dezembro 2018 – Página: 2 – Widoctor

Archive dezembro 2018

Insatisfação Com a Radiologia

Pergunta : Bruno (Universidade Luterana do Brasil )
Tenho 41 anos e sou radiologista. Não gosto da área que atuo e quero fazer outra especialidade. Pretendo ir para terapia intensiva (2 anos de clínica médica e 2 de intensiva). Muito chão pela frente. A longo prazo terei ainda tempo razoável para exercer a especialidade (fisicamente desgastante pelos plantões)? Qual a idade que os intensivistas geralmente se aposentam? Qual é a sua opinião?

Resposta :

Nunca é tarde para se “chutar a barraca “ e correr atrás de uma vida profissional mais compensadora pessoalmente.

Quando a barraca é boa ( e podemos considerar a radiologia uma boa barraca do ponto de vista financeiro e de qualidade de vida), devemos pensar bem antes de tomar essa atitude.

Não seria o caso de buscar novos desafios dentro da radiologia, tais como radiologia intervencionista ou telemedicina ?

Pense que a profissão (qualquer que seja ela) deve ser encarada como atividade meio e não atividade final. Nosso objetivo deve ser o de TRABALHAR PARA VIVER E NÃO VIVER PARA TRABALALHAR.

Mas de qualquer modo se estiver realmente decidido em buscar novos desafios na área de Medicina Intensiva, um caminho mais curto seria o de fazer uma Pós Graduação lato sensu em terapia intensiva, possibilidade aberta para médicos de qualquer especialidade. Nesse caso seu tempo de formação nessa nova área seria menor e durante o curso vc vai poder confirmar se realmente vai se identificar com essa especialidade.

Abaixo alguma informação da AMIB.

 

Pós-Graduação AMIB – Entenda Melhor

 

INTRODUÇÃO

Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, a Medicina Intensiva tornou-se essencial no tratamento de pacientes graves. É nessas unidades que se tem a garantia de sucesso de cirurgias complexas, bem como da terapia de pacientes acometidos por disfunções orgânicas múltiplas ou de pacientes politraumatizados, dentre outros. A Medicina Intensiva tem sido indubitavelmente uma das principais responsáveis pela melhora observada nos índices prognósticos e diminuição da mortalidade desses pacientes. No entanto, reconhece-se, hoje, que, para que tal melhoria ocorra, faz-se necessário que esses pacientes sejam conduzidos por equipe multidisciplinar liderada por profissional capacitado por meio de formação em Medicina Intensiva.

A Medicina Intensiva é uma especialidade jovem em nosso país. Vários programas de residência médica em Medicina Intensiva estão ativos há vários anos. No entanto, ainda estão concentrados em áreas geográficas limitadas e com número de vagas insuficientes para suprir as necessidades de um país com dimensões continentais, como o Brasil. Essas limitações impossibilitam o acesso à formação de novos profissionais gerando, assim, a necessidade de programas que visem otimizar a qualificação de profissionais que já atuem nessa área da atividade médica.

O curso de PG lato sensu em Medicina Intensiva chancelado pela AMIB preenche importante lacuna na atualização e no aperfeiçoamento do conhecimento de profissionais que, hoje, atuam nessa área médica, visando à melhoria da qualidade do atendimento prestado ao paciente crítico e melhorando, assim, seu prognóstico.

O curso de pós-graduação (PG) lato sensu em Medicina Intensiva chancelado pela Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB) objetiva aperfeiçoar o conhecimento de profissionais envolvidos com a prática da Medicina Intensiva e ocorre pela celebração de contrato entre a AMIB e a Instituição de Ensino Superior (IES) credenciada pelo Ministério da Educação (MEC). O desenvolvimento do projeto pedagógico e da estruturação curricular, bem como a indicação do corpo docente, é realizada por meio dessa parceria entre a AMIB e a IES.

A AMIB tem, assim, a missão de promover a expansão desse projeto primando pela qualidade superior do mesmo.

 

JUSTIFICATIVA

A AMIB, ao mesmo tempo em que reitera a necessidade de formação de novos profissionais na área de Medicina Intensiva por meio da residência médica, reconhece a impossibilidade de levar essa formação, em curto prazo, a todo o Brasil sendo, assim, necessário e urgente desenvolver projetos de Educação Continuada que visam à melhor qualificação de profissionais que atuam nessa área medica. Entende-se que o paciente gravemente enfermo deve ser assistido por equipe multidisciplinar habilitada e treinada para a identificação e o manuseio precoce de situações que colocam esses pacientes em risco de vida. A literatura médica internacional demonstra claramente que a capacitação profissional traz vantagens quanto à evolução dos pacientes, ao tempo de internação e aos custos hospitalares.

 

OBJETIVOS

O curso foi desenvolvido de acordo com a Resolução 1, de 3 de abril de 2001, da Câmara de Educação Superior (CES)/Conselho Nacional de Educação (CNE)/MEC. O objetivo geral do curso é o de proporcionar uma qualificação em Medicina Intensiva, em nível de PG, aos profissionais médicos que atuem nessa área ou que possam vir a atender pacientes gravemente enfermos. O curso visa, ainda, conscientizar os profissionais de saúde sobre a necessidade de profissionais capacitados atuando na área de Medicina Intensiva, mas, principalmente, do impacto na melhoria do atendimento de saúde e dos resultados obtidos pela presença desse profissional na UTI.

Os objetivos específicos do curso incluem:

– Promover atividades científicas e proporcionar o aperfeiçoamento em Medicina Intensiva;

– Capacitar o médico a identificar e a solucionar os problemas do paciente gravemente enfermo;

– Desenvolver, no médico, em seus aspectos conceituais e práticos, a liderança necessária para o trabalho em equipe, próprios da multiprofissionalidade e transdisciplinaridade assistencial do paciente grave;

– Fomentar o conhecimento e a prática dos conceitos éticos e humanitários da Medicina Intensiva;

– Desenvolver o espírito profissional observador e crítico, capaz de realizar estudos de realidade, pesquisa e educação continuada em Medicina Intensiva bem como formar profissionais capazes de liderar projetos associativos identificados com as necessidades sociais da comunidade em que se insere.

