Arquivar janeiro 2019

Parecer Sobre a Triagem Oftalmológica de Recém Nascidos

Atualmente no Brasil, o teste do reflexo vermelho é usado como triagem de doenças oftalmológicas com potencial de desenvolvimento de cegueira em crianças e está́ regulamentado pela Lei do Teste do Olhinho em diversos estados e municípios. Por esta Lei, o pediatra ou médico assistente do recém-nascido fica obrigado a realizar o teste antes da alta hospitalar e, no caso de apresentar alteração, o recém-nascido deve ser encaminhado para um oftalmologista. O teste é tecnicamente simples e rápido de ser realizado, não invasivo, indolor, não necessita de dilatação das pupilas, utiliza equipamento simples e de baixo custo (oftalmoscópio direto) e pode detectar várias alterações oculares que se manifestam pela opacidade de meio incluindo catarata, retinoblastoma, hemorragias e inflamações intraoculares, além de descolamento de retina ou malformações da retina e nervo óptico como colobomas. O uso de fotografia de fundo de grande angular em crianças saudáveis como forma de triagem de doenças oftalmológicas, chamado de teste do reflexo vermelho ampliado tem sido discutido na literatura médica e meios de comunicação. Neste teste, o recémnascido é submetido a uma fotografia do fundo de olho que avalia o nervo óptico e a retina, incluindo a mácula e periferia. O exame tem alta sensibilidade para detectar doenças retinianas como alterações do nervo óptico, hemorragias retinianas, retinopatia da prematuridade, cicatrizes corioretinianas, entre outras. A alteração de fundo de olho mais comum observada em recém-nascidos é a hemorragia retiniana, presente principalmente em bebês nascidos de parto vaginal com eventual uso de fórceps. No entanto, essas alterações raramente causam problemas visuais em longo prazo, visto que desaparecem espontaneamente em 1-2 semanas. Portanto, há́ na literatura médica um questionamento sobre a validade do uso desta ferramenta de forma indiscriminada em crianças saudáveis, tendo em vista o alto custo em relação ao benefício questionável, já que as alterações mais frequentemente detectadas não necessitam de tratamento específico nem apresentam potencial de cegueira. Por outro lado, é indiscutível a vantagem do uso desta tecnologia em crianças com doenças como retinoblastoma, uveíte posterior e retinopatia da prematuridade. No caso da retinopatia da prematuridade, a fotografia de fundo de grande angular é usada em alguns centros em países como os Estados Unidos para triagem de prematuros que preencham critérios de inclusão bem estabelecidos. Esta doença é uma das principais causas de cegueira na infância e há uma limitação de profissionais capacitados para o seu atendimento em todo o mundo. Desta forma, o uso de imagem permite a realização de telemedicina e possibilita uma abrangência maior no cuidado desta doença. No Brasil, alguns centros têm usado a fotografia de fundo também para avaliação e seguimento de crianças com retinoblastoma e cicatrizes corioretinianas decorrentes do zika vírus e toxoplasmose. A SBOP e a SBP, baseadas nas recomendações da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo (AAPOS) e na literatura médica disponível, considera que o uso de fotografia de fundo de grande angular é uma excelente ferramenta para seguimento de crianças com doenças como retinoblastoma, retinopatia da prematuridade e cicatrizes corioretinianas. No entanto, o diagnóstico de tais doenças é ainda recomendado pela realização do teste do olhinho como triagem e do mapeamento de retina nos casos cujo teste esteja alterado. Nos prematuros em risco de apresentar retinopatia prematuridade (abaixo de 32 semanas de idade gestacional ou com peso ao nascimento menor ou igual a 1500g), a recomendação é de realizar o mapeamento de retina aos 30 dias de vida e depois, sequencialmente, conforme indicado pelo oftalmologista. O Teste do reflexo vermelho (teste do olhinho) deve ser realizado pelo pediatra, conforme a Lei e é uma forma de triagem bem estabelecida, com excelente relação custo- benefício e adequada à realidade do nosso país. Já o uso irrestrito da fotografia de fundo para triagem de crianças saudáveis não deve ser recomendado no momento atual.

Diretoria SBOP 2017-2019 Diretoria SBP 2017-2019 Dr. Galton Vasconcelos Dra Luciana R. Silva

 

Por Caio Melo

 

Referências:

1-Fierson WM, Capone A Jr. American Academy of Pediatrics Section on Ophthalmology. Telemedicine for evaluation of retinopathy of prematurity Pediatrics. 2015;135(1):e238-54.

2-Goval P et al. Outcome of universal newborn eye screening with wide-field digital retinal image acquisition system: a pilot study. Eye (Lond). 2018; 32(1): 50–52.

3-Chee RI, Chan RVP. Universal newborn eye screening: an effective strategy to improve ocular health? Eye (Lond). 2017. Jul 21 (e-pub)

4-Sun M et al. Sensitivity and Specificity of Red Reflex Test in Newborn Eye Screening. J Pediatr. 2016;179:192-196.e4.

5-Teste do reflexo vermelho. Conselho brasileiro de Oftalmologia. http://www.cbo.com.br/novo/medico/pdf/jo/ed134/2.pdf 6-American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus. https://aapos.org/resources/choosing_wisely/ 7- Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância. Ministério da Saúde 2013

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O PROCESSO DE REVALIDAÇÃO DE DIPLOMAS ESTRANGEIROS

 O Conselho Federal de Medicina (CFM) vem a público prestar informações verídicas que contradizem notícias veiculadas em canais de redes sociais e na internet relacionadas à publicação da Resolução nº 2.216/2018, que dispõe sobre as atividades de estrangeiros e brasileiros formados no exterior, e sobre o processo de revalidação do diploma dos intercambistas do Programa Mais Médicos (PMM).

1. A referida Resolução, que adequa as regras à chamada Lei de Migração, em nada altera a obrigatoriedade da revalidação do diploma pelas vias legais para o exercício da Medicina no Brasil;

2. O parágrafo 2º do artigo 48 da Lei de Diretrizes e Base da Educação permanece vigente e também determina a obrigatoriedade da revalidação do Diploma para sua validade no território nacional;

3. Somente médicos com diploma revalidado e registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) podem exercer a profissão no Brasil e não há qualquer exceção a esta regra;

4. Cabe às autoridades brasileiras viabilizarem, na forma da lei, a alocação e atuação dos mais de 30 mil médicos com registro nos CRMs que se apresentaram ao PMM.

