Arquivar abril 2018

Endocrino ou Dermatologia

Pergunta : Débora ( Universidade de Brasília )
Prezador Dr Mario, queria primeiramente agradecer pelas informações disponibilizadas. Eu me formei, e estou atualmente na Residência de Clínica Médica, no R2. Entretanto ainda não consegui definir qual a sub que eu gostaria de fazer, inclusive se realmente queria seguir na área da clínica médica. Eu prezo muito pela qualidade de vida, pelo próprio ganho salarial, por uma especialidade que eu não precise dar plantão futuramente, mas também sinto a necessidade de fazer a diferença na vida do próximo, na vida do meu paciente. E acabo sempre na dúvida entre Endocrinologia e Dermatologia. Com os crescentes números de pós graduação, também fico receosa em relação ao mercado, tanto da Endócrino, quanto da Dermatologia
A Endocrinologia me fascina pela Neuroendócrino, por poder realizar o tratamento e acompanhamento de Câncer de Tireoide, diabetes, trabalhar com mudança de estilo de vida, enfim. Entretanto, por ser uma especialidade em que não tem procedimentos, ser puramente ambulatorial, fico com medo de me sentir entediada no futuro, além da probabilidade de um menor retorno financeiro. Enquanto na Dermato, eu poderia atuar tanto nas patologias, quanto na parte estética e realizar procedimento. Entretanto eu tenho muito receio em não me realizar pessoalmente, por ser uma especialidade tão relacionada à estética, e ter essa sensação do distanciamento da Medicina mesmo.
Gostaria de saber sua visão sobre o mercado de ambas as especialidades, retorno financeiro, satisfação dos profissionais.
Resposta :
Gostar de duas especialidades não é pecado. No entanto tem que se decidir por apenas uma e não olhar mais para trás imaginando que poderia ter feito uma outra escolha.
As duas citadas por vc são excelentes especialidades, porém com pacientes e patologias bem diversas e vc tem que tentar ver em qual das duas situações de dia a dia vai se sentir mais feliz e mais confortável.
A endocrinologia é uma excelente especialidade, principalmente pelo aumento absurdo dos níveis de obesidade em todo o mundo e pela importância que se tem dado ao culto ao corpo. Além disso, são muito frequentes  as doenças da tireóide e os distúrbios hormonais ( menopausa e andropausa )em uma população que está nitidamente envelhecendo.
A endócrino também é uma boa especialidade porque além de permitir uma boa qualidade de vida e possibilitar uma boa remuneração, apesar de não permitir procedimentos e cirurgias que agreguem valor à consulta, é uma especialidade de boca-a-boca rápido na clientela e uma das poucas que permite ao profissional ser independente de convênios já que a clientela cresce rapidamente, principalmente em função da preocupação atual e futura com a obesidade e do aumento da expectativa de vida da população com consequente maior aparecimento de distúrbios da tireóide, do diabetes e alterações hormonais (menopausa e andropausa )
Cobrando, inicialmente, R$ 300,00 a consulta e realizando apenas 5 consultas por dia , o endocrinologista  pode ter no final do mês honorários acima de R$ 30.000,00.
Em relação aos cursos de pós-graduação comparados com a residência médica; a residência fornece uma base técnica bem mais sólida, o que vai facilitar seu trabalho no futuro e incrementar sua carreira.
Na residência vc recebe uma bolsa de R$ 3.000,00 e ainda pode dar pelo menos um plantão de 24 h por fora ( faixa de R$ 7.000,00/mês ) perfazendo um total de cerca de R$ 10.000,00 / mês. Na pós vc não recebe a bolsa iguala o do residente e ainda tem que pagar a mensalidade do curso de pós.
A dermato é uma especialidade de acesso direto. Os programas de residência médica em Dermato têm a duração de 3 anos, sendo que na maioria dos serviços o primeiro ano é basicamente de clínica médica.
A Dermatologia é uma das melhores especialidades, tanto pela boa qualidade de vida que permite , como pelos procedimentos pequenos e médios que agregam valor às consultas.
A crescente importância que se tem dado recentemente à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele e mais a procura desesperada pela beleza, ainda por cima aliada à uma indústria fortíssima de cosméticos e produtos anti envelhecimento, fazem com que a clientela do dermatologista cresça rapidamente.
Como dermatologista, evidentemente vc pode trabalhar em Hospitais, apenas a clientela do hospital será um pouco diferente da clientela do seu consultório. No hospital vão predominar as patologias dermatológicas e no consultório predominará a parte cosmética, que inclusive é a mais lucrativa.
A remuneração do dermatologista, de um modo geral, é melhor do que a do endocrinologista a medida que ele utilize dos procedimentos estéticos da especialidade e consiga fazer um bom marketing para divulgação dos seus serviços.
Quanto ao tédio dentro da especialidade, isso é comum em todas as especialidades, já que os casos se repetem com muita frequência.
Concluindo : entre essas duas opções, qualquer que vc escolha vai estar fazendo uma boa opção, porém de acordo com seu perfil, talvez vc se sinta melhor como endocrinologista.
Sucesso
Mário Novais

