agosto 2016 – Widoctor

Archive agosto 2016

Critérios diagnósticos para depressão maior

Critérios diagnósticos para depressão maior

Estima-se que 3,7% a 6,7% das pessoas terão pelo menos um episódio de depressão maior durante a vida, sendo que a incidência é duas a três vezes maior em mulheres do que homens. Além da depressão prejudicar as funções ocupacionais e sociais do paciente, ela também prejudica o tratamento de suas comorbidades. Mais ainda, a tentativa de suicídio, bem sucedida ou não, é a complicação mais importante deste distúrbio psiquiátrico.
Embora os sintomas da depressão sejam bem conhecidos (anedonia, depressão do humor, sono e/ou apetite alterado, etc.), é importante diferenciar com precisão a tristeza normal da patológica. Em outras palavras, há situações em que o humor deprimido é esperado e a sua resposta é adequada, e há momentos em que a tristeza não possui causa aparente e/ou a sua intensidade é tão intensa que acaba por prejudicar o cotidiano da pessoa acometida.
Como sempre, lançamos mão de critérios diagnósticos afim de facilitar a identificação dos pacientes que irão se beneficiar do tratamento adequado. Segundo o DSM-IV-TR, a “bíblia” da psiquiatria, os critérios são os seguintes:

  • A. Pelo menos 5 dos sintomas abaixo devem estar presentes simultaneamente por, no mínimo, 2 semanas. Pelo menos um dos sintomas em negrito deve estar presente
    • Humor deprimido
    • Perda de interesse ou do prazer
    • Perda de peso (sem dieta) ou ganho de peso, ou aumento/redução do apetite
    • Insônia ou hiperinsônia
    • Agitação ou lentificação psicomotora
    • Fadiga ou redução da energia
    • Sentimento de culpa inapropriada ou autoestima baixa
    • Pensamento ou concentração reduzidos, ou indecisão
    • Pensamento recorrentes de morte ou suicídio
  • B. Os sintomas não devem preencher critérios para episódio misto
  • C. Os sintomas causam sofrimento ou prejuízo das funções sociais, ocupacionais ou em outras áreas importantes .
  • D. Os sintomas não são causados por ação direta de substâncias (ex: uso de drogas, medicamentos) ou por outra doença (ex: hipotireoidismo)
  • E. Os sintomas não são completamente explicados pelo estado de luto (ex: após a perda de um ente querido, os sintomas duram mais de 2 meses e há alteração profunda das funções sociais, além de sintomas psicóticos e ideação suicida).

O diagnóstico de depressão é fechado quando todos os critérios identificados por letras são encontrados.
Fonte: Loosen PT, Shelton RC. Chapter 18. Mood Disorders. In: Ebert MH, Loosen PT, Nurcombe B, Leckman JF. eds. CURRENT Diagnosis & Treatment: Psychiatry, 2e. New York, NY: McGraw-Hill; 2008.
 
 

Insatisfação com a Ortopedia

Insatisfação com a Ortopedia

Pergunta : Gabriel M.G. ( Hospital do Servidor Público – São Paulo )
Primeiramente agradeço o espaço dado e o trabalho excepcional realizado neste site.
Sou r2 de ortopedia em São Paulo, e ultimamente tenho ouvido coisas assustadoras sobre a especialidade. Todos fechando suas clínicas e faltando até mesmo plantões. A porcentagem ganha por materiais de síntese parecem ter desaparecido após as denúncias, e estou muito desapontado e com medo do mercado futuro. Penso até mesmo em largar e começar anestesiologia que parece ter um mercado melhor (sei que é uma especialidade completamente diferente, mas que gosto tanto quanto, principalmente pelo ambiente de centro cirúrgico); gostaria de uma opinião sincera.
Resposta :
A ortopedia ainda é uma das melhores especialidades e continuará sendo.
Não se deixe impregnar por boatos. A percentagem que a indústria pagava ao ortopedistas era exagerada e anti ética, por isso foi cortada.
O envelhecimento da população, a maior prática de esportes e o incremento das academias de ginastica são fatores que facilitam o aumento da clientela da ortopedia.
Os vários procedimentos ambulatoriais e cirurgias próprias da especialidade, também são fatores positivos em relação à remuneração do ortopedista
Além disso, na ortopedia você terá uma melhor qualidade de vida do que na anestesiologia.
Medicina esportiva e clínicas da dor são outras opções de ganhos para o ortopedista.
Concluindo : Se você está satisfeito com o tipo de paciente e tipos de patologias com as quais lida na ortopedia, não acho que deva trocar de especialidade, apenas com medo do mercado de trabalho.
A anestesio realmente permite excelentes rendimentos, porém a qualidade de vida é bem pior do que a de outras especialidades.
Procure estudar um pouco de marketing para aprender como fazer para “alavancar “ sua carreira e seja feliz com a ortopedia. ( e pare de dar importância aos boatos – Médicos na maioria estão bem financeiramente, mas sempre reclamam da profissão )
Sucesso
Mário Novais

