Archive novembro 2018

Células tronco no tratamento contra o câncer de medula óssea

Células tronco no tratamento contra o câncer de medula óssea

O sangue contido no cordão umbilical tem a função de levar oxigênio e nutrientes essenciais da mãe para o bebê durante todo o período gestacional. Há alguns anos, esse sangue era totalmente descartado após o parto. Hoje, no entanto, inúmeras pesquisas buscam identificar como as células-tronco, presentes no sangue do cordão umbilical, podem ajudar a salvar vidas.

Segundo o hematologista Dr. Nelson Tatsui, as células-tronco do sangue de cordão umbilical são utilizadas há muitos anos para substituir o transplante com células provenientes da medula óssea no tratamento de leucemia, linfoma e algumas enfermidades imunológicas. “Essas células são usadas para recuperar o sistema imunológico e hematopoiético (que produz as células sanguíneas) de pacientes submetidos à quimioterapia e/ou à radioterapia. Nessas situações, a infusão é vital, uma vez que esses tratamentos destroem o tecido que produz sangue (células-tronco) do paciente”, explica.

Para esclarecer as dúvidas que permeiam o assunto, o hematologista responde algumas dúvidas.

1.       A TERAPIA CELULAR COM CÉLULAS-TRONCO PRESENTES NO SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL, APRESENTA METODOLOGIA E RESULTADOS SEMELHANTES AOS DO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA?

Apesar dos resultados serem equivalentes, o processo para obter, armazenar e disponibilizar as células-tronco do sangue do cordão umbilical é mais simplificado do que o processo que envolve a doação de medula. Ao coletar a medula óssea de um doador, realizam-se várias punções em um osso chamado de esterno e/ou em outro chamado ilíaco. Este procedimento é realizado no centro cirúrgico, sob anestesia. Porém, tem-se um processo mais complexo do que a obtenção do sangue de cordão, que não envolve nenhum método invasivo. Uma vez realizado o transplante, as células se multiplicam no organismo e substituem as células doentes em poucas semanas.

2.       NOS CASOS DE FAMÍLIA COM HISTÓRICO DE CÂNCER, É RECOMENDÁVEL O CONGELAMENTO?

Certamente. É importante destacar que as células-tronco, além de serem compatíveis com o próprio bebê, possuem uma chance aumentada de compatibilidade entre irmãos. Com as células criopreservadas, há maior rapidez no tratamento e diminuição dos riscos de rejeição e efeitos colaterais após o transplante.

3.       O SANGUE DO CORDÃO UMBILICAL, RICO EM CÉLULAS-TRONCO, DEVE SER COLETADO LOGO APÓS O NASCIMENTO DA CRIANÇA?

Sim. Após a separação do bebê da mãe, a coleta ocorre de forma rápida. A drenagem do sangue é feita por meio de uma punção na veia umbilical do cordão e seu acondicionamento é realizado em uma bolsa contendo anticoagulante. Todo o processo de coleta deve ser concretizado com cuidados de esterilidade. O tempo de transporte entre a coleta e o processamento deve ser no máximo de 48 horas.

4.       QUAIS AS FORMAS DE APLICAÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO?

A terapia celular possibilita duas possíveis formas de aplicação de células-tronco. Uma delas é o transplante autólogo, no qual as células (do próprio paciente), previamente armazenadas, são utilizadas. Já no transplante alogênico, as células são provenientes de outro indivíduo.

5.       É POSSÍVEL COLETAR CÉLULAS-TRONCO DE PREMATUROS OU EM PARTOS DE EMERGÊNCIA?

Sim, é possível. O procedimento poderá ser realizado a partir de 32 semanas de gestação, conforme descrito na legislação que rege o funcionamento dos bancos de cordão umbilical e placentário. No caso dos partos de emergência, em todas as cidades que possuem enfermeiros treinados. O médico que fará o parto também poderá coletar as células-tronco. Por ser um procedimento simples, também pode ser facilmente executado por um médico assistente. De forma geral, a coleta é sempre realizada com autorização da mãe ou dos pais.

6.       UMA VEZ DOADO, O SANGUE DO CORDÃO UMBILICAL PODERÁ SER UTILIZADO PELA FAMÍLIA A QUALQUER TEMPO?

No caso de doação, o sangue ficará armazenado em uma unidade do banco público da rede BrasilCord à espera de um paciente compatível portador de uma doença hematológica grave. Nesse caso, a família não poderá reivindicar o sangue de cordão, uma vez que foi doado. No sistema privado, a família paga pelo serviço de coleta e armazenamento do cordão, ficando assim, disponível para o próprio bebê e para potencial uso na própria família.

Fonte:

Snif Doctor

Relógio capaz de fazer ECG só está aprovado nos Estados Unidos

Relógio capaz de fazer ECG só está aprovado nos Estados Unidos

O modelo mais novo do Apple Watch, lançado em setembro, possui um monitor de frequência cardíaca com
sensores, segundo a empresa, capazes de fazer um eletrocardiograma
(ECG) do usuário e avisar caso ele tenha fibrilação atrial. Apesar de polêmicos, os novos recursos foram aprovados pela American Heart Association (AHA) e liberados pela Food and Drug Administration (FDA) – uma espécie de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) dos Estados Unidos – como um novo tipo de dispositivo médico.

O presidente a AHA, Ivor Benjamin, participou do evento anual da Apple e afirmou que “capturar dados significativos sobre o coração de alguém em tempo real está mudando a forma como praticamos a Medicina”. Já a FDA fez um comunicado logo após o lançamento afirmando que “trabalhou junto da empresa, à medida que eles desenvolveram e testaram esses produtos de software, que podem ajudar milhões de usuários a identificar preocupações com a saúde mais rapidamente”. A agência encaminhou documento à Apple citando como um fator de risco o potencial do equipamento sinalizar um problema por engano, levando ao tratamento desnecessário.

No Brasil, a Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (ABEC/DECA), que é um departamento da SBCCV, emitiu nota oficial ressaltando o uso de novas tecnologias associado à educação da população: “A entidade acredita que o relógio pode ser bom para pacientes que têm ritmos cardíacos irregulares e que podem não perceber, ou para aqueles que possuem fibrilação atrial e que nem sempre apresentam sintomas perceptíveis, condição para a qual o relógio faria a triagem.

Em uma situação ideal, alguém que não sabe que tem um problema pode receber um aviso do relógio e encaminhar esses dados ao médico. Porém também existe a preocupação de que o uso generalizado de ECGs, sem iniciativa educacional igualmente ampla, possa sobrecarregar um sistema de saúde que já atua acima do limite”, diz trecho
da nota.

A Apple afirmou que a funcionalidade estará disponível em outros países assim que a aprovação necessária for concedida pelas autoridades locais.

Fonte:

Jornal Sociedade Brasileira de Cardiologia Nº196-11/2018

Os benefícios das atividades físicas para a saúde mental

Os benefícios das atividades físicas para a saúde mental

Você já deve conhecer alguns dos inúmeros benefícios da atividade física para saúde, como o fortalecimento muscular, o aumento da capacidade cardiopulmonar e o bom funcionamento e desempenho dos órgãos, por exemplo. A psicóloga Maitê Hammoud escreveu este artigo para ampliar sua visão sobre os benefícios desse tipo de atividade para o nosso organismo.

No entanto, você sabia que as atividades físicas proporcionam também inúmeros benefícios para a saúde mental? Sabia que esses benefícios refletem diretamente na autoestima e ainda na qualidade de vida da pessoa, significando melhor disposição, concentração e desempenho profissional?

