Archive fevereiro 2019

Dúvida na Escolha da Especialidade

Pergunta : Guilherme ( Universidade de Ribeirão Preto )

Boa Noite Doutor, estou terminando o 6º ano e tenho muita duvida quanto a especialidade que prestarei residência. Possuo formação anterior em Biomedicina, assim sendo, por gostar mais das áreas de imuno e hemato, penso em fazer Hematologia e transplante de medula óssea, mas gosto muito da área cirúrgica, em especial a cirurgia vascular. O que o senhor me aconselharia sobre essas áreas? Parabéns pelo site. Muito Obrigado!

Resposta:

Não é incomum o aluno de medicina ficar em dúvida no momento de escolher a especialidade pelo fato de gostar de mais de uma especialidade.

O objetivo é tentar correlacionar características inerentes às especialidades com características da personalidade do aluno e o teste vocacional de nosso site tenta fazer essa correlação.

Essa escolha deve ser a mais racional possível, pois depois da residência médica, vc ainda vai trabalhar pelo menos mais 30 a 40 anos nessa atividade e precisa se sentir feliz e confortável com seu dia a dia.

Alguns pontos são importantes na hora de se fazer essa escolha :

Qual a qualidade de vida que essa especialidade vai me permitir ? Essa qualidade está de acordo com meus planos de vida ?
Que remuneração essa especialidade vai me permitir ? Essa remuneração combina com minhas ambições financeiras ?
Como vai ser meu dia a dia de acordo com a especialidade que escolher ? Vou me sentir confortável com esse cotidiano ?
A chave do sucesso na escolha racional da especialidade é , sem dúvida, o melhor conhecimento de cada especialidade; principalmente em relação aos 3 itens citados.

A hematologia/hemoterapia exige como pré-requisito a residência em clinica médica. Assim são 2 anos de clinica médica e mais dois anos de hematologia.

Durante a residência de clínica médica vc vai ter oportunidade de lidar com alguns pacientes hematológicos e ver se realmente se identifica com essa especialidade, já que a hematologia é considerada uma especialidade triste pelo tipo de patologias com as quais lida, o que exige do profissional uma estrutura pessoal forte para lidar com esses pacientes.

Uma vez concluída a residência médica em clinica medica, o ingresso na residência de hematologia não é muito difícil porque a procura não é grande. A relação candidato vaga é praticamente 1:1 .
A qualidade de vida do hematologista não é das melhores, mas a remuneração é boa e depende em que área o profissional vai atuar, como hematologia clinica, hemoterapia, transplante de medula ou transplantes em geral.
Existe carência de bons hematologistas na maioria das cidades, portanto o mercado de trabalho é bom e não existe dificuldade de fazer uma grande carreira. Dependendo de que área da hematologia vc escolher, sua carreira vai se direcionar mais para os serviços públicos, tipo transplante de medula ou vai se direcionar mais para a medicina privada, como consultor de hematologia de vários hospitais ou mesmo contratado por algum serviço de hemoterapia.
Os melhores locais para se ter uma boa formação em hematologia são os serviços universitários de São Paulo e do Rio de Janeiro

No  momento de escolher a especialidade, em primeira instância, você deve se preocupar apenas com 3 opções : ou escolher uma especialidade de acesso direto (oftalmo, dermato, otorrino…) ou uma especialidade cirúrgica (não importa qual, já que a cirurgia geral é pré-requisito para as outras) ou ainda uma especialidade clinica (também não importa qual, já que a clinica médica é pré-requisito para as outras ).
Se vc optar pela cirurgia, quando estiver fazendo os dois anos obrigatórios de cirurgia geral, vai poder entrar em contato com as várias opções de sub especialidades cirúrgicas e consequentemente fazer uma escolha mais adequada.
A cirurgia vascular é ótima especialidade, a clientela cresce rapidamente, principalmente pelas insuficiências vasculares periféricas (varizes), que são muito freqüentes na população.
A especialidade permite procedimentos pequenos e médios , que agregam valor no preço das consultas e a qualidade de vida do profissional é boa porque a maioria das cirurgias são eletivas.
A competição dos hemodinamicistas ou cardiologistas intervencionistas é mais com a cirurgia cardiovascular e não com a cirurgia vascular.
Não acreditamos que as atribuições do cirurgião vascular possam diminuir ao longo do tempo.
No Rio de Janeiro são aproximadamente 7 vagas para residência em cirurgia cardiovascular e 29 vagas para cirurgia vascular.
A especialização em cirurgia cardiovascular é demorada pelo numero total de anos na residência e o melhor centro de formação nessa especialidade é São Paulo, onde existem vários serviços de primeira qualidade. O mercado de trabalho é ainda carente em todo o pais, mas o tempo de consolidação do profissional  no mercado é lento.
Embora seja uma especialidade de alto grau de estresse, esses especialistas podem planejar bem o seu dia a dia porque a maioria das cirurgias são eletivas.
Com o progresso de técnicas menos invasivas, a cirurgia cardiovascular deve desenvolver mais na área de patologias congênitas.
Em ambas as especialidades você vai poder ter atividades de consultório, mas na vascular isso será bem mais intenso.

Sucesso

Mário Novais

Van Gogh era mesmo bipolar?

Van Gogh era mesmo bipolar?

Por Dr. Elie Cheniaux – Parece haver uma relação entre criatividade e transtorno bipolar [Sobre as características clínicas do transtorno bipolar, ver Cheniaux (2016)]. Em primeiro lugar, estudando-se as biografias de grandes artistas, constata-se que muitos deles apresentaram episódios de mania e de depressão ao longo de suas vidas. Além disso, quando são entrevistados artistas bem-sucedidos, utilizando-se critérios diagnósticos modernos, a prevalência de transtorno bipolar entre eles é maior do que na população geral. Por outro lado, na comparação entre indivíduos que sofrem de transtorno bipolar e outros pacientes psiquiátricos, observam-se que os primeiros apresentam um melhor desempenho em testes de criatividade, mais realizações criativas e uma escolha mais frequente de ocupações criativas. Por fim, há diversas características em comum entre um episódio maníaco ou hipomaníaco e o comportamento criativo, tais como um aumento na energia, atividade, autoestima, autoconfiança e capacidade de associar ideias.

Sofrer de transtorno bipolar, é claro, não faz de ninguém criativo. Talvez o que aconteça é que, em pessoas que já possuem um talento natural para a arte, a doença facilite e incremente a produção artística. Acredita-se que, durante os episódios de depressão e de mania, embora estes cursem com intensas vivências afetivas, as quais podem ser altamente inspiradoras, os indivíduos não consigam produzir nada, ou não produzam nada com qualidade. Na depressão, faltam iniciativa, energia e autoconfiança, enquanto na mania o indivíduo tem dificuldade de concentração, está desorganizado e perde a sua capacidade crítica. Provavelmente, durante a hipomania, que, por definição, é de leve gravidade e não cursa com complicações, o bipolar talentoso torna-se capaz de produzir muito, tanto em quantidade como em qualidade.

O holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), um dos maiores pintores de todos os tempos, provavelmente sofria de transtorno bipolar. Durante apenas uma década, dos 27 aos 37 anos de idade, ele produziu mais de 800 pinturas a óleo, especialmente paisagens, naturezas mortas, retratos e autorretratos. Todavia, a sua genialidade só foi reconhecida após a sua morte. Embora hoje em dia muitas de suas obras sejam avaliadas em milhões de dólares, em vida apenas um único quadro seu foi vendido.