Governo suspende abertura de novos cursos médicos no Brasil

Em reunião entre o ministro da Educação Mendonça Filho e o presidente Michel Temer foi suspensa a abertura de novos cursos de medicina no Brasil nos próximos cinco anos. Dentre as instituições envolvidas pela decisão estão não só as públicas federais, estaduais e municipais, mas também as privadas. Além disso, está suspensa também a ampliação de vagas que as instituições federais já oferecerem pelo mesmo período. De acordo com o ministro, essa decisão é de vital importância para avaliar e adequar a formação médica no país.
“Teremos moratória de cinco anos para que possamos reavaliar todo o quadro de formação médica no Brasil. Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação de médicos no Brasil já foram alcançadas. Mais que dobramos o número total de faculdades de formação de medicina nos últimos anos, o que significa dizer que há uma presença de formação médica em todas as regiões do Brasil”, disse Eduardo Mendonça Filho em entrevista. Duas portarias foram publicadas pelo Diário Oficial da União: uma relacionada à suspensão e outra à orientação dos sistemas estaduais e municipais a cumprirem a norma.
 
A medida vai a favor da classe médica que vem manifestando preocupação com o aumento no números de vagas de cursos de medicina, especialmente após o lançamento do programa Mais Médicos. “Essa portaria vem ao encontro da necessidade de controle da autorização de novas escolas. Temos algo em torno de 31 mil vagas nos curso de medicina. Isso vai projetar o número de médicos per capita a uma demanda que não é compatível com países de primeiro mundo”, disse Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina.
 
Desde o ano passado a Associação Médica Brasileira (AMB) pressiona o Governo por medidas de fiscalização das escolas de medicina e por realização de exame de proficiência após a formação dos estudantes e para egressos de todas as escolas. A AMB, então, demonstrou total apoio à moratória. De acordo com a instituição, nesse contexto, o resultado dessa ação pode ajudar a resolver os problemas relacionados à falta de qualidade do ensino médico oferecido pela maioria das escolas médicas.
A resolução – contudo – contraria os projetos das gestões anteriores do MEC, caracterizados por expandir os cursos para suprir déficits na distribuição de profissionais pelo Brasil; o número de vagas abertas em medicina saltou de 19 mil (2013) para 31 mil (2017).
 
Contra a resolução, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) afirma que a decisão representa “um retrocesso que compromete o desenvolvimento do país e o atendimento à população naquilo que é um direito humano fundamental, o direito à saúde”. A ABMES ainda defende que é contraditório que o governo suspensa a criação de vagas se, no entanto, meses antes criou uma regra específica para o seu aumento, à exemplo do Programa Mais Médicos.
 