Para que você conheça um pouco mais sobre os benefícios das atividades físicas para a saúde mental, destacamos 7 pontos. Veja:

1) Diminuição do risco de doenças

A prática regular de atividades físicas proporciona a redução dos níveis dos hormônios estressantes, como a adrenalina, a noradrenalina e o cortisol. Isso significa o aumento da autoestima, a diminuição da insatisfação, da depressão e da ansiedade.

Além disso, libera a endorfina (conhecido como o hormônio da felicidade), que promove a sensação de bem-estar, euforia e alívio. Libera também a dopamina, uma espécie de tranquilizante e analgésico natural.

Tais alterações proporcionam uma sensação relaxante de longo prazo, a qual contribui significativamente para um estado de equilíbrio psicossocial e emocional mais estável para enfrentar situações estressantes do cotidiano.

2) Memória mais ativa

O aumento da capacidade aeróbica tem relação direta com a melhoria das funções cognitivas, contribuindo para a integridade do cérebro e do sistema cardiovascular, o que otimiza o tempo de reação e a amplitude da memória.

Estudos mostram que idosos que praticam atividades físicas, como caminhar 3 vezes por semana durante 1 hora, têm uma melhora significativa na atenção, na memória, na agilidade motora e no humor.

À medida que envelhecemos, crescem os riscos de contrair doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer. Porém, ao praticar exercícios físicos, principalmente entre os 25 e 45 anos, conseguimos aumentar as substâncias químicas do cérebro que previnem a degeneração dos neurônios do hipocampo.

3) Dormir melhor

O exercício físico pode proporcionar a liberação de hormônios que influenciam no ciclo sono-vigília, o que significa dormir melhor. Isso faz com que a pessoa passe a ter mais disposição para o dia a dia, o que favorece também a estabilidade do humor.

4) Melhoria da autoestima

Se exercitar regularmente contribui com o alcance de metas, como a perda de peso e a tonificação dos músculos, o que favorece a construção e a otimização da autoestima. Além disso, uma melhor percepção de si mesmo, aliada à autoestima elevada, consequentemente ajuda na saúde emocional. Com isso, os relacionamentos também podem melhorar muito. Por conta da autoconfiança, você poderá se sentir mais à vontade para se aproximar das pessoas.

5) Envolvimento social

Exercícios físicos oferecem a oportunidade de envolvimento social, principalmente na fase adulta e terceira idade. Com a vida profissional e afetiva mais estáveis, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e manter vínculos prazerosos no cotidiano se tornam cada vez mais difíceis.

Desse modo, a prática esportiva auxilia no envolvimento social, seja através de novos vínculos na academia, seja por meio de grupo de pessoas com interesses em comum. Ainda pode servir para resgatar amizades para uma partida de futebol, uma corrida, ou também uma caminhada no bairro, por exemplo.

 

6) Desenvolvimento de habilidades emocionais

Assim como na vida cotidiana, no esporte também somos testados quanto aos nossos limites e capacidade de superação. Desenvolvemos a dedicação e a disciplina, e aprendemos a lidar com as derrotas e as vitórias. Saber trabalhar bem com os êxitos e com os fracassos é uma grande conquista.

7) Recuperação de dependentes químicos

Como dito antes, diante de estímulos prazerosos (como sexo, drogas ou alimentos), o cérebro libera como resposta a dopamina. Infelizmente, algumas pessoas se tornam dependentes de algumas substâncias que produzem a liberação de dopamina em grandes quantidades, como as drogas.

Sendo assim, os exercícios físicos podem ajudar na recuperação de dependentes. Isso porque, além da liberação da substância, também ajudam na ressocialização e criação de novos vínculos de amizade.

Sabemos o quanto é difícil ficar longe do estresse, das angústias, tristezas e ansiedades do dia a dia. Porém, os exercícios físicos podem se tornar um grande aliado para isso.

Ainda não existem pesquisas conclusivas e que demonstrem qual é a melhor atividade física. Por isso, é importante escolher a que seja mais prazerosa.Vale lembrar que a prática de 30 minutos, 3 vezes por semana, já oferece resultados a curto prazo.

Lembre-se ainda que não é necessário realizar um esporte específico ou fazer grandes investimentos. O mais importante é dar o primeiro passo e se exercitar. Na ausência de recursos financeiros, opte por caminhadas, academias ao ar livre, corridas, entre outros. Independente do peso, idade ou sexo, o fundamental é buscar ações que ajudem a aumentar a percepção positiva e a autovalorização, as quais trazem inúmeros benefícios para as saúdes física e mental.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://br.mundopsicologos.com/artigos/os-beneficios-das-atividades-fisicas-para-a-saude-mental

O Programa de Volta Para Casa e a reintegração social de pacientes acometidos por transtornos mentais

O Programa de Volta Para Casa (PVC), instituído pelo Ministério da Saúde, regulamenta a distribuição de um auxílio reabilitação e assistência psicossocial, fora do ambiente hospitalar, para pessoas usuárias do serviço de saúde mental com histórico de internações psiquiátricas. A medida busca assegurar o bem estar global e estimular o exercício pleno dos direitos civis, políticos e de cidadania dessas pessoas, além de endossar o projeto de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira.

Na construção desse projeto foi disposto na Lei 10.216 de 2001 a proteção dos direitos desses pacientes, determinando que pacientes há longo tempo hospitalizados ou que se encontrem em situação de grave dependência institucional sejam alvo de políticas publicas específicas, contemplando altas planejadas e a reabilitação psicossocial assistida. Posteriormente em 2003 com a Lei 10.708 o PVC foi fundado, fortalecendo esse ideal na medida em que cria amparo social para um segmento da população brasileira extremamente desprovido de suporte social e proteção.

O programa estipula o pagamento mensal de um auxilio reabilitação, diretamente para o paciente, no valor de R$ 412,00, por um período de um ano, podendo ser renovado quando necessário aos propósitos da reintegração social. Além disso, o beneficiário deve estar de alta hospitalar, sendo atendido por um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço de saúde do município. Essas pessoas deverão ser acompanhadas por uma equipe de profissionais encarregada de prover e garantir a atenção psicossocial e apoiá-lo em sua integração ao ambiente familiar e social. Podem se beneficiar indivíduos: egressos de internação em hospitais psiquiátricos ou Hospitais de Custódia por período igual ou superior a dois anos ininterruptos, desde que ligados ao SUS; que a situação clínica e social não justifique a permanência em ambiente hospitalar e que haja expresso consentimento do paciente ou do representante legal em se submeter às regras do programa. Os municípios deverão aderir formalmente ao PVC através de Termo de Adesão e habilitação através de portaria do Ministério da Saúde e serem responsáveis pela atenção integral em saúde e assegurar a continuidade de cuidados em saúde mental, em programas extra-hospitalares, para os beneficiários do programa. O benefício pode ser destinado tanto a pessoas que retornem ao convívio familiar, quanto àquelas que não podem ou não desejam morar com o núcleo familiar original, como as que vivem em outras formas de moradia, tais como os Serviços Residenciais Terapêuticos – SRT (Portaria nº 106 de 11/02/2000), que são casas inseridas na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais.

O Ministério da Saúde estima que há cerca de 15.000 usuários do SUS que contemplam os requisitos necessários para aderir ao auxílio. Em 2017 foram totalizados 4.499 beneficiários ativos, distribuídos em 701 municípios habilitados. A necessidade de expansão do PVC contempla a portaria 3.088 de 2011, que estabelece a Rede de Atenção Psicossocial. Na qual o programa é incluído nas estratégias de desinstitucionalização.