Pesquisando a biografia desse “gênio incompreendido”, não fica bem claro quando a sua doença começou. Acessos de raiva foram comuns em toda a sua vida. Quando, por exemplo, discutia arte com alguém, ficava bastante exaltado se discordassem do seu ponto de vista. Muito curioso foi o seu comportamento em Borinage, entre 1878 e 1879. Depois de fracassar em sua tentativa de se tornar pastor, a profissão do pai, Van Gogh vai para essa região mineira da Bélgica a fim de atuar como evangelista. Lá, compadecido pelas condições subumanas nas quais viviam os trabalhadores das minas de carvão, ele decide que deveria suportar os mesmos sofrimentos que via naquela gente. Assim, Van Gogh doa seus pertences, não se alimenta, não cuida da higiene e dorme no chão, sem cobertor, passando frio no inverno. O que é mais evidente é que os episódios mais graves de sua doença ocorreram, na França, nos últimos dois anos de sua vida, período no qual, por coincidência ou não, Van Gogh pintou mais da metade de suas telas.

Em Arles, em 1888, aos 34 ou 35 anos de idade, Van Gogh provavelmente apresenta um episódio hipomaníaco. Em cartas para o seu irmão Theo, Van Gogh relata que se sente feliz, “muitíssimo bem”, “carregado de eletricidade”, “uma locomotiva de pintar”. Trabalha muito, mas não fica nem um pouco cansado: “eu faria mais um quadro nesta mesma noite e o terminaria”. “As ideias para o trabalho me vêm em abundância”, diz ele. O pintor Paul Gauguin, que estava com Van Gogh em Arles, na famosa “Casa Amarela”, fica impressionado com o ritmo da produção do colega.

Na véspera do Natal desse mesmo ano, Van Gogh tem uma grave crise, com as características de uma mania psicótica. Após uma discussão com Gauguin, Van Gogh corta o lóbulo de sua orelha esquerda e o entrega a uma prostituta. Mais tarde, é encontrado inconsciente em casa pela polícia. Perdera muito sangue, mas ainda está vivo. É então internado no hospital de Arles. Lá apresenta uma grande agitação -– quer se deitar com outros doentes, expulsa a freira que tenta cuidar dele – e é amarrado em seu leito.

No hospital de Arles, Van Gogh é assistido pelo Dr. Félix Rey, que não era alienista, termo este que corresponde ao que hoje chamamos de psiquiatra. O médico faz o seguinte diagnóstico: “uma espécie de epilepsia caracterizada por alucinações e por episódios de agitação confusa, cujas crises eram favorecidas por excessos de álcool”. O diretor da instituição, o Dr. Ulpar, também não alienista, diz, no entanto, que Van Gogh fora “acometido de mania aguda com delírio generalizado”. Em poucos dias, em 7 de janeiro de 1889, o pintor é considerado “curado” e recebe alta.

Entre janeiro e fevereiro de 1889, Van Gogh apresenta alucinações auditivas – “vozes” lhe fazem censuras – e delírios persecutórios – recusa-se a comer, pois acredita que querem envenená-lo. Em função disso, volta para o hospital de Arles, mas melhora rapidamente e logo sai da internação.

Em seguida, entre abril e maio de 1889, Van Gogh parece estar deprimido e pede para ser hospitalizado novamente. Tem “angústias”, “sentimentos de vazio e de cansaço na cabeça”, “melancolias” e “remorsos atrozes”. Pensa em suicídio. Sente-se incapaz de voltar a trabalhar e de ficar sozinho. A sua autoestima está baixa e não vê nenhum valor em sua obra artística. Dessa vez, é internado no asilo Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy. Lá é acompanhado por outro médico não alienista, o Dr. Peyron, que mantém o diagnóstico de mania, mas fala também em epilepsia. Quando melhora, Van Gogh recebe autorização para ir a Arles pegar telas que deixara ali, mas, na viagem, volta a alucinar, e, no retorno ao asilo Saint-Paul, tenta o suicídio ingerindo tinta.

No mês seguinte, junho de 1889, o quadro clínico muda. Ainda internado, Van Gogh conta ao irmão que tem nada a menos do que 12 telas em andamento ao mesmo tempo, o que é muito indicativo de uma virada para a hipomania. Contudo, em dezembro do mesmo ano, há a recidiva de um provável episódio de depressão, com sintomas psicóticos. Van Gogh apresenta sentimentos de culpa, pesadelos e emagrecimento, sente-se incapaz de ler e de coordenar o pensamento e novamente ingere tinta para se matar. Os sintomas depressivos vão até fevereiro de 1890 e, em maio desse ano, Van Gogh é outra vez tido como “curado”, recebendo alta de Saint-Paul, um ano após ter sido admitido na instituição.

Entre maio em junho de 1890, Van Gogh está em Auvers, onde, num curto espaço de tempo, apresenta amplas flutuações de humor, porém não é internado. Primeiro, mostra-se feliz e jovial nas cartas para o irmão e produz, de forma impressionante, 70 telas em 70 dias. Depois, diz se sentir um “fracassado”, para logo em seguida ser considerado “curado” pela terceira vez, agora pelo Dr. Gachet, também não alienista.

Todavia a história tem um triste fim. Em 27 de julho de 1890, Van Gogh sai cedo para o campo para pintar, como sempre fazia, mas só retorna à noite e está sangrando. Ele havia disparado um tiro contra o próprio peito. Morre na madrugada do dia 29, aos 37 anos, nos braços de Theo. É o irmão quem ouve as suas últimas palavras: “Falhei mais uma vez… Não chore, fiz isso para o bem de todos… A tristeza duraria para sempre”.

Do que sofria Van Gogh? Para a formulação de um diagnóstico médico, é fundamental pesquisar a história familiar. Na família do artista, houve, sem dúvida, diversos casos de transtorno mental. A irmã Wilhelmina morreu, aos 79 anos, internada em uma instituição psiquiátrica. Cor, o irmão mais moço, possivelmente cometeu suicídio, na África do Sul. O tio Cent tinha crises periódicas de “depressão”, nas quais ficava totalmente incapacitado para as atividades do dia a dia. Por fim, o irmão Theo também teria apresentado um quadro de depressão e, após a morte de Van Gogh, teve vários episódios de agressividade contra a esposa e o filho, os quais resultaram em internações psiquiátricas.

No decorrer dos anos, as manifestações psicopatológicas apresentadas por Van Gogh foram atribuídas a diversas condições clínicas, psiquiátricas e não psiquiátricas: entre elas, esquizofrenia, porfiria intermitente aguda, epilepsia parcial complexa, neurossífilis, intoxicação por digitálicos, intoxicação por chumbo, síndrome de Ménière, alcoolismo e transtorno bipolar.

Para Karl Jaspers (1977), Van Gogh tinha esquizofrenia. A hipótese do pai da psicopatologia fenomenológica, contudo, baseia-se mais em uma suposta mudança da técnica de pintura do artista a partir do “incidente da orelha” do que no registro de seus sinais e sintomas. É verdade que Van Gogh apresentou sintomas psicóticos, mas estes não são exclusivos da esquizofrenia. Além disso, diferentemente do que se observa na esquizofrenia, Van Gogh ficava assintomático entre as crises e até o fim a sua afetividade ficou preservada.

Porfiria intermitente aguda foi o diagnóstico formulado por Loftus e Arnold (1991). Essa doença se caracteriza por um distúrbio enzimático hereditário que acomete a pele e o sistema nervoso central. As crises têm início e final abruptos e são recorrentes, podendo cursar com convulsões, alucinações, depressão, delírio persecutório e ansiedade, além de dor abdominal, uma queixa frequente do artista. Van Gogh, no entanto, não apresentou prejuízo cognitivo nem perda da destreza manual, alterações encontradas na porfiria. Falam também contra essa hipótese a baixa prevalência dessa doença e a ausência de casos com esse diagnóstico na família de Van Gogh.

