maio 2019 – Widoctor

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Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

RIO – Cerca de 10% das mulheres não sentem desejo sexual nem conseguem ficar excitadas. Quando falamos de mulheres com idade em torno dos 60, essa proporção pode chegar a 20%. Para esse problema dá-se o nome de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo ou Transtorno do Interesse/ Excitação sexual feminino. As causas são as mais variadas possíveis, mas, infelizmente, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos à boa vida sexual delas.

O desejo sexual feminino está longe de ser simples. Há menos de 20 anos, ele era visto de forma similar ao do homem, com um ciclo linear, que começa com desejo, vem excitação, orgasmo e resolução. Porém, desde 2000 a forma de estudar a sexualidade feminina mudou completamente.

Atualmente, há dois tipos de desejo: o espontâneo e o responsivo. O espontâneo surge na mulher independentemente do contato sexual: aquela mulher que tem um pensamento erótico e se masturba, que quando um homem interessante se aproxima pode ficar excitada ou que só de olhar para o parceiro pode ter vontade de transar (frequente em relacionamentos novos). Já o desejo responsivo é a excitação que surge quando a mulher começa a ser estimulada. Ou seja, ela está tranquila, mas com um beijo mais quente ou preliminares ela quer, sim, fazer sexo.

— Ao considerar que a presença do desejo responsivo é válida e, portanto, essa mulher não é disfuncional, houve uma mudança de paradigma muito importante e a redução no número de mulheres que antes eram classificadas como “sem desejo” — afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP).

A mudança de mentalidade é profunda. A mulher não pode mais ser considerada disfuncional se o estímulo não é efetivo.

— O ejaculador precoce já foi o homem mais viril porque ele rapidamente resolvia. Hoje, esse parâmetro é absolutamente obsoleto. Esse homem tem que se tratar para compatibilizar seu tempo com o da parceira. As coisas mudaram. A sexualidade foi uma das áreas em que a mulher foi mais bem contemplada nos últimos anos, atualmente preocupa-se com a sexualidade feminina independente da masculina, estudamos as duas, entre tantas outras — explica Carmita.

Infelizmente, os avanços são lentos e ainda há profundo desconhecimento do próprio corpo por parte das mulheres.

— A mulher que é muito reprimida sexualmente pode até não reconhecer o desejo físico, porque emocionalmente vai reprimindo essa sensação. Tem mulheres que depositam no parceiro ou parceira a sua sexualidade. Só sentem desejo quando estão envolvidas e não se sentem à vontade para se masturbar — afirma a psicóloga, terapeuta sexual e autora do “Sexoterapia”, Ana Canosa.

Muitas mulheres quando chegam à menopausa e perdem o estrógeno e, por consequência, a lubrificação vaginal, não sabem nem por que sentem tanta dor na penetração. Estudos indicam que apenas 4% das mulheres comentam com o ginecologista que estão sentindo dor por falta de lubrificação. Ou seja, se o médico não pergunta, a mulher não relata um problema que pode tomar grandes proporções, mas é possível de se resolver.

Se transar é doloroso, depois de um certo tempo, a mulher vai querer evitar, mesmo que esse processo seja inconsciente. Sexo bom ou ruim faz muita diferença para o desejo. Se o relacionamento já é duradouro, a idade avança e os problemas do dia a dia não dão descanso, o que faz a mulher querer sexo?

— É a memória da gratificação sexual. Ela se disponibiliza a fazer sexo porque sabe que no final ela goza e é bom. Por isso que fazer sexo com qualidade é extremamente importante para uma mulher, como uma motivação para uma outra vez.

Além disso a mulher passa por muitas oscilações hormonais, não só durante a vida, como durante o mês. No ciclo há uma fase mais propícia para o sexo, que é geralmente quando ela está ovulando. Por outro lado, os hormônios dificultam a vida em algumas fases, como na gestação, durante a amamentação, no climatério e pós menopausa.

Causas e tratamentos

A mulher só tem Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo caso isso provoque incômodo ou sofrimento. Se ela não sente desejo, nem se excita, mas está muito bem, obrigada, não há o que ser tratado.

Também é preciso ver se a situação dura há, pelo menos, seis meses. É mais do que natural não ter vontade de transar se acabou de perder o emprego, está de luto, ou com alguma preocupação momentânea.

Uma vez que a situação se prolongue e cause insatisfação, é hora de procurar ajuda e descobrir as causas. E elas são muitas.

— A falta de desejo tem ‘n’ possibilidades. A primeira é a parceria: o parceiro não sabe estimular, tem dificuldade de ereção ou ejaculação precoce. Pode ter origem física, como um distúrbio hormonal ou alguma doença sistêmica, cardiovascular ou diabetes, por exemplo. Também pode ter origem psiquiátrica, com depressão, ansiedade, estresse pós-traumático ou medicamentos que inibem o desejo. Pode ter problemas de ordem relacional: o relacionamento está comprometido e aí o desejo acabou. E pode ter outras questões como autoestima baixa, autoimagem negativa, evitando o contato porque não se sente interessante ou apta. São algumas possibilidades — diz Carmita Abdo.

