julho 2018 – Widoctor

Archive julho 2018

Liderança na Medicina

Liderança na Medicina

Apesar de acompanharmos uma crescente tendência da medicina ao fortalecimento da preocupação com a saúde primária, em que o médico da família começa a recuperar um espaço que até pouco tempo atrás era ínfimo, a estrutura da saúde ainda tem forte relação com a forma centralizada institucional, com os hospitais. Dessa forma, há a necessidade incontestável de uma formação médica que privilegie, além de uma medicina técnica de qualidade, uma abordagem de temas relacionados à liderança e à gestão.

Há cerca de 200 anos, tendo em vista o mundo ocidental, os tratamentos médicos eram fornecidos, na maioria das vezes, por profissionais que levavam atendimento aos pacientes em seus próprios lares. No entanto, o século XX mudou a dinâmica populacional das cidades, trazendo abrupto crescimento da quantidade de pessoas vivendo nelas e seu adensamento. Da mesma maneira, os hospitais passaram a concentrar grande número de profissionais da saúde, progredindo na dificuldade de administrar e gerenciar esse contingente. Tudo isso fez com que se enxergasse a conveniência da criação de mecanismos para aumentar a eficiência e manter alto o padrão de satisfação no atendimento aos pacientes. Tornou-se pertinente, portanto, o incremento de questões de liderança e gestão na formação médica.

Essa pertinência se comprova quando um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União e publicado no Globo, mostra que o caos no SUS, única porta de entrada na saúde para grande parte dos brasileiros, aponta que muito da ineficiência da estrutura é proveniente do mal generalizado de gestão inepta. Da mesma maneira, o sistema privado de saúde também sofre dessa falha. A maior parte do turn-over dos hospitais, segundo o SaúdeBusiness, é causada por má gestão e líderes que não conseguem motivar as equipes.

Fica claro, dessa maneira, a importância da formação de lideranças na medicina para que haja eficiência e qualidade nos serviços prestados. Essa liderança, considerando a dinâmica atual de mercado, segundo o editor do SaúdeBusiness Osvaldo Rodrigues, leva em conta 5 características primordiais: respeito, participação, delegação de poder, envolvimento e trabalho em equipe.

Grandes transformações estão acontecendo na área da saúde com fusões, aquisições e joint venture, o que está mudando o mundo corporativo na medicina de forma veloz e multidisciplinar, envolvendo todas as áreas de formação da equipe de trabalho. Portanto, o líder não é mais aquele que tem o conhecimento, mas o que sabe compartilhar. Assim, “a saúde necessita formar líderes capazes de transformar as relações interpessoais e que tragam soluções ainda não experimentadas” para conseguir aperfeiçoar o atendimento nessa estrutura centralizada de funcionamento, atendendo (ou superando) as expectativas dos pacientes.

 

Referências:

 

https://saudebusiness.com/noticias/a-saude-precisa-de-lideranca/

 

https://oglobo.globo.com/opiniao/saude-publica-do-pais-sofre-de-ma-gestao-12010246

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2687916/

Medicina Paliativa

Medicina Paliativa

PERGUNTA : Aline (UNIFESP)
Gostaria de saber sua percepção sobre a área de cuidados paliativos, se esta àrea será promissora futuramente e qual residência (pré requisito) eu teria maior contato com pacientes terminais? Obrigada.

RESPOSTA :
O acelerado envelhecimento populacional no Brasil acarretou mudanças significativas no perfil de adoecimento da população, com um aumento de casos câncer, doenças cardiovasculares, pulmonares, neurológicas, dentre outras. Os portadores dessas doenças têm indicações de receber cuidados que envolvam a atenção à saúde de forma integral, considerando os aspectos físicos, psicológicos, espirituais e sociais. O mesmo vale para seus familiares e membros da equipe de cuidados. A Organização Mundial da Saúde define Cuidados Paliativos como a “abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que ameacem a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual”.