Fonte: veja.abril.com.br

Infectologia e Medicina de Família

Pergunta : Raquel ( Universidade Federal de Minas Gerais )
Prezado Dr Mario, primeiramente gostaria de agradecer pela contribuição contínua que o site oferece informando sobre as especialidades. Sem dúvida é um serviço que ajuda muito nesta tão difícil escolha da residência médica.
Estou no último ano da graduação e estou em dúvida em relação à infectologia e medicina de família e comunidade. Como se trata da minha segunda graduação, características como mercado (no momento atual é no futuro), estabilidade e qualidade de vida são de grande importância na minha decisão. Gostaria de saber mais sobre essas características referentes a estas duas especialidades médicas.
Desde já agradeço a atenção.
Resposta:
A dúvida nesse momento é normal e muito comum. Serão muitos anos de atividade profissional e por isso a escolha deve ser feita de forma mais racional.
Na escolha, além de analisar a qualidade de vida e a remuneração que a especialidade vai te permitir é fundamental avaliar como é o dia a dia da especialidade, ou seja tipos de pacientes e tipos de patologias com as quais vai lidar.
Mais algumas informações sobre essas especialidades podem te ajudar na escolha :
A infectologia foi uma das especialidades que mais progrediu em termos de status nos últimos anos. Anteriormente rotulada como especialidade que tratava somente de doenças raras e crônicas como esquistossomose , calazar e doença de chagas, com o aparecimento da AIDS e novas doenças como Influenza H1N1, Zica, Dengue, evoluiu para um aumento significativo da clientela.
Além disso, desde a morte do presidente Tancredo Neves, vitima de infecção hospitalar, passou a ser exigido dos hospitais a criação das comissões de controle de infecção hospitalar com normas rígidas de funcionamento, abrindo um mercado interessante em termos de consultoria para os profissionais dessa especialidade.
O mercado ainda é carente de profissionais, tanto na área de consultórios como nas solicitações de pareceres em pacientes internados em aptos, enfermarias e unidades de tratamento intensivo.
Esse é o principal mercado em cidades grandes ( consultórios próprios que até independem de convênios porque lida com casos especiais, centros de saúde, pareceres em pacientes internados com infecções resistentes e consultoria na organização e acompanhamento de CCIHs )
No momento, as epidemias de Dengue, Zica, Febre Amarela em varias cidades tb estimula o mercado de infectologia.
Em cidades do norte do Brasil, o controle de doenças como febre amarela e malária tb é um mercado promissor para esses especialistas na área de saúde publica principalmente.
Pela AIDS, pelas novas doenças infecciosas que vão continuar aparecendo periodicamente, pelas CCIHs e pelo consequente aumento rápido da clientela, a DIP passou a ser uma das melhores especialidades do momento.
A Medicina de Família e Comunidade é a especialidade que mais poderia influenciar na saúde de uma população, já que a maior parte dos pacientes que procuram atendimento médico, o fazem com problemas banais que com um boa formação médica de base poderiam ser resolvidos por qualquer médico.
A abordagem familiar em relação a aspectos de saúde e mesmo em relação a aspectos psicológicos, de saúde mental, prevenção de doenças, sedentarismo, adaptação escolar, saúde bucal, crescimento e desenvolvimento…pode ter um resultado espetacular na saúde e inserção social de uma família.
No entanto, por mais que todos julguem importante esses aspectos, a maioria dos médicos acabam optando por escolher uma especialidade considerada por eles como mais técnica e de mais status.
O sistema de saúde do Brasil ( público ou privado ) que permite acesso direto aos diferentes especialistas por parte da clientela, termina por reduzir a provável clientela do médico de família e do generalista.
Abaixo reproduzo artigo publicado na Rev Med (São Paulo). 2012;91(ed. esp.):39-44
Por que escolher a Medicina de Família e Comunidade? Ademir Lopes Júnior
Graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo, Consultor da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Membro da Câmara Técnica de Medicina da Família e Comunidade, Delegado do CREMESP.
O que é a especialidade?
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é a especialidade médica que cuida das pessoas ao longo do tempo, independente do problema de saúde, do sexo, da idade, ou do órgão afetado pela doença.A MFC visa o atendimento integral das pes- soas, famílias e comunidade por meio decompetên- ciaspreventivas e terapêuticas.
O médico de família e comunidade (Mfc) é um especialista em atenção primária à saúde, portanto, deve ter formação geral que lhe permita ser o primeiro contato do paciente sempre que esse procure o servi- ço de saúde. É o pro ssional que coordena o cuidado ao longo do tempo com resolutividade de 85% a 95%, além do manejo de sintomas inespecí cos.
O fortalecimento da MFC está diretamente vin- culado a organização do sistema de saúde. Países com sistemas de saúde mais justos para toda a popu- lação têm forte atenção primária, com priorização do número de médicos com formação geral em relação aos demais especialistas.
No Brasil, embora a MFC seja reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1981, apenas após a criação da Estratégia de Saúde da Família (ESF), em 1994, a especialidade tornou-se mais conhecida.
Por que escolhi essa especialidade?
Entrei na FMUSP em 2000. Não tive nenhu- ma disciplina sobre atenção primária na graduação -apenas apuericultura no Centro de Saúde-Escola do Butantã e uma visita domiciliar no PSF da Zona Leste. Aliás, lembro até hoje dessa visita: um paciente com
Doença de Parkinson.
A intensa grade curricular da FMUSP pouco permitiavivenciaroutros espaços. Por isso, “tranquei” a faculdade para conhecer um pouco da USP: entre o 3o e 4o ano parei por 6 meses o curso enquanto frequenteicomo ouvinte disciplinas nas Faculda- des de Jornalismo, Psicologia e História.Durante o internato, “tranquei” mais três vezes: um mês de estágio de Medicina Tropical em Santarém, um mês de Geriatria no Canadá, e 15 dias de Oftalmologia e Otorrinolaringologia no HC-FMUSP (na época não haviam esses estágios). Ao todo, adiei em 9 meses minha formatura, e ainda restaram 2 meses para estudar para a prova de residência.
Apesar de já ter ouvido sobre a MFC no Brasil, apenas no Canadá conheci a prática de um Mfc. Isso me encantou: ser um pro ssional com ampla visão clínica evasto e variado repertório de pacientes. Mas como seria aqui no Brasil?
Para isso, fui visitar o programa de residência de MFC do Grupo Hospitalar Conceição no Rio Gran- de do Sul, um dos mais antigos do Brasil. Observei uma consulta não agendada de um paciente com lombalgia. A consulta foi muito diferente da queixa- conduta que eu estava habituado!
O médico já conheciao paciente, perguntou o que lhe preocupava, entendeu suas dúvidas, investi- gou e orientou os hábitos posturais eacordou as pos- sibilidades terapêuticas. A integralidade do cuidado se tornavareal ali na minha frente e em 10 minutos! Com o tempo, duranteminha residência, descobri que isso só era possível com a longitudinalidade e uso de“tecnologias leves”como a Medicina Centrada no Paciente ou do Teorema de Bayes.
 