Escore de Bishop

Escore de Bishop

Durante o trabalho de parto, é essencial o amadurecimento do colo uterino. Muitas vezes precisamos lançar mão de drogas para induzir o amadurecimento do colo quando o estado deste não for satisfatório. Mais ainda, o amadurecimento do colo é uma medida necessária para a indução do parto.
O escore de Bishop é usado para estimar a necessidade ou não de amadurecimento cervical prévio à indução.

Pontos Dilatação (cm) Apagamento do colo (%) Plano de De Lee Consistência do colo Posição do colo
0 Fechado 0-30 -3 Firme Posterior
1 1-2 40-50 -2 Médio Mediano
2 3-4 60-70 -1 Macio Anterior
3 Maior ou = a 5 Maior ou = a 80 +1, +2

Uma pontuação menor ou igual a 6 indica que o amadurecimento do colo é necessário antes da indução do parto.
Fonte: http://www.me.ufrj.br/portal/images/stories/pdfs/obstetricia/inducao_do_parto.pdf

Questão da semana: lactente com proteinúria

Questão da semana: lactente com proteinúria
Uma criança de 14 meses é trazida ao pediatra por conta de edema progressivo por uma semana. Sua história médica não possui qualquer coisa digna de nota. O exame físico revela um paciente no percentil p5 tanto para o peso quanto altura. Você observa também edema moderado em região periorbital e nos pés. O exame de urina revela uma proteinúria (4+), sem sangue ou cilindros hemáticos. Os exames laboratoriais demonstram uma albumina sérica de 2,0g/dL e uma proteína urinária de 24h de 4,5g. Uma biópsia renal é feita e a histologia é vista abaixo. Qual o diagnóstico mais provável?
histo rim
 
A. Glomeruloesclerose segmentar e focal
B. Nefropatia por IgA
C. Doença por lesão mínima
D. Glomerulonefrite pós-estreptocócica
E. Glomerulonefrite rapidamente progressiva
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Resposta: Letra A
O quadro apresentado pela criança é de síndrome nefrótica (hiperlipdemia, proteinúria, edema e hipoalbunemia). A proteinúria na síndrome geralmente é superior a 3.5 g/24h.
A principal causa de síndrome nefrótica em crianças é a doença por lesão mínima. No entanto, à histologia, não se observam quaisquer alterações, como o próprio nome diz.
Na imagem podemos observar algumas regiões do glomérulo esclerosadas (segmentar). Mais ainda, se tivéssemos outra imagem em um aumento menor, poderíamos observar que nem todos os glomérulos estariam acometidos, somente alguns deles (focal).
Todas as outras opções são causas de síndrome nefrítica, logo podemos afastá-las de cara.