Quando tudo é investigado e nada encontrado, a mulher realmente sofre com o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo. Nos Estados Unidos, o FDA aprovou a pílula rosa: um medicamento que atua no sistema nervoso e promete acionar o desejo. Ela não foi aprovada no Brasil e é alvo de críticas pois tem um monte de efeitos colaterais. Além de ter que ser tomada todos os dias, sem misturar nunca com bebida alcoólica, pode provocar náusea, tonturas e até queda na pressão.

Há também quem procure tratamentos sem comprovação de ação, com uso da testosterona ou antidepressivos como a bupropiona. Mais uma vez, correndo o risco de vários efeitos colaterais.

— Estamos fazendo pesquisas e trabalhos e vamos encontrar alternativas — afirma a psiquiatra. Por enquanto, ela recomenda terapia sexual, para descobrir um jeito de achar o sexo interessante.

Para a terapeuta sexual Ana Canosa, é importante também se colocar à disposição do sexo:

— Entender como você funciona é essencial para uma mulher. Se não entender como seu corpo funciona, sua fantasia, o que bota você para baixo, o que te desperta, não vai conseguir driblar os momentos em que seu desejo sexual diminui. Aí é melhor dormir.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/celina/desejo-sexual-feminino-entenda-como-funciona-por-que-ele-as-vezes-desaparece-23703094

Doença Inflamatória Pélvica (salpingite, endometrite)

Doença Inflamatória Pélvica (salpingite, endometrite)

Considerações gerais

 

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção polimicrobiana do tracto genital superior associada aos organismos sexualmente transmissíveis Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, bem como organismos endógenos, incluindo anaeróbios, Haemophilus influenzae, bastonetes entéricos gram-negativos e estreptococos. É mais comum em mulheres jovens, nulíparas, sexualmente ativas, com múltiplos parceiros e é uma das principais causas de infertilidade e gravidez ectópica. O uso de métodos de barreira de contracepção pode fornecer proteção significativa.

 

Diagnósticos diferenciais

Apendicite, gravidez ectópica, aborto séptico, cistos ou tumores ovarianos hemorrágicos ou rompidos, torção de cisto ovariano, degeneração de mioma e enterite aguda devem ser considerados. A DIP é mais provável de ocorrer quando há uma história de DIP, contato sexual recente, início recente da menstruação, inserção recente de um DIU ou se o parceiro tem uma doença sexualmente transmissível. A DIP aguda é altamente improvável quando uma relação sexual recente (dentro de 60 dias) não ocorreu. Um teste de gravidez sensível ao soro deve ser obtido para descartar gravidez ectópica. A ultrassonografia pélvica e vaginal é útil no diagnóstico diferencial de gravidez ectópica de mais de 6 semanas e para descartar o abscesso tubo-ovariano. A laparoscopia é frequentemente usada para diagnosticar a DIP e é imperativo que o diagnóstico não seja certo ou que o paciente não tenha respondido à antibioticoterapia após 48 horas. O apêndice deve ser visualizado em laparoscopia para descartar apendicite. As culturas obtidas no momento da laparoscopia são geralmente específicas e úteis.

 

Tratamento

A. Antibióticos

O tratamento precoce com antibióticos apropriados eficazes contra N gonorrhoeae e C trachomatis é essencial para evitar sequelas a longo prazo. O parceiro sexual deve ser examinado e tratado adequadamente. A maioria das mulheres com doença leve a moderada pode ser tratada com sucesso como um paciente externo. O regime recomendado é uma dose única de cefoxitina, 2 g por via intramuscular, com probenecide, 1 g por via oral e doxiciclina 100 mg por via oral duas vezes ao dia por 14 dias ou ceftriaxona 250 mg por via intramuscular mais doxiciclina, 100 mg  por via oral duas vezes ao dia, durante 14 dias. Metronidazol 500 mg por via oral duas vezes ao dia por 14 dias também pode ser adicionado a qualquer um desses dois regimes e também irá tratar vaginose bacteriana que é freqüentemente associada com DIP. Para pacientes com doença grave ou aqueles que atendem a critérios de hospitalização, existem dois regimes recomendados. Um regime inclui cefotetan, 2 g por via intravenosa a cada 12 horas, ou cefoxitin, 2 g por via intravenosa a cada 6 horas, além de doxiciclina 100 mg por via oral ou intravenosa a cada 12 horas. O outro regime recomendado é a clindamicina, 900 mg por via intravenosa a cada 8 horas, mais gentamicina, uma dose de ataque de 2 mg / kg por via intravenosa ou intramuscular seguida de uma dose de manutenção de 1,5 mg / kg a cada 8 horas (ou como dose única diária, 3 –5 mg / kg).

