fevereiro 2016 – Widoctor

Archive fevereiro 2016

Zika vírus

Zika vírus

O vírus zika é um parente do vírus da dengue e da febre amarela presente na África e sudeste Asiático há décadas.  Posteriormente em 2013 a doença causou uma epidemia nas ilhas do Pacífico e em 2015 alcançou a América do Sul. Classicamente descrita como uma doença de curso benigno que se apresenta como um estado febril comum a muitas outras infecções, atualmente avalia-se uma possível relação entre infecção em pacientes grávidas e desenvolvimento de microcefalia nos filhos dessas mães. Mais ainda, notou-se que alguns pacientes desenvolvem síndrome de Guillain-Barré (SGB) pela infecção do vírus. Entretanto, não há ainda evidências consistentes na literatura que suportem essas hipóteses. O que temos até agora são apenas relatos de caso, mas não grandes estudos. Outra hipótese é a transmissão da doença por via sexual.
Transmissão

  • Principalmente por picada de mosquito Aedes aegypti infectado
  • Por hemotransfusão
  • Transmissão vertical
  • Potencialmente por via sexual (vírus já foi detectado no sêmen)

Apresentação

  • Estima-se que até 80% das infecções são subclínicas ou leves
  • Incubação de 3 a 12 dias
  • Paciente pode apresentar febre, conjuntivite, artralgia, mialgia, exantema, prurido, cefaléia, dor retroorbitária e edema
  • Clínica dura de 2 a 7 dias
  • Diagnósticos diferenciais: dengue, chikungunya, sarampo, febre escarlate, riquetsiose, leptospirose, rubéola e sífilis secundária
  • Até o momento menos de 10 pacientes foram ao óbito pela infecção do zika, e somente 3 morreram em consequência da SGB

Definição de caso suspeito segundo a OPAS

  • Exantema ou febre acima de 37,2ºC acompanhada de qualquer um dos fatores abaixo
    • Artralgia ou mialgia
    • Conjuntivite não purulenta
    • Hiperemia conjuntival
    • Cefaléia
    • Mal estar

Exames confirmatórios

  • Detecção de RNA viral em amostras de sangue por PCR

Conduta

  • Tratamento é de suporte
  • Não há qualquer recomendação acerca de quais drogas são as mais adequadas para o alívio sintomático

 
Falaremos do vírus zika em pacientes gravidas em um artigo futuro.
 
Fonte: Ahmad Shazaad S Y, Amin Tejal N, Ustianowski Andrew. Zika virus: management of infection and risk

A importância da publicação durante a graduação

A importância da publicação durante a graduação

Cara Caroline,
O quão importante é uma publicação durante a graduação?
Aaron Dale, aluno do segundo ano de medicina da Universidade de Oxford.

Resposta por Caroline Elton:
Na vida profissional é vital sabermos claramente os limites do nosso conhecimento. Quando eu recebi esta pergunta no meu email, embora eu tivesse algumas idéias sobre o assunto, preferi consultar a opinião de um clínico envolvido com o ensino médico já que ele teria um entendimento melhor sobre o tema.
Um ditado que diz “se você quer algo feito, peça a uma pessoa ocupada” veio a minha mente, por isso escrevi  a Jeremy Levy, um nefrologista experiente, diretor acadêmico de treinamento clínico do centro de ciências do Imperial College Academic Health e diretor clínico do Health Education North West London para pra citar algumas de suas responsabilidades.
Primeiramente o prof Levy disse que os alunos que queiram ingressar no magistério precisam apresentar provas de que alcançaram um certo grau de excelência acadêmica.  É óbvio que prêmios acadêmicos ganhos através de suas notas durante o curso são meios claros de demonstrar sua proficiência acadêmica, mas uma publicação sempre é um diferencial que demonstra compromisso e credibilidade. Sua publicação não precisa ter saído em revistas como NEJM ou Lancet. O importante é que o artigo tenha sido publicado por qualquer revista desde que ela seja indexada. O artigo publicado é fruto da dedicação, planejamento e persistência de quem publica. Ter uma publicação indica que você possui essas qualidades.
Mais ainda, ser autor de um artigo ajuda também aqueles que não tem interesse em trabalhar no meio acadêmico, pois isso demonstra que você é um médico que domina o princípio de “medicina baseada em evidências”. Ter um artigo no seu CV faz com que você pule facilmente para uma das primeiras posições na pilha de aplicações dos programas de recrutamento.
Por último, o período da graduação é o melhor momento para desenvolver um paper. Isto porque depois de formado os compromissos são cada vez mais numerosos e direcionados a construir a sua carreira de especialista. Tome como exemplo a residência. Você terá que comparecer aos rounds do serviço, atender os pacientes, dar plantões, etc. Por isso procure escrever um artigo antes de formado, porque em tese você terá 6 anos para se dedicar parcialmente a este projeto.

