setembro 2017 – Widoctor

Archive setembro 2017

Abordando Anestésicos Locais

Abordando Anestésicos Locais

1) Baseado na figura abaixo, explique:
A) O mecanismo de ação dos anestésicos locais (Als);
B) Importância dos pHs dos meios extra e intracelular na ação dos Als;

A) Os anestésicos locais atuam na membrana e impedem a geração e condução do
impulso nervoso. Eles bloqueiam a condução reduzindo ou impedindo o grande
aumento transitório da permeabilidade das membranas excitáveis ao Na+. À medida
que a ação anestésica se desenvolve progressivamente no nervo, o limiar de
excitabilidade aumenta gradativamente, a velocidade de elevação do potencial de
ação declina, a condução dos impulsos fica mais lenta e o fator de segurança da
condução diminui. Essas alterações reduzem as chances de propagação do
potencial de ação e, por fim, a condução nervosa é impedida. Os anestésicos
precisam primeiro atravessar a membrana para exercer sua função. Ao se ligar, o
anestésico em sua forma ionizada inativa o canal de Na+ em sua conformação
aberto inativado.
O bloqueio de condução deve abranger um comprimento da fibra nervosa tal que
impeça a propagação do impulso nervoso. Em fibras não mielinizados, o impulso se
move adiante por despolarização sequencial dos segmentos curtos contíguos de
membrana, logo espera-se que a sensibilidade ao bloqueio seja maior. Já em fibras
mielinizadas, a condução de impulsos ocorre por meio de saltos, de forma que a
sensibilidade ao bloqueio é menor. É importante ressaltar também que a espessura
da mielina influencia no bloqueio – quanto mais espessa a mielina, mais anestésico
é necessário pois é preciso um mínimo de 4 nódulos de Ranvier para que o bloqueio
seja efetivo (o comprimento correspondente a 4 nódulos de Ranvier torna-se maior
quanto mais espessa a mielina). Esse é o chamado bloqueio fásico frequência dependente.
Há, também, o bloqueio tônico, o qual o anestésico, na sua forma apolar, penetra pela
membrana da fibra nervosa e se liga ao canal de Na+ sem necessitar de sua forma
ionizada, inativando-o. Nesse contexto, tal bloqueio se opõe ao fásico por não ser
frequência-dependente.
B) Os anestésicos locais tendem a ser apenas discretamente solúveis como aminas
não-protonadas. Assim sendo, em geral são comercializados como sais
hidrossolúveis, geralmente cloridratos. Como os anestésicos locais são bases fracas
como pka variando entre 8 e 9, seus sais de cloridrato são levemente ácidos,
propriedade que aumenta a estabilidade dos ésteres de anestésicos locais e
qualquer substância vasoconstritora acompanhante. Nas condições habituais de
administração, o pH da solução de anestésico local se equilibra rapidamente com o
dos líquidos extracelulares. Embora a espécie não-protonada dos anestésicos locais
seja necessária para difusão através das membranas celulares, a espécie catiônica
é aquela que interage preferencialmente com os canais de Na+ . O pH do meio
intracelular é responsável então por ionizar a espécie não-protonada, tornando-a
catiônica e capaz de se ligar bloqueando os canais de Na+ . Anestésicos com pka
baixo (3,5) como a Benzocaína, no pH do meio intracelular nunca se ionizariam.
Sendo assim, esses anestésicos interagem com a camada lipídica
através de sua porção lipofílica e promovem diretamente a mudança conformacional
dos canais de Na+ para seu estado inativo, realizando o chamado Bloqueio Tônico.
A diminuição do pH fora da célula aumenta o número de espécies catiônicas do
anestésico fora da célula. Esses anestésicos então não conseguirão realizar
nenhum dos dois tipos de bloqueio, ou seja, fásico e tônico. No entanto, a
diminuição do pH dentro da célula aumenta o número de espécies catiônicas do
anestésico, aumentando assim a sua potência para bloqueio fásico.
Autor: Rafael Kader.

