Archive setembro 2018

Cardiologia : Eletrofisiologia

Pergunta : Fernando ( Universidade Federal Fluminense )
Parabéns pelo Site! Gostaria de saber como é a rotina do cardiologista especialista em eletrofisiologia. É mais consultório ou centro cirurgico? Tem volume de pacientes para ficar só com a especialidade ou também tem que atender como cárdio geral?

Resposta :

A definição sobre sub especialidades somente deve ser pensada quando se está durante a residência da especialidade raiz.

Assim é prematuro agora vc perder tempo discutindo a eletrofisiologia. Se estiver realmente definido pela cardiologia, deixe para analisar a eletrofisiologia posteriormente.

O mercado de trabalho para o cardiologista especializado em eletrofisiologia não é muito grande e o diagnóstico e manuseio das arritmias é uma área desafiadora e talvez tecnicamente difícil da cardiologia.

A sugestão em função desse mercado menor é que o cardiologista com essa sub especialidade continue atendendo cardiologia geral.

O dia a dia será de pacientes encaminhados por outros cardiologistas no seu consultório ou pareceres em pacientes internados em UTIs ou vc estará trabalhando em um Hospital especializado em cardiologia.

Essa sub especialidade terá maior mercado em cidades grandes com número razoável de outros cardiologistas.

Sucesso

Mário Novais

Indefinição na Escolha da Especialidade

Pergunta : Juliana ( Universidade Federal de Santa Catarina )
Olá Dr Mário, tudo bem? Estou no internato médico, caminhando para o último ano e ainda não decidi minha especialidade médica. Tenho 32 anos, provavelmente me formarei com 33, mulher, cheia de planos dentro e fora da Medicina. Fui professora de Educação Física, já passei por outras experiências profissionais, outros cursos superiores e me encontrei na Medicina. Tento não entrar na neura de escolher e entrar rápido na residência por conta da minha idade, mas confesso que agora que está chegando o final do curso está difícil ficar sossegada. Não gostaria de deixar de fazer a escolha certa para mim por causa da minha idade. Minha dúvida é que eu não sei se devo escolher algo mais parecido com meu perfil pessoal, que no caso é Medicina da Família e Comunidade, ou Psiquiatria, ou Geriatria, ou Ginecologia e Obstetrícia; ou se devo ir para a especialidade que mais me atraiu na prática da medicina, cujos estágios eu adorei: ortopedia e traumatologia. Pior é que elas não têm nada a ver uma com a outra! Importa-me muito ter adequado tempo livre, vida social ativa, horários profissionais regulares, ainda que plantões; conhecimento técnico, habilidades manuais; pacientes sem dependência extrema de mim fora do horário de trabalho, remuneração razoável, não ligo pra Status. Poderia falar um pouco sobre as perspectivas dessas especialidades em termos de qualidade de vida? ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA, PSIQUIATRIA, MEDICINA DA FAMÍLIA, GINECOLOGIA E OBSTETRICIA, GERIATRIA. Muito obrigada!

Resposta :

Em termos de qualidade de vida em ordem decrescente : Medicina de família, psiquiatria, geriatria, GO, ortopedia.

Em termos de remuneração em ordem decrescente : Ortopedia, psiquiatria, GO, geriatria, medicina de família.

A remuneração dependerá muito de vários fatores, como cidade onde estará trabalhando, tempo de formada, sua formação, contatos na área médica, concorrência local e acima de tudo do marketing que fizer.

Talvez o mais importante na sua avaliação seja lembrar que ainda vai trabalhar muitos anos na especialidade que escolher e precisa se sentir bem com o que faz diariamente, por isso deve analisar bem como será seu dia a dia na especialidade que escolher. Se vai se sentir confortável com os tipos de patologias com as quais vai lidar.

Sucesso

Mário Novais

Endoscopia ou Hepatologia

Pergunta : Livia ( Hospital de Base – Brasília )
Estou terminando a residência em Gastroenterologia, porém estou em dúvida sobre qual subespecialidade seguir: Hepatologia ou Endoscopia. Em relação ao mercado de trabalho e remuneração, qual as vantagens e desvantagens?

Resposta :

Gastro é uma boa especialidade porque além de permitir boa qualidade de vida, é bastante rentável pela grande incidência de exames complementares como endoscopias altas e baixas e grande frequência na população de patologias dessa especialidade, como gastrites, úlceras, esofagites, diarreias, colites…

Quando se faz uma sub especialidade, o já especialista pode e deve manter seu atendimento na raiz principal da especialidade.

Assim, optando pela hepatologia ou pela endoscopia, sugiro que vc continue atendendo os pacientes gerais de gastro, para não diminuir sua atuação na especialidade e também não diminuir o tamanho do seu mercado de trabalho.

O tamanho do mercado de trabalho para o endoscopista é bem maior do que o mercado para o hepatologista.

De qq modo sendo gastro e fazendo endoscopias, vc pode também atender pacientes com problemas hepatológicos.

Sucesso

Mário Novais

Uso de álcool em profissionais de saúde

Uso de álcool em profissionais de saúde

Em 1791, Benjamin Rush, considerado o pai da psiquiatria norte-americana cunhou uma frase que ajudou a fundamentar o conceito de dependência química: “beber começa como um ato de vontade, caminha para um hábito e finalmente afunda na necessidade”. Já nesta época, o autor propunha medidas comunitárias para controle do uso do álcool, uma vez que já considerava o seu uso um problema de saúde pública. Atualmente a dependência de álcool é um dos transtornos mentais mais prevalentes na sociedade, tendo este um caráter crônico, associado a recaídas e responsável por inúmeros prejuízos clínicos, sociais, trabalhistas, familiares e econômicos.

No Brasil, dados coletados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), mostraram que a prevalência de uso de álcool em 2005 foi de 74,6%, enquanto que a de dependência de álcool foi de 12,3%. Mesmo assim, a dependência de álcool é subdiagnosticada. O diagnóstico, assim como o tratamento, quando realizados, são muitas vezes tardios, piorando prognóstico e propiciando a falsa idéia de que pacientes dependentes raras vezes se recuperam.

