Arquivar janeiro 2019

Exames Complementares : Resumo de Valores de Referência

Resumo – Valores de Referência Exames Complementares

Resumo – Valores de Referência Exames Complementares

Bioquímica Sanguínea

Sódio: 135 a 145 mEq/L
Potássio: 3 a 5,5 mEq/L
Cloro: 98 a 105 mEq/L
Cálcio: 9 a 11 mg/dL
Fósforo: 2,5 a 4,5 mg/dL
Magnésio: 1,5 a 2,4 mg/dL
Uréia: 20 a 40 mg/dL
Creatinina: 0,7 a 1,4 mg/dL
Relação entre ambas ~ 40. Se maior: sobrecarga protéica, IR pré–renal, excesso diuréticos, hemorragia digestiva.
Glicose: 70 a 100mg/dL. Se > 125 (2x) – DM. Se >100 e <125 – teste de tolerância
Proteínas totais: 5,5 a 8g/dL
Albuminas: 3 a 5,5g/dL
Globulinas: 2 a 3,5g/dL

Hemograma

– Série Vermelha

Hemácias: 4,5 a 5,9 (H) e 4,0 a 5,2 (M)
Hemoglobina: 13,5 a 17,5 (H) e 12 a 16
(M)Hematócrito: 41 a 53 (H) e 36 a 46 (M)
VHS: 0 a 17 (H) e 1 a 25 (M). Se acima de 100: neoplasia, BK, colagenase
CHCM: 32 a 36 (cor média da Hm)
VGM: 82 a 92 (tamanho médio da Hm)
HGM: 27 a 31 (conteúdo médio de Hb de cada Hm)

– Série Branca

Leucócitos: 4 a 10 mil
Diferencial: Bas/Eos/Mie/Meta/Bas /Seg / Linf/Mono 0–3/0–1/ 0/ 0/0–10/40–70/22–44/4–11

 Fase de luta: Leucocitose com neutrofilia com desvio à esquerda, anaeosinofilia, linfopenia e onocitopenia

Plaquetas: 150 a 450 mil. <50mil (trombopenia) e >600mil (trombocitose)

Lipidograma

Colesterol total: <200mg/dL
HDL: >45mg/dL (H) e >55mg/dL (M)
LDL: <100mg/dL
VLDL: <40mg/dL
TGL: <150mg/dL
Homocisteína: <14mg/dL

Função Tireóidea

TSH: 0,5 a 4,7
T4 livre: 0,8 a 2,7 ng/dL
Interpretação: TSH alto e T4 baixo – hipotireoidismo
TSH indetectável e T4 alto – hipertireoidismo

Hepatograma

TGP/ALT: 0 a 35U/L (maior que 1000 – hepatite)
TGO/ASP: 0 a 35U/L (maior que 1000 – hepatite)
FA: 30 a 120U/L (alta – colestase)
GGT: 1 a 94U/L (alta – alcoolismo, colestase)
Bilirrubina Total: 0,3 a 1,0mg/dL
Bilirrubina Direta: 0,1 a 0,3 mg/dL
Bilirrubina Indireta: 0,2 a 0,7 mg/dL
Abdome

– Ascite & Aumento do Volume
Exsudato: proteína total > 2,5 g/dL
Transudato: proteína total < 2,5 g/dL
SAAG (gradiente soro–ascite: albumina soro – albumina ascite): >=1,1 g/dL: hipertensão portal
<1,1 g/dL: não relacionada à hipertensão portal (neoplasia, infecção, inflamação, oença ovariana)
Exames no liquido: cultura, citologia, bioquímica, pesquisa de células neoplásicas
Exames: radiografia simples (avaliação da distribuição gasosa, ajuda a definir ponto de obstrução, dificilmente efine etiologia), contrastada (SEED, clister opaco – define ponto de obstrução e etiologia), US (massas), TC com contraste (massas, linfonodos, retroperitôneo)
– HD
Exames: hematócrito, uréia (aumentada), coagulograma, tipagem sanguínea

Gasometria e Urina

pH: 7,35 a 7,45
BE: + – 2 (<0: acidose metabólica | >0: alcalose metabólica)
SAT O2: >95%
PaO2: 90 a 100 (95)
PaCO2: 35 a 45 (40)
HCO3-: 22 a 26 (24)
Osmolaridade = 2xNa + glicose/18 + BUN/2,8: 275-290 mOsm/L
AGap = Na – (Cl+HCO3-): 4 a 12 mEq/L (Se com problemas e: alto – acidose lática, cetoacidose, IRC, intoxicação, rabdomiólise | normal – perdas digestivas, acidose tubular distal)
AGapurin = Na + K – Cl: 0 a – 20 mEq/L (Se com problemas e: normal – extra – renal | positivo – renal). Na acidose, ocorre negativação (– 20 a –50) por excreção de NH4+. Defeitos na acidificação renal (como na acidose tubular aguda), levam a positivação
Delta AGap = AGap – 10/24 – HCO3-: 1 a 1,6 mEq/L. Se >1,6: alcalose metabólica concomitante.
Se <1: acidose metabólica não AGap.
Gap Osmolar = Osm medida – Osm calculada: 10 a 20 mOsm/L. Se elevado indica presença de substâncias osmoticamente ativas não mensuradas no plasma.
Clorourin: >40 (síndrome endócrina) e <25 (perda de liquido)
Densidade da Urina: 1000 a 1040
NH4+ excretada: 20 a 40 mEql/L/dia
Sódio na urina: por volta de 100 mEq/L
pH = 6,1 + log HCO3–0,03xPaCO2
Resultado de imagem para relacao hco3 e pco2

As principais disfunções sexuais femininas e como enfrentá-las

– Até aquele momento, eu não tinha parado para conversar sobre isso nem com a minha mãe.

O relato é de Julia*, 30 anos, ao descrever a primeira vez que entrou em um consultório para tratar um assunto que havia evitado até então: sua vida sexual.

Casada desde os 19 anos, há um ano ela procurou um ginecologista ao sentir desconforto físico durante as relações sexuais com o marido. O médico a encaminhou para um serviço de atendimento sexológico gratuito no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. O tratamento com a sexóloga, que já completa 10 sessões, tem caráter de redescoberta. Com o acompanhamento, Julia conta que está no caminho para superar questões emocionais, tabus e as dificuldades de ter prazer durante o sexo:

– Eu sempre guardei todas essas questões para mim. Não tinha aquela entrega durante o sexo, achava que era aquilo mesmo, fazia sem prazer. Fui me dando conta de que deveria ser dona do meu próprio corpo.

A busca por esse sentimento conquistado por Julia é o que leva mulheres a procurarem a terapia sexual quando enfrentam alguma disfunção nessa área. Muitas vezes ignorado, o problema pode levar anos até que seja tema no consultório médico.

Não são poucas as mulheres que relatam dificuldades para ter uma vida sexual satisfatória. Segundo estudo liderado por Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, em 2008, cerca de 48% das brasileiras apresentam alguma queixa sexual ao longo da vida, e o tempo que elas demoram, em média, para buscar ajuda clínica é entre três e quatro anos.

– É impossível ser infeliz sexualmente e ser feliz na vida. Os problemas sexuais afetam a autoestima, aumentam a insegurança no relacionamento e dificultam a aproximação de outras pessoas, já que o sexo passa a ser um momento de tensão. São várias as repercussões negativas – afirma a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler.