Gastaut (1956), por sua vez, acreditava que Van Gogh sofria de epilepsia parcial complexa. Esse tipo de epilepsia costuma estar relacionada ao lobo temporal e cursa com crises de curta duração de estreitamento da consciência, automatismos e, eventualmente, sintomas psicóticos. O principal indício de que esse seria o diagnóstico mais correto para o caso de Van Gogh é o fato de o artista jamais ter conseguido se lembrar do “incidente da orelha”, pois, na epilepsia parcial complexa, é muito comum haver, a posteriori, amnésia relativa às crises. Além disso, Van Gogh apresentava traços de um tipo de personalidade associado a patologias do lobo temporal, a personalidade gliscroide. Esses traços incluem hiperreligiosidade, hipergrafia e explosividade. Hipossexualidade, outra característica da personalidade gliscroide, porém, não era observada em Van Gogh, que se apaixonou várias vezes e assiduamente procurava prostitutas.

Por outro lado, pode-se dizer que as provas a favor do diagnóstico de epilepsia são apenas circunstanciais, indiretas, pois não há registros de que alguém tenha observado e descrito em Van Gogh ataques epilépticos, sejam parciais complexos ou mesmo do tipo grande mal. Também contradiz o diagnóstico de epilepsia a duração dos episódios apresentados por Van Gogh, os quais, embora muitas vezes curtos, eram bem mais longos do que costumam ser as crises epilépticas.

Van Gogh, de fato, contraiu sífilis, mas o diagnóstico de neurossífilis parece pouco provável. Em geral há um intervalo de muitos anos entre a infecção e o acometimento do sistema nervoso central e, no caso do artista, as alterações psicopatológicas talvez tenham se iniciado mesmo antes de ele começar a frequentar prostíbulos.

O predomínio da cor amarela nas telas de Van Gogh é a justificativa para a hipótese de intoxicação por digitálicos, substâncias que podem causar xantopsia, distúrbio visual em que os objetos parecem amarelados aos olhos do doente. Contudo não existe evidência de que Van Gogh tenha sido medicado com digitálicos. Além disso, o próprio artista dizia que usar o amarelo era uma opção consciente para simbolizar o Sol, Deus e a vida.

O chumbo é encontrado na tinta e pode ser absorvido pela pele. Além disso, Van Gogh, mais de uma vez, ingeriu tinta em tentativas de suicídio. Uma intoxicação por esse metal, afetando o sistema nervoso, pode levar a diversas manifestações neuropsiquiátricas, contudo estas costumam ter um curso contínuo e, no caso do pintor, as alterações emocionais e do comportamento que ele apresentava tinham um caráter predominantemente episódico.

A síndrome de Ménière se caracteriza por vertigem, perda auditiva e zumbido, e este último sintoma explicaria, para os defensores dessa hipótese diagnóstica, o “episódio da orelha”. Obviamente, esse diagnóstico não dá conta de todos os outros distúrbios encontrados no caso de Van Gogh.

Van Gogh abusava de bebidas alcoólicas, especialmente absinto. Assim, alcoolismo é outro diagnóstico proposto para o artista. É difícil afastar essa hipótese, mas, por outro lado, o alcoolismo pode ser uma condição comórbida de outras, visto que o álcool pode causar ou desencadear crises epilépticas e é usado de forma nociva por indivíduos que sofrem de diversos transtornos mentais.

No entanto, transtorno bipolar parece ser a hipótese mais forte para o diagnóstico de Van Gogh. Segundo Jamison e Wyatt (1992), são diversos os elementos encontrados no caso do pintor que são típicos desse transtorno mental, como um padrão cíclico de episódios afetivos, o retorno à normalidade entre as crises, a ausência de deterioração cognitiva e padrões alterados de sono e energia. Sintomas psicóticos e abuso de álcool não são exclusivos do transtorno bipolar, mas comumente ocorrem nesse transtorno mental. Ainda de acordo com esses autores, a história familiar de Van Gogh é bastante consistente com esse diagnóstico. Por fim, eles chamam a atenção para a possível relação entre o transtorno bipolar e a criatividade, como um argumento a mais a favor dessa hipótese diagnóstica.

Então, Van Gogh deveria ter tomado lítio, o medicamento número um no tratamento do transtorno bipolar? Em primeiro lugar, não poderia, pois as propriedades farmacoterápicas do lítio só foram descobertas em 1949, mais de meio século após a morte do artista. Estudos mostram que o lítio reduz significativamente as chances de suicídio, mas diminui a criatividade em indivíduos com transtorno bipolar. Assim, se Van Gogh tivesse sido tratado com lítio, provavelmente teria vivido bem mais, porém agora teríamos muito menos obras-primas para admirar.

Referências:

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Arenberg IK, Countryman LF, Bernstein LH, Shambaugh GE, Jr. Van Gogh had Meniere’s disease and not epilepsy. JAMA 1990; 264:491-493.

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Gastaut H. Vincent van Gogh’s disease seen in the light of new concepts of psychomotor epilepsy. Ann. Med. Psychol. (Paris) 1956; 114(2): 196-238.

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Jamison KR. Touched with fire: manic-depressive illness and the artistic temperament. Free Press, 1993.

Jamison KR, Wyatt RJ. Vincent Van Gogh’s illness: acute intermittent porphyria? BMJ 1992; 304: 577.

Jaspers K. Strindberg and Van Gogh: an attempt at a pathographic analysis with reference to parallel cases of Swedenborg and hölderlin. The University of Arizona Press, 1977.

Johnson SL, Murray G, Fredrickson B, Youngstrom EA, Hinshaw S, Bass JM, Deckersbach T, Schooler J, Salloum I. Creativity and bipolar disorder: touched by fire or burning with questions? Clin. Psychol. Rev. 2012; 32:1-12.

Landeira-Fernandez J., Cheniaux E. Cinema e loucura: conhecendo os transtornos mentais através dos filmes. Porto Alegre, Artmed, 2010.

Loftus LS, Arnold WN. Vincent Van Gogh’s illness: acute intermittent porphyria? BMJ 1991; 303(6817): 1589-91.

Martin C. Did Van Gogh have Meniere’s disease? Eur. Ann. Otorhinolaryngol. Head Neck Dis. 2011; 128:205-209.

Morrant JC. The wing of madness: the illness of Vincent van Gogh. Can. J. Psychiatry 1993; 38:480-484.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://genmedicina.com.br/2017/12/08/van-gogh-era-mesmo-bipolar-dr-elie-cheniaux/

Exame de sangue detecta tumores 15 anos antes de seu surgimento

Exame de sangue detecta tumores 15 anos antes de seu surgimento

A batalha contra o câncer é uma corrida entre a tartaruga – nós – e a lebre – a doença. Mas, como nos ensinou a fábula de Esopo, o vencedor nem sempre é evidente. É assim que a vê a pesquisadora Rocío Arroyo, diretora da Amadix, uma empresa de biotecnologia que inventou um exame de sangue que detecta, com 10 a 15 anos de antecedência, se uma pessoa saudável desenvolverá um tumor maligno de cólon.

Esta madrilenha de 45 anos, pesquisadora de farmacologia experimental, pendurou o avental branco para empreender na Espanha a aventura de converter o conhecimento científico em um modelo de negócio viável, para tentar materializar o sonho de todo pesquisador de melhorar o mundo com seus tubos de ensaio e pratos de cultura. Como ponto de partida, Arroyo conseguiu convencer investidores privados de Castela e Leão e assim nasceu a Amadix, em 2010, em Valladolid. Depois de muito trabalho, neste ano espera finalmente lançar no mercado o Colofast, o primeiro exame de sangue capaz de detectar um tumor de cólon antes que se desenvolva. “Esperamos comercializá-lo neste ano no mercado espanhol. Depois, vamos mirar os Estados Unidos, Europa e China. Até agora, foi testado em mais de 1.000 pessoas e em 20 hospitais europeus, e há estudos em andamento na Alemanha e na Polônia.” Fazer esse simples exame anualmente a partir dos 50 anos pode garantir uma vantagem fundamental na luta para vencer o câncer.