Neurologia Pediátrica

Neurologia Pediátrica

Pergunta : Igor de Oliveira ( Universidade Federal de Pernambuco )
Dr Mario, bom dia! Primeiramente, parabéns pelo site!
Então, passei 5 anos da minha faculdade querendo fazer Neurocirurgia, acompanhei alguns serviços e sempre me encantei pela microcirurgia, mas também sou apaixonado pelo raciocínio clínico da Neurologia. No final da faculdade, decidi que gostaria de atuar na área pediátrica e isso me deixou em dúvida em relação à especialidade. Não tive uma boa experiência no serviço de Neurocirurgia Pediátrica (achei uma especialidade muito triste e com um prognóstico reservado na maioria das vezes), mas ao mesmo tempo não tive muito contato com a Neuropediatria. A qualidade de vida também pesa muito na minha escolha, gostaria de ter tempo para família e não me sinto confortável em pensar nas longas horas de cirurgia. Acho que meu perfil é mais para a área clínica (me fascina bastante o raciocínio diagnóstico da Neurologia).
Queria, se possível, que o senhor me explicasse um pouco sobre o mercado para o Neuropediatra, quais os campos de atuação, se tem exames complementares e como se dá o retorno financeiro, além da qualidade de vida, se é possível ter autonomia para montar o próprio horário de trabalho.
Resposta :
A escolha de sub especialidades deve ser feita depois de cumprido o pré requisito da especialidade geral, uma vez que durante essa você vai ter oportunidade de lidar com pacientes de diferentes sub especialidades dessa área e então poderá fazer um escolha mais racional.
Existem dois caminhos para se especializar em neurologia pediátrica : ou fazendo inicialmente a residência em Pediatria ou fazendo inicialmente a residência em neurologia geral.
Na minha opinião particular, o caminho pela neurologia geral, confere ao profissional um embasamento técnico e científico melhor.
A neurologia pediátrica é uma especialidade “triste”, já que muitas vezes lida com patologias sem cura, apenas com controle. Com o desenvolvimento cada vez maior das unidades de terapia intensiva neonatal, mesmo com o lado positivo de muitos recém nascidos passarem a ser “salvos “ por essas unidades, a consequência é que sequelas neurológicas são mais vistas nos consultórios pediátricos e portanto encaminhadas para o neurologista infantil.
Isso fez com que o mercado de trabalho dessa sub especialidade tenha aumentado bastante nos últimos anos.
A qualidade de vida desse especialista não é tão boa, já que pacientes graves internados em UTIs exigem uma dedicação grande por parte do neurologista infantil.
Por outro lado o mercado é carente desses profissionais e em muitas cidades o neurologista geral tem que prestar atendimento a adultos e crianças .
Consequentemente a remuneração do neurologista infantil geralmente é muito boa.
Do ponto de vista exames complementares dessa especialidade, existem os serviços de neurofisiologia, que praticamente caracterizam uma especialidade a parte, mas nada impede que o neurologista pediátrico também se especialize nisso.
Mais algumas informações sobre a neurologia infantil podem ser útil para você.
Residência médica em neurologia pediátrica
Tem por objetivo capacitar o médico a identificar as doenças mais importantes no domínio da neurologia infantil e tratá-las adequadamente; dominar os conceitos básicos relativos às neurociências, especialmente neuroanatomia, neurofisiologia, neuroquímica e neuropatologia, instrumentos que deverão ser utilizados para o aprendizado da neurologia; fazer uso da semiologia neurológica básica para reconhecer as principais síndromes ou doenças que incidem no indivíduo adulto. Além disso, fornecer os elementos necessários para que domine os principais métodos, diagnósticos utilizados na especialidade. Candidatos devem ter conclusão de residência médica em pediatria ou neurologia em programa credenciado pela CNRM.