Franco Basaglia, psiquiatra italiano vanguardista na reforma da saúde mental italiana, chama a atenção para a necessidade de realizações de ações de desinstitucionalização daqueles que estão há muito tempo asilados. Segundo Basaglia tal processo produz transformações no campo do saber e das instituições, não se restringindo à reestruturação técnica dos serviços ou de terapêuticas modernas. Essa concepção de desinstitucionalização difere da de desospitalização, uma vez que não se restringe à mera saída da pessoa com transtorno mental da instituição psiquiátrica.

O sociólogo norte-americano Erving Goffman também esclarece que, se o período de internação é muito longo, quando o sujeito retornar para o mundo exterior, poderá estar temporariamente incapaz de enfrentar alguns aspectos de sua vida diária. Nesse âmbito o PVC contribui efetivamente para o processo de inserção social dessas pessoas, incentivando a organização de uma rede ampla e diversificada de recursos assistenciais e de cuidados, facilitadora do convívio social. A reabilitação psicossocial é definida pelo psicanalista Fernando Tenório como ferramenta que visa permitir ao paciente “alcançar seu nível ótimo de funcionamento independente na comunidade”, a melhoria da “competência individual”, as “habilidades sociais individuais”, a “competência psicológica”, o “funcionamento ocupacional”, a “autonomia” e a “possibilidade de autodefesa”.

O Ministério da Saúde aponta que o tripé indispensável para a efetivação da desinstitucionalização é formado pelo Programa de Volta Para Casa, junto com o Programa de Redução de Leitos Hospitalares de Longa Permanência e os Serviços Residenciais Terapêuticos.

Fontes:

Ministério da Saúde;

Do Programa de Volta para Casa à conquista da autonomia: percursos necessários para o real processo de desinstitucionalização. (Sheila Silva Lima, Sandra Assis Brasil, 2014);

A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias atuais: história e conceitos (Fernando Tenório, 1999);

 

 

Como Estudar Para a Prova de Residência

Pergunta : Brenda ( Centro Universitário de Volta Redonda )
Olá! Gostaria de saber a respeito de cursos preparatórios pra residência alternativos ao medcurso, que sejam mais em conta e valham a pena, vocês sabem relatos de quem já fez? Também gostaria de saber se vale mais a pena ainda seguir um roteiro de estudos programado e estudar sozinha em casa.

Resposta :

Passos para conseguir ser aprovado nas provas de residência.:

1.Matricule-se num curso preparatório, tipo medcurso, medcel ou semelhante. Descubra qual o total de    páginas das apostilas de todo o ano ( em média são 1.600 páginas ).

Caso não possa fazer um desses cursos por limitação financeira, compre ou consiga emprestadas as apostilas de um desses cursos.

  1. Organize um método de estudo, distribuindo a quantidade de matéria pelo número de semanas do início dos estudos até o início das provas ( geralmente outubro ou novembro ), o que dá um total de cerca de 10 meses ou 40 semanas.
  2. dividindo 1.600 páginas por 40 semanas, significa que vc terá que estudar cerca de 40 páginas por semana.
  3. Use 3 dias da semana para estudar essas apostilas, ou seja 13 páginas por cada um desses 3 dias e faça os exercícios dessas páginas.( não obrigatoriamente esse estudo vai coincidir com as aulas do cursinho ).
  4. Separe 2 dias da semana par fazer revisão da matéria. Para a revisão ser eficiente vc deve ou fazer resumo das apostilas ou “marcar” com caneta colorida palavras-chaves em cada parágrafo da apostila. A revisão da matéria é a chave do sucesso para aprovação.
  5. Use o sétimo dia da semana para fazer uma prova de concursos anteriores ( é fácil conseguir isso na internet ). Acompanhe sua pontuação e preste atenção nas respostas erradas conferindo no gabarito.
  6. Faça um planilha com a pontuação obtida nas provas de anos anteriores e veja como está indo seu desenvolvimento. No inicio do ano, geralmente vc estará pontuando faixa de 50 % pois muita matéria ainda não vai estar estudada. Com o passar do tempo vc irá melhorando sua pontuação. Para conseguir aprovação, dependendo da especialidade,, seu objetivo é pontuar por volta de 80 %.
  7. treine fazer as provas de anos anteriores com bastante tranquilidade, prestando bastante atenção nos enunciados das questões e gastando as 4 horas que normalmente é o tempo das provas dos concursos. Se tiver terminado antes de completar as 4 horas, use o restante do tempo para rever suas respostas.
  8.  Sucesso  .   Mário Novais

PROGRAMA MAIS MÉDICOS : A REALIDADE

Demografia Médica: Brasil possui médicos ativos com CRM em quantidade suficiente para atender demandas da população Imprimir E-mail
Seg, 26 de Novembro de 2018 10:02
O Brasil possui médicos ativos, com registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), em número absoluto suficiente para atender às necessidades da população e, inclusive, para ocupar vagas abertas no Programa Mais Médicos (PMM). Em cinco anos, o total desses profissionais cresceu 21,03%. A conclusão é de análise feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a partir de suas bases cadastrais, no período compreendido entre 2013 e 2018.

Na avaliação do CFM, se comparado com as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fica evidente que o percentual de crescimento da população médica foi 5,4 vezes maior do que o de crescimento da população em geral, nesse intervalo de tempo, que ficou em 3,7%. Nos últimos cinco anos, o País ganhou mais 7.462.186 habitantes, passando de 201.032.714 (em 2013) para 208.494.900 (em 2018).

Com o aumento registrado na população médica, também subiu a razão de médico por grupo de mil habitantes no Brasil, que passou de 1,93 (2013) para 2,24 (2018). Essa variação aproximou o indicador nacional de países como Coréia do Sul (2,2), México (2,3), Japão (2,4) e Polônia (2,5).

O aumento significativo da população médica aconteceu nos 26 estados e no Distrito Federal, o que mostra que essa oferta tem crescido mesmo nas áreas mais distantes, apesar de persistir uma tendência de concentração nos estados e regiões mais desenvolvidos, em especial no Sul e no Sudeste, bem como na faixa litorânea.

Atualmente, o Brasil conta com 466.135 médicos ativos, segundo números de outubro passado. Entre 2013 e 2018, um total de 98.006 médicos se inscreveram nos Conselhos Regionais de Medicina. Proporcionalmente, os maiores aumentos foram registrados nos seguintes estados: Rondônia (48,41%), Tocantins (46,85%), Piauí (37,35%), Paraíba (34,08%) e Amazonas (30,87%). Os menores percentuais de aumento foram registrados em: Distrito Federal (14,88%), São Paulo (15,47%), Rio de Janeiro (17,15%), Rio Grande do Sul (17,66%) e Alagoas (19,62%). CONFIRA TODOS OS ESTADOS NA TABELA ABAIXO:

 

Fonte: CFM. Atualização: até outubro de 2018

Fonte: CFM. Atualização: até outubro de 2018

 

Mesmo descontando-se dos novos inscritos o número de médicos que se tornaram inativos no período (por óbito, cancelamento de registro, etc.), o aumento efetivo da população médica continua alto, ficando em 77.716 profissionais. Sob esse prisma, os estados onde foi registrado maior aumento proporcional de médicos foram: Tocantins (38,7%), Mato Grosso (36,5%), Maranhão (33,6%), Piauí (33,3%) e Amapá (32,3%). Por sua vez, os estados com menor crescimento foram: Rio de Janeiro (8,9%), Rio Grande do Sul (14,8%), Alagoas (17,9%), São Paulo (19,6%) e Amazonas (20%).