O Colofast é único no mundo (existem produtos semelhantes, mas não tão sensíveis: identificam o tumor quando já apareceu) e abre uma nova era na previsão da doença. Os tumores de cólon começam como pólipos que deixam rastros no sangue, proteínas e moléculas de RNA. A quantidade e a combinação desses marcadores genéticos determinam o que se tornarão. Se a nossa mão de cartas for perdedora, ou seja, o Colofast identifica pólipos pré-cancerosos, restaria uma ampla margem de ação: retirá-los com uma colonoscopia e ganhar. “O objetivo é prolongar a vida de pessoas saudáveis com este diagnóstico. É algo que nunca havia sido feito.” Arroyo e sua equipe já estão trabalhando em outros exames capazes de antecipar tumores de pulmão e de pâncreas. Eles estimam que possam ser uma realidade em cerca de dois anos.

Apesar de ser uma pequena startup com apenas um punhado de empregados, a Amadix está excepcionalmente bem posicionada para competir no diagnóstico preventivo oncológico, um mercado desejado pelos gigantes da indústria farmacêutica. “Não é fácil. O nexo que nos une é melhorar a vida das pessoas. É preciso buscar financiamento de forma permanente, pois ainda não estamos vendendo, dedicar horas a isso, ter uma equipe motivada. Estivemos perto de fechar várias vezes.”

A medicina preventiva representará uma revolução no diagnóstico. Os dados associados a uma pessoa – hábitos, alimentação, etc.– juntamente com algoritmos de inteligência artificial e a genômica do paciente construirão um prisma para descobrir as doenças que virão. Arroyo ressalta que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts já desenvolveu um algoritmo que aprende a caçar as lesões de mama interpretadas erroneamente como malignas e que, portanto, evita cirurgias desnecessárias. “Todas as empresas estão na mesma corrida: encontrar um exame único que permita detectar qualquer tipo de tumor que se manifeste no futuro.

Fonte:

El País

Conselho Federal de Medicina aprova Resolução para consultas online

Conselho Federal de Medicina aprova Resolução para consultas online

No último Domingo, 03/02/2019, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a legalização da Telemedicina no Brasil. Ou seja, os médicos brasileiros poderão realizar consultas online, assim como telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento médico à distância, de acordo com o estabelecido com a Resolução do CFM nº 2.227/18.

Para o presidente do CFM, Carlos Vital, trata-se de um novo marco para o exercício da medicina no Brasil. “As possibilidades que se abrem no Brasil com essa mudança normativa são substanciais e precisam ser utilizadas pelos médicos, pacientes e gestores com obediência plena às recomendações do CFM. Acreditamos, por exemplo, que na esfera da saúde pública essa inovação será revolucionária ao permitir a construção de linhas de cuidado remoto, por meio de plataformas digitais”, destacou Vital.

Segundo ele, além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz o estrangulamento no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes em busca de tratamento.

O ponto de partida para a elaboração da recém-aprovada Resolução, segundo o conselheiro federal Aldemir Soares, relator da medida, foi colocar a assistência médica no País em sintonia com os avanços das tecnologias digitais e eletrônicas, hoje tão dinâmicas e presentes no cotidiano das pessoas. “Com esta norma, o CFM acompanha a evolução tecnológica, buscando garantir a segurança na assistência aos pacientes”, explica.

Para assegurar o respeito ao sigilo médico, por exemplo, um princípio ético fundamental na relação com os pacientes, todos os atendimentos devem ser gravados e guardados, com envio de um relatório ao paciente. “Sempre deverá ser mantida a confidencialidade, pois precisamos ter certeza de que não haverá vazamento das informações trocadas entre médico e paciente, seja por meio da atuação de hackers, ou por indiscrição dos profissionais”, destacou Soares.

Outro ponto importante será a concordância e autorização expressa do paciente ou seu representante legal − por meio de consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado – sobre a transmissão ou gravação das suas imagens e dados.

A Resolução CFM nº 2.227/18, que entra em vigor três meses após a data de sua publicação, ainda define e detalha os requisitos necessários para a realização de cada um dos procedimentos ligados ao tema, como telemedicina, teleconsulta, teleinterconsulta, telediagnóstico, telecirurgia, teleconferência, teletriagem médica, telemonitoramenteo, teleoientação e teleconsultoria.

 

Teleconsulta – A resolução estabelece que a telemedicina é o “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”, podendo ser realizada em tempo real (síncrona), ou off-line (assíncrona). Já a teleconsulta é a consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos.

A primeira consulta deve ser presencial, mas no caso de comunidades geograficamente remotas, como florestas e plataformas de petróleo, pode ser virtual, desde que o paciente seja acompanhado por um profissional de saúde. Nos atendimentos por longo tempo ou de doenças crônicas, é recomendada a realização de consulta presencial em intervalos não superiores a 120 dias.

 

Telediagnóstico – A emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet, é definida como telediagnóstico, que deve ser realizado por médico com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área relacionada ao procedimento. Já a teleinterconsulta ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. É muito comum, por exemplo, quando um médico de Família e Comunidade precisa ouvir a opinião de outro especialista sobre determinado problema do paciente.

Segurança – Para garantir a segurança das informações, os dados e imagens dos pacientes devem trafegar na internet com infraestrutura que assegure a guarda, manuseio, integridade, veracidade, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional das informações. Toda empresa voltada a atividades na área de telemedicina, sejam elas de assistência ou educação continuada a distância, também deverá cumprir os termos da resolução. Será obrigatório o registro da empresa que explore o serviço no Cadastro de Pessoa Jurídica do CRM da jurisdição, com a respectiva responsabilidade técnica de um médico regularmente inscrito.

Quando se tratar de prestador de serviços Pessoa Física, o mesmo deverá ser médico devidamente habilitado junto ao Conselho e a ele caberá estabelecer vigilância constante e avaliação das técnicas de telemedicina no que se refere à qualidade da atenção, relação médico-paciente e preservação do sigilo profissional.

 

Fonte:

http://www.portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28061

RESOLUÇÃO CFM Nº 2.227/18: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2018/2227

Genética Médica

Genética Médica

Pergunta : Renzo ( Faculdade de Medicina do ABC )

boa noite. Tenho 2 perguntas, e fique à vontade para compartilhar no site, caso queira, pois acho que pode ser de interesse de muitos. A primeira diz respeito ao mercado de trabalho: tenho lido bastante coisa no sentido de que a medicina já não é tão boa quanto era, que as remunerações estão piores, que tem muito médico no mercado, e que ainda entrarão no mercado os que se formaram e se formarão nas inúmeras faculdades que foram abertas nos últimos anos, muitas de qualidade duvidosa, enfim, uma conjuntura que resultaria em um mercado saturado, muita oferta de profissionais e baixos rendimentos, indo para o caminho das engenharias, do direito, dentre outras áreas. O sr., que está no mercado, vê dessa forma também? Acredita que em 10, 15, 20 anos a coisa tende a piorar? Compensa entrar na medicina hoje? A segunda pergunta diz respeito à especialidade da genética médica: como está o mercado, é fácil encontrar emprego? Quanto é a remuneração dessa especialidade? Quais os melhores serviços de residência? Um abraço, e obrigado!

Resposta :

A Genética médica pode ser dividida em dois segmentos : a genética clínica e a genética laboratorial, podendo o profissional atuar nas duas áreas, o que exige uma formação demorada.