É importante ressaltar que a especialidade “Medicina Intensiva” exige vivência prática, requerendo destreza técnica em inúmeros procedimentos invasivos e complexos, os quais não serão contemplados de maneira prática na PG lato sensu. A formação do intensivista exige experiência em beira de leito idealmente obtida em programas de residência médica ou, alternativamente, Comprovar experiência profissional caracterizada pela jornada de trabalho de, no mínimo, 20 (vinte) horas semanais como plantonista em UTI, por período de pelo menos 8 (oito) anos, sendo que essa atividade deve ser ininterrupta nos últimos dois anos, sendo estes os requisitos exigidos atualmente pela AMIB para que o médico seja considerado candidato a prestar a prova de título AMIB-AMB para a titulação na especialidade.

A certificação obtida com a PG não é pré-requisitos para prestar a Prova de Título, somente deve ser considerada na pontuação da prova teórica do Título de Especialista, obedecendo as normas do Edital da Prova, quando da avaliação para obtenção do Título de Especialista em Medicina Intensiva.

 

CARGA HORÁRIA / PERÍODO E PERIODICIDADE 

A carga horária total do curso é de 360 h/a.

A duração do curso é de 18 meses.

O curso é ministrado em módulos mensais com 20 h/a.

As aulas serão distribuídas de duas formas: na sexta-feira das 14 às 22h e sábado das 8 às 16h

 

PÚBLICO-ALVO 

Com tal programa, a AMIB visa contemplar especialmente os profissionais que já atuam em Medicina Intensiva, mas que não tiveram formação nessa especialidade durante a residência medica, que é considerada padrão-ouro na formação de intensivistas. O curso tem ainda papel qualificador importante para profissionais que atuam em unidades de urgência e emergência, já que aborda o paciente grave em todos seus aspectos.

De acordo com a Resolução 1, de 3 de abril de 2001 da CES/CNE/MEC, que estabelece normas para o funcionamento dos cursos de PG, fica definido que o curso deve ser oferecido a portadores de Diploma de Médico.

Sucesso

Mário Novais

 

 

 

 

 

 

TOC não é brincadeira – entenda como funciona o transtorno

TOC não é brincadeira – entenda como funciona o transtorno

Pensamentos que não saem da mente acompanhados de rituais complexos e rígidos comprometem a qualidade de vida de quem tem transtorno obsessivo compulsivo

Jenifer checa a escova de dentes diversas vezes no banheiro para ter certeza de que não engoliu o objeto. Caio passou três horas em idas e voltas pela mesma ponte da Marginal Tietê, em São Paulo, sem conseguir chegar ao seu destino. Gleyce teve um ataque de choro ao ver uma panela suja na pia de sua casa. Esses são exemplos reais de pessoas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC), uma condição psiquiátrica que atinge ao redor de 8 milhões de brasileiros.

Os três fazem parte de um grupo de discussão sobre o tema no Facebook, que conta com mais de 12 mil participantes. Eles aceitaram, junto com outras 37 pessoas, falar sobre o impacto da doença em suas vidas para esta reportagem – você confere os depoimentos ao longo dela.

 

“O TOC me desconcentra, bagunça minhas relações e faz com que eu fique viciada em tópicos específicos. Me sinto um disco quebrado, com um fantasma que não me deixa viver o presente.”

Claudia, 28 anos

O ponto que une todos os relatos é a frustração com o preconceito que existe sobre o TOC. Muitos ainda se incomodam com o senso comum, que encara o assunto como piada ou uma coisa fácil de ser superada. Não é, não.

Trata-se de um quadro de difícil manejo, marcado por pensamentos inconvenientes que invadem a cabeça sem aviso prévio. Eles são seguidos por um rito ou um comportamento repetido, que serve de escape para acalmar a mente. “É o caso do sujeito com um pavor irracional de bactérias que deixa de tocar em maçanetas e lava as mãos compulsivamente para não se contaminar”, exemplifica o médico Antônio Geraldo da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Apesar de afetar tanta gente, pouco se sabe sobre as origens do problema. “Acreditamos que ele seja o resultado da interação de uma falha genética com fatores ambientais”, conta o psiquiatra Leonardo Fontenelle, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Situações como traumas no partoabuso nos primeiros anos de vida e até infecções estão associadas à gênese do transtorno.

infância e a adolescência, aliás, são os períodos-chave para o aparecimento dos sintomas iniciais em mais da metade das vezes. Outras fases e momentos, como o nascimento de um filho, também contribuem: pais e mães predispostos podem desenvolver uma preocupação doentia com o bebê que acabou de vir ao mundo.

O TOC no Brasil

Uma boa notícia é que o Brasil está na vanguarda científica e obteve avanços memoráveis no que se sabe sobre o transtorno. Em 2003, experts de diversas universidades se reuniram para formar um time voltado exclusivamente a pesquisar o TOC. Eles entrevistaram 1 001 portadores espalhados pelos quatro cantos do país.

A partir das informações, montaram o maior banco de dados sobre o tema do mundo. “Esse esforço coletivo já gerou mais de 50 artigos científicos e permite fazer conclusões certeiras que vão beneficiar diretamente essa comunidade”, comemora o médico Euripedes Constantino Miguel, professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e fundador do consórcio.

Um dos principais achados foi a relação do TOC com uma série de distúrbios psiquiátricos: 68% dos respondentes sofriam ao mesmo tempo com depressão, 63% conviviam com quadros de ansiedade generalizada e 35% foram diagnosticados com fobia social. Ou seja: por aqui, ter mais de uma encrenca mental é regra, e não exceção, o que modifica o tratamento receitado.

“Os levantamentos ainda mostraram que um terço dos pacientes já teve desejos de se suicidar e 10% haviam efetivamente tentado se matar, o que reflete a gravidade desses pensamentos e comportamentos”, acrescenta o psiquiatra Ygor Arzeno Ferrão, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

É TOC ou não?