Assim, o CFM reitera o seu compromisso com a promoção e a preservação do ético desempenho da medicina na República, mantendo sua posição absolutamente contrária à possibilidade de profissionais sem registro e revalidação atuarem no País, prática que tem trazido riscos à saúde da população, sem agregar uma solução definitiva e estruturante para o acesso da população à assistência de qualidade.

 

Brasília, 28 de janeiro de 2019


CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

Grit, ou Garra: O Traço de Personalidade Marca das Pessoas de Sucesso

Você já pensou sobre o que faz as pessoas que se destacam em um certo campo – ou que possuem uma habilidade fora do comum – têm de diferente das outras? A psicóloga Angela Duckworth foi além do “pensar” e dedicou parte da sua carreira acadêmica a entender, de fato, o que as diferencia.

Parte das suas principais descobertas sobre o tema, ela detalha no livro Grit (em português, “Garra: o poder da paixão e da perseverança”), que leva o nome a característica-chave, segundo ela, para entender essas pessoas e seu sucesso.

“Não importa o domínio, os altamente bem sucedidos têm uma espécie de determinação feroz  (…) É essa combinação de paixão e perseverança que faz deles grandes realizadores. Em uma palavra, eles têm garra”, explica ela.

Esforço, e não talento, é o segredo

“Se enfatizarmos demais o talento, subestimamos todo o resto.”

Não que o talento seja um problema, é só que apontar ele como justificativa em toda ocasião em que alguém demonstrar enorme habilidade é simplificar demais. E, pior: ignorar o fato de que “a grandeza é factível” – ou seja, é completamente possível alcançá-la.

Existe um fator genético que influencia a existência – ou não – de traços de garra na personalidade. Mas isso é o que acontece com todos os traços psicológicos, e isso não é a única coisa que os afeta. De acordo com Duckworth, a experiência é muito importante. “A taxa com que desenvolvemos qualquer habilidade é também, crucialmente, uma função da experiência”, esclarece ela.

A mesma mentalidade que responsabiliza grandes habilidades ao talento – em consequência, torna impotentes os que não o têm – é também responsável, muitas vezes, por atribuir apenas a consequências externas o que dá errado. Conhecido como locus externo, na medida em que tira da mão de cada um a responsabilidade, também tira o poder de agir e de mudar.

 

4 aspectos que pavimentam o caminho

Tendo estudado a fundo o tema, Duckworth investigou também as razões que fazem as pessoas – os com “menos garra” – desistirem de seus objetivos. O que ela destaca sobre o assunto, de início, é que as justificativas clássicas “tenho preguiça”, “não tenho capacidade para persistir” nunca são a verdade. Em vez disso, o real motivo muitas vezes se parece com as alternativas seguintes:

  • “Estou entediado.”
  • “[Isso] não vale o esforço.”
  • “Isso não é importante para mim.”
  • “Não consigo fazer isso. É melhor, então, desistir.”

E é aqui que está a diferença em relação aos que têm alto nível de grit: eles não têm (mais) esse tipo de pensamento.

Ainda na tentativa de entender melhor como essas pessoas funcionam, a especialista mapeou quatro “ativos psicológicos” que têm em comum.

1 Interesse

Ou paixão pelo que fazem – o sentimento desencadeado quando se aprecia intrinsecamente a atividade.

2 Capacidade de praticar

“Uma forma de perseverança é a disciplina diária de tentar fazer as coisas melhor do que fizemos ontem”, escreve Duckworth em Grit.

3 Propósito

O que amadurece a paixão. É o sentir que seu trabalho realmente importa.

4 Esperança

Segundo a autora, a esperança é decisiva do começo ao fim do processo. Nesse caso, ela significa um constante esforço em continuar, mesmo quando as coisas estão difíceis ou há muitas dúvidas.

Quebrando a qualidade de garra nesses quatro pontos, ela mostra o quanto essa característica é passível de ser fomentada. Você pode descobrir, desenvolver e aprofundar seus interesses, treinar a disciplina para praticar, entender seu propósito e exercitar a persistência com base na esperança de alcançar.

Fonte:

Na Prática – Fundação Estudar

https://www.napratica.org.br/grit-garra-o-que-e/

Os filmes que abordam transtornos psiquiátricos

Frequentemente filmes são lançados e fazem sucesso com o  público por abordarem temas polêmicos e que chamam a atenção por ter uma temática voltada a personagens que portam algum transtorno psíquico. Quase em todos os filmes, podemos analisar seus personagens e perceber traços de um ou de outro transtorno psiquiátrico.

Cinema é uma paixão de muitas pessoas e assistir a um filme com o olhar mais aguçado para certos assuntos, temáticas, deixa esse hobbie ainda mais gostoso e interessante.

Pensando nisso, decidimos listar aqui alguns filmes que lidam com a temática psiquiátrica/ psíquica. Personagens envolventes e interessantíssimos que nos fazem repensar sobre os transtornos mentais e também sobre temas polêmicos que mexem com o mais íntimo das pessoas.

Conheça alguns filmes que tratam sobre as seguintes temáticas: Transtorno Bipolar, Esquizofrenia, Autismo, Fobia Social, Dependência Química, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtornos Sexuais e de Identidade de Gênero, Transtorno de Personalidades.

Abaixo haverá a descrição breve dos filmes, suas respectivas associações aos quadros psiquiátricos.

 

Transtorno Bipolar:

O lado bom da Vida:

O personagem principal Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) sofre de Transtorno Bipolar. Pat apresenta momentos de extrema irritabilidade, tornando-se agressivo e agitado quando está doente (em mania). Conhece Tiffany (Jennifer Lawrence) que lhe ajuda em sua melhora, descobrindo um novo talento, a dança.

 

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Mr. Jones:

O protagonista Jones (interpretado por Richard Gere) também sofre com o transtorno bipolar. Possui momentos marcantes de euforia, pensamento grandioso, impulsividade e irritabilidade, que colocam sua própria vida em risco. No decorrer do filme apaixona-se por sua psiquiatra, desenrolando um romance. Cabe-se aqui destacar que, na vida real, o desenvolvimento de um romance entre o terapeuta e o seu paciente é algo muito delicado e não recomendado.