A residência tem uma duração de 3 anos, podendo ( e talvez devendo ) ser complementada com um estágio laboratorial de 6 meses a um ano.

É, sem dúvida, uma especialidade cada vez mais importante com tantas descobertas tipo genoma humano e o futuro aponta para uma importância ainda maior com terapias personalizadas substituindo as terapias tradicionais existentes.

Existem bons programas de residência médica em genética na Fiocruz, na Usp, mas o serviço mais diferenciado é o da Unicamp.

O mercado de trabalho é carente de bons profissionais, principalmente na área clínica, talvez até porque seja uma especialidade triste, envolvendo várias síndromes congênitas sem possibilidade de cura.

A área laboratorial envolve custos altos e metodologia apurada, sendo interessante que o profissional esteja filiado a alguma universidade e possa participar de várias linhas de pesquisa.

A remuneração pode ser boa na área clínica pela maior parte da clientela ser de pacientes particulares e também pode ser boa na área de pesquisa pelos projetos grandes que envolve. ( as pesquisas em genética laboratorial recebem um dos maiores orçamentos de pesquisa atualmente patrocinadas pelos órgãos de fomento.).

Algumas informações sobre a residência em genética médica podem te auxiliar na decisão de optar por essa especialidade:

Requisitos para cada um dos três anos do programa de residência –

Primeiro ano – R1

I. – Conteúdo programático teórico – 10 a 20% da carga horária Estrutura do genoma humano
Bases cromossômicas da hereditariedade
Padrões de herança mendeliana

Padrões de herança não convencionais
Herança complexa e principais doenças relacionadas Bases moleculares das mutações e implicações clínicas Aspectos genéticos do desenvolvimento
Citogenética clínica I
Propedêutica em genética clínica
Princípios de genética clínica
Princípios de teratogênese
Noções de Aconselhamento Genético

II – Conteúdo programático prático – 80 a 90% da carga horária

Ambulatórios de Genética 40-50%

Ambulatórios de Especialidades externas 40%

(pediatria incluindo neonatologia, neurologia e/ou endocrinologia e/ou clínica 
médica e/ou gineco-endócrino)

Atividade plantão (20 h / sem)

Recomenda-se que as atividades de plantão sejam exercidas em: berçário e/ou 
Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou de Anatomia Patológica, e/ou enfermaria de Pediatria e/ou enfermaria de clínica médica) 
III – Locais de treinamento

– Ambulatórios (de Genética e das demais especialidades de estágio)

– Enfermarias (de Pediatria e das demais especialidades de estágio)

– Berçário

– Centro Obstétrico ou Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou Serviço de 
Patologia (para exame dismorfológico dos óbitos perinatais)

– Salas para estudo dos casos clínicos ou bibliotecas

– Sala de reunião para desenvolvimento do conteúdo teórico do programa 
IV – Competências
Ao final do primeiro ano o médico residente deverá ser capaz de: 1) realizar 
avaliação genético-clínica de pacientes com história/suspeita de doenças genéticas ou secundárias a agentes teratogênicos; 2) reconhecer as principais malformações isoladas e os principais quadros sindrômicos dismórficos e metabólicos; 3) discutir sobre temas relacionados aos conceitos básicos de genética, cujo conhecimento deve ter sido aprofundado com o conteúdo teórico recomendado.

Segundo ano – R2

I – Conteúdo programático teórico – 10 a 20% da carga horária

Diagnóstico clínico-etiológico em dismorfologia

Malformações congênitas – epidemiologia e bases etiopatogênicas

Doenças metabólicas: classificação, quadro clínico, métodos de diagnóstico,

tratamento

Aspectos genéticos da infertilidade/esterilidade

Diagnóstico pré-natal, indicações e técnicas

Aspectos genéticos das perdas gestacionais

Aspectos genéticos do câncer

Princípios de neurogenética

Principais síndromes hematogenéticas

Principais genodermatoses

Citogenética clínica II

Princípios clínico e laboratorial dos EIM

Técnicas de Aconselhamento Genético 
II – Conteúdo programático prático – 80 a 90% da carga horária

Ambulatórios de Genética

Ambulatórios de Especialidades ou disciplinas externas 
(infertilidade, medicina fetal, neuroimagem)

Atividade plantão

Recomenda-se que as atividades de plantão sejam exercidas em: berçário e/ou 
Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou de Anatomia Patológica, e/ou enfermaria de Pediatria e/ou enfermaria de clínica médica) 
III – Locais de treinamento

– Ambulatórios (de Genética e das demais especialidades de estágio)

– Enfermarias (de Pediatria e das demais especialidades de estágio)

– Berçário

– Centro Obstétrico ou Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou Serviço de 
Patologia (para exame dismorfológico dos óbitos perinatais)

– Salas para estudo dos casos clínicos ou bibliotecas

– Sala de reunião para desenvolvimento do conteúdo teórico do programa 
IV – Competências
Ao final do segundo ano o médico residente deverá ser capaz de: 1) realizar 
avaliação genético-clínica de pacientes com doenças metabólicas; 2) reconhecer famílias com história de câncer familiar e de outras doenças genéticas como genodermatoses, doenças neurogenéticas e hematogenéticas; 2) conduzir clinicamente as principais malformações isoladas e os principais quadros sindrômicos dismórficos e metabólicos; 3) discutir sobre temas relacionados aos conceitos básicos de genética, cujo conhecimento deve ter sido aprofundado com o conteúdo teórico recomendado.

Terceiro ano – R3

I – Conteúdo programático teórico – 10 a 20% da carga horária

60% 20% (20 h/ sem)

Ferramentas moleculares em genética médica: métodos e aplicações polimorfismos genéticos: implicações clínicas, diagnóstico molecular genética de populações: freqüência gênica e fatores modificadores
mapeamento gênico: aplicações clínicas

imunogenética: diagnóstico clínico-laboratorial das imuno-deficências hereditárias

neurogenética: doenças neuromusculares e neurodegeneretivas
oncogenética: mecanismos moleculares e citogenéticos do câncer e suas

aplicações clínicas

II – Conteúdo programático prático – 80 a 90% da carga horária

Ambulatórios de Genética

Laboratórios (Citogenética, Genética Bioquímica, Molecular)

Atividade plantão

Recomenda-se que as atividades de plantão sejam exercidas em: berçário e/ou 
Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou de Anatomia Patológica, e/ou enfermaria de Pediatria e/ou enfermaria de clínica médica). 
III – Locais de treinamento

– Ambulatórios (de Genética e das demais especialidades de estágio)

– Enfermarias (de Pediatria e das demais especialidades de estágio)

– Berçário

– Centro Obstétrico ou Laboratório de Dismorfologia Perinatal ou Serviço de
Patologia (para exame dismorfológico dos óbitos perinatais)

– Salas para estudo dos casos clínicos ou bibliotecas

– Sala de reunião para desenvolvimento do conteúdo teórico do programa

– Laboratórios (Citogenética, Genética Bioquímica, Molecular, Patologia) 
IV – Competências
Ao final do terceiro ano o médico residente deverá ser capaz de: 1) dispor de 
meios para conduzir clinicamente qualquer patologia de origem genética, bem como as embriopatias teratogênicas; 2) solicitar, interpretar e discutir sobre os exames laboratoriais de citogenética, genética bioquímica e genética molecular; 3) discutir sobre temas relacionados aos conceitos básicos de genética, cujo conhecimento deve ter sido aprofundado com o conteúdo teórico recomendado.

