outubro 2018 – Widoctor

Archive outubro 2018

Humildade no Ato Médico

Humildade no Ato Médico

 

O dicionário da língua portuguesa define humildade como sendo a “qualidade de quem age com simplicidade, característica de pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba”. Dessa forma, a humildade é um sentimento extremamente relevante para o médico, que o faz reconhecer suas próprias limitações, com modéstia e ausência de orgulho. Mas a questão é: qual motivo faz com que essa característica seja extremamente importante para se ter uma carreira médica bem sucedida? Podemos elencar, na verdade, três vertentes principais que podem ser abordadas quando se fala de tal traço: impactos para os pacientes, para a equipe de trabalho e para a carreira.

O mais importante aforismo de Hipócrates postula “primeiro, não causar dano”. Para isso, o médico deve ter em mente que possui restrições na atuação, humildade ao lidar com os pacientes. Sua prepotência pode causar inúmeros danos à saúde daqueles que se submeteram a seus cuidados. O bom médico deve estar sempre disposto a mudar de acordo com o que for melhor para o paciente, seja quando se trata de técnicas cirúrgicas, seja para delineamento de condutas terapêuticas e atualização do conhecimento cientifico que, principalmente na área da saúde, tende a acontecer de maneira cada vez mais veloz. Além disso, o sentimento em questão traz o médico a uma realidade de horizontalidade, onde o paciente está exatamente em seu nível, não inferiorizado pela situação de vulnerabilidade por suas debilidades físicas enquanto o médico, em posição superior, detém o conhecimento para lidar com a doença. Essa situação tende a produzir um atendimento mais humano, atento, enxergando o paciente sob várias perspectivas que não somente a de um “organismo doente que necessita de reparo”.

A humildade também é extremamente necessária quando se trata da convivência do médico com os outros profissionais. Segundo o filósofo chinês Confúcio, “a humildade é a única base sólida para todas as virtudes”. Quando se trata de relacionamento médico com sua equipe, virtudes estão fortemente relacionadas à boa convivência e, portanto, com produtividade e eficiência, o que se prova verdade num mundo progressivamente mais conectado em que a multidisciplinaridade é grandemente difundida e praticada. Nesse sentido, nenhum médico é detentor da verdade absoluta e do conhecimento pleno, sendo profícuos a discussão de casos com os colegas, a troca de opiniões e o pedido de ajuda quando o benefício do paciente o requer. Colocar a vaidade profissional acima da atenção ao paciente causa deformação no bom agir médico. É preciso estar disposto a retificar a opinião, uma atitude que não supõe nenhum demérito, mas sim a procura humilde, com consciência de missão, do bem estar do paciente.

Quando se busca uma carreira bem sucedida, a humildade vem, novamente, ocupando lugar de grande importância para a construção de um profissional de excelência. Pelas palavras de Mario Sergio Cortella, “a humildade é a habilidade de reconhecer que ainda há o que aprender, que não se atingiu o ponto máximo de crescimento”. Nesse caso, o médico que deseja fazer crescer e prosperar a carreira não pode portar a impressão de que já obteve todo o conhecimento e que já realizou todas as ações possíveis para alcançar seus objetivos, mas ter a sensibilidade de perceber que há sempre algo inédito para buscar, inovações que o diferenciarão de outros profissionais e o tornarão acima das expectativas do mercado.

De Hipócrates e Confúcio a Mario Sergio Cortella, a visão de que a humildade é extremamente eficaz na construção de um profissional/cidadão brilhante é convergente. Assim, o médico, que desfruta de grande status social pelo simples fato de ser médico, deve cuidar para que a arrogância, a prepotência e a soberba não ofusquem sua missão ao cuidar dos pacientes, ao lidar com os parceiros de equipe e ao planejar e construir sua carreira.