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/858085

Ortopedia Para Mulheres

Ortopedia Para Mulheres

Pergunta : Alessandra ( Universidade Federal de Goiás )
Antes fazer qualquer pergunta , gostaria de elogiar o seu site que tem me esclarecido muitas dúvidas, parabéns. Sou aluna do 6° ano, final do ano prestarei a prova de residência , ainda não sei qual especialidade escolherei , estou em dúvida entre ortopedia e cirurgia geral. No teste vocacional sempre aparece cirurgia plastica, ortopedia , urologia entre as primeiras opções. Meus sentimentos sinceros seria fazer ortopedia, porem penso que talvez possa sofrer preconceito por ser mulher e ainda tem o ditado de que ortopedista é “burro”. Gostaria de saber se tem aumentado o numero de mulheres nessa área? ainda necessita de força física? você acha que deveria fazer ortop ou cirurgia geral , pensando no mercado de trabalho nos dias atuais?
Resposta :
Já está passando a hora de se definir pela especialidade. Tire logo esse tormento da cabeça para ter tranquilidade de se preparar para a prova de residência.
Na escolha, além de levar em conta a qualidade de vida objetivada e a remuneração própria da especialidade, é muito importante se analisar como será seu dia a dia de acordo com a sua escolha. Em qual situação vc se sentirá mais confortável; com o dia a dia de um cirurgião geral ou com o dia a dia de um ortopedista ?
Atualmente os ortopedistas gozam de alto conceito e já passou o tempo em que o ortopedista era considerado “grosso e burro”. Os equipamentos progrediram muito e não se tem mais que fazer grande força no desempenho da especialidade. Tem crescido muito o número de mulheres ortopedistas.
A ortopedia está na relação das melhores especialidades do momento. População envelhecendo com conseqüente mais problemas ortopédicos. Maior valorização do culto ao corpo, maior crescimento das academias de ginástica e ainda a proximidade das Olimpíadas  apontam para um incremento da atividade física pela população com conseqüente aumento das lesões de esforço repetitivo.
A ortopedia também é uma das especialidades com maior número de procedimentos pequenos e médios  em ambulatório, além de cirurgias de médio e grande porte.  Tudo isso contribui para agregar valor à consulta do especialista.
A qualidade de vida do ortopedista não é tão boa quanto a do dermatologista ou do oftalmologista, por exemplo, mas como a maioria dos procedimentos é eletiva, não é difícil de organizar a agenda particular do especialista.
Com 5 anos de formado vc terá terminado a residência dois anos antes e provavelmente estará dando plantão como ortopedista, recebendo um salário de cerca de R$ 7.000,00/mês/24 h de plantão semanal (esse valor vai variar dependendo da cidade onde estiver trabalhando).
Se já tiver iniciado atividade em consultório particular próprio (sugiro que alugue um horário em um consultório de ortopedia a partir do segundo semestre do R2), poderá estar atendendo no consultório 3 tardes por semana e se atender apenas 5 pacientes particulares por dia, cobrando uma faixa de 300,00 a consulta, estará faturando mais uns 18.000,00 por mês.
Somando o valor do plantão mais o valor do consultório e mais alguns procedimentos e cirurgias como cirurgião ou como auxiliar, poderá tranquilamente estar recebendo mais de R$ 25.000,00 por mês.
Daí pra frente e com possibilidade de conseguir alguns convênios com planos de saúde, sua remuneração tende a aumentar.
Sucesso
Mário Novais

4 técnicas de estudo obrigatórias em medicina

4 técnicas de estudo obrigatórias em medicina

Fizemos uma lista dos 4 mais eficazes métodos de estudo segundo a neurociência.

