Archive agosto 2018

Empreendedorismo na Medicina

Empreendedorismo na Medicina

Segundo o SEBRAE, empreendedorismo é a capacidade que uma pessoa tem de identificar problemas e oportunidades, desenvolver soluções e investir recursos na criação de algo positivo para a sociedade. Pode ser um negócio, um projeto ou mesmo um movimento que gere mudanças reais e impacto no cotidiano das pessoas. Não é diferente quando se trata de empreendedorismo na saúde. Nessa área, algumas características daqueles que se dispõem a empreender são notavelmente positivas como a capacidade de correr riscos, rapidez na tomada de decisões e foco.

Ser um empreendedor na saúde, na verdade, é muito semelhante a ser em qualquer outro tipo de negócio. No entanto, há muito mais em jogo do que somente produzir-vender-lucrar. O foco deve ser criações que promovam tratamento e atendimento de excelência a pacientes. Assim, com vidas nas mãos todos os dias, a indústria da saúde, ao mesmo tempo em que encoraja inovação, opera em um ambiente avesso a riscos. Nesse sentido, o empreendedor deve encontrar uma maneira de assumir esses riscos, mantendo em segurança aqueles que confiam as vidas em suas mãos. Um exemplo de sucesso em assumir riscos com responsabilidade é a empresa de dispositivos médicos Titan Spine. Todos os seus produtos comercializados possuem garantia de 5 anos. Isso não tira a responsabilidade da empresa em fazer produtos de qualidade devido à certeza de reposição em caso de erro. Pelo contrário, a garantia estendida dos produtos faz com que haja maior zelo em projetos e produção, gerando impacto positivo no mercado.

Além de aceitar os riscos, outra característica marcante dos empreendedores em saúde é a rápida tomada de decisões. Nesse caso, o interesse em absorver, adquirir e compreender novas tecnologias para um rápido diagnóstico de problemas é essencial, além, obviamente, de utilizar os dados dos erros para promover imediata correção das falhas.

Outro aspecto marcante é o foco. Embora não seja claramente perceptível, tudo o que um profissional faz durante sua vida é uma preparação para o empreendedorismo. Desde o vestibular, o médico está trabalhando seu lado empresário, através da iniciativa e do autodirecionamento. Dessa forma, quando o médico empreendedor decide em que se tornar expert e encontrar meios de trazer à realidade suas ideias, tem um certo preparo para trilhar com maestria o caminho certeiro que o levará ao sucesso, sabendo filtrar melhor todas as ramificações e possibilidades tentadoras (muitas vezes não tão profícuas) de negócios que não edificarão o que está em seu eixo principal.

Desse modo, a própria preparação acadêmica do médico e seu estilo de vida o deixam em posição de liderança quando o assunto é desenvolver soluções e inovar. Capacidade de correr riscos, rapidez na tomada de decisões e foco fazem parte do cotidiano desse profissional e tendem a impulsioná-lo ao sucesso, independente do caminho escolhido para trilhar na carreira. Assim, não divergente, o empreendedorismo.

 

Referências:

 

https://www.forbes.com/sites/larrymyler/2016/03/14/what-does-entrepreneurship-look-like-in-healthcare/#4fa2dd56155e

 

http://capitalcontabilidade.com/como-ser-um-medico-empreendedor-de-sucesso/

 

http://blog.sebrae-sc.com.br/o-que-e-empreendedorismo/

Medicina Nuclear e Radioterapia

Medicina Nuclear e Radioterapia
Pergunta : Arthur (UNICEUMA )
Olá, Parabéns pela iniciativa! O site já é uma referência e tem ajudado imensamente na tomada de decisões decisivas na vida de muitos médicos! Professor, o Sr teria como fazer um post mais elucidativo quanto a medicina nuclear e a radioterapia? Quanto ao dia a dia dessas especialidades, o mercado, faixa salarial, prós e contras, depoimentos, melhores serviços para prestar a residência? Desculpe a generalidade da da questão, mas a realidade é que o desconhecimento delas ainda é amplo ! Não entendo o motivo de terem tão baixa procura pelas coisas que li a respeito… e isso me intriga! hahaha. Um abraço e obrigado pela atenção!

Resposta :

As duas especialidades citadas não são muito procuradas pelos estudantes em fase de formação e de escolha da especialidade por três razões : Primeiro porque os acadêmicos não conhecem bem a especialidade e o que ela faz na verdade. Segundo porque como lida com equipamentos caros o profissional acaba tendo que trabalhar sempre para grandes grupos, perdendo a característica de profissional liberal. Terceiro porque como lida com radiações, muitos médicos ficam com receio de se contaminarem, embora isso não seja um risco real pelas proteções existentes atualmente nessas áreas.