A medicina paliativa é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina , não como especialidade médica, mas como area de atuação.
Mais algumas informações sobre essa area de atuação podem ser úteis para vc.:
Medicina Paliativa : Residência com duração de 1 ano : Especialidade para a qual será exigida a comprovação de pré-requisito em uma das seguintes áreas: Anestesiologia, Clínica Médica, Geriatria, Medicina de Família e Comunidade, Oncologia Clínica, em Residência credenciada pela CNRM.
1. A Residência Médica em Cuidados Paliativos é uma modalidade de treinamento em serviço seguindo os moldes estabelecidos pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e MEC. Todo seu conteúdo teórico-prático é voltado para familiarizar e treinar o médico a exercer as atividades inerentes a sua profissão voltadas para as condições onde não se pode curar, mas deve-se cuidar do paciente dignamente até que a morte aconteça.
2. O marco teórico para o desenvolvimento do currículo mínimo para este programa de Residência foi adaptado e segue as recomendações estabelecidas pela Força Tarefa da Associação Europeia de Cuidados Paliativos (Recommendations of the European Association for Palliative Care for the Development of postgraduate Curricula – Leading to Certification in Palliative Medicine), e busca desenvolver, no médico residente, as habilidades necessárias para atuar com os pacientes portadores de enfermidades crônicas e que se encontram fora de possibilidade de cura.
3. A ementa da Residência Médica em Medicina e Cuidados Paliativos desenvolver-se-á nos seguintes eixos principais:
a) Introdução aos Cuidados Paliativos (Definições e Princípios dos Cuidados Paliativos, História dos Cuidados Paliativos, Qualidades pessoais e atributos do Médico de Cuidados Paliativos)
b) Cuidados Físicos e Tratamentos: Manejo das doenças progressivas limitantes da vida; Processos de doenças específicos; princípios gerais do controle de sintomas; Outros sintomas e problemas físicos; Emergências em Cuidados Paliativos; Procedimentos Práticos; Farmacologia e Terapêutica; Reabilitação; Cuidados do paciente em fase de agonia e família;
c) Cuidados Psicossociais e intervenções: Relações familiares e Sociais; Comunicação com pacientes e família; Resposta psicológica de pacientes e Cuidadores para doenças ameaçadoras da vida e as perdas; Atitudes e respostas dos Médicos e outros profissionais; Luto; Finanças familiares e do paciente;
d) Cultura, Linguagem, Questões Religiosas e Espirituais;
e) Ética e Bioética: Ética Teórica e Ética Aplicada a Cuidados Paliativos;
f) Estrutura Legal: Morte, Tratamento e Relação Médico – Paciente;
g) Trabalho em Equipe;
h) Ensino e Aprendizado;
i) Pesquisa
j) Gerenciamento: Recursos Humanos, Recrutamento, Desenvolvimento de Pessoal, Habilidades em Liderança, Habilidades de Gerenciamento, Gerenciamento da Informação; Sistema de Saúde e suas relação com o Cuidado Paliativo; Auditoria; Documentação.
k) Habilidades Clínicas em Comunicação e aspectos correlatos (dar más notícias, comunicação com a equipe multiprofissional, conspiração do silêncio, dizer a verdade, gerenciamento do tempo de consulta, vinculação profissional, comunicação não- verbal)
II – OBJETIVOS DO CURSO:
2. Os objetivos específicos da Residência Médica em Medicina e Cuidados Paliativos são preparar o Médico para:
a) Conhecer a História, as definições, os valores e os princípios dos Cuidados Paliativos no mundo e no Brasil;
b) Reconhecer, diagnosticar e manejar os sintomas prevalentes em pacientes com enfermidades progressivas e ameaçadoras da vida
c) Aplicar de forma prática os princípios éticos, bioéticas e legais ‘as circunstâncias inerentes ‘as doenças crônicas, progressivas ameaçadoras da vida;
d) Se apropriar de técnicas de comunicação para utilizá-las com pacientes, familiares e a própria equipe;
e) Conhecer as reações e atitudes dos pacientes e familiares frente a situações ameaçadoras da vida, bem como contê-las e manejá-las;
f) Trabalhar com equipe multiprofissional de maneira interdisciplinar;
g) Adquirir noções de planejamento, gerenciamento e desenvolvimento de serviços e equipe;
h) Adquirir noções de pesquisa específica na área de cuidados paliativos;
i) Adquirir noções básicas de ensino.
A matéria a seguir , publicada no jornal O Estadão de São Paulo, também é interessante.:
Eram pouco mais de 15h20 de quarta-feira quando uma enfermeira da ala de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo chamou o médico residente Bruno Reis, de 30 anos, ao leito 22. A família da paciente em tratamento contra um câncer terminal estava angustiada. Ao entrar no quarto, Reis constatou que a paciente já não respirava mais e sua morte foi registrada às 15h25. Coube a ele a missão de anunciar o fim da vida aos familiares.
Reis, de 30 anos, é o primeiro médico a cursar residência em medicina paliativa em São Paulo. Além dele, há também a médica Michelle Fontenele, de 31, que começou o mesmo tipo de residência no Instituto de Medicina Integral de Pernambuco (Imip). O Hospital do Servidor e o Imip são os dois primeiros do País a abrir residências nessa especialidade, que só foi reconhecida como área de atuação em 2011.
Mineiro de Raul Soares, uma cidade com pouco mais de 23 mil habitantes, Reis é o primeiro médico de uma família de comerciantes. Fez todo o ensino fundamental e médio em escolas públicas e escolheu prestar Medicina pelo desafio de um curso concorrido. Passou na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), fez residência em clínica médica, m
as ainda não estava satisfeito. Chegou a cogitar uma especialização em Oncologia, mas queria mais.
Além de tratar da saúde dos pacientes, Reis queria “cuidar” deles. E é nesse contexto que entra em cena a medicina paliativa, cujo foco é cuidar do doente e não da doença. É cuidar da “qualidade da morte”, para que ela aconteça de maneira menos dolorosa para o paciente e para a família.
As aulas da residência em medicina paliativa no Hospital do Servidor começaram em março, no 12.º andar, na ala para onde só vão os pacientes graves, com doenças praticamente sem chances de cura. São dez leitos em quartos individuais, com direito a acompanhante permanente. É nesse cenário que Reis passa o dia inteiro em contato com os pacientes e seus familiares.
Em menos de dois meses, ele já se deparou com a morte de 11 pacientes. Ainda chora por todos. Mas nada o faz desanimar. “É isso que eu vim buscar aqui, a prática. Ainda estou aprendendo a lidar com a morte, pois sou humano. Mas é muito bom poder fazer algo mais por essas famílias.”
Dor. Promover o alívio, diminuir casos de delírio, de depressão e até indicar cirurgias para os pacientes são algumas das características dos cuidados paliativos. “A gente lida com medicações que se forem mal usadas podem colocar a vida em risco”, diz a médica Maria Goretti Charles Maciel, que trabalha na ala de cuidados paliativos.
O pernambucano Severino Inácio da Lima, de 79 anos, por exemplo, está internado para aliviar as dores provocadas por um câncer de próstata e está com metástases no abdome. A solução para amenizar o problema é fazer uma cirurgia para implantar um catéter no rim. “Isso vai melhorar a qualidade de vida dele.” É dessa forma que a medicina paliativa tem tentado fazer mais pelos pacientes.
Brasil tem apenas 22 serviços estruturados
O movimento que difundiu os cuidados paliativos para pacientes com doenças avançadas e muitas vezes sem cura surgiu na Inglaterra em 1967, dentro da filosofia de evitar o prolongamento da vida com angústia.
No Brasil, o primeiro relato desse tipo de acompanhamento é do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 1989 – 22 anos após o dos ingleses -, mas ainda de forma tímida e superficial.
Nos anos 2000, alguns centros brasileiros começaram a se estruturar e oferecer cuidados paliativos. Hoje, segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), são cerca de 65 serviços cadastrados, mas só 22 são reconhecidos com equipes minimamente estruturadas.
“O Brasil ainda possui poucos serviços e, isolados”, diz Luís Fernando Rodrigues, vice-presidente da ANCP. Segundo ele, um consenso mundial estabelece três parâmetros para avaliar como os países fazem o controle da dor e se eles têm cuidados paliativos.
Um deles é a quantidade de doses diárias de opioides (substâncias derivadas do ópio, usadas para controlar a dor), segundo a Organização Mundial da Saúde. Nos países desenvolvidos, o consumo médio é de 30 mil doses diárias de medicamento por milhão de habitantes. Já nos países da América do Sul, entre eles o Brasil, essa medida é de 200 doses por dia.
Outro parâmetro é um ranking da revista The Economist, feito em 2010, que avaliou a “qualidade de morte” em 40 países – o Brasil aparece em 38.º, atrás de Índia e Uganda. / F.B
Conclusão : Em termos de mercado, principalmente pelo envelhecimento da população, a escolha pela Medicina Paliativa pode ser boa, porém lembre que é uma especialidade triste e o profissional que trabalhar com esse tipo de paciente necessita ter uma estrutura pessoal mental bem equilibrada para lidar diariamente com o assunto.

