maio 2016 – Widoctor

Archive maio 2016

Prevenção de doença cardiovascular

Prevenção de doença cardiovascular

A sexta força tarefa da Sociedade Européia de Cardiologia lançou uma atualização em suas diretrizes de prevenção de doença cardiovascular. O artigo foi publicado na European Heart Journal neste mês de Maio.
O risco de doença cardiovascular (DCV) deve ser avaliado nas seguintes situações:

  • A pedido do paciente
  • Em homens com 40 anos ou mais e em mulheres com 50 anos ou mais ou após a menopausa
  • Quando pelo menos um fator de risco estiver presente (fumo, sobrepeso,sedentarismo, dislipdemia, HAS, DM)
  • História familiar de DCV familiar ou DM ou dislipdemia
  • Sintomas sugestivos de DCV

A avaliação consiste em:

  • Colher história e exame físico
  • Mensurar o risco de DCV usando a tabela SCORE (a menos que o paciente possua DCV, diabetes ou insuficiência renal crônica)

A estratificação do risco é feita da seguinte maneira:

  • Risco muito alto
    • DCV documentada
    • Diabetes + fator de risco ou lesão de órgão alvo
    • IRC grave
    • SCORE maior ou igual a 10%
  • Alto risco
    • Fator de risco único elevado (ex: hipertensão muito alta)
    • Diabetes sem fatores de risco ou lesão de órgão alvo
    • IRC moderada
    • SCORE entre 5 e 10%
  • Risco moderado
    • SCORE  entre 1 e 5%
  • Baixo risco
    • SCORE menor que 1%

A conduta baseia-se em:

  • Medidas comportamentais (cessar o tabagismo, melhorar a dieta, controle de peso, fazer pelo menos 30 minutos de atividade física diária)
  • Tratar a hipertensão (a PA alvo é inferior a 140/90mmHg ou 140/80 em caso de diabetes também)
  • Tratar a diabetes (hemoglobina glicada alvo é inferior a 7%), preferencialmente com iECA ou similar
  • Prescrever estatinas para todos os diabéticos
  • Em pacientes com DM tipo I, o alvo da PA é menor que 130/80mmHg
  • Para dislipidemia os alvos são: LDL menor que 70mg/dL ou redução mínima de 50%  do LDL (risco muito alto), LDL menor que 100mg/dL (risco alto)

Fonte:2016 European Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. Massimo F. Piepoli, Arno W. Hoes, Stefan Agewall, Christian Albus, Carlos Brotons, Alberico L. Catapano, Marie-Therese Cooney, Ugo Corrà, Bernard Cosyns, Christi Deaton, Ian Graham, Michael Stephen Hall, F. D. Richard Hobbs, Maja-Lisa Løchen, Herbert Löllgen, Pedro Marques-Vidal, Joep Perk, Eva Prescott, Josep Redon, Dimitrios J. Richter, Naveed Sattar, Yvo Smulders, Monica Tiberi, H. Bart van der Worp, Ineke van Dis, W. M. Monique Verschuren.

Calendário vacinal

Calendário vacinal

O Programa Nacional de Imunizações foi lançado em 1973 pelo Ministério da Saúde (MS) como estratégia de prevenção de doenças, principalmente na população infantil. O sucesso do programa se deve não só à ampla distribuição das vacinas como também ao planejamento e atualização adequados do calendário vacinal. Na prática clínica, especialmente nos ambulatórios de puericultura da pediatria, é importante saber se o paciente está com as vacinas em dia ou não.
Uma vez que é difícil decorar o esquema de cada vacina, é mais fácil abordar a carteira de vacinação considerando a idade do paciente. Use o guia abaixo como referência para as vacinas em crianças até 11 anos:

  • Ao nascimento: BCG, Hepatite B
  • 2 meses: Penta, VIP, Pneumo 10V, Rotavírus
  • 3 meses: Meningo C
  • 4 meses: Penta, VIP, Pneumo 10V,  Rotavírus
  • 5 meses: Meningo C
  • 6 meses: Penta, VOP, Pneumo 10V
  • 9 meses: Febre amarela
  • 12 meses: Pneumo 10V, Hepatite A, tríplice viral
  • 15 meses: DTP, VOP, Meningo C, tetra viral
  • 4 anos: DTP, VOP, febre amarela
  • 9 a 11 anos: HPV (3 doses)

VIP (pólio injetável, Salk), VOP (pólio oral, Sabin)
Febre amarela é obrigatória somente nas área endêmicas.
HPV é dada somente às meninas.
Pentavalente = DTP + HiB + hepatite B.
Após a última DTP, deve-se fazer dT a cada 10 anos.
Tríplice viral = caxumba, rubéola e sarampo.
Tetra viral = caxumba, rubéola, sarampo e varicela.