Mais algumas informações sobre essas especialidades lhe poderão ser úteis :

A Medicina Nuclear é uma especialidade pouco conhecida dos médicos e muitos estudantes nem tem noção do que faz um especialista nessa área. Talvez, por isso, poucos estudantes façam essa escolha. No Brasil temos apenas 438 especialistas em Medicina Nuclear
A Medicina Nuclear é uma especialidade que usa compostos radioativos para obter informações diagnósticas e para o tratamento de doenças. Seus procedimentos permitem a determinação de informações diagnósticas sem que seja necessário, intervenções cirúrgicas, ou de outros testes diagnósticos invasivos. Os procedimentos identificam frequentemente muito cedo anormalidades na progressão de uma doença ao longo do tempo, ou até mesmo antes da apresentação de sintomas.
Em sua forma mais básica, um estudo em medicina nuclear envolve a administração de pequenas quantidades de compostos, que são marcados com radionuclídeos gama emissores ou pósitron emissores, no organismo. O composto radiomarcado é chamado de radiofármaco, ou geralmente chamado de traçador ou radiotraçador. Existem diversos tipos de radiofármacos disponíveis que são úteis para estudar diferentes partes do corpo.
O conteúdo do programa de residência em Medicina Nuclear, geralmente abrange: Física e Biologia das radiações. Normas de proteção radiológica. Radiofarmácia. Recursos tecnológicos. Anatomia, fisiologia, fisiopatologia, indicações terapêuticas e realização e avaliação dos exames nos diversos sistemas orgânicos.
O concurso para residência médica em Medicina nuclear é classificado como de “acesso direto” e tem a duração de 3 anos, mas se o médico  já tiver feito  residência em clinica médica ou radiologia, esse tempo pode ser encurtado ( a critério do serviço). O inverso não é verdadeiro, ou seja, se vc fez a residência de medicina nuclear não pode simplesmente complementar e ser radiologista.
A procura não é muito grande. A relação candidato-vaga é de 1:1 ou 2:1
Os melhores locais para se fazer essa residência são os grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro
O Mercado de trabalho é bom pelo pequeno número de profissionais e além disso permite uma boa qualidade de vida e flexibilidade de horários. Na maioria das vezes vc vai ser sempre “empregado” e não “patrão”.
No Rio de Janeiro, onde existem poucos serviços, e todos exigem exclusividade, o salário mensal para uma carga horária de 30 – 40 h semanais, está entre 10 e 15.000,00.
Em Sao Paulo, o salário é mais do dobro desse.
Fora do eixo Rio-São Paulo aparecem ofertas entre 30 a 40.000,00 mensais.

Embora alguns estudantes achem isso, a radioterapia não tende a se tornar obsoleta porque novas técnicas tem sido desenvolvidas nessa área ( como radioterapia estereotáxica fracionada, braquiterapia, radioterapia 3D…) e o tratamento com irradiação ainda é um elemento muito importante no tratamento do cancer.

Aliás, com o aumento da faixa etária da população e consequentemente mais casos de câncer, a radioterapia será ainda mais útil como coadjuvante no tratamento.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 70% dos pacientes com diagnóstico de câncer serão submetidos à radioterapia em alguma fase de seu tratamento

O mercado é realmente restrito porque depende de serviços já organizados, em número não muito grande, mas durante sua formação na residência, vc será introduzido automaticamente nesse mercado através do próprio staff da residência.

Mais algumas informações sobre a radioterapia .:

A radioterapia também é uma especialidade pouco conhecida até pelos próprios médicos.

Como depende de equipamentos muito sofisticados, existem poucos serviços onde vc possa fazer a residência médica. São cerca de 15 serviços no Brasil, sendo 9 deles em São Paulo , 1 no Rio, 1 em Porto Alegre e outros espalhados.

Ao todo são aproximadamente 30 vagas por ano para novos residentes e os serviços mais conceituados são o Hospital do Câncer A.C.Camargo (SP- 3 vagas para residência) e INCA (RJ- 6 vagas por ano). A duração da residência é de 3 anos. ( acesso direto )

O envelhecimento da população, a incidência maior de Câncer, o diagnóstico mais precoce e o bom resultado obtido com a radioterapia, são fatores positivos para o futuro da especialidade.