O uso nocivo e a dependência de álcool trazem diversos comprometimentos ao sujeito. Este padrão disfuncional acarreta em diversos problemas de caráter interpessoais, psicológicos, e até por vezes legais. Intoxicações agudas  estão muitas vezes associadas a comportamentos sexuais de risco, agressividade, labilidade de humor, diminuição de julgamento crítico, aumento de comportamentos suicidas, além de poderem, em casos mais graves, ocasionar depressões respiratórias, coma e, mais raramente, morte. Já em pacientes dependentes de álcool, são comuns sintomas como alucinose alcoólica, delirium tremens, períodos de abstinências graves, além de outros quadros clínicos de longo prazo, como cirrose hepática, pancreatite, cardiomiopatia e demência alcoólica.

A prevalência de transtornos relacionados ao uso de álcool entre os profissionais de saúde é extremamente variável, ainda não sendo possível afirmar se esta é mais elevada ou não nestas categorias profissionais. Um estudo alemão de 2009, por exemplo, evidenciou que um terço dos estudantes médicos e profissionais de saúde apresentavam comportamento problemático associado ao uso de álcool. Já outro estudo de 2004 apontou menor uso de bebidas alcoólicas nessa população quando comparado a população geral.

Além das diferentes prevalências, aparentemente existem diferenças no padrão de uso da substância entre os profissionais. Dentistas, por exemplo, aparentemente consomem mais álcool do que outros profissionais de saúde, no entanto, o impacto do uso é maior em enfermeiros. Outro dado observado foi a associação entre o aumento do uso e a idade do profissional, estando os mais velhos mais susceptíveis a usos danosos de álcool.

Os dados referentes a dependência de álcool em profissionais de saúde ainda são, portanto, controversos e escassos, sendo necessário um aumento de estudos nesta área. Estes profissionais desempenham um papel educativo importante em saúde, servindo muitas vezes como modelos para um estilo de vida saudável. Já foi observado, por exemplo, que médicos com estilo de vida pouco saudáveis podem oferecer a seus pacientes conselhos menos eficazes sobre estes assuntos do que colegas mais preocupados com a saúde. Isto mostra a importância de se estudar temas como dependência de álcool e outras substâncias nessa população.

 

Referências:

VOIGT, K.; TWORK, S.; MITTAG, D.; GOBEL, A.; VOIGT, R.; KLEWER, J.; KUGLER, J; BORNSTEIN, S. R.; BERGMANN, A. Consumption of alcohol, cigarettes and illegal substances among physicians and medical students in Brandenburg and Saxony (Germany). BMC Health Serv Res. 2009; 9: 219.

KENNA, G. A.; WOOD, M. D. Alcohol use by healthcare professionals. Drug and Alcohol Dependence.  2004; 75: 107-116.

DIEHL, A. CORDEIRO, D. C.; LARANJEIRA, R. Dependência química: Prevenção, tratamento e políticas públicas. Artmed, 2011. ISBN 978-85-363-2503-3

ROSTA, J. Prevalence of problem-related drinking among doctors: a review on representative samples. Ger Med Sci. 2005; 3: 07.

Formando aos 39 anos de idade

Pergunta : Renzo ( Universidade Federal de Goiás )
Dr., boa noite! Após ter trabalhado como advogado e servidor público, mudei de caminho pra realizar o sonho de ser médico, e me formarei aos 39 anos. Confesso que nao tenho lá muito interesse em consultório particular, gosto mais do ambiente hospitalar, e tenho interesse em medicina intensiva, medicina de emergência, anestesiologia, dentre outros. Pergunto: a idade é considerado um problema pra ingressar nessas especialidades (entre 42 e 44 anos)? Aliás, como o sr vê o atual momento e o futuro dessas áreas? Obrigado

Resposta :

Sempre é tempo de se correr atrás dos sonhos e ser feliz, principalmente quando o sonho é bom como na Medicina,

Formando com   39 anos ainda terá pelo menos mais 30 anos de atividade profissional.

Evidente que se escolher uma especialidade de acesso direto na residência estará encurtando sua formação. Nesse aspecto a Medicina de emergência e a anestesiologia seriam de acesso direto e a medicina intensiva exigiria pré requisito de outra residência anteriormente.

A anestesiologia é uma boa especialidade em termos de remuneração e mesmo inserção no mercado de trabalho, porém, com certeza, perde em qualidade de vida.
É muito importante, na escolha da especialidade, se analisar 3 aspectos : a qualidade de vida que se vai ter, a remuneração e acima de tudo se o candidato vai se sentir confortável com o dia a dia da especialidade.
Muitos estudantes ao se formar analisam apenas a possibilidade de remuneração na especialidade escolhida, e depois se arrependem porque não se adaptam ao cotidiano da especialidade e à qualidade de vida que vai ter.
Isso tem levado muitos recém formandos a optar pela anestesiologia.
Em relação à inserção no mercado de trabalho, não deveria se preocupar porque durante a própria residência seu staff vai te ajudando nisso.
Como todo inicio em qualquer especialidade, pode ser um pouco difícil a colocação dentro de uma equipe de anestesia e vc estará no final da lista do grupo, ralando mais do que os demais membros do grupo e tendo que participar das cirurgias mais chatas e de menor remuneração . Porém com o tempo vc irá se fortalecendo dentro do grupo e subindo na hierarquia, até conseguir priorizar as cirurgias eletivas.
Evidente que fazer um bom network ajudará bastante, principalmente com seus colegas de turma que optarem pelas especialidades cirúrgicas.

A especialidade emergência médica somente recentemente foi assumida como especialidade médica pelo CFM e as residências nessa área ainda estão se estruturando.

Abaixo transcrevemos uma explanação sobre essa especialidade publicada pela ABRAMED( Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica

Medicina de Emergência 1 PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM MEDICINA DE EMERGÊNCIA Introdução O Brasil é um país com grandes diferenças sociais e com uma população majoritariamente usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). Garantir acesso a esse sistema dentro de realidades tão distintas é um desafio constante de planejamento. O atendimento às Urgências e Emergências além de estratégico é um dos pilares do SUS como parte do planejamento de saúde. Neste sentido, é fundamental definir o perfil do profissional que ali irá trabalhar com as respectivas habilidades e competência. O médico brasileiro sai da escola de medicina sem a experiência necessária para enfrentar os desafios que este sistema necessita, principalmente no que tange a Urgência e Emergência. Este fato é reconhecido pela própria Associação Brasileira de Escolas Médicas (ABEM), nas Recomendações para a matriz curricular – 10 anos das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina em seu capítulo 3 (A situação do ensino de urgência e emergência nos cursos de graduação de medicina no Brasil- Fraga G et al), quando refere: “…é muito importante que o egresso do curso médico tenha um conjunto de habilidades, competências e atitudes que o tornem apto para um bom atendimento aos doentes nos diferentes cenários da urgência e emergência, tanto traumáticas quanto não traumáticas “. Neste contexto, se faz necessário preparar um médico qualificado para liderar o atendimento nos diferentes níveis de gravidade em diversas áreas da medicina, tanto clínicas quanto cirúrgicas, incluindo desde o atendimento pré- hospitalar ao atendimento intensivo. Necessita-se de um médico que atue alinhado com as leis, portarias e diretrizes do sistema de saúde nacional e que compreenda o seu papel além das fronteiras assistenciais. O atendimento às Urgências e Emergências apresenta-se cada vez mais desafiador tendo em vista a evolução da própria medicina assim como a expectativa da sociedade atual, que estabelece novos padrões de exigência, desfechos e tempos de resposta às demandas individuais. Cabe a este profissional liderar as mudanças no atendimento visando responder a tais necessidades. PRM Medicina de Emergência 2 A responsabilidade estratégica do atendimento a Urgência e Emergência dentro dos sistemas de saúde moderno levou a criação de programas de especialização em Medicina de Emergência em todo o mundo. Essa especialidade tem formação própria e específica, com médicos formados em residência médica, via ingresso direto, com duração de 3 a 7 anos. O Médico Emergencista tem experiência técnica e científica assistencial generalista, para atender pacientes de alta a baixa complexidade. Além disso, são estes os profissionais responsáveis pela organização e dimensionamento da rede de atendimento a Urgência e Emergência. O estudo de gestão de serviços de emergência é parte curricular da formação do deste profissional, habilitando-o a coordenar um serviço de emergência, planejar seu dimensionamento de acordo com a população atendida e inseri-lo dentro da rede de atenção à saúde local. O sistema de atendimento Pré-Hospitalar também necessita de um profissional que se sinta identificado e confortável em atender e regular a imensa gama de situações clínicas e traumatológicas que este serviço apresenta. A especialidade de Medicina de Emergência inclui o estudo das normas, especificações e responsabilidades dos Serviços de atendimento Pré-Hospitalar, preparando o profissional para os desafios do setor. Outra área onde o Médico Emergencista se insere, dentro de um cenário multidisciplinar e multiprofissional, é o atendimento a catástrofes. Por sua característica de transição entre fronteiras clinico-cirúrgicas, as catástrofes que podem envolver problemas tão diversos como epidemias ou incêndios, colisões de automóveis ou enchentes, e isso faz com que acabem sendo tratadas como problemas isolados. A Medicina de Emergência contempla o treinamento em atendimento e prevenção de catástrofes, compreendendo que necessitam de um escopo de resposta padrão, técnico e efetivo para otimizar resultados. Experiência Internacional A primeira Residência em Medicina de Emergência foi criada em 1970 na Universidade de Cincinatti, nos Estados Unidos. No ano seguinte foi criado o primeiro Departamento de Medicina de Emergência em uma faculdade de medicina, na University of Southern California. Em 1979, o American Board of Medical Specialties criou oficialmente a especialidade nos Estados Unidos. PRM Medicina de Emergência 3 Atualmente, existem programas de residência com duração de três a quatro anos, de acesso direto ou como extensão de outras especialidades. Após o término de um desses programas, o candidato ao título de emergencista deve ser aprovado em um exame realizado pelo American Board of Emergency Medicine. Na Austrália e na Nova Zelândia, a certificação de um médico emergencista pelo ACEM (Australasian College for Emergency Medicine) requer um treinamento mínimo de sete anos. Já no Canadá, há duas rotas diferentes para a formação do médico emergencista: (1) um programa de residência em Medicina de Emergência, de acesso direto, com a duração de cinco anos, certificado pelo Royal College of Physicians and Surgeons of Canada, e (2) um ano optativo para treinamento em emergência voltado para egressos da residência em Medicina de Família, certificado pelo College of Family Physicians of Canada. Usualmente, os médicos envolvidos em pequenos pronto-atendimentos e hospitais do interior, fizeram a segunda formação, enquanto os integrantes do corpo clínico de centros terciários e acadêmicos optam pela primeira formação. No Reino Unido e na Irlanda, o College of Emergency Medicine estabelece um exame para conceder a certificação de Fellow of the College of Emergency Medicine (FCEM). Para submeter-se ao exame, é necessário um treinamento de seis anos. Na América Latina, a Medicina de Emergência é uma especialidade reconhecida no México, Peru, Colômbia, Venezuela, Chile, Panamá e Argentina. Justificativa Os Serviços de Emergência no Brasil costumam ser segmentados entre as especialidades de Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia/Obstetrícia e Cirurgia Geral. Os pacientes são direcionados para as especialidades de acordo com as queixas que possuem ao procurarem o atendimento. Nesse sistema, o paciente pode passar em mais de uma especialidade, realizar exames e consultorias específicas, ser visto por diferentes médicos dentro de cada área em diferentes turnos, até que tenha seu problema resolvido. Na imensa maioria das emergências brasileiras não existe a disponibilidade de especialistas em tempo integral, fazendo necessário o transporte do paciente a outra instituição, muitas vezes localizada em outro município, para que ocorra seu atendimento. Todo esse processo e suas PRM Medicina de Emergência 4 diferentes nuances leva tempo e custa caro. O atendimento é fragmentado, os encaminhamentos são por vezes inadequados, e o paciente acaba correndo riscos desnecessários dentro de um sistema que normalmente trabalha acima de sua real capacidade. Nos hospitais universitários, essa visão de atendimento de Urgência e Emergência também treina o médico de maneira fragmentada, incentivando a formação de especialistas e perpetuando a dinâmica explicitada no parágrafo anterior. Além disso, há pouco ou nenhum treinamento no atendimento ao Trauma durante a graduação ou mesmo nos programas de residência médica. Vale lembrar que essa patologia é a principal causa de morbi-mortalidade na população economicamente ativa de nosso país. A especialidade de Medicina de Emergência abrange o diagnóstico e o tratamento de qualquer paciente que necessite cuidados diante de uma situação imprevista de uma doença aguda ou lesão que requeira atendimento imediato. A razão da existência da Medicina de Emergência é, através do atendimento inicial adequado, diminuir a morbidade e a mortalidade desses pacientes. A sua prática abrange desde os cuidados pré-hospitalares até o atendimento hospitalar, requerendo conhecimentos de todas as especialidades intimamente relacionadas a ela. Envolve um conhecimento e reconhecimento adequados de lesões e doenças agudas, com ou sem risco de vida, seguidos de imediato tratamento e estabilização. Permite