1. Aprendizado apoiado em exercícios

Muito embora testes e questões estejam associados à fase final do aprendizado, especialistas tem demonstrado que ao contrário do que se pensa, os exercícios são excelentes ferramentas pedagógicas durante todo o período de estudo. O uso de banco de exercícios durante o aprendizado é mais eficaz em reter o conhecimento do que a leitura ou assistir aulas. Boas ferramentas para esta técnica são as provas passadas e os flashcards.

2. Repetição periódica

A maioria dos alunos de medicina estuda de véspera, varando a madrugada lendo quase a totalidade de matéria do período em poucas horas. Isso pode até ser útil para fazer as provas, entretanto poucos dias depois todo conteúdo é esquecido. A retenção do conhecimento é melhor quando revisamos de tempos em tempos aquilo que foi estudado no passado. É como nossa memória imunológica. Se uma pessoa é vacinada para certa doença, o nosso organismo estará protegido por algum tempo, mas não para sempre. É preciso um reforço de tempo em tempo afim de manter as defesas do organismo. O nosso cérebro funciona de uma maneira muito parecida.

3. Prática intercalada

Esta técnica é muito parecida com a anterior. Vamos supor que você irá estudar os assuntos X, Y  e Z. A intuição nos diz que o plano de estudo deve ser XXX, depois YYY e ZZZ. Já com a prática intercalada, o plano seria XYZXYZXYZ. Quando fragmentamos e embaralhamos a matéria, a nossa atenção estará sempre mantida, maximizando o rendimento de aprendizado. Imagine estudar um mesmo assunto por 2 ou 3 horas. Rapidamente nos sentimos fadigados devido a monotonia e por isso começamos a ler no automático, levando a um baixo índice de memorização. Quando for estudar as drogas psicotrópicas, por exemplo, não leia os antipsicóticos todos de uma vez, mas sim estude o haloperidol, depois o lítio, daí volte para a clorpromazina e assim por diante.

4. Associações de memorização

Este método baseia-se na associação entre o assunto a ser memorizado com algo que facilite sua recordação. O melhor exemplo são os mnemônicos, como por exemplo a frase “Flamengo Clube Brasileiro Irrita Atodos.” Eu aprendi esta frase no ensino médio para decorar os elementos da 17ª família da tabela periódica: Flúor, Cloro, Bromo, Iodo e Ástato. A técnica é tão boa que mesmo 10 anos depois eu ainda me lembro dos elementos.
Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/849951

NOVOS CRITÉRIOS PARA SEPSE!

NOVOS CRITÉRIOS PARA SEPSE!

A sepse é uma síndrome relacionada às infecções que vem ano a ano aumentando a incidência em todo mundo. Em 1991 foi realizado um consenso no qual pela primeira vez a sepse foi definida. Uma vez que a última atualização sobre o tema foi feita há 15 anos atrás em 2001, a Sociedade Europeia de Medicina Intensiva e a Sociedade de Medicina de Cuidados Críticos uniram 19 especialistas de diversas áreas numa força tarefa afim de rediscutir a sepse considerando o que há de mais novo em medicina baseada em evidências. O resultado desse trabalho foi publicado esta semana no JAMA. Os pontos chaves desta atualização são os seguintes.
A sepse agora é clinicamente definida como infecção associada à disfunção orgânica. Esta disfunção orgânica é identificada através do score Sequential Organ Failure Assessment, mais conhecido como SOFA. Uma variação aguda de 2 pontos ou mais no SOFA associada à infecção define o estado séptico. Abaixo temos uma tabela para o SOFA.
SOFA
 
 
A definição de choque séptico é: sepse acompanhada de hipotensão persistente mesmo após administração adequada de hidratação intravenosa, necessitando de aminas vasoativas para manter a pressão arterial média igual ou maior que 65mmHg num paciente com lactato maior que 2mmol/L.