Apesar de haver alguma escassez de radioterapeutas, a lei da oferta e da procura não é tão fidedigna nessa especialidade, porque como são relativamente poucos serviços existentes, os empregos públicos são mal remunerados ( como também em outras especialidades ) e os serviços particulares se aproveitam de serem poucos para também remunerar mal.

Se algum dia houver um movimento conduzido pela Sociedade de Radioterapia e semelhante ao realizado pelos anestesistas, de união da classe, com certeza a remuneração dos radioterapeutas vai melhorar.

Na radioterapia. a qualidade de vida do profissional é boa, mas é uma especialidade triste pelo tipo de paciente, além do médico perder o status de profissional liberal, sendo sempre um médico contratado.

A relação completa dos serviços de radioterapia no Brasil, vc pode obter no site www.sbradioterapia.com.bre até fazer, por telefone, um levantamento de salários na sua região.

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Mário Novais

 

Reumatologia e Medicina Intensiva

Reumatologia e Medicina Intensiva
Pergunta : Cinthia ( Universidade Federal de Uberlândia )
Primeiramente parabéns pelo site . Tenho dúvidas entre reumatologia e cardiologia. Reumatologia por sempre estar com a clinica medica envolvida , poucos no mercados e pacientes que sempre retornam , e a cardiologia porque tem emergências clinicas e dinâmica o que atrai …como não quero ter uma vida turbulenta carreira da cardiologia pensei em revezar um período exercendo como reumatologia e a outra como médica intensivista ( fazendo pós , pois tenho clinica medica já ) seria uma boa alternativa?

Resposta :

Na escolha da especialidade, além de se analisar qualidade de vida e mercado de trabalho, é necessário acima de tudo se levar em consideração como será o seu cotidiano na especialidade; ou seja vai se sentir confortável com os tipos de patologias com as quais vai lidar ?.
Na reumatologia a qualidade de vida é um pouco melhor do que na cardiologia, pois embora vc sendo reumatologista vá algumas vezes ter que cuidar de pacientes internados, de um modo geral terá poucas emergências e normalmente verá pacientes sem risco de morte eminente como teria na cardiologia.

Do ponto de vista mercado de trabalho, a reumato é melhor do que a cárdio, pelo envelhecimento da população com consequente maior incidência de doenças reumáticas, além do mercado estar mais carente de reumatologistas do que de cardiologistas.

Nada impede que qualquer especialista em área clínica possa també trabalhar como intensivista. Acho que será uma boa opção, abrindo os horizontes de trabalho e de mercado.

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Mário Novais

Atividades Extra Curriculares

Atividades Extra Curriculares
 

Pergunta : Erland ( Universidade Federal do Vale do São Francisco )

Como posso fazer pra me destacar durante a graduação? E quão importante serão os vínculos desenvolvidos na faculdade quando eu estiver formado? Quanto devo me preocupar com isso agora (estudante do 5° período)

Resposta :

Embora as faculdades de Medicina exijam horário integral e tenham uma grade curricular extensa, o aluno deve procurar administrar bem o seu tempo para conseguir desenvolver algumas atividades extra curriculares.

Atividades de monitoria, participação em ligas de especialidades, programas de iniciação científica são algumas das atividades importantes para solidificar uma boa carreira.

Paralelamente participação em atividades recreativas e diretórios acadêmicos ajudam a aumentar o circulo de relacionamentos do estudante, criar uma imagem simpática junto aos colegas, fator que também auxilia na carreira.

Os vínculos criados durante a Faculdade de Medicina são extremamente importantes não apenas pelo lado social, mas também por influenciarem na carreira.

Se vc for um clínico geral e tiver que encaminhar um paciente seu para um endocrinologista, preferirá encaminhar para um endócrino simpático, de bom relacionamento com os colegas durante a Faculdade ou para um endócrino  marrento, detestado pelos colegas de turma ?

A formação médica é fundamental para se construir uma grande carreira, porém além de ser um médico competente é necessário se ter visibilidade no meio médico e mesmo no meio leigo, por isso é muito importante que  o futuro médico comece a se inteirar de alguns princípios do marketing e poder, depois de formado, utilizar essa ferramenta para alavancar sua carreira.

Apresentação de temas livres em congressos, colaboração em capítulos de revisão em livros, participação em clubes de revistas, comparecimento e participação em sessões clínicas mesmo de quaisquer especialidades são outras maneiras de se conseguir visibilidade. Mas tenha cuidado para fazer isso tudo com simplicidade, com humildade e com discrição, caso contrario o “ tiro sai pela culatra “.