No Tocantins (estado com maior aumento efetivo proporcional), a população médica apresentou índice de crescimento 7,4 vezes maior que o da população geral. No Rio de Janeiro (estado com menor aumento), o percentual de evolução da população médica foi quase o dobro do que o da população em geral.

Diante dessa evolução, o Conselho Federal de Medicina destaca que há no Brasil médicos regularmente inscritos em número superior à necessidade apresentada pelo Programa Mais Médicos. No entanto, na avaliação da autarquia há que considerar a urgência de fortalecimento da Atenção Básica, em especial nos municípios mais carentes, dotando-os de infraestrutura, insumos, medicamentos, equipes multiprofissionais em saúde e acesso a rede de referência para encaminhar casos mais graves, pois são questões primordiais para que o trabalho médico e, consequentemente, o atendimento à população se deem de modo ético dentro de com padrões técnicos adequados.

CONFIRA AQUI A ÍNTEGRA DAS CONSIDERAÇÕES DO CFM SOBRE O PMM

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Presença de intercambistas cubanos é maior no litoral e em municípios mais desenvolvidos

Cirurgia Cardiovascular ou Hemodinâmica

Pergunta : Raphaela ( Universidade Católica de Pernambuco )
Cirurgia Cardiovascular ou Hemodinâmica?

Resposta :

CIRURGIA CARDIOVASCULAR :

A mudança dessa residência para acesso direto foi um avanço conseguido pela sociedade cientifica da especialidade, pois diminui o tempo de formação do profissional sem prejudicar a qualidade técnica, e os cirurgiões cardiovasculares já não realizavam mesmo cirurgias gerais depois da formação especifica.
O Mercado de trabalho do cirurgião cardiovascular, realmente, vem diminuindo, já que vários procedimentos vem sendo disputados por outros especialistas como os hemodinamicistas, radiologistas intervencionistas, cirurgiões vasculares.
A área de atuação deve caminhar para procedimentos menos invasivos e patologias congênitas ou cirurgias vasculares periféricas.
Por outro lado a fuga dos estudantes dessa especialidade, pela lei da oferta e da procura, deve diminuir o número desses profissionais com consequente melhoria do mercado a médio e longo prazo.
Não seria uma boa opção para o cirurgião cardiovascular trabalhar como cardiologista clínico ( como alguns imaginam ), já que essa é uma outra especialidade e que exige outros conhecimentos técnicos.
Concluindo a tendência do mercado não parece muito favorável paras esses especialistas.
Abaixo transcrevo artigo publicado na folha de são Paulo alguns anos atrás :
“ Tradicionalmente considerada especialidade nobre e responsável por salvar muitas vidas, a cirurgia cardiovascular já não é a menina dos olhos dos estudantes de medicina. Dados nacionais de 2008 mostram que, das 321 vagas de residência na especialidade oferecidas pelo governo no país, apenas 53 estavam preenchidas.
O levantamento feito pela Associação Brasileira dos Residentes de Cirurgia Cardiovascular mostra que a procura não atinge seu total nem sequer em importantes centros hospitalares. No Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto havia apenas um residente para 12 vagas oferecidas.
Responsável por cirurgias, colocação de marca passo e outros exames, o cirurgião cardiovascular perde espaço hoje para especialidades mais “atrativas” como dermatologia, em que há 32 candidatos por vaga de residência.
“A baixa procura está relacionada a uma formação longa e deficiente, contribuindo também para este problema um mercado de trabalho repleto de oportunidades ruins”, diz Anderson Dietrich, presidente da Associação dos Residentes em Cirurgia Cardiovascular.
Entre essas “oportunidades ruins” estão os baixos salários. Um cirurgião cardiovascular pode começar ganhando até R$ 2.500, segundo Gilberto Barbosa, presidente da SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular).
Ele afirma que a queda da procura pela profissão é um fenômeno mundial, ligado em parte à diminuição das operações. “As cirurgias de coronária, por exemplo, diminuíram 70% em razão dos avanços que possibilitaram dilatar as coronárias e colocar stents [espécie de tubo inserido na artéria para impedir o seu entupimento].”
A baixa remuneração acontece também em razão de as operações requererem a presença de equipes grandes.
Há ainda a formação longa: são seis anos de residência, sendo dois em cirurgia geral e quatro em cirurgia cardiovascular ( agora foi modificado ). Muitos acabam escolhendo carreiras em que possam começar a receber antes.
Outros acabam optando pela obtenção de título da SBCCV, o que pode ocorrer após quatro anos de treinamento e o cumprimento de uma série de requisitos, como número mínimo de cirurgias realizadas.
A sociedade estima que 20% a mais de cirurgiões se formam hoje por essa via em detrimento da residência.
Falta de especialistas nessa área :
A preocupação que surge com os dados da associação é a possível falta de cirurgião cardiovascular no país. Para Gilberto Barbosa, o certo é incentivar a escolha pela especialidade, principalmente das estudantes de medicina, que costumam não escolhê-la. “Em 15 anos haverá falta de cirurgião cardiovascular, já que vivemos em um país com uma população cada vez mais idosa.”
Já Anderson Dietrich diz que as vagas ociosas oferecidas pelo MEC hoje poderiam ser redirecionadas, pois incentivar mais profissionais na área seria criar uma reserva de mercado, contribuindo ainda mais para os baixos salários da carreira.
Segundo o diretor de Hospitais Universitários e Residências em Saúde da SESu (Secretaria de Educação Superior), do MEC, José Rubens Rebelatto, “estão em estudo na secretaria, em conjunto com a Comissão Nacional de Residência Médica, algumas ações para a reformulação das residências médicas com o objetivo de garantir um melhor aproveitamento dos recursos e a otimização da ocupação das bolsas”
A especialização em cirurgia cardiovascular é demorada pelo número total de anos na residência e o melhor centro de formação nessa especialidade é São Paulo, onde existem vários serviços de excelência. O mercado de trabalho é ainda carente em todo o pais, mas o tempo de consolidação do profissional  no mercado é lento.
Embora seja uma especialidade de alto grau de estresse, esses especialistas podem planejar bem o seu dia-a-dia por que a maioria das cirurgias são eletivas.
Com o progresso de técnicas menos invasivas, a cirurgia cardiovascular deve desenvolver mais na área de patologias congênitas.
Na cirurgia cardiovascular os ganhos financeiros são bons, mas se leva tempo para adquirir a maturidade profissional e o tempo de vida útil é também menor quando comparado com outras especialidades.