Medicina de Família e Comunidade – Edição Especialidades Médicas.
Nesse estágio, também observei a discussão sobre a dinâmica familiardeum paciente acamado com múltiplas morbidades cujacuidadora com de- pressão nãoaderia às orientações. O que parecia um caos, cou claro e passível de intervenção com o uso das ferramentas da abordagem familiar. E, assim, foi possível construir um plano terapêutico que ostornassem mais autônomospara seus próprios projetos de vida.
Acompanhei pacientes em cuidados paliativos, pré-natal, crianças com asma. A MFC não era uma simples somatória de outras especialidades, havia algo próprio! Além disso, em várias situaçõesna mi- nha própria família e amigos (classe média) percebia o quanto fazia falta um pro ssionalpara coordenar o cuidado dos meus avós, pais e irmão.
Na minha graduação já havia pensado em fazer Pediatria, Geriatria, Psiquiatria e Infectologia. Mas como escolher? Conhecia inúmeros psiquiatras e pediatras com 30 anos de formação, mas nenhum Mfc! O que seria da MFC em 2040? Qual seria o risco de uma especialidade quasetodavinculada apenas ao sistema público? Teria alguma perspectiva nan- ceira? Teria reconhecimento pelos meus pares que sempre desprestigiavam essa especialidade?
Mas a MFC era uma especialidade em franca ascensão. Eu poderia integrar a prática clínica com outras áreas do conhecimento. Gostava disso!Eu poderia conversar com as pessoas, conhecendo seus hábitos e história de vida nas suas casas e cotidiano. Havia grande diversidade de atuação: de insu ciência cardíaca aos dé cits motores, de lesões de pele aos problemas de linguagem, das angústias com o ciclo de vida às crises psicóticas, da promoção à saúde à caquexia.
Os Mfc que conhecia erambastante requisi- tados nas universidades e serviços de saúde. Os programas de residência em MFC eram os que mais haviam se expandido no país. O ganho salarial, em- bora não fosse o maiorentre as especialidades, era
razoável e com boas garantias. Com o tempo, per- cebi que a MFC me oferecia ampla possibilidade de atuação no sistema públicoou privado, nas grandes ou pequenas cidades, nas comunidades ou casas, nas instituições de saúde ou ensino. Havia muita tecnologia envolvida,seja no uso das habilidades comunicacionais oude informática e telemedicina. Havia um novo espaço a se construir e eu poderia ter muita satisfação nesse processo.
A MFC, en m, não era uma especialidadede pobrespara pobres! Conheci experiências exitosas no próprio Brasil e quase todas as críticas ou descréditos à MFC vinham de outros especialistas que pouco ou nada conheciam da área. A ESF se consolidava, tanto que em 2011 a revista The Lancet publicou um número inteiro dedicado aos bons resultados da estratégia brasileira.
Resolvi arriscar e participar da criação de um novo momento no país. Apesar dos desincentivos de TODOS os preceptores dos estágios do meu internato, optei pela MFC. Estaria participando da construção de uma especialidade que, apesar de reconhecida desde 1981, apenas agora era mais evidente no cenário nacional.
Durante a residência, fui para Portugal, conheci médicos da Espanha, Inglaterra e Bélgica. Percebi o quanto os MFC eram reconhecidos em outros países. Desde então, inúmeras oportunidades se abriram para mim, seja no ensino, gestão ou assistência à saúde.
Por fim, certamente essa é uma especialidade a ser considerada por aqueles que gostam da clínica ampliada, da relação médico-paciente, que acham interessante o corpo humano em sua totalidade, bem como para aqueles se interessam pelosvários mo- mentos de vida em seus vários aspectos e contextos. Se você gostar de dessa os, vale à pena conversar com alguém que fez a residência em MFC, certamente serão lhe apresentadas oportunidades e vários caminhos a serem construídos e desvendados.
Concluindo : embora exista carência de bons médicos de saúde da família e ser essa uma especialidade ao mesmo tempo apaixonante (em termos de relacionamentos pessoais) e ao mesmo tempo enfadonha ( pela repetição de pequenos problemas ), o mercado de trabalho é ingrato para essa especialidade.
Sucesso
Mário Novais