Sucesso
Mário Novais

Escolha da Especialidade

Escolha da Especialidade

Pergunta : Luiza ( Centro Universitário do Espírito Santo )

Qual residência fazer ?

Resposta :

A residência médica é de fundamental importância na formação do profissional médico e deve ser vista não como opção, mas sim como uma obrigação.
No seu sistema de “treinamento em serviço “, a residência vai permitir ao recém formado adquirir a prática que a maioria das Faculdades não consegue fornecer em termos de intensidade.
Considerando que um médico, depois de concluído a residência, vai trabalhar naquela especialidade por mais 40 anos, é extremamente importante que a escolha seja bem feita e acima de tudo bastante racional.
Os aspectos fundamentais na escolha são :
qual a qualidade de vida que essa especialidade vai me permitir ? Essa qualidade está de acordo com meus planos de vida ?
que remuneração essa especialidade vai me permitir ? Essa remuneração combina com minhas ambições financeiras ?
como vai ser meu dia a dia de acordo com a especialidade que escolher ? Vou me sentir confortável com esse cotidiano ?
A chave do sucesso na escolha racional da especialidade é , sem dúvida, o melhor conhecimento de cada especialidade; principalmente em relação aos 3 itens citados.
O teste vocacional do nosso site poderá te ajudar, mas também procure conversar com alguns especialistas das áreas mais prováveis para vc e veja o grau de satisfação deles com a própria escolha.

Sucesso
Mário Novais

Saúde Mental nos profissionais de saúde

Saúde Mental nos profissionais de saúde

          Estamos hoje inaugurando uma nova área do site widoctor. O objetivo deste espaço é auxiliar e informar questões referentes a saúde mental nos profissionais de saúde. Não é mais novidade a presença de taxas mais altas de adoecimento mental entre os profissionais de saúde, principalmente relacionado a sintomas de ansiedade, de depressão e por vezes até ao suicídio. Estes sintomas muitas vezes, inclusive, já são detectados durante a formação desses profissionais, o que aumenta ainda mais a necessidade de sua identificação e tratamento precoces.

          Como será observado ao longo das publicações, na maioria das vezes, o enfoque principal será voltado ao exercício profissional da medicina, sendo este, portanto, o modelo ilustrativo para as outras áreas. Isso ocorrerá devido a maior existência de trabalhos sobre a área médica na literatura. No entanto, é importante destacar que vários aspectos contribuidores para o adoecimento mental nos médicos são também compartilhados com outras profissões, como enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas, dentre outros. A título de exemplo, um estudo de 1991 realizado por Pitta, evidenciou que o sofrimento psíquico inerente ao trabalho no âmbito hospitalar é comum a todos os profissionais de saúde.

          Tal tema já vem sendo discutido há muitos anos na literatura. Um estudo antigo de 1970, realizado por Menzies em um hospital de Londres, por exemplo, já observava a presença de altos níveis de tensão, angústia e ansiedade em enfermeiros, o que acarretava em faltas e abandonos de tarefas, mudanças frequentes de emprego e alta frequência de problemas de saúde que ocasionavam ausência de alguns dias no trabalho. Na fonoaudiologia, por exemplo, existe um estudo que já mostrou sinais de estresse nesses profissionais ainda no curso da graduação. Outro estudo realizado em Sergipe evidenciou que 58% dos fonoaudiólogos entrevistados referiram ansiedade e estresse frequentes, além de 39% apresentar alterações de humor constantes e de 58% já ter apresentado alguma vez sintomas de depressão.

          Além das diferenças inerentes a determinadas profissões e especialidades, tanto no que se refere ao tipo de trabalho desenvolvido, quanto ao tipo de população atendida, também existem outras diferenças que por vezes vão além da questão profissional. Profissões como enfermagem, serviço social, fonoaudiologia e psicologia, diferente da medicina, são constituídas predominantemente por mulheres. Isso, em nosso país, por si só já é um gerador maior de desgaste, tanto pela dupla jornada de trabalho, quanto pela ainda infeliz tendência de não se valorizar o trabalho feminino, apesar dos avanços dos movimentos das mulheres.

          Espero, com isso, dar uma breve introdução sobre o tema dessa nova seção de nosso site. Ao longo das semanas, novos artigos serão escritos e postados no site, tendo como objetivo abordar tanto temas inerentes aos profissionais de saúde, quanto temas gerais acerca de determinados transtornos mentais que são mais frequentes nesta população. Caso haja algum tema em especial que desejem ser abordado, não deixem de enviar solicitações e perguntas, pois estaremos dispostos a respondê-las o mais brevemente possível.

Referências:

MENZIES, I. O funcionamento das organizações como sistemas sociais de defesa contra as ansiedades. Londres: Instituto Tavistock de Relações Humanas, 1970.

NOGUEIRA-MARTINS, L.A. Saúde mental dos profissionais de saúde. Rev. Bras. Med. Trab. Belo Horizonte, 1 (1): 56-68, jul-set, 2003

PIMENTEL, D; SALES, N.J.; VIEIRA, M.J. Perfil e saúde mental dos fonoaudiólogos de uma capital do nordeste, Brasil. Distúrbios comun. São Paulo, 28(1): 114-129, março, 2016

PITTA, A. Hospital, dor e morte como ofício. São Paulo, HUCITEC, 1991.