  • Choque séptico = ressuscitação volêmica adequada + terapia vasopressora afim de manter PAM acima de 65 mmHg + lactato sérico maior que 2mmol/L

Outra novidade é que a força tarefa desenvolveu um novo score baseado no SOFA denominado qSOFA (quick SOFA) que serve como rastreio para pacientes que correm risco de desenvolver sepse. A grande utilidade do qSOFA é que ao contrário do score matriz, ele não usa qualquer variável laboratorial, tornando-o muito fácil de usar à beira do leito. Se pelo menos 2 das 3 variáveis forem encontradas, recomenda-se investigar disfunção orgânica através do SOFA, reavaliar a terapia, aumentar a monitorização e considerar referenciar o paciente a um especialista em medicina intensiva. Em pacientes sem suspeita de infecção, um qSOFA positivo deve levantar a hipótese de infecção.

qSOFA

Frequência respiratória maior ou igual a 22/min
Alteração do estado mental
Pressão sistólica menor ou igual a 100mmHg

Por último um algoritmo que resume a conduta frente a um possível caso de sepse.
algoritmo
Fonte: Singer M, Deutschman CS, Seymour C, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-810. doi:10.1001/jama.2016.0287.

Mercado da Cirurgia Plástica

Mercado da Cirurgia Plástica

Pergunta : Mateus Bresser ( Universidade Federal do Ceará )
Como é o mercado, para o cirurgião plástico, fora do eixo Rio-São Paulo? É muito menos desenvolvido?,
Resposta :
O Mercado de cirurgia plástica de um modo geral, é muito bom. O Brasil é o maior mercado dessa especialidade do mundo. São cerca de 600.000 cirurgias plásticas por ano no Brasil.
Mesmo em cidades menores o mercado é bom . Mas a especialidade exige uma boa formação médico- cirúrgica, principalmente feita no Rio de Janeiro ou São Paulo.
A formação é lenta (residência de cirurgia geral e depois residência de cirurgia plástica ) e a solidificação no mercado também é demorada..
O sucesso vai depender de uma série de fatores , tais como formação médica, tempo de formado, tamanho da cidade, concorrência local, resultados obtidos nas cirurgias e principalmente o marketing que realizar para facilitar a visibilidade no meio.
Além disso a vida útil do cirurgião plástico é menor do que nas outras especialidades porque os pacientes não gostam de operar com médicos muito novos mas também não querem operar com médicos acima dos 60 anos de idade.
Sucesso
Mário Novais

Fellowship nos EUA

Fellowship nos EUA

Pergunta:

Boa Noite Vitor,
Estou no 5 semestre e interessado em me especializar por lá. Tenho grande interesse em oncologia e vi que o fellowship lá dura 3 anos, tal como a residência aqui. Gostaria de saber se é possível fazer a residência em clínica médica aqui no Brasil e depois aplicar para o fellow em oncology/hematology nos eua ou se é necessário fazer a residência em internal medicine por lá para poder aplicar nesses programas.
Também gostaria de saber com relação aos estágios se é necessário fazer o step 1 para fazer o internato eletivo por lá e uma estimativa do custo para fazer o step 1 (valor da prova, taxas, tradução de documentos). Outra dúvida seria de como conseguir esses estágios.
Obrigado!
Pedro.
Resposta:
Boa noite guilherme,
Para fellow n precisa fazer nada la, vc pode fazer residencia aqui e aplicar.
Se vc n tiver os steps n pode atender paciente, tem que ser observership.
Eu nao me lembro todos os custos da prova, eu escrevi muita coisa nos artigos do site, sao da epoca que fiz entao te aconselho a ler todos pois tem dicas valiosas.
Olhe no site do ecfmg para saber de valores atuais.
Sobre internato eletivo nao sei.
Os programas vc tera que pesquisar no google mesmo, alguns hospitais tem programas oficiais, outros vc pode mandar e-mail para os chefes do servico na cara de pau e pedir.
Sucesso, abraco
Vitor Torturella

Os Dez Mandamentos do Residente

Os Dez Mandamentos do Residente

Muitos estão iniciando a residência médica agora e alguns princípios básicos podem ajudar a ” mandar bem ” nesse período tão importante da carreira. :
 