RESIDÊNCIA MÉDICA EM NEUROLOGIA INFANTIL NO BRASIL MARIA VALERIANA L. DE MOURA-RIBEIRO*, CARMEN SILVIA SANCHES**, SYLVIA MARIA CIASCA*** RESUMO – Apresentamos os resultados de pequisa sobre Residência Médica em Neurologia Infantil, catalogando dados atualizados sobre o ensino e treinamento nos vários centros de formação do Brasil. Foi possível constatar 17 Instituições com programação organizadas, sendo 6 credenciadas pela CNRM, 10 não credenciadas e, um em diligência. O conteúdo programático é desenvolvido em 3 ou 4 anos, incluindo o pré-requisíto, sendo a carga horária anual, variável, de 1900 a 2880 horas/ano. PALAVRAS-CHAVE: neurologia infantil, residência médica, Brasil. Medical residence in pediatric neurology in Brazil ABSTRACT – We present the results of a research on Medical Residence in Pediatric Neurology, classifying present information on the teaching and training in the several centers of formation in Brazil. It was possible to contact 17 Institutions with organized services, being 6 accredited by CNRM (National Council of Medical residence), 10 non accredited, and one under diligence. The program content is developed in 3 or 4 years, including the pre-qualification, being the annual schedule load variable, from1900 to 2880 hours / year. KEY WORDS: teaching, pediatric neurology, medical residence, Brazil. Na organização da estrutura geral de centros de ensino e treinamento em Residência Médica, se impõe um conjunto de exigências e requisitos mínimos que visam à aquisição de competências para o exercício profissional adequado1 . No referente à Neurologia e Neurologia Infantil tem sido possível reunir professores dirigentes de centros de ensino, para discussão e elaboração de Documentos de Trabalho incluindo o conteúdo programático, distribuído em três ou mais anos. Nessa tarefa, a Comissão de Ensino da Academia Brasileira de Neurologia tem apresentado contribuição de relevancia, discutindo organização de recursos para qualificação das necessidades institucionais1-3. A CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica) com competência para credenciar, organizar e avaliar programas no Brasil é o orgão responsável pelo controle da formação complementar do médico visando às necessárias garantias na sua capacitação profissional4 . Assim, o conteúdo programático, a qualificação dos docentes, infra-estrutura, carga horária mínima, instalações com incorporação dos avanços tecnológicos e remuneração, devem ser regularmente fiscalizados1,2. Através de ciclo de seminários sobre competências mínimas em especialidades médicas, a FUNDAP (Fundação do Desenvolvimento Administrativo) tem desenvolvido, oficialmente, importante trabalho junto aos supervisores de programas das várias escolas médicas1 . Dessa forma, os centros de Disciplina de Neurologia Infantil do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM) (UNICAMP):*Professor Associado;**Professor Assistente;***Professor Assistente Doutor. Aceite: 5-julho-2000. Dra. Maria Valeriana L. de Moura Ribeiro – Departamento de Neurologia FCM, UNICAMP – Caixa Postal 6111 – 13083-970 Campinas, SP – Brasil. FAX 19 788 7810. E-mail: valerianaribeiro@uol.com.br 778 Arq Neuropsiquiatr 2000;58(3-A) treinamento e formação se mantêm adequados a essas orientações, melhorando continuadamente as condições de trabalho visando ao credenciamento desejável e, o recredenciamento, periodicamente avaliado. Levando em conta críticas pertinentes,os benefícios desse modelo têm sido aceitos e valorizados, de tal forma que os egressos dos cursos médicos almejam a aprovação em concursos públicos realizados pelos centros de formação credenciados pela CNRM5-7. A proposta deste estudo é apresentar uma visão atual do ensino e treinamento em Neurologia Infantil no Brasil. MÉTODO As informações registradas foram obtidas em uma primeira etapa (1992) através de cartas dirigidas aos Centros Universitários, Faculdades de Medicina e, outras Instituições dos vários estados da União envolvendo, também, os docentes responsáveis dos vários serviços de treinamento em Residência Médica. Obtidas as informações relativas ao ensino em Residência Médica, em Neurologia, em Pediatria e, em Neurologia Infantil, encaminhamos às Instituições Universitárias e Faculdades de Medicina, em 1993 e 1994, um protocolo padrão para preenchimento, contendo questões básicas, relacionadas ao treinamento em serviço, visando obter dados objetivos sobre Residência Médica em Neurologia Infantil. Em uma segunda etapa, nos anos de 1998-1999, procedemos a revisão e atualização dos dados, consultando diretamente as Instituições que mantiveram o ensino e treinamento de médicos interessados em Neurologia Infantil em conjunto com as informações obtidas na CNRM. Assim, foram catalogados os dados