Oftalmologia ou Ortopedia

Pergunta : Victor ( Universidade Federal de São Carlos )
Primeiramente gostaria de parabenizar e agradecer pelas informações que disponibilizam.
Sou acadêmico do 6º ano e estou indeciso sobre a escolha especialidade. As que mais me chamam a atenção são oftalmologia e ortopedia, principalmente por essas especialidades permitirem grande quantidade de procedimentos, cheguei a cogitar cirurgia geral, porém o tempo e o desgaste da residência me desanimam um pouco. Gostaria de saber quais destas especialidades permite uma melhor qualidade de vida e ganhos financeiros a curto e longo prazo e também sobre a rotina durante a residência em relação a tempo para plantões. Além disso, não tenho familiares na área e não tenho dinheiro para investir de imediato na especialidade e receio que isso possa interferir na escolha.
Resposta:
A escolha da especialidade deve ser bem racional e pensada com tranquilidade porque serão muitos anos de atividade profissional e vc deve se sentir feliz e confortável com o seu dia a dia profissional.
Oftalmologia e ortopedia são excelentes especialidades, porem lidam com pacientes e patologias diferentes; assim vc deve tentar imaginar em qual dia a dia vai se sentir melhor.
As duas permitem ótima remuneração, pois incluem procedimentos e cirurgias que agregam valor ao preço da consulta.
Ambas permitem boa qualidade de vida, sendo que o cotidiano do oftalmologista será mais tranquilo do que o do ortopedista.
A oftalmologia apresenta menor quantidade de emergências e as cirurgias são mais rápidas com menor desgaste do que nas cirurgias de ortopedia.
Em ambas as residências, mesmo sendo atividades muito mais trabalhosas do que são agora na rotina de faculdade, sempre há possibilidade para plantões fora da residência médica.
Embora na oftalmologia os custos de se montar um consultório próprio sejam bem maiores do que na ortopedia, de um modo geral o oftalmo inicia suas atividades trabalhando em clinicas já estabelecidas de outros oftalmologistas e com o tempo e devagar vai montando seu próprio consultório ou clínica.
Inicialmente vai ser um consultório simples com poucos equipamentos e a medida que a clientela vai aumentando, ele vai adquirindo novos equipamentos, o que pode ser através de financiamentos bancários ou mesmo diretamente com os fabricantes.
Além disso, no inicio do consultório, existe a opção de se adquirir equipamentos usados em bom estado por bons preços.
Sucesso
Mário Novais

Leucemia Infantil: Próximos passos

Pesquisadores do Instituto Calos Chagas (ICC/ Fiocruz Paraná), em nova pesquisa realizada, abrem novas perspectivas para o tratamento de câncer, em especial da Leucemia Linfóide Aguda (LLA) – que atinge com mais frequência crianças e jovens.
Desde 1970, a terapêutica da doença é baseada no manuseio da enzima asparaginase extraída de bactérias. No Brasil, cerca de 4 mil pacientes dependem deste tipo de medicamento, importado e utilizado pelos serviços de oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo desenvolveu uma versão inovadora da asparaginase humana, que após alterações estruturais tornou-se mais ativa bioquimicamente – conferindo a ela um potencial terapêutico. Tal descoberta permite novas perspectivas para o tratamento com uma enzima mais especifica e menos tóxica, uma contribuição importante para o tratamento da leucemia infantil.
Por não ser obtida a partir de bactérias, a asparaginase humana não apresenta forte reação do sistema imunológico, diminuindo assim os efeitos adversos no paciente. As células humanas produzem a asparaginase, porém a proteína nativa não apresenta atividade suficiente para utilização como medicamento. Diante da investigação da estrutura dessa molécula natural, então, o grupo de pesquisadores promoveram mudanças estruturais ao longo de quatro anos que resultaram em atividade compatível com potencial uso terapêutico.
Além da redução dos efeitos colaterais, outro fator muito importante seria a disponibilidade do fármaco no nosso país. Sabe-se que hoje o Brasil importe a asparaginase bacteriana utilizada no SUS. A partir do estudo, há esperança de produção nacional do biofármaco e seu posterior uso no tratamento da leucemia, melhorando o tratamento, barateando seu custo e reduzindo a dependência das importações.
Nesse contexto, essa pesquisa reforça a importância de avanços na pesquisa científica na área da sáude no nosso país. As próximas etapas – de acordo com os pesquisadores – se resume em otimizar a produção do fármaco, chegando a quantidades suficientes para realização de testes pré-clínicos a fim de confirmar o potencial farmacológico dessa enzima.
Fonte: Site do Cremerj