 

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Esquizofrenia/ psicoses:

Uma Mente brilhante:

História verídica do matemático John Nash (interpretado por Russell Crowe), ganhador do prêmio Nobel de Economia e sabidamente conhecido por ser portador de Esquizofrenia. No filme, apresenta delírios e alucinações, criando histórias paralelas a sua vida real, sentia-se dentro de uma operação secreta, que o deixou com a sensação de estar sendo perseguido. No inicio do filme, documenta-se seu comportamento estranho e isolamento social, que podemos considerar como sintomas iniciais da esquizofrenia.

 

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A Ilha do Medo:

O protagonista, interpretado por Leonardo Di Caprio envolvido em uma trama  que se passa dentro de um hospital psiquiátrico. Suspense até o final…

 

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Estamira:

Documentário brasileiro, verídico, da senhora esquizofrênica vivendo em meio a um aterro sanitário. Alterna períodos de normalidade com períodos de alucinações, delírios e discurso com neologismos (palavras que não existem no vocabulário). Ela explorava temas como: a vida, Deus, o trabalho e reflexões existenciais acerca de si mesma e da sociedade. Momentos felizes e tristes estão presentes neste documentário emocionante.

 

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Cisne Negro:

Nina Sayers (Natalie Portman) assume o maior posto da companhia de balé. Sente-se pressionada em honrar o nome da famosa companhia, precisando lidar com a inveja das demais bailarinas, com a cobrança do diretor e a superproteção de sua mãe (ex- bailarina que não alcançou a fama). Nina vê-se completamente obcecada pela busca da perfeição da interpretação do seu personagem, rompendo a barreira da lucidez…

 

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Fobia social:

Desajustados:

Filme é uma coprodução da Islândia e Dinamarca. Descreve a vida do pacato e solitário Fúsi (Gunnar Jónsson), até conhecer a espevitada Sjöfn (Ilmur Kristjánsdóttir). Ao desenrolar da história, Fúsi surpreende, mostrando-se um ser humano muito especial, emocionando o telespectador. O filme também envolve a temática de bullying. Recomendadíssimo! Não julgue o filme pela capa!

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Autismo:

Querido John:

Neste filme, o ator Richard Jenkins, pai do protagonista Jonh, em uma comovente atuação, interpreta um homem solitário que sofre com sua dificuldade de socialização, típica de uma pessoa autista. No filme também podemos perceber o interesse restrito (comum nesses quadros) que o levava passar horas examinando sua coleção de moedas.

 

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Transtorno de Personalidade Borderline:

Garota Interrompida:

Filme baseado em livro de memórias homônimo, escrito por Susanna Kaysen. Winona Ryder interpreta Susanna Kaysen, uma jovem que foi diagnosticada com transtorno de personalidade borderline (limitrofe) em meados dos anos 60. Nessa época, foi mandada ao hospital psiquiátrico onde permaneceu internada por 2 anos. Lá conheceu muitas moças com histórias intrigantes e sedutoras, dentre elas Lisa Rowe (interpretada por Angelina Jolie), que possuia personalidade antissocial (antigamente descrita como sociopatia).

 

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As vantagens de ser invisível

Logan Lerman interpreta Charlie. Charlie chega a uma escola para cursar o Ensino Médio e vê-se com dificuldades para formar novas amizades. Até que conhece Sam (Emma Watson) e Patrick  (Ezra Mille). O trio convive e emociona o público, trazendo temáticas típicas da adolescência. Logan, (assim como os demais atores), interpreta muito bem seu personagem, sabendo passar a sensação de uma pessoa que está saindo de um momento delicado de vida e aprendendo a lutar contra a depressão.O filme aborda sutilmente  a pedofilia e sugere-se que o protagonista apresenta instabilidade emocional.

 

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Transtornos Sexuais:

Transtorno de Identidade de Gênero:

A Garota Dinamarquesa:

Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne).  A interpretação do ator é espetacular, mostra com tamanha delicadeza e emoção a transformação de Einar em Lili. Esta foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo (de masculino para feminino). Chama a atenção o relacionamento que manteve com sua esposa, a pintora Gerda (Alicia Vikander). A amizade, amor e respeito permaneceram mesmo após Einar decidir se transformar em mulher (Lili).

 

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Descoberta da homossexualidade na adolescência e bullying:

Hoje eu quero voltar sozinho:

Filme brasiliero, com premiações internacionais. Leonardo (Ghillerme Lobo) é um adolescente cego que estuda em uma escola normal e dentre os alunos é o único que apresenta deficiência física. Sofre preconceito de alguns colegas em decorrência disso, mas lida sem grandes traumas, com o apoio da amiga Giovanna (Tess Amorin) e de Gabriel. O filme aborda com delicadeza alguns tabus: a descoberta da (homo) sexualidade e a busca pela independência por um garoto cego.

 

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Pedofilia:

A Caça

Filme que merece muito ser visto, porém deve-se ter estômago forte para tal. Lucas ( Mads Mikkelsen) interpreta um professor que é acusado por sua aluna de ter lhe mostrado as partes íntimas. A partir deste relato, a vida de Lucas muda completamente e a acusação de ser um pedófilo traz consequências terríveis para sua vida. Lucas não conforma-se em ser acusado sem provas e decide permanecer na cidade, mesmo correndo risco de vida.

 

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O lenhador:

Walter (Kevin Bacon), muda-se para uma pequena cidade, após sair da prisão, onde passou os últimos 12 anos de sua vida. Escolhe uma casa localizada em frente a uma escola e começa a trabalhar em uma madeireira. Faz amizades e inicia um romance com Vicki (Kyra Sedgwick) porém as coisas mudam quando as pessoas descobrem o crime pelo qual foi condenado.

 

Compulsão sexual

Ninfomaníaca:

O filme aborda o tema da ninfominia – compulsão sexual feminina. Filme polêmico, mostra a vida sexual de uma mulher, desde a infância até a velhice, chegando a  mostrar cenas de sexo reais. O filme inicia com Joe (interpretada por Charlotte Gainsbourg) sendo resgatada em um beco após ser agredida. Joe começa a contar sua trajetória de vida, marcada pelas suas aventuras sexuais e conseguindo mostrar seu sentimento de enorme culpa por tudo que viveu. Filme bastante polêmico, que deixa o espectador muitas vezes desconfortável em sua poltrona.

