Otorrinolaringologia ou Medicina Legal

Otorrinolaringologia ou Medicina Legal

Pergunta : Lucas ( Faculdade de Medicina de Marília )
Bom dia! Gostaria de parabenizá-lo pelo site, que é excelente. Tenho muitas dúvidas a respeito de uma escolha. Irei prestar otorrino, mas tenho interesse também em Medicina Legal, e como só há residência na USP, pensei em prestar Med Legal lá! Porém, tenho receio de não ter um contato mais amplo com essa área, e acabar escolhendo ela mais pelo imaginário que ela proporciona do que talvez pela rotina em si. Não tenho tantos contatos com pessoas que fazem, e por isso não consigo saber exatamente como é a realidade. Você saberia melhor como funciona? Desde a rotina até salários, qualidade de vida e possibilidade de trabalhar no interior/litoral? As vezes me pego no receio de estar escolhendo pela remuneração/qualidade sem ter aquela certeza de como funciona realmente na pratica, abdicando de prestar otorrino (que me interesso muito também) na USP. Obrigado e otimo dia!

Resposta :

É comum nessa fase da vida na faculdade, o aluno ficar em grande dúvida porque gosta de mais de uma especialidade.

São 54 especialidades médicas, portanto é lógico que se possa identificar com várias. No entanto tem que escolher apenas uma e parar de olhar pra trás, pensando se deveria ter escolhido outra qualquer.

A analise para escolha deve ser feita de forma bem, racional avaliando-se a qualidade de vida que a especialidade vai te permitir, a remuneração própria da especialidade e acima de tudo como vai ser o seu dia a dia naquela especialidade, ou seja com que patologias vai lidar diariamente.

Comparando as duas especialidades apontadas por vc, a otorrino é melhor especialidade que a medicina legal, mas vc precisa conhecer bem as duas para fazer uma boa escolha.

Otorrinolaringologia :

A otorrino é uma das melhores especialidades.

Otorrinolaringologia é uma especialidade médica originalmente predisposta ao estudo das doenças do ouvido do nariz e da garganta.
A importância dessas três áreas e suas interligações com as rmais diversas regiões da cabeça e do pescoço vêm determinando que a abrangência de atuação desse profissional seja cada vez maior.
Isso significa também o envolvimento com os distúrbios respiratórios do sono, roncos e apnéias, com  a prevenção de alterações crânio maxilofaciais, com o manejo das fraturas faciais, com os tumores da base do crânio junto com a neurocirurgia, com  os distúrbios da deglutição, das glândulas salivares e estética facial.
Do ponto de vista prático, trata-se de uma profissão muito dinâmica com atuação clinica e cirúrgica pra doenças muito prevalentes e com elevado impacto na qualidade de vida dos indivíduos nas diferentes populações.
Esse impacto é facilmente compreendido na medida que estamos falando de áreas cujas patologias comprometem funções que nos diferenciam como seres humanos:

·       a comunicação: tanto pela aquisição e desenvolvimento da linguagem através da audição;

·       a incapacidade de verbalizar tal linguagem através da voz ;

·       e ainda pelo olfato e respiração apropriados.

Vejamos de forma sucinta as regiões de interesse à otorrinolaringologia :
Em um corte sagital da cabeça e do pescoço é possível visualizar o perfil da face, as fossas nasais e seios paranasais com seus limites com o sistema nervoso central,
a boca, língua e dentes. Também a rinofaringe, orofaringe, hipofaringe, com alguns componentes linfáticos do anel de waldeyer e a laringe e os seios piriformes.
No outro modelo, somente o aparelho auditivo, incluindo seus seguimentos externo, médio e interno além da comunicação com a rinofaringe através da tuba auditiva até o torus tubário.
Sempre permeado pela função de promover melhor qualidade de vida aos pacientes, o estudo do ouvido, nariz e garganta, é um desafio e uma fonte ininterrupta de pesquisa e aprendizado para as quais esperamos ter despertado a sua atenção com o vídeo.

Apesar dos procedimentos cirúrgicos serem mal remunerados pelos convênios (exceção feita às cirurgias de ouvido interno), é grande a relação de possíveis procedimentos diagnósticos ou terapêuticos na otorrino, o que pode agregar bastante valor ao preço das consultas.
A área de atuação da otorrino abrange cerca de 20 procedimentos diagnósticos e mais de 60 procedimentos cirúrgicos (ver tabela AMB).
É importante para qualquer especialista o encaminhamento feito por outros colegas, mas uma grande parte da clientela do otorrino vem diretamente em função do boca-a-boca de um cliente para outro.
O envelhecimento da população facilita consideravelmente a incidência de deficiências auditivas (o Brasil tem cerca de 4 milhões de deficientes auditivos). Mais de 60 % da população apresenta desvio de septo nasal. É muito grande a frequência de rinites alérgicas. Consequentemente esses fatos permitem um aumento rápido da clientela do otorrino
Além disso, a qualidade de vida desse profissional é boa porque a maior parte das cirurgias é eletiva.
A qualidade de vida nessas duas especialidades é boa  e a remuneração de ambas também é muito boa.
É difícil comparar a remuneração das duas pois existem vários fatores que interferem, como tempo de formado, formação médica, círculo de relacionamentos do profissional, cidade onde se está praticando, resultados dos tratamentos, concorrência local e acima de tudo do marketing que utilizar para alavancar a especialidade.
Procedimentos da especialidade ( otorrino ) :