sobre credenciamento, ou não, dos programas junto à CNRM, ano de credenciamento, pré-requisitos, número de vagas, época de seleção, duração de programas, carga horária anual, conteúdo programático. Também foram analisados os elementos relativos ao Corpo Docente (número, titulação, linhas de pesquisas), infra-estrutura (biblioteca, informatização, serviço de secretaría) e, como complementação, informações referentes ao treinamento em serviço de profissionais da àrea de saúde não médicos (psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, entre outros). Portanto, os dados aqui registrados, foram conferidos diretamente junto aos docentes supervisores dos Programas de Residência em Neurologia Infantil das várias Instituições do Brasil. RESULTADOS A partir do exame de seleção, os médicos aprovados iniciam o treinamento básico, em serviço, durante um a dois anos, em Pediatria, com tempo variável para complementação em Neurologia. No terceiro e quarto anos, desenvolvem a programação voltada à Neurologia Infantil. Na Tabela, apresentamos as 17 Instituições que mantêm ensino e treinamento em serviço de Neurologia Infantil, com informações sobre o número de vagas, duração dos programas e número de horas de treinamento por ano, representando parte dos dados contidos no protocolo. Dessa forma, em dezembro de 1999, com revisão em abril do ano 2000, constatamos 6 (seis) Instituições com Residência Médica em Neurologia Infantil, credenciadas pela CNRM, que titulam anualmente 13 novos profissionais na especialidade. Por outro lado, verificamos 10 serviços com conteúdo programático semelhante ao exigido pelo CNRM, porém não oficialmente credenciados, mas que anualmente fornecem certificados a 12 novos profissionais. Um serviço se encontra em diligência (Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo). Dessa forma, no Brasil, são colocados, anualmente, no mercado de trabalho, 26 médicos especialistas em Neurologia Infantil. DISCUSSÃO Merece reflexão, o fato de haver 6 serviços credenciados, 10 não credenciados e, um em diligência; semelhante situação está sendo vivenciada em outras especialidades. Esta constatação merece, urgentemente, ser revisada, integrando democraticamente o pensamento das Sociedades Médicas e da CNRM visando a obtenção a médio prazo, do padrão de excelência na formação em Residência Médica em Neurologia Infantil. A duração do programa nas 17 diferentes Instituições, incluindo o pré-requisito em Pediatria ou Neurologia, variou de 3 a 4 anos. O número de horas de Arq Neuropsiquiatr 2000;58(3-A) 779 Tabela. Instituições com Residência em Neurologia Infantil. Nº Instituição Credenciada* Vagas Duração** Hora/ano 01 USP, São Paulo, SP Sim 03 04 2500 02 USP, Ribeirão Preto, SP Sim 02 04 2800 03 UNIFESP, São Paulo, SP Sim 02 03 2400 04 UNESP, Botucatú, SP Sim 02 04 2880 05 UNICAMP, Campinas, SP Sim 02 04 2880 06 UFRS, Porto Alegre, RS Sim 02 04 2850 07 HSPE, São Paulo, SP Diligência 01 03 1920 08 FCM, Santa Casa, SP Não 02 04 1920 09 UFRJ, Rio de Janeiro, RJ Não 02 03 2800 10 FIOCRUZ, Rio Janeiro, RJ Não 01 03 2880 11 HB,Distrito Feder
al, DF Não 01 03 2880 12 FHMG, Belo Horizonte, MG Não 01 04 2762 13 UF Paraná, Curitiba, PR Não 01 04 1900 14 PUC Paraná, Curitiba, PR Não 01 03 2000 15 PUCRS, Porto Alegra, RS Não 01 03 2880 16 FFFCM, Porto Alegre, RS Não 01 04 2500 17 IMIP, Pernambuco, PE Não 01 04 2880 *Credenciada pela CNRM **Em anos incluindo o pré-requisito USP- Universidade de São Paulo-São Paulo, SP USP- Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, SP UNIFESP- Universidade Federal de São Paulo(Escola Paulista de Medicina),São Paulo, SP UNESP- Universidade Estadual de São Paulo, Botucatu, SP UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP UFRS-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS HSPE- Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo-São Paulo, SP FCM-Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ FIOCRUZ-Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ HB- Hospital de Base-Distrito Federal, DF FH-Fundação Hospitalar Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG UFPR-Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR PUC- Pontifícia Universidade Católica, Curitiba, PR PUCRS-Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, RS FFFCM- Fundação Faculdade