Mas como diferenciar uma pessoa com TOC daquela que apenas gosta das coisas devidamente organizadas? “Se os rituais começam a tomar tempo, interferem na qualidade de vida, atrapalham a capacidade de estudar e trabalhar ou geram angústia e solidão, é preciso buscar ajuda”, responde a psiquiatra Albina Rodrigues Torres, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista. A preocupação se inicia quando eles ocupam mais de uma hora por dia e fazem o indivíduo se atrasar ou até desistir de seus compromissos.

E é aí que deparamos com outro dilema: a demora entre o início do transtorno e o seu diagnóstico. “A média é de dez a 14 anos para procurar o médico, o que faz do TOC a doença do segredo”, lamenta a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os gargalos são a falta de conhecimento dos próprios profissionais de saúde sobre a enfermidade e, mais uma vez, o estigma de ser tachado de “louco” numa sociedade que não encara as condições psiquiátricas com muito respeito. “O paciente compreende que suas atitudes são absurdas e os ritos desnecessários, mas não consegue deixar de segui-los”, esmiúça Roseli.

 

“Tenho considerado a ideia de largar o emprego e a vida social. Assim, me dedicarei completamente às minhas manias.”

Joana, 26 anos

O tratamento

A partir do diagnóstico, feito no consultório por meio de uma conversa e uma avaliação, o médico começa a traçar a rota de recuperação. “A primeira coisa a se fazer é a psicoeducação para explicar direitinho o que é o TOC, suas características e seus riscos”, diz a psiquiatra Maria Conceição do Rosário, da Universidade Federal de São Paulo.

Na sequência, vêm a terapia cognitivo-comportamental e os remédios da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, normalmente prescritos no combate à depressão. A união dessas duas estratégias em um tratamento de longa duração é a que costuma trazer os melhores resultados – cerca de 60% mantêm um bom controle com o esquema.

Para ter sucesso, é necessário abrir o olho para as doenças que seguem de mãos dadas ao transtorno, como a fobia social e a bipolaridade. “Algumas delas pioram se forem utilizados determinados medicamentos, o que demanda adaptações nas doses e na escolha do fármaco”, avisa o psiquiatra Pedro Antônio do Prado Lima, do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Não dá pra se esquecer da família nesse processo. Muitas vezes, os parentes participam dos rituais, pois sabem que desobedecer as regras do indivíduo desemboca em atritos. O correto seria não ceder a exigências e manias. “Ele até pode ficar ansioso ou agressivo, mas isso vai durar pouco. Se compactuar com as compulsões, todos se tornam reféns do TOC para sempre”, recomenda Ferrão. O esforço de negar as vontades e agir com firmeza deve ser orientado pelo profissional de saúde. Ao longo das terapias, o paciente é incentivado a questionar seus pensamentos e modificar os comportamentos.

A ciência não está satisfeita e se debruça sobre uma lista grande de novas possibilidades terapêuticas. O mindfulness, técnica de atenção plena que se inspira em alguns conceitos da meditação, mostrou ótimo desempenho em pesquisas e surge como um potencial complemento aos comprimidos.

“Existem perspectivas sobre a neuromodulação, que estimula ou inibe regiões do cérebro com eletricidade ou ondas magnéticas”, vislumbra a psiquiatra Juliana Belo Diniz, do Hospital das Clínicas paulistano. Alguns apostam até na implantação de marca-passos e eletrodos na massa cinzenta para os casos que não reagem às alternativas disponíveis.

Porém, de nada vai adiantar essa batelada de tecnologias se as pessoas prejudicadas não puderem falar abertamente sobre o assunto e procurarem ajuda especializada. Leda Sampaio, de 37 anos, não conseguia mais ficar sozinha com seus filhos após sofrer um trauma nove anos atrás. Depois de cinco anos de altos e baixos, buscou apoio e, hoje, se sente bem melhor. “Há uma vida toda nos esperando depois do TOC”, declara. Sábio conselho de quem viu, viveu e está vencendo suas próprias obsessões.

 

“Infelizmente, o TOC é visto como bobagem ou frescura. Até dentro de casa temos que ouvir piadinhas…”

Giselle, 41 anos

Manifestações diferentes do TOC

  1. Tudo precisa ficar estritamente organizado, alinhado, ordenado… Algo que fuja do padrão gera calafrios e irritação. Eis um dos principais subtipos do transtorno.
  2. Há aqueles que criam um medo gigante de contaminação. Isso os impede de tocar em portas e corrimões. Existe uma dificuldade de visitar lugares como hospitais e cemitérios.
  3. Um terceiro grupo não sai de casa sem olhar várias vezes a fechadura, o gás ou as torneiras. Eles cumprem uma maratona de ritos e cultos que demoram desde minutos até algumas horas.

 

E os acumuladores?

Por décadas, quem não jogava nada no lixo era classificado de obsessivo compulsivo. Mas o critério mudou, e hoje essa enfermidade é reconhecida como um problema independente. No TOC, esse sintoma até aparece, mas é um fator secundário a outros comportamentos.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/toc-nao-e-brincadeira-entenda-como-funciona-o-transtorno/

Esquizofrênico é agressivo e violento?

Esquizofrênico é agressivo e violento?

Toda vez que um crime chocante atinge a nossa sociedade é comum a presença de pessoas questionando a relação entre doença mental e violência. Isso pode ser muito prejudicial devido ao sofrimento e preconceito que portadores e familiares de pacientes com transtornos mentais já enfrentam naturalmente no cotidiano.

O recente assassinato do conceituado cineasta Eduardo Coutinho pelo seu filho Daniel chamou os holofotes para a possibilidade do diagnóstico de esquizofrenia e que deverá ser confirmado.