·       Audiometria comportamental

·       Audiometria de tronco cerebral ( BERA )

·       Audiometria tonal e vocal

·       Avaliação do Processamento Auditivo Central

·       BERA – Potenciais Auditivos de Tronco Encefálico

·       Eletrococleografia

·       Emissão Otoacústica (Teste da Orelhinha)

·       Exames laboratoriais

·       Impedanciometria

·       Otocalorimetria a Ar

·       Polissonografia

·       Polissonografia da Noite Inteira

·       Polissonografia com CEPAP

·       Polissonografia – Incluindo Split Night

·       Teste e adptação de aparelho auditivo( Hi-pro e ganho de inserção )

·       Teste de Deglutição

·       Teste de Latências Múltiplas do Sono (TLMS)

·       Unidade de Estimulação Precoce

·       Vectonistagmografia

·       Vectoeletronistagmografia Digital

·       Vídeo Frenzel

·       Vídeo Nasofibroscopia Flexível

·       Vídeofaringolaringoscopia

·       Videoestroboscopia laríngea

Medicina Legal

A Medicina Legal é vista como especialidade que “cuida de cadáveres”. Entretanto, seu campo é muito mais amplo: ela auxilia a ciência das normas, o Direito, aplicando conhecimentos médico-biológicos, para que a sociedade consiga atingir um bem maior: a justiça. Na prática cotidiana, o especialista em Medicina Legal utiliza a ciência médica para esclarecer fatos que interessam em um processo judicial ou administrativo. Para tanto, ele lança mão de conhecimentos de toda a Medicina, extrapolando, às vezes, para outras áreas das ciências biológicas. Sua área de atuação são as perícias médicas de qualquer natureza, que se constituem em elementos de prova fundamentais quando as normas (penais, civis, administrativas etc) exigem conhecimentos médicos para serem executadas. A formação de um perito médico exige, além de conhecimentos médicos e de adequadas noções de Direito, o aprendizado e o domínio de critérios específicos, que estabelecem a ligação entre os parâmetros médicos e os jurídicos. No Brasil essa formação é deficiente e deformada. O Programa de Residência Médica em Medicina Legal tem como principal objetivo formar profissionais capazes de atuarem nos diversos segmentos que compõe a Medicina Legal, visando resolver problemas da justiça na esfera pericial, como mostra o presente artigo ( informações fornecidas pelo site da Faculdade de Medicina da USP –artigo do dr Dr.Daniel Munoz- titular de Medicina Legal da USP.)

A especialidade é realmente “pesada “, tanto do ponto de vista técnico porque exige grandes conhecimentos de várias áreas da medicina como clinica, cirurgia, ortopedia, neurologia, anatomia, fisiologia…, como também exige profundos conhecimentos da área jurídica. É uma especialidade onde se lida muito com a burocracia, processos volumosos, trabalhos periciais, processos indenizatórios que podem influir fortemente em futuros de famílias inteiras…

Na variada temática objeto da Medicina Legal, pode-se traduzir sua divisão, da seguinte forma:

Antropologia forense – Procede ao estudo da identidade e identificação, como a datiloscopia, papiloscopia, irologia, exame de DNA, etc., estabelecendo critérios para a determinação indubitável e individualizada da identidade de um esqueleto ;

Traumatologia forense – Estudo das lesões e suas causas;

Asfixiologia forense – analisa as formas acidentais ou criminosas, homicídios e autocídios, das asfixias, sob o prisma médico e jurídico (esganadura, estrangulamento, afogamento, soterramento, etc.);

Sexologia forense – Trata da Erotologia, Himenologia e Obstetrícia forense, analisando a sexualidade em seu tríplice aspecto quanto aos efeitos sociais: normalidade, patológico e criminológico;

Tanatologia – Estudo da morte e do morto;

Toxicologia – Estudo das substâncias cáusticas, venenosas e tóxicas, efeitos das mesmas nos organismos. Constitui especialidade própria da Medicina, dada sua evolução.

Psicologia e Psiquiatria forenses – Estudo da vontade, das doenças mentais. Graças a elas determina-se a vontade, as capacidades civil e penal;

Polícia científica – atua na investigação criminal.

Além disso existem ainda as necrópsias, que nem todos os médicos têm facilidade para lidar com elas ( nem todos especialistas em medicina legal são obrigados a fazê-las ). É uma especialidade triste e complexa e o status desses profissionais deixa a desejar. Existe mesmo um preconceito da população em relação aos legistas ( a maioria das mães não gostaria de ver seus filhos casados com uma médica legista; prefeririam que eles casassem com um clínico, um pediatra ou um cirurgião ).

Por outro lado, o mercado de trabalho é bastante bom, desde que vc tenha um bom relacionamento no meio jurídico para que possa ser indicada com frequência para atuar como perita do juiz ou mesmo perita assistente das partes envolvidas em um processo.

Uma pericia simples como de uma lesão corporal média em um acidente automobilístico ( que o perito não vai gastar mais de 2 horas para confeccionar o laudo ) pode render ao perito cerca de R$ 5.000,00, mas uma perícia grande, tipo a de um homicídio, pode render honorários acima de R$ 50.000,00.

A residência médica em Medicina Legal e Perícia tem a duração de 3 anos e são oferecidas em poucos serviços e com um número reduzido de vagas.

Sucesso

Mário Novais

 

widoctor

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