Guilherme França – Widoctor

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Mundo tem maior incidência de sarampo em 13 anos

Mundo tem maior incidência de sarampo em 13 anos

No primeiro semestre de 2019 foram registrados mais casos de sarampo que em qualquer ano desde 2006, segundo dados provisórios publicados nesta segunda-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em novembro, o organismo já advertira sobre o avanço histórico do sarampo por causa da redução da cobertura vacinal, e nesta segunda-feira reafirma que a prevalência da doença, ascendente há três anos, é “preocupante e continuada”. Desde janeiro, 182 países notificaram 364.808 casos de sarampo, quase três vezes os contabilizados no mesmo período do ano passado. Além disso, a OMS salienta que este número é uma subestimação; calcula-se que reflita apenas 10% dos casos reais.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Brasil registra atualmente o segundo maior número de casos de sarampo das Américas, região que confirmou 2.927 casos neste ano (até o dia 7 de agosto). A doença foi identificada em 14 países da região no primeiro semestre. O maior número de episódios da infecção foi registrado nos Estados Unidos (1.172), seguido pelo Brasil (1.045) e Venezuela (417).

“Estas cifras são um toque de atenção muito poderoso”, adverte o epidemiologista Antoni Trilla, do Hospital Clínic de Barcelona. “A saúde do mundo está em risco sempre que em alguma parte do planeta existir a possibilidade de epidemia ou de manutenção do vírus”, acrescenta. Embora o sarampo fosse considerado erradicado em todo o continente americano e em grande parte da Europa, atualmente há surtos registrados em todas as regiões da OMS.

O sarampo é uma doença viral transmitida facilmente pelo ar ou por contato pessoal. Passado um período de incubação de até 12 dias — durante o qual já é contagioso —, o vírus produz febre alta e erupções cutâneas. Além disso, pode derivar em complicações sérias, como pneumonia, cegueira ou encefalite, uma inflamação cerebral que às vezes deixa sequelas muito graves, inclusive a morte. Em 2017, último ano para o qual há cifras, ocorreram 110.000 falecimentos no mundo, principalmente de crianças com menos de cinco anos.

O aumento mais drástico de casos se deu na África, onde o número de pacientes se multiplicou por 10 desde o ano passado. A situação também piorou muito rapidamente na região europeia da OMS (que inclui países não membros da UE, como Israel, Ucrânia e Rússia): já foram registrados quase 90.000 casos neste ano, mais que aqueles contabilizados ao longo de todo 2018 (84.462). Os países mais afetados são a República Democrática do Congo, Ucrânia e Madagascar, assolados por epidemias há meses.

Existe uma vacina segura e eficaz para prevenir a transmissão do sarampo, mas estima-se que 95% da população teria que ser inoculada para que se alcançasse a imunidade coletiva, evitando novos surtos. Estima-se que 20 milhões de crianças de todo o mundo — mais de 10% dos menores — não recebam a vacina correspondente a cada ano, segundo dados publicados pelo Unicef. Por isso, o sarampo ainda é uma importante causa de morte em nível global, sobretudo entre as crianças menores.

“Aumentou a desigualdade e a falta de acesso à vacina nos países em desenvolvimento”, diz Amos García-Rojas, presidente da Associação Espanhola da Estudos da Vacinas. Ele atribui o avanço do sarampo, sobretudo, à pobreza e à guerra: “Na Ucrânia, por exemplo, a situação de conflito bélico desconfigurou totalmente a política imunológica do país”. Inclusive em Estados ricos, os especialistas observam que pode haver setores desfavorecidos da população, como as famílias nômades, que são mais suscetíveis a adoecer por sua exclusão do sistema sanitário. Em vários países, o sarampo também avança agora entre adolescentes e adultos jovens que pularam as vacinas na infância.

O movimento antivacinas — pais e pacientes que rejeitam a profilaxia por causa de crenças anticientíficas — é um problema menor em nível global, segundo todos os epidemiologistas. Só causam alguma preocupação em alguns países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Itália e França. “Um problema das vacinas é seu próprio sucesso: já não vemos as doenças contra as quais nos vacinamos”, raciocina García-Rojas. “Isto nos leva a baixar a guarda.” O Estado de Nova York, que recentemente sofreu alguns de seus piores surtos de sarampo em comunidades de judeus ortodoxos, agora proíbe que se recuse a imunização por motivos religiosos. Segundo a OMS, os Estados Unidos sofreram neste semestre a maior incidência de sarampo em 25 anos.

O Plano de Ação Mundial sobre Vacinas (GVAP, na sigla em inglês) tem como objetivo eliminar o sarampo em cinco das seis regiões da OMS até 2020. Os especialistas Trilla e García-Rojas confirmam que, efetivamente, a doença cumpre os requisitos para a erradicação: não é capaz de sobreviver fora do corpo humano, existe vacina eficaz e é facilmente diagnosticada. Mas “claramente” não será eliminada no ano que vem, lamentam.

Texto retirado de:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/12/internacional/1565632624_852248.html

Lições de carreira das 6 pessoas mais admiradas do mundo em 2019 segundo ranking

Lições de carreira das 6 pessoas mais admiradas do mundo em 2019 segundo ranking

A empresa de pesquisa de mercado YouGov divulga anualmente uma lista com as personalidades mais renomadas do ano e o Na Prática separou lições de carreiras inspiradoras do top 10

No fim de julho, a organização internacional de pesquisa de mercado YouGov divulgou seu ranking anual com as personalidades mais admiradas do mundo. Para chegar ao resultado, 42 mil pessoas de 41 países foram entrevistadas com o questionamento: “Levando em consideração pessoas vivas, qual homem ou mulher você mais admira?”.

O resultado foi o primeiro lugar para a ex-primeira dama norte-americana Michelle Obama, entre as mulheres. Em seguida, respectivamente, aparecem a apresentadora Oprah Winfrey, a atriz e ativista Angelina Jolie, a rainha britânica Elizabeth II e a atriz e ativista Emma Watson.

No ranking masculino, o fundador da Microsoft Bill Gates aparece em primeiro, posição que ocupa desde da primeira edição da pesquisa. Na segunda colocação, aparece o ex-presidente norte-americano Barack Obama, seguido do ator chinês Jackie Chan. Em quarto e quinto lugar, respectivamente, estão o presidente da China Xí Jìnpíng e o empresário e filantropo chinês Jack Ma.

Levando em consideração apenas os votos dos brasileiros, as personalidades mais admiradas mudam um pouco. Entre os homens, estão Barack Obama, Silvio Santos, Sergio Moro, Dalai Lama e Bill Gates. Já entre as mulheres, a admiração vai para Michelle Obama, Angelina Jolie, Fernanda Montenegro, Malala Yousafzai e Ivete Sangalo.

Mas o quê fez com que essas dez pessoas fossem consideradas as mais admiradas do mundo? Uma característica que todos têm em comum é o fato de serem líderes em suas áreas de atuação. Como pessoas de destaque, cada um tem importantes lições de carreira que podem inspirar quem quer se destacar no mercado. Por isso, o Na Prática separou superações e inspirações da trajetória dos seis primeiros colocados. Confira:

O que as 6 pessoas mais admiradas do mundo têm a ensinar sobre carreira

Michelle Obama

Durante a campanha eleitoral de Donald Trump à presidência, em 2016, Michelle Obama fez um discurso criticando o que definiu como “a forma odiosa e repressora” que o candidato falava sobre mulheres.

“Estou aqui, na campanha eleitoral, ouvindo mensagens de ódio sobre mulheres. Isso traz um sentimento de medo e violação que mulheres demais já sentiram quando alguém as agarrou ou assediou. Achávamos que era coisa do passado, mas aqui estamos nós mais uma vez ouvindo o mesmo discurso. E nós mulheres estamos fazendo o que sempre fizemos: tentando sobreviver e fingir que não nos incomoda. Mas quero deixar claro que isso não é normal. Não importa qual seja seu partido, nenhuma mulher merece ser tratada desse jeito. Homens fortes não precisam diminuir mulheres para se sentir poderosos. Se deixarmos Trump vencer, estamos passando a mensagem que esse tipo de comportamento é aceitável. Mas podemos dizer que basta e que esse tipo de atitude não será tolerada. Podemos mostrar às nossas crianças que rejeitamos o medo e o ódio”, discursou. 

A fala de Michelle mostra bem que ela jamais deixou de defender os valores que acreditava e nem teve medo de repreender quem tomava atitudes contrárias ao que ela julgava correto. Contudo, a ex-primeira dama nunca atacou verbalmente a quem se opunha, mas defendia seu ponto de vista de forma não violenta.

Bill Gates

“Sucesso é um péssimo professor. Ele seduz pessoas inteligentes a pensarem que eles não podem perder”, defende o bilionário Bill Gates. E apesar de ser considerado um homem bem-sucedido, Gates já cometeu diversos erros durante sua carreira. Antes de criar a Microsoft, ele investiu em uma empresa fornecedora de dados sobre rodovias a engenheiros de trânsito de municípios. Contudo, o projeto tinha um péssimo modelo de negócios e gerou um prejuízo de US$ 3,4 mil aos sócios.

Durante sua presidência na Microsoft, ele também admitiu ser o culpado pela empresa não se tornar uma potência no setor de smartphones, por uma “falha de administração” de sua parte, o que possivelmente gerou uma perda de US$ 50 milhões à companhia. Contudo, Gates sempre foi capaz de aprender com suas falhas e até virou defensor com a célebre frase: “É bom comemorar o sucesso, mas é mais importante prestar atenção às lições do fracasso”.

Oprah Winfrey

Empresária de sucesso com patrimônio líquido de US$ 3 bilhões, Oprah Winfrey não teve uma vida fácil. Durante a infância pobre, foi abusada sexualmente pelo tio e primos, chegando a fugir de casa aos 13 anos. Aos 14, engravidou mas perdeu o bebê logo após o parto. Depois do trauma, ela deixou a atitude de adolescente problemática (como a própria define) e começou a focar nos estudos. Seu bom rendimento a rendeu uma bolsa de estudos na faculdade, onde cursou comunicação. Depois de se formar criou o talk show The Oprah Winfrey Show que viria a ser um sucesso de audiência e ficar 25 anos no ar.

Somente aos 34 anos, a apresentadora viria a falar sobre o abuso que sofreu na infância durante entrevista. A atitude inspirou outras mulheres a se abrirem e seu programa começou a trabalhar o assunto, com segmentos em que vitimas contavam suas histórias. Oprah demonstrou como não se deixar afetar pelas coisas ruins do passado, transformá-las em algo positivo e como é possível ajudar pessoas que passaram pela mesma situação.

Barack Obama

Chegar a presidência dos Estados Unidos já é um grande feito. Como homem negro, Barack Obama abriu um precedente inexistente no governo norte-americano. Como líder, ele mostrou o poder da comunicação para conquistar a simpatia do público em discursos e declarações assertivos, claros e alinhados com seus valores. Seu poder de oratória é reconhecido mundialmente e inspira grandes líderes.

Tanto na entrada como na saída do governo, Obama inspirou com suas palavras e poder de empatia. Ao assumir a presidência, proferiu a frase “Yes, We Can” (Sim, nós podemos) que se mostrou um símbolo de que as minorias poderiam ter mais voz em sua administração, dirigindo a população a um ideal comum. Ao deixar a posição, continuou com o discurso otimista, que inspirou milhões de seguidores, mantendo-se alinhado aos valores defendidos no começo da carreira como presidente com o “Yes, We Can”.

Angelina Jolie

Ativista humanitária, Angelina Jolie é ótimo exemplo de como usar a popularidade e visibilidade para apoiar causas de impacto social e projetar uma imagem positiva. Durante sua vida, fez diversas missões à zonas de conflito e doações para causas diversas. Sua filantropia a ajudou a reverter a imagem de criança rebelde e com gostos particulares que tinha diante o público. Sua atuação em agências internacionais a ajudou a se tornar uma das personalidades mais influentes do mundo, chegando a ser eleita a celebridade mais poderosa do mundo pela Forbes em 2009.

“Não podemos nos fechar à informação e ignorar o fato de que milhões de pessoas estão sofrendo por aí. Eu honestamente quero ajudar. Eu não acredito que eu sinto diferentemente de outras pessoas. Eu acho que todos nós queremos justiça e igualdade, uma chance para uma vida com significado. Todos nós gostaríamos de acreditar que se estivéssemos em uma situação ruim, alguém nos ajudaria”, discursou quando se tornou embaixadora da agência da ONU para refugiados, em 2001, após testemunhar os efeitos da crise humanitária enquanto gravava o filme Lara Croft. Esse foi o começo de sua vida filantrópica.

Jackie Chan

Um dos maiores astros de filmes de ação e luta, Jackie Chan passou por uma infância conturbada. Sua família era extremamente pobre e tentou vendê-lo a um casal britânico ainda bebê. Quando ainda era pequeno, seus pais fugiram para a Austrália, em busca de melhores condições de vida. Órfão, ele foi viver em um rigoroso internato onde aprendeu arte marciais e acrobacias e começou a se destacar. Aos oito anos, conseguiu um papel em um filme ao lado de Bruce Lee e começou a crescer no cinema, até se tornar um sucesso mundial.

Se não fossem as adversidades na vida do ator, talvez ele não teria descoberto seu talento em lutas e não teria tido a chance de participar de um filme e posteriormente se tornar um astro do cinema. Assim como Oprah, Jackie Chan ressignificou os traumas da infância e conseguiu construir um carreira de sucesso a partir de sua resiliência.

Texto retirado de:

https://www.napratica.org.br/carreira-pessoas-mais-admiradas-do-mundo/

Como dar más notícias

Como dar más notícias

Quando você entra na faculdade de medicina uma das primeiras coisas que as pessoas perguntam é: “Você já teve aula de anatomia?” ou então, “Já viu alguma cirurgia?“.

A  cada fase do curso aparece alguma dificuldade diferente. E somos sempre confrontados a nos desafiar. O desafio de lidar com a morte por exemplo, vai ser um exercício frequente e rotineiro tanto na vida acadêmica quanto no futuro, como médicos. E não apenas a morte, mas também, o desafio de lidar com pacientes com doenças de prognóstico muito ruim, como doenças crônicas, incuráveis, degenerativas, ou incapacitantes.

Você já pensou em como dar uma má notícia?

Como dizer, por exemplo, a um paciente que ele tem um câncer terminal?

Ou mesmo, como comunicar a morte de um  ente querido aos familiares?

No caso de uma doença com prognóstico muito ruim, por exemplo, ou mesmo um câncer, que já tem todo um estigma por detrás da doença, a forma como o médico dá a notícia ao paciente e à família  é quase que decisiva na forma como o paciente vai encarar a doença depois, ou seja, na forma como ele vai lidar com o tratamento, etc. Por isso é tão importante o cuidado na hora de comunicar, sendo acima de tudo: humano.

Talvez você possa se perguntar: será que é possível aprender como dar más notícias?

Geralmente, durante a faculdade nós temos algumas aulas sobre isso. Mas, na verdade, algumas coisas nós só aprendemos mesmo na prática, na vivência.  Por mais que alguém te fale, ou ensine algumas técnicas, quando você se depara com uma situação difícil, parece que as palavras “somem”, e a mente fica em branco.

Provavelmente muitos de nós vamos nos deparar pela primeira vez com situações como essa quando estivermos no internato ou na residência. E então, o que fazer?

Nesse texto: Learning to Break Bad News a médica Kendra Campbell conta como foi a primeira vez, ainda como interna, quando ela teve que dizer a um paciente sobre o diagnóstico de câncer pancreático avançado – uma doença com um prognóstico e uma taxa de sobrevivência extremamente ruins:

Meu primeiro pensamento foi: ‘Alguém vai ter que dizer ao paciente que ele tem câncer no pâncreas.’ Esse pensamento foi imediatamente seguido por ‘essa pessoa sou eu!’ Eu era, na verdade, a médica do paciente. Sim, meu residente e assistente estavam lá para me apoiar, mas eu era a única responsável pelos cuidados básicos, e era a minha função fornecer-lhe informações sobre o seu diagnóstico.

Ocorreu-me que, antes de entrar na sala do meu paciente, eu precisava revisar meu conhecimento sobre câncer no pâncreas. Sim, eu sabia um pouco da faculdade de medicina, mas eu estava com medo de que ele pudesse me fazer uma pergunta que eu não soubesse a resposta, então eu fui na internet e refresquei meu conhecimento de base.

Enquanto eu entrei em seu quarto, algumas das orientações que eu tinha aprendido na escola de medicina flutuaram em torno da minha cabeça. No entanto, a maioria dessas informações voou para fora da minha mente e foi substituída por apreensão sobre o que eu estava prestes a fazer. Eu, em última análise, segui muitas das estratégias que eu tinha aprendido: me certifiquei que a cortina estava puxada, para a privacidade, por exemplo, e perguntei ao paciente o que ele tinha entendido até agora sobre sua condição.

E então, eu disse isso em palavras simples: ‘Você tem câncer no pâncreas.’ Ele recebeu a notícia melhor do que eu tinha imaginado. Discutimos o prognóstico e várias opções de tratamento. A certa altura, as lágrimas brotaram em seus olhos, e eu instintivamente dei-lhe um lenço de papel. Ele pediu que eu também compartilhasse a notícia com a família, por isso, acabei tendo também uma conversa com eles ao telefone. A experiência não foi tão horrível como eu tinha imaginado, mas definitivamente não foi uma tarefa fácil ou agradável.

É possível perceber no relato dela, alguns passos que fazem parte do protocolo criado pelo médico britânico-canadense e autor Robert Buckman. De acordo com Buckman, uma “má notícia” é definida como qualquer informação que “drasticamente e negativamente altera a visão do paciente sobre seu futuro”. Percebendo a importância dessa habilidade de comunicação para a prática médica, ele desenvolveu um protocolo de seis passos sobre como “dar más notícias”:

  • Getting started.
    O ambiente médico da conversa deve ter privacidade, com ambos, médico e paciente confortavelmente sentados. Você deve perguntar para o paciente quem mais deve estar presente, e deixar o paciente decidir. Pode ser útil começar com uma pergunta do tipo: “Como você está se sentindo agora?” para indicar ao paciente que essa conversa vai ser em “duas mãos”.
  • Finding out how much the patient knows.
    Fazer perguntas como: “O que já te falaram sobre sua doença?” para entender o que o paciente sabe sobre sua condição. E ainda saber o quanto o paciente entendeu sobre aquilo que lhe foi dito, o nível de linguagem técnica, e o estado emocional do paciente. Eles podem responder, por exemplo: “O médico me disse sobre uma mancha no meu peito no Raio-X”, ou se for um paciente com um maior conhecimento técnico: “Eu tenho um adenocarcinoma”, e sobre o estado emocional: “Eu estava tão preocupado com a possibilidade de ter um câncer, que eu não tenho dormido há uma semana”.
  • Finding out how much the patient wants to know.
    É útil perguntar ao paciente também o quanto ele quer saber, qual o nível de detalhes que você deve prover. Por exemplo, você pode dizer: “Alguns pacientes querem que eu diga tudo sobre a doença, todos os detalhes médicos, mas outros querem apenas uma visão geral, o que você prefere agora?”.
  • Sharing the information.
    Decida na consulta, antes de sentar com o paciente, o quanto você tem de informações relevantes à mão. Os tópicos a considerar no planejamento da consulta são: diagnóstico, tratamento, prognóstico, suporte/apoio ou enfrentamento, como lidar com isso. Embora, uma consulta apropriada nesse momento, terá geralmente como foco um ou dois tópicos. Para um paciente em um serviço médico cuja biópsia mostrou apenas o câncer de pulmão, o planejamento da consulta pode ser: a) informar o diagnóstico de câncer de pulmão; b) discutir o processo de preparação e formulação de opções de tratamento. Você pode dizer, por exemplo: “Os médicos especialistas, sobre câncer, irão vê-lo esta tarde para ver se outros testes seriam úteis, para delinear suas opções de tratamento”. Além disso, é importante dar as informações em pequenas partes, e não se esqueça de parar entre cada parte e perguntar ao paciente se ele está entendendo: “Eu vou parar por um minuto para ver se você tem perguntas”. No primeiro momento, o paciente não será capaz de assimilar muitas informações, é preciso algum tempo para digerir e processar o recebimento de uma notícia ruim, por isso, falas muito longas são esmagadoras e confusas, é preciso saber ouvir. Lembre-se também de traduzir os termos médicos, e não tente ensinar fisiopatologia.
  • Responding to the patient’s feelings.
    Se você não entende a reação do paciente, você deixará muita coisa inacabada, e irá perder a oportunidade de ser um médico atencioso. Aprender a identificar e reconhecer a reação dos pacientes é algo que definitivamente melhora com a experiência, se você for atento, cuidadoso. Ou, você pode simplesmente perguntar: “Você pode me dizer um pouco sobre o que você está sentindo?”.
  • Planning and follow-through.
    Neste ponto, você precisa sintetizar as preocupações do paciente e as questões médicas num plano  concreto que pode ser realizado no sistema de saúde do paciente. Esboce um plano passo-a-passo, explicando ao paciente, e dizendo também qual será o próximo passo. Seja explícito sobre o seu próximo contato com o paciente: “Eu vou vê-lo na clínica em 2 semanas”. Dê ao paciente um número de telefone ou uma maneira de entrar em contato com o médico que ficará responsável, se algo surge antes do próximo contato planejado.

Por fim, alguns médicos  afirmam que saber dar más notícias é uma habilidade inata, que não pode ser adquirida de outra forma. De fato, o bom senso, a empatia e a humanização, tão necessários nesses momentos, são características geralmente intrínsecas da personalidade de cada um. Mas, aprender como dar más notícias também pode  ser adquirido com o tempo. Médicos que são bons em conversar sobre diagnósticos/prognósticos difíceis com seus pacientes, geralmente relatam que essa é uma habilidade que teve de ser duramente trabalhada para ser aprendida.

Na verdade, essas dicas são apenas um roteiro, uma forma de orientar, sobre o que fazer e o que não fazer, e que podem ser aprendidos durante a faculdade. Mas na prática mesmo, o que acaba prevalecendo são a empatia, e a experiência que vai sendo adquirida com o tempo. 

Texto retirado de:

https://academiamedica.com.br/blog/como-dar-mas-noticias

Top 10 especialidades médicas no Brasil

Top 10 especialidades médicas no Brasil

O número de especialistas vem crescendo no Brasil. Do total de médicos em atividade no Brasil, 62,5% têm um ou mais títulos. Esses dados são da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Especialidades médicas no Brasil

No total, quatro especialidades médicas representam 38,4% de todos os títulos do Brasil. São elas: Clínica Médica (11,2% do total), Pediatria (10,3%), Cirurgia Geral (8,9%) e Ginecologia e Obstetrícia (8%). Genética Médica é a especialidade com menos títulos (0,1%); Radioterapia e Cirurgia de Mão também são menos procuradas (0,2% cada).

Veja abaixo o TOP 10 especialidades médicas no Brasil em 2018:

 

Residência médica: como escolher a minha especialização?

Ao término da faculdade, o médico encontra um desafio ainda maior: conseguir a tão sonhada vaga de residência médica. E esse longo caminho, que inclui estudar para as provas, começa com a escolha da especialização. Na maioria das universidades e hospitais, as especialidades médicas se dividem em três grandes áreas:

  1. As especialidades básicas e de acesso direto, como Clínica Médica e Medicina de Família;
  2. As clínicas, como Cardiologia e Endocrinologia, que exigem que o profissional tenha cursado uma especialidade básica previamente;
  3. As cirúrgicas, como Cirurgia Plástica Urologia, que também possuem pré-requisitos para o ingresso de novos residentes.

Algumas instituições, como a USP, também possuem uma quarta área, dedicada às especialidades pediátricas, como Medicina do Adolescente e Neonatologia.

Mais sobre a Demografia Médica 2018

O número de médicos no Brasil atingiu um patamar histórico em janeiro de 2018 com 452.801 médicos (razão de 2,18 médicos por 1.000 habitantes), um crescimento de 665,8% em menos de 50 anos. Apesar disso, a desigualdade na distribuição de profissionais pelas regiões do país e os problemas na assistência ao doente não sofreram redução.

Texto na íntegra:

https://pebmed.com.br/top-10-especialidades-medicas-no-brasil-demografia-medica-2018/

Avaliação anual dos cursos de Medicina deve envolver participação do CFM, decide CAS

Avaliação anual dos cursos de Medicina deve envolver participação do CFM, decide CAS

O Conselho Federal de Medicina (CFM) pode passar a participar da avaliação específica dos cursos de graduação em Medicina, instituída no âmbito do Programa Mais Médicos (Lei 12.871, de 2013). A inclusão da entidade nesse processo é defendida em substitutivo ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 312/2015, aprovado nesta quarta-feira (7), em turno suplementar, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Originalmente, o projeto pretendia inserir o CFM como supervisor dessa avaliação médica. Uma emenda na Comissão de Educação (CE) trocou a ideia de “supervisão” pela de “observador”, mas a CAS voltou atrás e aprovou um substitutivo determinando, sim, a participação do CFM. Além disso, a alteração previa que a avaliação específica fosse um exame anual regulado não só pelo Ministério da Educação, como também pelo da Saúde.

Se for aprovada pelos deputados da maneira como a proposta passou na CAS, a alteração no artigo 9º da lei que instituiu o Mais Médicos fica assim: “É instituída a avaliação específica para curso de graduação em Medicina, com instrumentos e métodos que avaliem conhecimentos, habilidades e atitudes, conforme ato dos ministros de Estado da Educação e da Saúde, aplicada com periodicidade anual e com a participação do Conselho Federal de Medicina”.

De acordo com o relator da matéria na CAS, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), é razoável que o CFM “inicie seu trabalho de promoção do bom desempenho dos médicos antes mesmo que eles ingressem no mercado de trabalho.

Emendas

Ao mesmo tempo em que promoveu ajustes no PLS 312/2015 via substitutivo, o relator rejeitou emenda aprovada pela Comissão de Educação (CE), que colocava o CFM como ” mero observador” dessa avaliação. Para ele, a função de observar já pode ser exercida por qualquer entidade ou cidadão brasileiro, em respeito ao princípio da publicidade da administração pública, sem necessidade de edição de lei específica.

Marcelo Castro também rejeitou emenda apresentada durante a discussão na CAS pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que determinava a implementação dos exames de medicina pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no âmbito do sistema federal de ensino. Conforme o relator, indicar órgão federal para implementar a avaliação representaria invasão de competência reservada ao Poder Executivo.

Fonte:

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/08/07/avaliacao-anual-dos-estudantes-de-medicina-deve-envolver-supervisao-do-cfm-decide-cas

Está tendo problemas para manter o foco? 2 técnicas de mindfulness para treinar a concentração

Está tendo problemas para manter o foco? 2 técnicas de mindfulness para treinar a concentração

A prática de mindfulness – ou atenção plena – pode ajudar a recuperar o foco quando a mente se distrai durante uma atividade. Especialista no tema explica técnicas que ajudam a treinar a concentração e ser mais produtivo.

Algumas atividades podem ser feitas no “modo automático”, mas, muitas outras, principalmente ligadas a estudo e trabalho, precisam de concentração. Se parece que está cada vez mais difícil se concentrar com toda a disponibilidade de distração que o mundo moderno traz, é porque é verdade.

Uma pesquisa recente mostrou que no ano de 2000 as pessoas se concentravam completamente por 12 segundos. Em 2015, esse tempo caiu para 8.25 segundos. Para comparação, o estudo constata que um peixe dourado se concentra por cerca de 9 segundos.

Não ajuda o fato de que, com mais acontecimentos demandando atenção ao mesmo tempo, é fácil cair na tentação do multitasking (realizar várias tarefas ao mesmo tempo). O aumento de produtividade que o multitasking traz é apenas aparente. Na realidade, as pessoas têm pouco poder de dividir a atenção, segundo o médico e pesquisador da área, Marcelo Demarzo.

Trabalhando no modo multitask, o que acontece é a “mudança rápida do foco de atenção”, diz ele. Para a eficiência, isso é ruim: “a mente tem um tempo de latência para estarmos completamente imersos em uma atividade. Quando é interrompido, demoramos até 10 vezes mais para focar novamente”, esclarece Marcelo. O multitasking, além disso, provoca mais cansaço, o que também pode afetar a produtividade.

Como mindfulness pode ajudar a concentração

Marcelo é especialista na prática mindfulness (atenção plena), coordenador do curso de especialização no tema da UNIFESP e fundador do Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde. Ele defende que a prática de atenção plena, que tem resultados comprovados em desempenho e bem-estar, pode aumentar a facilidade com que se concentra.

Os exercícios de mindfulness “treinam a consciência para, quando estamos desatentos, perceber e conseguir redirecionar a atenção”, conta o médico. A frequência do treino de atenção plena, que são tipos de meditação, provoca a neuroplasticidade – adaptação do cérebro – e faz com que voltar ao foco se torne uma habilidade.

De acordo com o especialista, quando se trata de diminuir a tendência pessoal à divagação, a prática do mindfulness pode provocar uma melhora. No entanto, Marcelo reitera que a capacidade de redirecionamento da atenção, que é estimulada ao treinar a concentração, é o mais importante. Isso porque as distrações sempre vão depender de várias circunstâncias, algumas delas externas – como o ambiente em que se está.

Exercícios para treinar a concentração

As formas mais simples de praticar a atenção plena de mindfulness são baseadas em criar um ponto de atenção – chamado de âncora. Para treinar a concentração, os exercícios devem ser feitos com regularidade, em ambientes silenciosos e posições confortáveis. Quando as distrações tiram o foco durante uma atividade, eles também podem ser feitos para reajustar a atenção.

  • 3 minutos (ou 3 passos) de mindfulness

De olhos fechados, levar a atenção para o corpo – pode ser para as sensações físicas ou até pensamentos e sentimentos. Em seguida, se concentrar em movimentos ou sensações da respiração. E, o terceiro passo, voltar a atenção para o corpo, incluindo as percepções do local.

  • Mindfulness da respiração

Também consiste em levar a atenção para o corpo – que serve como a âncora. Mas, nesse caso, deixar que a mente divague naturalmente. Então, ao perceber a distração, levá-la de volta para o corpo. O ideal é fazer isso quantas vezes forem necessárias durante o tempo em que pratica o exercício.

Novas recomendações para o uso de oxigênio em pacientes com doenças agudas

Novas recomendações para o uso de oxigênio em pacientes com doenças agudas

Aproximadamente 25% dos pacientes que dão entrada em um setor de emergência, independente da saturação periférica de O2, recebem oxigenioterapia suplementar. Existe uma crença de que todos os pacientes sofrendo de injúrias agudas, como infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC), se beneficiariam de oxigênio suplementar. Mas será que isso é real?

Em abril de 2018, uma revisão sistemática, publicada na revista “The Lancet“, concluiu que suplementar oxigênio em pacientes com oximetria normal aumentava a mortalidade hospitalar.  Os autores recomendam um uso conservador de oxigênio, porém não especificam qual quantidade e população de doentes que realmente se beneficiam da terapia.

Por essas e outras questões que, em outubro de 2018, o ”British Medical Journal” (BMJ) publicou um Guideline com recomendações específicas para o uso de oxigenioterapia em doentes agudos.

Os estudos são enfáticos em concluir que manter a SpO2 >= 96% em pacientes hospitalizados com oxigênio suplementar já não é mais recomendado. O uso de oxigênio em pacientes que em ar ambiente mantem SpO2 >= 96% estaria aumentando a mortalidade geral em 1%.

Em geral, níveis de SpO2 90-94% são seguros e não causam nenhum malefício para doentes com injúrias agudas.

Abaixo resumo as principais indicações e recomendações atuais para o uso de oxigenioterapia em pacientes com doenças agudas.

Recomendações gerais:

  1.  Adaptação e recuperação:o suporte de oxigênio deve sempre prezar a independência do paciente e permitir a fala, alimentação e mobilização. Exceto em condições de insuficiência respiratória onde cada caso é avaliado individualmente.
  2. Monitorização continua:o suporte de oxigênio deve ser periodicamente monitorizado para garantir o correto posicionamento e tolerância do paciente.
  3. Observar e prever efeitos adversos:epistaxe (cânula nasal), claustrofobia (mascara nasal), faringite, odinofagia e estenose traqueal (tubo oro-traqueal)
  4. Bem estar do paciente: oxigenioterapia é para dar conforto ao paciente e familiares.
  5. Avaliar custo-beneficio:suplementar oxigênio em quem não tem indicação aumenta o custo hospitalar. Portanto uma indicação precisa é fundamental.
  6. Suplementar oxigênio para manter SpO2 em no máximo 96%.Mais do que 96% aumenta a mortalidade, e não traz nenhum benefício. O nível mínimo de SpO2 a ser atingido ainda não foi definido mas é possivelmente menor que 96%
  7. Níveis mínimos para iniciar oxigenioterapia em AVC e IAM: somente iniciar se SpO2 <92%
  8. Manter níveis mais baixos (88-92%) para as situações com risco de hipercapniacomo na DPOC, na síndrome de hipoventilação da obesidade, nas doenças neuromusculares, na apneia obstrutiva do sono e na redução do nível de consciência.
  9. Manter níveis mais altos de SpO2 (próximo a 100%) em: crise falcêmica, intoxicação por monóxido de carbono, cefaleia de cluster e pneumotórax.

Conclusão:

Dessa forma, concluímos que a utilização da oxigenoterapia, seja por cateter nasal, máscara facial ou ventilação não invasiva é cada vez mais restrita para pacientes com hipoxemia definida, ou seja, SpO2< 90%, e em situações de risco para hipoxemia grave ou que a hipóxia poderia prejudicar a oxigenação tecidual. A SpO2 >= 96% a todo custo, está contra-indicada para a maioria dos pacientes com doenças agudas.

 

Referencias: Oxygen Therapy of acutely ill medical patients: a clinical practice guideline. Brithsh Medical Journal, oct 2018.

Disponível em:

https://academiamedica.com.br/blog/novas-recomendacoes-para-o-uso-de-oxigenio-em-pacientes-com-doencas-agudas

Mudança climática pode aumentar riscos de doenças fatais

Mudança climática pode aumentar riscos de doenças fatais

São Paulo – Doenças causadas por fungos são comuns em certos animais e vegetais, sendo capazes de acabar com uma plantação ou gerar problemas na pele. No entanto, nem todos os seres são afetados – alguns mamíferos, como os humanos, não são afetados por conta de suas altas temperaturas corporais, que impedem a reprodução da maioria dos fungos, atuando como uma espécie de sistema imunológico.

Com o aquecimento global e a mudança climática do planeta Terra, porém, isso pode estar mudando. Em 2010, um fungo chamado Candida auris foi descoberto pela médica Johanna Rhodes, professora da instituição Imperial College London, ao ser chamada para atender um paciente que estava com uma infecção aparentemente resistente a remédios e contagiosa. A partir de 2012, o fungo se espalhou pela ÁfricaÁsia e América do Sul e se disseminou rapidamente.

A população começou a suspeitar que viajantes estavam infectando outros viajantes e fazendo, portanto, com que a doença aparecesse em vários continentes. Arturo Casadevall, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg diz em nota que o fungo apresenta variações genéticas dependendo do local, o que impede que a causa tenha sido transmissão por contato. De acordo com Casadevall, a Candida auris se acostumou com a mudança de temperatura causada pelo aquecimento global, e se tornou tolerante ao organismo humano e sua temperatura.

Começaram a surgir, em 2016, diversos relatos de infecções por C. auris nos Estados Unidos – foram quase 700 casos em 12 estados, ocasionando diversas mortes e surtos nos estabelecimentos de saúde. Logo após a epidemia, outros países também passaram a relatar casos de infecção. Quando um ser humano adquire a doença, ele tem a sua corrente sanguínea infectada, assim como o cérebro, o coração e outras partes do corpo. Depois da contaminação, a chance de fatalidade é de 30 até 60%.

Para que o indivíduo seja infectado, basta um contato invasivo com o C. auris (como em cirurgias) ou possuir o sistema imunológico enfraquecido – caso aconteça da segunda forma, é mais provável que o fungo permaneça apenas na parte externa do corpo e não cause danos extremos ao paciente.

Ainda segundo Casadevall, o C. auris se tornou um problema de saúde por conseguir se reproduzir dentro do organismo humano. Estudos anteriores mostraram que um fungo é capaz de crescer quando em temperaturas mais altas do que o comum, rompendo as defesas térmicas dos pacientes. A mudança climática, se não controlada, pode piorar a situação ou até fazer com que outro fungo passe a se replicar e se torne perigoso para a saúde humana.

Texto retirado de:

https://exame.abril.com.br/ciencia/mudanca-climatica-pode-aumentar-riscos-de-doencas-fatais/

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

 Os avanços dos estudos científicos acerca da curiosidade permitiram que especialistas mapeassem cinco tipos existentes – que se manifestam de formas e intensidade diferentes nas pessoas – assim como as vantagens de cada um deles.

A ciência já comprovou diversas vezes que a curiosidade é um traço que traz uma série de vantagens para quem o tem. Por exemplo:

  • Ela fortalece a inteligência: em um estudo, crianças altamente curiosas, com idades entre três e 11 anos, tiveram resultados maiores em 12 pontos nos testes de inteligência.
  • Ela aumenta a energia: descrever um dia em que a pessoa se sentiu curiosa provou aumentar a energia mental e física 20% a mais do que descrever momentos de profunda felicidade.
  • Ela impulsiona melhor engajamento e desempenho: estudantes de psicologia que se sentiram mais curiosos do que os outros durante o primeiro dia gostaram mais das aulas, tiveram notas finais mais altas e, posteriormente, se matricularam em mais cursos, segundo outra pesquisa.

Esses dados foram apontados por quatro especialistas em psicologia e educação, em artigo na revista Harvard Business Review. Com base nas novas descobertas da ciência, o grupo criou um modelo em que descrevem cinco tipos de curiosidade, que se manifestam de forma (e intensidade) diferente em cada pessoa.

Os 5 tipos de curiosidade

O que desperta sua curiosidade?

#1 Sensibilidade à privação

Sensibilidade à privação é, basicamente, reconhecer uma lacuna de conhecimento. Nessa situação, “preencher” a lacuna, ou adquirir tal compreensão, oferece alívio. E isso motiva a curiosidade. “Esse tipo de curiosidade não necessariamente é traz uma boa sensação, mas as pessoas que o experimentam trabalham incansavelmente para resolver problemas”, destacam os pesquisadores.

#2 Alegria em explorar

Aqui a curiosidade se manifesta impulsionada pela admiração aos aspectos “fascinantes” do mundo. Para quem o vivencia, esse é um estado prazeroso.

#3 Curiosidade social

Curiosidade social é falar, ouvir e observar os outros para aprender o que eles estão pensando e fazendo. “Os seres humanos são animais inerentemente sociais, e a maneira mais eficaz e eficiente de determinar se alguém é amigo ou inimigo é obter informações.”

#4 Tolerância a estresse

Pessoas que aceitam facilmente e até aproveitam a ansiedade associada à novidade. As pessoas que não têm essa habilidade vêem as lacunas de informação, experimentam maravilhas e se interessam por complementar o conhecimento, mas dificilmente avançam e exploram mais.

#5 Procurar emoção

A quinta forma de curiosidade se baseia na disposição a assumir riscos físicos, sociais e financeiros para adquirir experiências variadas, complexas e intensas. Pessoas com essa capacidade buscam ampliar a ansiedade associada às novidades, e não reduzir.

Benefícios dos diferentes tipos de curiosidade

Para entender as vantagens de cada um dos tipos de manifestação da curiosidade, o grupo de estudiosos conduziu uma série de pesquisas nos Estados Unidos. O objetivo era descobrir qual dimensão oferece os melhores resultados e gera certos benefícios em particular.

“Alegria em explorar”, por exemplo, mostrou ter o link mais forte com a experiência intensa de emoções positivas. Nos estudos, a “tolerância ao estresse” é a dimensão com mais relação a satisfazer as necessidades de se sentir competente e autônomo. A “curiosidade social”, por sua vez, está conectada à generosidade, gentileza e modéstia.

Em outros estudos, com foco em outras localidades, o grupo descobriu indícios de que os quatro tipos de curiosidade melhoram o resultado do trabalho. “Curiosidade social” e “tolerância ao estresse” se mostraram ser os mais importantes:

“Sem a capacidade de tolerar o estresse, é menos provável que os funcionários busquem desafios e recursos, expressem discordância e tenham tendência a se sentir mais enfraquecidos e a se desvincular. E funcionários socialmente curiosos são melhores que outros na resolução de conflitos com colegas, mais propensos a receber apoio social e mais eficientes na construção de conexões, confiança e comprometimento em suas equipes”, afirmam os especialistas. “Pessoas ou grupos altos em ambas as dimensões são mais inovadores e criativos.”

Texto retirado de:

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

Doença de von Willebrand

Doença de von Willebrand

Considerações gerais

O vWF é uma glicoproteína multimérica atipicamente grande que se liga ao colágeno subendotelial e ao seu receptor de plaquetas, glicoproteína Ib, ligando as plaquetas à matriz subendotelial no local da lesão vascular e contribuindo para as ligar no plugue plaquetário. O vWF também possui um local de ligação para o fator VIII, prolongando sua meia-vida na circulação. Entre 75% e 80% dos pacientes com DvW têm tipo 1, uma anormalidade quantitativa da molécula do FvW que geralmente não apresenta uma mutação causal identificável no gene do FvW. A DvW do tipo 2 é vista em 15 a 20% dos pacientes com DvW. No tipo 2A ou 2B vWD, um defeito qualitativo na molécula do FvW é a causa. Tipo 2N e 2M vWD são devidos a defeitos no vWF que diminuem a ligação ao fator VIII ou às plaquetas, respectivamente. Importante notar, tipo 2N vWD se assemelha clinicamente a hemofilia A, com exceção de um  história familiar que mostra mulheres afetadas. Os níveis de atividade do fator VIII estão diminuídos e a atividade do vWF e o antígeno (Ag) são normais. O tipo 2M vWD apresenta um padrão multimer normal. A vWD do tipo 3 é rara e, como no tipo 1, é um defeito quantitativo, com homozigosidade mutacional ou heterozigosidade dupla produzindo níveis indetectáveis ​​de FvW e hemorragia grave na infância ou infância.

Tratamento

O DDAVP é útil no tratamento de hemorragias ligeiras na maioria dos casos do tipo 1 e alguns casos de vWD do tipo 2. O DDAVP causa a liberação do FvW e do fator VIII dos locais de armazenamento, levando a um aumento do FVW e do fator VIII a sete vezes o dos níveis basais. Um teste terapêutico para documentar níveis suficientes de FVW pós-tratamento é altamente recomendado. Devido à taquifilaxia e ao risco de hiponatremia secundária à retenção de líquidos, mais de duas doses não devem ser administradas em um período de 48 horas. Concentrados de factor VIII contendo vWF ou produtos de VWF recombinantes são usados ​​em todos os outros cenários clínicos, e quando a hemorragia não é controlada com DDAVP.

O crioprecipitado não deve ser administrado devido à falta de inativação viral. Agentes antifibrinolíticos (por exemplo, ácido aminocapróico ou ácido tranexâmico) podem ser usados ​​como adjuvantes para sangramento ou procedimentos nas mucosas. Pacientes grávidas com DvW geralmente não necessitam de tratamento no momento do parto devido ao aumento fisiológico natural dos níveis de FvW (até três vezes o valor basal) observado pelo parto. No entanto, os níveis precisam ser confirmados no final da gravidez e, se estiverem baixos ou se houver sangramento excessivo, os produtos do FvW podem ser administrados. Além disso, os pacientes correm o risco de sangramento significativo de 1 a 2 semanas após o parto, quando os níveis do FvW caem devido à queda nos níveis de estrogênio.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019