Esses esquemas devem ser continuados por no mínimo 24 horas após o paciente apresentar melhora clínica significativa. Então, um esquema oral deve ser administrado para um ciclo total de antibióticos de 14 dias com doxiciclina, 100 mg duas vezes por dia ou clindamicina, 450 mg por via oral quatro vezes ao dia. Se um abscesso tuboovariano estiver presente, clindamicina ou metronidazol devem ser usados ​​com doxiciclina para completar o tratamento de 14 dias para melhor cobertura anaeróbica.

B. Medidas cirúrgicas

Os abscessos tubovarianos podem exigir excisão cirúrgica ou aspiração transcutânea ou transvaginal. A menos que haja suspeita de ruptura, instituir antibioticoterapia de alta dose no hospital e monitorar a terapia com ultrassonografia. Em 70% dos casos, os antibióticos são eficazes; em 30%, há resposta inadequada em 48 a 72 horas, e a intervenção cirúrgica é necessária.   A anexectomia unilateral é aceitável para abscesso unilateral. Histerectomia e salpingo-ooforectomia bilateral podem ser necessários para uma infecção avassaladora ou em casos de doença crônica com dor pélvica intratável.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Journal of Diabetes: diabetes tipo 2 aumenta risco de câncer em homens e mulheres

Journal of Diabetes: diabetes tipo 2 aumenta risco de câncer em homens e mulheres

O objetivo deste estudo foi investigar o risco de 23 tipos comuns de câncer entre pacientes com diabetes tipo 2 (DM2) em comparação com a população geral chinesa. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Diabetes.

Com base no banco de dados do Shanghai Hospital Link, 410.191 pacientes com DM2 (idade 20-99 anos) foram identificados de julho de 2013 a dezembro de 2016, e foram acompanhados em relação à incidência de câncer até dezembro de 2017.

Ao todo, 8.485 casos de câncer recém-diagnosticados foram identificados. As taxas de incidência padronizadas (SIRs) do câncer total foram de 1,34 e 1,62 entre homens e mulheres, respectivamente.

Entre os homens com DM2, o risco de câncer de próstata (maior SIR de 1,86), sangue (leucemialinfoma), pele, tireoide, rim, fígado, pâncreas, pulmão, colorretal e estômago aumentou significativamente. Houve uma diminuição significativa no risco de câncer de esôfago.

Em mulheres com diabetes tipo 2, houve riscos significativamente maiores de câncer de nasofaringe (maior SIR de 2,33), fígado, esôfago, tireoide, pulmão, pâncreas, sangue (linfoma, leucemia), útero, colorretalmamacolo do útero e estômago. Em contraste, houve uma redução significativa do risco de câncer de vesícula biliar em mulheres com DM2.

Este estudo mostra riscos significativamente aumentados de cânceres gerais e alguns tipos específicos entre pacientes com DM2. Os pesquisadores sugerem que sejam estabelecidas estratégias para rastreamento específico de câncer e cuidados de prevenção em pacientes com DM2.

 

Original: https://www.news.med.br/p/medical-journal/1338198/journal+of+diabetes+diabetes+tipo+2+aumenta+risco+de+cancer+em+homens+e+mulheres+um+estudo+em+xangai+china.htm

Fonte: https://onlinelibrary.wiley.com/journal/17530407#pane-01cbe741-499a-4611-874e-1061f1f4679e01

Sangramento Uterino Anormal Premenopausal

Sangramento Uterino Anormal Premenopausal

Considerações gerais

O sangramento menstrual normal dura em média 5 dias (variação de 2 a 7 dias), com perda sanguínea média de 40 mL por ciclo. A menorragia é definida como perda de sangue superior a 80 mL por ciclo e frequentemente produz anemia. Metrorragia é definida como sangramento entre os períodos. A polimenorrea é definida como o sangramento que ocorre com mais frequência do que a cada 21 dias, e a oligomenorreia é definida como o sangramento que ocorre com menos frequência do que a cada 35 dias. A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) introduziu o sistema de classificação atual para o sangramento uterino anormal, e foi endossado pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia. O novo sistema de classificação não usa o termo “sangramento uterino disfuncional”. Em vez disso, usa o termo “sangramento uterino anormal” (AUB, sigla em inglês) e o associa a termos descritivos que indicam o padrão de sangramento (pesado, leve e menstrual, intermenstrual) e etiologia (a sigla PALM-COEIN que significa Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia, Coagulopatia,  Disfunção ovulatória, endometrial, iatrogênica e ainda não classificada). Em adolescentes, a AUB ocorre frequentemente como resultado de uma anovulação persistente devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano e representa a fisiologia normal. Uma vez que a menstruação regular foi estabelecida durante a adolescência, a disfunção ovulatória AUB (AUB-O) representa a maioria dos casos. AUB em mulheres com idade entre 19 e 39 anos geralmente é resultado de gravidez, lesões estruturais, ciclos anovulatórios, uso de contracepção hormonal ou hiperplasia endometrial.