Caso Clínico: Hipertireoidismo

Caso Clínico: Hipertireoidismo

CASO CLÍNICO HIPERTIREOIDISMO
Identificação: AS, 35 anos, feminino, parda, solteira, natural e moradora do Rio de Janeiro, do lar.
Queixa Principal: “Aumento do Pescoço”
História da Doença Atual: Paciente refere que após aborrecimento familiar iniciou quadro de
grande ansiedade e nervosismo. Refere ainda emagrecimento de 8 kg nos últimos 6 meses,
sudorese intensa, mais calor que o habitual e palpitações constantes. Medicada com
medicamentos ansiolíticos por “amiga”, sem grande melhora. Há uma semana reparou que o
pescoço estava inchando, tendo então procurado o médico.
Anamnese Dirigida: Sem Interesse
H Familiar: Irmã com febre reumática e doença mitral (estenose), outra irmã com psoríase.
H Pessoa: Nunca fumou, nunca ingeriu bebida alcoólica. Alimentação variada. Mora com os
pais e duas irmãs.
Exame Físico: Lúcida, orientada no tempo e no espaço, emagrecida, ligeiro tremor de
extremidades, hipocorada +/4+, normohidratada, acianótica, anictérica, afebril, pele quente e
úmida. PA – 150/60 mmHg, PR – 110 bpm, FR – 22 irpm, Tax 36,8oC Oftalmopatia do tipo infiltrativo,
orofaringe normal. Tireoide aumentada de tamanho simetricamente, com consistência firme
indolor a palpação e com bordos bem definidos. Expansibilidade da parede torácica normal.
FTV normal. MV universalmente audível sem ruídos adventícios. RCI (fibrilação atrial) em 3T.
Dissociação pulso precórdio. Sem sopros. Abdome indolor, sem hepatoesplenomegalia. Edema
pré-tibial de MMIIs.
Laboratório: Hms – 4,4 milhões, Hb – 13,5g/dL, Hto – 40%, Leucócitos – 8000/mm3,
0/1/0/0/5/60/24/10, plaquetas – 150.000/mm3.
1) Qual a principal hipótese de diagnóstico funcional do quadro clínico da paciente?
Tireotoxicose por hipertireoidismo.
2) Cite três causas de aumento difuso da glândula tireoide.
Bócio carencial (deficiência de iodo), adenoma hipofisário secretor de TSH, Doença de Graves, tireoidite de Hashimoto em estágio inicial.
3) Qual deve ser a terceira bulha notada durante a ausculta cardíaca: B3 ou B4? E qual o
mecanismo de produção deste terceiro som?
B3 (não pode ser B4 pois não há contração atrial). A B3 se origina do choque da coluna de
sangue proveniente do enchimento ventricular rápido, com o volume residual dentro do
ventrículo. Acontece em situações onde ha disfunção sistólica do ventrículo, com diminuição da
fração de ejeção e aumento do volume diastólico inicial.
4) Que sinais do exame físico especifico do pescoço levariam a suspeita diagnóstica de uma
processo maligno de tireoide?
Tamanho aumentado assimetricamente ou não, consistência endurecida, superfície irregular,
bordos mal delimitados, imóvel e com presença de linfonodos vizinhos sugestivos de metástase.
5) A irmã da paciente tem estenose mitral, Qual o tempo (sistólico ou diastólico), a sede (local
de maior intensidade), a propagação, a intensidade (forte, fraco etc), a tonalidade (agudo ou
grave), e o timbre (áspero, rude etc) do sopro de estenose mitral?
Sopro diastólico (mesodiastólico com reforço pré-sistólico), mais audível em foco mitral, sem
padrão de irradiação característico, de intensidade variável, tonalidade grave e timbre em
ruflar.
Autor: Rafael Kader