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Mário Novais

Gastro ou Cardiologia

Gastro ou Cardiologia
Pergunta : Thiago ( UNIFESP )
Parabéns pelo site! Minha dúvida é basicamente entre gastroenterologia clínica, e cardiologia clínica, somando procedimentos e etc, qual permite mais ganhos financeiros e qual tem melhores prognósticos para o futuro visto a quantidade maior de médicos que estão formando! Quem ganha mais, cardiologista ou gastroenterologista?

Resposta :

Na escolha da especialidade, além de levar em consideração a qualidade de vida e a remuneração, é fundamental se analisar como será o seu da a dia na especialidade; ou seja se vai se sentir confortável com o tipo de paciente e os tipos de patologias com as quais vai lidar.

Comparando as especialidades apontadas por vc, sem dúvida a gastroenterologia te permitirá além de ótima qualidade de vida, uma melhor remuneração pois é uma especialidade que apresenta mais procedimentos que permitirão agregar valor ao preço da consulta, tais com endoscopias digestivas altas e colonoscopias; procedimentos muito frequentes na clínica diária do gastro.

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Mário Novais

Residência aos 58 Anos de Idade

Residência aos 58 Anos de Idade
Pergunta : Fabio ( Universidade de Buenos Aires )
Me graduarei em medicina na UBA – Universidade de Buenos Aires, aos 58 anos de idade. Gostaria de saber se terei idade para cursar residência médica, no Brasil. Aqui na Argentina, não é permitido. Também gostaria de obter alguma sugestão de área médica a seguir. Antecipadamente, agradeço.

Resposta:

Não existe limite de idade para a residência médica no Brasil, mas de qq modo para vc exercer a profissão aqui no Brasil, será preciso passar no exame do revalida ( exame que é bastante difícil para médicos formados no exterior ) .

De acordo com sua idade, vc deve escolher uma especialidade de acesso direto na residência e que tenha uma vida útil grande, como PSF, Pediatria, Clínica médica, Dermatologia, Radiologia, Neurologia…

Como vc não pode perder mais tempo pela idade, sugiro que escolha uma especialidade de mais fácil acesso na prova de residência, como PSF.

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Mário Novais

Programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos
Pergunta : Brenda ( Centro Universitário de Volta Redonda )
Bom dia, gostaria de saber as vantagens e desvantagens do Programa Governamental Mais Médicos e por que há baixo interesse geral?

Resposta :

O Programa mais médicos foi criado de forma meio atrapalhada pelo Governo com objetivos claramente políticos.

Provavelmente o que vai acontecer é que o governo vai ter que modificar o programa e talvez fazer o que deveria ter feito desde o começo, que era chamar os órgãos de classe para se chegar a um consenso sobre as medidas necessárias para se melhorar a assistência de saúde no Brasil.

As estatísticas do ministério estão sendo mal interpretadas por ele mesmo. A OMS recomenda um mínimo de 1 médico para cada 1.000 habitantes e o Brasil tem quase 2 médicos para cada 1.000 habitantes. O Problema real é que a população médica está mal distribuída, o que é perfeitamente explicável pela falta de condições de trabalho em muitos locais.

Não vai ser a oferta de R$ 10.000,00 mensais que vai mudar a situação, pois numa cidade grande o médico ganha R$ 7.000,00 a 10.000,00 mensais por um único plantão de 24 h semanais, fora rendimentos de consultório. E melhorar as condições de trabalho para atrair os médicos para cidades pequenas e sem infraestrutura leva tempo.

Além disso, o número de médicos que o ministério pretende contratar não vai influenciar no mercado de trabalho médico.

O lado positivo é que toda essa badalação acabe por facilitar a criação de uma carreira médica, tanto em nível federal como estadual e municipal. Em muitos estados um médico concursado recebe menos de R$ 2.000,00 por mês por 24 h semanais de atividade.

Com o salário oferecido e com as condições de trabalho atuais, poucos médicos estrangeiros vão se radicar aqui ( até agora poucos se inscreveram ou se inscreveram e desistiram pelas condições de trabalho) e esse número não influenciará no mercado de trabalho, conforme vc pode estar preocupada.

Em relação ao provável prejuízo para as diferentes especialidades, pelo contrario, se a medicina brasileira passasse a tender para a formação de médicos generalistas, as especialidades seriam ainda mais valorizadas.

Vamos aguardar o desenvolvimento desse processo todo e torcer para que tudo isso possa, no final,  melhorar as condições de trabalho da nossa classe.

Conclusão : Principalmente para o médico recém formado o programa pode ser interessante, não somente pela remuneração mas também por dar ao médico uma prática generalista importante para qualquer profissional da  área de saúde e dar um visão de como é a realidade de saúde da população de cidades menores e mais carentes.