Tratamento

O tratamento para pacientes na pré-menopausa com AUB depende da etiologia do sangramento, determinado pela história, exame físico, achados laboratoriais, imagem e amostragem endometrial. Pacientes com AUB secundária a miomas submucosos, infecção, aborto precoce, trombofilia ou neoplasias pélvicas podem necessitar de terapia definitiva. Uma grande proporção de pacientes na pré-menopausa, no entanto, tem disfunção ovulatória AUB (AUB-O). AUB-O pode ser tratado hormonalmente. As progestinas, que limitam e estabilizam o crescimento endometrial, são geralmente eficazes. Para pacientes com sangramento irregular ou leve, o acetato de medroxiprogesterona, 10 mg / dia por via oral, ou o acetato de noretindrona, 5 mg / dia por via oral, deve ser administrado por 10 dias, após o que ocorrerá sangramento de abstinência. Se bem sucedido, o tratamento pode ser repetido por vários ciclos, começando a medicação no dia 15 dos ciclos subsequentes, ou pode ser reinstituído se a amenorreia ou sangramento disfuncional recorrer. Os antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs), como o naproxeno ou o ácido mefenâmico, nas doses antiinflamatórias usuais, também costumam reduzir a perda sangüínea na menorragia – até mesmo aquela associada ao dispositivo intrauterino de cobre (DIU). As mulheres que estão com sangramento mais intenso podem receber uma redução de qualquer um dos contraceptivos orais combinados (com 30-35 mcg de estrogênio estradiol) para controlar o sangramento. Existem vários regimes de dosagem contraceptivos comumente usados, incluindo quatro vezes ao dia por 1 ou 2 dias, seguidos por dois comprimidos diariamente até o dia 5 e, depois, um comprimido diariamente até o dia 20; após a retirada ocorre sangramento, as pílulas são tomadas na dosagem usual por três ciclos. Em casos de hemorragia intensa intratável, um agonista do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), como o leuprolide depot, 3,75 mg por via intramuscular mensal, pode ser usado por até 6 meses para criar uma interrupção temporária da menstruação por supressão ovariana. Estas terapias requerem 2-4 semanas para regular a hipófise e parar o sangramento e não irão parar de sangrar agudamente. Em casos de sangramento intenso que requer hospitalização, estrogênios conjugados intravenosos, 25 mg a cada 4 horas para três ou quatro doses, podem ser usados, seguido por estrogênios conjugados orais, 2,5 mg ao dia ou etinilestradiol, 20 mcg por dia, por 3 semanas, com a adição de acetato de medroxiprogesterona, 10 mg por via oral diariamente durante os últimos 10 dias de tratamento, ou uma combinação de contraceptivos orais diários durante 3 semanas. Isso vai engrossar o endométrio e controlar o sangramento.

Se o sangramento anormal não for controlado pelo tratamento hormonal, a histeroscopia com amostragem de tecido ou a histerossonografia com infusão de solução salina é usada para avaliar lesões estruturais (como pólipos, miomas submucosos) ou neoplasias (como câncer endometrial). Na ausência de patologia específica, sangramento que não responde à terapia médica pode ser tratado com ablação endometrial, DIU liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) ou histerectomia.

Embora a histerectomia tenha sido usada comumente no passado para sangramento irresponsivo à terapia médica, o baixo risco de complicações e os bons resultados a curto prazo da ablação endometrial e do DIU-LNG tornam-nos alternativas atraentes à histerectomia. A ablação endometrial pode ser realizada através do histeroscópio com fotocoagulação a laser ou eletrocautério. As técnicas não-histeroscópicas incluem ablação térmica com balão, crioablação, ablação térmica com fluido livre, impedimento da ablação por radiofrequência bipolar e ablação por micro-ondas. Os últimos métodos são bem adaptados para terapia ambulatorial sob anestesia local. O DIU-LNG reduz acentuadamente a perda de sangue menstrual e pode ser uma boa alternativa para outras terapias. Uma revisão de risco de risco concluiu que o DIU-LNG é igualmente eficaz como procedimentos cirúrgicos na melhoria da qualidade de vida e é consistentemente uma opção econômica em vários países e contextos.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Tempo de tela associado a problemas em pré-escolares

Tempo de tela associado a problemas em pré-escolares

Um estudo da Canadian Healthy Infant Longitudinal Development (CHILD), publicado em 17 de abril de 2019, mostrou que a exposição à telas de 2 horas ou mais por dia acarreta em alterações comportamentais e relevantes alterações clínicas no desenvolvimento dessas crianças.