Hemodinâmica

Hemodinâmica

Pergunta : Gabriel ( Universidade Católica de Brasília )
Boa tarde!
Levando em consideração a proliferação de escolas médicas, podemos considerar que há uma importante tendência à abertura de novos hospitais em cidades de médio-porte, certo? Dessa forma, seria interessante investir na formação em cardiologia ou nefrologia para tentar essa nova parcela de mercado com serviços de hemodinâmica ou diálise?
Além disso, teria uma noção do investimento necessário para montar essas estruturas “do zero”?
Agradeço pela atenção, e pelo trabalho excepcional que faz neste site!
Resposta :
Sem dúvida a proliferação de escolas médicas deve favorecer o surgimento de novos hospitais, porém é coisa relativamente demorada já que esses novos empreendedores de escolas de Medicina, normalmente procuram fazer convênios com hospitais já existentes, além do que a construção de novos hospitais é demorada e custosa.
Na hemodinâmica a maior parte dos custos é proveniente de custos fixos. Isso ocorre devido o alto custo de aquisição e de manutenção dos equipamentos. Montagem de um serviço de hemodinâmica não fica por menos do que 1 milhão de reais.
Assim, mesmo sem ser utilizado, este equipamento gera altos custos, visto que sofre com a obsolescência que reduz sua vida útil independentemente do volume de uso. A presença da obsolescência decorre da alta tecnologia.
Para um hospital atingir bom nível de excelência necessita realizar investimentos constantes em instalações físicas, na aquisição de materiais e de equipamentos cada vez melhores tecnologicamente, e, em treinamento e qualificação dos profissionais. Porém, as fontes de obtenção de receitas necessárias para o financiamento destes gastos estão, normalmente, atreladas às tabelas de procedimentos médicos, tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto de empresas operadoras de planos de saúde. No caso de hospitais públicos, tem-se ainda o entrave político burocrático para a liberação de verbas para investimento.
A instalação de um serviço de hemodinâmica é complexa. Veja um exemplo abaixo:
UNIDADE HEMODINÂMICA: PROPOSTA ARQUITETÔNICA
Luiz Claudio Rezende Cunha
Engenheiro civil – Especialização em
Arquitetura em Sistemas de Saúde.
RESUMO
Este estudo enfoca a complexidade do espaço físico para uma unidade de Hemodinâmica interligada a um hospital. Neste setor o controle de tempo e a realidade do cumprimento
das atividades de trabalho pelo staff do setor é fundamental para a vida do paciente. O trabalho aborda a análise de fluxo de forma a facilitar a circulação do usuário como
também da equipe de trabalho eficiente e controlado de forma a permitir facilidades na resolução de problemas, com isto apresentando uma melhor avaliação do espaço físico para os serviços de hemodinâmica.

  1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo principal a descrição, análise e proposição do
espaço físico adequado a uma Unidade de Hemodinâmica, identificando seus equipamentos e instalações específicas.

  1. METODOLOGIA
  2. Observação, reprodução fotográfica e entrevistas com profissionais especializados obtidas durante as visitas técnicas realizadas em estabelecimentos existentes;

 
3- GENERALIDADES
3.1- O que é Hemodinâmica
A hemodinâmica se propõe realizar exames diagnósticos e intervenções terapêuticas por meio de radiologia cardiovascular, usualmente recorrendo a catéteres e injeções de contraste. Executam-se também procedimentos terapêuticos como angioplastia, drenagens e embolizações terapêuticas.
3.1.1- Procedimentos mais adotados
3.1.1.1- Cateterismo
Procedimento invasivo que auxilia na obtenção de dados adicionais contribuindo para um
diagnóstico exato e indicação do tratamento mais adequado.
Trata-se de um método em que se punciona ou disseca uma veia ou artéria periférica e se introduz um tubo fino eflexível chamado cateter, até aos grandes vasos e o coração, cujo fim é analisar dadosfisiológicos, funcionais e anatômico\s.
3.1.1.2- Angioplastia
Procedimento invasivo, não cirúrgico, para tratamento de doenças arteriais.
Trata-se de um insuflamento temporário com um catéter-balão no interior do vaso para corrigir um estreitamento.

  1. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Aatribuição da unidade autônoma da Hemodinâmica é a prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, cujas atividades a serem desenvolvidas são as seguintes:!
Proceder a exame e consulta de pacientes;!
Preparar o paciente;!
Assegurar a execução de procedimentos pré-anestésicos e realizar procedimentos anestésicos;!
Realizar exames e intervenções por meio da radiologia;!
Proporcionar cuidados pós-anestésicos;!
Assegurar atendimento de urgência;
Realizar o procedimento da imagem;!
Interpretar as imagens e emitir laudo dos exames realizados;!
Guardar e preparar chapas, filmes, e contrastes e!
Zelar pela proteção e segurança de pacientes e operadores.