Fonte: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/

 

Algoritmo de Brugada

Algoritmo de Brugada

Na eletrocardiografia, existem diversas situações que para um examinador inexperiente 2 ou mais diagnósticos diferentes são possíveis. Um exemplo destes é a taquicardia de complexo QRS alargado (maior que 0,12 segundos). Isto porque tanto pode ser uma taquicardia ventricular (TV) quanto uma taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância. Mesmo que a TSV geralmente curse com QRS estreito, se houver uma via de condução aberrante, o período de despolarização ventricular será prolongado, ou seja, maior que 0,12 segundos.
Em 1991, Brugada et al. propuseram um algoritmo diagnóstico que permite solucionar essa charada com facilidade.

Seguindo este passo a passo, fica fácil distinguir estas duas entidades.
Fonte: Brugada P, Brugada J, Mont L, Smeets J, Andries EW. A new approach to the differential diagnosis of a regular tachycardia with a wide QRS complex. Circulation. 1991;83:1649-1659.

Residências em Hospitais Particulares

Residências em Hospitais Particulares

Pergunta : Robson Coutinho ( Universidade Federal do Ceará )
Doutor, algumas instituições particulares também realizam seleção para Residência Médica. O que senhor tem a dizer quanto às vantagens e desvantagens de uma Residência em hospital público, com grande demanda, e hospital privado?
Resposta :
Na escolha da residência deve-se sempre dar preferência aos Hospitais Universitários, que são comprometidos com o ensino, o que nem sempre ocorre em outros hospitais.
Os critérios básicos para a escolha são :

  1. Precisa ter movimento grande de pacientes, já que residência é “treinamento em serviço “.
  2. Importante que tenha um bom Staff e que seja comprometido com a formação dos residentes.
  3. Quanto melhor for a estrutura hospitalar, mais fácil será o aprendizado.

Nem todas as residências de hospitais particulares atendem a esses 3 critérios básicos. É sempre bom obter informações com os próprios residentes desses locais para ver as vantagens e desvantagens dessas instituições.
Por último, verifique sempre se a residência em questão é credenciada pelo MEC.
Sucesso
Mário Novais

Neurocirurgia

Pergunta : Rita Almeida ( Universidade Estadual de Maringá )
Olá… Doutor gostaria de saber como que é passo a passo a carreira de um médico neurocirurgião, é quantos anos é a residência?
Resposta :
A neurocirurgia é uma das especialidades que confere maior status ao profissional, mas tem características especiais que devem ser analisadas antes da escolha.
É uma especialidade de acesso direto na residência com uma duração longa de 5 anos.
Além disso, leva-se um bom tempo para adquirir um posicionamento de renome, principalmente na medicina privada.
Em função da necessidade de grande habilidade manual, a vida útil do profissional é mais curta do que em outras especialidades, como clinica médica, pediatria, geriatria…
Os ganhos financeiros são bons nessa especialidade e a qualidade de vida pode ser boa se o cirurgião for organizado, mas algumas urgências são comuns.
A remuneração do neurocirurgião vai depender de uma série de fatores, tais como a cidade onde está trabalhando, o tempo de formado, sua competência técnica, concorrência local e acima de tudo do marketing que utiizar.
Somente existem plantões para neurocirurgiões em hospitais públicos, no restante apenas sistema de sobreaviso.
No início de carreira, vc vai começar a participar de uma equipe já instalada ( muitas vezes pertencente ao staff da sua residência ) e a medida que consiga alguns convênios sua clientela vai aumentando gradativamente até formar sua própria equipe cirúrgica.
Em relação ao futuro, esses especialistas vão ter um papel importante  em unidades de emergência de acidentes vasculares encefálicos ( unidades ainda incipientes em nosso meio )
Mas, na escolha da especialidade, leve sempre também em consideração o tipo de paciente que vc vai lidar no dia-a-dia.
Sucesso
Mário Novais

Residência no Brasil e a revalidação nos EUA

Residência no Brasil e a revalidação nos EUA

Prezado Vitor, boa tarde!
Minha filha vai concluir a formação, pela UFRJ, no curso de graduação de medicina ao final do 1º semestre de 2016. E já está fazendo um curso preparatório para as provas de Residência em Pediatria, objetivando posteriormente fazer especialização em Neonatologia.
Entretanto, ela tem pretensão de tentar trabalhar nos EUA, Canadá ou Alemanha. Sugeri que ela já se preparasse para o processo seletivo dos EUA para esse fim…mas ela acha melhor fazer primeiro uma residência no Brasil para depois tentar algum desses países.
Sinceramente, pela pessoa comprometida que ela é, acho que seria interessante ela tentar logo. Mas ela tem dúvidas sobre o que fazer primeiro.
Com base em sua experiencia, gostaria de pedir a sua opinião sincera sobre essa questão.
Por fim, parabenizo você pelo ótimo trabalho que faz…agradeço sua atenção e aguardo sua resposta.
Att,