“Descobrimos que o tempo de tela teve um impacto significativo no comportamento aos cinco anos de idade”, comenta Dr. Piush Mandhane (Universidade de Alberta), que liderou o estudo. “As atuais diretrizes canadenses não exigem mais de duas horas de tempo na tela por dia nessa idade. Nossa pesquisa sugere que menos tempo na tela é ainda melhor”.

O estudo de Coorte analisou mais de 2400 famílias, avaliando o tempo médio de exposição das crianças a telas. Comparando pacientes que tiveram um tempo de tela inferior a 30min/dia, aqueles que tiveram um tempo de exposição maior que 2h manifestaram 5 vezes mais chances de desenvolver alterações comportamentais como desatenção, além de terem 7 vezes mais critérios para TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

“As duas grandes conclusões deste estudo são que crianças expostas a mais tempo de tela, com três ou cinco anos de idade, apresentaram problemas comportamentais e de atenção significativamente maiores aos cinco anos e que a associação entre tempo de tela e problemas comportamentais foi maior do que qualquer outra. Outro fator de risco que avaliamos, incluindo sono, estresse parental e fatores socioeconômicos”, comenta o primeiro autor do estudo, Dr. Sukhpreet Tamana, estagiário da AllerGen na Universidade de Alberta.

 

Fonte: https://childstudy.ca/2019/04/17/screen-time-associated-with-behavioural-problems-in-preschoolers/

Artigo: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0213995

Anestesiologia

Lisleane (Universidade Federal dop Recôncavo da Bahia)
Olá Dr, gostaria de saber sobre a carreira de anestesiologista quanto a rotina, mercado, qualidade de vida e aspectos financeiros em comparação com Cirurgia. Obrigada!

Resposta :

A anestesiologia é uma boa especialidade em termos de remuneração e mesmo inserção no mercado de trabalho, porém, com certeza, perde em qualidade de vida.
É muito importante, na escolha da especialidade, se analisar 3 aspectos : a qualidade de vida que se vai ter, a remuneração e acima de tudo se o profissional vai se sentir confortável com o dia a dia da especialidade.
Muitos estudantes ao se formar analisam apenas a possibilidade de remuneração na especialidade escolhida, e depois se arrependem porque não se adaptam ao cotidiano da especialidade e à qualidade de vida que vai ter.
Isso tem levado muitos recém formandos a optar pela anestesiologia, o que a longo prazo pode interferir no mercado de trabalho para essa especialidade.
Em relação à inserção no mercado de trabalho, não deveria se preocupar porque durante a própria residência seu staff vai te ajudando nisso.
Como todo inicio em qualquer especialidade, pode ser um pouco difícil a colocação dentro de uma equipe de anestesia e vc estará no final da lista do grupo, ralando mais do que os demais membros do grupo e tendo que participar das cirurgias mais chatas e de menor remuneração . Porém com o tempo vc irá se fortalecendo dentro do grupo e subindo na hierarquia, até conseguir priorizar as cirurgias eletivas.
Evidente que fazer um bom network ajudará bastante, principalmente com seus colegas de turma que optarem pelas especialidades cirúrgicas.

Os grupos de anestesistas, uma tendência,  representam uma maneira de se ter uma melhor qualidade de vida na especialidade e ao mesmo tempo se poder atender a um número maior de cirurgiões. Ë bastante útil e durante a residência mesmo vc já vai ter oportunidade de entrar em algum grupo desses.

Existem várias maneiras de se repartir o dinheiro em grupos de anestesia. Alguns funcionam como caixa única e no final do mês se divide o arrecadado de acordo com a produtividade de cada um. Porém a maioria dos grupos funciona com cada anestesista recebendo o valor integral da própria cirurgia que houver feito.

Como em qualquer especialidade, a remuneração vai depender de uma série de fatores, como tempo de formado, cidade onde se está, rede de contatos do profissional, marketing que utilizar para alavancar a carreira…

Sucesso

Mário Novais

Sua prescrição está preparada para a medicina baseada em performance?

Sua prescrição está preparada para a medicina baseada em performance?

Por que neste jogo insistimos em deixar o paciente no banco de reservas?

Quem não vibraria com as histórias de um time liderado pelo Coach Carter que, com disciplina e regras duras, conseguiu colocar em forma um time de basquete? Quem não ficaria extremamente comprometido ao receber um pedido de Nelson Mandela, uma das maiores personalidades da história, para ganhar um campeonato de Rúgbi em nome de um país saindo do Apartheid?