  1. PRÉ-DIMENSIONAMENTOS

O critério de dimensionamento baseou-se nas áreas mínimas preconizadas pela RDC-50 devidamente reavaliadas e adaptadas ao layout proposto de forma a melhor atender aos fluxos de trabalho.
Foi adotado o dimensionamento de uma Unidade mínima, a partir de 02 salas de Exames, devido à necessidade de manutenção dos equipamentos e de situações de realização de exames de emergência.
Foram estimados de 10 a 12 procedimentos / dia / sala de exame (a depender do tipo de exame a ser realizado), sendo previstos aproximadamente 21 lugares na sala de espera para
os acompanhantes dos pacientes, considerando-se que sempre há acompanhantes devido ao risco de vida que os pacientes ficam
expostos ao serem submetidos aos exames.
5.1 INFORMAÇÕES GERAIS
A -PROTEÇÃO RADIOLÓGICA:
Na sala de exames, todas as paredes, portas, visores devem ser equipados com proteção radiológica, de acordo com as normas (em geral, 150 mm de chumbo ou equivalente em BaSO4, serão suficientes.
B -ILUMINAÇÃO:
O nível de iluminação em áreas com monitores deverá ser reduzido através de um sistema
de lâmpadas incandescentes e dimmer, para uma perfeita visualização das telas de vídeo.
C – ATERRAMENTO:
Deverá seguir as normas da Comissão Internacional de Eletrotécnica para tomadas emgeral.
Piso condutivo para salas de exames.
D -AR CONDICIONADO
Temperatura: 18 a 240C
Umidade: 40% – 50% sem condensação
Troca de Calor: 50 /hora
Sistemas de ar condicionado com centrais e retornos independentes para salas de exames e sala técnica.
E – RECOMENDAÇÕES GERAIS
Pr=ever tomadas de parede (110/220-10A) nas áreas do equipamento.
As canaletas para os cabos devem ser equipadas com tampas removíveis para efeito de manutenção e limpeza.
A resistência do concreto para a base do equipamento deverá ser maior do que 180 Kg/cm2.
Salas de exames, comando e recuperação tem que ter elétrica de emergência e elétrica diferenciada.
F – SINALIZAÇÃO
Sinalização indicando equipamento em funcionamento na entrada da sala de exames.
Sonorizador para enfermagem.
G – GASES
sala de preparo de materiais: ar comprimido.
Sala de R=ecuperação: oxigênio, ar comprimido, vácuo e óxido nitroso.
S=ala de Exames: oxigênio, ar comprimido, vácuo e óxido nitroso.
H – ACABAMENT]OS
Todas as paredes e tetos com pintura acrílica e pisos com paviflex
Para as áreas molhadas, paredes (todo o pé direito) e pisos em cerâmica.

  1. PROPOSTA DE SOLUÇÃO ARQUITETÔNICA AGENCIADA

A proposta apresenta um exemplo de Unidade de Hemodinâmica pertencente ao serviço de Imaginologia de um edifício hospitalar do tipo geral, com Setor de Emergência de Alta Complexidade, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e Centro Cirúrgico para atender os casos de emergência, porém em bloco isolado e autônomo, com acesso independente para atender os casos eletivos.
6.1 LAYOUT
A proposta de área física com mobiliário e equipamentos está mostrada nas pranchas 1 e 2.
6.2 RECURSOS HUMANOS
Consideramos uma equipe técnica mínima, com os seguintes profissionais:
02 médicos cardiologistas hemodinamicistas (Exames)
02 enfermeiros especializados (Exames)
01 enfermeiro (Posto de Enfermagem)
02 técnicos em enfermagem (01 para Recepção e outro para Posto de Enfermagem)
02 auxiliares administrativos (Recepção)
ANÁLISE DE FLUXOGRAMA
Os fluxos de trabalho podem ocorrer de 02 formas:
1.Paciente Externo/Exame Eletivo
Neste caso a porta de entrada é a Sala de espera da Unidade autônoma, cujo exame foi
previamente agendado. O fluxo é o seguinte:
Paciente:
RECEPÇÃO CONSULTÓRIO (quando necessário) – PREPARO –
VESTIÁRIO
PACIENTE – SALA DE EXAMES – RECUPERAÇÃO – RECEPÇÃO – SAÍDA
Médico:
CONSULTÓRIO (ou hospital) –
VESTIÁRIO FUNCIONÁRIO – ESCOVAÇÃO – SALA
DE EXAME – COMANDO – LAUDOS – ESTAR –
VESTIÁRIO – CONSULTÓRIO (ou SAÍDA)
Auxiliares:
Tipo 01:
VESTIÁRIO FUNCIONÁRIO – POSTO ENFERMAGEM – PREPARO EQUIPAMENTOS – SALADE EXAMES – RECUPERAÇÃO – EXPURGO – DML-POSTO ENFERMAGEM –
VESTIÁRIO FUNC. – SAÍDA
Tipo 02:
ADMINISTRAÇÃO – CONSULTÓRIO – PREPARO PACIENTE –
ADM. – SAÍDA
2.
Paciente Interno/Exame de Emergência
Neste caso a porta de entrada é pelo hospital, de paciente já internado ou de paciente proveniente direto do Setor de Emergência, de Alta Complexidade, em geral exames realizados em caráter de urgência.
O fluxo é o seguinte:
Os recursos humanos fazem o mesmo fluxo, sendo diferente somente o do paciente:
HOSPITAL- PREPARO (ou não) – SALA
DE EXAMES – RECUPERAÇÃO –
HOSPITAL