otimizar a solicitação de consultorias, encaminhar, transportar ou liberar o paciente com critérios e cuidados bem estabelecidos, minimizando os tempos de atendimento e os custos relacionados a este cuidado, além de aumentar a segurança do paciente durante o processo. Para o paciente, o treinamento em Medicina de Emergência gera um impacto positivo ao possibilitar uma abordagem mais ampla de seus problemas e propiciar o atendimento por um profissional comprometido a essa área de atuação. Para o médico que trabalha com Urgência e Emergência, o treinamento específico traz uma maior habilidade e segurança na execução de procedimentos, tomada rápida de decisões, permite dedicação exclusiva, aumenta a auto-estima e diminui a possibilidade de erro. Os Serviços de Emergência também se beneficiam com a presença de um médico treinado e dedicado ao atendimento de Urgência e Emergência, um PRM Medicina de Emergência 5 profissional disposto a melhorar seu ambiente de trabalho e participar das decisões relacionadas ao sistema, atualizar diretrizes, agilizar fluxos, padronizar cuidados e processos e melhorar indicadores. O Sistema de Saúde, enfim, se beneficia, porque passa a contar com profissionais treinados especificamente em atendimento a Urgência e Emergência, aptos a realizar atendimentos relacionados a diversas especialidades médicas, somente encaminhando quando necessário e o fazendo de maneira adequada. A formação do especialista em Medicina de Emergência leva a diminuição do número de internações, aumenta as internações com diagnóstico e tratamento definitivo encaminhados, diminui a solicitação de exames, culminando com diminuição de custos e aumento da efetividade do sistema. Plano para o Brasil Pelas razões acima expostas, as instituições abaixo discriminadas propõem o seu credenciamento para desenvolver um Programa de Residência em Emergência com três anos de duração. Este programa visa formar um profissional qualificado para atendimento das situações clínicas e traumáticas agudas de nossa população e, especialmente, para liderar a organização dos serviços de Urgência e Emergência do Brasil. O programa foi desenhado conforme as diretrizes adotadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e é embasado, também, na experiência bem-sucedida de dois programas já em funcionamento no país: um no Hospital de Pronto Socorro, em Porto Alegre (RS), há 18 anos; e outro no Hospital Massejana, em Fortaleza (CE), há 6 anos. Esta proposta foi elabora por membros representantes das seguintes instituições: a. UFMG; b. UFRGS; c. USP; d. USP Ribeirão Preto; e. Unifesp; f. Unicamp; g. GHC (Hospital Conceição); h. Hospital Santa Marcelina; i. HPS – Pronto Alegre; j. Hospital Messejana de Fortaleza; k. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). PRM Medicina de Emergência 6 Minuta: PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM MEDICINA DE EMERGÊNCIA 1- Acesso ao Programa: − Seleção Pública, Análise de Currículo e Entrevista 2- Duração Mínima: − TRÊS anos: PPG1, PPG2, PPG3 3- Número de vagas: − Mínimo: duas vagas anuais para PPG1. − O número máximo de residentes será de acordo com o volume e facilidades ofertadas pelo serviço. 4- Carga horária: − 60 horas semanais de acordo com as recomendações da CNRM, incluindo férias de 30 dias. 5- Objetivos do profissional a ser formado: − Aprofundar o conhecimento, habilidades e competências na área de Urgência e Emergência nos seus diversos cenários. − Desenvolver a capacidade de geração de conhecimentos dentro de quatro componentes: técnico, científico, educacional e administrativo. − Formação de líderes que possam influenciar e impactar no atendimento, gerenciamento e planejamento do setor, incluindo a liderança da equipe multiprofissional. 6- Locais de treinamento − Serviços de Emergência de Alta e Baixa complexidades − Serviço de Atendimento Móvel de Urgência / Pré-Hospitalar − Unidade de Terapia Intensiva (mínimo dez leitos). PRM Medicina de Emergência 7 − Anestesiologia (Procedimentos anestésicos / centro cirúrgico / recuperação anestésica). − Atendimento ao Trauma (unidade de emergência, terapia intensiva e enfermaria). − Unidades de Pronto Atendimento − Unidade de Queimados − Centro de Controle de Intoxicações − Regulação Médica / Gestão 7- Objetivos Cognitivos do Programa No mínimo, DEZ por cento (10%) da carga horária deve ser destinada a atividades teóricas (aulas, seminários, revisão de artigos, entre outros). O embasamento teórico prático deve abranger as principais situações agudas em Emergência, tais como as listadas abaixo, mas não restritas a estas: a. Ressuscitação cardiopulmonar. b. Via Aérea Difícil. c. Choque (séptico, hipovolêmico, cardiogênico). d. Insuficiência respiratória aguda. e. Ventilação mecânica Invasiva e Não Invasiva. f. Sedação e analgesia. g. Atendimento inicial ao politraumatizado. h. Traumatismo Cranio-Encefálico. i. Intoxicações exógenas. j. Acidentes com animais peçonhentos. k. Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico e Isquêmico. l. Urgências hipertensivas. m. Infarto Agudo do Miocárdio. n. Síncope e Coma. o. Insuficiência cárdica congestiva. p. Arritmias cardíacas. q. Distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. r. Aspectos éticos e legais do atendimento em Urgência e Emergência. PRM Medicina de Emergência 8 s. Noções básicas em gestão e administração de serviços de Urgência e Emergência. t. Noções em metodologia científica para pesquisas em Urgência e Emergência. u. Atendimento de catástrofes / desastres 8- Competências a. Reconhecer as afecções agudas de pacientes atendidos em Unidades de Pronto Atendimento e Emergências Hospitalares, bem como pelo atendimento Pré-Hospitalar, e implementar os respectivos protocolos. b. Estabelecer linhas de atendimento/cuidado em Urgência e Emergência. c. Auxiliar no atendimento a pacientes com necessidades específicas. d. Capacidade de autonomia e liderança. e. Propor e desenvolver um projeto de pesquisa (Trabalho de Conclusão de Curso). f. Demonstrar capacidade de gerenciamento dos processos administrativos relacionados a todas as instâncias de atendimento a Urgência e Emergência (gestão de custos, alocação de recursos humanos, fluxos, etc). 9- Habilidades Será requerido um conjunto mínimo de habilidades, a considerar: a. Acesso Vascular periférico e central. b. Sondagem Vesical e Naso/orogástrica. c. Intubação traqueal – oro e naso. d. Cricotireoidostomia. e. Suporte Ventilatório Invasivo e Não Invasivo. f. Punção liquórica. g. Toracocentese, Pericardiocentese e Paracentese. h. Drenagem torácica. i. Instalação de Marcapasso Transitório. j. Bloqueios anestésicos. PRM Medicina de Emergência 9 k. Suturas de ferimentos superficiais. l. Identificação de alterações e doenças agudas maiores em exames de imagens (Ecografia, Rx, CT e/ou RNM). m. Apresentação de tema livre ou submissão de artigo em periódico. 10-Descrição das atividades As atividades serão desenvolvidas nas unidades de atendimento a Urgência e Emergência e em outros locais, conforme necessidade específica de treinamento. Local Carga horária % Unidades de Atendimento a Urgência e Emergência 50-70% Pronto-Atendimento 10-20% UTI 10-30% Pré-Hospitalar 10-15% Áreas Clínicas 20-30% Trauma 10-15% Gineco-Obstetrícia 5-10% Emergência e Terapia Intensiva Pediátrica 10-15% Opcional 5-10% * Esta distribuição não pressupõe obrigatoriamente a divisão fixa em blocos. 11-Avaliação: Será realizada a cada quatro ou seis meses, envolvendo os seguintes aspectos: Atitudes – Postura, comunicação, integração com a equipe Conhecimentos e competências – Domínio de conteúdos da área, protocolos – Projeto de pesquisa (TCC) Habilidades – Lista de aquisições 12- Ao final da residência, o profissional deverá ser capaz de: PRM Medicina de Emergência 10 a. Reconhecer, diagnosticar e tratar baseado nas melhores evidências científicas (protocolos) as principais situações de Urgência e Emergência médicas. b. Interpretar corretamente os exames de imagens usuais das principais situações de Urgência e Emergência. c. Executar os principais procedimentos de Urgência e Emergência. d. Liderar a equipe médica e multiprofissional na área de Urgência e Emergência. e. Entender o sistema de referenciamento hospitalar e organizar o serviço de atendimento em Urgência e Emergência.