Referências:

https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/viriato-moura/exercicio-da-medicina-humildade-e-preciso

https://www.prospectivedoctor.com/humility-role-medicine/

https://www.dicio.com.br/humildade/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0738081X12002659

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2917943/

Teste Vocacional Para Escolha da Especialidade Médica

Pergunta : Joaquim ( Universidade Federal do Maranhão )
Dr. o tema do meu TCC é relacionado a escolha de residência médica por estudantes de medicina, gosto muito do seu questionário do teste vocacional. Eu queria saber se ele é validado

Resposta :

A partir de um trabalho feito originalmente nos EUA, que nós adaptamos para o Brasil, foi pesquisada a opinião de médicos de diferentes especialidades, onde eles mesmo deram notas em relação a algumas características de suas especialidades.
O teste foi montado em cima disso, com um tratamento matemático onde comparamos a importância que você daria para cada um desses itens (ex. ganhos financeiros, tempo livre, status etc.) com as opiniões dos especialistas que participaram da pesquisa.
Quanto maior for a semelhança entre suas notas e as notas dadas por aqueles especialistas, mais próximo você está daquela especialidade. Assim, não existe gabarito para o teste, mas sim uma comparação de prioridades.

O teste vocacional do nosso site é o único teste disponível no Brasil e já foi aplicado em mais de 50.000 situações através do próprio site.

Infelizmente ainda estamos buscando uma forma de validar o teste pois não temos como ter certeza da satisfação ou do sucesso dos profissionais dentro das especialidades escolhidas através do teste.

Talvez fosse interessante que o seu TCC fosse exatamente sobre a validação do teste e ai poderíamos te ajudar a montar esse projeto.

Sucesso

Mário Novais

Currículo para Estágios Internacionais

Currículo para Estágios Internacionais

Não é segredo que todas as seleções para estágios internacionais cobram um currículo do candidato feito em inglês. Se enganam, contudo, os que acham que o documento solicitado pelas escolas médicas em outros países deve ser apenas a tradução do currículo utilizado rotineiramente em nosso país.

No intuito de esclarecer os principais pontos normalmente requisitados pela grandes escolas médicas mundiais aos candidatos a estágios e outros treinamentos esse post foi criado.

Pontos principais:

A) Informações essenciais ao respeito do candidato:

Full Name:

Nationality:

Age:

Birth information:

Adress:

Telephone number:

Email:

B) Informações Acadêmicas:

University:

Medical School Year:

Languages: – Portuguese – Native/Basic/Intermediate/Advanced
– English – Native/Basic/Intermediate/Advanced
– Spanish – Native/Basic/Intermediate/Advanced
– French – Native/Basic/Intermediate/Advanced
– Others…

C) Resumo de qualidades:

Abordar nessa etapa informações relacionadas à sua graduação e a sua proficiência em línguas.

(Summary of Qualification)

D) Experiência:

Aqui devem constar informações sobre sua experiência profissional tais como Monitorias voluntárias ou bolsistas já realizadas.

Example :

Teaching Assistant: Neuroanatomy (2016-2017)

E) Qualificações e Atividades Acadêmicas:

Informações referentes à atividades já realizadas ao longo de sua graduação, como Estágios, Workshops, Ligas Acadêmicas, Projetos de Iniciação Científica, Organização e/ou Participação em grandes eventos científicos entre outras ações de relevância devem ser descritos abaixo.

Exemplo:
Activity 1 –
UFRJ Surgery Academic League – Scientific Director – 2018

F) Serviços Comunitários

Nessa parte pode ser incluído algum trabalho voluntário, participação de campanhas ou projetos ligados à área médica.

Exemplo:
Activity 1 –
 Nucleus “Save one Life” of Brazilian Society of Anesthesiology – Instructor – 2016

G) Informações Adicionais

Incluir nessa área opcionalmente quaisquer outras informações relevantes a seu respeito, como interesse em esportes, músicas, teatro, social entre outros.

H) Referências

Indicações ou recomendações a respeito do candidato que sejam de relevância para os avaliadores da Universidade/Hospital no exterior.

———————

Por fim, selecionamos um documento em anexo genérico para ser utilizado por qualquer estudante interessado em intercâmbios internacionais.

Curriculum Vitae

Fonte: Jornal O Globo

 

Insônia em profissionais de saúde

Insônia em profissionais de saúde

A insônia pode se manifestar de três formas: ou como uma dificuldade de se adormecer (insônia inicial), ou como uma dificuldade se permanecer dormindo (insônia intermediária), ou através de um despertar precoce, impedindo a pessoa de voltar a dormir (insônia terminal). Em determinados momentos da vida, muitos adultos vivenciam períodos curtos de insônia, não necessitando, na maior parte das vezes, de intervenção médica. Esses episódios geralmente estão associados a situações de maior estresse ou a eventos traumáticos.