  1. CONCLUSÃO

Após os estudos realizados, concluímos que os serviços de Hemodinâmica, por tratarem de procedimentos invasivos e com potencial de tratamento de situações de risco, requerem exímia especialidade profissional de seus recursos humanos e espaço físico dotado de equipamentos e instalações de alta complexidade e tecnologia avançada, não devendo ser
uma unidade isolada, apesar de autônoma, mas vinculada a um hospital com um bom suporte de UTI, Emergência e Centro Cirúrgico para subsidiarem as complicações que
vierem a surgir durante a realização dos procedimentos.
Concluindo : se o hospital se propuser a preparar as instalações e vc conseguir financiamento para aquisição dos equipamentos de hemodinâmica, pode até ser um bom negocio.
O custo para montagem de serviço de dialise é bem mais barato, mas os custos de funcionamento e de insumos também é alto.
Sugiro que você visite alguns desses serviços antes de se definir por essas especialidades.
Sucesso
Mário Novais

OMS solicita atenção para carência de inovações de antibióticos

OMS solicita atenção para carência de inovações de antibióticos

Em comunicado recente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta sobre a carência de invenções de novos antibióticos. O fato pode contribuir para terapêuticas progressivamente menos eficientes contra bactérias cada vez mais resistentes. Nesse contexto, a OMS afirmou necessidade urgente de os investimentos no desenvolvimento farmacológico diante desta “crescente ameaça” à saúde mundial.

A OMS registrou, no total, 51 novos antibióticos em estudos ainda em fase de desenvolvimento clínico para combater os chamados agentes patógenos prioritários, a tuberculose e a infecção diarreica atribuída ao Clostridium difficile. São apenas 8, contudo, as inovações no quesito de tratamento capazes de integrar o “arsenal” já existente até o presente momento.

Em fevereiro, a OMS publicou uma lista de 12 famílias de bactérias resistentes – as chamadas “superbactérias” além da tuberculose, que a cada ano mata 250 mil pessoas no planeta. Contra essas famílias, por sua vez, a organização destaca a urgência no desenvolvimento de novos medicamentos, a exemplo de enterobactérias como Klebsiella e E.coli. Algumas destas famílias provocam infecções comuns, como pneumonia e do trato urinário. Caso não sejam tomadas atitudes inovadoras na terapêutica contra essas bactérias, haveria um risco de retroagirmos na âmbito do combate a esses microrganismos e quaisquer infecções comuns se tornariam temidas e pequenas cirurgias ofereceriam risco de vida.

Apenas para a tuberculose estimou-se necessidade de investimentos superiores a 800 milhões de dólares anuais na pesquisa de novos medicamentos. São muito poucas de acordo com a OMS, também, as soluções orais de antibióticos sendo criados, quando na realidade são fundamentais para uso em infecções tratadas fora de ambiente hospitalar.

Até 2050, há a possibilidade de as bactérias resistentes aos antibióticos matarem até 10 milhões de pessoas por ano – equiparando-se aos expressivos números registrados pelo câncer – de acordo com grupo de especialistas internacionais formado em 2014 no Reino Unido.

Por fim, vale ressaltar que não se trataria somente de desenvolvimento de novos antibióticos, mas também de avanços na profilaxia de doenças e evolução de estratégias terapêuticas existentes e futuras para um melhor controle dessa nova realidade em evidência.

Fonte: g1.globo.com/bemestar

Autor: Rafael Kader

Remuneração em Cidades Menores

Remuneração em Cidades Menores

Pergunta : Daiane ( Faculdade de Medicina da USP )
Boa tarde. Vejo muitas perguntas sobre a remuneração das especialidades médicas e a maioria das respostas inclui considerações a respeito da cidade em que se pretende trabalhar depois de formado. Minha dúvida está justamente nesse ponto: a remuneração no interior é maior ou menor que nos grandes centros? Por exemplo, pretendo trabalhar numa cidade de médio porte como São José dos Campos (700 mil hab) ou pequeno porte como Guaratingueta (100 mil hab). Minhas possibilidades de ganho financeiro são maiores ou menores em relação à atuação em São Paulo?
Obrigada
Resposta :
Realmente é muito dificil prever se você seria mais bem remunerada em São Paulo-capital ou em uma cidade menor, pois depende de uma série de fatores, como especialidade escolhida, concorrência local, rede de relacionamentos na cidade, possibilidade de convênios, tempo de formado,  resultados técnicos , marketing utilizado…
Genericamente, em uma cidade como São Paulo, as oportunidades são maiores, embora a qualidade de vida seja inferior.
Em cidades menores como Guaratinguetá, a penetração no mercado de trabalho é um pouco difícil, a não ser que tenha familiares de grande influência na cidade ou que opte por alguma especialidade com carência na região.
Em cidades médias como São José dos Campos, o mercado já pode absorver especialistas com mais facilidade e com menos resistência.
A sugestão é que você faça sua residência em São Paulo e quando estiver terminando a formação reavalie as circunstâncias do momento.
Sucesso
Mário Novais