Residência Médica ou Pós Graduação

Pergunta : Tiago ( Hospital São Leopoldo Mandic )
Boa tarde, parabéns pelo site que é de grande ajuda e muito útil para nos que estamos ingressando na carreira medica.
A minha dúvida é sobre os cursos de especialização lato sensu para a area de dermatologia. Seria uma alternativa a residência médica? Como é a relacao com a sociedade de dermatologia, visto que temos a Sociedade brasileira de dermatologia(SBD) e a SBDCC (sociedade brasileira de dermatologia clinica cirúrgica)? o profissional não oriundo da residência médica pode ter maior dificuldades futuras na área que escolher? Obrigado.
Resposta:
A formação básica do médico é extremamente importante e como a maioria das faculdades de Medicina é muito teórica, ao final do curso o profissional, agora já formado, precisa de um treinamento mais prático e a residência médica é o melhor caminho.
Por mais que existam bons cursos de pós graduação em diversas áreas da medicina, a residência ainda é , com toda certeza, o melhor caminho para esse aprimoramento do profissional.
A residência médica é fundamental na formação do profissional e para quem já teve que aguardar 6 anos na faculdade, vale a pena investir mais alguns anos para ficar com uma formação melhor.
Acho que os cursos de pós graduação deveriam ser pensados somente quando não se consegue de nenhuma maneira entrar para uma residência.
Quando se termina a residência, o médico pode registrar seu diploma de residente no Conselho Regional de Medicina e se intitular especialista naquela área. Os cursos de pós graduação não dão esse direito. Os cursos de pós( se forem reconhecidos pelo MEC) apenas permitem que ao final deles vc preste o concurso para conseguir o título fornecido pela sociedade da especialidade em conjunto com a AMB.
Outra desvantagem dos cursos de pós é que vc não receberá a bolsa que os residentes recebem ( faixa de R$ 3.000,00) e ainda vai ter que pagar uma mensalidade para fazer a pós.
Mesmo com a carga horária puxada da residência você sempre poderá ganhar algum dinheiro dando de 12 a 24 horas de plantão semanal fora da residência .
Concluindo : a primeira opção sempre deve ser a residência. Seus clientes precisarão de um médico competente e você poderá ter uma carreira mais brilhante se tiver uma excelente formação na especialidade.
Sucesso
Mário Novais

Anestesiologia ou Dermatologia

Pergunta : Lays ( Universidade Federal do Maranhão )
Comecei a preparação para a residência medica, mas ando muito confusa.. Sempre pensei em fazer cirurgia, mas atualmente, pensando no tempo de residência e nas dificuldades impostas na especialidade por ser mulher, venho pensando em fazer outras coisas. Tenho pensando bastante em anestesio e dermato, mas tenho algumas duvidas sobre ambas. Em primeiro lugar, gostaria de me estabelecer no mercado médico de São Paulo, e pensando na remuneração, qual das duas seria melhor? Sou apaixonada por centro cirúrgico e o fato do anestesista lidar com os pacientes “dormindo” fala muito a favor, além disso, gosto dos procedimentos (por isso o interesse na dermato, mas clinica mesmo nao gosto tanto). Meu maior sonho é fazer a residência na USP. Fazendo residência de anestesiologia na USP, seria garantia de um bom lugar no mercado de trabalho paulista ao fim da residência? Seria possível conseguir uma boa remuneração, um bom lugar no mercado de trabalho de São Paulo na anestesiologia? Obrigada!
Resposta:
Na escolha da especialidade é fundamental se analisar 3 fatores:

  • qual a qualidade de vida que a especialidade vai te permitir
  • qual a remuneração comum a essa especialidade
  • como vai ser teu dia a dia ( tipos de pacientes e tipos de patologias)

O fato de ser mulher não deve interferir na sua escolha.
Pelo seu perfil, anestesiologia poderia ser uma boa opção, embora vc tenha que reconhecer que a qualidade de vida fica prejudicada por vários anos até que vc consiga se estabelecer como anestesista de cirurgias eletivas; o que não é tão fácil.
Fazendo residência de anestesio na USP ou em outro local, vc não vai ter dificuldade de se colocar no mercado de trabalho, porque o próprio staff da residência vai “abrir espaços “no mercado para vc.
Se vc não gosta muito de relacionamentos ou não tem prazer em atender clientes, dermato não deverá ser uma boa opção.
Sucesso
Mário Novais