Sucesso

Mário Novais

Saturação do Mercado Médico

Pergunta : Renzo ( Faculdade de Medicina do ABC )
Dr., boa noite. Tenho 2 perguntas, e fique à vontade para compartilhar no site, caso queira, pois acho que pode ser de interesse de muitos. A primeira diz respeito ao mercado de trabalho: tenho lido bastante coisa no sentido de que a medicina já não é tão boa quanto era, que as remunerações estão piores, que tem muito médico no mercado, e que ainda entrarão no mercado os que se formaram e se formarão nas inúmeras faculdades que foram abertas nos últimos anos, muitas de qualidade duvidosa, enfim, uma conjuntura que resultaria em um mercado saturado, muita oferta de profissionais e baixos rendimentos, indo para o caminho das engenharias, do direito, dentre outras áreas. O sr., que está no mercado, vê dessa forma também? Acredita que em 10, 15, 20 anos a coisa tende a piorar? Compensa entrar na medicina hoje? A segunda pergunta diz respeito à especialidade da genética médica: como está o mercado, é fácil encontrar emprego? Quanto é a remuneração dessa especialidade? Quais os melhores serviços de residência? Um abraço, e obrigado!

Resposta :

Não deve haver a menor preocupação em relação a uma possível saturação do mercado médico.

Embora o Brasil já tenha uma relação de 2 médicos para cada 1.000 habitantes e o mínimo recomendado seja de 1 médico para cada 1.000 hab, os países mais desenvolvidos apresentam uma relação de 4 ou 5 médicos por 1.000 habitantes. Assim ainda temos muito espaço para crescermos numericamente na profissão médica.

Além disso, o envelhecimento da população com o aumento da expectativa de vida mostra uma tendência clara de aumento do mercado médico.

Com o progresso na área de comunicação (internet, redes sociais…) a população vai adquirindo mais conhecimentos na área de saúde e valorizando mais a procura por serviços de saúde preventivos. É o que acontece com a mamografia, com a colonoscopia, com exame prostático e com a prevenção do Ca de pele.

O que a classe médica deve estar preparada é para uma mudança no perfil atual do médico, com o maior uso da tecnologia e com uma medicina mais voltada para a prevenção.

O médico do futuro vai ser menos “Semi Deus “ e vai ter que aprender a lidar com pacientes mais conhecedores das patologias, pelo acesso fácil da população às informações técnicas.

Sucesso

Mário Novais

As ameaças do movimento Antivacina

As ameaças do movimento Antivacina

A Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente uma lista intitulada “Ten threats to global health in 2019” na qual cita os principais desafios que a saúde global terá que enfrentar no decorrer deste ano. Dentre os 10 pontos indicados pela OMS, está a “resistência a vacinação”, popularmente conhecido como Movimento Antivacina, ou Anti-vaxxers. Esse movimento cresceu de maneira assustadora nos últimos anos, principalmente nos EUA e Europa, com pessoas que recusavam a se vacinar e/ou vacinar seus filhos, utilizando-se dos mais variados argumentos.
O primeiro impulso do Movimento Antivacina ocorreu em 1998, após a publicação de estudo do pesquisador britânico Andrew Wakefield relacionando a vacina tríplice viral (contra caxumba, sarampo e rubéola) com o autismo. Anos depois, foi comprovado que o cientista havia falsificado boa parte do material utilizando para defender sua tese, mas muitos textos pela Internet ainda insistem em utilizar seu trabalho como prova dos perigos da vacinação entre as crianças. Além dessa correlação indevida entre vacinação e autismo, os antivacinas também afirmam, sempre baseadas em publicações científicas obscuras, que as vacinas são meios utilizados pelos governos para implantar chips de monitoramento na população ou mesmo promover esterilizações em massa. Em muitos casos, as teorias também apontam interesses escusos da indústria farmacêutica na criação e utilização de vacinas.
Os riscos da escolha de não se vacinar afeta muito além que o indivíduo. Uma população vacinada protege aqueles dentro da comunidade que por questão de saúde não podem ser vacinados (pacientes imunossuprimidos, pacientes HIV +), criando um ambiente não contaminado, um “escudo” para essas pessoas. Quando um indivíduo escolhe não se vacinar, ele abre uma brecha para a doença se instalar na comunidade.
De acordo com a OMS, os casos de Rubéola aumentaram em 30% no último ano, sendo que países que haviam erradicado a doença voltaram a reportar novos casos na mesma.
Recentemente, um surto de sarampo, há anos erradicada nos Estados Unidos, se desenvolveu a partir dos parques de diversão da Flórida. Durante as investigações, as autoridades de saúde do país identificaram uma criança não vacinada que iniciou a circulação do vírus. Nos últimos anos, também tem ocorrido diversos surtos de coqueluche no país, outra doença que era considerada fora de circulação. Em 2014, foram 48 mil casos, maior valor desde 1955.
Mesmo com inúmeras iniciativas para conscientizar a população sobre os comprovados benefícios da vacina e os riscos da não vacinação, o movimento continua a crescer. É comum a realização de fóruns e conferencias Antivaxxers, nos quais ganham gradativamente mais adeptos, divulgando teorias e notícias falsas, expandindo sua ideologia e causando a volta de doenças já superadas como tuberculose, catapora, caxumba, hepatite B e difteria.
Baseados em artigos científicos com pouco embasamento teórico – muito deles falsos, como visto anteriormente – e textos apócrifos divulgados na Internet, o movimento antivacina se concentra em países ricos da Europa e nos Estados Unidos. Um estudo internacional mostrou que, por conta de suas ações, algumas cidades do estado da Califórnia apresentam taxas de vacinação similares a de países africanos como o Sudão do Sul.
No Brasil, o pensamento contra o uso de imunizações vem ganhando espaço entre as classes mais altas, mas ainda têm difusão reduzida. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em
2012 revelou que 76% das famílias mais ricas vacinam seus filhos enquanto essa taxa sobe para 81% entre os mais pobres. O movimento antivacina, no entanto, merece atenção também no Brasil, onde muitas campanhas de vacinação têm obtido resultados abaixo do esperado nos últimos anos.
Os imunizantes parecem hoje ser vítimas do seu próprio sucesso. As pessoas esqueceram como era viver sem vacinas e passaram a desacreditar nas mesmas.

Fontes:
https://www.who.int/emergencies/ten-threats-to-global-health-in-2019
https://www.globalcitizen.org/en/content/everything-you-need-to-know-about-the-antivaxxer/
https://saude.ccm.net/faq/6060-movimento-antivacina-argumentos-e-riscos

