sangue forem >180mg/dL. Essa abordagem protocolizada deve visar um nível mais alto de glicose no sangue ≤180mg/dL em vez de um nível mais alto de glicose no sangue ≤ 110mg/dL. Os valores de glicose no sangue devem ser monitorados a cada 1–2 horas até a estabilização dos valores de glicose e das taxas de infusão de insulina, e após isso, a cada 4 horas. Os níveis de glicose obtidos com o teste laboratorial remoto do sangue capilar devem ser interpretados com cautela, pois tais medições podem não estimar com precisão os valores de glicose no sangue ou plasma arteriais (UG).

 

Ainda, caso necessário, deve-se:

  • Fazer profilaxia para úlcera de estresse,
  • Profilaxia para trombose venosa profunda,
  • Diálise,
  • Transfusão de hemácias,
  • Transfusão de plaquetas.

 

Antibioticoterapia

 

     Iniciado o protocolo de sepse, o tratamento deve ser instituído na primeira hora. A cada hora de atraso do início do tratamento, aumenta-se 4% na chance de mortalidade. A eleição do antibiótico será baseada levando-se em consideração o foco de infecção suspeito, os antecedentes do paciente, o padrão de resistência local e o local em que se contraiu a infecção. Remover o foco infeccioso é de extrema importância.

 

     Encerramos aqui nosso módulo de SEPSE. Aprofunde seus conhecimentos no tema e esteja o mais preparado possível!

 

Celso Neto

Para saber mais:
http://www.survivingsepsis.org/SiteCollectionDocuments/Guidelines-Portuguese.pdf
 
Bibliografia
 
1. Sociedade Brasileira de Infectologia
2. Revista Brasileira de Terapia Intensiva
3. International Guidelines for Management of Severe Sepsis and Septic Shock
4. MARTINS, Herlon Saraiva et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014.
5. Protocolo de Atenção à Saúde – SEPSE no Adulto. Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

Celso Alves Neto

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