Anestesiologia

Anestesiologia

Pergunta : Gabriel ( Unigranrio – RJ )
Boa noite! Estou no ultimo ano da faculdade de medicina e penso muito na área de anestesiologia. Tenho um parente cirurgião e me diz que essa especialidade e uma ”faca de duas pontas”, ja que o medico anestesista não tem seus próprios pacientes e depende do networking com cirurgiões para ser chamado e assim ganhar dinheiro. Tenho medo da inserção no mercado de trabalho. Ja ouvi falar que o Rio de Janeiro esta saturado de anestesistas, gostaria de saber sobre a atual situação no RJ para quem esta se formando na residência em anestesiologia, se consegue emprego sem dificuldade, se realmente esta saturado e a competição por cirurgiões esta grande. Abraços e obrigado desde já.

Resposta :
A anestesiologia é uma boa especialidade em termos de remuneração e mesmo inserção no mercado de trabalho, porém, com certeza, perde em qualidade de vida.
É muito importante, na escolha da especialidade, se analisar 3 aspectos : a qualidade de vida que se vai ter, a remuneração e acima de tudo se o candidato vai se sentir confortável com o dia a dia da especialidade.
Muitos estudantes ao se formar analisam apenas a possibilidade de remuneração na especialidade escolhida, e depois se arrependem porque não se adaptam ao cotidiano da especialidade e à qualidade de vida que vai ter.
Isso tem levado muitos recém formandos a optar pela anestesiologia.
Em relação à inserção no mercado de trabalho, não deveria se preocupar porque durante a própria residência seu staff vai te ajudando nisso.
Como todo inicio em qualquer especialidade, pode ser um pouco difícil a colocação dentro de uma equipe de anestesia e vc estará no final da lista do grupo, ralando mais do que os demais membros do grupo e tendo que participar das cirurgias mais chatas e de menor remuneração . Porém com o tempo vc irá se fortalecendo dentro do grupo e subindo na hierarquia, até conseguir priorizar as cirurgias eletivas.
Evidente que fazer um bom network ajudará bastante, principalmente com seus colegas de turma que optarem pelas especialidades cirúrgicas.
Sucesso
Mário Novais

Residência Médica na Alemanha

Residência Médica na Alemanha

Na Alemanha não há prova para entrar no programa de residência médica específico. A vaga como residente é dada através de análise de currículo.

No entanto, é necessário ter nível B2-C1 de alemão comprovado.

Além disso, praticamente todos os estados alemães exigem a Fachsprachprüfung, uma prova que testa se o candidato sabe se comunicar em alemão com colegas alemães com termos técnicos, em situações como passagem de plantão, resumo de alta…

Também existe a Prova da Approbation, que geralmente engloba cirurgia, clinica e mais duas outras disciplinas como, por exemplo, Radiologia e Oftalmo.

 

Fonte: Médica brasileira na Alemanha

Residência Médica na França

Residência Médica na França

Para se fazer uma especialização médica na França, há dois caminhos: fazer todo o curso de medicina lá ou, no caso de brasileiros formados no Brasil (ou graduados em medicina em qualquer outro país não-membro da União Europeia), passar por um processo que inicia com a revalidação do diploma.

Ele começa com o Procedimento de Autorização de Exercício (PAE), destinado a médicos diplomados fora da França. Esse processo de regularização teve início em 1995, com a lei Weil. A partir daí, os médicos estrangeiros que estavam no serviço público, passaram a ter os mesmos direitos dos colegas franceses e europeus em exercício. O PAE consiste em provas teóricas e práticas em medicina geral, além de avaliações do domínio da língua francesa.

Após a aprovação na revalidação via PAE, o médico deve fazer o Exame Nacional Classificatório e concorrer com os outros estudantes franceses e da União Europeia a vagas de residência.

 

Fonte: Editora Sanar

Residência nos Estados Unidos: Passos Para Revalidação do Diploma e Acesso

Residência nos Estados Unidos: Passos Para Revalidação do Diploma e Acesso

Um dos destinos mais cobiçados por médicos brasileiros para fazer a residência e/ou praticar a medicina são os Estados Unidos. Por isso é também um dos que tem o processo de revalidação mais complicado. A seguir traremos os passos simplificados para esclarecer dúvidas frequentes e auxiliar interessados a buscar o caminho certeiro para alcançar o sucesso na aplicação.

 

Etapas:

 

A primeira parte é a burocrática junto ao ECFMG (Educational Comission for Foreign Medical Graduates) e consiste em provar que a identidade do candidato é real e que estudou onde estudou. Uma vez vencido esse passo, o candidato está apto para agendar as provas.

 

Logo depois, é necessário fazer três provas, os USMLE Steps. Os graduandos de medicina dos EUA fazem essas provas ao longo da faculdade como processo obrigatório para aplicar na residência médica. O que fazemos é igual ao que eles fazem.

 

As provas são: Step 1 (conhecimentos equivalentes ao ciclo básico); Step 2 Clinial Knowledge (prova similar às nossas de residência);  Step 2 Clinical Skills (prova prática clínica). Após o candidato ser aprovado em todas, está pronto para aplicar para a especialização desejada.

 

Período de prestar as provas:

 

Alguns contextos devem ser levados em consideração. A maioria dos casos de aplicação para as provas caem em dois cenários: Terminar a faculdade e já ingressar logo em seguida em uma residência médica nos EUA, ou terminar a residência no Brasil e aplicar para um Fellowship de 1 a 2 anos lá fora.

 

Se o objetivo for o de ir direto para a residência fora, é melhor seguir os moldes de quem está fazendo a graduação lá. Geralmente prestam o Step 1 no segundo ano de Med School, mais ou menos equivalente ao nosso terceiro ou quarto ano da faculdade. Esse período é o ideal porque a prova consiste em conhecimentos equivalentes ao nosso ciclo básico. Ou seja, escolhendo fazer a prova antes do terceiro ano, o conteúdo todo pode não ter sido visto ainda. Por outro lado, se deixada para fazer muito depois do nosso terceiro ano, teria interferência com o internato,  além do conhecimento de bioquímica&CIA ficar cada vez mais distante.