Prezado Vitor, boa tarde!
Minha filha vai concluir a formação, pela UFRJ, no curso de graduação de medicina ao final do 1º semestre de 2016. E já está fazendo um curso preparatório para as provas de Residência em Pediatria, objetivando posteriormente fazer especialização em Neonatologia.
Entretanto, ela tem pretensão de tentar trabalhar nos EUA, Canadá ou Alemanha. Sugeri que ela já se preparasse para o processo seletivo dos EUA para esse fim…mas ela acha melhor fazer primeiro uma residência no Brasil para depois tentar algum desses países.
Sinceramente, pela pessoa comprometida que ela é, acho que seria interessante ela tentar logo. Mas ela tem dúvidas sobre o que fazer primeiro.
Com base em sua experiencia, gostaria de pedir a sua opinião sincera sobre essa questão.
Por fim, parabenizo você pelo ótimo trabalho que faz…agradeço sua atenção e aguardo sua resposta.
Att,

Residência nos EUA

Residência nos EUA

Prezado Vitor, bom dia!

Sou estudante de medicina aqui no Brasil e me formo ainda esse ano. E fazendo pesquisa sobre como revalidar meu diploma nos EUA achei o seu site que foi de grande ajuda para esclarecer as minhas dúvidas. Parabéns pela iniciativa!
Mas eu ainda fiquei com dúvidas em algumas questões, que são:
1 – Como funciona o estágio que você mencionou? Eu havia entendido que poderia fazer as duas primeiras fases da prova no Brasil e apenas a terceira nos EUA;
2 – Em caso de reprovação quando poderei tentar novamente?
3 – A residência é remunerada?
Será que você poderia esclarecer esses meus questionamentos ?
Muito obrigada por nos presentear com um site tão interessante e que, com certeza, ajudou e continua ajudando a muitos de nós.
Por fim, nem precisa perguntar…claro que você pode postar minhas perguntas em seu site…
Tenha um excelente final de semana!

Myla Costa

Oi ludmyla, obrigado.
Os estagios nao tem data certa para vc fazer. O q vc precisa é de cartas de recomendacao para depois q passar nas provas ser chamada para entrevistas. O melhor jeito de conseguir é com os estagios. Pode ser 3 meses, ou pode nem fazer. O que vc precisa dar um jeito de conseguir sao as cartas de recomendacao. Falo sobre isso em outros posts no site.
Isso n tem nada a ver com as provas. As provas acontecem como vc falou.
2) vc pode tentar no mesmo ano porem recomendo que confira isso no site do ecfmg pois as regras podem mudar de um ano para outro.
3)a residencia é remunerada sim. Na epoca que fiz a prova estava em torno de 4.000,00 usd . Ideal tambem conferir os valores atuais, pois muda entre os hospitais.
 Otimo fds p vc tb
Boa sorte!
Vitor Torturella

Medicina da Dor

Medicina da Dor

Pergunta : Julio ( Faculdade de Medicina de Marília )
Tenho interesse atualmente em anestesiologia ou neuro clínica. Considerando que há uma tendência de redução nos procedimentos cirúrgicos por tratamentos menos invasivos, e levando em conta que a anestesio é uma das áreas que mais concentra especialistas, o sr acha que há possibilidade de saturação num futuro próximo?
Outra dúvida, quais são as diferenças entre a formação em dor para anestesio e neuro? Nos editais de residência dos anos adicionais as vagas são separadas para essas especialidades. O neuro com atuação em dor fica “direcionado” especificamente para cefaléias e neuropatias? O neuro clínico pode fazer procedimentos intervencionistas em dor também ou é privativo do anestesio?
Resposta :
Na escolha da especialidade, além de se levar em conta a qualidade de vida e a remuneração, é fundamental se analisar como vai ser o seu dia a dia naquela especialidade.
Anestesio e neurologia apresentam cotidianos bem diferentes em relação a tipos de pacientes e tipos de patologias. Vc deve tentar avaliar em que desses dois cotidianos vc se encaixa melhor.
Embora exista atualmente uma grande procura pela anestesio, talvez pela facilidade de se conseguir rapidamente uma boa remuneração, não creio que vá haver saturação desse mercado. Os anestesistas representam apenas 6,8 % da população de médicos do Brasil.
A migração, que já vem ocorrendo, de grandes procedimentos para métodos menos invasivos, de um modo geral, continuam exigindo a presença do anestesista, como é o caso das cirurgias oftalmológicas e das colonoscopias.
A chamada “medicina da dor” não é propriamente uma especialidade, assim pode e é exercida por diferentes especialistas, tais como anestesistas, ortopedistas, neurologistas e mesmo fisiatras.
O importante numa clínica da dor é se montar uma equipe multiprofissional, já que alguns procedimentos exigirão atuação de especialistas diferentes.
Dores musculares consequentes a problemas posturais ou lesões de esforço repetitivo serão melhores acompanhadas pelo ortopedista. Dores provenientes de um câncer serão tratadas com analgésicos fortes prescritos pelo clínico. Bloqueios periféricos pertencem à área do anestesista…
Medicina da dor é uma área carente de profissionais e em franca expansão num futuro breve.
Sucesso
Mário Novais