Ambos os exemplos relatam casos de desempenhos de destaque. Para criar semelhante compromisso e um certo grau de satisfação final, a Saúde também vem olhando com muita paixão a remuneração baseada em performance. Mas um personagem importante neste jogo tem ficado no banco de reservas – o paciente. É com ele que o médico entrará em campo em buscas de bons resultados.

Durante os estágios de internato aprendemos, de maneira informal, que um grupo de “pacientes tigres” não seguiam nossas recomendações e acabavam complicando doenças que teriam chances de ter seu avanço retardado caso tivessem seguido sua exemplar científica prescrição. Agora fica aqui uma grande e desconfortável provocação: você realmente fez o tratamento de melhor performance para aquele enfermo, diante de suas condições sócio-culturais?

O destino do paciente provavelmente demonstrou que não, mas deixamos passar despercebido, pois foi imputado a ele a culpa, ou a farmácia popular que não tinha o último remédio, ou simplesmente porque ele não quis abandonar um estilo de vida para prevenir aquelas complicações que você tanto quis colocar medo. Não adianta espernearmos, numa medicina que irá calcular o risco de tudo, essa responsabilidade será colocada na nossa conta.

Não é para menos. Vocês já experimentaram os remédios feitos para pediatria? Eu experimentei cada medicamento recebido de amostra, e anotava no livro minha impressão sobre o gosto. Aqueles de pior sabor eu procurava eliminar da lista de indicações, pois sabia que a criançada não iria tomar e o tempo de todos teria sido em vão.

O que eu não sabia naquele momento, mas aprendi anos mais tarde nas minhas aulas de design, é o que os experts chamam de EMPATIA. Empatia nada mais é do que se colocar na pele do outro lado da mesa e tentar entender e sentir quais serão suas respostas frente às condutas tomadas por nós.

Agora vem a ducha de água fria: sua prescrição é empática? Normalmente este momento é um monólogo, sem alternativas, no qual o médico dita regras e o paciente apenas assinala com a cabeça e já com o pensamento: “não vai dar para cumprir esse acordo, vou procurar outro…”

Aqui vou citar algumas coisas que devem constar no seu check-list para uma prescrição empática:

  • CUSTO: houve um abandono da anamnese para saber a informação do ganho salarial mensal da família antes de prescrever remédios. Normalmente, se passar de 5% do total mensal do salário, pelo menos alguma coisa da prescrição deixará de ser feita. E, em caso de tratamentos caros, como cirurgias de alta complexidade, converse muito com todos os envolvidos, pois isso poderá ocasionar problemas financeiros que afetem a família inteira. Pense nisso!
  • POSOLOGIA: doentes crônicos tendem a não curtir a obrigação de tomar remédios várias vezes durante o dia. Alguns aplicativos, como o Dr. Cuco, podem ajudar nisso, mas, é bom lembrar que nem todos os pacientes que estão conectados.
  • ESTILO DE VIDA: normalmente prescrições que alteram muito o estilo de vida de uma pessoa, como anticoagulantes orais, acabam apresentando uma péssima receptividade aos pacientes que querem manter os mesmos hábitos de vida. Que tal buscar outras alternativas para esses casos?
  • PRECONCEITO: posso até parecer engraçado, mas há medicações, como antidepressivos e ansiolíticos, que recebem grande preconceito. São os chamados “remédio de loucos”. Diante de uma situação dessas, por que não tentar, aos poucos, desmistificar o preconceito?
  • OPÇÕES: Quando o paciente participa da decisão, ele fica mais receptivo a segui-la, pois participou da elaboração e, pela natureza humana, tenderá a concordar com o que está definido. Esse sentimento é uma estratégia poderosa para que pacientes sigam o combinado. Este é um bom momento para lembra que tratamentos com mesma resposta não significam que o mais novo é ruim e não deve ser colocado como carta na manga, mas, sim, que pode ser um novo Ás na sua mão. Use-o quando necessário!
  • PROFISSÃO: Você já pensou em ter que mudar de especialidade por um acontecimento inesperado em sua carreira? 2 ou 3 anos de novos estudos a um salário absurdamente baixo… Você iria gostar  disso? Artistas, atletas, motoristas de guindastes, ou qualquer outros profissional também não iria gostar. Pense muito e busque alternativas antes de prescrever algo que pode modificar a carreira de alguém!

O importante é buscar mudanças para desengessar a prescrição tão bombardeada nos congressos, se preparar para a medicina individual que está para chegar e começar a humanizar seus tratamentos para atingir a melhor performance disponível ao paciente. Como o exemplo dos treinadores vitoriosos do início deste texto, com dedicação, comprometimento e empatia, é possível vencer difíceis obstáculos.

Fonte:

https://academiamedica.com.br/blog/sua-prescricao-esta-preparada-para-a-medicina-baseada-em-performance

A busca pela excelência

A busca pela excelência

V – Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.