Se essa for a opção escolhida, deve-se tirar uma nota alta, especialmente no Step 1, para competir entre as melhores universidades.

 

Se o objetivo for fazer um Fellowship, a prova pode ser prestada assim que essa escolha for feita. O processo é longo e difícil e o trabalho duro não deve ser postergado. Por outro lado, nessa modalidade as notas não são tão essenciais. Boas cartas de recomendação e currículo contam mais. Vale lembrar que se o objetivo for morar nos Estados Unidos definitivamente, essa não é a melhor opção. O livre exercício da medicina lá só ocorre com a revalidação do diploma e residência médica dentro do país. É possível morar lá sem fazer a residência, mas é necessário já ter um vinculo com algum hospital, consciente de que este hospital será seu único local de atuação e que assim que esse vinculo chegar a um fim você será convidado a retornar ao Brasil.

 

Burocracias:

 

O Candidato deverá inicialmente se cadastrar no ECFMG. Dentro dele, os passos são tomados pelos serviços online, cujo sistema é chamado OASIS. Através dele, você preenche uma Application para cada Step e tem que pagar uma taxa –generosa – para um, além de receber uma grande lista de documentos necessários para efetivar sua candidatura. Para que as provas possam ser marcadas, toda a documentação tem que estar correta e ser verificada pelo órgão, algo que demora cerca de um mês a partir do momento que eles recebem lá.

Uma vez todos os documentos aceitos e taxas pagas, as provas podem ser agendadas. Você escolhe um 3-month period para as duas provas testes já no momento da Application inicial e depois escolhe o dia exato da prova pelo site do órgão que terceiriza a prova aqui no Brasil, o Prometric. As duas provas testes podem ser feitas no Brasil mediante taxa de $150,00. A prática tem que ser feita em uma das cinco cidades elegíveis dos EUA: Los Angeles, Houston, Atlanta, Chicago e Filadelfia. As vagas são bem limitadas, então o agendamento deve ser feito assim que possível (ele pode ser remarcado sem custo adicional se feito com mais de 15 dias de antecedência).

 

 

 

STEP 1:

 

É a prova mais difícil. Não só pelo conteúdo, que é mais abrangente do que o que é dado no currículo brasileiro, mas pela necessidade de notas altas. Quanto mais fresco o conteúdo da faculdade estiver, melhor o momento para fazer. Mas o estudo deve ser intenso e focado para os moldes da prova deles.

A prova consiste de 7 blocos de 1 hora, com 46 testes cada. O candidato tem 1 hora de intervalo que pode dispor como quiser ao longo das 8 horas totais. É um grande teste de resistência, de concentração e resiliência.  Importante fazer bem descansado, com boa hidratação e comida leve ao longo do dia.

Existem cursinhos americanos para auxiliar os estudos. Os mais famosos são o Kaplan e o First Aid.

Existem também alguns simuladores de provas, como o USMLE World.

É possível agendar um simulado oficial, no mesmo lugar onde será feita a prova, pagando uma taxa.

Para a realização da prova, é necessário RG, papel de identificação do ECFMG, comidas leves. Não precisa de caneta.

 

Step 2 CK

 

Para quem se preparou para prestar uma prova de residência no Brasil, essa parte é mais simples. É semelhante em conteúdo e não cobra muitas notas de rodapé.

A prova consiste em 8 blocos de 1 hora, com 44 testes cada um. Novamente você tem 1 hora de intervalo para dispor como quiser ao longo das 9 horas totais.

Pode-se estudar fazendo as questões do USMLE World e também utilizar o Kaplan e First Aid como material didático.

Levar para a prova os mesmos materiais do Step 1.

 

Step 2 CS:

 

É a prova prática. Não há um resultado quantitativo, apenas Fail ou Pass. Por essa razão, sua aprovação só tem a finalidade de habilitar o médico e não a de classificar.

Deve-se levar para essa prova jaleco e estetoscópio. Não é necessário caneta, comida, prancheta e instrumentos de propedêutica. Tudo é disponibilizado lá.

 

Quando todas as provas forem finalizadas, o ECFMG emite um certificado e envia para o Brasil. Porém, basta o seu número de inscrição para a maioria dos processos internos, pois os dados ficam disponíveis online.

 

Uma vez aprovado nos Steps e com um vinculo com um hospital já estabelecido, ainda será necessário uma permissão do estado (equivalente ao nosso CRM) e do visto americano (de estudante ou trabalhador temporário). O processo para ambos só pode ser iniciado após a aprovação nos Steps e também exigem uma documentação específica e taxas. Os hospitais geralmente ajudam nessas etapas e até cobrem algumas taxas.

 

É necessário, ainda, um Official Transcript do ECFMG para os hospitais que estão sendo contemplados. Há um formulário para solicitação, que custa $60,00 e dá direito ao envio de 10 cópias para endereços da escolha do candidato.

 

Concluindo, as provas são difíceis e trabalhosas, mas a formação no Brasil é geralmente muito boa e equivalente à dos EUA, o que torna bem possível, com certo esforço, alcançar a validação.

 

Fonte: Academia Médica

Medicina do Tráfego, do Trabalho e Perícia Médica

Medicina do Tráfego, do Trabalho e Perícia Médica

Pergunta : Raquel ( Universidade do Sul – Santa Catarina )

Olá dr! Mais uma vez venho requisitar sua opinião! Gostaria de saber o que o senhor poderia me dizer sobre a situação financeira do médico legal fora do âmbito de concursos públicos, com formação na usp (residentes saem com título de médico do tráfego, médico do trabalho e perícia médica). Pretendo voltar para SC após a residência. Grata!!

Resposta :

A abrangência é muito grande para essa especialidade e vc precisará se definir em que área específica vai querer trabalhar.

A escolha, inclusive, pode depender de algumas características próprias da cidade onde vai estar e também que tipo de atividade vai te fazer mais confortável.