Quando este transtorno se torna crônico, dificultando o funcionamento diário do indivíduo, torna-se necessário uma avaliação pelo médico. Tal avaliação é necessária, pois a insônia pode ser tanto um transtorno primário, quanto estar associado a outras condições médicas. Doenças clínicas (ex: hipertireoidismo), transtornos psiquiátricos (ex: depressão) e uso de medicamentos (ex: anti-hipertensivos) são alguns exemplos que podem causar alterações de sono secundárias.

Um estudo recente realizado na Coréia evidenciou que profissionais de saúde possuem uma prevalência duas vezes maior de transtornos do sono do que outras profissões. Este e outros estudos sustentam a hipótese de que as alterações de sono são mais comuns nessa população. Um dos fatores principais atribuídos a isto é a necessidade da realização de plantões e turnos noturnos.

Sintomas decorrentes da privação de sono, como fatigabilidade, irritabilidade e desatenção são mais prevalentes nesses profissionais que trabalham em plantões diurnos e noturnos. Tal fato ocasiona redução da eficiência laboral e aumento do risco de acidentes de trabalho. Soma-se a isto outras complicações mais tardias, como aumento de pressão arterial, doenças cardiovasculares e outros transtornos psiquiátricos.

Devido a isto, é de extrema importância que algumas atividades preventivas sejam realizadas para melhorar a qualidade de vida dos funcionários que trabalham em horários noturnos. Existem atualmente guidelines com este intuito, abordando desde questões estruturais do local de trabalho (ex: iluminação, som), até atividades de adaptação e organização dos turnos noturnos. Junto a isto é necessário que hajam screenings periódicos para transtornos mentais, além de workshops e sessões informativas com o intuito de reconhecer e manejar determinados sintomas que possam advir de situações de estresse crônico.

 

Referências:

YAZDI, Z.; et al. Prevalence of sleep disorders and their impacts on occupational performance: a comparison between shift workers and nonshift workers. Sleep Disorders. Vol 2014, article ID 870320

BAJRAKTAROV, S.; et al. Main effects of sleep disorders related to shift work – opportunities for preventive programs. EPMA J. 2011 Dec; 2(4): 365-370

KIM, M.S.; et al. Mental disorders among workers in the healthcare industry: 2014 national health insurance data. Ann. Occup. Environ. Med. 2018; 30: 31

MAYO CLINICAL STAFF. Insomnia. Disponível em: < https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/insomnia/symptoms-causes/syc-20355167>. Acesso em 14 de outubro de 2018

Otorrinolaringologia ou Medicina Legal

Pergunta : Lucas ( Faculdade de Medicina de Marília )
Bom dia! Gostaria de parabenizá-lo pelo site, que é excelente. Tenho muitas dúvidas a respeito de uma escolha. Irei prestar otorrino, mas tenho interesse também em Medicina Legal, e como só há residência na USP, pensei em prestar Med Legal lá! Porém, tenho receio de não ter um contato mais amplo com essa área, e acabar escolhendo ela mais pelo imaginário que ela proporciona do que talvez pela rotina em si. Não tenho tantos contatos com pessoas que fazem, e por isso não consigo saber exatamente como é a realidade. Você saberia melhor como funciona? Desde a rotina até salários, qualidade de vida e possibilidade de trabalhar no interior/litoral? As vezes me pego no receio de estar escolhendo pela remuneração/qualidade sem ter aquela certeza de como funciona realmente na pratica, abdicando de prestar otorrino (que me interesso muito também) na USP. Obrigado e otimo dia!

Resposta :

É comum nessa fase da vida na faculdade, o aluno ficar em grande dúvida porque gosta de mais de uma especialidade.

São 54 especialidades médicas, portanto é lógico que se possa identificar com várias. No entanto tem que escolher apenas uma e parar de olhar pra trás, pensando se deveria ter escolhido outra qualquer.

A analise para escolha deve ser feita de forma bem, racional avaliando-se a qualidade de vida que a especialidade vai te permitir, a remuneração própria da especialidade e acima de tudo como vai ser o seu dia a dia naquela especialidade, ou seja com que patologias vai lidar diariamente.

Comparando as duas especialidades apontadas por vc, a otorrino é melhor especialidade que a medicina legal, mas vc precisa conhecer bem as duas para fazer uma boa escolha.

