Guilherme França – Página: 2 – Widoctor

O uso do celular está mudando o formato do crânio humano

O uso do celular está mudando o formato do crânio humano

Elevação óssea na região da cabeça é ligado a uso exagerado de celulares

São Paulo – Você está sempre olhando para baixo quando usa o celular? Esse hábito pode estar mudando você. Um estudo, publicado pelo jornal Scientific Reports, indica que o uso excessivo de smartphones e outros aparelhos que forcem a cabeça a ficar inclinada para frente pode estar modificando o corpo humano. Mais especificamente, a região da cabeça perto da nuca.

De acordo com cientistas da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, essa é a razão pela qual diversas pessoas mais novas possuem uma pequena cauda óssea na parte de trás da cabeça, exatamente na intersecção entre espinha dorsal e crânio. Tipicamente, o tamanho do crescimento é cerca de 2,6 centímetros, podendo chegar a até 3,1 centímetros de comprimento.

Conhecida cientificamente como protuberância occipital externa, de tipo entesófito ou aumentada, essa pequena elevação óssea surge em locais onde um ligamento ou tendão se conecta com um osso. Visto que essa “cauda” geralmente demora um longo período de tempo para se tornarem evidentes, era comum que apenas pessoas mais velhas fossem estudadas.

Porém, o estudo demonstrou o contrário. Ao analisarem 1.200 pessoas com idade entre 18 a 86 anos, foi constatado que a elevação óssea é mais comumente encontrada em homens de 18 a 30 anos de idade. 33% dos participantes apresentaram grande crescimento na deformação do encontro da região da cabeça com a espinha dorsal.

Texto retirado de:

https://exame.abril.com.br/ciencia/o-uso-do-celular-esta-mudando-o-formato-do-cranio-humano/

Um alerta para a resposta ao surto de Ebola

Um alerta para a resposta ao surto de Ebola

Um pastor de 46 anos morreu de infecção pelo vírus Ebola em Goma, República Democrática do Congo, esta semana. Quase um ano após o início do surto de ebola, a OMS convocou uma reunião de alto nível para analisar a resposta e solicitar uma abordagem coordenada mais ampla com os parceiros da ONU antes da publicação do quarto plano estratégico de resposta (SRP4) pelo governo. O tom da reunião foi desafiador e transmitiu uma mudança definitiva na narrativa, em desacordo com aqueles que afirmam que o surto do vírus Ebola está sob controle. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que irá reunir novamente o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional. Em meio a um imenso déficit de financiamento, a mensagem era clara: o mundo agora deve despertar para a fragilidade da resposta ao surto.

As principais questões foram a necessidade de reconstruir a confiança nas comunidades afetadas e as preocupações sobre a disseminação adicional para os países vizinhos. Foram feitos agradecimentos a algumas nações do G7 e francófonos que ainda não se comprometeram com o financiamento. Mas repetidas solicitações por transparência operacional e financeira e prestação de contas podem explicar em parte porque os doadores não investiram totalmente na resposta até o momento.

Para chegar a zero casos, a escolha foi clara: uma resposta cara e demorada ou uma resposta direcionada mais curta e menos dispendiosa. O Dr. Tedros afirmou que o conflito de longa data é o principal desafio e que o Ebola, o sarampo e a cólera são todos sintomas da causa subjacente. Ele ressaltou que “a liderança do governo [da República Democrática do Congo] é a chave para o sucesso dessa luta”.Mas alguns especialistas argumentam que o conflito, a pobreza e as questões de governança extrapolam a esfera do setor da saúde e não devem prejudicar o tratamento da epidemia agora.

A abordagem proposta parece ser uma ampliação das estratégias existentes lideradas pela República Democrática do Congo, que convida os doadores a aumentar seu financiamento. No entanto, a OMS, reconhecendo a natureza política desta crise, reconhece que a solução exigirá muito mais do que capacidade técnica e investimento financeiro. O esperado SRP4 sob a liderança do governo da RDC será suficiente? Possivelmente. Mas possivelmente não. O que é de suma importância agora é que a comunidade internacional se reúna de forma mais assertiva para conter rapidamente o vírus.

Fonte:

The Lancet

Cientistas criam primeiro ‘líquido magnético’, que pode revolucionar a medicina

Cientistas criam primeiro ‘líquido magnético’, que pode revolucionar a medicina

A ciência nunca tinha criado um material que fosse ao mesmo tempo líquido e com propriedades magnéticas.