A esquizofrenia é uma doença mental que atinge cerca de 1% da população mundial e estima-se que no Brasil atinja 2,5 milhões de pessoas- não há diferenças na frequência da doença entre homens e mulheres. Costuma ter início na adolescência (em alguns casos na infância) e o início dificilmente ocorre após os 30 anos de idade. A hereditariedade pode ser um fator de risco maior, assim como o parto traumático (ou com sofrimento fetal) e o uso de drogas. Há vários trabalhos científicos sérios que demonstram uma chance aumentada de esquizofrenia em até dez vezes entre usuários de maconha que possuem genes predisponentes ao transtorno.

Geralmente, a esquizofrenia começa a partir de alterações comportamentais na adolescência. É comum o jovem se isolar socialmente, ficar desconfiado e com medos infundados a respeito da realidade que o cerca. Concomitantemente, pode haver prejuízos na funcionalidade do jovem nos diversos níveis de atuação.

Os sintomas positivos conhecidos como delirios e alucinações (percepções táteis, visuais ou auditivas na ausência dos respectivos estímulos) são os mais preocupantes para todos. Durante os conhecidos “surtos psicóticos” as pessoas têm alterações perceptíveis de juízo e crítica a respeito da realidade que as cercam. O discurso geralmente é desconexo e confuso, além de difícil entendimento do significado de um determinado pensamento ou idéia. Alguns pacientes podem apresentar a catatonia (imobilidade motora, atividade motora excessiva ou até mutismo) ou mesmo o embotamento afetivo onde o paciente não tem a minima expressão emocional.

Tanto mutações genéticas herdadas quanto mutações genéticas não herdadas podem causar a esquizofrenia ao interferirem no desenvolvimento cerebral, especificamente na plasticidade sináptica (capacidade que o cérebro tem em se remodelar e estabelecer novas conexões). Tais mutações podem interferir na força das ligações entre os neurônios (células nervosas). Há determinados tipos de mutações que podem estar presentes tanto na predisposição à esquizofrenia quanto ao autismo e essa é uma área de muito interesse na neurociência atual onde recentemente foi publicado um artigo na conceituada Revista Nature.

Como em toda doença crônica, o grande problema é a baixa aderência ao tratamento. É comum os pacientes abandonarem o tratamento, fumarem excessivamente (o que pode diminuir o efeito do medicamento antipsicótico) ou usarem concomitantemente drogas como álcool, maconha e cocaína que pioram o curso da doença levando a surtos psicóticos frequentes.

Pacientes esquizofrênicos em tratamentos regulares podem ter uma vida bem ajustada do ponto de vista psicossocial e familiar. Hoje dispomos de antipsicóticos eficazes e com bom perfil de efeitos colaterais distribuídos pelo SUS como medicações de alto custo. Há diferentes tipos e graus de esquizofrenia e cada caso deve ser analisado individualmente- sendo importantes o diagnóstico e o tratamento precoces. Na fase aguda da doença, onde o surto psicótico ocorre, a internação pode ser necessária em algumas situações e daí o drama da falta de leitos psiquiátricos no SUS atormenta familiares e pacientes carentes. Durante a fase de manutenção, o tratamento ambulatorial é o indicado.

Portanto, o paciente esquizofrênico em tratamento correto não é mais ou menos violento que qualquer pessoa da sociedade e tal informação precisa ser do conhecimento de todos. Essas pessoas já estão marcadas por muita estigmatização e isso precisa ser combatido dentro da sociedade.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://emais.estadao.com.br/blogs/joel-renno/esquizofrenico-e-agressivo-e-violento/

Oftalmologia ou Radiologia

Pergunta : Gabriel ( Faculdade de Medicina de Petrópolis )
Boa noite, Mario. Estou indo para 6º ano, e ainda me perseguem as dúvidas quanto a escolha de especialidade médica. Estou entre Oftalmologia e Radiologia. Fico receoso com Oftalmo, devido ao alto custo para montagem de consultório, e como vou me formar mais velho (29 anos), não sei como seria o retorno a médio e curto prazo. Você tem alguma noção do custo básico para um consultório de Oftalmologia? Já me relação a radiologia, o receio é pela questão da incorporação da Inteligência Artificial na prática médica, não sei qual seria o impacto futuramente no dia-a-dia do radiologista. Grato

Resposta :

As duas são boas especialidades, porém com dia a dia diferentes. Na oftalmologia vc vai ser um “ator principal – protagonista” e na radiologia vai ser um “ator coadjuvante”.

Na oftalmologia vc vai poder empreender com mais facilidade e ter mais autonomia e na radiologia, na maioria das vezes, vai trabalhar para outras empresas de diagnóstico por imagem.

Pelo fato de começar a trabalhar como empregado, na radiologia vai ter uma melhor remuneração do que na oftalmologia no início de carreira, mas a longo prazo vai ser melhor remunerado na oftalmologia, a partir de criar uma clínica própria.

Não deve se preocupar tanto com os custos de montar um consultório de oftalmologia, pois além de conseguir financiamento bancário ou das próprias empresas fornecedoras de equipamentos, vc pode iniciar adquirindo aparelhos usados em bom estado (prática comum no mercado de oftalmologia)  e montar um consultório básico por menos de R4 20.000,00 (em termos de equipamentos). Aos poucos vc vai adquirindo outros equipamentos com a remuneração do próprio consultório.

Sucesso

Mário Novais

A Ameaça das Bactérias Resistentes

A Ameaça das Bactérias Resistentes

Os produtos a base de álcool utilizados para a desinfecção em procedimentos hospitalares está ficando menos efetivo no extermínio de alguns tipos de bactérias. A constatação de pesquisadores da universidade australiana de Melbourne acompanhou a tendência do desenvolvimento das chamadas superbactérias: após algum tempo, esses seres microscópicos tornam-se resistentes a medicamentos e outras substâncias por conta de mutações.

Algumas das bactérias que se mostraram resistentes aos desifentantes são as mesmas que preocupam as autoridades de saúde em todo o planeta por conta de sua capacidade de sobreviver a antibióticos: é o caso do Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA), uma das principais causadoras de infecções graves em hospitais.