A maior desvantagem é que, além da falta de infraestrutura de trabalho em muitas dessas cidades, como tudo que é organizado pelo governo, possa haver tendência do programa  a se deteriorar.

Portanto vemos a introdução do médico no programa mais médicos como algo que deve ser encarado como transitório na formação médica.

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Mário Novais

Código de Ética do estudante de Medicina

Código de Ética do estudante de Medicina

Na terça-feira – dia 14 de agosto de 2018 – durante a III Conferência Nacional de Ética Médica, realizada em Brasília (DF) –  foi lançado o Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM). O documento foi produzido baseado em experiências de códigos semelhantes editados em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. No Brasil alguns conselhos regionais já haviam tomado iniciativa de redigir texto com o mesmo objetivo, mas com abrangência somente local.

O CEEM apresenta 45 artigos organizados em seis diferentes eixos destacando-se tópicos sobre atitudes, práticas e princípios morais e éticos. Contou com a participação de representantes institucionais, médicos, estudantes, academias e outras entidades da sociedade civil. O intuito do documento é orientar não somente aos alunos, mas também para os professores e responsáveis pelas instituições de ensino, encarregados da formação do profissional.

Segundo o coordenador da comissão elaboradora do CEEM Carlos Vital, o CFM e as entidades estudantis vinculadas ao ensino tinham a missão de divulgar o conhecimento nessa área dos princípios universais aos alunos – mais precisamente a honestidade, responsabilidade, competência e ética.

A previsão é de que a partir de setembro o novo Código de Ética do Estudante de Medicina seja encaminhado para as mais de 320 escolas em atividade em todo o País. Será disponibilizado no site do CFM e também distribuído em versão impressa.

O respeito e o sigilo foram outras questões destacadas nos textos descritos no CEEM. Foi reforçado que o aluno deve se posicionar contra qualquer tipo de prática ou trote com violência física, psíquica, sexual que ofereça danos moral e patrimonial.

O acesso restrito às informações de pacientes prezando pelo direito à privacidade e confidencialidade também foi abordada com destaque no documento. O estudante de medicina, de acordo com o CEEM, deve manusear e manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, papeletas, exames e demais folhas de observações médicas.

Além desses tópicos, quatro artigos foram dedicados a relação dos estudantes com os demais profissionais de saúde. Segundo o CEEM, os acadêmicos devem se relacionar com os integrantes das equipes de maneira adequada e gentil, respeitando a atuação de cada um no atendimento multiprofissional ao paciente.

O manejo dos cadáveres, por sua vez, foi outra situação abordada pelo documento. Segundo relatado nos textos, o aluno deve agir respeitosamente no manuseio do cadáver, no todo ou em parte, incluindo qualquer peça anatômica, assim como modelos anatômicos utilizados com finalidade de aprendizado.

O trabalho conjunto foi decisivo na realização do Código de Ética do Estudante de Medicina. Desde sua criação em fevereiro de 2016, além dos conselheiros do CFM, integraram a comissão elaboradora representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), da Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas em Medicina (ABLAM), além da seccional do International Federation of Medical Students Association (IFMSA-Brazil).

A função do Código é, portanto, se tornar um instrumento pedagógico para estimular a reflexão ética do estudante de medicina.

Principais pontos do Código de Ética Médica do Estudante 
Tema O que diz o texto
Sigilo Médico Orienta o estudante a guardar sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde. E veda ao acadêmico a quebra do sigilo.
Assédio moral

 

Orienta o estudante a se posicionar contra qualquer tipo de assédio moral ou relação abusiva de poder entre internos, residentes e preceptores.
Trotes Compreende como um direito o estudante participar da recepção dos ingressantes, mas em um ambiente saudável. Também destaca como dever a denúncia de qualquer prática de violência física, psíquica, sexual ou dano moral e patrimonial.
Exercício ilegal

 

Proíbe o acadêmico identificar-se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da medicina.
Remuneração O estudante de medicina não pode receber honorários ou salário pelo exercício de sua atividade acadêmica institucional, com exceção de bolsas regulamentadas.
Relação com cadáver Destaca o respeito com o cadáver, incluindo qualquer peça anatômica utilizados com finalidade de aprendizado.
Supervisão obrigatória Instrui que a realização de atendimento por acadêmico deverá obrigatoriamente ter supervisão médica.
Respeito pelo ;paciente Orienta o estudante a demonstrar empatia e respeito pelo paciente.
Respeito no atendimento e aparelhos eletrônicos Destaca como dever do estudante dedicar sua atenção ao atendimento ministrado, evitando distrações com aparelhos eletrônicos e conversas alheias à atividade.
Privacidade Garante o respeito a privacidade, que contempla, entre outros aspectos, a intimidade e o pudor dos pacientes.
Mensagens whatsapp