HEMODINÂMICA :

A formação em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista é longa. São necessários 2 anos de residência em clínica médica, depois 2 anos de residência em cardiologia e finalmente mais um ano (em poucos serviços ) ou dois anos de residência em hemodinâmica e cardiologia intervencionista. E depois prestar o exame para obtenção do titulo de especialista em hemodinâmica e cardiologia intervencionista pela SBHCI.
Uma vez cumprido todo esse percurso cientifico, não será difícil conseguir um emprego num serviço de hemodinâmica, principalmente porque durante o curso vc irá fazer muitos contatos na área.
Na maioria das vezes vc irá trabalhar em serviços já instalados na medicina privada com um salário mensal de R$ 8.000,00 a 10.000,00  por 24 h de trabalho semanal em regime de plantão. Esse salário pode variar muito de acordo com a cidade onde estará trabalhando.
Existe a possibilidade de prestar algum concurso para serviços públicos estaduais ou federais, onde o salário será ainda menor.
Na hemodinâmica a possibilidade de se criar um serviço próprio também existe, mas a aparelhagem é cara e há a necessidade de infraestrutura hospitalar e de se montar uma equipe multiprofissional ( cirurgião cardíaco, UTI, intensivistas, enfermagem especializada…).
Para complementar a renda e para não viver somente de plantões, para o hemodinamicista, uma possibilidade é esse especialista continuar atendendo cardiologia clínica em consultório.
O Mercado de trabalho para o cardiologista e mesmo para o hemidinamicista é bom e não vão faltar oportunidades nessas especialidades para vc conseguir uma boa remuneração.
Como cirurgião cardiovascular vc pode sim tratar pacientes com insuficiência vascular periférica ( varizes ), pois esse é um excelente mercado e a cirurgia cardíaca tem diminuído seu mercado de trabalho com o advento de técnicas menos invasiva.

Sucesso

Mário Novais

A importância da empatia no atendimento médico

A importância da empatia no atendimento médico

Somente quem já passou por um atendimento apressado e impessoal em um consultório médico sabe como é desagradável lidar com profissionais que não demonstram empatia por seus pacientes. Para o médico, isso se reflete em uma imagem negativa a respeito do profissional, do atendimento e até do consultório, ou seja, não contribui em nada para manutenção e captação de clientes.

Fala-se muito sobre o uso da empatia para melhorar os resultados em um atendimento e, consequentemente, melhorar a percepção do cliente sobre seu trabalho e sua empresa. Mas será que isso funciona na prática?

Para a psicologia, a empatia é o poder de entrar na personalidade do outro e experimentar imaginativamente suas experiências. No contexto da medicina, essa habilidade, que não deve ser confundida com a simpatia, pode ser o grande diferencial para um atendimento bem-sucedido.

Otimização da comunicação eficaz

Quando o médico demonstra empatia por seu paciente, deixa-o mais seguro durante o atendimento e, consequentemente, bem mais confortável para confiar informações e sentimentos sobre o problema que possui e os sintomas apresentados.

Dessa forma, o médico conseguirá recolher informações mais precisas e em maior quantidade durante a anamnese.  Isso poupa tempo e esforços em exames físicos ou complementares, otimizando o atendimento como um todo.

Os pacientes confiam mais no médico

Um dos maiores benefícios da empatia na relação entre médico e paciente – e sem sombra de dúvidas, o ponto mais relevante para os profissionais da saúde mais pragmáticos – é que a habilidade de ser empático tem impactos positivos também nos aspectos fisiológicos.

Entre algumas vantagens identificadas por um estudo publicado nos Estados Unidos em 2011, estão o melhor funcionamento do sistema imunológico, altas mais rápidas após a realização de cirurgias e até mesmo a redução do período em que os sintomas se manifestam em doenças como a gripe. Outro estudo americano de 2011, do Jefferson Medical College, mostra que os pacientes diabéticos de médicos empáticos estavam mais dispostos a controlar os níveis de açúcar no sangue e colesterol do que aqueles atendidos por profissionais que não trabalham com essa abordagem.

Construir um diálogo empático ajuda bastante os pacientes a seguirem os tratamentos e melhorarem mais rápido por realmente confiarem no profissional à sua disposição.

Verificação de efeitos terapêuticos

Ainda que muitos médicos sejam extremamente objetivos e pragmáticos ao conduzir suas tarefas, eles também devem se lembrar de que os pacientes, na maioria das vezes, reagem de uma forma mais emotiva aos problemas de saúde.

Dessa forma, um profissional empático faz com que o paciente se abra sobre suas principais angústias e aflições, trazendo um efeito terapêutico positivo para as pessoas, além de torná-las mais colaborativas e satisfeitas com todo o processo de atendimento.

Pensamento empreendedor: manutenção de clientes

Quando o médico também é empreendedor, fazendo a gestão de uma clínica ou consultório, a empatia é ainda mais importante, pois ela é uma das chaves para o desenvolvimento de relacionamentos mais duradouros entre as partes. Afinal, que paciente terá interesse em agendar uma nova consulta após constatar que os médicos do local não demonstram qualquer tipo de sensibilidade por seus problemas?

Já sabemos que fatores como a competitividade entre profissionais, pacientes desconfiados e até mesmo a transformação da medicina em negócio fazem com que muitos médicos estejam mais propensos a serem impessoais com seus pacientes, seja para acelerar a rotina durante os atendimentos ou para evitar qualquer tipo de envolvimento pessoal. No entanto, todos os benefícios trazidos pela empatia para a saúde e satisfação dos pacientes não podem ser ignorados pelos médicos que querem ver seu trabalho dando resultados.

Prezar pela comunicação empática no atendimento dos pacientes é fundamental para os médicos empreendedores que querem construir seu nome e sua empresa de forma sólida, ética e bem-sucedida.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saudebusiness.com/noticias/importancia-empatia-atendimento-medico/

Depressão no ambiente hospitalar

Depressão no ambiente hospitalar

Falar sobre depressão é sempre necessário e impostergável. Neste ano de 2017 deve ser um tema ainda mais explorado, pois foi eleito o ano de combate à depressão pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o lema “vamos conversar?”; tendo como objetivos eliminar os estigmas, disseminar informações e incentivar as pessoas a buscarem ajuda e tratamento.

Considerando a importância do tema depressão, cabe ressaltar que a estatística mundial, segundo a OMS, estimada em que mais de 300 milhões de pessoas sofrendo de depressão (dados de 2015), sendo que só no Brasil são 11 milhões (dados de 2013). E que até 2020 será a segunda causa mais incapacitante em países desenvolvidos e a primeira em países em desenvolvimento.

Então faço um recorte para falar da depressão no ambiente hospitalar, que abrange a todos que ali estão, desde o paciente até o profissional de saúde, passando inclusive por aqueles que prestam serviços administrativos.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), “a depressão é um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza persistente e uma perda de interesse por atividades que as pessoas normalmente gostam, acompanhadas por uma incapacidade de realizar atividades diárias por 14 dias ou mais. Além disso, as pessoas com depressão normalmente apresentam vários dos seguintes sintomas: perda de energia; alterações no apetite; dormir mais ou menos do que se está acostumado; ansiedade; concentração reduzida; indecisão; inquietação; sentimentos de inutilidade, culpa ou desesperança; e pensamentos de autolesão ou suicídio.”

Lembrando que atividades da vida diária (AVD) são aquelas atividades básicas que normalmente a pessoa executa sozinha, como banhar-se, alimentar-se e vestir-se, dentre outras.

Assim, a depressão não só afeta a própria pessoa, “mas os que estão à sua volta: sua família, seus amigos e colegas. Afeta comunidades e sociedades e tem um alto custo social e econômico. Devido ao estigma associado à depressão, poucos querem falar sobre ela” (Dra. Clarissa F. Etienne, diretora da OPAS/OMS, in “O ano de 2017 será da luta contra a depressão. Informe-se e ajude alguém”, http://brasileiros.com.br/MqKNL,  acesso: 13/08/2017).