Os programas de residência médica em Medicina Intensiva tem duração de 2 anos e tem como pré requisite 2 anos de residencia em Clínica Médica, anestesiologia ou cirurgia geral.

Embora a especialidade aparentemente seja estressante, na prática, depois que vc passa a dominar as técnicas básicas como punção de veia profunda, entubação endotraqueal, manuseio de respiradores…a dia a dia fica bem mais tranquilo, até mais tranquilo que um plantão em emergência.

É uma especialidade de extremos em relação aos sentimentos, porque em alguns casos a felicidade é total quando se tira um paciente de um quadro grave com recuperação total sem sequelas, mas em putros casos se tem um paciente com morte cerebral e uma situação muito triste no relacionamento com os familiares.

A qualidade de vida pode ser boa se vc não ficar na ansiedade de ganhar muito dinheiro dando vários plantões por semana. Com apenas dois plantões de 24 h por semana, um intensivista vai receber entre R$15.000,00 e R$ 20.000,00 por mês (em algumas cidades pode receber até mais do que isso).

Um chefe de UTI pode receber cêrca de R14.000,00 mensais pela chefia e se der mais um plantão de 24 h por semana receberá mais 7.000,00 por mês pelo plantão e ainda poderá receber mais por pacientes que internem na UTI e vc seja designado como médico assistente.

Nesses casos, um chefe de UTI pode ultrapassar os R$ 30.000,00 mensais de rendimentos.

E mais : o mercado de trabalho está carente de profissionais dessa área que tenham o titulo de especialista em terapia intensiva

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Mário Novais

Medicina Generalista

Pergunta : Cláudio ( Universidade Estácio de Sá – RJ )
Vale a pena para o médico generalista abrir um consultório de clínica médica? Os planos de saúde exigem residência em Clínica médica? Obrigado

Resposta :

Embora os médicos generalistas não sejam muito prestigiados em termos de status, o caminho mais simples de se melhorar a saúde de uma população, inclusive com baixo custo, seria pela medicina generalista, dentro de uma organização baseada na hierarquização e regionalização de serviços, focando principalmente na prevenção de doenças.

Vários esforços tem sido feitos no mundo inteiro para se valorizar a medicina generalista, porém a barreira começa pelo próprio estudante de medicina que sempre dá preferencia a aprender e lidar com doentes mais graves.

Do ponto de vista prático, o médico generalista conseguiria resolver mais de 80 % dos problemas que levam um paciente a um atendimento médico em consultório, posto de saúde ou mesmo serviços de emergência.

O Brasil precisa de bons médicos generalistas e esse profissional deve sim ter seu consultório de clinica médica.

No entanto, durante a residência de clínica médica, a maioria dos residentes acabam optando por escolher uma sub especialidade, como cardio, gastro, endócrino, pneumo…; o que não impede que mesmo tendo se sub especializado, ele continue no seu consultório a atender também pacientes de clínica médica.

Os convênios com planos de saúde, cada vez mais difícil de se conseguir, exigem sempre um certificado de especialista, que pode ser o certificado de residência em qualquer especialidade ou o título de especialista fornecido pela AMB em conjunto com a sociedade científica da especialidade.

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Mário Novais

Cardiologia Pediátrica

Bruno ( Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa SP )
Boa Noite Dr. Sou aluno do 6ºano e me encontro em um dilema quanto a residência. Gosto muito de Clínica e Pediatria, porém minha grande paixão é a Cardiologia. Dentro de qual das áreas o senhor acha que terei a melhor qualidade de vida e o melhor rendimento? Gosto da ideia de trabalhar em UTI também, poderia me informar em qual das duas especialidades estaria melhor? E valeria a pena fazer cardiologia/cardiopediatria e trabalhar em UTI’s após? Obrigado pela ajuda desde já e parabéns pelo site!