Pesquisa mapeia uso de recursos tecnológicos pelos médicos

Pesquisa mapeia uso de recursos tecnológicos pelos médicos

Com o objetivo de mapear a utilização dos recursos tecnológicos nos universos da medicina e da saúde, o Global Summit Telemedicine & Digital Health e a APM – Associação Paulista Medicina realizaram pesquisa com médicos do estado de São Paulo entre os dias 9 e 26 de novembro de 2018.
O estudo, chamado “Tecnologia e Saúde”, busca entender a percepção dos médicos sobre a necessidade de avanços na incorporação da telemedicina e da telessaúde no dia a dia da prática profissional e, em especial, de avanços nos marcos regulatórios e no Código de Ética, com vistas a melhorar performances e beneficiar os pacientes.
Dos pesquisados, 84,67% afirmam usar ferramentas de Tecnologia de Informação para observação dos pacientes e otimização do tempo de consulta. A que mais utilizam é o prontuário eletrônico (76,75%), seguido de sistemas de agendamentos de consultas (12,81%) e sistemas de gestão de consultório (5,71%).
E a incorporação de outras tecnologias no dia a dia dos médicos – como inúmeras ferramentas da telemedicina – poderia ser muito maior, caso houvesse a devida normatização por parte dos órgãos responsáveis. Neste sentido, quase metade dos médicos (49,41%) entende que o CFM – Conselho Federal de Medicina não regula adequadamente as soluções digitais para a saúde e a medicina.
Outros 79,36% acham que o Ministério da Saúde não está disseminando tecnologias em favor da saúde dos pacientes. Além disso, 91,51% dos que responderam a pesquisa pensam que o Brasil está atrás de países como Estados Unidos, Japão e Alemanha.
“A tecnologia auxilia os médicos. Quando observamos o uso das novas ferramentas em todas as indústrias, entendemos que elas substituem funções muito rotineiras, mas não práticas complexas e humanas. Então, precisamos enxergar a tecnologia como algo que ajude os médicos e profissionais de saúde a realizarem seu trabalho de maneira mais eficiente. Ao substituirmos funções automatizadas, todos ganham, já que poderemos focar nas questões que realmente só os humanos podem fazer”. Essa é a avaliação de Robert Wah, chief medical officer da DXC Technology e ex-presidente da AMA – Associação Médica Americana, que participou do evento de apresentação da pesquisa, em São Paulo.
Ferramentas de comunicação
Entre os dados mais relevantes da pesquisa, o Prof. Dr. Jefferson Gomes Fernandes, presidente do Conselho Curador do Global Summit, destacou que, embora a maioria (57,9%) dos médicos seja contrária à realização de consultas a distância, 85% concordam com a utilização de ferramentas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, entre médicos e pacientes.
E entre os que são favoráveis ao WhatsApp, 42,7% afirmaram que já o utilizam para responder dúvidas dos pacientes entre uma consulta e outra, 34% disseram que a ferramenta, inclusive, serve para receber exames e fotos para ajudar nos diagnósticos e tratamentos e 23,3% alegam que, apesar de concordarem com o uso do sistema de mensagens, ainda não o fazem. Por outro lado, 50,83% dos médicos discordam das prescrições serem feitas a distância.
Prof. Dr. Jefferson Gomes Fernandes, do Global Summit. Foto: Beto Assem “Trocar exames e fotos no celular é, de certa forma, uma consulta a distância. As respostas mostram que há um processo natural de transformação de cultura, além do entendimento do que são as ferramentas e como usá-las. Há a questão-chave da relação médicopaciente e o quão fundamental é a atividade presencial. Então, devemos pensar quando usar o WhatsApp e com qual finalidade. E entender o que percebemos como telemedicina, ou saúde conectada, responsável. É uma questão importante de mudança de mindset, que é algo progressivo”, declarou Fernandes.
Para Antonio Carlos Endrigo, diretor de TI da APM e presidente da Comissão Organizadora do Global Summit, é importante entender que essas ferramentas não foram criadas para a comunicação entre médicos e pacientes, embora sejam utilizadas para tal. “Um dos problemas disso é que não há registro de atendimento. Ou quando há, ele pode ser modificado, seja pelo paciente, seja pelo médico, causando problemas na relação. É importante, portanto, termos uma regulamentação que abra a possibilidade de empresas de tecnologia desenvolverem produtos adequados ao setor de saúde.”
A visão de Wah também vai nesse sentido. O especialista norteamericano reconhece que a alta frequência de utilização de aplicativos de mensagens instantâneas é devido à conveniência. Mas defende que não é porque algo é conveniente que é correto. E questiona: “Por que colocamos os nossos diagnósticos médicos nestes aplicativos se não colocamos informações como dados bancários e número do cartão de crédito?”
O diretor da DXC Technology contou, ainda, sobre um experimento que está conduzindo na China, em uma cidade com 7 milhões de habitantes, onde os cidadãos estão sendo integrados a um sistema de saúde todo digital. “Há um aplicativo para os médicos, o governo tem acesso aos dados, e os profissionais sabem, de acordo com o histórico do paciente, os procedimentos que devem fazer. Lançamos também para o paciente, que pode ver os resultados de seus exames, os diagnósticos e marcar consultas. É impressionante. É o que a sociedade quer ver e como enxergamos o papel da tecnologia, dando subsídio com informações para os médicos tomarem as decisões corretas”, relatou.

Futuro
Quanto à evolução do setor, 72,79% dos participantes da pesquisa concordaram com a frase “A tecnologia não vai substituir o médico, apenas o médico que não usa a tecnologia”. Por outro lado, 79,72% não acham viável que a tecnologia avance ao ponto de os pacientes poderem fazer seus próprios diagnósticos.
Para Endrigo, haverá redução de profissionais de saúde no futuro, além da transformação de outros, que atuarão de acordo com as tecnologias mais recentes. “Mas isso irá demorar. Hoje, um dos maiores problemas da saúde é o acesso. Muitos pacientes não conseguem atendimento pelas barreiras geográficas e muitos médicos têm ociosidade, pois os pacientes não chegam. Então, as novas tecnologias devem acomodar essa questão. Outro ponto é que aqueles que não se adaptarem às novas ferramentas sairão naturalmente do mercado.”
Fernandes acredita que quanto mais for possível automatizar processos manuais, maior eficiência haverá na área. De acordo com ele, há estudos que mostram que os médicos passam até 50% do seu tempo digitando, quando o mais interessante seria direcionar a maior parte de sua agenda para os cuidados com os pacientes.
“Quando inventaram os carros, pensaram o que fariam aqueles que trabalhavam com charretes. E o que houve? Aprenderam a manusear carros, houve mudanças, criou-se o mecânico. E assim caminha a humanidade. As tecnologias, aplicadas corretamente, nos farão melhores profissionais. Nada irá substituir o médico”, afirma.
“A minha visão, como médico e como alguém que trabalha com tecnologia ao redor do mundo, é de que o planeta está em uma jornada de transformação digital. As pessoas, hoje, ainda vão aos consultórios com vários papéis, mas estamos mudando para um sistema de armazenamento de informações em computadores. Poderemos, assim, cuidar melhor das pessoas. A tecnologia irá mudar tudo”, prevê Wah.

Armazenamento de dados
Noventa e três por cento dos participantes do levantamento entendem que é benéfico que as informações de saúde sejam disponibilizadas em nuvem digital, com proteção de dados, mas acessível ao médico, sob autorização do paciente. E outros 97,41% acham que esse compartilhamento seguro de informações trará benefícios aos médicos, aos pacientes e ao sistema.
Além disso, 78,3% dos médicos acreditam que os celulares funcionarão como “guardiões da saúde”, possibilitando que cada cidadão tenha o controle de sua própria situação, direto de casa; e 93,87% pensam que tecnologias como a impressão de tecidos 3D chegarão à medicina. Porém, 58,14% também afirmaram que seus locais de trabalho ainda não contam com os melhores recursos tecnológicos disponíveis.
A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 26 de novembro, por meio da ferramenta on-line SurveyMonkey, com 848 médicos, sendo 41% mulheres e 59% homens. Neste universo, houve praticamente unanimidade em afirmar que as novas tecnologias trarão avanços à assistência aos pacientes – apenas um participante acredita que não.

Evento
O Global Summit Telemedicine & Digital Health, realizado e promovido pela APM e pelo Transamerica Expo Center, acontecerá de 4 a 6 de abril de 2019, em São Paulo (SP). Seu objetivo é promover conteúdo que possa ser transformador para todos os participantes. Para tanto, serão mais de 50 palestrantes nos três dias de congresso, com a expectativa de mais de 1.500 pessoas.
Haverá, além das discussões e das mais de 70 horas de conteúdo, um hub tecnológico e um espaço de inovação, com startups do setor, representantes da indústria, dos hospitais, das operadoras de planos de
saúde, entre outros. O evento também abarca o 9º Congresso Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde.
Experiências únicas, como o Espaço Innovation Challenge, no qual será possível mostrar ideias e soluções inovadoras em um hackathon, também estão previstas. Será uma competição para o mercado da saúde, mostrando as tendências e promovendo a conexão com investidores que viabilizam os projetos a serem implementados.
“O objetivo é trazermos essa visão da tecnologia a serviço da vida. Tanto telemedicina quanto saúde digital, seja o nome que for, é algo que precisamos, como país, desenvolver. São novidades que contribuem para os cuidados, trazem mais acessibilidade e resolução, além de reduzirem custos. Queremos algo que seja transformador”, finaliza Jefferson Fernandes.