Referindo-se ao profissional de saúde, Oliveira e Cunha (p. 80) nos colocam que “(…) na área da saúde o profissional deve estar em boas condições físicas e emocionais para que possa desempenhar um serviço de qualidade”. Pensamos, então, que é imprescindível,  pois estará lidando com pessoas doentes, vulneráveis e mais sensíveis às intempéries, bem como com suas famílias, que demandam atenção e que podem estar inseguras quanto ao seu futuro, o que pode gerar medo, ansiedade e depressão. Se não estiverem bem poderão se prejudicar, bem como prejudicar aqueles que estão sob seus cuidados.

E o que acontece muitas vezes é que os “profissionais da área de saúde, incluindo médicos, tem diminuído a capacidade de produção, realizando atividades com menor precisão, aumentando o absenteísmo, adoecido com maior frequência, trabalhando tensos e cansados. Estão ansiosos e depressivos, com atenção dispersa, desmotivados e com baixa realização pessoal devido ao alto grau de estresse em suas atividades”. (Oliveira e Cunha apud Santos, p. 81-82).

Mas o que é estresse? Segundo Lentine, Sonda e Biazin é “resposta fisiológica, psicológica e comportamental de uma pessoa, visando adaptação a mudanças ou situações novas, geradas por pressões externas ou internas” (p. 103). E ainda “é um estado produzido por uma mudança no ambiente que é percebido como desafiador, ameaçador ou perigoso para o balanço ou equilíbrio dinâmico da pessoa” (p. 105).

O stress ao qual estão submetidos, tanto profissionais de saúde quanto pacientes, pode levá-los à depressão, esta por sua vez levá-los à desatenção que pode gerar danos. No caso de profissionais de saúde estes danos podem causar prejuízos irreparáveis, levando-os a negligenciar a escuta do paciente através da anamnese, das queixas, a prescrever inadequadamente, avaliar erroneamente os resultados de exame, chegando à iatrogenia. No caso de pacientes podem sofrer danos por se medicarem inadequadamente, esquecendo o horário, confundindo os medicamentos, deixando de fazerem os exames pedidos, dentre outros. A desatenção em grau elevado pode, inclusive, provocar a morte do paciente, seja por negligência médica, da enfermagem ou do próprio paciente.

O trabalho em equipe se faz emergente quando falamos em depressão, pois “é cada vez mais necessário que haja ente os profissionais um trabalho de cooperação, para que a saúde seja vista de maneira total e não unicamente como um problema biológico ou psicológico”. (Escobar y Medina, p. 261). Pois a depressão mal diagnosticada será “mal” tratada, o que poderá repercutir na incapacitação prolongada do sujeito ou até mesmo culminar na sua morte.

Um dos maiores problemas que encontramos é ser a depressão pouco diagnosticada por psiquiatras, porque os pacientes não chegam até eles, permanecendo em consulta com clínicos ou outras especialidades médicas. “Os motivos para o subdiagnóstico advêm de fatores relacionados aos pacientes e aos médicos. Os pacientes podem ter preconceito em relação ao diagnóstico de depressão e descrença em relação ao tratamento. Os fatores relacionados aos médicos incluem falta de treinamento, falta de tempo, descrença em relação à efetividade do tratamento, reconhecimento apenas dos sintomas físicos da depressão e identificação dos sintomas de depressão como uma reação ‘compreensível’” (FLECK, et al).

Sempre considerando que as causas da depressão são multifatoriais, biopsicossociais, podemos levantar algumas mais comuns:

  • Doença do paciente, sendo que quanto mais grave a patologia, mais suscetível estará o paciente de desencadear um quadro depressivo. No profissional, a dificuldade em lidar com as limitações da sua profissão.

  • Conflito entre a equipe ou entre profissional e paciente.

  • Stress quando o paciente não se consegue o reajuste necessário à adaptação exigida pela patologia e no caso de profissionais de saúde quando não conseguem lidar adequadamente com pressões e tensões.

  • Incapacidade para ajudar os pacientes e seus familiares em suas demandas e o paciente na incapacidade para o enfrentamento da doença, incapacidade para lidar com sofrimento.

  • Autonomia. No caso de pacientes falta de autonomia para decidir, para continuar sua vida como antes. No caso de profissionais, falta de autonomia para assumir os riscos inerentes à sua conduta.

  • Formação deficitária dos profissionais de saúde, que desconsidera o paciente enquanto um todo, fragmentando-o ao objeto de seu estudo. Por exemplo, para os psicólogos a mente, para os médicos o biológico. Como se o paciente não fosse um ser único e indivisível.

  • Despreparo para lidar com a morte, tanto de pacientes e familiares, quanto dos profissionais de saúde. Pois a morte ainda continua sendo um tabu em nossa sociedade.

  • Frustrações quando não se alcança os resultados desejados, como a cura e a melhora, que repercutem tanto em pacientes quanto nos profissionais de saúde.

  • Vergonha por sentirem-se deprimidos, tanto profissionais quanto pacientes, o que os leva a não procurar tratamento.

  • Sofrimento do paciente e do profissional de saúde como reflexo de diversas causas.

  • Dificuldade em acolher o sofrimento do outro, seja como paciente, familiar ou profissional de saúde.

  • Sensação de fracasso, principalmente no atendimento de pacientes crônicos e/ou terminais, quando todos os esforços não são capazes de ajudá-los a melhorar. Os pacientes em relação a não conseguirem alcançar os resultados desejados e pelos quais tanto se empenharam. Isso acontece com frequência quando vem a recidiva do câncer.

  • Dores físicas e emocionais.

  • E ainda imaturidade, baixa remuneração e excesso de trabalho para os profissionais, dentre outras.

E como as pessoas falam de seus sintomas? Como os descrevem? Seguem alguns exemplos que podem ser descritos por pacientes, familiares e/ou profissionais de saúde, que nos servem de alerta para um possível caso de depressão.

  • Dificuldade para lidar com problemas.

  • Sensação de cabeça “vazia”.

  • Sensação de cansaço físico e emocional.

  • Prostração ligada ao cansaço físico e emocional.

  • Ansiedade frente a doença e o tratamento.

  • Labilidade de humor.

  • Estresse físico e emocional.

  • Memória ruim. Lembrando que de modo geral quando as pessoas se queixam da memória, estão se queixando da atenção, pois para que haja algum problema de memória é preciso que haja alguma alteração funcional.

  • Sensação de vazio, de impotência e de fracasso.

  • Desmotivação, perda de interesse por qualquer atividade que antes lhe dava prazer.

  • Perda de tônus, fraqueza muscular.

  • Sentimento de intensa tristeza.

Temos também que considerar que muitas pessoas, apesar dos sintomas e das queixas, não reconhecem que estão deprimidas e se recusam a buscar tratamento. Assim, é importante investigar junto a elas como lidam com suas queixas, o porquê delas existirem e o que os sintomas querem nos dizer através do corpo.

Mas antes de qualquer intervenção é preciso lembrar que a depressão vem carregada de preconceitos por se tratar de doença mental, entendida muitas vezes como “frescura” de quem reclama. Carrega o estigma de ser considerada pela pessoa deprimida como uma vergonhosa doença mental e é encarada como um fracasso pessoal. É considera tabu em nossa sociedade, o que leva as pessoas a não procurarem o adequado tratamento. Estes preconceitos devem ser valorados antes de qualquer intervenção, para que não caiamos na leitura mais simplória de tratar-se de um problema que pode ser tratado apenas com medicamentos.

Campos nos traz uma leitura diferenciada para a depressão, como sintoma do sofrimento psíquico, onde em psicoterapia o sujeito pode resgatar sua interioridade e acessar-se através da fala. Assim, deve ser tratada como um sofrimento único e individual, peculiar de cada um.