 

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Shame

O filme trata sobre satiríase – nome que se dá a compulsão sexual masculina. No filme, o protagonista Brandon (interpretado por  Michael Fassbender) é obcecado por sexo. O filme apresenta muitas cenas de sexo, porém não são nenhum pouco excitantes, sendo  mostradas de forma incômoda. Para o protagonista, o ato torna-se um martírio e algo repulsivo, lhe trazendo grande sofrimento e dificuldade em ter uma relação saudável, duradoura e verdadeiramente prazerosa.

 

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Dependência química:

Diário de um adolescente:

Neste filme, Leonardo Di Caprio interpreta Jim, um adolescente talentoso para esportes, que acaba desviando do seu caminho de sucesso quando entra no mundo das drogas. Jim transforma sua vida em um inferno, ao vê-se totalmente dependente de drogas, chegando a praticar crimes e a prostiuir-se para bancar seu vício.

 

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Réquim para um sonho:

Um filme duro e triste. Narra a história do casal Harry e Marion (interpretados respectivamente por Jared Leto e Jennifer Connelly) e da mãe de Harry, Sara (interpretada por Ellen Burstyn). O casal, dependente de heroína, expõe-se a muitos riscos, perdendo a total noção do que estão fazendo de suas vidas. Já a mãe, Sara, torna-se uma viciada por pílulas emagrecedoras, pois sonha em conseguir vestir seu vestido vermelho novamente e participar do seu programa de TV favorito.

 

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28 dias:

Gwen Cummings (Sandra Bullock), é uma escritora que leva sua vida inconsequentemente. Vê-se internada em uma clínica de reabilitação para dependentes de álcool, após provocar um acidente de carro. Antes sem qualquer crítica em relação a sua dependência de álcool, aos poucos Gwen começa a perceber que o álcool realmente tomou um grande espaço em sua vida. Auxiliada por outros pacientes, Gwen começa a se dar conta de que tem um sério problema.

 

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Transtorno Obsessivo Compulsivo:

Melhor é impossível

Melvin Udall (Jack Nicholson) é um escritor que apresenta transtorno obsessivo compulsivo. Personagem solitário, precoceituoso e misantropo, vê-se em uma nova situação de vida, quando é obrigado a cuidar do cachorro do vizinho homossexual, que fica hospitalizado. Na trama, Melvin, que diariamente vai ao mesmo restaurante, senta-se na mesma mesa, levando seus próprios talheres descartaveis, acaba interessando-se pela garçonete Carol Connelly (Helen Hunt). O filme possui passagens engraçadas sobre o temperamento do protagonista e apresentam a doença de forma peculiar.

 

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Personalidade Antissocial:

Laranja mecânica:

Filme produzido e dirigido por Stanley Kubrick, adaptado do romance homônimo de Anthony Burgess, de 1962. O filme se passa em uma Londres futurista em que Alex (Malcolm McDowell), o protagonista, é um antissocial (antigamente descrito como sociopata). Alex lidera uma gangue de arruaceiros, com  a qual comete crimes terríveis. Alex acaba sendo pego pela polícia e é submetido a um tipo de tratamento controverso através de condicionamento psicológico. Filme psicologicamente denso e pesado.

 

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Demência:

Para sempre Alice:

Filme trata do desenvolvimento da demência de Alzheimer precoce. A protagonista Dra. Alice Howland (Julianne Moore) é uma renomada professora de linguistica, que começa a esquecer palavras e perder-se nas ruas da cidade onde sempre morou. Alice vê-se consternada ao perceber que não consegue mais produzir memórias recentes e precisa formular métodos para que consiga superar tais déficits. Filme muito emocionante.

 

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TEXTO RETIRADO DO SITE: https://psiquiatrafloripa.com.br/filmes-sobre-transtornos-psiquiatricos/

Novo Projeto de Lei brasileiro vai de encontro a recomendações da OMS

Encontra-se em tramitação no Senado Federal, o Projeto de Lei nº 545, de 2018, de autoria do
Senador Guaracy Silveira (PSL/TO), com a proposta de que em áreas onde não há acesso a
serviços públicos de saúde, o uso de receita para a compra de antibióticos não se faça
necessário.
O desenvolvimento de medicamentos que combatem infecções causadas por bactérias reduziu
imensamente a mortalidade causada por doenças bacterianas no mundo. Entretanto, a
resistência a estes fármacos tornou-se uma das maiores preocupações mundiais de saúde,
uma vez que impõe limitações às opções para o tratamento de infecções bacterianas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o uso extensivo de penicilina ocasionou o surgimento das
primeiras cepas de bactérias Gram-positivas não susceptíveis a antibióticos penicilínicos.
Então, surgiram os análogos penicilínicos: meticilina e cefalosporina, além de tetraciclinas e
eritromicinas, que logo acabaram se tornando limitados, devido à resistência múltipla.
O aumento da resistência aos medicamentos é causada principalmente pelo uso indevido de
antimicrobianos em seres humanos, bem como em animais, e pela disseminação
de cepas resistentes entre os dois. Os antibióticos aumentam a pressão seletiva nas
populações bacterianas, causando a morte de bactérias vulneráveis; isto aumenta a
porcentagem de bactérias resistentes que continuam crescendo. Com a resistência aos
antibióticos tornando-se mais comum, há uma maior necessidade de tratamentos alternativos.
Pedidos de novas terapias com antibióticos foram emitidos, mas o desenvolvimento de novos
medicamentos está se tornando mais raro.
De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): “Anualmente
nos Estados Unidos, ao menos 2 milhões de pessoas ficam infectadas com bactérias resistentes
a antibióticos e pelo menos 23 mil pessoas morrem todos os anos como resultado direto
dessas infecções”. Existem múltiplos programas de monitoramento nacionais e internacionais
sobre ameaças resistentes a medicamentos, como o Staphylococcus aureus resistente à
meticilina (MRSA), a betalactamase de espectro estendido (ESBL) e a Acinetobacter
baumannii multirresistente (MRAB).
Sendo assim, a Organização Mundial de Saúde promove, entre os dias 12 e 18 de novembro de
2018, a Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos com o seguinte tema: ‘’A mudança
não pode esperar. Nosso tempo com antibióticos está se esgotando’’.
Portanto, uma flexibilização na compra de medicamentos antibióticos, como propõe o novo
Projeto de Lei, vai de encontro as recomendações da OMS. A solução ideal não é o uso
indiscriminado de antibióticos, mas sim uma cobertura do Serviço Público de Saúde brasileiro
atingindo todas as áreas ainda sem acesso ao SUS, para que não ocorra um uso indevido e sem
orientação de antibióticos.
Em última apuração realizada em 27/01/2019 no ecidadania, a proposta estava com 7.272
votos contra e apenas 210 a favor, em votação pública no site do Senado.