 

Permite o uso de plataformas de mensagens instantâneas para comunicação entre médicos e estudantes de medicina, em caráter privativo, para enviar dados ou tirar dúvidas sobre pacientes.
Equipe multidisciplinar

 

Orienta os estudantes a se relacionarem de maneira respeitosa e a respeitarem a atuação de cada profissional da saúde.

Fonte: Conselho Federal de Medicina

Autoestima e o Médico

Autoestima e o Médico

O processo de Globalização e IV Revolução Tecno-científica Informacional1 originada na segunda metade do século passado e em plena execução na segunda década do século XXI trouxe consigo um panorama de conflitos entre as saúdes mental e física de toda a população – refletindo nos médicos e na sua profissão. O foco na transmissão de dados e de notícias geralmente voltados para interesses econômicos das potências mundiais fez com que a programação neuropsíquica associativa do homem sofresse estímulos mais velozes do que estava acostumada a suportar. Assim, mesmo com todos os avanços nas pesquisas a respeito do cérebro e suas questões anátomo fisiológicas e da saúde mental nota-se um atraso na neuro plasticidade do ser humano em relação ao novo meio ambiente o qual está inserido. Nesse contexto, as estatísticas de prevalência da baixa autoestima e consequentemente da depressão e do suicídio aumentam diariamente enquanto de modo proporcional verifica-se uma queda na produtividade e na qualidade do serviço médico ofertado pelos profissionais.

Não é novidade que a autoestima é de vital importância para todo indivíduo – em especial, para o médico. Tratando-se do agente transformador da saúde, o equilíbrio da mente e do corpo é essencial para a boa prática de medicina. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo Leandro Karnal indivíduos otimistas e com maior autoconfiança agem enfrentando os seus desafios e consequentemente podem alcançar maior produtividade e resultados positivos no exercício diário da profissão. Atualmente nas grandes empresas muitos workshops e seminários têm sido adotados como maneira de estimular a renovação dos conhecimentos e de técnicas de autodesenvolvimento no intuito de explorar essas questões. No meio médico, em contrapartida, não há razão evidente que justificasse o fato dessa inciativa de promover qualificação contínua dos profissionais continuar a ser executada de maneira tão lenta e discreta. Assim, a promoção da saúde global do indivíduo – leia-se harmonia entre a mente e o corpo – caracteriza-se em elevada autoestima, é de extremo valor para um alto desempenho dos médicos dentro de sua rotina e poderia ser mais bem exploradas por educação continuada.

A autoestima, também, é importante para uma melhor preparação prévia do médico para os desafios diários. Com o conhecimento antecipado de seus objetivos de maneira clara e consciente, o médico – e qualquer outro profissional – conquista a possibilidade de buscar um treinamento adequado e de recolher informações relevantes para o preparo de sua carreira e de suas habilidades cognitivas e técnicas. Seja no ingresso em um novo emprego seja na escolha da especialidade ou na abertura de seu consultório esse plano de metas promove maiores chances de alcançar sucesso nos novos projetos. Considerando a autoestima semelhante a uma alavanca, parafraseando o autor “Schaw Achor” no livro “O jeito Harvard de ser feliz”, a manutenção da autoestima em altos níveis permite elevar comportamentos que levam ao sucesso e sentimentos positivos e, ainda, pode representar uma fuga à depressão2 pelo rebaixamento dos sintomas das falhas diante dos obstáculos diários. É um mecanismo “fisiológico” de defesa do ser humano quando bem administrada e a atenção aos seus cuidados deveria ser considerada prioridade.