OS DEZ MANDAMENTOS DO RESIDENTE :
1.     Residência significa “Treinamento em Serviço”, por isso atenda o maior número possível de pacientes.
2.     Faça o seu “filme” com seu staff e com seus colegas de residência; sua fama futura no meio médico dependerá        disso.
3.     Aproxime-se do seu staff ( sem bajulação ); é ele que mais facilmente poderá te inserir no mercado de trabalho da especialidade.
4.     Pontualidade e assiduidade são fundamentais para um residente.
5.     Esteja sempre preparado para as rondas clínicas, estudando os casos da sua enfermaria no dia anterior.
6.     Na discussão de casos na enfermaria ou nas sessões clinicas, dê sempre sua opinião, desde que esteja por dentro do assunto.
7.     Mostre-se sempre bem interessado e tome iniciativa para resolver os casos clínicos ou mesmo burocráticos.
8.     Trabalhe sempre “com crédito” com os colegas. Se um residente estiver precisando de cobrir um plantão, por exemplo, não espere ele pedir; se ofereça.
9.     Trate bem os funcionários administrativos e demais membros da equipe de saúde do seu setor; sua simpatia abrirá muitas portas.
10.  Assuma posição de liderança ( discretamente ) se oferecendo, por exemplo, para realizar mensalmente um clube de revista com resumos de artigos recém publicados
Sucesso
Mário Novais

As Melhores Especialidades Médicas

As Melhores Especialidades Médicas

Levando-se em consideração vários aspectos da profissão médica, incluindo ganhos financeiros, crescimento rápido de clientela, tempo livre, regularidade de horários, tendências futuras, status do profissional, facilidades de procedimentos além das consultas e acima de tudo melhor qualidade de vida, podemos criar um ranking com as seis melhores especialidades médicas do momento ( em ordem alfabética ):
– Dermatologia
– Diagnóstico por imagem
– Endocrinologia
– Oftalmologia
– Ortopedia
– Otorrinolaringologia
Porém é preciso que você analise racionalmente qual dessas especialidades combina com a sua personalidade, já que cada uma delas tem um dia a dia diferente e você precisará se sentir feliz e confortável com seu dia a dia.

Sorologia da hepatite B

Sorologia da hepatite B

De todas as hepatites, a hepatite por vírus B (HBV) talvez seja a mais cobrada nas provas. Isto porque sua sorologia envolve muitos antígenos  e anticorpos, e diferentes combinações destes marcadores associam-se a diferentes fases da doença.
Embora este assunto num primeiro momento pareça muito complexo, é melhor abordar o assunto de uma forma mais didática do que decorar as diferentes apresentações. Assim, a interpretação fica muito mais fácil, por isso dificilmente iremos esquecer de como fazer a leitura das sorologias.
Vamos então apresentar os antígenos e os anticorpos e suas respectivas “funções”:

  • HBsAg: Principal indicador de infecção por HBV, raramente ocorrem falsos negativos com este marcador.
  • HBeAg: Indica replicação viral e, consequentemente, infectividade.
  • Anti-Hbe: Anticorpo contra o HBeAg, portanto os dois dificilmente estão presentes simultaneamente. Se o Anti-HBe for positivo, não há replicação.
  • Anti-HBc: Determina a duração da infecção. Se a infecção for aguda ou crônica reativada, encontraremos Anti-HBc IgM. Se for crônica, o Anti-HBc IgM estará presente.
  • Anti-HBs: Este anticorpo confere imunidade ao HBV, logo só pode ser encontrado ou na cura ou em indivíduos vacinados.

Agora que sabemos claramente quais são os marcadores e o que eles significam fica fácil entender e lembrar a tabela abaixo, pois agora entendemos a lógica por trás dela.
 

HBsAg HBeAg Anti-HBc Anti-HBe Anti-HBs
Aguda (replicativa) + +/- IgM
Crônica (replicativa) + + IgG
Crônica (não replicativa) ou
HBV HBeAg negativo (mutante pré-core)
+ IgG +
Infecção por HBV curada no passado e nova infecção por
nova cepa do vírus ou
Processo de soroconversão de de HBsAg para Anti-HBs
+ +/- IgG, IgM +/- +
Reativação de infecção crônica ou
Fase de janela do Anti-HBc
+/- IgM +/-
Portador de HBV em baixos níveis ou
Hepatite B no passado remoto
IgG +/-
Curado IgG +/- +
Vacinado Indetectável +

Fonte: Longo DL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Jameson JL, Loscalzo J. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 19th ed. New York, N.Y: McGraw-Hill Medical; 2014.