Resposta :

Embora a profissão e consequentemente a especialidade deva ser vista como um ferramenta de trabalho para se atingir um objetivo maior, que é viver do jeito que se quer, é preciso ter em mente que após formado, vai trabalhar na especialidade por mais cerca de 40 anos e portanto é fundamental que se sinta confortável com seu dia a dia no trabalho.

Gostar de mais de uma especialidade é normal, porém deve escolher apenas uma e tentar analisar em qual delas vai se sentir melhor nos próximos 40 anos.

Na cardiologia terá uma melhor qualidade de vida do que na pediatria e também poderá ser melhor remunerado.

Cardiologia pediátrica é uma especialidade carente de bons profissionais e realmente vc poderá, além de ter um consultório particular, prestar serviço em UTIs pediátricas e neonatais.

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Mário Novais

Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Pergunta : Bruno ( FURB – Blumenau )
Olá Dr! No 4o ano do curso de medicina, comecei a gostar bastante de algumas áreas da ORL e despertei mais interesse por Cirurgia Cérvico-Facial. Qual o melhor caminho: ORL + Cirurgia Cérvico-facial OU Cirurgia geral + Cirurgia Cérvico Facial?

Resposta :

De um modo geral, a especialidade cirurgia de cabeça e e pescoço está ligada aos departamentos de otorrinolaringologia, embora seja uma residência independente.
A residência médica nessa área tem a duração de 2 anos com pré requisito de 2 anos de cirurgia geral. Recentemente passou a ser aceita a residência de otorrino como pré requisito.
Alguns serviços de otorrino também oferecem vagas de “Estágio” para médicos com título de especialista em Otorrinolaringologia que desejem aperfeiçoar sua formação em cirurgia de cabeça e pescoço. Este programa possui 2 (dois) anos de duração e processo seletivo específico
A cirurgia de cabeça e pescoço é uma especialidade ímpar que exige dos cirurgiões que a praticam, sólidos conhecimentos em cirurgia geral, plástica reparadora, cirurgia oncológica e ortopédica. Além disso, o fato do câncer do trato aero-digestório superior representar um percentual significativo das doenças da cabeça e pescoço exige, do especialista nesta área, conhecimentos em oncologia clínica e radioterapia. O intercâmbio com os diferentes especialistas da área médica (em especial, neurocirurgia, otorrinolaringologia, cirurgia plástica, cirurgia do aparelho digestório, bucomaxilofacial, anestesiologia e terapia intensiva) é fundamental para a consecução de bons resultados. Também é de fundamental importância à inter-relação com outros profissionais, em especial a enfermagem, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, fisioterapia, odontologia e prótese bucomaxilofacial.
Os programas de residência nessa especialidade consistem de participação nos ambulatórios específicos, onde além de aprenderem noções básicas sobre o exame otorrinolaringológico completo, principais afecções de cabeça e pescoço, propedêutica, diagnósticos, diagnósticos diferenciais e tratamentos propostos, discutem casos com os preceptores do dia, fazem procedimentos como biópsia, punção, drenagem de abscessos, troca de cânulas de traqueostomia, além de exames complementares como nasofibrolaringoscopia e laringoscopia direta.
Mais frequentemente nessa especialidade vc vai lidar com:
Oncologia cirúrgica de Cabeça e Pescoço. Tratamento de tumores benignos e malignos da glândula tireóide e das glândulas salivares. Sialoendoscopia. Tratamento de tumores congênitos de Cabeça e Pescoço. Tratamento de tumores de pele. Tratamento dos tumores de base de crânio. Cirurgia robótica de tumores de orofaringe
O Mercado é carente de bons profissionais, que precisam ter uma boa habilidade manual e como alguma cirurgias de cabeça e pescoço são também realizadas por neurocirurgiões, cirurgiões bucpmaxilo e otorrinos, o profissional dessa área leva um tempo maior para se estabelecer na especialidade.
A Cirurgia Geral não é uma especialidade muito valorizada no Brasil, até porque a maioria dos médicos termina por se sub-especializar depois da residência em cirurgia geral. O tempo de formação acaba sendo maior e a vida útil do profissional é menor ( a medida que ele vai envelhecendo, a clientela vai preferindo médicos mais jovens ), a remuneração do cirurgião geral é ruim porque a tabela dos convênios é muito baixa e a qualidade de vida é precária.
Se vc optar pela cirurgia, quando estiver fazendo os dois anos obrigatórios de cirurgia geral, vai poder entrar em contato com as várias opções de sub especialidades cirúrgicas e consequentemente fazer uma escolha mais adequada.

Reproduzindo matéria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial:

“A formação em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial é uma possibilidade do médico ORL se diferenciar no competitivo mercado de trabalho atual e ampliar significantemente suas atuações como cirurgião. Atualmente, é a única área dentro da ORL que possibilita ter um título de especialista reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira.

Com a resolução de 2002 do Conselho Federal de Medicina, oficializou-se que no Brasil a Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial é uma área de atuação de três especialidades médicas: Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que atuar em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial é atuar em Otorrinolaringologia. “Não se trata de uma área diferente do resto da ORL, é como trabalhar em Otologia, Rinologia ou Cirurgia de Cabeça e Pescoço”, explica o Dr. Anderson Castelo Branco, coordenador da Comissão de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial da ABORL-CCF. Ele diz que nem todos os centros de formação em Otorrinolaringologia são capazes de oferecer uma adequada formação básica durante o período de residência médica. “Felizmente, dispomos de diversos centros de formação em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial em todo o Brasil, e o melhor, a meu ver, é que o Otorrinolaringologista pode optar por fazer sua capacitação em um centro de Otorrinolaringologia ou de Cirurgia Plástica ou de Cirurgia de Cabeça e Pescoço”, diz Branco. No site da Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial (www.abccmf.org.br) estão disponibilizados os atuais Centros de Treinamento oficiais.”

Concluindo : Se realmente pensa em se especializar em cirurgia de cabeça e pescoço, o caminho pela residência em cirurgia geral e depois residência em cirurgia de cabeça e pescoço me parece que vai te dar um embasamento cirúrgico melhor.

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Mário Novais

UTI para Neurologistas e Anestesistas

Pergunta : Ivo ( FACERES- São José do Rio Preto )
Boa tarde. É possível trabalhar ao mesmo tempo como neurologista e intensivista, ou anestesiologista e intensivista? Grato!