Já o psiquiatra, escritor e palestrante brasileiro Augusto Cury3 afirma que a ansiedade é o “mal do século”. Constatou que a velocidade de informações e de cobranças oferecidas ao homem nunca foi tão intensa e que isso representava uma necessidade de modificar as características psicossociais do ser humano. É plenamente difundido que tal ansiedade extrema se associa de maneira inversamente proporcional à autoestima. Identificam-se nesses casos de baixa autoestima diversas situações comuns, como a frustação diante de grandes expectativas criadas pela própria mente do indivíduo em relação a algo ou a alguém ou como a vivência no passado ou no futuro com impedimento que o presente esteja sendo vivido de maneira adequada com a devida programação por metas com objetivo de alcançar os sonhos pessoais vislumbrados no futuro. Nesse contexto, surge a depressão – doença com estimativa de prevalência de 4,4% da população mundial segundo a OMS4. No Brasil, de acordo com a organização, ocupa o segundo lugar na lista com o valor ultrapassando a referência mundial e chegando aos 5,8%. A evolução desse quadro clínico em tamanha parcela da população traduz os números apresentados no ano de 2015, quando 788 mil pessoas morreram por suicídio. Isso representou quase 1,5% de todas as mortes no mundo, figurando entre as 20 maiores causas de morte no ano do estudo. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a segunda maior causa de morte.

No artigo extraído do MedScape5 “Why So Many Doctors Lack Self-confidence, and How to Get It Back” encontram-se referências à baixa autoestima de estudante de medicina e de médicos nos EUA ao longo de suas graduações, de suas residências, de seus fellowships e nas suas rotinas de trabalho. Alguns indicam prejuízos na saúde mental por sentirem pressão em demasia ofertada pelos pacientes e pelos chefes nos hospitais – geralmente cobranças envolvendo um alto grau de resultado. Outros apresentam questões relacionadas à dificuldade de manusear a vida pessoal pela alta carga de honorários na prática diária e pela falta de disposição física para desfrutar dos pequenos momentos livres com os entes queridos. No Brasil a situação não é muito diferente. Os médicos sofrem com as questões relatadas pelos norte-americanos sem, contudo, contar com uma boa infraestrutura para exercer uma boa medicina. Isso sem levar em consideração a redução acentuada do reconhecimento do profissional por parte da população com o passar do tempo.

Há ainda a questão da aparência física dos médicos que não dispõem de tempo para se exercitar e cuidar da própria saúde. Além da redução da autoestima, a falta de cuidados com a saúde física gera grande indisposição para enfrentar rotinas desgastantes. Isso se associa com redução da produtividade, com o maior risco de depressão e suicídio e a uma queda da expectativa de vida. De acordo com pesquisa publicada no British Medical Journal6 a baixa autoestima reduz a vida dos indivíduos por uma série de motivos, dentre os quais aumento de doenças cardiovasculares, psiquiátricas e imunológicas. Nas palavras do Dr. Lair Ribeiro – médico, professor, palestrante e escritor brasileiro – “Ou você arruma um tempo para cuidar da sua saúde ou você terá de arrumar um tempo para cuidar de sua doença”. Nota-se, nesse sentido, um ciclo vicioso de relação direta entre a baixa autoestima e a má administração do tempo por parte do médico – imerso na rotina desgastante de trabalho – adotando hábitos que afetam a saúde física impactando consequentemente sua saúde global.

Mudanças na educação e na condução dos desenvolvimentos físico e psíquico das próximas gerações tornam-se necessárias no novo ambiente a qual o ser humano está inserido. Nas escolas de base e nas universidades – principalmente nos cursos de medicina – têm sido defendido em diversos seminários e debates relacionados à educação o modelo de ensino “Problem Bases Learning” (PBL). O modelo consiste em oferecer maior autonomia de busca pelo conhecimento aos alunos por meio da problematização e coordenação de um professor tutor. Surgido na década de 607 vem sendo implantado ao redor de todo o mundo – a partir disso no Brasil foi criada a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei No. 9.394 de 1996). Desse modo, com a propagação desse método de ensino reformulado é esperado que os estudantes e futuros profissionais saíssem para o mercado de trabalho e para a vida mais bem preparados para resolução de problemas e eventuais obstáculos no dia a dia. Note que, com aprendizado relacionado à resolução de problemas, o sentimento de êxito promove o crescimento exponencial da autoestima. Representa, portanto, uma possibilidade de transformar positivamente por meio da autoestima elevada o exercício da profissão médica nas décadas seguintes.

Paralelamente ao PBL, uma reformulação do olhar da população para o papel dos psicólogos seria uma estratégia interessante para frear os avanços tanto da prevalência da baixa autoestima quanto dos seus sintomas. A maneira pela qual a maioria das pessoas lida com as frustrações é inadequada e tal fato deveria ser acompanhado por profissional capacitado – realidade bem distante da encontrada na sociedade brasileira. Nesse sentido, a criação do hábito de visitar os psicólogos – em especial o profissional médico que lida diariamente com desafios e situações impactantes para o emocional de qualquer ser humano – seria uma estratégia de grande valia para elevar a autoestima e reduziria os sintomas derivados de sua flutuação.