 

Por Caio Melo

 

Referências:

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-
/materia/135021?fbclid=IwAR2mfvGkVfLDoHZrjiSTT06id3M5q1JBeKZBr_0gLDvTjA35r5GftnFoZo

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=135021

http://portal.anvisa.gov.br/antibioticos?fbclid=IwAR17kNhnIaLvEqSkNfQ_xYHW6fEGfD4wGNCTFoOMwELaX2O4J7y5VtWoCFA

 

Gerenciamento de Tempo Com a Matriz de Einsehower

Para evitar a sensação de que a pilha de afazeres só cresceu ao longo do dia, organização é essencial. E, para conseguir se organizar, é importante entender qual é a melhor maneira de estruturar seu dia.

O tópico de hoje é algo que pode ajudar sua rotina diária: a matriz de Eisenhower, nomeada em homenagem ao general e ex-presidente americano Dwight Eisenhower, que pode ajudá-lo na priorização de tarefas.

 

A ferramenta é dividida nos seguintes quadrantes:

  • Importante e urgente (ou seja, faça imediatamente)
  • Importante, mas não urgente (boa para tarefas que devem ser desenvolvidas no médio ou longo prazo)
  • Urgente, mas não importante (como fazer ligações, e-mails e reuniões)
  • Não urgente, não importante (tarefas que estão na lista, mas podem esperar ou serem eliminadas)

 

Importante ou urgente?

Para utilizar a matriz da melhor maneira, é preciso entender primeiro a diferença entre as tarefas importantes e as urgentes.

Importantes são aquelas tarefas relacionadas a objetivos ou metas, como um relatório mensal ou um projeto que precisa ser desenvolvido.

Já as urgentes são aquelas que têm prazo, como marcar uma reunião ou fazer uma inscrição;  ou acontecem até uma certa data ou não acontecem mais (pelo menos, não da melhor maneira).

Também há tarefas urgentes que você pode delegar para outra pessoa de sua equipe, caso você trabalhe em um grupo ou tenha assistentes e colegas que podem tirar isso do seu prato.

Às vezes, claro, uma tarefa tem uma natureza dupla: um projeto que precisa ser entregue até certa terça-feira, por exemplo, é importante. E ganha urgência conforme essa terça-feira se aproxima.

Caso seja necessário, é possível dar um nível de prioridade para cada tarefa, que vai de 1 (mais prioritária e seu foco) a 4 (menos prioritária). Não é uma ciência exata: é você que decide qual peso cada uma delas tem.

 

Matriz de Eisenhower: fluxo contínuo

O objetivo é que a lista esteja em constante mudança. Conforme você lida com as tarefas mais prioritárias, vai abrindo espaço para gerenciar as menos prioritárias e, eventualmente, tirá-las da lista de afazeres.

Ao colocar aquilo que precisa fazer dentro de cada quadrante, você começa a enxergar quais são as maiores prioridades, o que você pode passar para frente e o que pode deixar para depois, ou mesmo deixar de lado.

Por fim, lembre-se que interrupções, sejam elas uma conversa com um colega, uma reunião desnecessária sejam checar constantemente o celular, custam caro à produtividade.

Você pode combinar a matriz de Einsehower com alternativas para gerenciar melhor seu tempo e realmente enfrentar suas tarefas, como aplicativos Pomodoro (uma técnica que reserva blocos ininterruptos de 25 minutos), estabelecer horários para checar e-mails e mesmo sair da internet por um dado período todos os dias.

Outra coisa que atrapalha o rendimento é esquecer-se de cuidar de si mesmo. Exercitar-se todos os dias, meditar, fazer intervalos curtos para recuperar a energia e mesmo se alimentar melhor  podem fazer uma grande diferença em sua rotina.

Fonte:

Fundação Estudar

Cirurgia da Mão

Pergunta : Alexandre ( Universidade Federal da Bahia )

Estou terminando a residência de Cirurgia Plástica, e penso em fazer sub especialização em Cirurgia da Mão, por se tratar de área com viés especialização em Cirurgia da Mão, por se tratar de área com viés reconstrutor, com procedimentos complexos e delicados e por sofrer menor concorrência de outros profissionais, médicos ou não (como ocorre na plástica). Gostaria de mais informações a respeito da rotina e como anda o mercado de trabalho.

Resposta :

A cirurgia plástica é uma das melhores especialidades do momento, pois permite boa qualidade de vida, muito boa remuneração, clientela aumentando rapidamente, principalmente em função do aumento da expectativa de vida da população e da importância que se tem dado à estética .

Por isso, embora muitos cirurgiões  plásticos atualmente procurem escolher um nicho de mercado para atuarem, (alguns operam apenas lipos, outros somente mamas, outros somente nariz..outros pálpebras …), sugiro que não abandonem a plástica geral, pelo menos por um bom tempo, mesmo se caracterizando como sub especialista em alguma área da cirurgia plástica, como a cirurgia da mão..

A cirurgia de mão é uma das especialidades mais difíceis e lida com cirurgias delicadas, assim exige uma habilidade especial, que nem todos possuem.

O mercado é restrito, escasso de bons profissionais e consequentemente bem remunerado, mas é fundamental que esse especialista pertença, ou pelo menos esteja ligado, a um grupo geral de cirurgiões plásticos.

É uma sub especialidade que só deve ser escolhida por profissionais que pretendam trabalhar em cidades grandes, com mais de 500.000 habitantes e deve ser entendido que se vai levar um tempo relativamente longo para ser reconhecido como competente no meio médico e usufruir de indicações de outros colegas.

O Programa de Residência Médica de Cirurgia da Mão tem duração de 2 anos como especialidade que exige pré-requisito de Residência em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica.

Em média em todo o Brasil 40 profissionais são aprovados anualmente para obtenção do título de especialista, fornecido pela SBCM.

Mais informações sobre essa especialidade podem ser obtidas na página da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão.