Há um princípio (aprimorar-se) prescrito por meio de uma atitude (melhor uso do progresso científico) em prol de uma causa (benefício do paciente).

A atualização constante é obrigação do profissional, cabendo a ele comprovar sua constante busca por conhecimentos caso seja questionado.[1] O Conselho Federal de Medicina alerta que:

O artigo 5º do CEM configura um dever do médico, qual seja aprimorar seus conhecimentos em benefício do paciente; exorta-o a estudar e instruir-se para servir melhor ao beneficiário. Configura um dever e constitui uma recomendação ao profissional para que busque renovar e aprimorar técnicas ou conhecimentos, quer seja mediante curso, congresso, simpósio ou leitura de livros e periódicos.[2]

Deixar de atualizar-se é negligência, que pode levar ao erro por imperícia.[3]

A caracterização desse erro necessita, além da demonstração do dano e do nexo causal, a demonstração de que uma conduta contrária às regras vigentes adotadas pela prudência e pelos cuidados habituais foi realizada, assim como é necessário demonstrar que o dano causado seria evitado caso outro profissional atuasse nas mesmas condições e circunstâncias.[4]

Há meios oficiais de comprovação da atualização, como o credenciamento de pontos a serem acreditados pelas associações de especialidades junto ao Conselho Federal de Medicina e à Associação Médica Brasileira. Outros modelos consistiriam, por exemplo, em provas periódicas.

A importância de adquirir uma boa formação com sólidas bases de conhecimento para prosseguir avançando ao longo da vida é uma antiga lição.

II. Aqueles treinados na arte médica por longo tempo têm seus meios à disposição, e descobriram tanto um princípio quanto um método, por meio dos quais as descobertas feitas ao longo de muito tempo são muitas e excelentes. E novas descobertas serão feitas se o inquiridor for competente, se conduzir suas pesquisas sobre o conhecimento já adquirido, tomando-os como ponto de partida. Mas qualquer um que deseja inquirir de forma alternativa ou seguindo outra orientação, deixando de lado e rejeitando tais meios, e afirma que encontrou algo, é e foi vítima do engano. Sua afirmação é impossível; e as causas dessa impossibilidade eu me esforçarei para expor por uma declaração e exposição do que a Arte é.[5]

O médico escuta desde novo que medicina não é e nem será fácil. É necessária uma boa inclinação à vida intelectual.

XVI. Considero uma importante parte da medicina a capacidade de estudar corretamente o que foi escrito. Penso que aquele que aprendeu e usa tais habilidades não cometerá grandes erros ao exercer a arte. Aprender de forma precisa cada compleição das estações assim como a doença, qual o elemento comum na compleição ou na doença que é bom, qual elemento é mau, qual doença é crônica e fatal, qual é crônica e pode terminar em remissão, qual doença aguda é fatal e qual acaba em remissão são coisas necessárias. Com esse conhecimento é fácil examinar o padrão nos momentos críticos e, deles, prognosticar. Quem tem conhecimento disso tudo pode saber quem deve ser tratado, assim como o tempo e o método para o tratamento.[6]

Muitas vezes algum médico poderá ficar tentado a delegar sua responsabilidade – elemento intransferível de seus atos – com a desculpa de que alguma situação é muito complexa e que o seu estudo não foi adequado. Tal desculpa não é uma possibilidade, e não cabe ao paciente arcar com a consequência da falta de estudos de determinado médico. O paciente, muito justamente, espera o que há de melhor, incluindo um médico bom, preocupado, atualizado, inteligente e habilidoso

Texto na íntegra:

https://academiamedica.com.br/blog/a-busca-pela-excelencia

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Esketamina pode dar esperança aos pacientes adultos que resistem aos remédios disponíveis, como o Prozac; médico ressalta que tratamento deve ser administrado em um centro de saúde

WASHINGTON – As autoridades dos Estados Unidos aprovaram o lançamento no mercado de um remédio apresentado como uma revolução no tratamento da depressão, uma doença minimizada por muitos, mas devastadora para os que são diagnosticados com o ela.

A agência americana de medicamentos (FDA, na sigla em inglês) seguiu as recomendações de especialistas e aprovou a esketamina em forma de spray nasal, que será comercializada com o nome de Spravato pela Janssen, a unidade farmacêutica da Johnson & Johnson’s.

A esketamina pode dar uma nova esperança aos pacientes adultos que resistem atualmente aos remédios disponíveis, como o Prozac. O novo fármaco, pensado para pessoas que já testaram outros medicamentos, é apresentado como uma revolução no combate à depressão.

Pierre de Maricourt, médico do hospital Sainte-Anne de Paris, que participou de dois testes clínicos de fase 3 do medicamento, financiados pela Janssen, elogiou a aprovação do remédio. Ele destacou a “significativa efetividade e a velocidade de ação da esketamina em poucos dias, quando leva de seis a oito semanas para um antidepressivo convencional”.