Remuneração no Início da Carreira

Remuneração no Início da Carreira

Pergunta : Gustavo ( Universidade do Vale do Aço )
Bom dia!
Por gentileza, gostaria de saber como é a renda de um profissional trabalhando em grandes clínicas ou hospitais particulares. Por exemplo, a área de oncologia (uma das áreas que considero) é dominada por grandes hospitais e clínicas, assim como a oftalmologia e outras áreas. Em grandes cidades, depende-se muito de entrar em grandes hospitais/clínicas no início de carreira quando se atua nessas áreas, certo (é a impressão que tive, não sei se está correta)? Então como é o trabalho nesses locais?
Além disso, gostaria de saber: vale a pena entrar e tentar sair para montar a minha própria clínica depois? Ou vale mais a pena já tentar construir minha própria clínica no início (começando menor e ir crescendo com o tempo)?
Resposta :
A remuneração do médico depende de vários fatores, como tempo de formado, formação técnica, especialidade escolhida, concorrência local, cidade onde está, rede de contatos, facilidade de conseguir convênios…
Durante a residência médica, de um modo geral, os médicos iniciam sua fonte de renda dando plantões em serviços de emergência em clinicas e hospitais particulares. Nesses hospitais em média a remuneração é de R$ 7.000,00 a 8.000,00 mensais por um plantão de 24 h semanais.
A medida que o médico vai se especializando ( lá pelo R3, por exemplo) ele pode começar a atuar na sua área específica. Pode iniciar a atividade de consultório particular ( alugando um horário por semana em algum consultório, de preferência da mesma especialidade ).
Nesse mesmo tempo ele também pode começar a trabalhar em alguma clinica da sua especialidade, onde sugerimos que ele fique algum tempo para ir vendo o funcionamento desse tipo de clinica até que posteriormente inicie a sua própria clínica e vá crescendo aos poucos.
Sucesso
Mário Novais