Os cientistas notaram que alguns exemplares da Enterococcus faecium conseguiram aumentar sua resistência aos produtos feitos com álcool a partir de testes com ratos. Mesmo em gaiolas que estavam esterilizadas os animais foram infectados com a bactéria.

Nos últimos anos, cresceram os casos de bactérias presentes em hospitais que, de tão resistentes, causam complicações irreversíveis à saúde já abalada dos pacientes, impossibilitando qualquer tipo de tratamento. Um estudo encomendado pelo governo britânico indicou que, a partir de 2050, pelo menos 10 milhões de pessoas poderão morrer a cada ano por causa das superbactérias.

O ambiente hospitalar se torna um verdadeiro campo de treinamento para selecionar os microrganismos mais resistentes, capazes de superar medicamentos poderosos. Quando o paciente apresenta um quadro de saúde delicado, eles aproveitam o momento para iniciar a infecção, expulsando as bactérias boas  e combatendo com ferocidade as defesas naturais do organismo.

Essas superbactérias podem transmitir suas características para companheiras de outras espécies por meio dos plasmídios, pequenos fragmentos de DNA que são transferidos de um microrganismo para outro quando há uma aproximação física. Bactérias como a KPC e espécies que possuem a NDM-1, enzima capaz de degradar uma ampla gama de antibióticos, são capazes de realizar essa transmissão e gerar populações cada vez mais resistentes aos medicamentos.

Fonte:

Revista Galileu

Saúde mental não deve ser tabu, avaliam pesquisadores

Saúde mental não deve ser tabu, avaliam pesquisadores

Falar sobre saúde mental, depressão, ansiedade e suicídio exige cuidados, mas os temas não podem ser deixados de lado sobretudo em um cenário de crescimento dos casos de autolesão em todo o mundo. De acordo com pesquisadores, a dificuldade existe porque há estigmas e pouca compreensão da sociedade dando margem, com frequência, a visões que carregam preconceito. Muitas vezes, o tabu interdita a circulação da informação, o que é importante para evitar novas ocorrências de suicídio.

“Faltam redes humanas de apoio, as pessoas vivem mudanças na configuração dos relacionamentos e tudo isso pode criar uma sensação de que você vive aquele sofrimento sozinho. Por isso, uma das apostas que fazemos em nosso atendimento preventivo é na expressão. Até para que se possa falar também das coisas ruins. Nas redes sociais, em geral, as pessoas falam das coisas maravilhosas. E é importante falar mais amplamente sobre os sentimentos”, diz a psicóloga Laura Quadros, chefe do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Para Laura, o aumento das ocorrências que envolve diretamente a população mais jovem coloca o suicídio como uma emergência médica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa é uma tendência em todo o mundo. Estimativas do órgão apontam que, depois da violência, o suicídio é o fator que mais mata jovens entre 15 e 29 anos. Anualmente, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, número que representa 1,4% de todas as mortes do mundo.

Em sintonia com a tendência internacional, o país registrou, entre 2011 e 2016, um aumento dos casos notificados de lesão autoprovocada nos sexos feminino e masculino de 209,5% e 194,7%, respectivamente. Além disso, um levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em todas as regiões do Brasil mostrou que 80% dos estudantes da graduação admitem ter enfrentado algum problema emocional, como ansiedade, desânimo, insônia, tristeza permanente, sensação de desatenção, desespero, falta de esperança e sentimento de desamparo e solidão.

Especialistas avaliam que adolescentes e jovens são mais suscetíveis a problemas emocionais e transtornos mentais, porque há muita expectativa e insegurança em relação ao futuro. Para Laura Quadros, o mundo atual cobra uma urgência pelo sucesso, e as tensões e pressões são mais exacerbadas. “Em um mundo mais lento, talvez conseguíssemos entender que esperar é um das possibilidades. Mas não é o que ocorre hoje”, avalia.

Cuidados

Há um consenso entre psicólogos e psiquiatras sobre a importância de que as abordagens de prevenção tenham como objetivo o estímulo a um ambiente favorável para que o jovem possa falar sobre seus sofrimentos com pessoas próximas e com profissionais capacitados. É o que tem feito a Uerj com a criação de diversos canais para receber demandas, sendo o principal deles o Núcleo de Atendimento ao Estudante. O Serviço de Psicologia Aplicada, coordenado por Laura, também é parte das medidas.

“Não é uma unidade de saúde assistencial. A missão principal é formar estudantes na prática de psicologia. Mas abrimos os espaços para atendimento. E essa procura tem aumentado bastante, tanto pela comunidade interna como pela comunidade externa”, explica.

No mês passado, foi aberto um período para triagem, momento em que o Serviço de Psicologia Aplicada escuta novas pessoas com o intuito de absorver em seu atendimento. Em apenas duas semanas, cerca 200 pessoas se apresentaram, relatando algum tipo de sofrimento. O volume da demanda impressionou e o período de triagem precisou ser encerrado. Atualmente, aproximadamente 300 pacientes já são atendidas pelo serviço.

O crescimento da procura, segundo a psicóloga, também reflete a crise econômica da saúde pública do Rio de Janeiro. “Esse é um ano muito crítico. Temos a tendência mundial e houve fechamento de vários ambulatórios na cidade, estufando nossos registros. E nós não temos estrutura para absorver toda a demanda. Tentamos atuar dentro das nossas possibilidades. Inclusive em sintonia com a tradição da Uerj, instituição que foi pioneira em políticas de ações afirmativas no país, que vem sempre junto de estratégias de acolhimento ao estudante”.

As medidas adotadas pela universidade visaram dar resposta aos casos que vinham ocorrendo, incluindo tentativas de suicídio que não se concretizaram.

A Uerj não é uma exceção. Nos últimos anos, diferentes instituições públicas de ensino espalhadas pelo país precisaram lidar com ocorrências de suicídio dentro de seus espaços. Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de São Paulo (USP) registraram casos. As instituições não costumam divulgar levantamentos específicos sobre os casos, mas vêm se firmando como lugar de referência em estudos e em acompanhamento.