Algumas informações abaixo podem te fazer conhecer melhor essas áreas da especialidade.

MEDICINA DO TRÁFEGO

A especialidade Medicina do Tráfego ainda é pouco conhecida. Algumas informações retiradas da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego podem te esclarecer ( ver abaixo), mas o especialista dessa área deve ter bons conhecimentos de trauma, de emergências e também de planejamento, já que além do desempenho como médico socorrista, ele vai precisar atuar em programas de prevenção de acidentes de tráfego.

O Programa de Residência Médica em Medicina de Tráfego será de acesso direto, sem áreas de pré-requisitos e se desenvolverá em 2 anos.

A Instituição mantenedora do programa de Residência Médica deverá estar estruturada para atendimento de trauma.

Os preceptores deverão estar capacitados, treinados e familiarizados com as diretrizes da Especialidade.

  • Objetivos do primeiro ano de residência:
  • A- Objetivos Gerais:
  • 1- Abordar as questões decorrentes dos acidentes de tráfego e atender as necessidades dos setores públicos e privados na resolução da problemática situação atual, tornando mais produtivas e eficientes as ações médicas sistemáticas de educação, prevenção, assistência, perícia e planejamento.
  • 2- Orientar, analisar, realizar pesquisas e contribuir na organização educacional do trânsito. Identificar os fatores etiológicos, definir os grupos de alto risco para acidentes de trânsito e estabelecer programas de prevenção.
  • 
3- Atuar em empresas (públicas, privadas, autarquias ou sindicatos) de transporte terrestre, marítimo ou aéreo, na área de segurança de tráfego e saúde ocupacional.

B- Objetivos Específicos:

  • B- Objetivos Específicos:
  • 
1- Cuidar da prevenção das doenças dos motoristas profissionais, como a perda auditiva, surdez, zumbido, problemas respiratórios, doenças osteomusculares, neuroses e distúrbios comportamentais entre outros.
  • 2- Cuidar dos aspectos ergonômicos no exercício da profissão de motorista.
  • 
3- Atuar nas condições inseguras do tráfego e nos procedimentos médicos a serem implementados por ocasião dos exames admissionais, periódicos e demissionais de motoristas.
  • 4- Orientar o planejamento de viagens.
  • 5- Identificar as doenças infecto-contagiosas e os acidentes com animais peçonhentos prevalentes no percurso ou destino de interesse do viajante.
  • 6- Orientar a imunização para o viajante nas viagens dentro do território   nacional e para outros países, diagnosticar e tratar patologias relacionadas com o meio de transporte e com as mudanças geográficas como a altitude e o clima.
  • 7- Realizar perícias, avaliações e colaborar com o Poder Público na concepção, elaboração e aplicação de uma legislação adequada e eficiente relativa à medicina e à segurança de tráfego.
  • 8- Realizar o exame de aptidão física e mental para condutores e candidatos a condutores exigido pelo Código de Trânsito Brasileiro.
  • 9- Realizar exames para avaliação de aptidão médica de candidatos a obtenção de licença para vôo ou exames periódicos para Renovação da Habilitação.
  • 
10- Realizar exames para a obtenção da habilitação certificada pelo representante da autoridade marítima para Segurança do Tráfego Aquaviário para operar embarcações de esporte e/ou recreio, em caráter não profissional.

Objetivos do Segundo ano de residencia :

  • A- Objetivos Gerais:
  • 
1- Cuidar do atendimento no local do acidente (APH) e do transporte da vítima para o hospital (Resgate). Prestar atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.
  • B- Objetivos Específicos:
  • 1- Realizar a avaliação primária e secundária de um paciente no APH.
  • 2- Acionar sistemas de urgência e unidades de emergência.
  • 3- Realizar técnicas de controle das vias aéreas e ventilação no trauma.
  • 4- Realizar reanimação cardiorrespiratória.
  • 5- Realizar controle de hemorragias externas e choque
  • 6- Atuar em trauma de crânio, tórax; abdome e extremidades.
  • 7- Atuar em trauma da coluna e da medula.
  • 8- Proceder a avaliação inicial da gestante
  • 9- Atuar em trauma na criança
  • 10- Atuar no atendimento do queimado

Abaixo transcrevo artigo interessante sobre o assunto :

Rev Med (São Paulo). 2012 jan.-mar.;91(1):14-5.

Medicina de Tráfego
Flávio Adura1, Daniele Gianvecchio2, Daniel Romero Muñoz3

Medicina de Tráfego é o ramo da ciência médica que trata da manutenção do bem estar físico, psíquico e social do ser humano que se

desloca, qualquer que seja o meio que propicie a sua mobilidade. Estuda as causas do acidente de tráfego a fim de preveni-lo ou mitigar suas consequências, além de contribuir com subsídios técnicos para a elaboração do ordenamento legal e modificação do comportamento do usuário do sistema de circulação viária.

Áreas de Atuação

Suas principais áreas de atuação são: Medicina de Tráfego Preventiva, Curativa, Legal, Ocupacional, Securitária, Medicina do Viajante, Medicina de Tráfego Aeroespacial, Aquaviário, Ferroviário e Rodoviário.

A Medicina de Tráfego Preventiva identifica os fatores etiológicos dos acidentes; define os grupos de alto risco; caracteriza e divulga periodicamente índices de morbidade, mortalidade e o número de incapacidades produzidas pelos acidentes de trânsito; difunde o tema na comunidade, incluindo nos programas de prevenção e campanhas educativas as opiniões e experiências dos especialistas.

No contexto da Medicina de Tráfego Preventiva, o Exame de Aptidão Física e Mental é de grande importância, já que a adequada avaliação médica

permite o afastamento temporário ou definitivo do condutor de veículo, ou candidato a condutor, portador de doença de risco para a segurança de trânsito.

A Medicina de Tráfego Legal realiza perícias, avaliações e colabora com o Poder Público na concepção, elaboração e aplicação de uma legislação adequada e eficiente relativa à medicina e segurança de trânsito. Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito tiveram ampla colaboração dos especialistas da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET).