Resposta :

Não é interessante o médico fazer duas especialidades porque os avanços tecnológicos atualmente são muito rápidos e fica difícil se manter atualizado em mais de uma especialidade ao mesmo tempo.

No entanto nada impede que um neurologista ou um anestesista trabalhe também como intensivista dando plantões.

Porém se ele quiser progredir na UTI onde dá plantões e tornar-se, por exemplo, o chefe da UTI, deverá aplicar para o título de especialista em terapia intensiva, fornecido pela AMIB em conjunto com a AMB.

A tendência é que em mais alguns anos seja exigido o título de especialista em terapia intensiva para todos os que estiverem dando plantão numa UTI.

Abaixo informamos as exigências da AMIB para prestar prova para obtenção do título de especialista nessa área em 2018.

DAS INSCRIÇÕES:

  1. Datas e condições:

As inscrições serão aceitas pela AMIB, no período de 16/04/2018 a 02/07/2018. Para se inscrever, o candidato deve conhecer e estar plenamente de acordo com o Edital do Concurso do TEMI/2018. Ao se inscrever, automaticamente se subentende que o candidato tem conhecimento das normas e condições estabelecidas no Edital, que as aceita incondicionalmente, e que não poderá alegar eventual desconhecimento.

Telefone para contatos: (11) 5089-2642. e-mail: titulos@amib.org.br Endereço da sede da AMIB: Rua Arminda, 93 7o andar – Vila Olímpia – São Paulo – SP – CEP 04545-100.

  1. Pré-requisitos para a inscrição:

2.1 CANDIDATOS COM TREINAMENTO ESPECÍFICO EM MEDICINA INTENSIVA EM SERVIÇO CREDENCIADO PELA COMISSÃO NACIONAL DE RESIDÊNCIA MÉDICA – CNRM:

  1. 1.1  Estar formado há pelo menos 4 (quatro) anos até o último dia de inscrição do concurso e apresentar o certificado de conclusão da residência médica (RM) em Medicina Intensiva, fornecido pela CNRM.
  2. 1.2  O certificado de conclusão de RM em Medicina Intensiva no exterior será aceito caso seja validado de acordo com as normas do CNRM (Anexo II).

2.2 CANDIDATOS COM TREINAMENTO ESPECÍFICO EM MEDICINA INTENSIVA EM CENTRO FORMADOR CREDENCIADO PELA AMIB:

  1. 2.1  Estar formado há pelo menos 3 (três) anos até o último dia de inscrição do concurso, com apresentação do certificado de conclusão do Programa de Especialização em Medicina Intensiva (PEMI), emitido, devidamente cadastrado e regularizado pela AMIB.
  2. 2.2  O certificado de conclusão de Especialização em Medicina Intensiva realizada no exterior em Sociedade parceira da AMIB poderá ser aceito, desde que sejam cumpridas as normas estabelecidas no Anexo I do Edital. A análise final compete à Comissão do TEMI.

2.3 CANDIDATO SEM TREINAMENTO ESPECÍFICO EM MEDICINA INTENSIVA, OU SEJA, SEM RM EM MEDICINA INTENSIVA E SEM ESPECIALIZAÇÃO (PEMI/AMIB EM CENTRO FORMADOR OFICIAL):

  1. 3.1  Comprovar experiência profissional caracterizada pela jornada de trabalho de, no mínimo, 20 (vinte) horas semanais como plantonista em UTI, por período de pelo menos 8 (oito) anos, sendo que essa atividade deve ser ininterrupta nos últimos dois anos.
  2. 3.2  O tempo mínimo de experiência profissional deve ser apresentado na Declaração de Tempo de Experiência e é válido até a data da autenticação em cartório.

3.1 Declaração do(a) candidato(a), assinada e AUTENTICADA em cartório, da veracidade de todas as informações apresentadas. Atenção às datas, cargas horárias e cargos e funções administrativas dos signatários das Declarações de Experiência Profissional (se for o caso) e das cópias de certificados e

ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA– AMIB

Rua. Arminda, 93 – 7o andar – Vila Olímpia – São Paulo – 04545-100 Tel. (11) 5089-2642 – www.amib.org.br – titulos@amib.org.br

2018 TEMI EDITAL

2.3.3 É aceita apenas a experiência profissional obtida no território brasileiro. Experiência profissional no exterior não é aceita.

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Mário Novais

Oncologia Clínica ou Infectologia

Pergunta : Jean ( Universidade Estadual Paulista )
Olá, eu sou estudante do sexto ano de medicina e estou em dúvida na escolha da especialidade, entre cancerologia clínica e infectologia, são duas áreas que eu gosto bastante, que lidam com pacientes críticos e possuem uma forte carga emocional na relação médico-paciente. Porém para ajudar na minha escolha, eu gostaria de ter uma comparação direta entre essas duas especialidade, em relação à qualidade de vida, remuneração e mercado de trabalho em cidades de médio e pequeno porte, longe de grandes centros (interior de SP). Desde já, obrigado pela atenção!

Resposta :

Independente de analisar a qualidade de vida e a remuneração possibilitada pela especialidade, é muito importante vc analisar como será o seu cotidiano na especialidade, ou seja como vai se sentir com as patologias com as quis vai lidar.

Algumas informações sobre essas duas especialidades poderão te ajudar na escolha :