Federal Ciências Médicas de Porto Alegre, RS IMIP- Instituto Materno Infantil-Recife, PE treinamento por ano variou de 1900 a 2880 horas, distribuídas nas várias atividades em enfermarias, unidades de terapia intensiva, pronto socorro, berçários, laboratórios para estudo de líquidos orgânicos e líquido céfalorraquano, eletrofisiologia clínica, imagem, neuropatologia, entre outros. Os médicos residentes desenvolvem, também, estudos teórico-práticos em neuroanatomia, neurofisiologia, conhecimentos atualizados em temas de Neurologia Pediátrica, seminários, reuniões bibliográficas, clínico-patológicas e, conjuntas, com equipes de profissionais de outras especialidaes. 780 Arq Neuropsiquiatr 2000;58(3-A) Em relação à distribuição das instituições credenciadas pela CNRM pode ser reconhecido que na região Sudeste, com população de 68 065 975 habitantes, se localizam 10 centros de treinamento (5 serviços credenciados, 4 não credenciados e um em diligência); na região Sul, com 23 862 664 habitantes, 5 serviços, sendo, apenas, um credenciado; no Nordeste com população de 45 334 385 habitantes e, Centro Oeste, com população de 10 769 249 habitantes, apenas um centro de formação, em cada região, porém não credenciados. Atualmente,estão sendo submetidos a avaliação, 4 centros (PUC-Hospital Pequeno Principe em Curitiba, no Paraná; FioCruz; Rio de Janeiro; UFRJ-Hospital Martagão Gesteira no Rio de Janeiro e PUC-Porto Alegre, Rio Grande do Sul). Um procedimento desejável seria observar a adequação do número de vagas ao mercado de trabalho e, também, a monitorização dos titulados para os locais de origem, procurando oferecer, por exemplo, dados relacionados ao número de especialistas por um milhão de habitantes. Foi possível constatar que 12 programas são desenvolvidos e mantidos em escolas médicas públicas, federais e estaduais, que, também, implantaram e desenvolveram Cursos de Pós-Graduação, sensoestrito, (Mestrado e Doutorado)1,2 obedecendo metas que visam promoção e diferenciação em conhecimentos e pesquisas. As referidas escolas médicas, por sua vez, se localizam mais especificamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, levando a uma aglutinação de profissionais, equipamentos sociais, estrutura e infra-estrutura nesses referidos estados da União. Por sua vez,o desenvolvimento econômico cultural em ciências e tecnologia, também, está polarizado particularmente no Centro-Oeste e Sul, nas especialidades médicas e em áreas de saúde, porém, não médicas2,4. É inegavel e básico que a educação médica, envolvendo a Residência, a diferenciação nos conhecimentos e, as pesquisas, constituem investimento essencial que reverte diretamente em benefício da população como um todo. Os dados aquí apresentados demonstram parte de um estudo mais amplo, que está em andamento, visando o melhor conhecimento sobre a Residência Médica em Neurologia Infantil em nosso país, procurando identificar as dificuldades no transcorrer da formação e agilisar as necessárias providências corretivas. Assim foi possivel identificar os centros credenciados, ou não, pela CNRM, verificar o número de profissionais anualmente titulados, bem como a conjunção da distribuição dos serviços de Residência em Neurologia Infantil com a aglutinação de profissionais da área da saúde, nos estados do Sudeste e Sul. REFERÊNCIAS 1. Moura-Ribeiro MVL, Funayama CAR. Requisitos mínimos de um Programa de Residência Médica: competências em Neurologia Infantil. FUNDAP, Documento de Trabalho. São Paulo, 1991. 2. Moura-Ribeiro MVL. A formação do Neurologista Infantil: passado, presente e futuro. Neuro-Press (São Paulo): 1998:2(2). 4. Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional dos Médicos, Associação Médica Brasileira, Fundação Oswaldo Cruz. Perfil dos médicos do Brasil, vol. 5, São Paulo, 1995. 5. Lott IT, Ouvrier R. Training and research issues in child neurology: an international perspective. International Child Neurology Association Symposium: San Francisco, October 5, 1994. 3. Souza SEM. Residência em Neurologia no Brasil: levantamento em 1992. Relatório apresentado no XV Congresso Brasileiro de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia, 6. Lana-Peixoto MA. Residência médica e o título de especialista em neurologia. Arq Neuropsiquiatr 1989;47:503-505.
Sucesso
Mário Novais