Imprensa

A relação entre os meios de comunicação e o suicídio é um foco de estudo que tem mobilizado pesquisadores de diferentes áreas. O jornalista Arthur Dapieve publicou em 2007 o livro Morreu na Contramão: o Suicídio Como Notícia, que se desdobrou da sua pesquisa de mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio). Ele buscou entender porque raramente se noticiava suicídio e investigou o noticiário brasileiro publicado em 2004.

Foram encontradas reportagens que lembravam os 50 anos do suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas e algumas notícias relacionados a atos de terroristas. Ao mesmo tempo, o jornalista notou poucos registros de casos ocorridos no Rio de Janeiro ou mesmo no país. “O volume de notícias contrastava com as estatísticas. E era nítida uma diferença no tratamento em relação a outros crimes. Os jornais não demonstram medo em noticiar o homicídio ou o estupro, por exemplo. Mas o que eu observei é que a questão não é intrínseca à imprensa. A nossa sociedade tem um tabu em relação ao assunto. E a mídia, muitas vezes, reflete o que a sociedade pensa”, avalia Dapieve.

O jornalista destaca uma preocupação específica da imprensa, relacionado ao “Efeito Werther”, que se refere a um pico de tentativas suicídios após um caso ser amplamente divulgado. A expressão tem como referência o livro Os sofrimentos do Jovem Werther, escrito pelo autor alemão Goethe no final do século 18.

“É uma história de amor não correspondida onde o protagonista se suicida. Isso teria deflagrado uma onde de suicídios na Europa. Esse medo é ainda presente na imprensa em 2004, ano do foco da minha pesquisa. Acho que não mudou muito de lá para cá, mas vejo que tem havido mais noticiário e inclusive reportagens no sentido de tentar entender as razões, prevenir. E isso é positivo”.

A importância da existência de um noticiário sobre o assunto é consenso entre psicólogos e psiquiatras. Essa é também a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) que avalia que a imprensa tem papel fundamental e ativo na prevenção ao suicídio.

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-08/saude-mental-nao-deve-ser-tabu-avaliam-pesquisadores

Saúde mental: é necessário aumentar recursos em todo o mundo para atingir metas globais

Saúde mental: é necessário aumentar recursos em todo o mundo para atingir metas globais

Atlas de Saúde Mental 2017 (Mental Health Atlas 2017) da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que, embora alguns países tenham feito progressos na formulação e no planejamento de políticas de saúde mental, ainda há uma escassez em todo o mundo de profissionais de saúde treinados nessa área e falta investimento em instalações de saúde mental baseadas na comunidade.

“Esta última edição nos fornece mais evidências de que o aumento de recursos para a saúde mental não está acontecendo com rapidez suficiente. Nós sabemos o que funciona. A falta de investimento em saúde mental como uma questão de urgência terá custos de saúde, sociais e econômicos em uma escala que raramente vimos antes”, disse Shekhar Saxena, diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS.

O Atlas fornece informações sobre políticas existentes, planos e leis para a saúde mental e seu alinhamento com os instrumentos estabelecidos pelos direitos humanos; recursos humanos e financeiros disponíveis; tipos de instalações que prestam cuidados; e os programas para prevenção e promoção da saúde mental.

O documento é baseado em dados fornecidos por 177 Estados Membros da Organização, representando 97% da população mundial, e mede até que ponto os países estão fortalecendo a liderança e a governança para a saúde mental; a prestação de cuidados de saúde mental e social integral; a implementação de estratégias para promover a saúde mental e prevenir problemas, além de fortalecer evidências e pesquisas – conforme descrito no Plano de Ação Integral de Saúde Mental da OMS 2013-2020.

Em países de baixa renda, a taxa de trabalhadores de saúde mental é baixa: dois profissionais por cada 100 mil habitantes, em comparação com mais de 70 profissionais em países de alta renda. Isso está em contraste com as necessidades existentes, uma vez que a estimativa é que uma em cada 10 pessoas precisa de cuidados de saúde mental em algum momento da vida.

Menos da metade dos 139 países que instituíram políticas e planos para a saúde mental estão alinhados com as convenções de direitos humanos que enfatizam a importância da transição da instituição psiquiátrica para serviços baseados na comunidade, bem como a participação de pessoas com transtornos mentais nas decisões concernentes a elas. E com demasiada frequência, quando são elaborados planos de saúde mental, eles não são apoiados por recursos humanos e financeiros adequados.

Transição para cuidar da comunidade precisa ser acelerada

Apesar da transição em um número de países de alta renda para enfermarias psiquiátricas em hospitais gerais e a provisão de locais de cuidados residenciais baseados na comunidade, ainda restam poucas instalações para cuidados de saúde mental baseados na comunidade em todo o mundo.

A taxa global de leitos em hospitais psiquiátricos foi estimada em seis vezes mais (11,3 por cada 100 mil habitantes) do que a taxa de leitos nas enfermarias psiquiátricas de hospitais gerais.

Ampliação substancial dos recursos financeiros necessários

Os gastos governamentais são inferiores a US$ 1 per capita em países de baixa e média-baixa, enquanto os países de alta renda gastam mais de US$ 80 com saúde mental. A maioria dos custos é destinada a hospitais psiquiátricos, que atendem uma pequena proporção das pessoas que precisam de cuidados.

Além disso, mais de dois terços dos países relatam que os cuidados e o tratamento de pessoas com transtornos mentais graves não estão incluídos nos planos nacionais de seguros de saúde ou de reembolso.

“Ninguém deveria estar perdendo cuidados de saúde mental por causa de seu custo”, afirmou Saxena. “É por isso que o esforço da OMS para a cobertura universal de saúde é tão importante: garantir que todos, em qualquer lugar, tenham acesso aos cuidados dos quais necessitam, incluindo em relação à saúde mental”. Poucos países têm estratégias de prevenção do suicídio A OMS estima que aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Apesar de um ligeiro aumento no número de países que relataram ter uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio desde o Atlas de Saúde Mental 2014, apenas um terço dos países de média-alta e alta renda relataram ter tais estratégias implementadas, com apenas 10% de países com baixa e média-baixa renda contando com uma estratégia.