O futuro da oncologia clínica é bastante promissor, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista do mercado de trabalho. O oncologista clínico não precisa realizar cirurgias, mas vai precisar trabalhar em equipe, referenciando seus pacientes cirúrgicos, assim como os que necessitem de radioterapia.
Embora ele não seja obrigado a realizar quimioterapias em sua clínica, a QT pode ser uma boa fonte de renda, embora muitos planos de saúde estejam criando seus próprios serviços ( principalmente em grandes centros); o que diminui o mercado para oncologistas empreendedores.
Existem vários pagamentos para a quimioterapia, dependendo do tipo. Nos tratamentos normalmente existe uma remuneração pela sessão inicial e depois separadamente pagamentos pelas seções subsequentes.
Uma quimioterapia intra tecal, por exemplo, tem uma remuneração bem melhor. Independente do procedimento médico, as clínicas de QT faturam bastante lucro com a medicação utilizada e as sessões são relativamente curtas permitindo um atendimento de muitos pacientes num mesmo turno de trabalho.
A oncologia é uma das especialidades que mais vai ser beneficiada com a nanotecnologia e com utilização de nano cápsulas e nano cristais. Alguns tratamentos com essa tecnologia já estão sendo empregados.
Um resumo geral da especialidade vai abaixo :
A oncologia é uma das especialidades que mais tem evoluído nos últimos tempos, já que muitos tipos de câncer passaram a ser tratados com bastante sucesso.
A clientela do oncologista (cancerologista clínico) vem aumentando bastante com a valorização  da importância que se tem dado ao diagnóstico precoce dos vários tipos de câncer, através de exames preventivos de rotina, como colonoscopia, mamografia, preventivo de câncer de colo uterino e de próstata, além da preocupação atual com o câncer de pele. A detecção destas patologias em estágio inicial faz com que a oncologia seja uma boa opção do ponto de vista mercadológico.
Como aspecto negativo para a oncologia, vale a pena ressaltar que é considerada uma especialidade “triste”, pelo tipo de paciente com que lida e com muitas patologias de mal prognóstico. Conviver com a morte de pacientes e com cuidados com pacientes terminais exige do profissional uma estrutura pessoal forte e nem todos conseguem lidar bem com isso.
A qualidade de vida do profissional é razoável, os ganhos financeiros são bons e o mercado é carente de bons profissionais.
O programa de residência médica em cancerologia clinica tem a duração de 3 anos, sendo exigido como pré requisito a residência em clinica médica.
No site da sociedade brasileira de oncologia clinica (www.sboc.org.br) vc pode encontrar mais informações sobre os serviços credenciados e sobre as competências exigidas para o profissional dessa área.

Atualmente as exigências técnicas são grandes para se abrir um clínica de oncologia com tratamentos no local. Veja abaixo as recomendações da Anvisa.:

Brasília, 14 de outubro de 2004 – 18h
Anvisa estabelece regras para quimioterapia
Estabelecimentos públicos e privados do país que realizam tratamento de quimioterapia terão um ano para adequar-se ao primeiro Regulamento Técnico de Funcionamento dos Serviços de Terapia Antineoplásica, que consta na Resolução RDC nº 220, de 21 de setembro de 2004.
A resolução estabelece requisitos mínimos para o funcionamento dos serviços e normatiza o preparo e a administração dos medicamentos utilizados, bem como aspectos referentes às instalações físicas, aos materiais, aos equipamentos de proteção individual e coletiva, às questões de biossegurança e aos recursos humanos para minimizar riscos aos usuários e profissionais de saúde envolvidos.
A partir da regulamentação, os estabelecimentos de saúde deverão manter um local centralizado para o preparo desses medicamentos, em área restrita e exclusiva, dotada de cabine de segurança biológica. E o profissional de saúde deverá fazer uso de equipamentos de proteção individual. Até então esses procedimentos não estavam regulamentados.
Redução dos riscos – No conjunto de normas há ainda recomendações quanto aos cuidados com fluidos corpóreos dos pacientes e especificação dos itens do kit derramamento, composto por substâncias que devem ser utilizadas para inativação do medicamento em casos de acidente pessoal ou ambiental, entre outras recomendações.
Os antineoplásicos são considerados medicamentos de risco, que podem causar genotoxicidade (mutação genética), carcinogenicidade (câncer) e teratogenicidade (má-formação fetal). Daí a grande necessidade de regulamentação.
O regulamento foi elaborado por técnicos da Anvisa e de entidades representativas da área, entre janeiro e setembro de 2003. Durante o processo de consulta pública, aberto em novembro do mesmo ano, foram recebidas 52 contribuições de clínicas, hospitais, profissionais autônomos e instituições como o Instituto Nacional de Câncer (Inca), vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, conselhos regionais de Farmácia (CRF), conselhos regionais de Enfermagem (COREN) e da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF), entre outros.
Atualmente, cerca de 100 mil pacientes passam por tratamento quimioterápico no Sistema Único de Saúde (SUS), que é responsável por 90% da cobertura no país e atendeu mais de 1,3 milhão de pessoas nesse tipo de procedimento no ano passado.
O descumprimento das determinações constitui infração de natureza sanitária, sujeitando o infrator a processo e penalidades previstas na Lei Federal 6.437.Como oncologista clínico, não fazendo QT no consultório, o mercado ainda é bom.

A infectologia foi uma das especialidades que mais progrediu em termos de status nos últimos anos. Anteriormente rotulada como especIalidade que tratava somente de doenças raras e crônicas como esquistossomose , calazar e doença de chagas, com o aparecimento da AIDS e novas doenças como Influenza H1N1 evoluiu para um aumento significativo da clientela.
Além disso, desde a morte do presidente Tancredo Neves, vitima de infecção hospitalar, passou a ser exigido dos hospitais a criação das comissões de controle de infecção hospitalar com normas rígidas de funcionamento, abrindo um mercado interessante em termos de consultoria para os profissionais dessa especialidade.
O mercado ainda é carente de profissionais, tanto na área de consultórios como nas solicitações de pareceres em pacientes internados em aptos, enfermarias e unidades de tratamento intensivo.
Esse é o principal mercado em cidades grandes ( consultórios próprios que até independem de convênios porque lida com casos especiais, centros de saúde, pareceres em pacientes internados com infecções resistentes e consultoria na organização e acompanhamento de CCIHs )
No momento, a epidemia de Dengue, Zica, Chicunguia e febre amarela em varias cidades tb estimula o mercado de infectologia.
Em cidades do norte do Brasil, o controle de doenças como febre amarela e malária tb é um mercado promissor para esses especialistas na área de saúde publica principalmente.
Pela AIDS, pelas novas doenças infecciosas que vão continuar aparecendo periodicamente, pelas CCIHs e pelo consequente aumento rápido da clientela, a DIP passou a ser uma das melhores especialidades do momento.

O especialista nessa área pode ter contrato com mais de um hospital como responsável pela CCIH, dar pareceres em pacientes internados e ainda ter seu próprio consultório.
A qualidade de vida é boa e a remuneração também.

 

Concluindo : as duas especialidades podem ser consideradas tristes pelos tipos de doenças com as quais lida e embora as duas venham recebendo novos e melhores tratamentos, ainda lidam com pacientes sem cura.

A qualidade de vida das duas especialidades é semelhante. O Mercado de trabalho para a oncologia é maior. A remuneração também é semelhante.

Sucesso

Mário Novais