Diagnóstico da atrite reumatoide

Diagnóstico da atrite reumatoide

A artrite reumatoide (AR) é uma das doenças reumatológicas mais clássicas. Ela é mais comum em mulheres e está associada a um curso flutuante, em que períodos de controle da doença são intercalados por episódios de exacerbação aguda. Além do grande prejuízo funcional por conta da lesão osteomioarticular (cerca de 40% dos pacientes evoluem com incapacidade nos primeiros 3 anos da doença), os doentes possuem um risco de doença cardiovascular aumentado em relação à população geral.
Os critérios de 2010 foram desenvolvidos conjuntamente pela Liga Europeia Contra o Reumatismo e o Colégio Americano de Reumatologia. A pontuação varia de 0 a 10, sendo o valor de 6 ou mais diagnóstico para AR.

Critério Pontos
Articulações acometidas
1 grande articulação 0
2-10 grandes articulações 1
1-3 pequenas articulações 2
4-10 pequenas articulações 3
Sorologias
FR e anti-CCP negativos 0
FR e anti-CCP fracamente positivos 2
FR e anti-CCP altamente positivos 3
Duração dos sintomas
Menos do que 6 semanas 0
Mais do que 6 semanas 1
Reagentes de fase aguda
PCR e VHS normais 0
PCR e VHS alterados 1

FR: fator reumatoide   anti-CCP: anticorpos contra o peptídeo citrulinado cíclico   
6 ou mais pontos: AR confirmada
O FR e o anti-CCP possuem sensibilidades semelhantes, porém o último possui especificidade elevada de 95%. Mais anda, a presença deste marcador está associado a um curso mais agressivo da doença.
Fonte: Walker BR, Colledge NR, Ralston S, Penman ID. Davidson’s Principles and Practice of Medicine. 22nd;Twenty-second;22;22th; ed. Edinburgh: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014;2013;.

SAPS III

SAPS III

No ambiente de terapia intensiva existem diversos escores que, quando calculados, estimam a probabilidade de morte para determinado paciente. Isto é útil não somente pelo seu valor prognóstico como também como ferramenta de controle de qualidade, permitindo avaliar se a mortalidade do CTI está abaixo ou acima do esperado. Vale lembrar que esses sistemas de pontuação não são específicos para determinadas doenças, como por exemplo os critérios de Ranson na pancreatite, mas sim aplicáveis para quaisquer condições clínicas na grande maioria das vezes. Isto porque as variáveis usadas são comuns a todos os pacientes, como sinais vitais, nível de consciência, nível de consciência, tipo de admissão, etc.
O escore SAPS III foi desenvolvido pela Sociedade Europeia de Medicina Intensiva em 2003. Eles utilizaram 16.784 pacientes oriundos de 35 países dos 5 continentes. Embora não seja o mais usado no mundo (que é o APACHE II, de 1985), ele apresenta vantagens interessantes, que são os dados de diversas regiões heterogêneas e equações orientadas dependendo da região do CTI.
A calculadora do SAPS III pode ser baixada gratuitamente aqui.
Fonte: http://www.saps3.org

Radiologia : Mercado Futuro

Radiologia : Mercado Futuro

Pergunta: Matheus Mendes (Faculdade de Tecnologia e Ciências – Salvador)
Estou com bastante dúvida acerca da escolha de minha futura especialidade. Hoje me sinto atraído pela otorrinolaringologia e, em especial, pela radiologia.
Escolheria a radiologia sem hesitar se não fosse uma grande dúvida: como está o mercado para essa especialidade nos dias de hoje e como ele tende a ficar daqui há alguns anos? Percebo que os radiologistas dificilmente tornam-se empreendedores em sua área, visto o alto custo de aquisição e manutenção das máquinas. Dessa forma, a maioria dos radiologistas tornam-se empregados das grandes empresas de imagem, as quais muitas vezes são grupos fechados já com seus radiologistas certos, tornando-se difícil de se inserir no mercado.
Outra dúvida: a telemedicina tende a diminuir a oferta de emprego dos radiologistas? Com o avanço da telemedicina é possível laudar exames feitos inclusive em outras cidades, fazendo com que um único radiologista possa laudar exames de inúmeras localidades sem necessariamente estar lá.
Vejo pela demografia médica realizada pelo CRM que existem quase 10.000 radiologistas no Brasil, número que tende a aumentar. Em resumo, pergunto: ainda há espaço no mercado para futuros radiologistas? Em especial, na cidade de Salvador/BA?
Resposta :
Na radiologia vc terá uma vida tranquila, lidará menos com pacientes e basicamente trabalhará para os outros, exceto no que se refere à ultrassonografia , que é a parte da radiologia que ainda permite ao especialista ser independente. 
Como a radiologia tem sido muito escolhida pelos médicos recém formados, os “patrões “tem se valido disso para diminuir os honorários destes especialistas.
Na radiologia ainda existe uma parcela de serviços que vc pode realizar de forma autônoma que é a ultrassonografia, onde vc poderá adquirir um aparelho de boa qualidade por um preço razoável  (aproximadamente R$ 60.000,00, financiado) e prestar serviços para hospitais como sobreaviso e negociando com eles para ficar com a ultrassonografia eletiva ambulatorial (que é menos trabalhosa e mais lucrativa)
Uma outra área da radiologia que pode ser interessante está ligada à telemedicina, quando vc poderá prestar serviços de fornecimento de laudos a distância para outras cidades (já existem alguns serviços deste tipo que cobram cerca de R$ 50,00 por laudo de tomografia emitido). Imagine a grande aplicação disso num País territorialmente grande como o Brasil.
Existe na radiologia uma área em crescimento de mercado ( pelo maior conhecimento da população ) e que permite ao profissional competir com grandes grupos, que é a mamografia. Hoje vc pode adquirir um aparelho de mamografia convencional ( não digital ) por cerca de R$ 130.000,00 ( que pode ser financiado com facilidade ) e criar um serviço popular de mamografia.
O radiologista ainda pode enveredar pela área da radiologia intervencionista que estará em franco desenvolvimento em breve ( atendimento de urgência em AVEs, biópsias guiadas pelo US…)
A Radiologia intervencionista ainda está se iniciando no mercado, sendo uma sub área da radiologia. A área de atuação acaba sendo um pouco disputada por outros especialistas como os hemodinamicistas, neurologistas intervencionistas, neurocirurgiões e mesmo alguns especialistas clínicos como gastroenterologistas que fazem procedimentos invasivos tipo biopsias guiadas por ultrassom ( procedimentos que poderiam ficar por conta do radiologista intervencionista ). Existe uma Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista, onde vc poderá buscar mais informações.
Concluindo : ainda existe um bom mercado para o especialista em diagnóstico por imagem, mesmo em cidades grandes como salvador.
Radiologia ainda representa uma boa escolha de especialidade.
Sucesso
Mário Novais