Proponho que pensemos a depressão a partir de 3 classificações para que possamos conduzir nossos atendimentos.

  • Depressão endógena: aquela provocada por fatores constitucionais, que não depende de fatores externos para ser desencadeada. Podemos pensar também na depressão que inicialmente advém de uma doença, como encefalopatia, e que mesmo depois de tratada a patologia, continua a existir devido às lesões provocadas pela doença; também podemos pensar naquela provocada por uso de medicamento, pois não se trata de uma resposta emocional, mas sim de uma resposta orgânica.

  • Depressão reativa: é aquela depressão que vem como resposta emocional a fatores externos, e se dá, 2º Elisabeth Kübler-Ross, como reação a perdas passadas.

  • Depressão preparatória: é um termo cunhado por E. Kübler-Ross a partir de seus estudos junto a pacientes terminais. Refere-se à depressão que se dá em decorrência de perdas futuras. É comum em pacientes terminais quando percebem que seu fim está próximo.

Campos nos traz que os benefícios da medicação serão sentidos como melhora em 60 a 65% dos pacientes e que destes, 50% terão recaídas. O que nos mostra um índice insatisfatório com o tratamento medicamentoso. Ele se refere neste contexto como “farmacoterapia da depressão”.

A medicação ajuda a tirar o paciente da letargia e em um primeiro momento é interessante por nos possibilitar trabalhá-lo em terapia. Porque quando o paciente está em quadro muito grave de depressão, podendo mesmo ser confundido com quadro demencial, ele não consegue nem raciocinar e nem ter atenção, bem como nada o interessa, nem mesmo seu tratamento. Todo cuidado é pouco neste momento, pois tirando o paciente do quadro de letargia pode-se ajudá-lo a passar ao ato e este intentar o suicídio. Foi o que ocorreu há anos atrás quando lançaram o “Prozacâ” (fluoxetina) e houve uma intensa divulgação pela mídia como a “pílula da felicidade”.

Hoje temos uma tendência à medicalização da dor, do sofrimento e da depressão, como uma solução mágica e rápida. Onde a medicalização é destinada aos sintomas descritivos, como colocados pelo DSM-5, desconsiderando os fatores psicossociais de quem adoece. No entanto, não adianta combater sintomas sem eliminar as causas.

Campos nos chama a atenção para os remédios ganhando “o estigma de recurso terapêutico plenamente efetivo”, com promessa de felicidade. Nos traz em seu texto que “o conceito de medicalização foi cunhado e trabalhado em sua nova dimensão conceitual e histórica mais ampla por Foucault (1998, 2008), para afirmar o lugar de centralidade que passa a ocupar o saber médico a partir da modernidade na configuração de dinâmica social e política” (p. 31)

Assim, podemos dizer que a medicalização do sofrimento tenta combater sintomas sem tratar as causas, que “problemas não médicos passam a ser definidos e tratados como tais, ou seja, em que as diversas dimensões sociais, históricas, políticas e culturais, próprias da condição humana, passam a ser reduzidas estritamente a uma dimensão biológica e médica, com notáveis efeitos ideológicos”. (CAMPOS, p. 31). E mais adiante Campos completa dizendo que o medicamento é “uma promessa de alívio da dor sem entrar na subjetividade” (p. 32).

Então temos a sedução da medicação que está na promessa de resolução de conflitos psíquicos, sem que o sujeito tenha que entrar na dimensão psíquica de seu sofrimento. Desta maneira, torna-se mais fácil e cômodo, mesmo que com o baixo alcance de resultados, transferir a responsabilidade pela felicidade para algo externo (medicamento) ao invés de responsabilizar-se por si mesmo em um processo psicoterapêutico, lidando com seu sofrimento psíquico.

As pessoas nos chegam, de modo geral, queixando-se de verem o mundo em preto e branco, sem cor e sem alegria. Relatando que se perderam em um mundo cruel e sem atrativos, onde seu sofrimento supera qualquer vontade de fazer alguma coisa. E isso me remete a Campos (p. 32) quando ele diz que “é um indivíduo a quem dói desejar”. Já não há o que desejar e “seu refúgio está no corpo: no corpo que dorme, que se recusa a levantar, que não quer viver. Seu desejo é ver isso passar, mas nessa passagem há uma resistência muito grande de entrada nas fantasias que ordenam esse sofrimento”.

Como uma maneira de se alcançar essa subjetividade e de resgatar-se enquanto sujeito, Campos apud Machado e Ferreira nos trazem que “qualquer reflexão sobre si fica excluída ou se torna obsoleta, uma vez que remete ao sofrimento psíquico e à interioridade do sujeito. Esquece-se, por exemplo, que a psicanálise, acessando o inconsciente e tomando a depressão como um sintoma do sofrimento psíquico em suas diferentes roupagens na atualidade, é capaz de resgatar essa interioridade e acessar a verdade do sujeito através da fala” (p. 32).

E qual não é o lema da OMS neste 2017 quando o elege para o ano do combate à depressão? “Vamos conversar”. Com este lema busca-se incentivar as pessoas a falarem da sua tristeza, da sua depressão. “O primeiro passo para receber tratamento é falar. Se você conhece alguém com depressão, escute o que ela tem a dizer. Se você sofre de depressão, dê o primeiro passo hoje. Fale com alguém”. (CLARISSA F. ETIENNE, diretora da OPAS/OMS).

E se é você a pessoa que ouve quem está deprimido, seja acolhedor e compreensivo, não julgue, não critique, não desvalorize as queixas e ofereça ajuda.

E indo mais além do incentivo a falar, devemos também estar preparados, não só os profissionais de saúde, mas toda a população, para perceber os sintomas da depressão em terceiros, aqueles que não se dão conta de que estão deprimidos, para só, então, motivá-los a falar do que os incomoda.

Na minha prática tenho pacientes que chegam ao consultório dizendo que estão bem e que vieram porque alguém os mandou vir. Neste momento aproveito que já estão ali e já faço a minha intervenção iniciando uma pequena anamnese de maneira a motivá-los a falar. Vejo-os como quem percebe a vida como uma fotografia impressa e já velha que vai se esmaecendo com o tempo até se apagar. É preciso interceder, é preciso ajudá-los de alguma maneira a se resgatarem neste tempo, de maneira a encontrarem o que antes lhes dava prazer. E isso é possível através da terapia, da sua fala que é escutada em si mesmo, passível de compreensão, de uma releitura, de uma elaboração.

Temos então como alternativas de tratamentos para reduzir os sintomas da depressão o uso de medicamentos, que ajudarão a pessoa em um primeiro momento, mas não resolverão sua depressão, temos também a psicoterapia, e a psicoterapia associada ao medicamento. E para tratar a depressão temos a psicoterapia e a psicoterapia associada ao medicamento. Sempre considerando que a depressão grave pode levar o sujeito ao suicídio. “Estima-se que cerca de 90% dos indivíduos que puseram fim às suas vidas cometendo suicídio tinham alguma perturbação mental e que, na altura, 60% deles estavam deprimidos. (…) O risco elevado de suicídio também tem sido associado com a esquizofrenia, abuso de substâncias, perturbações da personalidade, perturbações da ansiedade, incluindo perturbação de stress pós-traumático, e co-morbidade destes diagnósticos” (OMS, p. 5, Prevenção do Suicídio).

