Insônia em profissionais de saúde

Insônia em profissionais de saúde

Insônia em profissionais de saúde

A insônia pode se manifestar de três formas: ou como uma dificuldade de se adormecer (insônia inicial), ou como uma dificuldade se permanecer dormindo (insônia intermediária), ou através de um despertar precoce, impedindo a pessoa de voltar a dormir (insônia terminal). Em determinados momentos da vida, muitos adultos vivenciam períodos curtos de insônia, não necessitando, na maior parte das vezes, de intervenção médica. Esses episódios geralmente estão associados a situações de maior estresse ou a eventos traumáticos.

Quando este transtorno se torna crônico, dificultando o funcionamento diário do indivíduo, torna-se necessário uma avaliação pelo médico. Tal avaliação é necessária, pois a insônia pode ser tanto um transtorno primário, quanto estar associado a outras condições médicas. Doenças clínicas (ex: hipertireoidismo), transtornos psiquiátricos (ex: depressão) e uso de medicamentos (ex: anti-hipertensivos) são alguns exemplos que podem causar alterações de sono secundárias.

Um estudo recente realizado na Coréia evidenciou que profissionais de saúde possuem uma prevalência duas vezes maior de transtornos do sono do que outras profissões. Este e outros estudos sustentam a hipótese de que as alterações de sono são mais comuns nessa população. Um dos fatores principais atribuídos a isto é a necessidade da realização de plantões e turnos noturnos.

Sintomas decorrentes da privação de sono, como fatigabilidade, irritabilidade e desatenção são mais prevalentes nesses profissionais que trabalham em plantões diurnos e noturnos. Tal fato ocasiona redução da eficiência laboral e aumento do risco de acidentes de trabalho. Soma-se a isto outras complicações mais tardias, como aumento de pressão arterial, doenças cardiovasculares e outros transtornos psiquiátricos.

Devido a isto, é de extrema importância que algumas atividades preventivas sejam realizadas para melhorar a qualidade de vida dos funcionários que trabalham em horários noturnos. Existem atualmente guidelines com este intuito, abordando desde questões estruturais do local de trabalho (ex: iluminação, som), até atividades de adaptação e organização dos turnos noturnos. Junto a isto é necessário que hajam screenings periódicos para transtornos mentais, além de workshops e sessões informativas com o intuito de reconhecer e manejar determinados sintomas que possam advir de situações de estresse crônico.

 

Referências:

YAZDI, Z.; et al. Prevalence of sleep disorders and their impacts on occupational performance: a comparison between shift workers and nonshift workers. Sleep Disorders. Vol 2014, article ID 870320

BAJRAKTAROV, S.; et al. Main effects of sleep disorders related to shift work – opportunities for preventive programs. EPMA J. 2011 Dec; 2(4): 365-370

KIM, M.S.; et al. Mental disorders among workers in the healthcare industry: 2014 national health insurance data. Ann. Occup. Environ. Med. 2018; 30: 31

MAYO CLINICAL STAFF. Insomnia. Disponível em: < https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/insomnia/symptoms-causes/syc-20355167>. Acesso em 14 de outubro de 2018

Walter Gonçalves

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