Agora, um grupo de cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (mais conhecido como Berkeley Lab), nos EUA, conseguiu combinar as duas coisas em um material – e as possíveis aplicações são inúmeras.

A equipe, liderada pelos cientistas Tom Russell e Xubo Liu, usou uma impressora 3D modificada para criar a substância.

 

A pesquisa “abre a porta para uma nova área na ciência da matéria branda magnética”, disse Russell, que é professor de ciência de polímeros e engenheiro da Universidade de Amherst, em Massachussets, nos EUA.

 

Em termos concretos, a substância pode provocar uma verdadeira revolução em campos como a medicina e a robótica.

As gotas líquidas magnéticas podem ser guiadas por meio de ímãs externos – o que permitiria “guiar”, do lado de fora, medicamentos dentro do corpo humano. Este procedimento permitiria combater melhor doenças específicas – como o câncer, por exemplo.

No campo da robótica, o novo material permitiria a criação de máquinas mais ágeis.

“Esperamos que a partir desta descoberta as pessoas encontrem ainda mais aplicações. Já que, dentro da ciência, nunca se pensou que isto fosse possível”, disse Russell.

 

Precedentes

Na década de 1960, a agência espacial dos EUA, a NASA, começou a empregar substâncias chamadas de “ferrofluidos” – líquidos que reagiam ao estímulo de forças magnéticas.

Hoje, os ferrofluidos são usados para amortecer impactos em alguns tipos de autofalantes e os discos rígidos de computadores.

O problema é que eles são incapazes de manter o seu magnetismo quando os ímãs que os estimulam são removidos.

E esta é a principal vantagem da nova criação dos americanos do Berkeley Lab, ligado ao Departamento de Energia do governo dos EUA.

 

Como a nova substância foi obtida?

Para criar o magnetismo, os cientistas do Berkeley Lab primeiro produziram algumas gotas de uma solução de ferrofluido que também continha nanopartículas de óxido de ferro.

Depois, usaram técnicas atômicas avançadas e uma bobina magnética, fizeram com que as nanopartículas de óxido de ferro assumissem o formato de “pequenas conchas maciças”. Uma vez que o estímulo magnético era retirado, estas “conchinhas” continuavam gravitando umas em torno das outras de forma uníssona. Ou seja, as gotículas de ferrofluido tinham se tornado magnéticas de forma permanente.

Os cientistas também comprovaram que estas “gotas” mantinham suas propriedades atrativas mesmo depois de serem divididas até o tamanho de um “pelo humano”.

Outras propriedades dessas gotas incluem a mutação de suas formas para se adaptar a qualquer ambiente e a possibilidade de “ativar e desativar o modo magnético”.

Uma vez que as fundações foram lançadas, a pesquisa continuará com a impressão 3D de fluidos magnéticos mais complexos, como células ou robôs em miniatura que podem se mover com fluidez para transportar medicamentos para células doentes dentro do corpo humano.

Texto retirado de:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/22/cientistas-criam-primeiro-liquido-magnetico-que-pode-revolucionar-a-medicina.ghtml

Entenda quais as atribuições do CRM e do CFM

Entenda quais as atribuições do CRM e do CFM

Falaremos de supervisão, normatização, disciplina, fiscalização e julgamento da atividade profissional médica no território nacional. Zelar e trabalhar pelo desempenho ético da medicina e pelo prestigio e bom conceito da profissão a todos que a exercem de forma legal.

De acordo com o Art. 2º da lei nº 3.268, de 30 de setembro 1957, de modo geral, essas são as funções dos órgãos que representam a classe médica no Brasil.

Porém, é constante a dúvida acerca das competências exercidas pelo Conselho Federal de Medicina e pelos Conselhos Regionais.

Mas, afinal, você sabe o que compete a cada conselho?

Para sanarmos essa dúvida, convido-os a analisarmos um pouco mais a lei nº 3.268 e demais leis e resoluções posteriores que vieram para complementar e garantir direitos à classe médica brasileira.

Primeiramente, antes da distinção de competências, precisamos definir a que se refere cada órgão. O Conselho Federal de Medicina (CFM) foi criado em 1951 e é aquele que se estabelece na Capital da República, tendo jurisdição em todo o território nacional.

Ao que tange os Conselhos Regionais, estes localizam-se em cada capital de Estado e Território e no Distrito Federal, ficando subordinados ao Conselho Federal e sendo denominados segundo sua jurisdição.