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

 
Aproximadamente 11% das mortes em hospitais acontecem pelo declínio do quadro do paciente, não sendo reconhecido logo ou tratado da maneira correta. No entanto, uma das principais organizações de saúde do mundo, a US Department of Veterans Affairs (VA), em parceria com a DeepMind, empresa focada em inteligência artificial, anunciou que está trabalhando para prever mudanças potencialmente fatais na condição de um paciente mesmo antes de qualquer sinal de advertência.
Para isso, especialistas e pesquisadores de renome mundial estão analisando os padrões de 700 mil registros médicos, a fim de determinar se a tecnologia de aprendizado da Learning Machine, equipamento capaz de prever a evolução do paciente, pode identificar com precisão os fatores de risco durante a internação hospitalar, prevendo corretamente a piora do enfermo. A princípio, a pesquisa se concentra nos fatores de risco da insuficiência renal aguda (IRA), que é a perda súbita da capacidade dos rins filtrarem resíduos, frequentemente ocorrendo, sem sinais de aviso, após procedimentos de rotina. A pesquisa também foca na pneumonia, porque seu início também é repentino e, muitas vezes, assintomático. Ambas podem ser fatais.
“Em um mundo onde quase todos os recursos hospitalares se destinam a solucionar sintomas depois que as pessoas já estão doentes, esperamos que técnicas de previsão possam pavimentar o caminho para melhores cuidados preventivos de saúde, evitando que as pessoas fiquem doentes.” – Dominic King, da DeepMind Health.
O Trabalho que a DeepMind e a VA estão realizando ainda é exploratório, mas há otimismo quanto ao potencial de longo prazo da tecnologia de aprendizagem da Learning Machine. Eles esperam aplicar abordagens semelhantes para outros sinais de declínio evitando que pacientes possam desenvolver infecções e condições graves. Em última análise, salvar vidas.
Fonte: DeepMind

Caso Clínico V

Identificação: MGS, 71 anos, masculino, branco, motorista, casado, residente no RJ, natural de Queimados-RJ.
QP: “Falta de ar”.
HDA: Nos últimos 15 anos trabalhava normalmente, até que aproximadamente há 1 ano percebeu dispneia progressiva aos grandes para médios esforços, enquanto nos últimos 2 meses refere surgimento de edema de MMII além de ortopneia. Conta que acorda no meio da noite com muita falta de ar e precisa sentar para obter alívio.
AD: Nega alergias. Não usa nenhuma medicação regularmente. Nos últimos 2 meses refere uso irregular de furosemida para alívio do edema de MMII. Nunca precisou usar anticoagulantes. Nega episódio de síncope, porém não tem feito esforço físico nos últimos meses.
HPP: Endocardite bacteriana há 15 anos com necessidade de cirurgia cardíaca, para troca valvar. Sabe informar que implantou uma prótese biológica.
H Fisiológica: nasceu de parto normal e a termo, desenvolvimento e crescimento normais.
H Familiar: Pai faleceu de AVE, era hipertenso. Mãe viva e saudável bem como os 2 filhos e esposa.
H da Pessoa: Reside com a família em casa com boas condições de saneamento. Nega tabagismo. Etilista social.
Exame físico: PA=130×80 mmHg, PR= 82 bpm, FR= 22irpm, Tax= 36,7°C. Fácies atípica, lúcido e cooperativo ao exame. Sem TJP à inspeção. Pulsos carotídeos simétricos, com frêmito discreto melhor perceptível em carótida E. Sopros em ambas as carótidas.
ACV: Ictus de VE propulsivo, 1 polpa digital no 5o EIE na LHCE. Sem íctus de VD palpável. Sopro
sistólico (3+/6+) com reforço mesossistólico predominante em focos da base, mais intenso no 3º EIE paraesternal.
AR: tórax atípico com cicatriz de esternotomia e discreta ginecomastia bilateral. MVUA com estertoração crepitante em ambas as bases pulmonares.
Abdome: globoso, fígado palpável, com borda fina e hepatimetria de 12cm. Discreto refluxo hepatojugular.
MII: edema +/4+ com cacifo em região pré-tibial e perimaleolar bilateralmente.
1) Qual a lesão orovalvar mais provável?
Estenose aórtica.
2) Em pacientes com esse tipo de lesão cite um sinal periférico característico:
Pulso parvus tardus.
3) Como essa lesão orovalvar explica as alterações do ictus cordis desse paciente?
A estenose aórtica causa aumento da pós-carga, levando a hipertrofia do VE como mecanismo adaptativo. O ictus propulsivo reflete essa hipertrofia.
4) Cite 2 alterações do exame clínico (presentes ou não no paciente da questão) que possam indicar gravidade desse tipo de lesão orovalvar:
Ictus propulsivo, presença de B4, desdobramento paradoxal de B2 e hipofonese de A2.
5) Qual o significado da alteração encontrada na ausculta respiratória desse paciente?
EAP, decorrente de hipertensão venocapilar pulmonar, por aumento da pressão do AE, devido a disfunção diastólica de VE causada por sua hipertrofia.
6) Como se explicaria o refluxo hepatojugular no paciente em questão?
Devido a IVD, com o aumento do retorno venoso na manobra, este não consegue se adaptar ao volume recebido, causando congestão retrograda, percebida pelo ingurgitamento jugular.
7) Qual a denominação da queixa noturna deste paciente de “acordar no meio da noite com falta de ar”. Explique sua fisiopatologia:
Dispneia paroxística noturna. Ao deitar, aumenta-se o fluxo de sangue para o pulmão por aumento do retorno venoso que também proporciona reabsorção do edema de MMII. Esse aumento do retorno venoso piora a congestão pulmonar existente por causa da IVE. Esse é o mesmo mecanismo da ortopneia, todavia durante o sono, há uma menor sensibilidade do centro respiratório a esses estímulos que geram dispneia, por isso o paciente dorme por certo tempo e acorda com uma dispneia intensa.