(www.cirurgiadamao.gov.br )

Sucesso

Mário Novais

Acabe com sete mitos sobre o uso de antidepressivos

Os sintomas da depressão ainda fazem desta doença um dos problemas mais difíceis de ser diagnosticado – o desafio começa no próprio paciente que, ao se defrontar com a sensação de tristeza, pessimismo e baixa autoestima, nem sempre consegue identificar quando tudo isso sinaliza um estado passageiro, causado por frustrações de rotina, ou um transtorno de humor que merece – e exige! – tratamento.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão, dos níveis mais leves aos mais severos, atinge cerca de 121 milhões de pessoas no mundo, hoje em dia. Parte desse grupo é tratada com medicamentos genericamente conhecidos por antidepressivos. “Eles estimulam a produção de neurotransmissores que estão em falta e inibem a produção daqueles em excesso, gerando um equilíbrio que permite o bom funcionamento cerebral”, afirma o psiquiatra e psicoterapeuta Fernando Portela Câmara, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

A disposição para lidar com dificuldades, a melhora do humor e o aumento da tolerância em situações de conflito (alguns dos efeitos possíveis do consumo desse tipo de remédio), no entanto, acabam fazendo com que muita gente faça o consumo sem necessidade. “A prescrição médica é indispensável no caso dos antidepressivos, que têm uma enxurrada de efeitos colaterais capazes de prejudicar a saúde física e mental do paciente se o uso não for realizado com os cuidados adequados”, diz o especialista. Entre os principais riscos, estão o erro na dose e na frequência de ingestão, a combinação com outros medicamentos (quando uma das fórmulas pode perder a eficiência ), além da associação com bebidas alcoólicas.

Por outro lado, muitos pacientes torcem o nariz quando saem do consultório do psiquiatra com uma receita médica. “O medo de ficar viciado em antidepressivos ou perder a vitalidade sexual sempre aparece nas consultas”, afirma o professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcelo Fleck, editor da Revista Brasileira de Psiquiatria. Com a ajuda dele e de outros especialistas, tire suas dúvidas sobre esse tipo de medicamento.

Danificam o cérebro

Segundo o professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcelo Fleck, editor da Revista Brasileira de Psiquiatria, não há qualquer evidência de que o uso de antidepressivos danifique o cérebro. Na verdade, estudos apontam exatamente para a ideia oposta. “Pessoas que ficaram expostas a sintomas depressivos por muito tempo costumam apresentar alterações cerebrais, como a diminuição da ramificação dos neurônios, o que atrapalha a troca de informações nervosas”, explica. Assim, como os antidepressivos tendem a combater os sintomas da depressão, eles são aliados do bom funcionamento do cérebro. “Para colher esses benefícios, entretanto, é fundamental seguir a prescrição médica”, afirma.

Causam dependência

Antidepressivos não têm potencial para provocar dependência no usuário. “Ao contrário dos chamados ansiolíticos, drogas tranquilizantes que exigem receituário na cor azul, os antidepressivos são medicamentos psicoativos, que não possuem tarja preta e são prescritos em receituário branco especial”, afirma o psiquiatra Fernando Portela Câmara. Mesmo assim, esses medicamentos não devem ser abandonados de maneira abrupta. “Apenas a retirada gradual possibilita a reorganização do organismo sem as substâncias fornecidas pelo antidepressivo”, explica.

Alteram a personalidade

Para Fernando Câmara, antidepressivos não alteram a personalidade de quem faz uso deles, mas permitem que o paciente tenha mais ânimo para tomar decisões. “Quem convive com os sintomas da depressão costuma ser reprimido e tende a se isolar da sociedade. O uso desses medicamentos ajuda você a sentir prazer novamente”, afirma. A confusão, nesse caso, aparece quando os sintomas da doença são interpretados como características pessoais – o que, realmente, é difícil de delimitar. Como definir se alguém é reprimido ou apenas tímido? Fazer essa distinção é apenas um dos desafios dos psiquiatras, o problema é que eles só podem ajudar quando o próprio paciente desconfia que precisa de ajuda e procura um médico.

Benefícios são decorrentes do efeito placebo

“Se o paciente foi devidamente diagnosticado, basta um antidepressivo para reverter a situação”, afirma o professor de psiquiatria Marcelo Fleck. Mas os efeitos do medicamento, de fato, são difíceis de medir no caso de uma depressão leve, quando uma terapia ou até o início de uma atividade física também trazem resultados. O efeito terapêutico do antidepressivo aparece mais claramente em depressões graves, de acordo com o especialista.

Curam a depressão

Assim como o diabetes e outras doenças crônicas, a depressão não tem cura, mas pode ser controlada. “Isso significa que o tratamento regular reduz ou zera os sintomas, que podem ou não reaparecer com o tempo”, afirma o psiquiatra Fernando Câmara. Por esse motivo, o acompanhamento médico é fundamental, dispensando os remédios ou fazendo ajustes na dose. Uma visita mensal ao psiquiatra, pelo menos, é indicada para avaliação do caso.

Tem o mesmo efeito para todas as pessoas

“A mesma dose de um antidepressivo pode ter efeitos diversos em diferentes pessoas, como ocorre com qualquer medicamento”, afirma o professor de psiquiatria Marcelo. Por isso, a prescrição desse medicamento, mesmo que para problemas similares, deve ser individualizada. Afinal, o médico precisa levar em conta ainda a idade do indivíduo, os outros medicamentos que ele toma, se mora com algum familiar, entre outros pontos.

São a única forma de tratamento

De acordo com Marcelo Fleck, a ingestão de antidepressivos não é a única maneira de tratar a depressão. “Uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios, por exemplo, podem funcionar como coadjuvantes no tratamento, pois são medidas diretamente ligadas ao bem-estar físico e mental”, explica. O especialista aconselha ainda a adotar tais hábitos como forma de se prevenir contra o transtorno. “Principalmente quem apresenta predisposição genética para desenvolver a depressão deve ficar atento a um estilo de vida saudável para reduzir suas chances de ter o mesmo problema que seus familiares”, alerta.

Hipocondria não é “mania de remédio”, é transtorno mental que traz muito sofrimento

Esqueça a caricatura da pessoa mais velha, com pensamento negativista e remédios sempre à mão. A hipocondria é uma doença mental que causa muito sofrimento a homens e mulheres em todas as faixas etárias, inclusive na infância. Justamente pelo caráter pejorativo associado a esse mal, a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), roteiro elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), classificou dois tipos de hipocondria e trocou a palavra por transtorno de ansiedade de doenças (o hipocondríaco que não sente nenhum sintoma) ou transtorno de sintomas somáticos (o hipocondríaco que sente alguma coisa, uma tonteira, por exemplo, e supervaloriza o sintoma). Imagine alguém com medo constante de estar doente.

A angústia de passar por vários médicos, especialistas, uma série de exames e resultados negativos e, mesmo assim, a pessoa desacreditar de tudo e de todos e ter a certeza de que não está recebendo o tratamento que deveria e, portanto, pode morrer por falta de assistência. “O transtorno hipocondríaco é a crença persistente da presença de uma doença séria que, mesmo com investigações médicas negativas, o paciente insiste naquela preocupação”, resume a doutora em psiquiatria pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Márcia Gonçalves, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenadora de psiquiatria da Universidade de Taubaté (Unitau).

Não é pouca gente que sofre com essa angústia. A especialista diz que a prevalência de pessoas com hipocondria atendidas em clínicas médicas varia entre 4% e 6%. Esse transtorno mental atinge igualmente homens e mulheres e a idade de surgimento da doença predomina entre 20 e 30 anos de idade. Professor da pós-graduação em Psiquiatria da Faculdade Ipemed, o médico psiquiatra especialista em infância e adolescência Cláudio Costa lembra ainda que as queixas emocionais são as que mais predominam nas consultas médicas.

“Estudos apontam algo em torno de 60%, mas que, por falta de paciência e tempo, o aspecto emocional é geralmente deixado de lado pelos profissionais de saúde”, diz. No caso da hipocondria, a situação é ainda mais difícil, já que, geralmente, o paciente passa a ficar conhecido nos centros de saúde, clínicas ou hospitais – de tanto que frequenta esses ambientes – e o ‘hábito’ gera rejeição social e preconceito.

Cláudio Costa diz que gosta da expressão que define hipocondria como “a doença que não existe” por dar conta de problematizar esse tipo de transtorno de ansiedade que tem dois lados. Ou seja, é uma doença, sim, mas ela não é facilmente percebida em consultas de rotina ou diagnosticada em exames laboratoriais. “Uma forma de conduta médica que considero perigosa e errônea é dizer ao paciente ‘Fulano, você não tem nada’. E o médico acrescenta ainda. ‘É psicológico. Procure um psiquiatra ou psicólogo’. São frases contraditórias: o nada e o problema psicológico são tratados como a mesma coisa e vemos um profissional de saúde que desvaloriza o adoecimento mental. Diga que os exames não acusaram nenhuma inflamação ou infecção, mas não diga que a pessoa não tem nada”, salienta.

O exemplo mostra como é difícil para alguém com transtorno de ansiedade de doenças ou transtorno de sintomas somáticos chegar a um profissional de saúde mental. “A hipocondria é uma doença mental que pode ser classificada como um tipo de transtorno de ansiedade relacionado a percepções errôneas sobre o próprio corpo, em que o indivíduo supervaloriza qualquer sintoma ou desconforto corporal. É alguém que não vai acreditar no médico que disser que ele ‘não tem nada’. Vai se sentir irritado, procurar outros profissionais, se submeter a exames e desacreditar, inclusive, os resultados laboratoriais”, diz o psiquiatra.

O especialista diz que no caso do transtorno de ansiedade de doenças é comum, diante de anúncios de uma epidemia, por exemplo, a pessoa interpretar toda e qualquer sensação no corpo como um sintoma da enfermidade que está em surto. “É alguém com pavor tão grande de adoecer que passa a tomar cuidados exagerados, como deixar de sair de casa”, explica. A psiquiatra Márcia Gonçalves afirma que esse tipo de transtorno pode surgir a partir de uma carga genética e até mesmo ser desenvolvido a partir da convivência, especialmente se o hipocondríaco estiver cercado de pessoas que sempre maximizam situações negativas e escolhem temas associados a doenças em suas conversas cotidianas.

DIAGNÓSTICO DIFÍCIL 
O diagnóstico nem sempre é simples, já que o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) pode ser confundido com a hipocondria. “A fronteira é tênue”, salienta o psiquiatra Cláudio Costa. Márcia diz que são muitas as semelhanças entre a hipocondria e o TOC. “As obsessões sobre a possibilidade de ter uma doença são comuns no TOC. Na hipocondria, por outro lado, temos pensamentos persistentes, dúvidas e ruminações sobre a possibilidade de ter uma doença grave, preocupações com a saúde, hipervigilância sobre eventuais sintomas físicos, verificação frequente de pulso, pressão e temperatura – muitas vezes em situações em que existem variações normais, como na prática de exercícios físicos ou em momentos de estresse. Além disso, checagens repetidas do próprio corpo – do abdômen, do pescoço em busca de linfonodos, do pulso das carótidas – e, sobretudo, repetições de exames e de avaliações médicas”, diferencia. No caso da hipocondria, o tema central das preocupações é a saúde e a possibilidade de ter uma doença grave.

“Os hipocondríacos necessitam frequentemente obter garantias com os profissionais de que não têm nenhuma doença grave, sendo, muitas vezes, essa a única forma de se tranquilizarem. No TOC também pode ocorrer uma preocupação com doenças, mas normalmente é com a possibilidade de ter se contaminado ou de vir a contaminar-se no futuro, seguida de evitações e lavações excessivas.”, completa.

Márcia Gonçalves diz que o diagnóstico é feito quando se observam excessivos pensamentos, sentimentos ou comportamentos relacionado a sintomas somáticos ou associados a preocupações com a saúde com duração de pelo menos seis meses. “Precisamos observar as manifestações no indivíduo e se essas manifestações apresentam-se desproporcionais, persistentes, com elevada ansiedade e preocupação com a saúde e com os sintomas que o paciente sofre”, pondera.

Relações podem ser afetadas
A hipocondria pode afetar as relações sociais, familiares e de trabalho. Comumente, a pessoa é vista como exagerada e negativista e muita gente se afasta. Para a psiquiatra Márcia Gonçalves, quando uma doença é desconhecida, quem sofre dela pode ser alvo de injustiças por parte dos grupos e das pessoas do convívio mais íntimo. “O hipocondríaco tem um sofrimento inenarrável e, certamente, não teria esse comportamento se tivesse escolha”, observa. Colocar -se no lugar do outro quando se trata de comportamentos considerados ‘diferentes’ é, para a médica, o caminho a perseguir.

