Saúde Mental nos profissionais de saúde

Saúde Mental nos profissionais de saúde

Saúde Mental nos profissionais de saúde

          Estamos hoje inaugurando uma nova área do site widoctor. O objetivo deste espaço é auxiliar e informar questões referentes a saúde mental nos profissionais de saúde. Não é mais novidade a presença de taxas mais altas de adoecimento mental entre os profissionais de saúde, principalmente relacionado a sintomas de ansiedade, de depressão e por vezes até ao suicídio. Estes sintomas muitas vezes, inclusive, já são detectados durante a formação desses profissionais, o que aumenta ainda mais a necessidade de sua identificação e tratamento precoces.

          Como será observado ao longo das publicações, na maioria das vezes, o enfoque principal será voltado ao exercício profissional da medicina, sendo este, portanto, o modelo ilustrativo para as outras áreas. Isso ocorrerá devido a maior existência de trabalhos sobre a área médica na literatura. No entanto, é importante destacar que vários aspectos contribuidores para o adoecimento mental nos médicos são também compartilhados com outras profissões, como enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas, dentre outros. A título de exemplo, um estudo de 1991 realizado por Pitta, evidenciou que o sofrimento psíquico inerente ao trabalho no âmbito hospitalar é comum a todos os profissionais de saúde.

          Tal tema já vem sendo discutido há muitos anos na literatura. Um estudo antigo de 1970, realizado por Menzies em um hospital de Londres, por exemplo, já observava a presença de altos níveis de tensão, angústia e ansiedade em enfermeiros, o que acarretava em faltas e abandonos de tarefas, mudanças frequentes de emprego e alta frequência de problemas de saúde que ocasionavam ausência de alguns dias no trabalho. Na fonoaudiologia, por exemplo, existe um estudo que já mostrou sinais de estresse nesses profissionais ainda no curso da graduação. Outro estudo realizado em Sergipe evidenciou que 58% dos fonoaudiólogos entrevistados referiram ansiedade e estresse frequentes, além de 39% apresentar alterações de humor constantes e de 58% já ter apresentado alguma vez sintomas de depressão.

          Além das diferenças inerentes a determinadas profissões e especialidades, tanto no que se refere ao tipo de trabalho desenvolvido, quanto ao tipo de população atendida, também existem outras diferenças que por vezes vão além da questão profissional. Profissões como enfermagem, serviço social, fonoaudiologia e psicologia, diferente da medicina, são constituídas predominantemente por mulheres. Isso, em nosso país, por si só já é um gerador maior de desgaste, tanto pela dupla jornada de trabalho, quanto pela ainda infeliz tendência de não se valorizar o trabalho feminino, apesar dos avanços dos movimentos das mulheres.

          Espero, com isso, dar uma breve introdução sobre o tema dessa nova seção de nosso site. Ao longo das semanas, novos artigos serão escritos e postados no site, tendo como objetivo abordar tanto temas inerentes aos profissionais de saúde, quanto temas gerais acerca de determinados transtornos mentais que são mais frequentes nesta população. Caso haja algum tema em especial que desejem ser abordado, não deixem de enviar solicitações e perguntas, pois estaremos dispostos a respondê-las o mais brevemente possível.

Referências:

MENZIES, I. O funcionamento das organizações como sistemas sociais de defesa contra as ansiedades. Londres: Instituto Tavistock de Relações Humanas, 1970.

NOGUEIRA-MARTINS, L.A. Saúde mental dos profissionais de saúde. Rev. Bras. Med. Trab. Belo Horizonte, 1 (1): 56-68, jul-set, 2003

PIMENTEL, D; SALES, N.J.; VIEIRA, M.J. Perfil e saúde mental dos fonoaudiólogos de uma capital do nordeste, Brasil. Distúrbios comun. São Paulo, 28(1): 114-129, março, 2016

PITTA, A. Hospital, dor e morte como ofício. São Paulo, HUCITEC, 1991.

Walter Gonçalves

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