Otorrinolaringologia :

A otorrino é uma das melhores especialidades.

Otorrinolaringologia é uma especialidade médica originalmente predisposta ao estudo das doenças do ouvido do nariz e da garganta.
A importância dessas três áreas e suas interligações com as rmais diversas regiões da cabeça e do pescoço vêm determinando que a abrangência de atuação desse profissional seja cada vez maior.
Isso significa também o envolvimento com os distúrbios respiratórios do sono, roncos e apnéias, com  a prevenção de alterações crânio maxilofaciais, com o manejo das fraturas faciais, com os tumores da base do crânio junto com a neurocirurgia, com  os distúrbios da deglutição, das glândulas salivares e estética facial.
Do ponto de vista prático, trata-se de uma profissão muito dinâmica com atuação clinica e cirúrgica pra doenças muito prevalentes e com elevado impacto na qualidade de vida dos indivíduos nas diferentes populações.
Esse impacto é facilmente compreendido na medida que estamos falando de áreas cujas patologias comprometem funções que nos diferenciam como seres humanos:

·       a comunicação: tanto pela aquisição e desenvolvimento da linguagem através da audição;

·       a incapacidade de verbalizar tal linguagem através da voz ;

·       e ainda pelo olfato e respiração apropriados.

Vejamos de forma sucinta as regiões de interesse à otorrinolaringologia :
Em um corte sagital da cabeça e do pescoço é possível visualizar o perfil da face, as fossas nasais e seios paranasais com seus limites com o sistema nervoso central,
a boca, língua e dentes. Também a rinofaringe, orofaringe, hipofaringe, com alguns componentes linfáticos do anel de waldeyer e a laringe e os seios piriformes.
No outro modelo, somente o aparelho auditivo, incluindo seus seguimentos externo, médio e interno além da comunicação com a rinofaringe através da tuba auditiva até o torus tubário.
Sempre permeado pela função de promover melhor qualidade de vida aos pacientes, o estudo do ouvido, nariz e garganta, é um desafio e uma fonte ininterrupta de pesquisa e aprendizado para as quais esperamos ter despertado a sua atenção com o vídeo.

Apesar dos procedimentos cirúrgicos serem mal remunerados pelos convênios (exceção feita às cirurgias de ouvido interno), é grande a relação de possíveis procedimentos diagnósticos ou terapêuticos na otorrino, o que pode agregar bastante valor ao preço das consultas.
A área de atuação da otorrino abrange cerca de 20 procedimentos diagnósticos e mais de 60 procedimentos cirúrgicos (ver tabela AMB).
É importante para qualquer especialista o encaminhamento feito por outros colegas, mas uma grande parte da clientela do otorrino vem diretamente em função do boca-a-boca de um cliente para outro.
O envelhecimento da população facilita consideravelmente a incidência de deficiências auditivas (o Brasil tem cerca de 4 milhões de deficientes auditivos). Mais de 60 % da população apresenta desvio de septo nasal. É muito grande a frequência de rinites alérgicas. Consequentemente esses fatos permitem um aumento rápido da clientela do otorrino
Além disso, a qualidade de vida desse profissional é boa porque a maior parte das cirurgias é eletiva.
A qualidade de vida nessas duas especialidades é boa  e a remuneração de ambas também é muito boa.
É difícil comparar a remuneração das duas pois existem vários fatores que interferem, como tempo de formado, formação médica, círculo de relacionamentos do profissional, cidade onde se está praticando, resultados dos tratamentos, concorrência local e acima de tudo do marketing que utilizar para alavancar a especialidade.
Procedimentos da especialidade ( otorrino ) :

·       Audiometria comportamental

·       Audiometria de tronco cerebral ( BERA )

·       Audiometria tonal e vocal

·       Avaliação do Processamento Auditivo Central

·       BERA – Potenciais Auditivos de Tronco Encefálico

·       Eletrococleografia

·       Emissão Otoacústica (Teste da Orelhinha)

·       Exames laboratoriais

·       Impedanciometria

·       Otocalorimetria a Ar

·       Polissonografia

·       Polissonografia da Noite Inteira

·       Polissonografia com CEPAP

·       Polissonografia – Incluindo Split Night

·       Teste e adptação de aparelho auditivo( Hi-pro e ganho de inserção )

·       Teste de Deglutição

·       Teste de Latências Múltiplas do Sono (TLMS)

·       Unidade de Estimulação Precoce

·       Vectonistagmografia

·       Vectoeletronistagmografia Digital

·       Vídeo Frenzel

·       Vídeo Nasofibroscopia Flexível

·       Vídeofaringolaringoscopia

·       Videoestroboscopia laríngea

Medicina Legal

A Medicina Legal é vista como especialidade que “cuida de cadáveres”. Entretanto, seu campo é muito mais amplo: ela auxilia a ciência das normas, o Direito, aplicando conhecimentos médico-biológicos, para que a sociedade consiga atingir um bem maior: a justiça. Na prática cotidiana, o especialista em Medicina Legal utiliza a ciência médica para esclarecer fatos que interessam em um processo judicial ou administrativo. Para tanto, ele lança mão de conhecimentos de toda a Medicina, extrapolando, às vezes, para outras áreas das ciências biológicas. Sua área de atuação são as perícias médicas de qualquer natureza, que se constituem em elementos de prova fundamentais quando as normas (penais, civis, administrativas etc) exigem conhecimentos médicos para serem executadas. A formação de um perito médico exige, além de conhecimentos médicos e de adequadas noções de Direito, o aprendizado e o domínio de critérios específicos, que estabelecem a ligação entre os parâmetros médicos e os jurídicos. No Brasil essa formação é deficiente e deformada. O Programa de Residência Médica em Medicina Legal tem como principal objetivo formar profissionais capazes de atuarem nos diversos segmentos que compõe a Medicina Legal, visando resolver problemas da justiça na esfera pericial, como mostra o presente artigo ( informações fornecidas pelo site da Faculdade de Medicina da USP –artigo do dr Dr.Daniel Munoz- titular de Medicina Legal da USP.)

A especialidade é realmente “pesada “, tanto do ponto de vista técnico porque exige grandes conhecimentos de várias áreas da medicina como clinica, cirurgia, ortopedia, neurologia, anatomia, fisiologia…, como também exige profundos conhecimentos da área jurídica. É uma especialidade onde se lida muito com a burocracia, processos volumosos, trabalhos periciais, processos indenizatórios que podem influir fortemente em futuros de famílias inteiras…

Na variada temática objeto da Medicina Legal, pode-se traduzir sua divisão, da seguinte forma:

Antropologia forense – Procede ao estudo da identidade e identificação, como a datiloscopia, papiloscopia, irologia, exame de DNA, etc., estabelecendo critérios para a determinação indubitável e individualizada da identidade de um esqueleto ;

Traumatologia forense – Estudo das lesões e suas causas;

Asfixiologia forense – analisa as formas acidentais ou criminosas, homicídios e autocídios, das asfixias, sob o prisma médico e jurídico (esganadura, estrangulamento, afogamento, soterramento, etc.);

Sexologia forense – Trata da Erotologia, Himenologia e Obstetrícia forense, analisando a sexualidade em seu tríplice aspecto quanto aos efeitos sociais: normalidade, patológico e criminológico;

Tanatologia – Estudo da morte e do morto;

Toxicologia – Estudo das substâncias cáusticas, venenosas e tóxicas, efeitos das mesmas nos organismos. Constitui especialidade própria da Medicina, dada sua evolução.

Psicologia e Psiquiatria forenses – Estudo da vontade, das doenças mentais. Graças a elas determina-se a vontade, as capacidades civil e penal;

Polícia científica – atua na investigação criminal.

Além disso existem ainda as necrópsias, que nem todos os médicos têm facilidade para lidar com elas ( nem todos especialistas em medicina legal são obrigados a fazê-las ). É uma especialidade triste e complexa e o status desses profissionais deixa a desejar. Existe mesmo um preconceito da população em relação aos legistas ( a maioria das mães não gostaria de ver seus filhos casados com uma médica legista; prefeririam que eles casassem com um clínico, um pediatra ou um cirurgião ).

Por outro lado, o mercado de trabalho é bastante bom, desde que vc tenha um bom relacionamento no meio jurídico para que possa ser indicada com frequência para atuar como perita do juiz ou mesmo perita assistente das partes envolvidas em um processo.

Uma pericia simples como de uma lesão corporal média em um acidente automobilístico ( que o perito não vai gastar mais de 2 horas para confeccionar o laudo ) pode render ao perito cerca de R$ 5.000,00, mas uma perícia grande, tipo a de um homicídio, pode render honorários acima de R$ 50.000,00.

A residência médica em Medicina Legal e Perícia tem a duração de 3 anos e são oferecidas em poucos serviços e com um número reduzido de vagas.

Sucesso

Mário Novais

 

Anestesiologia : Mercado Competitivo

Pergunta : Renato ( Universidade Estácio de Sá – RJ )
Bom dia, Dr. Estou terminando a faculdade e penso em anestesiologia, gostaria de esclarecer 3 pontos. Primeiramente, sobre a saturação no mercado principalmente no RJ, ouço falar que muita gente está fazendo anestesio e tenho receio da competição ser muito grande. Segundo, ao longo da residência, já ocorre de ser chamado para realizar anestesia em cirurgias eletivas por fora para ganhar um dinheiro extra? se sim, o preço cobrado poderia ser o comercial mesmo ainda não sendo formado? . Por último, com o medo do mercado competitivo, eu já ouvi falar sobre alguns “grupos de anestesistas” como se fosse uma “empresa” ou “colegiado” de anestesia que acaba se vinculando a cirurgiões e fazendo rodízio entre eles ao longo das cirurgias, pode me explicar como isso funciona e como faz para entrar nesses grupos? se o pagamento seria mensal ou seria um percentual de cada anestesia. Obrigado! e parabéns pelo belo site

Resposta :

O mercado da Medicina em geral é mesmo competitivo para qualquer especialidade.

Mercados competitivos exigem boa formação profissional para disputar o mercado.

Não se deve ter medo da concorrência, mas sim se preparar tecnicamente para a disputa e se fizer isso com um bom marketing não deve ter receio.

A escolha da especialidade é fundamental que seja bem feita, porque vai trabalhar nela por muitos anos.

A anestesiologia é uma boa especialidade em termos de remuneração e mesmo inserção no mercado de trabalho, porém, com certeza, perde em qualidade de vida.
É muito importante, na escolha da especialidade, se analisar 3 aspectos : a qualidade de vida que se vai ter, a remuneração e acima de tudo se o candidato vai se sentir confortável com o dia a dia da especialidade.
Muitos estudantes ao se formar analisam apenas a possibilidade de remuneração na especialidade escolhida, e depois se arrependem porque não se adaptam ao cotidiano da especialidade e à qualidade de vida que vai ter.
Isso tem levado muitos recém formandos a optar pela anestesiologia.
Em relação à inserção no mercado de trabalho, não deveria se preocupar porque durante a própria residência seu staff vai te ajudando nisso.
Como todo inicio em qualquer especialidade, pode ser um pouco difícil a colocação dentro de uma equipe de anestesia e vc estará no final da lista do grupo, ralando mais do que os demais membros do grupo e tendo que participar das cirurgias mais chatas e de menor remuneração . Porém com o tempo vc irá se fortalecendo dentro do grupo e subindo na hierarquia, até conseguir priorizar as cirurgias eletivas.
Evidente que fazer um bom network ajudará bastante, principalmente com seus colegas de turma que optarem pelas especialidades cirúrgicas.

Os grupos de anestesistas representam uma maneira de se ter uma melhor qualidade de vida na especialidade e ao mesmo tempo se poder atender a um número maior de cirurgiões. Ë bastante útil e durante a residência mesmo vc já vai ter oportunidade de entrar em algum grupo desses.

Existem várias maneiras de se repartir o dinheiro em grupos de anestesia. Alguns funcionam como caixa única e no final do mês se divide o arrecadado de acordo com a produtividade de cada um. Porém a maioria dos grupos funciona com cada anestesista recebendo o valor integral da própria cirurgia que houver feito.

Sucesso

Mário Novais

Vale a Pena Ser Médico em Portugal?

Vale a Pena Ser Médico em Portugal?

A medicina é uma profissão extremamente valorizada na maior parte dos países. Há, atualmente, uma tendência de brasileiros buscando construir uma carreira médica em Portugal. Pensando nisso, a dúvida que paira no ar é: vale a pena trocar a prática médica do Brasil pela de Portugal?

Depende. Alguns aspectos devem ser avaliados para definir essa troca como vantajosa ou não. Por exemplo, se o profissional busca reconhecimento e valorização financeira, a mudança de país provavelmente não será positiva. No Brasil os médicos recebem, de modo geral, mais que em Portugal. No entanto, se a busca é por uma relativa (deve-se levar em consideração também a estrutura que o médico tem para trabalhar) melhor qualidade de vida, estar submetido a um Estado que fornece melhor retorno dos impostos pagos pela população através de políticas eficientes de distribuição de renda, educação e saúde públicas, a mudança pode ser profícua.

Mas nem só de critérios pessoais se baseia a decisão. Entender como é a dinâmica da medicina do lugar e suas características é relevante também. Dessa forma, o país conta com cerca de 49 mil médicos para uma população de pouco mais de 10 milhões de habitantes. Destes profissionais, aproximadamente 30 mil trabalham no serviço público de saúde. No entanto, o número não é suficiente, faltam médicos de família para atender em centros de saúde, assim como algumas especialidades dependendo da cidade.

Sobre isso, dados do Diário da República de Portugal apontam que as especialidades médicas em que faltam profissionais são:

-Psiquiatria

-Urologia

-Pediatria

-Ortopedia

-Cardiologia

-Cirurgia Geral

-Medicina Interna

-Ginecologia Obstetrícia

Quanto à prática médica, para exercer a profissão em Portugal, é necessário validar o diploma do curso superior e fazer provas que podem variar de acordo com o histórico e ementa curricular do candidato. No que diz respeito à residência, o ideal é ir ao país ibérico com uma experiência superior a 3 anos e com residência médica concluída – no país o tempo de residência é de 5 a 7 anos.

O primeiro passo para a validação é escolher uma universidade portuguesa. As universidades de Lisboa, do Porto e Coimbra são as mais conceituadas nesse quesito. Os documentos devem ser apostilados, seguindo o protocolo da Apostila de Haia, nos cartórios autorizados (link para processo completo para validação do diploma em Portugal https://www.eurodicas.com.br/validar-diploma-em-portugal/ ). Após a entrega dos documentos na universidade (pessoalmente ou por procuração), é necessário a equivalência. Para isso, é requisitado apresentação oral, dissertação em monografia ou relatório curricular. A nota mínima necessária na banca é 10 (de 20).

Após a equivalência do diploma na universidade, é necessário pagar a taxa da Ordem dos Médicos de Portugal, cerca de 220 euros. Quem possui mais de 3 anos de atividade pode pedir a autonomia de trabalho como médico.

Posterior à validação, exercer a profissão já é possível a quem tem cidadania portuguesa. O imigrante brasileiro sem cidadania deve solicitar o pedido de visto de trabalho no consulado de Portugal no Brasil. O pedido leva cerca de 30 dias para ser analisado. O tempo total de validação até a aptidão ao trabalho pode levar cerca de 13 meses.

Aspecto importante também é o rendimento financeiro. O salário do médico em Portugal, em início de carreira, fica em torno de 2.700 euros por 40 horas semanais no serviço público. No setor privado, os salários podem ultrapassar os 4.ooo euros. Os valores variam de acordo com o tempo de experiência e a especialidade escolhida. Vale lembrar que o serviço público de saúde no país é melhor que a rede privada.

Por fim, tendo esses pontos em mente e analisando o próprio perfil profissional e aspirações de vida, pode-se fazer a escolha acertada quanto a sair ou não do Brasil rumo a Portugal para construir a carreira. Qualquer que seja a escolha, exercer uma medicina de qualidade, de técnica elevada , eficiente e humana é primordial para o sucesso do médico e bem estar do paciente.

Referências:

https://www.eurodicas.com.br/medico-em-portugal/

https://www.eurodicas.com.br/validar-diploma-em-portugal/

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/07/numero-de-medicos-brasileiros-em-portugal-cresce-e-deve-ser-recorde-em-2018.shtml

Especialidade Emergência Médica

Pergunta : Yago ( Multivix – Vitória – ES )
Olá, gostaria de saber qual sua opinião sobre a Residência de Medicina de Emergência, uma novidade em nosso país. Qual a expectativa de mercado nos próximos anos? Vantagens e desvantagens? Estava decido em fazer Clinica médica e cardiologia, mas vejo o mercado cada vez mais saturado, algo novo em uma área que gosto possa ser interessante. Obrigado e parabéns pelo belo trabalho do site.

Resposta :

A especialidade emergência recém foi reconhecida pelo CFM como especialidade médica e os programas ainda estão em organização, mas de um modo geral são baseados em alguns já existentes, como esse abaixo da UNIFESP :
O Programa foi credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica em 26/01/2016 sob o nº de Parecer 274/2016, iniciará com 9 vagas para acesso direto. O objetivo da residência é formar médicos para atender as principais emergências médicas, O programa será de 3 anos onde ele passará por diversos estágios, como: Emergências Clínicas, Cirúrgicas, Cardiológicas, Psiquiátricas, Neurológicas, Ortopédicas, ginecológicas e Obstétricas, estágio de Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Terapia Intensiva, Cuidados Paliativos, Simulação, Gestão em Saúde, Atendimento Pré-Hospitalar, Regulação do sistema de emergência, Centro de Toxicologia e Optativos.
O Programa de Residência terá um programa teórico com formação em medicina baseada em evidências com curso de simulação realística, ensinamentos de emergências, curso de ultrassonografia em emergências. Além disso, o aluno terá a possibilidade de ingressar no Mestrado Profissional Associada à Residência Médica – MEPAREM.

Como a emergência somente foi reconhecida como especialidade médica bem recentemente e por isso o mercado de trabalho ainda não beneficia os que optarem por essa especialidade, já que no momento a maioria dos postos de trabalho em serviços de emergência é ocupada por médicos recém formados.
As perspectivas para essa especialidade são boas, porém a médio e longo prazo.
O emergencista precisa gostar de trabalhar sob pressão, com alto índice de estresse e a evolução dentro da especialidade vai ser a de trabalhar como plantonista , podendo posteriormente passar a exercer a função de chefe da emergência.

Sucesso

Mário Novais

Atuar em Mais de Uma Especialidade

Pergunta : Luiz Felipe ( Escola Superior de Ciências da Saúde – Brasília )
Olá Dr. Mário. Me chamo Luiz felipe, tenho 34 anos e interesse em Psiquiatria. Porém sou apaixonado pela medicina interna. É viável fazer a residência antes para Clínica médica e posteriormente para Psiquiatria? Desejo trabalhar nas duas áreas de atuação. Obrigado.

Resposta :

Não é aconselhável trabalhar em mais de uma especialidade ao mesmo tempo.

Não vai conseguir acompanhar os progressos científicos das duas e acaba não sendo bom em nenhuma das duas especialidades.

Além disso a classe médica (e também a população em geral) não vê com bons olhos os profissionais que atuam em diferentes áreas ao mesmo tempo.

Somente em cidades pequenas existe espaço para o médico “faz tudo “, mas se pensar em trabalhar em uma cidade de pequeno porte, talvez seja mais interessante ir pelo lado da Medicina de Família.

Concluindo : Não é pecado gostar de mais de uma especialidade, porém deve escolher apenas uma e esquecer de vez as outras possibilidades.

Sucesso

Mário Novais

Cirurgia Geral

Cirurgia Geral

Vantagens

  • Menor tempo de formação
  • Realização de procedimentos diagnósticos e/ou cirúrgicos – maior remuneração
  • Alta remuneração a curto prazo
  • Alto número de vagas para acesso a especialidade
  • Maior diversidade de patologias
  • Área valorizada por grande parcela da população

Desvantagens

  • Maior necessidade de obtenção de convênios
  • Maior dificuldade de administrar os próprios horários – necessidade de estar atrelado a algum serviço, realização de plantões e de cirurgias, etc
  • Menor fidelidade do paciente no consultório – patologias agudas, retornos apenas após longos períodos, etc
  • Outras especialidades tratam este tipo de patologia/população
  • Maior estresse – responsabilidade no tratamento direto do paciente, patologias mais graves e com resposta terapêutica parcial, período de trabalho não restringido apenas as horas de trabalho, etc
  • Pouco reconhecimento perante outras especialidades
  • Baixa remuneração comparativamente a outras especialidades
  • Necessidade de estar associado a algum serviço
  • Necessidade de realizar plantões por períodos mais longos