O CFM é um órgão que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica, além de possuir um papel político, pois constantemente pode atuar junto ao poder público visando garantir melhores condições da saúde para a população.

Dentre as competências do órgão, merecem destaque a organização do seu regimento interno, a aprovação de regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais e a promoção de alterações no Código de Ética Médica e no Código de Processo Ético-Profissional, após ouvir o conselho pleno nacional.

Também possui como função a expedição de regulamentos ou verificações relativas ao funcionamento dos Conselhos de Medicina, nos estados e territórios, e adoção, quando necessárias, de providências cabíveis para sua eficácia e regularidade. Além disso, é de papel do CFM tomar conhecimento de quaisquer dúvidas suscitadas pelos Conselhos Regionais.

Em grau de recurso, por provocação dos Conselhos Regionais ou de qualquer interessado, deve deliberar sobre a admissão de médicos nos Conselhos Regionais, bem como sobre as penalidades impostas aos mesmos e proclamar o resultado das eleições dos Conselhos Regionais.

Em adição, cabe ao CFM representar juridicamente a categoria médica nas questões referentes a interfaces profissionais e também conhecer e julgar recursos interpostos contra as decisões dos Conselhos Regionais em sindicâncias, processos administrativos e disciplinares instaurados.

O CFM também possui o intuito de firmar convênios com os CRMs, instituições de ensino médico, sociedade de especialidades e associações médicas, bem como com outros órgãos dos governos federais e estaduais, buscando o cumprimento de suas funções, além de possuir a responsabilidade de fixar e alterar o valor da anuidade única cobrada aos inscritos nos CRMs, pessoas físicas ou jurídicas.

Em relação aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), se estabelece como principais competências a inscrição e o cancelamento no quadro do conselho, o controle de registo de médicos legalmente habilitados, com exercício em sua respectiva região; a fiscalização do exercício da profissão do médico.

Cabe também aos CRMs a função de conhecer, apreciar e decidir os assuntos atinentes à ética profissional, impondo as penalidades que couberem (julgamento de casos que ferem o Código de Ética Médica); elaboração de proposta de regimento interno (a qual se submete a aprovação do CFM); publicação de relatórios anuais das atividades e trabalhos desenvolvidos, bem como a relação dos profissionais registrados, além de promover ações visando aperfeiçoar a Educação Médica e Ética dos Médicos.

Texto retirado de:

https://academiamedica.com.br/blog/conheca-um-pouco-melhor-quem-representa-a-classe-medica

Pericardite Inflamatória Aguda

Pericardite Inflamatória Aguda

Considerações Gerais

 

A inflamação aguda do pericárdio (menos de 2 semanas) pode ser de origem infecciosa ou pode ser devida a doenças sistêmicas (síndromes autoimunes, uremia), neoplasia, radiação, toxicidade medicamentosa, hemopericárdio, cirurgia cardíaca ou processos inflamatórios contíguos no miocárdio ou pulmão. Em muitas dessas condições, o processo patológico envolve tanto o pericárdio quanto o miocárdio. Pericardite global é responsável por 0,2% das internações hospitalares e cerca de 5% dos pacientes com dor torácica não isquêmica visto no departamento de emergência. Infecções virais (especialmente infecções com coxsackieviruses e echoviruses mas também influenza, Epstein-Barr, varicela, hepatite, caxumba e vírus HIV) são a causa mais comum de pericardite aguda e provavelmente são responsáveis ​​por muitos casos classificados como idiopáticos. Os homens – geralmente com menos de 50 anos – são os mais afetados.

O diagnóstico diferencial requer primeiramente a exclusão do infarto agudo do miocárdio. A pericardite tuberculosa é rara nos países desenvolvidos, mas permanece comum em certas áreas do mundo. Resulta de disseminação linfática ou hematogênica direta; O envolvimento pulmonar clínico pode ser ausente ou menor, embora os derrames pleurais associados sejam comuns. A pericardite bacteriana é igualmente rara e geralmente resulta da extensão direta de infecções pulmonares. Pneumococos, no entanto, podem causar uma infecção primária por pericárdio. Borrelia burgdorferi, o organismo responsável pela doença de Lyme, também pode causar miopericardite (e ocasionalmente bloqueio cardíaco).  A pericardite urêmica é uma complicação comum da doença renal crônica. A patogênese é incerta; ocorre tanto com uremia não tratada quanto em pacientes de diálise estável.