Não são raros os pacientes que me chegam ao consultório já estando medicados há meses e sem resultado satisfatório, queixando-se de problemas somáticos intimamente ligados ao emocional.

Segundo a psiquiatra Alexandrina Maleiro, na I Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos, devemos estar alertas para “algumas hipóteses em relação ao comportamento dos médicos que cometem suicídio:

  • Especial vulnerabilidade. “Manifestam especial vulnerabilidade ou experiências de eventos circunstanciais diferentes (recente perda profissional ou pessoal, problemas financeiros ou de licença) em relação aos outros médicos”.

  • Jornada de trabalho excessiva. “Tendem a trabalhar mais horas que os outros colegas”.

  • Abuso de álcool e/ou outras drogas.

  • Insatisfação com a profissão. “Estão mais insatisfeitos com suas carreiras médicas que outros médicos”.

  • Intenção de suicidar-se. “Dão sinais de aviso da intenção de suicidar-se a outros”.

  • Transtorno mental e emocional. “Têm transtorno mental e emocional com mais frequência”.

  • Problemas familiares. “Tiveram dificuldades na infância e seus problemas familiares são comuns”.

  • Automedicação. “Automedicam-se mais frequentemente que os outros colegas”.

E quanto aqueles pacientes internados? Diante da minha prática em hospitais pude perceber que algumas situações demandam especial atenção dos profissionais de saúde, pois em muitos casos pode culminar em um processo depressivo. Temos, então, como alguns exemplos:

  • Diagnóstico de doença grave. O que deixa o paciente “sem chão” e sem esperança de melhora ou cura. Pode sentir-se desesperado frente ao diagnóstico.

  • Diagnóstico de doença crônica com limitação das suas atividades.

  • Impossibilidade de continuidade de tratamento por terem se esgotado todas as possibilidades terapêuticas.

  • Internação em setores de grande ocorrência de óbitos, onde os pacientes têm os mesmos diagnósticos, criando a “fantasia” de que ele poderá ser o próximo a morrer.

  • Internação prolongada, afastando o paciente dos seus entes queridos e das suas atividades. O que pode gerar sentimentos de inutilidade e também de “peso” para as pessoas queridas e/ou que cuidam dele.

  • Perda financeira em decorrência do custo do tratamento da doença e/ou do afastamento do paciente das suas atividades.

  • Encaminhamento do paciente para os cuidados paliativos. O paciente se sente como se estivesse diante de morte iminente, percepção carregada de estereótipos do passado em relação ao que sejam os cuidados paliativos.

  • Recebimento de resultado de exames/biópsia com resultados positivos para doenças graves e ainda pior se forem doenças associados a estigmas preconceituosos. Como, por exemplo, HIV positivo.

  • Necessidade de procedimento cirúrgico para amputação de membro.

  • Pós-operatório doloroso e complicado.

  • Dor física, dor crônica, que acabam por prejudicar o paciente, por mantê-lo em alerta na sua dor, direcionando sua atenção para somente seu sofrimento.

  • Depressão pré-existente intensificada a partir do adoecimento e/ou acidente.

  • Incapacitação e perda de autonomia em decorrência da doença e/ou acidente.

  • Ansiedade frente à morte, a sua e/ou de outros pacientes internados, seja esta iminente ou não.

  • Comunicação deficiente entre paciente e profissionais de saúde, gerando transtornos e fantasias que poderiam ser evitados.

  • Sentimento de culpa pelo aparecimento da doença e/ou da desorganização familiar provocada pela internação.

  • Ociosidade no hospital quando se tratando de pacientes conscientes e não incapacitados.

  • Sentimentos de solidão e desamparo.

Para finalizarmos, o sujeito deve, então, ser pensado como um todo e não somente nos critérios descritivos do DSM-5, considerando-se sua subjetividade e a etiologia dos seus sintomas. “O problema em jogo nas caracterizações diagnósticas atuais é, justamente, ter aberto mão do lugar da subjetividade no diagnóstico como garantia de objetividade e universalidade. Essa posição abre mão de hipóteses etiológicas e coloca no lugar critérios sintomatológicos”. (CAMPOS).

Podemos, então, concluir que precisamos acolher que tem depressão. E acolher implica em respeitar, escutar o que a pessoa tem a dizer, considerando sua subjetividade, ou seja, considerando aquilo que é dela: seus sentimentos, seus valores, suas vivências, enfim, sua individualidade.  Assim, escutar e diagnosticar, diagnosticar para tratar e se for o caso, encaminhar para tratar-se.

Ninguém está imune à depressão e todo alerta deve ser considerado, tanto por parte dos profissionais de saúde quanto por parte dos pacientes/familiares, para que possa ser devidamente tratada, não prejudicando, assim, a qualidade de vida e a alegria de viver.

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TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?depressao-no-ambiente-hospitalar-do-paciente-ao-profissional-de-saude&codigo=AOP0449

Modelo epidemiológico permite mapear deslocamento do vírus da febre amarela e antecipar políticas públicas.

 Segundo o Ministério da Saúde no período entre julho de 2017 e abril de 2018 foram confirmados 1.127 casos de febre amarela no país e 328 óbitos. O vírus é endêmico na região norte do Brasil, contudo, em 2017 uma onda epizoótica dirigiu-se sentido região sudeste, colocando grandes centros urbanos, como São Paulo e Campinas, na trilha da doença. Esse cenário implicaria na necessidade de vacinação de 30 milhões de pessoas.

O mosquito Haemagogus, vetor do vírus, necessita de um ambiente silvestre para sobreviver. Através de fragmentos florestais o vírus encontrou caminho para atingir a região sudeste. Já nos centros urbanos encontra como aliado de disseminação o mosquito Aedes aegypti. Ainda não há um tratamento antiviral especifico, portanto a vacina é a melhor estratégia.

Na busca por políticas públicas para conter o avanço da doença, o veterinário e epidemiologista Adriano Pinter, pesquisador da SUCEN (Superintendência de Controle de Endemias), viabilizou um modelo epidemiológico que permite descrever o sentido, a velocidade e os prováveis caminhos (corredores ecológicos funcionais) do vírus da febre amarela. O mapeamento do agente é baseado na presença de macacos infectados, cada local no qual um primata foi encontrado é marcado no mapa com sua localização e data precisa. O conjunto dessas marcações gera uma visualização topográfica da dispersão espacial do vírus e o tempo que levou para se deslocar entre fragmentos florestais.

A análise dos dados coletados identificou corredores ecológicos funcionais e potenciais para a disseminação e quantificou que a velocidade de deslocamento do vírus é de 2,5 a 2,6 km/dia. Com essas informações foi possível estimar a provável data de chegada do vírus em regiões próximas a centros urbanos.

Com a delimitação espaço-tempo dos corredores é possível realizar uma triagem das áreas de risco e acionar medidas de prevenção antes mesmo da chegada do vírus. Os mapas fornecidos por Pinter embasaram as decisões da Secretaria de Saúde quanto à campanha de vacinação: ao invés de utilizar a estratégia de vacinar todos os moradores em um raio de 30 quilômetros do ponto onde um macaco foi encontrado passou a vacinar somente os moradores das áreas de risco determinadas pelo estudo.

A técnica se mostrou bastante adequada uma vez que garante otimização do estoque vacinal, reduz potenciais reações adversas à vacina e permite uma ação por antecipação, cumprindo assim com excelência o papel profilático da vacina.

Fontes:

Ministério da Saúde;

Organização Mundial da Saúde;

Pesquisa FAPESP: Na trilha da febre amarela.