Jalecos e transmissão de patógenos: Novidades

Jalecos e transmissão de patógenos: Novidades

Jalecos e transmissão de patógenos: Novidades

 
No cotidiano dos médicos brasileiros é comum verificar os profissionais utilizando na maioria do casos jalecos de mangas longas – existindo, inclusive, certo desprezo pelos modelos com as magas curtas. Os jalecos são fonte de contaminação por patógenos, porém, nenhuma evidência mostra que o uso mangas curtas reduz o risco de transmissão de patógenos.
Diante dessa perspectiva, a SHEA (Society for Healthcare of American) elaborou a seguinte hipótese testada em ensaio randomizado: a transmissão de agentes patogênicos ocorre com menor frequência quando os profissionais usam jaleco de manga curta quando comparado ao de manga comprida.
 
O estudo ocorreu com 34 profissionais da saúde, sendo eles submetidos ao VPI com mangas curtas ou longas enquanto realizavam exames em manequim contaminado com determinado vírus. O exame incluiu palpação e percussão do  tórax e abdômen e depois dorso e duraram aproximadamente 2 minutos. Foi divido em duas etapas de exame e, além disso, observações anônimas de grupos de médicos foram também realizadas durante rondas de trabalho.
 
Durante exames simulados, os punhos de manga comprida de jalecos brancos entraram em contato mais vezes com os manequins envolvidos. Contaminação com o marcador de DNA foi detectada significativamente mais frequentemente nas mangas e / ou punhos dos profissionais e em superfícies do ambiente adjacentes ao segundo manequim quando jalecos de manga longa foram usados. Embora as mãos sejam consideradas as principais fontes de transmissão de patógenos, formas de compartilhar os equipamentos portáteis também estão frequentemente direta ou indiretamente em contato com pacientes e podem contribuir para a transmissão de patógenos.
No estudo publicado, foram fornecidas evidências de que os punhos de jalecos brancos de mangas longas podem servir de vetor para a transmissão de patógenos. A transferência do marcador de DNA viral ocorreu significativamente mais frequentemente quando os jalecos de manga longa eram usados em relação aos de manga curta. Além disso, eles entraram em contato  com os pacientes e as superfícies mais frequentemente.
Mesmo frente aos dados colhidos ao longo do estudo, há necessidade de complementação de pesquisas nessa área, sem, contudo, dispensar a importância do suporte o qual tais informações fornecem para recomendação de que os profissionais usem jalecos de mangas curtas.
Fonte: Pebmed

Rafael Kader

Aluno da Faculdade Nacional de Medicina - UFRJ; Presidente da Liga Acadêmica de Anestesiologia - LANES UFRJ; Presidente da Associação Interligas Acadêmicas de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro - AILADERJ.

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