A Medicina de Tráfego Curativa cuida do atendimento no local do acidente (Atendimento Pré- Hospitalar) e do transporte da vítima para o hospital. Um atendimento imediato e correto pode salvar muitas vítimas de acidentes de trânsito.

A Medicina de Tráfego Ocupacional cuida da prevenção das doenças dos motoristas profissionais, como perda auditiva, surdez, zumbido, problemas respiratórios, doenças osteomusculares, neuroses, fobias e distúrbios comportamentais. Preocupa-se com o stress físico e psíquico, riscos físico, químico, biológico e de acidente e com os aspectos ergonômicos do exercício da profissão de motorista. Estuda as condições inseguras do tráfego e a normatização dos exames a que devem ser submetidos os motoristas que dirigem profissionalmente, em acordo com os riscos a que estejam expostos, sugerindo

  • Professor do Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP. Diretor Científico da Associação Brasileira de Medicina no Tráfego (ABRAMET).
  • Graduação em Medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes, especialização em Medicina Legal – Perícias Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
  • Professor Titular de Medicina Legal, Medicina do Trabalho e Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Endereço para correspondência: Daniel Romero Muñoz. Instituto Oscar Freire – FMUSP. Av. Dr. Arnaldo, 455, São Paulo, SP.

procedimentos médicos a serem implementados por ocasião dos exames admissionais, periódicos e demissionais.

A Medicina do Viajante estuda, entre outros, o planejamento da viagem, as doenças infecto- contagiosas prevalentes no percurso e destino do viajante, a imunização recomendada nas viagens dentro do território nacional e para outros países, as patologias relacionadas com o meio de transporte, com as mudanças geográficas como altitude e clima, os seguros de viagem e o ecoturismo.

A Medicina de Tráfego Aeroespacial especiali- za médicos para trabalhar em empresas aéreas, no transporte aéreo de doentes, nos aeroportos, nas inspeções de saúde dos trabalhadores das atividades aéreas e na orientação das pessoas que desejam via- jar. Com o avanço dos estudos de fatores de estresse na atividade aérea e suas conseqüências sobre o passageiro (paciente) e tripulantes é necessário que a equipe médica tenha profundo conhecimento da fisiologia aeroespacial e efeito dos fatores de estresse, para minimizá-los, e dos limites e normas de segurança durante o vôo.

A Medicina de Tráfego Securitária avalia danos físicos causados pelos acidentes de tráfego para efeito de recebimento de seguros pessoais.

Outros tipos de tráfego como o aquaviário, o ferroviário e o rodoviário também necessitam, da parte médica, de melhor atenção no estudo e atendimento de suas questões do que vêm sendo observado até então em nosso país.

A Medicina de Tráfego Aquaviário deverá avaliar a condição médica de candidatos a obtenção de habilitação para embarcações na categoria amador (esporte e/ou lazer), regulamentada pelo Anexo III da Portaria 0026/94 da Diretoria de Saúde da Marinha. A Medicina de Tráfego Ferroviário estuda as causas e as conseqüências dos acidentes ferroviários para contribuir na prevenção e no atendimento pré- hospitalar.

Formação Acadêmica em Medicina de Tráfego

Em 2003 a Comissão Nacional de Residência Médica aprovou o Programa de Residência em Medicina de Tráfego, que é desenvolvido em dois anos.

A formação também pode ser feita através de curso de especialização em Medicina de Tráfego, que confere ao pós-graduado treinamento e formação para atender todos os tipos de exigências da

especialidade.

Mercado de Trabalho do Especialista em Medicina de Tráfego

O campo de atuação do Médico de Tráfego é amplo e tanto a residência médica quanto os cursos de especialização têm como objetivo a capacitar médicos para:

-realizar o Exame de Aptidão Física e Mental para condutores e candidatos a condutores exigido pelo Código de Trânsito Brasileiro;

-atuar no atendimento pré-hospitalar de vítimas de acidentes de tráfego;

-atuar em empresas (públicas, privadas, autarquias ou sindicatos) de transporte terrestre, marítimo ou aéreo, na área de segurança de tráfego e saúde ocupacional;

-atuar como orientadores de viagens;

-atuar em perícias securitárias de vítimas de acidentes de trânsito;

-orientar, analisar, realizar pesquisas e contribuir na organização educacional e legal do trânsito.

O nível de remuneração em Medicina de Tráfego é variável, uma vez que o médico pode ser funcionário público, empregado de uma grande empresa ou profissional liberal. Ele pode ter, por exemplo, uma clínica credenciada pelo DETRAN para fazer exames de aptidão física e mental para condutores ou candidatos a condutores de veículos automotores. Em São Paulo as clínicas recebem R$ 60,00 (sessenta reais) por exame realizado. O médico pode, porém, fazer esse tipo de exame como plantonista do “Poupa Tempo”, recebendo o mesmo valor por exame efetuado. Ele atende, em média, 20 a 40 condutores ou candidatos a condutores em cada plantão de seis horas. Ele pode também trabalhar para a Prefeitura Municipal de São Paulo no Atendimento ao Suporte Avançado de Vida do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), recebendo salário mensal de R$ 7.000,00 (sete mil reais), tendo como obrigação fazer um plantão semanal.

REFERÊNCIAS

  • Adura FE. Medicina de tráfego. São Paulo: CLR Balieiro; 2011.
  • Alves Junior DR. Manual de saúde do motorista profissional. São Paulo: Ed. do autor; 2009.

MEDICINA DO TRABALHO

A Medicina do Trabalho é uma especialidade restrita ( são pouquissimos locais de residência e poucas vagas) e o mercado ficou ainda mais restrito porque apareceram várias empresas de prestação de serviços médicos que  terceirizam serviços para indústrias ou outras empresas (  que deveriam ter um médico do trabalho contratado).

Com isso diminui o mercado para profissionais dessa área, que poderiam ser contratados diretamente pelas empresas com melhores salários.

A residência em Medicina do Trabalho tem duração de 2 anos.