A formação médica e relação médico-paciente

A formação médica e relação médico-paciente

Texto elaborado por Heitor Alvito – acadêmico do quinto período de medicina da UFRJ e diretor da Liga Acadêmica de Psiquiatria.
Você acha que a relação entre os médicos e os pacientes poderia ser melhor? Isso seria capaz de influenciar na qualidade de nossos serviços de saúde? A formação do estudante de medicina gera médicos preparados para lidar com a população?
A realidade da faculdade de Medicina impõe aos estudantes mudanças radicais em seu estilo de vida. Dentre eles, uma alta proporção está sofrendo com várias doenças mentais. Entre elas destacam-se: Ansiedade (31%); Depressão (30,6%); Burnout (13.1%); Abuso de álcool (32.9%); Baixa qualidade de sono (51,5%) e Sono durante o dia (46,1%). A incidência de Suicídios entre os estudantes de medicina é 4 a 5 vezes maior que a média da população na mesma faixa etária, sendo considerado como grupo vulnerável e suscetível ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas e distúrbios emocionais relacionados à formação médica.
O contato íntimo e frequente com a dor e sofrimento, lidar com a intimidade corporal e emocional do outro, o atendimento de pacientes gravemente doentes ou terminais, e o enfrentamento da morte tornam a graduação em medicina especialmente angustiante.
O currículo do curso médico e suas atividades associadas exigem dedicação, havendo pouco espaço para tempo livre. Soma-se isso ao excesso de conteúdo ministrado, a quantidade exorbitante de disciplinas a serem estudadas e a busca incessante por atividades complementares que supram as deficiências acadêmicas e emocionais dos alunos.
Não bastasse o peso da formação acadêmica em si, o perfeccionismo é característica comum aos estudantes de medicina, que comumente apresentam histórico pessoal de sucesso e bom desempenho escolar, gerando uma tendência em estabelecer padrões elevados de qualidade. A possibilidade do erro gera preoucapação e insegurança, podendo levar os alunos a competições excessivas e dificuldades em lidar com as exigências internas.
Fadiga, cansaço, perda da liberdade pessoal, constante pressão, falta de orientação, excessiva cobrança por parte dos supervisores, falta de tempo para lazer, família, amigos, necessidades pessoais, obsessão pelo trabalho técnico, dificuldade de adaptação à universidade, frustrações relacionadas ao curso, dificuldades inerentes à relação professor-aluno e médico-paciente, são fatores estressantes comuns durante a graduação. Tudo isso leva o estudante a diminuir suas horas de sono, alimentar-se de forma inadequada, abrir mão de atividades físicas e convívio social.
Além disso, em algumas situações, a dificuldade de relacionamento com os professores é apontada como geradora de angústia. São frequentes conflitos interpessoais entre estudantes e professores, em situações que se assemelham àquelas relatadas por pacientes em relação à falta de escuta por parte do seu médico em que o médico inibe a capacidade de expressão do paciente ao desqualificar sua fala.
Na maior parte das escolas médicas, a ênfase na avaliação dos aspectos cognitivos e a prioridade dada às avaliações somativas, com caráter de prêmio ou punição aos examinandos, tem contribuído para uma imagem negativa das práticas de avaliação e tem provocado distorções na educação dos estudantes.  O uso mais extensivo de modalidades formativas e a escolha judiciosa de métodos mais adequados, válidos e fidedignos, podem contribuir para restaurar as funções educacionais mais genuínas da avaliação do estudante de Medicina. Na situação atual, o resultado é a formação de um estudante que, nos semestres finais do curso, dispõe de conhecimentos sobre as diferentes áreas biomédicas, mas apresenta deficiências no relacionamento com o ser humano que tem à sua frente.
O impacto dessas condições na vida do estudante pode afetar a sua capacidade de organizar suas demandas, gerenciar o tempo de horas de estudo socializar e ter uma boa performance acadêmica, uma vez que a empatia e o profissionalismo podem ser prejudicados. A avaliação abrangente do estudante de Medicina poderia cobrir os aspectos cognitivos, as habilidades e as competências práticas necessárias ao exercício da profissão, bem como as atitudes e as características pessoais dos alunos.
Estudantes que trabalham com PBL (Problem-based-learning) reportaram estarem mais satisfeitos com a sua qualidade de vida do que aqueles que têm um currículo tradicional. Tal percepção pode estar atrelada à quantidade de tempo livre que eles têm para dedicar ao estudo, na maior autonomia com o gerenciamento do tempo, e no primeiro contato com o paciente, promovendo sentimentos de utilidade e engajamento. Através do aprimoramento do currículo informal, com atividades que os alunos constroem espontaneamente como a iniciação científica, monitorias e ligas, os alunos do curso de medicina agregam habilidades e práticas que cooperam para a melhoria do cuidado de pacientes e para a sua sensação de utilidade e engajamento com a faculdade.
Em um estudo que comparou  estudantes brasileiros e americanos demonstrou-se que os brasileiros possuem maiores índices de depressão e estresse, principalmente devido diferenças socio-culturais, infraestruturas e curriculares. Além disso os estudantes americanos em geral eram mais velhos, as salas de aulas  possuíam metade dos alunos em comparação com as brasileiras, e o primeiro contato com o paciente ocorria mais cedo.
Outra diferença importante é que as escolas americanas oferecem apoio médico e psicológico para estudantes sem custos dentro do campus e suporte essencial para prevenir identificar e tratar condições que podem ter impacto na qualidade de vida do estudante sua performance acadêmica.
Quando a temática em questão é a forma de se relacionar com o paciente ou com o familiar, o ensino parece limitar-se apenas à demonstração, por parte do professor, da conduta a ser adotada, prescindindo de orientações verbais. Acredita-se, assim, que essa aprendizagem implícita é a forma de transmitir as normas de conduta da relação médico-paciente e que a formação médica consiste numa ação muito mais ampla do que aprender conhecimentos relativos a processos biológicos e terapêuticos; ela “envolve a compreensão de regras sobre sentimentos, erros e manuseio de nossas falhas; em outras palavras, está relacionada à aquisição de caráter e identidade de médico.
Acredita-se que uma compreensão melhor dos fatores identificados como geradores de angústia entre os estudantes de Medicina possa vir a colaborar para o melhor desempenho no processo de humanização dos cursos de Medicina.
Fontes:
1.      João P. Pacheco,Henrique T. Giacomin, Wilson W. Tam,Tássia B. Ribeiro, Claudia Arab,Italla M. Bezerra,Gustavo C. Pinasco. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2017;00
2. Giancarlo Lucchetti1 & Rodolfo Furlan Damiano2 & Lisabeth F. DiLalla3 &
Alessandra Lamas Granero Lucchetti1 & Ivana Lúcia Damásio Moutinho1 & Oscarina da Silva Ezequiel1 & J. Kevin Dorsey4 ; Cross-cultural Differences in Mental Health, Quality of Life, Empathy, and Burnout between US and Brazilian Medical Students. July 2017; Academic Psychiatry 2017
3. IFMSA BRAZIL POLICY STATEMENT
SAÚDE MENTAL DO ESTUDANTE DE MEDICINA . Novembro de 2016, Fortaleza, Ceará
4.      Tempski et al.: What do medical students think about
their quality of life? A qualitative study. BMC Medical Education 2012
12:106.
Autor: Rafael Kader.