Investimento em saúde mental: bom para a saúde, bom para a economia

Cada US$ 1 investido na ampliação do tratamento para transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, resulta em um retorno de US$ 4 em melhores condições de saúde e capacidade de trabalho.

A falta de ação é dispendiosa. De acordo com uma análise recente, que calculou custos de tratamento e resultados de saúde em 36 países de baixa, média e alta renda para os 15 anos (entre 2016 e 2030), baixos níveis de reconhecimento e acesso a cuidados para depressão e outro transtorno mental comum, a ansiedade, resultam em uma perda econômica global de um trilhão de dólares todos os anos.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5694:saude-mental-e-necessario-aumentar-recursos-em-todo-o-mundo-para-atingir-metas-globais&Itemid=839

Edição de genes: a realidade que intriga a OMS

Edição de genes: a realidade que intriga a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira, 4, que pretende convocar especialistas do mundo inteiro para discutir novas normas para a edição de genes em humanos. O anúncio acontece uma semana depois que o pesquisador chinês He Jiankui afirmou ter utilizado a técnica para modificar o DNA de bebês com a intenção de reduzir o risco de infecção por HIV – vírus causador da AIDS. Desde o anúncio, a comunidade científica tem se posicionado contra o procedimento, destacando os riscos envolvidos no uso da edição genética – que é proibida em diversos países.

Segundo He, as alterações genéticas foram feitas por intermédio da CRISPR-Cas9, tecnologia capaz de reparar as falhas em embriões criados por meio de fertilização in vitro; a técnica torna possível alterar o DNA para inserir um gene necessário ou desativar aqueles que causam problemas.

Apesar de parecer a solução para doenças genéticas, especialistas alertam para o risco de que a edição de genes traga consequências graves. “A edição ainda é experimental e está associada com mutações em genes não modificados, podendo causar problemas genéticos no início ou mais tarde na vida, incluindo o desenvolvimento de câncer”, explicou Julian Savulescu, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, ao The Guardian.

Apesar de reconhecer a importância das técnicas de edição do genoma humano para entender as causas das doenças e beneficiar a saúde humana, a OMS advertiu que ainda há muitas questões que precisam ser abordadas cuidadosamente. “O uso dessas tecnologias deve ser regulado por meio de padrões de supervisão ética e de direitos humanos. Estamos falando de seres humanos, a edição genética não deveria comprometer o futuro do indivíduo”, comentou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, durante coletiva de imprensa.

Fonte:

Veja

Promoção da saúde mental no local de trabalho – Parte II

Promoção da saúde mental no local de trabalho – Parte II

O que pode ser feito? Abordagens práticas

Há uma série de fatores (profissionais, sociais, familiares, pessoais, etc.) que podem ser desfavoráveis para a saúde mental. O ambiente de trabalho e a forma como o trabalho é organizado e gerido podem ter efeitos na saúde mental dos trabalhadores. O trabalho pode ser benéfico para a saúde mental, proporcionando um sentimento de inclusão social, estatuto e identidade, e estruturando a ocupação do tempo. Porém, em contrapartida, verificou-se que muitos riscos psicossociais do trabalho aumentam o risco de ansiedade, depressão e esgotamento.

Há diversas abordagens que são sistematicamente adotadas quando se tomam medidas para melhorar a promoção da saúde mental no trabalho:

„ «círculos de saúde» para detetar e debater problemas e para encontrar soluções com base na participação dos trabalhadores;

„ definição de políticas em matéria de saúde mental e questões relacionadas, como a violência e o assédio no trabalho, ou integração das questões da saúde mental na política geral de segurança e saúde no trabalho da empresa;

„ organização da formação destinada aos gestores sobre como reconhecer os sintomas de Estresse nos trabalhadores e como encontrar boas soluções para reduzir esse estresse;

„ realização de um inquérito aos trabalhadores, com questionários anônimos, para descobrir o que os preocupa no trabalho;

„ avaliação das medidas e programas implementados com base nas reações dos trabalhadores;

„ portais web para informar todos os trabalhadores sobre todas as medidas e programas que estão a ser implementados no local de trabalho para melhorar o seu bem-estar mental;

„ cursos/formação destinados aos trabalhadores sobre os modos como podem enfrentar situações que lhes provocam estresse;

„ aconselhamento gratuito para todos os trabalhadores sobre diversos aspetos da sua vida privada ou profissional, de preferência disponibilizado durante o período de trabalho.

 

Abordagens inovadoras da promoção da saúde mental

Em 2009, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) (AESST) reuniu uma coleção de estudos de casos sobre saúde mental. O relatório que a presente ficha de estudo sintetiza é baseado nessa recolha de exemplos de boas práticas. O relatório fornece informações sobre a forma de integrar a promoção da saúde mental numa abordagem global tendente a melhorar e a promover
a segurança e saúde e o bem-estar dos trabalhadores no trabalho. Alguns dos estudos de casos são particularmente interessantes devido às abordagens inovadoras e criativas que adotam.

Como quem conta uma história

A Hedensted Kommune, na Dinamarca, desenvolveu e implementou com êxito uma série de políticas de saúde com a participação ativa dos trabalhadores. A Hedensted Kommune optou pela narrativa de histórias para incentivar os trabalhadores a participar no programa. No âmbito desta abordagem, os trabalhadores eram convidados para um «dia de inspiração» e incentivados a partilhar episódios da sua vida profissional que considerassem importantes para a sua saúde, especialmente no trabalho. As políticas foram definidas a partir destes contributos. Assim, as políticas partem dos episódios narrados e de recomendações de caráter geral, não comportando regras estritas. Muito pelo contrário, os métodos para ajudar os trabalhadores são definidos tendo em conta a fase da vida e a situação em que se encontra cada trabalhador.