Uma questão de saúde pública

Sexo é saúde, e saúde também é sexo. Esse conceito já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS): a sexualidade está oficialmente entre os critérios para se avaliar a qualidade de vida de um indivíduo.

Tudo funciona como um ciclo: disfunções sexuais podem ser sinal de outras doenças, e dificuldades na cama levam à angústia, à frustração e até mesmo à depressão. Em pouco tempo, os efeitos após uma noite de sexo satisfatório são visíveis: a mulher se sente mais em sintonia com o parceiro, os laços afetivos se estreitam, ela se percebe mais bonita.

– Uma saúde sexual favorável implica questões de saúde mental. A curto prazo, é visível, a mulher já se sente mais poderosa. A longo prazo, melhora o relacionamento com o parceiro. Pacientes em tratamento psiquiátrico, por melhorarem a questão sexual, apresentam também melhoras como um todo – explica a sexóloga e ginecologista Sandra Scalco, que coordena o ambulatório de sexologia no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, na Capital.

A iniciativa de oferecer o serviço gratuitamente para mulheres de todo o Estado, segundo Sandra, contribui para sustentar que o assunto é questão de saúde pública, mas ainda é visto como tabu pela sociedade.

Educação repressiva e cultura do medo

O campo da sexualidade feminina começou a virar objeto de pesquisa apenas na metade do século 20. Mas foi a partir da década de 1970 que o discurso sobre o assunto começou a mudar. Com maior conquista da liberdade sexual, abriu-se uma porta para investigar o que elas preferem e como elas sentem prazer. O sexo, antes tratado apenas pelo viés da questão reprodutiva, começou a ganhar um olhar mais voltado para a satisfação pessoal e com o foco na saúde.

Mesmo assim, a sociedade ainda conserva preconceitos e expectativas sobre as mulheres que influenciam a ideia que elas têm sobre o sexo.

– Ainda predominam os fatores culturais, a educação sexual repressiva e a cultura de medo imposta nas meninas quando são adolescentes de que o hímen é algo frágil que deve ser preservado a qualquer custo, que aquilo é o “lacre” da mulher. A educação sexual das mulheres é carregada com valores repressivos, e ela, depois de adulta, vai reaprender a sexualidade de um jeito mais saudável, diferente do que foi ensinado por influência da família ou da escola – analisa a sexóloga Jaqueline Brendler.

A sexóloga analisa o contexto de criação entre os dois gêneros: durante a fase de desenvolvimento, a anatomia sexual das mulheres é frequentemente ignorada. Enquanto que a dos homens é tratada com menos pudor. Nesse cenário, as mulheres são desencorajadas a se conhecerem.

A falta de informação sobre o próprio corpo e o medo, ou até a vergonha de se descobrir, reprimem as mulheres. Isso é visto pelo número de mulheres que nunca se masturbaram, que chega a 36%, segundo a pesquisa Mosaico Brasil. A dificuldade para ter orgasmo, uma das principais queixas femininas, tem como um dos fatores a falta de autoconhecimento.

– Normalmente, a falta de conhecimento do próprio corpo permeia as dificuldades sexuais. Mas existem fatores emocionais e de construção do significado do sexo para cada uma delas. Por isso, dizemos que é multifatorial. A ausência de confiança no sexo oposto, por exemplo, pode dificultar que a mulher se entregue mais – diz Jaqueline.

O que é a disfunção sexual?

É caracterizada quando a dificuldade sexual causa estresse, angústia ou incômodo. Pode ser dor durante a relação ou dificuldade para ficar excitada. A falta de desejo, por exemplo, não é sinônimo certeiro de que alguma coisa está errada.

Entende-se que há disfunção apenas quando a situação passa a prejudicar o bem-estar mental da mulher. Além disso, o problema deve estar persistindo há pelo menos seis meses.

As causas para as disfunções são multifatoriais e incluem componentes biopsicossociais (biológicos, psicológicos e sociais). Vivências, experiências e educação sexual influenciam no seu desenvolvimento. Vítimas de violência sexual, por exemplo, têm grande propensão a terem disfunções sexuais ao longo da vida.

Mulheres em períodos como o pós-parto, a menopausa e o climatério podem ter maior desconforto ou outras queixas devido à oscilação hormonal: com a queda da produção de estrogênio, a vagina pode se tornar mais ressecada e ter menor capacidade de lubrificação, o que dificulta a penetração.

Vítimas de violência sexual ou com traumas relacionados à própria sexualidade também têm maiores chances de terem dificuldades para retomarem uma vida sexual saudável.

Como funciona a terapia sexual?

Sexólogos são os profissionais preparados para fazer esse tipo de terapia. Eles são procurados geralmente por quem apresenta alguma disfunção ou quer ter uma vida sexual com mais qualidade. Profissionais de diferentes áreas podem se especializar no tema, como médicos ginecologistas, psiquiatras e psicólogos. Mas há também outros métodos para esse tipo de terapia.

– É bastante comum que os profissionais sigam a linha de terapia cognitiva-comportamental focada no assunto sexual. Boa parte dos pacientes com quem eu trabalho já tem um equilíbrio nas outras áreas da vida, mas tem um problema sexual que persiste – afirma Jaqueline.

Nessa linha de terapia, vários aspectos da vida da paciente são abordados: a criação, as vivências, os relacionamentos. Além disso, o terapeuta pode indicar um “tema de casa”, atividades para ajudar no tratamento, que variam com a necessidade de cada mulher, mas podem incluir exercícios com o parceiro e técnicas de relaxamento.

A duração desse tipo de terapia é curta em comparação à psicoterapia convencional. Pode durar, em média, de seis meses a dois anos.

– É um conceito de terapia breve. Com 10 encontros, muitas vezes, a mulher já tem uma resposta. Eu fiz um levantamento com as pacientes que atendo e, na terceira ou quinta consulta, em média 50% já apresentava alguma melhora – revela a sexóloga Sandra Scalco.

Principais disfunções sexuais femininas

Falta de desejo

A falta de vontade de procurar o parceiro ou a parceira para uma atividade sexual é um dos principais motivos que levam as mulheres a buscar ajuda. É o chamado desejo hipoativo. A mulher passa a não criar mais fantasias sexuais e perde a vontade de fazer sexo.

Nas últimas décadas, um dos nomes que mais marcaram as pesquisas sobre o desejo sexual feminino foi a canadense Rosemary Basson. A especialista em saúde da mulher quebrou o paradigma que era construído com base no conhecimento do desejo sexual masculino. Para o homem, primeiro vem o desejo, que muitas vezes ocorre pelo estímulo visual. Depois, vem a ereção, que é a parte da excitação. Nas mulheres, principalmente com relacionamentos mais longos, o ciclo nem sempre funciona assim.

– Sempre se acreditou que a resposta sexual da mulher era igual a do homem, que ela precisava ter desejo para ir para a relação. Mas descobriu-se que os motivos que levam ela a transar são diversos. Pode ser a relação afetiva que ela tem com aquela pessoa. A partir desse jogo de sedução, em que ela começa a se excitar, é que ela vai ter desejo – explica a psicóloga e sexóloga Lucia Pesca.

Há disfunção, alerta a ginecologista Sandra Scalco, quando as mulheres, por mais de seis meses, entram e saem da relação sem ter se excitado e o desejo se manteve baixo. As causas, como nas demais dificuldades sexuais, podem ser psíquicas, como estresse, depressão e experiências negativas relacionadas ao sexo.

Segundo Heitor Hentschel, ginecologista e sexólogo, há uma série de medicamentos que também podem afetar o desejo sexual. Entre eles, estão os antidepressivos, de uso comum da população.

– Alguns medicamentos alteram muito a produção hormonal, o que repercute no corpo. Todas as medicações moduladoras da parte emocional, diuréticos e até mesmo boa parte dos hormônios, como a pílula anticoncepcional, podem diminuir a função sexual e alterar o desejo, reduzindo a excitação e tornando impossível o orgasmo – diz o especialista.

Dificuldade de ter orgasmo

A falta de orgasmo durante a relação sexual é uma das disfunções que mais incomodam as mulheres. Segundo a sexóloga Sandra Scalco, a inabilidade para conseguir chegar lá pode, inclusive, contribuir com o desenvolvimento de outros problemas sexuais.

– É um grande fator de desestímulo a longo prazo. Às vezes, vemos mulheres com desejo diminuído aos 40 ou 50 anos, mas a fonte do problema era a anorgasmia (ausência de orgasmo), e elas poderiam ter sido tratadas ainda jovens – exemplifica.

Os especialistas alertam que não é só o estímulo das partes íntimas que leva ao ápice do prazer. A capacidade de concentração, de autoconhecimento, de saber orientar o parceiro ou a parceira são fundamentais nessa hora. O estresse, por exemplo, pode dificultar que a mulher se mantenha focada na hora do sexo.

– Sexo é emoção pura. A cabeça tem de estar envolvida, se não, dificulta – afirma a sexóloga Jaqueline Brendler.

O orgasmo também fica cada vez mais longe quando há mitos e preconceitos na hora do sexo, que comprometem a entrega da mulher. O mais comum é que elas atinjam o ápice com estímulos no clitóris, onde há maior concentração de fibras nervosas. Outras partes do corpo também levam ao prazer se estimuladas, como o bico dos seios, a pele e a nuca.

– Se ela não souber como se tocar, se não se masturbou antes, como vai saber conduzir o parceiro? Além disso, o aspecto emocional tem grande importância: o envolvimento com aquela pessoa é o ingrediente principal, ter um afeto especial torna a mulher mais confiante e solta para se entregar – avalia Lucia Pesca.

Além da sensação de empoderamento e satisfação, durante o orgasmo, são liberadas substâncias como as endorfinas, que aliviam o estresse e aumentam o prazer.

Dor e desconforto

É normal que mulheres relatem dor na hora da penetração. Essa sensação desagradável durante a relação pode significar a presença de três problemas: vaginismo, dispareunia ou transtorno da excitação sexual. As três têm como principal sintoma a dor.

A dispareunia está relacionada a fatores orgânicos. Quando a penetração é dolorida, o médico deve ser informado para dar seguimento a exames que verifiquem a presença de doenças como endometriose, hérnias genitais ou tumores.

Já o vaginismo indica que há uma contratura involuntária da vagina, o que torna dolorosa a penetração.

– Algumas pessoas, por algum trauma, podem sofrer de vaginismo depois de terem começado a vida sexual. O medo de transar também pode causar o vaginismo – explica a sexóloga Jaqueline Brendler.

Quando uma mulher se excita, a vagina se torna mais profunda, larga e lubrificada, para se adaptar ao pênis. O transtorno da excitação sexual pode ocorrer por fatores físicos, orgânicos ou psicológicos. A excitação emocional libera substâncias vasodilatadoras, responsáveis por permitir a preparação da vagina. Quando a mulher não consegue se excitar, a vagina aumenta pouco e não sai da situação de repouso. Se não há doenças que poderiam afetar essa função, como o diabetes ou reduções nos níveis de estrógeno no período da menopausa, o transtorno pode ter fundo emocional ou psicológico.

– Mulher também “brocha” emocionalmente. Se ela está no meio da relação e o telefone começa a tocar, não há garantia de que vai se manter – diz Jaqueline.

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2016/04/as-principais-disfuncoes-sexuais-femininas-e-como-enfrenta-las-5757621.html

Habilidade Manual em Cirurgias

Pergunta : Gabriel ( Universidade Federal do Rio de Janeiro )
Bom dia, Dr. Mario. Eu sou um aluno entrando no 4 ano agora em 2019, e já faz um tempo que comecei a pesquisar e refletir sobre qual especialidade posso seguir ao final do curso. O problema é que eu já ouvi falar que a parte cirúrgica tem muito isso de “dom”, que a pessoa nasce com a “mão cirúrgica” e eu tenho medo de acabar escolhendo alguma área que tenha procedimento/cirurgia e não ser capaz, não conseguir. Sempre que penso sobre o futuro eu divido no meu pensamento as áreas clínicas e as áreas que possuem cirurgias (por exemplo: plastica, ortop, otorrino, oftalmo etc) , aí por medo eu acabo me fechando as áreas cirúrgicas e me viro para as clínicas. Isso acontece também porque esse ano eu tive uma matéria que tinha algumas aulas de sutura e nó cirúrgico e eu tive um pouco de dificuldade para a realização das suturas (porém admito que treinava pouco, fazia a sutura hoje e repetia só daqui há 2 meses na semana da prova, tentava reaprender). Aí meu pensamento era “se eu não consigo nem uma sutura(por mais que não treinasse tanto) quanto mais uma cirurgia” . Gostaria da sua opinião publicada aqui no site por favor. Muito obrigado.

Resposta :

Habilidades manuais provavelmente tem mais a ver com treinamento do que com perfis genéticos.

Exceto para a Neurocirurgia, onde as habilidades manuais são absurdamente necessárias, para as outras especialidades cirúrgicas o treinamento tornará o profissional habilitado para o desempenho diário.

Evidentemente alguns precisarão de maior treinamento do que os outros, e algumas residências médicas tem tentado definir o número de cirurgias (em treinamento) necessárias para que o residente se torne habilitado.

Por exemplo, na oftalmologia , tratando-se da cirurgia de catarata, que é a cirurgia mais comum na especialidade, o residente pode se  considerar bem treinado após ter realizado 150 cirurgias dessas.

Portanto não se preocupe por enquanto com essa sua habilidade manual porque se for mesmo pela escolha de uma especialidade cirúrgica, durante a residência vc vai adquirir essa habilidade.

Sucesso

Mário Novais

Disfunção erétil

A disfunção erétil é a incapacidade de obter e manter uma ereção firme o suficiente para o sexo.

Ter problemas de ereção de tempos em tempos não é necessariamente motivo de preocupação. Se a disfunção erétil é um problema constante, no entanto, ela pode causar estresse, afetar sua autoconfiança e contribuir para problemas no relacionamento. Problemas para obter ou manter uma ereção também podem ser um sinal de uma condição de saúde subjacente que precisa de tratamento e um fator de risco para doenças cardíacas.

Se você está preocupado com a disfunção erétil, agende uma consulta conosco. Às vezes, o tratamento de uma condição subjacente é suficiente para reverter a disfunção erétil. Em outros casos, medicamentos ou outros tratamentos diretos podem ser necessários.

SINTOMAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Os sintomas de disfunção erétil podem incluir persistentes:

  • Problemas para obter uma ereção;
  • Dificuldades para manter uma ereção;
  • Desejo sexual reduzido.

QUANDO VER UM MÉDICO

Consulte o seu médico se:

  • Você tem preocupações sobre suas ereções ou está enfrentando outros problemas sexuais, como ejaculação precoce ou retardada;
  • Você tem diabetes, doença cardíaca ou outra condição de saúde conhecida que pode estar relacionada à disfunção erétil;
  • Você tem outros sintomas junto com a disfunção erétil.

Você sabia?

Segundo o Massachusetts Male Aging Study, a disfunção erétil, ou impotência sexual, é a principal queixa da medicina sexual masculina, apresentando um índice de 52%, dessas disfunções em homens entre 40-70 anos de idade. Já no Brasil, esta taxa corresponde a 65,5%, com novos casos de queixas nesta área, ou seja, extremamente mais alta.

CAUSAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A excitação sexual masculina é um processo complexo que envolve o cérebro, hormônios, emoções, nervos, músculos e vasos sanguíneos. A disfunção erétil pode resultar de um problema com qualquer um deles. Da mesma forma, preocupações, estresse e saúde mental podem causar ou piorar a disfunção erétil.

Às vezes, uma combinação de problemas físicos e psicológicos causa disfunção erétil. Por exemplo, uma condição física menor que retarda sua resposta sexual pode causar ansiedade. A ansiedade resultante pode levar ou piorar a disfunção erétil.

CAUSAS FÍSICAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Em muitos casos, a disfunção erétil é causada por algo físico. Causas comuns incluem:

  • Doença cardíaca;
  • Vasos sanguíneos entupidos (aterosclerose);
  • Colesterol alto;
  • Pressão alta;
  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Mal de Parkinson;
  • Esclerose múltipla;
  • Certos remédios;
  • Cigarro;
  • Doença de Peyronie – desenvolvimento de tecido cicatricial no interior do pênis;
  • Alcoolismo e outras formas de abuso de substâncias;
  • Distúrbios do sono;
  • Tratamentos para câncer de próstata;
  • Cirurgias ou lesões que afetam a área pélvica ou medula espinhal.

CAUSAS PSICOLÓGICAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

O cérebro desempenha um papel fundamental no desencadeamento da série de eventos que causam uma ereção, começando com sentimentos de excitação sexual. Várias coisas podem interferir nos sentimentos sexuais e causar ou piorar a disfunção erétil. Esses incluem:

  • Depressão, ansiedade ou outras condições de saúde mental;
  • Estresse;
  • Problemas de relacionamento devido a estresse, falta de comunicação ou outras preocupações.

PREVENÇÃO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A melhor maneira de prevenir a disfunção erétil é fazer escolhas saudáveis ​​no estilo de vida e cuidar de quaisquer condições de saúde existentes. Por exemplo:

  • Cuide de diabetes, doenças cardíacas ou outras condições crônicas de saúde;
  • Consulte o seu médico para exames regulares.;
  • Pare de fumar, limite ou evite álcool e não use drogas ilegais;
  • Exercite-se regularmente;
  • Reduza o estresse;
  • Obtenha ajuda para ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental.

TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A primeira coisa que seu médico fará é certificar-se de que você está recebendo o tratamento certo para quaisquer problemas de saúde que possam estar causando ou piorando sua disfunção erétil.

Dependendo da causa e gravidade de sua disfunção erétil e de quaisquer condições de saúde subjacentes, você pode ter várias opções de tratamento.

MEDICAMENTOS ORAIS

Medicamentos orais são um tratamento bem-sucedido para muitos homens. Eles incluem:

  • Sildenafil (Viagra);
  • Tadalafil;
  • Vardenafil;
  • Avanafil.

Todos os quatro medicamentos aumentam os efeitos do óxido nítrico – um químico natural que o corpo produz e relaxa os músculos do pênis. Isso aumenta o fluxo sanguíneo e permite que você obtenha uma ereção em resposta à estimulação sexual.

Tomar um destes comprimidos não produzirá automaticamente uma ereção. A estimulação sexual é necessária primeiro para causar a liberação de óxido nítrico de seus nervos penianos. Esses medicamentos amplificam esse sinal. Os medicamentos orais contra a disfunção erétil não são afrodisíacos, não causam excitação e não são necessários em homens que têm ereções normais.

O médico irá determinar qual medicação pode funcionar melhor. Esses medicamentos podem não tratar sua disfunção erétil imediatamente.

Antes de tomar qualquer medicação para a disfunção erétil, incluindo suplementos e remédios de ervas, obtenha a receita e aprovação do seu médico. Medicamentos para disfunção erétil não funcionam em todos os homens e podem ser menos eficazes em certas condições, como após a cirurgia de próstata ou se você tem diabetes.

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.clinicahomini.com/disfuncao-eretil/

Transtorno da personalidade dependente: o que é e a quem afeta?

A incapacidade de ficar sozinho, uma dependência sufocante dos outros, a insegurança, nenhuma responsabilidade pessoal, o medo obsessivo de ser abandonado… Estas e outras dimensões desgastantes caracterizam uma das doenças mais comuns, mas por sua vez, menos reconhecidas e tratadas. Estamos falando do transtorno da personalidade dependente.

Para entender um pouco mais sobre esse transtorno começaremos com um exemplo simples. Jorge tem 42 anos e hoje tem uma entrevista de emprego. De manhã, quando termina de se vestir, sua esposa sugere que coloque outra gravata: a que está usando é muito escura, muito séria. Jorge não diz nada, mas não se sente bem com o comentário e fica inseguro. Logo depois, começa a se perguntar se a camisa e as calças escolhidas combinam, se os sapatos são adequados …

Atormentado pelas dúvidas e medos, diz a si mesmo que não conseguirá esse emprego. Assim, sem saber como, ele começa a intensificar a sua negatividade, afundando-se em um diálogo circular, repetitivo e obsessivo. Começa a imaginar que se não conseguir o emprego, é muito provável que a sua esposa o abandone. A sua esposa, que conhece bem a sua personalidade, diz que isso não vai acontecer, que ela está lá para apoiá-lo, que confia nele e não há nenhuma razão para temer o abandono.

Ele parece se animar, mas Eva, sua mulher, respira profundamente, sentindo mais uma vez a picada do desespero. Ela sabe que terá que apoiá-lo dando incentivo e reforços positivos durante todo o dia… talvez toda a semana. Sabe também que, provavelmente, Jorge não será capaz de sair para aquela entrevista de emprego. Entende também que o comportamento do seu marido não é normal, que às vezes fica muito difícil conviver com ele, e se sente cada vez mais esgotada. Ela acredita que essa é a sua personalidade, e que essas coisas não podem ser mudadas.

É neste ponto que está a raiz do problema: acreditar que um determinado tipo de comportamento é normal e nada pode ser feito para mudá-lo. Nós associamos essas características a um padrão de personalidade e aceitamos o seu comportamento sem entender que, na verdade, existe um transtorno, uma doença. Um tipo de comportamento que invalida a própria pessoa e o ambiente onde ela vive.

O transtorno da personalidade dependente ou a fragilidade do “eu”

Entre os 10 tipos de transtornos da personalidade coletados pelo DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais), o transtorno mais comum é o transtorno da personalidade dependente. Estamos diante de um quadro clínico que se caracteriza pela notável falta de autoconfiança e a necessidade constante de consolo, segurança e apoio. Normalmente dá os primeiros sinais na adolescência, no entanto, os sintomas são mais graves e podem ser observados com mais clareza após os 40 anos.

Por outro lado, como sugerimos no início, é muito comum que as pessoas com transtorno da personalidade dependente não estejam conscientes de que o que estão sofrendo é uma doença. Apenas quando chegam no limite, quando percebem que não têm nenhum controle da sua realidade e de si mesmas, pedem ajuda.

Características das pessoas com transtorno da personalidade dependente

  • Incapacidade de ficar sozinha.
  • Evitação das suas responsabilidades.
  • Extrema passividade.
  • Dificuldade em aceitar e enfrentar críticas.
  • Incapacidade de assumir o final de um relacionamento.
  • Medo obsessivo de ser abandonada.
  • São muito passivas nas relações interpessoais.
  • Falta de iniciativa: não conseguem tomar decisões sem apoio ou conselhos dos outros.

Quais são as causas do transtorno e como ele é diagnosticado? A quem pode afetar?

Até hoje se desconhece a causa desse transtorno. Sabemos, por exemplo, que ele aparece na idade adulta e que alguns pacientes experimentaram na sua infância ou adolescência um transtorno de ansiedade associado com a separação física dos seus pais. No entanto, este fato nem sempre é determinante.

Por outro lado, a incidência estimada da doença na população geral é de dois por cento (embora se saiba que muitas pessoas nem sempre conseguem ser diagnosticadas). Ele também é mais comum em mulheres do que em homens. Normalmente, este diagnóstico é feito por um clínico geral que é quase sempre o primeiro filtro, o primeiro passo. São eles que encaminham esses pacientes para os profissionais especializados.

Em primeiro lugar é feito um exame de sangue completo para descartar algum desequilíbrio hormonal. Mais tarde, serão analisados os sintomas e a história de vida do paciente.

Tratamento para o transtorno da personalidade dependente

Como sempre, em qualquer condição, cada paciente é único.Ocasionalmente, podem ocorrer mais complicações, como depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de personalidade por evitação, etc, que intensificam ainda mais o quadro clínico.

No entanto, vale a pena ressaltar que a combinação da psicoterapia com o tratamento farmacológico é eficaz na maioria dos casos. A terapia comportamental cognitiva, por exemplo, centrada nos padrões de pensamento, nas crenças ou na incapacidade de tomar decisões, é uma das terapias com melhores resultados.

Não podemos esquecer que são tratamentos a longo prazo, terapias muitas vezes combinadas com antidepressivos ou sedativos, com avaliação médica regular para analisar as melhoras. E para terminar, não podemos nos esquecer do apoio familiar e social do paciente. O ambiente mais próximo é o terceiro pilar em qualquer tratamento, onde o próprio paciente deve combinar esforços contínuos, compromisso e um desejo claro de melhorar, de lutar pela sua qualidade de vida.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://amenteemaravilhosa.com.br/transtorno-da-personalidade-dependente/

Especialidade Fisiatria – Medicina Física e Reabilitação

Pergunta : Gabriel ( Universidade de Alfenas – MG )
Gostaria de saber como é a carreira em fisiatra. Especialista em Neurofisiologia Clínica. Obrigado

Resposta :

Considerando que no Brasil 10 % da população é portadora de algum grau de deficiência, o mercado deveria ser bom para a medicina física e reabilitação, mas esse mercado é disputado também pelos fisioterapeutas, neurologistas, cardiologistas, ortopedistas e terapeutas ocupacionais.

Medicina Física e Reabilitação ou Fisiatria é uma especialidade médica que se ocupa do diagnóstico e terapêutica de diferentes entidades tais como as consequentes a patologias traumáticas, a lesões do sistema nervoso central e periférico, orto-traumatológicas, cardio-respiratórias, reumatológicas, vasculares periféricas, pediátricas entre outras. A Medicina Física e de Reabilitação aplica diferentes estratégias terapêuticas que vão prevenir ou reduzir as múltiplas consequências clínicas das doenças agudas e crónicas, no âmbito das deficiências das incapacidades e das desvantagens.

Portanto o mercado de trabalho para o fisiatra é muito diversificado e o profissional precisa “focar” em alguma dessas áreas citadas acima. Muitos desses especialistas se dedicam à área ortopédica, mas nesses casos competem muito com os fisioterapeutas.

Na área de reabilitação cardiorespiratória para pacientes pós infartos, o mercado é carente de profissionais, mas exige espaços especiais como academias específicas e monitoração rigorosa.

Na área de doenças neurológicas ( seqüelas de AVE, paralisias cerebrais, síndromes genéticas…) a prática médica para o fisiatra é árdua e os resultados nem sempre são os que os pacientes e familiares esperam.

Vc também deve levar em consideração que essa especialidade é considerada uma especialidade “triste” e portanto exige uma estrutura pessoal forte do profissional.

A qualidade de vida e os ganhos financeiros do profissional vão depender de qual a área da medicina física ele vai se concentra

Abaixo transcrevemos matéria elucidativa publicada no site pebmed.com.br :

” No artigo dessa semana, da nossa série sobre Residência e as especialidades médicas, a Dra. Fernanda Martins fala tudo que você precisa saber sobre Medicina Física e Reabilitação.

1) O que é?

Fisiatria é a especialidade que estuda a reabilitação e a melhora de funções em pessoas com deficiências ou doenças incapacitantes. O termo deriva das palavras gregas physikos/fisio/fúsis (físicas, função) e Iatreia/íotrós (arte de curar, médico).

O fisiatra é um médico que criativamente emprega agentes físicos, bem como outras terapias médicas para ajudar na cura e reabilitação de um paciente. Portanto, fisiatra é o médico da função. Parece simples, mas para nós médicos que estudamos órgãos e funções de sistemas corporais e compartimentamos as especialidades por áreas de doenças, o campo da fisiatria pode parecer um pouco abstrato à primeira vista, pois função é a execução de uma atividade ou tarefa da atuação humana, o que é pode ser bem mais complexo do que estudar um órgão e suas doenças.

Ou seja, o tratamento médico em fisiatria envolve a pessoa toda e aborda as necessidades físicas, emocionais e sociais que devem ser satisfeitas para restabelecer a qualidade de vida do paciente ao seu potencial máximo, para que consiga retomar da melhor forma possível suas rotinas familiar e de trabalho após a instalação de uma deficiência, com olhar voltado não apenas para a doença e suas causas, mas também para o acolhimento e para o entendimento das necessidades de cada paciente.

Fisiatras são médicos que tratam de uma variedade de problemas médicos que afetam o cérebro, medula espinhal, nervos, ossos, articulações, ligamentos, músculos e tendões. O foco da especialidade é na restauração da função das pessoas, atuando na prevenção, diagnóstico e tratamento não-cirúrgico de distúrbios associados à deficiência física.

O fisiatra:

  • trata de pacientes de todas as idades
  • foca o tratamento na funcionalidade da pessoa
  • em um espectro de expertise médica que permite tratar de condições incapacitantes ao longo da vida da pessoa
  • diagnostica e trata dor resultante de uma lesão, doença ou deficiência
  • determina e lidera um plano de tratamento/prevenção
  • lidera uma equipe de profissionais que inclui fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros terapeutas e médicos para otimizar o cuidado ao paciente
  • trabalha com outros médicos que assistem ao paciente

Os fisiatras tratam de condições como por exemplo: dor aguda e crônica e distúrbios osteomusculares, pessoas com lesões na medula espinhal, lesões cerebrais, derrames, amputações, câncer e esclerose múltipla. Todos exigem um processo de reabilitação em longo prazo. A fisiatra pode tratar pacientes diretamente, liderar uma equipe interdisciplinar ou agir como um consultor.

Fisiatras oferecem um amplo espectro de serviços médicos, podendo prescrever medicamentos ou dispositivos auxiliares, como uma cinta ou membro artificial. Eles também prescrevem terapias diversas, tais como calor e frio, eletroterapias, massagem, biofeedback, tração e exercícios terapêuticos. Fisiatras tratam o indivíduo como um todo transpassando a esfera biológica e mecânica do corpo – tratam doenças, distúrbios, deficiências, incapacidades e limitações sociais. São tratadas todas as funções possíveis a um ser humano.

E o que é reabilitação? Reabilitação é definida como o desenvolvimento de uma pessoa ao máximo potencial físico, psicológico, social, profissional, vocacional e educacional compatível com suas limitações por deficiências anatômicas ou fisiológicas e questões ambientais. A equipe trabalha para obter a função ideal, mesmo com deficiência residual, mesmo que o prejuízo causado por um processo patológico não possa ser revertido. Os resultados previstos dos pacientes de um programa de reabilitação global e integrado devem incluir uma maior independência e uma melhor qualidade de vida.

2) Como é o dia a dia?

O dia a dia do fisiatra é muito variável, a depender do seu campo de trabalho. Pode desde passar os dias no seu consultório, atendendo consultas e realizando procedimentos diversos (infiltrações, bloqueios, tratamento por ondas de choque) até passar muitos dias no centro cirúrgico realizando Monitorização Intraoperatória.

O dia a dia em Centros de Reabilitação inclui consultas médicas, atendimentos com terapeutas ou técnicos ortesistas para analisar equipamentos (órteses, próteses, cadeira de rodas), realizar procedimentos como aplicações de toxina botulínica para espasticidade e discussões de caso em reuniões de equipe multidisciplinar (com assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e enfermeiro).

Caso trabalhe em hospitais, pode atuar como interconsultor, avaliando pacientes desde a UTI até o ambulatório do Centro de Reabilitação.

Na Fisiatria, o dia a dia do médico pode ser escolhido de acordo com as oportunidades de trabalho e o que é o desejo do médico fisiatra para sua atuação.

3) Oportunidades de trabalho:

A Fisiatria é uma especialidade médica clínica em grande desenvolvimento na atualidade em todo o mundo, sobremaneira no Brasil com a instituição por decreto da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do SUS em 2012.

Segundo a Organização Mundial de Saúde existe mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo (OMS, 2011). No Brasil 24% da população, ou seja, 45 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência (IBGE, 2014). Atualmente um dos focos da OMS é atuar nessa grande população em todos os países, estimulando o desenvolvimento de acesso à reabilitação, recursos de acessibilidade e consequentemente inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

As oportunidades de trabalho com consultórios ou clínicas de reabilitação particulares são presentes em todo o país. Há demanda reprimida. Os empregos formais e busca de fisiatras pelo país tem aumentado.

Caso o fisiatra opte por realizar exames, na área de Neurofisiologia Clínica pode atuar com Monitorização Intraoperatória ou Eletroneuromiografia.

O trabalho em Centros de Reabilitação especializados ou que estão dentro de Hospitais gerais frequentemente ofertam novas vagas. Alguns planos de saúde suplementar tem contratado diretamente fisiatras para atuar com pacientes com Dor crônica, em Grupos de Dor, ou Centros de Reabilitação próprios. Atualmente, isso mostra-se uma tendência.

As normativas da Atenção em Oncologia preveem que a prestação de atendimento ao paciente no Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) abranja 7 áreas – desde o diagnóstico, cirurgia, oncologia, radioterapia, quimioterapia, reabilitação e cuidados paliativos. A oferta de vagas para fisiatras tende a aumentar.

4) Número de especialistas e locais de referência:

Atualmente temos 900 fisiatras registrados na Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação.

Locas de referência:

– Unidades em vários estados:
AACD – https://aacd.org.br/

– Rio de Janeiro:
ABBR – https://www.abbr.org.br/abbr/index.html

– São Paulo:
Rede Lucy Montoro de Reabilitação – https://www.redelucymontoro.org.br/

Hospital Sírio Libanês – https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/reabilitacao/Paginas/default.aspx

Hospital Israelita Albert Einstein – https://www.einstein.br/estrutura/reabilitacao

– Rio Grande do Sul:
PUC/RS – https://www.pucrs.br/reabilitacao/

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5) Curiosidades:

– A atuação enquanto fisiatra proporciona cada história… A sexualidade das pessoas é sempre um tema desafiador, posto que o médico em geral não está habilitado nesta questão. Os pacientes em reabilitação são estimulados a retomar diversos aspectos da vida, o que inclui a sexualidade – é cada causo que compartilhamos… sejam pacientes paraplégicos, adolescentes com deficiência, ou senhoras em pós-operatório ortopédico. Quando se fala de vida, de retomá-la, ainda que com adaptações, permanentes ou temporárias, o tema da sexualidade sempre traz boas risadas. As histórias em torno da promoção da autonomia das crianças com deficiência gera histórias engraçadíssimas – como todos se envolvem e se desconcertam – “mas ele pode fazer isso? Pegar sozinho o ônibus? Fazer compras?”. É curioso como tantas vezes ouvimos enquanto fisiatras as pessoas refletirem sobre a vida e dizerem (sim, é comum) – “depois do AVC eu sou mais feliz comigo mesmo e com a minha família”.

6) Especialidades correlacionadas:

A Fisiatria potencialmente se relaciona com todas as especialidades médicas clínicas, cirúrgicas ou anestesia.

Quanto trata-se de pacientes com dor crônica, muitas vezes o time dos Grupos de Dor compõem Fisiatra, Anestesista, Ortopedista, Neurocirurgião, Neurologista, Reumatologista, Geriatra e/ou Pediatra – os grupos se formam com os especialistas de maior interesse para atender o grupo de pacientes alvo.

A depender da incapacidade que o fisiatra mais atende, a interlocução se dá com especialistas diferentes. Por exemplo: se a atuação é com reabilitação hospitalar, a interlocução é com o especialista que aciona o fisiatra interconsultor – na reabilitação cardíaca pós infarto, trabalham juntos cardiologista, fisiatra e fisioterapeuta; na reabilitação oncológica, depende do que há com o paciente, pois pode ser somente um ombro congelado após mastectomia ou uma síndrome de compressão medular maligna. As publicações em Oncologia cada vez mais tem ressaltado a importância para qualidade de vida e sobrevida da reabilitação seja pré-cirúrgica, durante a quimioterapia ou após a finalização do tratamento ativo.

7) Área de atuação:

No Brasil, as áreas de atuação formais do Fisiatra são Neurofisiologia Clínica e Dor. Na prática, o fisiatra se subespecializa de acordo com sua área de interesse de estudo e campo de prática clínica. Nos Estados Unidos, a formação do Fisiatra contempla programas de fellowship em diversas áreas – por exemplo muskuloskeletal, sports, spinal cord injury, traumatic brain injury, pediatrics e oncology.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

A escolha da Fisiatria alinha-se ao princípio da escolha de ser médico. Após anos de atuação e trabalho com residentes, tenho a firme impressão de que a prática na área da Fisiatria nos coloca em cheque como médicos – com nossa habilidade de comunicação, nosso potencial de estabelecer diagnósticos funcionais e planejar o tratamento para a máxima recuperação, em sermos o médico que suporta/cuida do paciente desde a fase aguda de instalação da deficiência e por um longo período, muitas vezes. Muitas vezes trazemos más notícias – a real possibilidade física, contrabalançando delicadamente para não tirar a esperança.

Na Fisiatria, não se cuida de doenças, se cuida da pessoa – é um cuidado centrado na pessoa. Atendemos pessoas de todas as idades em diversas etapas do seu ciclo de vida, quando ocorre uma perda funcional. Cuidamos também da família – sozinho é muito desafiador cumprir a reabilitação plena. Óbvio que isso varia de acordo com o grau de incapacidade da pessoa – é diferente reabilitar um jovem após um trauma na perna e um jovem após um TCE grave. Nosso papel enquanto fisiatra é estabelecer o planejamento de reabilitação individualizado em cada caso.

A maioria dos fisiatras atua cuidando das pessoas com alguma incapacidade que de fato altera sua vida diária, muitas vezes instalada por experiências súbitas em sua vida (doenças, acidentes). O fisiatra sempre pode auxiliar o médico clínico (oncologista, pneumologista, etc) a maximizar o potencial do paciente tratado e prevenir complicações do tratamento.

Para saber mais, sugiro os links de interesse:
https://www.who.int/disabilities/en/
https://www.pmrismorethan.org/
https://www.aapmr.org/
https://abmfr.com.br/

Paixão Pela Especialidade Médica

Pergunta : Yan ( Faculdade de Medicina de Petrópolis )
Olá, doutor. Minha reflexão é a seguinte: Sou um apaixonado pela área cardiovascular desce o início do curso – talvez até antes – e quero seguir minha carreira dedicado à ela. Cardiologia clínica e intervencionista pouco passam pela minha mente – apesar de eu considerá-las -, pois gostaria de exercer com procedimentos muito maiores; então, a cirurgia cardiovascular é o que mais me interessa no momento. Contudo, quando leio sobre a especialidade, vejo coisas que não condizem com o que observo de conhecidos e histórias de conhecidos. Por exemplo: leio que a especialidade está em baixa e a remuneração deixa a desejar, mas conheço recém-formados que saem ganhando muito bem e são amplamente requisitados. Em suma, o senhor poderia comentar um pouco desta especialidade no momento e também de projeções futuras? e poderia me dizer se a paixão pela área é sim fator determinante na escolha? Agradeço desde já sua opinião e conselho!

Resposta :

Nada errado que o médico seja apaixonado pela especialidade que exerce ou que escolherá ao final do curso médico, mas talvez se devesse fazer uma reflexão sobre o papel da profissão na vida das pessoas.

Será que nosso objetivo maior na vida deve ser nosso trabalho, nossa profissão ou será que nosso maior objetivo é VIVER da melhor maneira que acharmos e a profissão deva ser vista apenas como uma atividade meio, ou seja a “ ferramenta“ que vamos utilizar para atingirmos nossos objetivos de vida.

Se pensarmos assim, não haverá necessidade de ser apaixonado pela profissão ou pela especialidade médica  para ser um excelente profissional, embora seja importante que no cotidiano o médico se sinta confortável com as atividades inerentes à sua especialidade.’

Cirurgia Cardiovascular :

A mudança dessa residência para acesso direto foi um avanço conseguido pela sociedade científica da especialidade, pois diminui o tempo de formação do profissional sem prejudicar a qualidade técnica, e os cirurgiões cardiovasculares já não realizavam mesmo cirurgias gerais depois da formação especifica.
O Mercado de trabalho do cirurgião cardiovascular, realmente, vem diminuindo, já que vários procedimentos vem sendo disputados por outros especialistas como os hemodinamicistas, radiologistas intervencionistas, cirurgiões vasculares.
A área de atuação deve caminhar para procedimentos menos invasivos e patologias congênitas ou cirurgias vasculares periféricas.
Por outro lado a fuga dos estudantes dessa especialidade, pela lei da oferta e da procura, deve diminuir o número desses profissionais com consequente melhoria do mercado a médio e longo prazo.
Não seria uma boa opção para o cirurgião cardiovascular trabalhar como cardiologista clínico, já que essa é uma outra especialidade e que exige outros conhecimentos técnicos.
Concluindo a tendência do mercado não parece muito favorável paras esses especialistas.
Abaixo transcrevo artigo publicado na folha de são Paulo alguns anos atrás :
“Tradicionalmente considerada especialidade nobre e responsável por salvar muitas vidas, a cirurgia cardiovascular já não é a menina dos olhos dos estudantes de medicina. Dados nacionais de 2008 mostram que, das 321 vagas de residência na especialidade oferecidas pelo governo no país, apenas 53 estavam preenchidas.
O levantamento feito pela Associação Brasileira dos Residentes de Cirurgia Cardiovascular mostra que a procura não atinge seu total nem sequer em importantes centros hospitalares. No Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto havia apenas um residente para 12 vagas oferecidas.
Responsável por cirurgias, colocação de marcapasso e outros exames, o cirurgião cardiovascular perde espaço hoje para especialidades mais “atrativas” como dermatologia, em que há 32 candidatos por vaga de residência.
“A baixa procura está relacionada a uma formação longa e deficiente, contribuindo também para este problema um mercado de trabalho repleto de oportunidades ruins”, diz Anderson Dietrich, presidente da Associação dos Residentes em Cirurgia Cardiovascular.
Entre essas “oportunidades ruins” estão os baixos salários. Um cirurgião cardiovascular pode começar ganhando até R$ 2.500, segundo Gilberto Barbosa, presidente da SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular).
Ele afirma que a queda da procura pela profissão é um fenômeno mundial, ligado em parte à diminuição das operações. “As cirurgias de coronária, por exemplo, diminuíram 70% em razão dos avanços que possibilitaram dilatar as coronárias e colocar stents [espécie de tubo inserido na artéria para impedir o seu entupimento].”
A baixa remuneração acontece também em razão de as operações requererem a presença de equipes grandes.
Há ainda a formação longa: são seis anos de residência, sendo dois em cirurgia geral e quatro em cirurgia cardiovascular. Muitos acabam escolhendo carreiras em que possam começar a receber antes.
Outros acabam optando pela obtenção de título da SBCCV, o que pode ocorrer após quatro anos de treinamento e o cumprimento de uma série de requisitos, como número mínimo de cirurgias realizadas.
A sociedade estima que 20% a mais de cirurgiões se formam hoje por essa via em detrimento da residência.
Falta
A preocupação que surge com os dados da associação é a possível falta de cirurgião cardiovascular no país. Para Gilberto Barbosa, o certo é incentivar a escolha pela especialidade, principalmente das estudantes de medicina, que costumam não escolhê-la. “Em 15 anos haverá falta de cirurgião cardiovascular, já que vivemos em um país com uma população cada vez mais idosa.”
Já Anderson Dietrich diz que as vagas ociosas oferecidas pelo MEC hoje poderiam ser redirecionadas, pois incentivar mais profissionais na área seria criar uma reserva de mercado, contribuindo ainda mais para os baixos salários da carreira.
Segundo o diretor de Hospitais Universitários e Residências em Saúde da SESu (Secretaria de Educação Superior), do MEC, José Rubens Rebelatto, “estão em estudo na secretaria, em conjunto com a Comissão Nacional de Residência Médica, algumas ações para a reformulação das residências médicas com o objetivo de garantir um melhor aproveitamento dos recursos e a otimização da ocupação das bolsas”
Sucesso
Mário Novais

 

Trastorno de Personalidade Narcisista

O Transtorno de Personalidade Narcisista, ou simplesmente narcisismo, é classificado pelo DSM-5, o catálogo de transtornos mentais, como¹:

Um padrão difuso de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:
1. Tem uma sensação grandiosa da própria importância (p. ex., exagera conquistas e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as conquistas correspondentes).
2. É preocupado com fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal.
3. Acredita ser “especial” e único e que pode ser somente compreendido por, ou associado a, outras pessoas (ou instituições) especiais ou com condição elevada.
4. Demanda admiração excessiva.
5. Apresenta um sentimento de possuir direitos (i.e., expectativas irracionais de tratamento especialmente favorável ou que estejam automaticamente de acordo com as próprias expectativas).
6. É explorador em relações interpessoais (i.e., tira vantagem de outros para atingir os próprios fins).
7. Carece de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e as necessidades dos outros.
8. É frequentemente invejoso em relação aos outros ou acredita que os outros o invejam.
9. Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes.

O narcisista, então, tem como característica principal esse sentimento de ser muito importante, especial, fora de série. Entretanto, isso não permanece apenas no seu pensamento. Suas atitudes cotidianas demonstram essa concepção, pois ele exige que os outros o admirem, reconhecendo o brilhantismo, as qualidades e o talento que ele acredita ter e que o diferencia dos outros. O narcisista reage muito mal quando ele não é colocado nesse patamar de superioridade, quando ele é tratado como uma pessoa “comum” e quando suas necessidades não são atendidas. A maior parte dos narcisistas são do sexo masculino.

Na verdade, por trás de toda essa aparência de superioridade, o narcisista tem, geralmente, uma autoestima incrivelmente baixa. É justamente por essa concepção extremamente negativa de si que ele busca uma compensação exagerada e é muito sensível às críticas ou à rejeição. Para o narcisista, é muito difícil aceitar a derrota e a tendência é que ele coloque sempre a responsabilidade pelos seus problemas nos outros.

Justamente pelo narcisista se achar superior, raramente ele reconhece que tem um problema, e é menos provável ainda que ele procure alguma forma de tratamento. Quanto ele procura, geralmente seu foco são os outros, e ele usa a terapia como um local de desabafo para dizer o quanto o mundo não está dando a ele tudo aquilo que ele merece.

Como qualquer transtorno de personalidade, o tratamento do narcisismo é difícil. O nível de consciência que a pessoa tem sobre o problema, a auto-observação e o questionamento de seus próprios padrões de pensamento e comportamento são fatores que podem favorecer uma melhor administração do quadro.

Conarcisismo

Se por um lado os narcisistas procuram pouco a terapia, por outro, as pessoas com quem eles convivem são as que mais tendem buscar ajuda. Isso porque o narcisista, na sua exigência por admiração, estabelece relações em que o outro é sempre o errado, o inadequado e o incapaz. Não é raro que as pessoas não percebem o jogo bem armado do narcisista e passem a acreditar nisso. Portanto, quando elas procuram ajuda, na forma de terapia, elas chegam realmente acreditando que elas têm algum problema sério e que precisam melhorar ou se “consertar” para atender às necessidades do narcisista. Esse padrão de funcionamento é chamado informalmente de co-narcisismo.

O conarcisismo² se refere a alimentar, inadvertidamente, o narcisismo do outro, do mesmo jeito que um codependente alimenta o vício de um dependente químico. Geralmente a pessoa conarcisista teve pais narcisistas, que ao não a validarem o suficiente, gerando no filho ou filha uma impressão de que se é naturalmente insensível, egoísta, incapaz de amar ou defeituoso. Não é raro que a pessoa conarcisista reproduza esse padrão nos seus relacionamentos, escolhendo parceiros narcisistas, que confirmam as crenças que eles têm sobre si mesmos e se comportando na relação exatamente da maneira que o narcisista espera.

Entre os traços apresentados pelos conarcisistas estão:

  • baixa autoestima
  • se esforça para agradar os outros
  • aceita excessivamente as opiniões dos outros
  • não tem clareza das próprias visões de mundo
  • frequentemente ansiosos e deprimidos
  • têm dificuldade em dizer o que sentem ou pensam sobre um assunto
  • duvidam da validade de suas opiniões (especialmente quando estão em conflito com as de outros)
  • assumem a responsabilidade pelos problemas nas relações

Como se pode ver, as caraterísticas do conarcisista atendem perfeitamente ao que o narcisista espera. Por isso, essas relações tendem a se manter, mesmo carregadas de conflitos. Geralmente o narcisista exige admiração e perfeição num nível que só um conarcisista tentaria prover. Ainda assim, não é suficiente para o narcisista, que coloca a responsabilidade das suas frustrações no conarcisista, que as assume e geralmente pede desculpas por não ter conseguido atendê-las. Obviamente, isso vai minando cada vez mais a autoestima do conarcisista, que tende a se deprimir facilmente. As exigências constantes do narcisista colocam o conarcisista num estado  de ansiedade permanente, com receio de críticas e ataques. Ainda assim, o conarcisista não consegue sair da relação, pois acredita que o problema está em si mesmo e tem um grande medo de perder o narcisista.

Uma relação como essa, que leva a pessoa conarcisista a níveis extremos de baixa autoestima e alimenta a sensação de superioridade do narcisista, é muito intensa. No lado do conarcisista, o trabalho terapêutico busca, em primeiro lugar, fazer com que a pessoa perceba a característica doentia da relação. Ao longo do processo, ela precisa fortalecer as suas opiniões, suas visões de mundo e o respeito que ela tem consigo mesma, de preferência de forma autônoma. Através desse fortalecimento e da consciência em relação aos seus padrões, é possível que ela consiga abandonar esse tipo de relação e ter uma vida emocional mais saudável.

Referências

1. American Psychiatric Association (2014). DSM-5. Porto Alegre: Artmed.
2. Rappoport, A. (2005). Co-Narcissism: How we accommodate to narcissistic parents. http://www.alanrappoport.com/pdf/Co-Narcissism%20Article.pdf

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://nucleointerface.com.br/saude-mental/transtorno-de-personalidade-narcisista-e-conarcisismo