Deficiência adquirida do fator de von Willebrand e insuficiência aórtica pós troca valvar

Deficiência adquirida do fator de von Willebrand e insuficiência aórtica pós troca valvar

Deficiência adquirida do fator de von Willebrand e insuficiência aórtica pós troca valvar

Um artigo recentemente publicado no New England Journal of Medicine (NEJM), destacado no editorial da revista, correlaciona a insuficiência aórtica após troca valvar percutânea e níveis reduzidos de multímeros do fator de von Willebrand de alto peso molecular (MFVWAPM).
Segundo o estudo, cerca de 10% a 20% dos pacientes com estenose aórtica desenvolvem insuficiência aórtica após a implantação da valva protéstica. Isto ocorre porque a valva mecânica é inserida dentro da valva original e é dilatada contra esta pela expansão do balão do cateter. Isto faz com que o acomodamento não seja perfeito, e às vezes podem existir vazamentos entre a prótese e a valva aórtica verdadeira.
O fator de von Willebrand é secretado pelo endotélio, principalmente na sua forma compacta e “emaranhada”, que são os multímeros de alto peso molecular. Esta conformação da molécula não interage com as plaquetas. No entanto, quando há lesão vascular, os MFVWAPM circulantes se ligam ao colágeno do subendotélio no sítio lesado e sofrem uma alteração de sua forma, alongando-se. Isto expõe os sítios de ligação responsáveis pela adesão e ativação das plaquetas.
Todavia, isto só ocorre de forma eficaz em situações em que há pouco turbilhonamento na circulação sanguínea. Em situações que o estresse de cisalhamento é elevado (i.e., estenose e insuficiência aórtica, miocardiopatia hipertrófica, uso de ECMO, etc.), o fator de von Willebrand de alto peso é degradado rapidamente degradado em formas de peso molecular inferior, perdendo sua capacidade de se ligar ao colágeno e de promover a adesão plaquetária.
Os pesquisadores do artigo demonstraram que os níveis de MFVWAPM do sangue estão baixos quando há insuficiência aórtica posterior a troca valvar. De maneira semelhante, após a correção do distúrbio, os níveis desta proteína se elevam de forma pronunciada, POUCOS MINUTOS após a redilatação da valva ou substituição por uma segunda prótese.
Eles também usaram um aparelho que analisa a função plaquetária. O tempo de hemostasia mensurado pelo aparelho apresentou comportamento semelhante à mensuração do MFVWAPM sérico. Ambos os métodos apresentaram sensibilidades e especificidades elevadas.
Uma vez que os métodos atuais permitem detectar a insuficiência aórtica somente após o cateterismo, estes novos métodos podem fazer com que o diagnóstico seja feito com segurança ainda dentro da sala de hemodinâmica.
Fonte: Van Belle E, Rauch A, Vincent F, et al. Von Willebrand Factor Multimers during Transcatheter Aortic-Valve Replacement. The New England journal of medicine. 2016;375:335-344.
 

Yan Carvalho

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