Caso Clínico IV

Caso Clínico IV

Caso Clínico IV

Identificação: LSC, 33 anos, feminino, branca, casada, natural e moradora de Mesquita-RJ, do lar.
Queixa Principal: “Aumento do Pescoço”
História da Doença Atual: Paciente refere que após aborrecimento familiar iniciou quadro de
grande ansiedade e nervosismo. Refere ainda emagrecimento de 8 kg nos últimos 6 meses,
sudorese intensa, mais calor que o habitual e palpitações constantes. Medicada com
medicamentos ansiolíticos por “amiga”, sem grande melhora. Há uma semana reparou que o
pescoço estava inchando, tendo então procurado o médico.
Anamnese Dirigida: Sem Interesse
H Familiar: Irmã com febre reumática e doença mitral (estenose), outra irmã com psoríase.
H Pessoa: Nunca fumou, nunca ingeriu bebida alcoólica. Alimentação variada. Mora com os
pais e duas irmãs.
Exame Físico: Lúcida, orientada no tempo e no espaço, emagrecida, ligeiro tremor de
extremidades, hipocorada +/4+, normohidratada, acianótica, anictérica, afebril, pele quente e
úmida. PA – 150/60 mmHg, PR – 110 bpm, FR – 22 irpm, Tax 36,8oC Oftalmopatia do tipo infiltrativo,
orofaringe normal. Tireoide aumentada de tamanho simetricamente, com consistência firme
indolor a palpação e com bordos bem definidos. Expansibilidade da parede torácica normal.
FTV normal. MV universalmente audível sem ruídos adventícios. RCI (fibrilação atrial) em 3T.
Dissociação pulso precórdio. Sem sopros. Abdome indolor, sem hepatoesplenomegalia. Edema
pré-tibial de MMIIs.
Laboratório: Hms – 4,4 milhões, Hb – 13,5g/dL, Hto – 40%, Leucócitos – 8000/mm3,
0/1/0/0/5/60/24/10, plaquetas – 150.000/mm3.
 
1) Qual a principal hipótese de diagnóstico funcional do quadro clínico da paciente?
Tireotoxicose por hipertireoidismo.
2) Cite três causas de aumento difuso da glândula tireoide.
Bócio carencial (deficiência de iodo), adenoma hipofisário secretor de TSH, Doença de Graves,
tireoidite de Hashimoto em estágio inicial.
3) Qual deve ser a terceira bulha notada durante a ausculta cardíaca: B3 ou B4? E qual o
mecanismo de produção deste terceiro som?
B3 (não pode ser B4 pois não há contração atrial). A B3 se origina do choque da coluna de
sangue proveniente do enchimento ventricular rápido, com o volume residual dentro do
ventrículo. Acontece em situações onde ha disfunção sistólica do ventrículo, com diminuição da fração de ejeção e aumento do volume diastólico inicial.
OBS: Doença de Graves pode induzir uma cardiomiopatia dilatada.
 
4) Que sinais do exame físico especifico do pescoço levariam a suspeita diagnóstica de uma
processo maligno de tireoide?
Tamanho aumentado assimetricamente ou não, consistência endurecida, superfície irregular,
bordos mal delimitados, imóvel e com presença de linfonodos vizinhos sugestivos de metástase.
5) A irmã da paciente tem estenose mitral, Qual o tempo (sistólico ou diastólico), a sede (local
de maior intensidade), a propagação, a intensidade (forte, fraco etc), a tonalidade (agudo ou
grave), e o timbre (áspero, rude etc) do sopro de estenose mitral?
Sopro diastólico (mesodiastólico com reforço pré-sistólico), mais audível em foco mitral, sem
padrão de irradiação característico, de intensidade variável, tonalidade grave e timbre em
ruflar.

Rafael Kader

Aluno da Faculdade Nacional de Medicina - UFRJ; Presidente da Liga Acadêmica de Anestesiologia - LANES UFRJ; Presidente da Associação Interligas Acadêmicas de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro - AILADERJ.

Você deve estar logado para postar um comentário