“Se a família e os amigos tiverem, em vez de julgar, um olhar compassivo para os comportamentos, que inicialmente parecem incompreensíveis, podemos ter menor prejuízo pessoal ao paciente”, explica. Quem nunca teve medo de ter um problema de saúde? .Imagine o sofrimento que isso acarreta para uma pessoa que passa a maior parte de seu tempo com esse pensamento prevalente, além medo e angústia constantes”, considera.

A hipocondria pode ser transitória, motivada, por exemplo, por caso de doença grave ou morte na família, mas há casos mais sérios classificados como transtorno de personalidade hipocondríaca. “É alguém geralmente rejeitado socialmente, que todos os seus assuntos são relacionados a infecções e doenças, uma pessoa que está sempre procurando novos remédios e quem convive com ela geralmente suspeita de uma enfermidade mental grave. A doença é o assunto que domina a vida psíquica, social e afetiva dessa pessoa. Quando é uma constante, há que se ter muita paciência. Respeitar a doença do outro é perceber que essa pessoa está sofrendo”, ressalta.

TRATAMENTO
Há casos em que o hipocondríaco passa por tanto sofrimento e ansiedade que consegue, por si mesmo, procurar a atenção em saúde mental. É importante lembrar, no entanto, que nem sempre a pessoa com hipocondria consegue ter crítica suficiente para buscar o tratamento adequado. Por isso, é alguém que precisa de ajuda e o olhar atento dos familiares. De acordo com Márcia, o primeiro passo é deixar claro ao paciente que ele não tem nenhuma doença física, mesmo que ele discorde e alegue ao contrário.

A psicoterapia de esclarecimento pode ser suficiente em algumas situações de diagnóstico de hipocondria. Para a psicóloga Sara Lopes, quando o paciente reconhece sua condição, os riscos inerentes à doença podem ser minimizados. Por outro lado, segundo ela, quando o indivíduo ainda não sabe do que sofre, o perigo mais comum é a automedicação com a finalidade de acabar com uma doença que ele acredita ter.

“A ansiedade e a preocupação são emoções frequentes para quem tem hipocondria. Eles interpretam sensações fisiológicas habituais ou pequenas variações do corpo como um sintoma de um mal que está por vir”, enfatiza. Nos casos de ansiedade alta – seja no transtorno de ansiedade de doenças ou no transtorno de sintomas somáticos –, o tratamento indicado é com ansiolítico, antidepressivo que tem a vantagem de não causar dependência. “O uso de antidepressivos deve ser prescrito por um médico”, lembra Márcia. Segundo ela, alguns especialistas indicam a prática de atividades físicas e pequenos trabalhos voluntários, no caso de o problema afetar a vida do paciente, a ponto de ele não conseguir mais trabalhar ou se relacionar socialmente.

Ansiedade e transtorno do pânico
A hipocondria está associada a diversos transtornos de ansiedade, sobretudo ao transtorno de pânico. Estima-se que de 50% a 70% dos pacientes com transtorno de pânico tenham sintomas hipocondríacos, e que 13% a 17% dos hipocondríacos tenham transtorno de pânico associado. Há muito tempo, a doença também vem sendo associada, na literatura científica, aos transtornos de ansiedade e transtornos depressivos.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/12/19/noticias-saude,198925/hipocondria-nao-e-mania-de-remedio-e-transtorno-mental-que-traz-mui.shtml

Warfarina e Anticoagulantes Orais: implicação dos custos associados

Variação no uso de Warfarina e Anticoagulantes Orais em Fibrilação Atrial e implicação dos custos associados

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia mais comum dos Estados Unidos, afetando cerca de 6 milhões de adultos no país, com a estimativa de dobrar sua prevalência nos próximos 25 anos.

Os EUA têm um gasto anual de cerca de 6.65 bilhões de dólares com o tratamento de FA, fato que ultimamente , despertou a necessidade da otimização do tratamento da FA, visando uma melhor equidade e qualidade, assim como administração de custos do Sistema de Saúde Americano.

A Warfarina sempre foi o medicamento de referência na terapia de redução de risco de Acidente Vascular Encefálico (AVE) associado à FA, com isso, a pesquisa de novos anticoagulantes orais foi iniciada, introduzindo no mercado novas alternativas: Dabigatrana (2010), Rivaroxabana (2011), Apixabana (2014) e Edoxabana (2015), os chamados Anticoagulantes Orais (DOACs). Esses novos medicamentos comprovaram-se mais efetivos na redução de eventos tromboembólicos quando comparados à Warfarina. Tais medicamentos são em média de 2 a 3x mais caros que a Warfarina, porém a menor necessidade de vigilância clínica e menores efeitos colaterais tornaram seu custo-benefício atraente.

O artigo “Variation in the use of Warfarin and Direct Oral Anticoagulants in Atrial Fibrillation and associated cost implications” publicado em Janeiro de 2019 no The American Journal of Medicine, utilizou dados coletados como prescrição, uso, custo e diagnósticos médicos, e examinou a proporção  de pacientes que utilizavam Warfarina em relação aos que utilizavam os DOACs de acordo com distribuições sociodemográficas e em grupos clínicos.

O estudo mostrou um aumento no uso de anticoagulantes em geral 32,4% (2010) para 40,1% (2014), com um aumento significativo dos DOACs (de 0,56% para 17,2%), e um declínio no uso de Warfarina (32,8% para 22,9%). O artigo conclui que numa larga coorte nacional de adultos, observou-se um rápido crescimento no uso dos DOACs, com significativa disparidade no uso entre diferentes grupos sociodemográficos e grupos de risco clínico. Isso significa que há um aumento dos gastos com medicação devido ao aumento na preferência dos DOACs, o que representa um custo extra significativo para o Sistema de Saúde geral americano.

Portanto, essa nova preferência dos DOACs em relação à Warfarina devido ao seu bom custo-benefício implicará em custos adicionais não somente para o sistema público de saúde, mas também para os privados, e consequentemente ao consumidor.

Fonte: https://www.amjmed.com/article/S0002-9343(18)30949-5/fulltext