A Industria e as Especialidades Médicas

A Industria e as Especialidades Médicas

Pergunta : Marcio Luiz ( Universidade Federal de Santa Catarina )
Oi! Qual área da medicina tem a indústria mais forte por trás? E consequentemente tem os melhores congressos (sem contar a parte científica do congresso), na questão de ter os melhores almoços, jantares e festas (já que o patrocínio da indústria é que banca a maior parte dos luxos em congressos médicos).
Agradecido pela resposta!.
Resposta :
Industria forte relacionada com especialidades médicas pode ajudar no crescimento da especialidade não apenas pelo patrocínio de grandes congressos e o luxo dos congressos deveria ser visto como algo secundário pelos profissionais.
As especialidades de maior força em relação às indústrias fortes são : Oftalmologia, Otorrino, Ortopedia, Dermatologia, Anestesia, Neurocirurgia e Radiologia.
Sucesso
Mário Novais

Especialidades em Cidades Pequenas

Especialidades em Cidades Pequenas

Pergunta : Filipe ( Universidade Federal de Lavras )
Gostaria de mais informações sobre quais as melhores especialidades para quem pretende trabalhar em cidades pequenas no interior do Sudeste, por exemplo. Entendo a importância de se levar em conta o tipo de paciente, a rotina da especialidade e a qualidade de vida, mas espero que possa ampliar minha visão sobre o mercado de trabalho em si no interior e quais especialidades fazem mais sentido nesse contexto.
Resposta ;
Para se exercer uma especialdiade médica no interior, em principio deve-se gostar do tipo de vida em uma cidade pequena, onde tudo é muito provinciano ( sem querer desvalorizar evidentemente a vida de interior ).
Em segundo lugar é necessário analisar alguns aspectos na hora de se escolher a cidade, tipo: tamanho da população, renda per capita na cidade, PIB local, nível de escolaridade dos habitantes, potencial de crescimento da cidade, número de médicos locais…
A terceira fase é traçar um perfil das especialidades do local, quais são as especialidades existentes, quantos médicos por especialidade, que carências de profissionais existem.
De um modo geral algumas especialidades apresentam maior facilidade de sucesso em qualquer cidade, tais como dermatologia, oftalmologia, endocrinologia, otorrino, cirurgia vascular, ortopedia.
O tempo de amadurecimento do profissional no local vai depender de vários fatores, tais como tempo de formado, formação básica, currículo, relacionamentos locais, facilidade de conseguir convênios e acima de tudo do marketing que utilizar para alavancar a carreira.
Sucesso
Mário Novais

ERRO MÉDICO

ERRO MÉDICO

Segundo estudo publicado no livro “Blink”, cujo autor é o americano Malcon Gadwell, a maioria dos médicos processados nos EUA, segue o mesmo padrão.
Vejam, de forma sintética, os 7 pontos encontrados no estudo:
1 – Os pacientes não processam os médicos de quem eles gostam;
2 – Na maioria das vezes o processo médico não ocorre pelo erro e sim pela forma como o paciente é (foi) tratado pelo médico;
3 – Os pacientes dificilmente processam os médicos que os tratam com humanidade, respeito, dignidade;
4 – Muitas vezes, os especialistas mais qualificados e os mais arrogantes são os mais processados;
5 – Quanto maior o tempo do atendimento médico, menores são as chances do médico ser processado, mas mais importante que o tempo é a qualidade do tempo prestado. Uma consulta de 15 minutos pode ser muito mais valiosa e produtiva ao paciente do que outra de 1 hora.
6– Os médicos menos processados são aqueles que orientam pacientemente e fazem escuta ativa;
7 – Utilizar um tom de voz dominante (autoritário) aumenta a chance do médico ser processado.
Portanto, o que o estudo pretende demonstrar é que o processo médico, na maioria das vezes, não está ligado ao erro ou negligência do profissional, mas sobretudo, ao modo como o médico se relaciona com o paciente.
sucesso
Mário Novais