Brasil: quase meio milhão de médicos

No início de 2018, o Brasil contava com 452.801 médicos. Esse número pode ser traduzido em razão de 2,18 médicos por mil habitantes. Em 2010, quando foi elaborado o primeiro estudo de Demografia Médica, a razão de médicos por habitante era menor (1,91 por grupo de mil).
Naquele período, 16.058 deixaram a faculdade e ingressaram no sistema de saúde. Há dois anos, em 2016, esse número chegou a 18.753. Porém, a tendência é que ele aumente muito mais, devendo chegar a mais de 28 mil, em 2024.
De acordo com a pesquisa da Demografia Médica desse ano, há um crescimento da população médica brasileira acompanhado de uma mudança no perfil de idade e de gênero desse grupo, acentuando-se processos de feminização e de juvenização da categoria no Brasil.
De 1920 a 2017 o total de registros de médicos no Brasil passou de 14.031 para 451.777 (crescimento de 2.219,8%). Ao longo desse grande aumento de profissionais, a população foi de 30.635.605 para 207.660.929 habitantes (aumento de 577,8%). Percebe-se, pelos registros verificados, que ao longo de 97 anos o total de médicos cresceu 3,7 vezes mais que o da população em geral.
Nos últimos anos, contudo, esse processo tornou-se extremamente veloz. De 1970 até a atualidade, o total de profissionais da medicina cresceu 665,8%, ou 7,7 vezes. Por sua vez, a população brasileira aumentou 119,7%, ou 2,2 vezes.
As mulheres vêm de maneira crescente tomando espaço ano após ano na medicina brasileira. Apesar de os homens ainda serem a maioria dos profissionais, com 54,4% do total profissionais, elas já representam 45,6% dos médicos. O sexo feminino, ainda, já predomina entre os médicos mais jovens, sendo 57,4%, no grupo até 29 anos, e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos, surpreendendo os números vistos nos dados demográficos verificados ao longo do século passado.
O Rio de Janeiro já apresenta 50,8% de médicos com sexo feminino. Alagoas, com 52,2%, segue também com maioria das mulheres na área médica. Além deles, o percentual também é alto em Pernambuco (49,6%), Distrito Federal (47,6%) e Paraíba (47,5%). Em São Paulo, as médicas são 45,4% do total e em Minas Gerais, 42,9%. Em contrapartida, o Piauí tem a menor presença feminina, com 37%. Essa tendência também surge no Amapá (37,2%), Goiás (38,5%) e Santa Catarina, com 38,8%.
Já os jovens – a exemplo das mulheres – vem tomando cada vez mais espaço no campo de trabalho da área médica no país. Sendo a outra grande novidade revisada pela pesquisa Demográfica Médica de 2018, a média de idade do conjunto dos médicos em atividade no País tem caído ao longo dos anos, representando, hoje, cerca de 45,4 anos, apontando para o juvenescimento da Medicina no Brasil. A tendência é resultado principalmente do aumento da entrada de novos médicos em função da abertura de mais cursos de Medicina.
Enquanto os homens apresentam média de idade de 47,6 anos, as mulheres possuem valor igual a 42,8 anos. De forma geral, em contrapartida, constatou-se que homens em atividade profissional têm, em média, 4,8 anos de idade a mais que mulheres.
Diante dessa nova realidade analisada pelo estudo demográfico dos médicos nesse ano, verifica-se uma maior força de trabalho feminina em ascendência no contexto brasileiro, além de uma maior juventude dos profissionais em atividade – muito devido ao excessivo número de novas escolas médicas no Brasil.
Fonte: CFM