Questão da semana: constipação

Questão da semana: constipação
Uma menina de 3 anos de idade é trazida no ambulatório por constipação. Até 3 meses atrás, ela evacuava fezes macias diaramente. A última evacuação da criança foi hoje pela amanhã. A mãe relata que ela faz muito esforço no banheiro e também se queixa e dor. Ela também observou raias de sangue vivo nas fezes duas vezes no mês passado. A dieta da paciente é constituída basicamente de carne, batata e macarrão. Ela não se alimenta de frutas ou vegetais e bebe 4 copos de água por dia. Qual a conduta mais adequada?
A. Colonoscopia
B. Inserir fibras e água na dieta
C. Enema
D. Polietileno glicol
Resposta: letra B
Na criança com constipação, a primeira medida a ser tomada é inserir fibras na dieta, pois na grande maioria das vezes a falta de fibra é a causa da condição. Caso não ocorra melhora após essa medida, podemos lançar mão do polietileno glicol. O enema é usado quando há impactação das fezes. Não é o caso que vemos aqui, pois a criança evacuou no mesmo dia.

Cirurgia Plástica ou Otorrinolaringologia

Cirurgia Plástica ou Otorrinolaringologia

Pergunta : Ricardo Brava ( Universidade Federal do Rio Grande do Sul )
Caro Dr. Mário Novais, penso em fazer cirurgia plástica, mas como gosto de lidar com uma variedade maior de patologias e não só com estética, comecei a pensar também em otorrino, que inclusive possui uma área de atuação em cirurgia plástica, obviamente, do pescoço pra cima. Porém, não sei se a cirurgia plástica da otorrino fará sucesso como na outra especialidade, a cirurgia plástica propriamente dita Levando em consideração a questão da remuneração, mercado e qualidade de vida, qual o sr. acha mais vantajosa
abraço!
Resposta :
Na análise da futura especialidade devemos levar em conta a qualidade de vida e a remuneração, mas acima de tudo devemos analisar como vai ser nosso dia a dia dentro da especialidade, ou seja com que tipos de pacientes e tipos de patologias vamos lidar.
Escolhendo cirurgia plástica ou otorrino você vai ter dia a dia bem diferentes. Em qual deles vai se sentir melhor ?
A atuação do otorrino em cirurgias plásticas é bem pequena, mais centrada em desvios de septo nasal. No entanto os pacientes que desejam fazer plástica sempre preferem o cirurgião plástico e não o otorrino.
Do ponto de vista mercado; as duas especialidades são boas. A cirurgia plástica é uma especialidade mais alegre, porém demora mais para “emplacar” e também tem uma vida útil menor. O mercado é grande ( no Brasil são cerca de 600.000 cirurgias plásticas por ano – é o primeiro lugar do mundo )
Na otorrino a clientela cresce mais rapidamente e existem vários procedimentos que agregam valor ao preço da consulta. O mercado também é grande, principalmente com o envelhecimento da população. Grande incidência de rinites, laringites, desvios de septo e deficiências auditivas.
Em qualquer uma das duas estará fazendo uma boa escolha.
Sucesso
Mário Novais