O perfil do profissional dessa área abrange : profissionais interessados em organizar, administrar e participar de serviços de medicina do trabalho, planejar e executar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), além das medidas de saúde preventiva ocupacional e de proteção ambiental em áreas industriais. São aptos também para planejar e participar do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e conhecem a legislação pertinente à medicina do trabalho

Se vc for contratado diretamente por uma empresa ou indústria , poderá ter bons salarios (conforme a  cidade, cêrca de R$ 10.000,00 por 20 h de trabalho).

Mas se vc, como médico do trabalho, simplesmente prestar serviços para empresas que são contratadas como terceirização de Medicina de trabalho, receberá valores pequenos como R$ 10,00 por exame admissional ou demissional que realizar.

Alguns médicos dessa especialidade conseguem auferir bons rendimentos realizando perícias médicas em relação a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

MEDICINA LEGAL E PERÍCIA MÉDICA

A Medicina Legal é vista como especialidade que “cuida de cadáveres”. Entretanto, seu campo é muito mais amplo: ela auxilia a ciência das normas, o Direito, aplicando conhecimentos médico-biológicos, para que a sociedade consiga atingir um bem maior: a justiça. Na prática cotidiana, o especialista em Medicina Legal utiliza a ciência médica para esclarecer fatos que interessam em um processo judicial ou administrativo. Para tanto, ele lança mão de conhecimentos de toda a Medicina, extrapolando, às vezes, para outras áreas das ciências biológicas. Sua área de atuação são as perícias médicas de qualquer natureza, que se constituem em elementos de prova fundamentais quando as normas (penais, civis, administrativas etc) exigem conhecimentos médicos para serem executadas. A formação de um perito médico exige, além de conhecimentos médicos e de adequadas noções de Direito, o aprendizado e o domínio de critérios específicos, que estabelecem a ligação entre os parâmetros médicos e os jurídicos. No Brasil essa formação é deficiente e deformada. O Programa de Residência Médica em Medicina Legal tem como principal objetivo formar profissionais capazes de atuarem nos diversos segmentos que compõe a Medicina Legal, visando resolver problemas da justiça na esfera pericial, como mostra o presente artigo ( informações fornecidas pelo site da Faculdade de Medicina da USP –artigo do dr Dr.Daniel Munoz- titular de Medicina Legal da USP.)

A especialidade é realmente “pesada “, tanto do ponto de vista técnico porque exige grandes conhecimentos de várias áreas da medicina como clinica, cirurgia, ortopedia, neurologia, anatomia, fisiologia…, como também exige profundos conhecimentos da área jurídica. É uma especialidade onde se lida muito com a burocracia, processos volumosos, trabalhos periciais, processos indenizatórios que podem influir fortemente em futuros de famílias inteiras…

Na variada temática objeto da Medicina Legal, pode-se traduzir sua divisão, da seguinte forma:

Antropologia forense – Procede ao estudo da identidade e identificação, como a datiloscopia, papiloscopia, irologia, exame de DNA, etc., estabelecendo critérios para a determinação indubitável e individualizada da identidade de um esqueleto ;

Traumatologia forense – Estudo das lesões e suas causas;

Asfixiologia forense – analisa as formas acidentais ou criminosas, homicídios e autocídios, das asfixias, sob o prisma médico e jurídico (esganadura, estrangulamento, afogamento, soterramento, etc.);

Sexologia forense – Trata da Erotologia, Himenologia e Obstetrícia forense, analisando a sexualidade em seu tríplice aspecto quanto aos efeitos sociais: normalidade, patológico e criminológico;

Tanatologia – Estudo da morte e do morto;

Toxicologia – Estudo das substâncias cáusticas, venenosas e tóxicas, efeitos das mesmas nos organismos. Constitui especialidade própria da Medicina, dada sua evolução.

Psicologia e Psiquiatria forenses – Estudo da vontade, das doenças mentais. Graças a elas determina-se a vontade, as capacidades civil e penal;

Polícia científica – atua na investigação criminal.

Além disso existem ainda as necrópsias, que nem todos os médicos têm facilidade para lidar com elas ( nem todos especialistas em medicina legal são obrigados a fazê-las ). É uma especialidade triste e complexa e o status desses profissionais deixa a desejar. Existe mesmo um preconceito da população em relação aos legistas ( a maioria das mães não gostaria de ver seus filhos casados com uma médica legista; prefeririam que eles casassem com um clínico, um pediatra ou um cirurgião ).

Por outro lado, o mercado de trabalho é bastante bom, desde que vc tenha um bom relacionamento no meio jurídico para que possa ser indicada com frequência para atuar como perita do juiz ou mesmo perita assistente das partes envolvidas em um processo.

Uma pericia simples como de uma lesão corporal média em um acidente automobilístico ( que o perito não vai gastar mais de 2 horas para confeccionar o laudo ) pode render ao perito cerca de R$ 5.000,00, mas uma perícia grande, tipo a de um homicídio, pode render honorários acima de R$ 50.000,00.

A residência médica em Medicina Legal e Perícia tem a duração de 3 anos e são oferecidas em poucos serviços e com um número reduzido de vagas.

 

Sucesso

Mário Novais

 

 

 

 

Gastroenterologia ou Cirurgia Vascular

Gastroenterologia ou Cirurgia Vascular

Pergunta : Diego ( Centro universitário Unirg )

Parabéns pelo site! Minha dúvida é entre a gastroenterologia e a angiologia, quanto a ganhos financeiros, campos de trabalho e como funcionam na prática médica! Visto que não gastroenterologia temos a sua endoscopias bem rotineiras, e na angiologia os procedimentos de varizes, considerando uma capital onde os dois serviços já estão “lotados”, um bom marketing atrairia qual mais, varizes ou os problemas gastrointestinais?

Resposta :

As duas são boas especialidades, mas com caminhos diferentes; um pela clínica médica e outro pela clínica cirúrgica.
Nas duas a clientela cresce rapidamente pelo ótimo boca a boca. No curto prazo a clientela do vascular cresce um pouco mais rapidamente, porém a médio e longo prazo a gastro pode permitir ganhos maiores com melhor qualidade de vida.
Um bom marketing pode alavancar as duas especialidades da mesma forma, talvez mais rapidamente na vascular.

Sucesso

Mário Novais