Ajustar as funções à pessoa

A Creativ Company, na Dinamarca, foi fundada em 2000, com o objetivo de criar um local de trabalho completamente diferente. A principal ideia da Creativ Company é a de que as funções podem ser definidas em função das competências das pessoas em vez de se procurar adaptar as pessoas a um perfil de funções predefinido.

Programas especiais destinados a fomentar um comportamento saudável fora do local de trabalho

A Mars, na Polonia, oferece um programa com diversas componentes que inclui uma avaliação exaustiva do estado de saúde e do estilo de vida de cada trabalhador, propõe diversas etapas para aprender a viver de forma mais saudável e acompanhar os progressos, e, por último, incentiva os trabalhadores a divulgar os ensinamentos adquiridos e a informar as pessoas que fazem parte das suas comunidades.

Aconselhamento profissional e apoio para lidar com fatores não relacionados com o trabalho

A Unidade DRU-S da ATM, em Itália, procura promover o bem-estar oferecendo uma rede destinada às famílias que faculta aconselhamento, sugestões e serviços relacionados com as necessidades parentais e familiares aos trabalhadores. Alguns outros exemplos de abordagens práticas, observados noutros estudos de casos recolhidos, são programas de preparação para a maternidade e para a paternidade e workshops sobre como lidar com um divórcio, com uma morte na família e com o casamento

Eventos sociais para promover estilos de vida saudáveis

A Magiar Telecom, na Hungria, organiza noites de cinema em que são apresentados documentários como método para informar os trabalhadores acerca de tópicos relacionados com a saúde, como situações da vida que provocam estresse, deficiências, violência doméstica, etc. Depois dos filmes, tem lugar um diálogo interativo com peritos, em que são ativamente debatidos os problemas e os
tópicos levantados no filme.

Entrevistas individuais relacionadas com a saúde

A «R», em Espanha, realiza entrevistas individuais com os trabalhadores, num esforço para compreender e analisar a situação profissional de todos os seus empregados. O objetivo consiste em fazer do autoconhecimento o ponto de partida do desenvolvimento pessoal e em dar às pessoas uma ideia do significado do seu trabalho.

Apoio financeiro aos trabalhadores que atravessam uma crise

A IFA, na Suíça, criou uma conta social que apoia os trabalhadores que enfrentam emergências financeiras (como despesas de saúde, despesas com dentista, despesas com o funeral de um membro da
família, etc.). Os trabalhadores da IFA que enfrentam emergências financeiras podem igualmente beneficiar de um empréstimo especial. Podem referir-se como exemplo o financiamento de um parto
numa clínica privada, a concessão de empréstimos aos trabalhadores e habitação da empresa para trabalhadores migrantes ou para trabalhadores que enfrentam problemas de habitação.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://osha.europa.eu/pt/tools-and-publications/publications/factsheets/102

10 coisas que você precisa saber sobre Diabetes Tipo 2

10 coisas que você precisa saber sobre Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 caracteriza-se pela produção insuficiente de insulina, pelo pâncreas, ou pela incapacidade do organismo de utilizar a insulina produzida de forma eficiente. É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, acima do peso, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação. Porém, vem crescendo o número de diagnósticos do tipo 2 em indivíduos mais jovens.

Confira 10 coisas que você precisa saber sobre o diabetes tipo 2:

  1. O número de casos de diabetes tipo 2 (DM2) vem aumentando nas últimas décadas, em decorrência do aumento do sedentarismo e piora dos hábitos alimentares que caracterizam a vida urbana moderna, levando a consequentes excesso de peso e obesidade.
  2. O DM2 manifesta-se apenas em pessoas geneticamente susceptíveis, de modo que ter familiares com diabetes já é um fator de risco para desenvolver a doença.
  3. O diagnóstico de diabetes é feito utilizando valores de glicemia de jejum (maior ou igual a 126 mg/dl em duas ocasiões) ou após a ingestão de uma quantidade específica de glicose (colhendo-se a glicemia 2 horas depois com valor maior ou igual a 200 mg/dl).
  4. Em glicemia aleatória colhida em qualquer momento um valor maior ou igual a 200 mg/dl, na presença dos sintomas clássicos também confere o diagnóstico de diabetes.
  5. O desenvolvimento do DM2 ocorre ao longo de anos e pessoas com valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl e/ou entre 140 e 199 mg/dl são diagnosticadas como portadoras de pré-diabetes. Estes valores já não são mais normais, porém não são tão elevados para classificar o indivíduo como diabético.
  6. Quem tem pré-diabetes não apresenta os sintomas clássicos de diabetes: aumento da sede, do volume urinário e perda não explicada de peso. No entanto, já possui maiores chances de apresentar problemas graves de saúde como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
  7. As mudanças de estilo de vida são o primeiro passo para redução do peso corporal e controle dos valores da glicemia. Reduzir as atividades sedentárias e aumentar a atividade física programada (tais como caminhada, corrida, natação) ou espontânea (por exemplo, subir escadas, não utilizar o carro para percorrer pequenas distâncias) é fundamental.
  8. A mudança na alimentação não deve ser realizada utilizando como base dietas da moda. É necessário reduzir a ingestão calórica, o consumo de carnes gordas e embutidos, aumentar o consumo de fibras, com o aumento de grãos integrais, leguminosas hortaliças e frutas e limitar a ingestão de bebidas e comidas açucaradas.
  9. Embora haja evidência de uma relação entre bactérias intestinais e obesidade com suas alterações metabólicas, até o momento não há nada conclusivo para se recomendar mudanças alimentares baseadas nestes achados.
  10. O DM2 é caracterizado por uma combinação de resistência à ação da insulina e deficiência na produção deste hormônio, além de alterações na resposta incretínica intestinal. o DM2 é o tipo mais comum de diabetes, correspondendo a 95% dos casos no mundo.

Fonte:

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia