Guilherme França – Widoctor

Paraguai expulsa 12 estudantes de medicina brasileiros

Paraguai expulsa 12 estudantes de medicina brasileiros

A Polícia Nacional do Paraguai cumpriu determinação do governo e expulsou 12 estudantes brasileiros de medicina. Os jovens foram entregues à Policia Federal no prédio da Imigração, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. Eles estavam presos desde o dia 6 de abril.

Os estudantes, entre eles, três mulheres, foram colocados em veículos da PF e trazidos para Ponta Porã, cidade vizinha a Pedro Juan Caballero, e estão proibidos de entrar no país nos próximos 2 anos.

O Governo do Paraguai alega que a medida foi tomada porque os brasileiros não possuem documentação de imigração exigida por lei, e que no momento da prisão, o grupo estava em uma casa participando de uma festa regada a álcool e drogas e com o volume do som acima do permitido.

Estima-se que quase 10 mil brasileiros estão Pedro Juan Caballero cursando medicina. A expulsão dos estudantes foi anunciada pelo governo e executada nesta quarta-feira (24).

 

Expulsões

O Governo do Paraguai vem adotando a medida de expulsar brasileiros que se envolvem com crimes no país. Foi assim como o narcotraficante Marcelo Fernando Pinheiro da Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, que estava preso em Assunção e expulso do país em novembro de 2018.

Notícia na íntegra:

https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2019/04/25/estudantes-brasileiros-de-medicina-sao-entregues-a-pf-e-expulsos-do-paraguai-12-forcados-a-voltar.ghtml

Tratamento para Dermatite Seborréica

Tratamento para Dermatite Seborréica

A. Seborreia do couro cabeludo

Xampus que contêm piritionato de zinco ou selênio são usados ​​diariamente, se possível. Estes podem ser alternados com xampu de cetoconazol (1% ou 2%) usado duas vezes por semana. Uma combinação de xampus é usada em casos refratários. Alcatrão

Os xampus também são eficazes para casos mais leves e para a psoríase do couro cabeludo. As soluções ou loções tópicas de corticosteróides são então adicionadas, se necessário, e são usadas duas vezes ao dia.

B. Dermatite seborréica facial

A base da terapia é um corticosteróide leve (hidrocortisona a 1%, alclometasona, desonida) usado intermitentemente e não próximo aos olhos. Se o distúrbio não puder ser controlado com o uso intermitente de um corticosteróide tópico suave, o cetoconazol (Nizoral) 2% é adicionado duas vezes ao dia. O tacrolimus tópico (Protopic) e o pimecrolimus (Elidel) são alternativas poupadoras de esteróides.

C. Dermatite seborréica em áreas não favorecidas

Os cremes corticosteróides de baixa potência, ou seja, 1% ou 2,5% de hidrocortisona, desonida ou dipropionato de alclometasona, são altamente eficazes.

D. Seborreia das áreas intertriginosas

Aplique loções ou cremes corticosteróides de baixa potência duas vezes ao dia por 5 a 7 dias e, depois, uma ou duas vezes por semana para manutenção, se necessário. Loção de selênio, cetoconazol ou clotrimazol em gel ou creme podem ser um complemento útil. O tacrolimus ou o pimecrolimus topicamente podem evitar a atrofia de corticosteroides em casos crônicos.

E. Envolvimento das margens palpebrais

“A blefarite marginal” geralmente responde à limpeza suave das margens da pálpebra toda noite, conforme necessário, com o Shampoo Johnson & Johnson Baby não diluído, usando um cotonete.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Promissora, técnica Crispr é aplicada pela 1ª vez em pacientes com câncer

Promissora, técnica Crispr é aplicada pela 1ª vez em pacientes com câncer

Médicos do Centro de Câncer Abramson, da Universidade da Pensilvânia, realizaram uma infusão com um medicamento à base de Crispr em dois pacientes com câncer, em outro teste em humanos com a promissora tecnologia de edição de genes.

Ambos os pacientes com câncer haviam tido uma recaída antes do início do estudo clínico. Um paciente tem mieloma múltiplo e, o outro, sarcoma, disse o representante da Penn Medicine, John Infanti, em e-mail. O teste clínico é financiado pelo Instituto Parker de Imunoterapia para o Câncer, do bilionário Sean Parker, e pela empresa de capital fechado Tmunity Therapeutics, disse.

Os investidores acompanham de perto o desenvolvimento da tecnologia de edição de genes, que possui uma variedade de aplicações, e só recentemente começou a ser testada em humanos. No entanto, uma série de artigos científicos com questionamentos sobre a segurança da técnica e a realidade dos onerosos obstáculos clínicos e regulatórios, que colocam tais terapias muito longe da aprovação nos EUA, têm pesado sobre as ações da Crispr, que leva o mesmo nome da tecnologia.

No ano passado, um pesquisador chinês surpreendeu cientistas quando afirmou ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo, cruzando uma fronteira ética e provocando uma reação negativa de autoridades de saúde e de outros cientistas.

A Crispr Therapeutics, uma empresa negociada na Nasdaq, e sua parceira Vertex Pharmaceuticals lideram a corrida da técnica Crispr entre empresas de capital aberto nos EUA no campo de estudos clínicos, tendo aplicado uma dose no primeiro paciente em fevereiro. Alguns analistas esperam dados preliminares já este ano.

As conclusões do estudo da Penn Medicine serão divulgadas em apresentação para médicos ou em publicação revisada por especialistas, disse Infanti.

Fonte:

https://exame.abril.com.br/ciencia/promissora-tecnica-crispr-e-aplicada-pela-1a-vez-em-pacientes-com-cancer/

Tratamento para Constipação

Tratamento para Constipação

A- Constipação crônica

1- Medidas dietéticas e de estilo de vida

Questões psicossociais adversas devem ser identificadas e abordadas. Os pacientes devem ser instruídos sobre a função defecatória normal e hábitos ideais de higiene, incluindo tempo regular, posicionamento adequado e pressão abdominal. A ingestão adequada de líquidos e fibras dietéticas deve ser enfatizada. Recomenda-se um teste de suplementos de fibra. Aumento da fibra alimentar pode causar distensão ou flatulência, que muitas vezes diminui ao longo de vários dias. A resposta à terapia com fibra não é imediata e o aumento da dose deve ser feito gradualmente ao longo de 7 a 10 dias. É mais provável que a fibra beneficie pacientes com trânsito colônico normal, mas pode não beneficiar pacientes com inércia colônica, distúrbios defecatórios, constipação induzida por opióides ou síndrome do intestino irritável; pode até exacerbar os sintomas nesses pacientes. O exercício regular está associado a um menor risco de constipação. Quando possível, interrompa os medicamentos que possam estar causando ou contribuindo para a constipação. Os probióticos são amplamente promovidos a pacientes em publicidade direta para o tratamento da constipação. Uma meta-análise de 2014 de ensaios controlados randomizados sugere que os probióticos melhoram a frequência e a consistência das fezes; no entanto, mais estudos são necessários.

 

2- Laxante

Os laxantes podem ser administrados de forma intermitente ou crônica para a constipação que não responde a mudanças na dieta e no estilo de vida.  Não há evidências de que o uso prolongado desses agentes seja prejudicial.

2.a- Laxantes osmóticos

O tratamento geralmente é iniciado com o uso regular (diário) de um laxante osmótico. Agentes osmóticos não absorvíveis aumentam a secreção de água no lúmen intestinal, amolecendo as fezes e promovendo a defecação. Hidróxido de magnésio, carboidratos não digeríveis (sorbitol, lactulose) e polietilenoglicol são todos eficazes e seguros para o tratamento de casos agudos e crônicos. As dosagens são ajustadas para atingir movimentos suaves a semi-líquidos. Laxantes salinos contendo magnésio não devem ser administrados a pacientes com insuficiência renal crônica. Carboidratos não digeríveis podem induzir inchaço, câimbras e flatulência. O polietilenoglicol 3350 (Miralax) é um componente de soluções tradicionalmente usadas para lavagem do cólon antes da colonoscopia e não causa flatulência. Quando utilizado em doses convencionais, o início de ação destes agentes osmóticos é geralmente dentro de 24 horas. Para um tratamento mais rápido da constipação aguda, podem ser usados ​​laxantes purgativos, como o citrato de magnésio. O citrato de magnésio pode causar hipermagnesemia.

2.b-  Laxantes estimulantes

Para pacientes com resposta incompleta a agentes osmóticos, laxantes estimulantes podem ser prescritos conforme necessário, como um agente de “resgate” ou regularmente, três ou quatro vezes por semana. Esses agentes estimulam a secreção de líquidos e a contração do cólon, resultando em um movimento intestinal dentro de 6 a 12 horas após a ingestão oral ou 15 a 60 minutos após a administração retal. Os agentes orais geralmente são administrados uma vez ao dia na hora de dormir. As preparações comuns incluem bisacodil, senna e cáscara.

2.c- Agentes secretórios de cloreto

Vários agentes estimulam a secreção intestinal de cloreto, seja pela ativação dos canais de cloreto (lubiprostona) ou guanilciclase C (linaclotídeo e plecanatida), resultando em aumento do fluido intestinal e aceleração do trânsito colônico. Em multicêntrico ensaios clínicos controlados, pacientes tratados com lubiprostona 24 mcg por via oral duas vezes ao dia, linaclotide 145 mcg uma vez ao dia, ou plecanatida 3 mg uma vez ao dia aumentaram o número de evacuações em comparação com pacientes tratados com placebo. Como esses agentes são caros, eles devem ser reservados para pacientes com resposta abaixo do ideal ou efeitos colaterais com agentes menos caros.

2.d- Antagonistas dos receptores opióides

O uso prolongado de opioides pode causar constipação pela inibição do peristaltismo e pelo aumento da absorção do líquido intestinal. Metilnaltrexona (450 mg por via oral uma vez ao dia), naloxegol (25 mg por via oral uma vez ao dia) e naldemedina (0,2 mg por via oral uma vez ao dia) são antagonistas do receptor opióide mu que bloqueiam receptores opioides periféricos (inclusive no trato gastrointestinal) sem afetar a analgesia central. Eles são aprovados para o tratamento da constipação induzida por opióides em pacientes que recebem opioides por dor crônica não oncológica. Uma formulação subcutânea de metilnaltrexona também é aprovada para o tratamento de pacientes que recebem cuidados paliativos para doenças avançadas que não responderam aos esquemas laxantes convencionais.

 

B-  Impactação fecal

A impactação severa das fezes na abóbada retal pode resultar em obstrução ao fluxo fecal adicional, levando à obstrução parcial ou completa do intestino grosso. Os fatores predisponentes incluem medicamentos (por exemplo, opióides), doença psiquiátrica grave, repouso prolongado no leito, distúrbios neurogênicos do cólon e distúrbios da medula espinhal. A apresentação clínica inclui diminuição do apetite, náuseas e vômitos e dor e distensão abdominal. Pode haver “diarreia” paradoxal, como vazamentos de fezes líquidas ao redor das fezes impactadas. As fezes firmes são palpáveis ​​no exame digital da abóbada retal. O tratamento inicial é direcionado ao alívio da impactação com enemas (solução salina, óleo mineral ou diatrizoato) ou ruptura digital do material fecal impactado. O cuidado de longo prazo é direcionado para a manutenção de fezes moles e evacuações regulares.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Tratamento para Pediculose

Tratamento para Pediculose

1- Pediculose capitis – A permetrina creme a 1% (Nix) é um pediculicida e ovicida de venda livre tópico. É aplicado no couro cabeludo e no cabelo e deixado por 8 horas antes de ser enxaguado. Embora seja o tratamento de escolha para os piolhos, a resistência à permetrina é comum.

A loção de malatião 1% (Ovide) é muito eficaz, mas é altamente volátil e inflamável, portanto, a aplicação deve ser feita em uma sala bem ventilada ou ao ar livre.

Loção tópica de ivermectina a 0,5%, álcool benzílico a 5%, loção Oxyphthirine®, suspensão spinosad a 0,9% e dimeticona são agentes adicionais que parecem ter eficácia contra a pediculose da cabeça; desses agentes, a ivermectina tópica é a mais eficaz. Todas as pessoas infestadas em uma residência, escola ou outra instituição devem idealmente ser tratadas ao mesmo tempo. Além da ivermectina tópica, as terapias tópicas devem ser repetidas 7 a 9 dias após o tratamento inicial. Para o envolvimento dos cílios, o petrolato é aplicado densamente duas vezes ao dia por 8 dias, e as lêndeas remanescentes são então removidas. Opções de tratamento sistêmico, frequentemente usadas em combinação com agentes tópicos) são ivermectina oral (200 mcg / kg por via oral, repetida em 7 dias) (para crianças com mais de 5 anos e mais de 15 kg) e TMP-SMZ oral (10 mg TMP / kg / dia e 50 mg SMZ / kg / dia divididos duas vezes ao dia por 10 dias).

2- Pediculose corpórea – Os piolhos corporais são tratados descartando-se as roupas infestadas e abordando-se a situação social do paciente.

3- Pediculose pubiana – A aplicação de permetrina 1% por 10 minutos ou creme de permetrina a 5% por 8 horas no púbis é eficaz. Os contatos sexuais devem ser tratados. Roupas e roupas de cama devem ser lavadas e secas a alta temperatura.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Quer aprender algo novo? Pesquisa de Yale revela quando o cérebro é mais eficiente

Quer aprender algo novo? Pesquisa de Yale revela quando o cérebro é mais eficiente

A incerteza pode ser muito estressante. Mas estar fora da sua zona de conforto e não saber o que vai acontecer envia sinais para que o cérebro comece a aprender. Pelo menos é o que mostra um novo estudo feito por pesquisadores de Yale.

“Nós só aprendemos quando há incerteza, e isso é uma coisa boa”, explica Daeyeol Lee, professor de neurociência, psicologia e psiquiatria de Yale. “Não queremos ficar aprendendo o tempo todo. Se o cérebro aprendesse sempre, nós provavelmente desistiríamos ao experimentar o fracasso, não persistiríamos.” Ou seja: situações instáveis podem ser desconfortáveis, mas são ajudam seu cérebro trabalhar à todo vapor

Estabilidade “desliga” o cérebro
Se você quiser maximizar o aprendizado, deve fazer coisas difíceis em 70% do seu tempo, aconselha a Inc. Se você não tem algum nível de estresse sobre o resultado de seu trabalho, seu cérebro ‘desliga’ o centro de aprendizado.

O estudo observou um grupo de macacos, que deveriam apertar botões de cores diferentes para receber uma recompensa. Mas não era sempre que o macaco recebia o petisco. Alguns botões tinham taxas estáveis – de 20% e 80%. Outros eram mais imprevisíveis e a frequência variava.

Os cientistas então mediram a atividade cerebral dos macacos. Quando eles conseguiam prever com que frequência receberiam um petisco, as regiões do cérebro associadas ao aprendizado se desligavam. Quando eles não sabiam o que aconteceria, essas áreas ficavam mais ativas.

Quando você descobre a melhor forma de se comportar em um ambiente, aprender novas técnicas tem pouco sentido. O que não é um problema se você está tentando descobrir quantos minutos precisa para cozinhar um ovo. Mas em outras áreas da vida, continuar aprendendo pode trazer vantagens.

“Talvez a descoberta mais importante do estudo seja a de que as capacidades do cérebro não são ‘fixas’, mas elas se adaptam conforme a estabilidade do ambiente. Quando você entra em um ambiente novo e volátil, isso pode aumentar a tendência do cérebro de absorver novas informações”, resume Lee.

Matéria originalmente publicada em Época Negócios

A difícil decisão sobre a hora de sair de cena

A difícil decisão sobre a hora de sair de cena

A atriz Glenda Jackson, que completará 83 anos em maio e acaba de estrear na Broadway. No palco, encarna o rei Lear, cuja dimensão dramática foi definida pelo mítico ator Laurence Olivier dessa forma: “quando se é jovem, Lear não parece real; quando se chega à minha idade, ele existe em cada nervo do meu corpo”. Tomo essa tragédia de William Shakespeare, escrita por volta de 1605, como ponto de partida para uma reflexão espinhosa a respeito da difícil decisão sobre a hora de sair de cena.

Na peça, o rei Lear está velho e resolve dividir o reino entre as filhas, mas usa como critério para a partilha que elas exprimam a gratidão e o amor que sentem pelo pai. Goneril, a primogênita, e Regan, a do meio, o bajulam sem pudor, enquanto Cordélia, a caçula, não consegue expressar seus sentimentos por meio de elogios e acaba sendo deserdada e expulsa. Depois será a vez de Lear ser traído pelas filhas interesseiras que detêm o poder. Destituído da pompa que o cercava, é o bobo da corte que lhe diz sem meias palavras: “não devias ter envelhecido antes de ficares sábio”. Ao optar pela adulação de Goneril e Regan, Lear faz com que sua vaidade se transforme em sua ruína.

O bônus da longevidade, que nos presenteou com décadas de vida, também encerra uma questão quase shakespeariana. Será que seremos suficientemente sábios para ter a humildade de reconhecer que já não temos as habilidades necessárias para continuar a exercer nossas atividades? Num curto intervalo de tempo, dois grandes jornais norte-americanos se debruçaram sobre o assunto: no começo de fevereiro, “The New York Times” fez uma reportagem intitulada “Quando o cirurgião está velho demais para operar?” (“When is the surgeon too old to operate?”). Afinal, pacientes dependem da destreza dessas mãos, além da sua agilidade mental para tomar decisões no caso de uma complicação. Em 2015, um quarto dos médicos dos Estados Unidos tinha mais de 65 anos.

No fim de março, “The Washington Post” publicou o artigo “Quando um médico idoso deve dizer que está deixando a carreira?” (“When should an aging doctor call it quits?”). O interessante é que foi escrito por Jonathan Maltz, um clínico de 70 anos em atividade há quatro décadas. Ele cita casos de conhecidos que enfrentam dificuldades, como a perda da memória recente, e lista sinais que indicam que o profissional não está apto para atender pacientes. São eles: quando seu médico de longa data não o reconhece ou o confunde com outra pessoa; se as respostas às suas dúvidas ou as orientações que dá são confusas; quando se esquece de pedir exames, dar resultados ou encaminhá-lo a um especialista; quando não ouve, nem enxerga bem, ou apresenta um visível tremor nas mãos.

A Constituição garante o acesso ao mercado de trabalho aos brasileiros sem qualquer distinção e assegura a todos o direito de exercer profissão ou ofício de sua livre escolha, proibindo qualquer tipo de discriminação, inclusive de idade. É claro que a discussão não pode se resumir à idade cronológica, nem essa é uma reflexão circunscrita à medicina – embora o tema seja mais sensível nesse meio por causa do impacto na vida das pessoas. Sair de cena não significa ficar encerrado em casa, e sim ter lucidez sobre o momento de abraçar outros prazeres e aptidões numa nova etapa da existência.

 

Autoria: Mariza Tavares

 

Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/04/07/a-dificil-decisao-sobre-a-hora-de-sair-de-cena.ghtml

O que é inteligência emocional e como ela pode te ajudar a ser um profissional melhor

O que é inteligência emocional e como ela pode te ajudar a ser um profissional melhor

A inteligência emocional é influenciada por uma combinação de traços de personalidade. Níveis mais altos dela são associados com inúmeros benefícios, inclusive relacionados à carreira. Por isso, sua medida, o Quociente Emocional (QE), tem sido considerado como um bom radar para contratações em processos de recrutamento. Alguns especialistas até o colocam à frente do QI (Quociente de Inteligência) em questão da eficiência para determinar um bom profissional.

Atualmente um termo bastante utilizado, “inteligência emocional” foi aplicado pela primeira vez em documentos científicos no ano de 1966, em artigo do psicólogo americano Hanskare Leuner. Porém, sua concepção só foi aprofundada em 1989, primeiro pelo psiquiatra infantil Stanley Greenspan e, posteriormente, em 1990, pelos psicólogos Peter Salovey e John Mayer.

 

Em sua definição, a dupla Salovey e Mayer explica que IE é “a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros”. Os dois psicólogos dividiram-na em quatro domínios básicos:

  • Percepção das emoções: a precisão com que uma pessoa identifica as emoções.
  • Raciocínio por meio das emoções: empregar as informações emocionais para facilitar o raciocínio
  • Entendimento das emoções: captar variações emocionais nem sempre evidentes e compreender a fundo as emoções (mais sofisticado do que o “identificar” do primeiro domínio)
  • Gerenciamento das emoções: aptidão para lidar com os próprios sentimentos

Daniel Goleman e a inteligência emocional

Apesar de não ter introduzido o conceito de IE, Daniel Goleman, psicólogo, escritor e PhD da Universidade de Harvard, é o grande responsável por popularizá-lo. Em 1995, quando atuava como jornalista científico do New York Times, lançou o livro “Inteligência Emocional”, em que traz à tona o embate entre o QE e o QI (Quociente de Inteligência).

Com mais de 5 milhões de cópias vendidas no mundo todo e tradução para 40 idiomas, o best-seller impulsionou a atenção das pessoas pelo tema, tornando o conceito acessível a vários segmentos da sociedade. A partir dele, a mídia e outras entidades acadêmicas começaram a explorar ainda mais o assunto.

Goleman descreve a inteligência emocional como a capacidade de uma pessoa de gerenciar seus sentimentos, de modo que eles sejam expressos de maneira apropriada e eficaz. Segundo o psicólogo, o controle das emoções é essencial para o desenvolvimento da inteligência de um indivíduo. Seu modelo sobre a IE foca em uma série de competências e habilidades que, de acordo com ele, propiciam melhores desempenhos profissionais – inclusive, como líder.

 

Fundamentos da IE

O modelo de Goleman posiciona a IE como o conjunto de competências e habilidades fundamentadas em cinco pilares:

  • Autoconsciência – capacidade de reconhecer as próprias emoções
  • Autorregulação – capacidade de lidar com as próprias emoções
  • Automotivação – capacidade de se motivar e de se manter motivado
  • Empatia – capacidade de enxergar as situações pela perspectiva dos outros
  • Habilidades sociais – conjunto de capacidades envolvidas na interação social

Além disso, ele identifica 12 domínios como sendo os principais para desenvolvê-la:

  1. Autoconhecimentoemocional
  2. Autocontrole emocional
  3. Adaptabilidade
  4. Orientação para realização
  5. Perspectiva positiva
  6. Empatia
  7. Consciência organizacional
  8. Influência
  9. Coache mentoria
  10. Administração de conflitos
  11. Trabalho em equipe
  12. Liderança inspiradora

Benefícios da IE, segundo a ciência

Há extensa pesquisa que fundamenta os benefícios de ter um nível alto de IE, inclusive relacionando-a à traços de generosidade. Um estudo mostrou que as pessoas com maior conhecimento sobre regulação emocional têm mais propensão a pensarem no “bem social” quando em face de um dilema.

Além disso, a IE influencia o sentimento de bem-estar. Pesquisadores descobriram, por exemplo, que existem relações inversas entre a capacidade de controle emocional e estresse no ambiente de trabalho.

Ter habilidade de identificar e gerenciar as emoções próprias e dos outros são atributos valiosos também para alcançar sucesso profissional, segundo pesquisadores de Harvard. O estudo, de mais de 20 anos, ainda mostrou que esta habilidade caracteriza mais êxito na vida social.

Empreendedores com bons níveis de IE também são mais resilientes quando enfrentam obstáculos e lidam melhor com seus funcionários e clientes.

E os profissionais são melhores líderes. Uma análise que compreendeu diversos documentos científicos revelou que há uma relação positiva clara entre a IE e a eficácia da liderança nas empresas.

Parte da “automotivação” (um dos pilares da IE, segundo Goleman), a capacidade de ter perspectivas positivas – ou “otimismo” – está associada com maior habilidade de venda e maior taxa de sucesso acadêmico.

Para os estudiosos, a diferença primordial entre os pessimistas e otimistas é que, quando falham, os otimistas tendem a fazer atribuições causais externas, específicas e temporárias, enquanto os outros fazem atribuições internas e permanentes. Ou seja, após contratempos, possuem mais facilidade para se recompor e agir em prol de resultados.

Inteligência emocional tem tanto a ver com saber quando e como expressar emoções quanto com o controle delas – e esta capacidade é valiosa. Pesquisadores da Universidade de Yale descobriram que demonstrar emoções positivas pode beneficiar trabalhos em equipe. De acordo com eles, elas levaram à melhora na cooperação e na performance do grupo, além de maior preocupação com o que é justo.

Embora existam aspectos permanentes que determinam o temperamento e a personalidade – herança genética, por exemplo -, Goleman defende que muitos dos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis e podem ser trabalhados, impactando o nível de inteligência emocional.

Revisar mentalmente as habilidades que ela envolve e perceber em quais precisa trabalhar é o primeiro passo para aumentá-la. O psicólogo defende que o feedback externo também é um ótimo medidor para se orientar e desenvolver a IE.

Fonte:

Na Prática – Fundação Estudar.

Cientista recebe medalha por pesquisa sobre Alzheimer e Parkinson

Cientista recebe medalha por pesquisa sobre Alzheimer e Parkinson

A cientista Débora Foguel tem doutorado em bioquímica e é professora titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Membro da Academia Brasileira de Ciências e uma das coordenadoras da Rede Nacional de Ciência para a Educação, acaba de ser agraciada com a medalha Mietta Santiago, outorgada pela Câmara dos Deputados, junto com outras quatro personalidades. Seu campo de estudo é o enovelamento errado de proteínas, que tem despertado o interesse de pesquisadores no mundo todo, já que esse erro está associado a doenças como Alzheimer, Parkinson e a amiloidose senil, que pode afetar o coração de 15% dos indivíduos com mais de 80 anos.

A professora usa uma analogia: “em primeiro lugar, vale lembrar que as proteínas estão relacionadas a todas as atividades das nossas células. Da memória aos batimentos cardíacos, milhares delas estão por trás de cada função do nosso corpo. Cada proteína, quando é produzida dentro de uma célula, lembra o cadarço de um sapato, ou seja, é como um fio esticado. No entanto, para desempenhar sua função, ela precisa se dobrar com precisão sobre si mesma, como um cadarço quando se dá um nó e um laço. Nas doenças que estudo, determinadas proteínas não se dobram corretamente e acabam por se unir umas às outras, formando agregados, ou grumos, dentro ou fora das células. Com o envelhecimento, o que vemos é que aumenta a taxa de dobramento errado nas células e, por conseguinte, a quantidade de agregados que se formam e dão origem a doenças como o Alzheimer e o Parkinson”.

Quando as proteínas formam os grumos, ou agregados, acabam provocando a morte da célula. Se isso acomete os neurônios relacionados à nossa memória, o que aparece é o Alzheimer; se acomete os neurônios motores que produzem dopamina, causa o descontrole motor do Parkinson. “Esse é um processo que leva muitos anos, mas, quando os sintomas se manifestam, já há comprometimento dessas regiões do cérebro e os medicamentos de que dispomos no momento são apenas paliativos, isto é, não impedem a formação da doença”, afirma.

Para contextualizar o sentimento de urgência que envolve os cientistas, ela diz que apenas de 5% a 10% dos pacientes com Alzheimer apresentam alguma mutação que justifique a enfermidade: “em 90%, 95% dos casos, não se tem ideia do que está por trás desse processo de agregação de proteína que leva à doença”.

A doutora Débora Foguel se dedica justamente a desvendar os mecanismos que levam uma proteína a mudar sua estrutura. Já foram mapeadas cerca de 50 doenças causadas por esse enovelamento, ou dobramento incorreto, e a maioria está associada ao envelhecimento. Como estamos vivendo mais, essas enfermidades se tornarão cada vez menos raras, daí a necessidade do investimento em pesquisa: o objetivo é um dia descobrir como deter o processo.

 

Uma curiosidade sobre a medalha: Mietta Santiago é o pseudônimo de Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira. Nascida em Varginha, em Minas Gerais, ela questionou a proibição do voto feminino no Brasil em 1928, por meio de um mandado de segurança. Conseguiu o direito de votar e o de concorrer ao cargo de deputada federal. A condecoração foi criada no ano passado para homenagear iniciativas relacionadas aos direitos das mulheres.

Fonte:

https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/04/02/cientista-recebe-medalha-por-pesquisa-sobre-alzheimer-e-parkinson.ghtml

Pesquisadores brasileiros identificam bactérias que facilitam diagnóstico de câncer intestinal

Pesquisadores brasileiros identificam bactérias que facilitam diagnóstico de câncer intestinal

Pesquisadores brasileiros publicaram nesta segunda-feira (1º), na revista científica “Nature”, os resultados de um estudo que pode ajudar no diagnóstico precoce do câncer de intestino, o terceiro mais comum no mundo e no Brasil.

Em conjunto com especialistas da Universidade de Trento, na Itália, pesquisadores do hospital A.C Camargo e da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram identificar um conjunto de bactérias que servem como “marcadores” em um teste para o diagnóstico da doença.

No estudo, os pesquisadores analisaram o material genético em amostras extraídas das fezes de 969 pessoas com e sem câncer. Foram usadas amostras de populações da Alemanha, França, Itália, China, Japão, Canadá e Estados Unidos.

Eles descobriram 16 micro-organismos que só estão presentes na microbiota intestinal ou fecal do intestino de pessoas com câncer intestinal. A expectativa dos pesquisadores é que a capacidade de verificar com testes se esses micro-organismos estão no organismo dos pacientes ajude a identificar mais facilmente indivíduos com este tipo de câncer.

O biólogo Andrew Thomas, um dos participantes da pesquisa, explica que descoberta pode ajudar o trabalho de oncologistas.

“Esse estudo mostra que a microbiota de fezes é um indicador forte para a presença do câncer colorretal, independentemente da população sendo estudada ou da dieta das pessoas. Com isso, poderemos empregar testes que utilizam a microbiota fecal em conjunto com o teste do sangue oculto (feito para verificar a presença de sangue nas fezes) para obter detecções mais sensíveis e específicas, inclusive nos estágios iniciais da doença”, diz Thomas.

 

Bactéria causadora ou associada?

Segundo os pesquisadores, no caso do câncer de intestino, não era claro qual o papel ou a relação que os micro-organismos da flora intestinal tinham com a doença, enquanto que já era conhecido que o câncer de estômago só pode ser causado por uma única espécie bacteriana, a H. pylori.

O biólogo explica que ainda não é possível afirmar, com base no estudo, que uma ou mais bactérias específicas causem o câncer intestinal. Entretanto, a pesquisa abre possibilidade para novos estudos que investiguem se algumas dietas podem estar associadas ao desenvolvimento da doença.

“Um dos achados do nosso estudo foi o aumento de uma enzima microbiana que degrada a colina em pacientes com câncer intestinal. A colina é um nutriente presente na dieta (em carne vermelha e ovos), que ao ser degradada libera acetaldeído, um composto altamente carcinogênico, e trimetil-amina (TMA), que já foi fortemente associado a doenças cardiovasculares como a aterosclerose”, explica.

Ainda segundo o biólogo, o alto consumo de carne vermelha já foi associado a um maior risco de câncer colorretal, e o estudo atual abre um caminho para que essa interligação entre dieta, microbiota e o câncer colorretal seja confirmada.

 

Base heterogênea

Segundo o estudo, a identificação destes micro-organismos com dados de diferentes regiões do mundo pode funcionar como uma base de dados heterogêneos e importante para o diagnóstico e tratamento dos pacientes com câncer.

Além disso, pacientes que sofrem com doença de Crohn e retocolite ulcerativa também se beneficiariam, já que ambas não têm cura, mas podem ser controladas a partir de um diagnóstico precoce.

Fonte:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/01/pesquisadores-brasileiros-identificam-bacterias-que-facilitam-diagnostico-de-cancer-intestinal.ghtml