Não menos importante tratando-se de estratégias para aumentar a autoestima dos médicos seriam investidas para aprender a administrar melhor o tempo e cuidar da própria saúde. Sabe-se que pela desorganização ou até pela carga horária de afazeres diários extensos os profissionais acabam deixando pouco ou nenhum momento do dia para dedicar a si mesmo. Surgem, diante disso, todos os problemas familiares, sociais e aqueles relacionados ao aumento exacerbado de peso. Nesse contexto, seria interessante a criação de uma rotina saudável com prática regular de exercícios físicos ao menos três vezes na semana e com diversos momentos dedicados à família; a realização de planejamento diário no início da jornada de trabalho com prioridades destacadas e tempo para efetuar cada obrigação e o planejamento para ver os entes queridos para reestabelecimento da saúde global e, assim, da autoestima.

Outras indicações para combater a baixa autoestima verificada nos médicos americanos – sugerida pelo artigo5 – foram a interrupção dos abusos encontrados no sistema de saúde, tanto pela alta carga horária quanto pelos abusos de chefes, de colegas e dos demais líderes; a tolerância zero para práticas ofensivas de “bullying”; o oferecimento de um suporte de saúde mental para os profissionais no ambiente de trabalho para que possam receber os cuidados que oferecem aos seus pacientes; o estímulo a construção de relacionamentos sólidos com família, com cônjuges e com colegas e, por fim, a promoção de uma cultura de comunicação e respeito.

Tendo em vista que a relação entre o atual panorama do exercício da profissão médica e a autoestima possui atualmente um prognóstico ruim, alterações relevantes deveriam ser colocadas em vigência imediatamente para melhora da situação. No primeiro plano, os cuidados com a saúde mental dos médicos por profissional capacitado associado a um melhor preparo educacional dos indivíduos que serão inseridos no mercado no futuro seria essencial. Além disso, um interesse pela organização pessoal do médico no intuito de deixar de ser dominado pelo tempo seria fundamental para o seu sucesso pessoal, físico, mental e profissional. Posteriormente, deveria ser explicitamente publicado pelos Conselhos de Medicina por meio de campanhas a prevalência do respeito e do companheirismo nos ambientes de trabalho. Os Conselhos, ainda, deveriam oferecer controle rígido dos comportamentos inadequados. Por fim, a construção de uma família e de um ciclo social adequado para a personalidade de cada médico seria indispensável como apoio diante de uma rotina de trabalho tão desgastante. A união desses fatores impactaria a qualidade de vida dos médicos elevando sua autoestima e, consequentemente, provocaria grande aumento de sua produtividade e da qualidade de seu atendimento.

Referência Bibliográfica:
1 – https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/revolucao-tecnicocientificoinformacional.htm
2 – ACHOR, Shaw. O jeito Harvard de ser feliz. São Paulo: Saraiva, 1ª Edição: 2012.
3 – CURY, Augusto. Ansiedade: como enfrentar o mal do século. São Paulo: Saraiva, 2013.
4 – https://g1.globo.com/bemestar/noticia/depressao-cresce-no-mundo-segundooms-brasil-tem-maior-prevalencia-da-america-latina.ghtml
5 – https://www.medscape.com/viewarticle/849481_5
6 – https://www.bbc.com/portuguese/ciencia/story/2003/09/printable/030912_autoestimaebc.shtml
7 – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422011000700029

Cirurgia Plástica Facial

Cirurgia Plástica Facial
Pergunta : Matheus ( Universidade de Brasília )
Olá Dr! Gosto muito do seu site e ele tem sido muito útil para mim! Atualmente estou muito em dúvida entre duas especialidades. Cirurgia plástica ou otorrino (esta última com especialização posterior em cirurgia plástica facial). Em qual delas a inserção no mercado seria mais fácil? Alguma delas tem tendência à saturação? Obrigado

Resposta :

Nessa fase da vida como estudante de Medicina é fundamental conhecer bem as especialidades que talvez possa escolher.

Precisa saber como vai ser o seu cotidiano nessas especialidades, assim como com que tipos de patologias vai ter que lidar e ver em que situação se sentirá mais feliz e confortável.

Na cirurgia plástica o campo de atuação será maior do que apenas cirurgias faciais, já que há uma variedade grande de plásticas.

Na Otorrino também terá um campo de atuação variado, além das cirurgias plásticas faciais.

Se seu objetivo for apenas cirurgias plásticas faciais, sem dúvida, o caminho mais fácil para inserção no mercado será o da otorrino.

Sucesso

Mário Novais