“Nosso programa de pesquisa sobre a esketamina em forma de spray nasal demonstra uma relação de risco-benefício positiva para os adultos que sofrem uma depressão resistente aos tratamentos atuais”, disse Husseini K. Manji, diretora de terapias de neurociências na Janssen. O laboratório afirma que a molécula permite combater os pensamentos suicidas.

Maricourt ressaltou que o tratamento deve ser administrado em um centro de saúde para monitorar o paciente. Além disso, a FDA restringiu a distribuição do remédio, com uso sob vigilância médica, em razão do “potencial de abuso” do medicamento.

Kim Witczak, que representa os consumidores no painel da FDA e denuncia os efeitos colaterais dos antidepressivos desde a morte de seu marido, votou contra a autorização de venda por considerar que os testes podem ser insuficientes.

A esketamina está relacionada à ketamina, que é usada como um anestésico em humanos e animais, mas que também é um narcótico.

De acordo com aOrganização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, uma doença que limita a capacidade de uma vida cotidiana normal, mas que tem sua gravidade frequentemente subestimada ou confundida com uma depressão passageira. Os casos mais graves podem levar ao suicídio/ AFP

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,autoridades-americanas-aprovam-novo-antidepressivo-em-forma-de-spray-nasal,70002744934

“É difícil recuperar os neurônios da memória; é melhor evitar que eles morram”

“É difícil recuperar os neurônios da memória; é melhor evitar que eles morram”

Cientista norueguesa foi uma das descobridoras do ‘GPS’ com o qual nosso cérebro se orienta

 

Meu GPS cerebral está em apuros hoje”, ri a cientista norueguesa May-Britt Moser (Fosnavåg, 1963), comentando a jornada cheia de encontros e deslocamentos que a Fundação AstraZeneca organizou para ela em Madri – e na qual se inclui esta entrevista. A referência aos sistemas de navegação e localização é uma piada autorreferente: Moser, Edvard Moser (seu então marido) e o norte-americano John O’Keefe partilharam em 2014 o prêmio Nobel de Medicina por seus trabalhos com as células cerebrais que servem para a nossa orientação.

Os trabalhos premiados são de 12 anos atrás, mas a pesquisadora continua atuando no mesmo campo. Com um acréscimo: “Encontramos, em uma área irmã do cérebro, as células que determinam como se percebe o tempo, por que às vezes ele passa voando, e às vezes parece eterno”, explica.

Ela salienta que seu laboratório se dedica à ciência básica, a qual, se tudo correr bem, acabará chegando a um uso clínico. Mas, embora esse não seja seu objetivo primordial, não se furta a especular sobre a utilidade de suas descobertas. “Estudamos uma área muito importante para a navegação espacial do hipocampo”, a zona do cérebro onde ela encontrou os neurônios relacionados com a localização e o tempo. É uma região “fundamental no ser humano, e, quando estas células morrem, perdem-se funções”.

A médica não acredita que aspectos tão básicos para o indivíduo possam ser facilmente recuperados. A realidade nos hospitais de meio mundo confirma isso. Quando uma pessoa tem Alzheimer, por exemplo, não há, ao menos por enquanto, uma maneira de que volte a recordar o que esqueceu. Por isso “é difícil recuperar os neurônios da memória; é melhor evitar que morram”, afirma. Não acredita que a plasticidade do cérebro, sua capacidade de substituir um circuito perdido por outro, seja de grande utilidade quando funções tão básicas se deterioram. “Se não soubermos por que morrem, não podemos agir”, conclui.

Apesar do cansaço, Moser comenta sua visita com entusiasmo, especialmente os diversos encontros com jovens. “Minha mensagem é que é preciso trabalhar para explicar como o cérebro elabora as lembranças episódicas [de um fato concreto]. Por que, como e quando essas memórias são recuperadas.” Embora às vezes receba comentários muito desconcertantes nesses encontros. “Como esses jovens que chegaram até mim esta manhã e me disseram: ‘Puxa, então você é um ser humano’”, conta, rindo. Mas acha isso bom. “Se me virem como um ser humano, sabem que eles também podem chegar a fazer o que amam.”

No caso dessa cientista (as mulheres são apenas 5% dos ganhadores do Nobel), o prêmio não mudou muito a sua vida. Houve ofertas – “e pressões”, admite – para que deixasse o laboratório de Trondheim, no meio da Noruega, onde trabalha. Também a solicitam muito para que vá a eventos – “mas nunca faço algo que não queira”. “Certamente me chamam mais que ao meu ex-marido, talvez porque eu seja mulher”, diz, “e isso que ele é mais amável”.

Texto na íntegra:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/26/internacional/1537983930_127674.html