Cartas de recomendação

Cartas de recomendação

Cartas de recomendação são muito comuns no meio profissional de qualquer área, principalmente quando buscamos emprego. Uma carta de recomendação, como o próprio nome diz, é um meio para que terceiros indiquem o valor da sua competência e compromisso. Isto significa que a qualidade da carta depende do conteúdo e redação dela somados ao prestígio da pessoa que assina embaixo. Hoje daremos algumas dicas para que você conquiste cartas de recomendação de alta qualidade.

Primeiramente deve-se atentar para a possível existência de regras pré-definidas para o formato da sua carta. Alguns programas de ensino e treinamento junto à universidades ou centros de pesquisa exigem que as cartas sigam um modelo próprio, padronizado. Caso contrário, o estilo é relativamente livre.

A segunda dica é bastante óbvia, mas não custa nada frisar: o tema das cartas deve ser direcionado ao seu objetivo final. Se você usará a carta para uma oportunidade de pesquisa, procure obter cartas de pessoas que atestem sua qualidade como pesquisador. Exemplificando de uma forma caricata, nesta situação não seria útil uma carta de recomendação assinada pelo chef do curso de gastronomia que você fez nas férias.

Outra dica é sempre que possível buscar pessoas importantes para que assinem as suas cartas. Duas cartas idênticas, igualmente redigidas, terão valor diferente se uma for assinada pelo seu colega de turma e a outra por um vencedor do prêmio Nobel. Além disso, deve-se ponderar que outros fatores favoráveis são pessoas que te conhecem bem e que estão cientes dos seus projetos. Eles certamente irão considerar sua ambição e escrever uma carta de melhor qualidade.

Quando for pedir a carta, peça com convicção. Fale brevemente do porquê você querer a carta, mostre como ela é importante para o seu futuro. Mais ainda, diga que precisa de uma boa carta. Se a pessoa estiver de acordo, ela aceitará prontamente e com alegria (não deixa de ser uma pequena honraria, pois mostra que você a aprecia como um indivíduo importante). Se ela hesitar, não insista nem peça de novo, muito menos se ela recusar.

Você pode discutir com seu orientador sobre o conteúdo da carta. Isto não só te proporcionará uma carta de maior qualidade como também irá facilitar o lado dele. Mencione suas conquistas alcançadas e sobre o que desenvolveram juntos. Isto fará com que nenhuma qualidade sua seja esquecida. Fale sobre para o que será usada a carta, pois este será o Norte dela. Faça tudo isso sem tomar muito tempo. Pessoas importantes são muito ocupadas.

Início no Mercado de Trabalho

Início no Mercado de Trabalho

Pergunta : Rafael Vinha ( Universidade de Brasília )
Além de agradecer acerca dos importantes esclarecimentos advindos dese site, gostaria de saber sobre como são os ganhos financeiros de duas especialidades: proctologia e urologia. Além disso, como é a entrada dos profissionais no mercado dessas áreas e a possiblidade de empreendedorismo
Resposta :
A remuneração de qualquer especialidade depende de uma série de fatores, como o tempo de formado, a formação técnica do profissional, a cidade onde está trabalhando e acima de tudo o marketing que utilizar para alavancar a profissão.
As especialidades onde haja procedimentos ou cirurgias permitem, de um modo geral, uma melhor remuneração. Isso acontece com a urologia e com a proctologia.
Durante a residência médica nessas especialidades vc já deve ir penetrando no mercado de trabalho da especialidade. De uma maneira geral, se vc for um bom residente, seu staff vai começar a te introduzir nesse mercado, convidando vc para auxiliar em algumas cirurgias fora da residência.
A sugestão é que no final do R2 vc já comece a atividade de consultório uma vez por semana ( com a humildade suficiente para encaminhar os casos complicados para outros profissionais ) e algum membro do seu staff na residência funcione como um supervisor.
Com o tempo vc vai montar a sua equipe cirúrgica e a medida que o movimento do seu consultório for aumentando , vc vai trazendo outros profissionais mais novos para fazer parte da sua equipe.
Sucesso
Mário Novais