Informações: telemedicinesummit.com.br
Conteúdo originalmente publicado na Revista Hospitais Brasil edição 94, de novembro/dezembro de 2018. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-94-revista-hospitais-brasil

apm.org.br/newsletter/comunicacao/2018/arquivos/pesquisa_a pm_tecnologia.pdf

O potencial da telemedicina nas doenças digestivas

O potencial da telemedicina nas doenças digestivas

As abordagens digitais de saúde começaram a transformar a maneira como os pacientes e os profissionais de saúde interagem, ajudando os pacientes a assumir um papel mais ativo na gestão de suas doenças por meio de consultas remotas e monitoramento de doenças. Há evidências para o uso de telemedicina em muitas doenças crônicas, como insuficiência cardíaca e diabetes, entre outras; De fato, quase um quarto dos cardiologistas e 15% dos endocrinologistas relataram o uso da telemedicina para interagir com os pacientes, de acordo com uma análise recente dos dados da Pesquisa de Referência de Atuação de 2016 da American Medical Association. Talvez seja surpreendente, então, que apenas 7,9% dos gastroenterologistas tenham relatado o uso de telemedicina para interagir com pacientes, ficando em penúltimo lugar entre as especialidades de medicina interna. A natureza crônica de muitas doenças digestivas deve torná-las as principais candidatas ao uso da telemedicina, então por que a demora na adesão?

Parte do problema pode ser a escassez de evidências robustas para a telemedicina em doenças digestivas. Embora os estudos mostrem que os pacientes aceitam muito e estão satisfeitos com o uso da telemedicina para ajudar a controlar sua doença gastrointestinal, há muito poucos estudos desse tipo. Uma revisão sistemática de 2018 sobre o uso de telemedicina e tecnologia de saúde móvel no manejo de doenças digestivas identificou apenas 20 estudos que focavam em resultados clínicos. Doze desses estudos focaram em doenças inflamatórias intestinais, seis na síndrome do intestino irritável e dois em câncer colorretal; Aproximadamente metade dos estudos em que a atividade da doença foi medida relatou melhorias estatisticamente significativas. Os pesquisadores também encontraram estudos individuais de telemedicina no tratamento de cirrose, disfagia e doenças diarreicas, mas estes não preenchiam todos os critérios de inclusão.

 

Talvez também a lentidão na aceitação seja a preocupação em limitar as interações diretas entre o paciente e o prestador de serviços de saúde e a possibilidade de falta ou desentendimento das informações na ausência de pistas verbais e não verbais em pessoa – preocupações não exclusivas das doenças digestivas. Mas com a ampla adoção de telefones inteligentes, as chamadas de vídeo de alta qualidade são agora uma realidade e podem ajudar a dissipar esses medos. Pacientes em alguns países, como os EUA, também podem se preocupar com o reembolso. No entanto, muitos estados dos EUA introduziram leis de paridade do pagador privado para telessaúde, que exigem que as seguradoras cubram o fornecimento de serviços de telemedicina da mesma forma que os serviços presenciais.

Essas preocupações são válidas, mas as vantagens oferecidas pela telemedicina para consultas e monitoramento remoto de doenças podem fazer pender a balança para muitos pacientes. Para as pessoas que vivem em áreas remotas ou rurais, por exemplo, receber consultas iniciais ou de acompanhamento via videoconferência provavelmente será consideravelmente mais conveniente e menos dispendioso em termos de custos de viagem reduzidos, tempo fora do trabalho. O monitoramento remoto regular também poderia facilitar o desenvolvimento de estratégias de tratamento mais personalizadas e intervenções mais precoces quando surgirem novos sintomas ou recaídas de doenças, representando potencial economia de custos, por exemplo, fazendo o melhor uso de medicamentos caros e reduzindo internações hospitalares.

Os prestadores de serviços de saúde também podem se beneficiar – a telemedicina pode ajudar a aliviar as limitações de tempo, reduzir os tempos de espera e facilitar a busca de consultas especiais ou segundas opiniões. Programas de tele-orientação como o Project ECHO, que liga especialistas em centros acadêmicos com médicos de atenção primária em comunidades locais, adotam uma abordagem de “ensino e aprendizagem”, na qual especialistas compartilham seus conhecimentos e habilidades com prestadores de serviços de saúde comunitários. Após os primeiros sucessos no combate ao ônus da hepatite C no Novo México, o Projeto ECHO agora possui centros em 34 países que oferecem serviços para uma gama diversa de condições crônicas.

No entanto, os serviços de telemedicina só podem ser um complemento às práticas existentes, em vez de um substituto. Testes e tratamentos diagnósticos invasivos obviamente necessitarão de interações face a face. Mas a telemedicina – quando usada de forma eficaz – provavelmente simplificará e melhorará a qualidade do atendimento ao paciente e reduzirá os custos com assistência médica. As tecnologias de telessaúde ainda são relativamente novas, e pesquisas adicionais sobre sua eficácia – tanto em termos clínicos quanto em termos de custo – em doenças digestivas são essenciais. Este é particularmente o caso das condições gastrointestinais superiores crônicas e distúrbios gastrointestinais e de mobilidade funcionais. Mas, em um cenário de crescente incidência de doenças crônicas, a telemedicina para doenças digestivas tem um grande potencial.

Fonte:

THE LANCET

Oftalmologia : Remuneração

Pergunta : João Pedro ( Universidade Federal Fluminense )
Boa tarde! Estou no 7 período e penso em fazer oftalmologia. Não tenho parentes que trabalham na area, e ja ouvi falar que isso pode ser um empecilho pelo alto preço dos materiais para se montar um consultório. A minha pergunta é a seguinte: tem como ter bons ganhos trabalhando em clinicas de outras pessoas aqui no RJ? normalmente como funciona para trabalhar nessas clinicas, tenho que alugar horário, ou ceder parte do valor das minhas consultas? E se por acaso aparecer pacientes que necessitam de cirurgia de catarata, eu poderia fazer por conta propria e ficar com os ganhos, ou esse paciente seria “da clinica” e nao ficaria comigo para realizar a cirurgia em algum dia marcado.

Resposta :

A historia que para se dar bem na oftalmologia precisa ter parentes na área é um mito. Os aparelhos são realmente caros, mas se pode começar um consultório com equipamentos usados em bom estado e financiamentos bancários com juros baixos.

Além disso o caminho normal para um oftalmo é iniciar trabalhando numa clínica já estabelecida e somente mais tarde abrir sua própria clínica.

Alguns preferem nunca irem pelo caminho do empreendedorismo e trabalham sempre em clínicas de outros oftalmos.

De um modo geral, a remuneração nessas clínicas de ofalmo existentes é padronizada e vc receberá 50 % do valor da consulta e 30 % do valor dos exames que realizar, o que dá uma média ponderada de 35 % do valor de faturamento que vc produzir.

Assim se vc trabalhar numa clínica dessas e atender 20 pacientes por dia, 4 dias por semana, vai estar recebendo cerca de R$ 22.000,00 mensais.

Se essa clinica for sua estará faturando cerca de R$ 60.000,00 por mês fora as cirurgias ( é claro que terá que contabilizar tb as despesas da clínica).

Sucesso

Mário Novais