A disseminação de câncer de pulmão adjacente, bem como a invasão por câncer de mama, carcinoma de células renais, doença de Hodgkin e linfomas são os processos neoplásicos mais comuns envolvendo o pericárdio e se tornaram as causas mais freqüentes de tamponamento pericárdico em muitos países.A pericardite pode ocorrer 2 a 5 dias após o infarto, devido a uma reação inflamatória à necrose miocárdica transmural (infarto pós-miocárdico ou pericardite por cardiotomia [síndrome de Dressler]). A radiação pode iniciar um processo fibrótico no pericárdio, apresentando-se como pericardite subaguda ou constrição.  Outras causas de pericardite incluem doenças do tecido conjuntivo, como lúpus eritematoso e artrite reumatóide, pericardite induzida por drogas (minoxidil, penicilinas, clozapina) e mixedema. Além disso, a pericardite pode resultar de lesão pericárdica de procedimentos cardíacos invasivos (como marca-passo cardíaco e perfuração do desfibrilador e ablação intracardíaca, especialmente a ablação da fibrilação atrial) e o implante de dispositivos intracardíacos (como dispositivos oclusores de CIA). Pericardite e miocardite podem coexistir em 20 a 30% dos pacientes. A miocardite costuma ser suspeitada quando há elevação das troponinas séricas, embora não haja dados que sugiram que as elevações da troponina estejam associadas a um mau prognóstico.

 

Tratamento

 

Para pericardite aguda, os especialistas sugerem uma restrição nas atividades até a resolução dos sintomas. Para atletas, a duração da restrição ao exercício deve ser até a resolução dos sintomas e a normalização de todos os exames laboratoriais (geralmente 3 meses). As diretrizes 2015 ESC recomendam a aspirina 750-1000 mg a cada 8 horas por 1-2 semanas com redução gradual da dose de 250 a 500 mg a cada 1-2 semanas ou ibuprofeno 600 mg a cada 8 horas por 1 a 2 semanas com redução gradual diminuindo a dose em 200 a 400 mg a cada 1-2 semanas. A gastroproteção deve ser incluída. Os estudos apóiam o tratamento inicial do episódio agudo com colchicina para prevenir recidivas. A colchicina deve ser adicionada à medicação antiinflamatória não-esteróide em 0,5 a 0,6 mg uma vez (para pacientes com menos de 70 kg) ou duas vezes (para pacientes com mais de 70 kg) diariamente e continuada por pelo menos 3 meses. A redução gradual da colchicina não é obrigatória; no entanto, na última semana de tratamento, a dose pode ser reduzida a cada dois dias para pacientes com menos de 70 kg ou uma vez por dia para aqueles com mais de 70 kg. A aspirina e colchicina devem ser usadas em vez de medicamentos antiinflamatórios não-esteróides na pericardite pós-infarto do miocárdio (síndrome de Dressler), uma vez que medicamentos antiinflamatórios não-esteróides e corticosteróides podem ter um efeito adverso na cicatrização do miocárdio. A aspirina em doses de 750-1000 mg três vezes ao dia por 1-2 semanas mais 3 meses de colchicina é o tratamento recomendado para a síndrome de Dressler.

 

A colquicina deve ser usada por pelo menos 6 meses como terapia em todos os casos refratários e na pericardite recorrente. Às vezes, é necessária uma terapia mais longa. O CRP é usado para avaliar a eficácia do tratamento e, uma vez normalizado, o tapering é iniciado. A indometacina em doses de 25 a 50 mg a cada 8 horas também pode ser considerada na pericardite recorrente no lugar do ibuprofeno.  Os corticosteroides sistêmicos podem ser adicionados em pacientes com sintomas graves, em casos refratários ou em pacientes com etiologias imunomediadas, mas essa terapia pode acarretar um risco maior de recorrência e pode realmente prolongar a doença. A colchicina é recomendada em adição aos corticosteróides, novamente por pelo menos 3 meses, para ajudar a prevenir as recorrências. A prednisona em doses de 0,25 a 0,5 mg / kg / dia por via oral geralmente é sugerida com redução gradual por um período de 4 a 6 semanas.

 

Por via de regra, os sintomas diminuem em vários dias a semanas. A principal complicação precoce é o tamponamento, que ocorre em menos de 5% dos pacientes. Pode haver recorrências nas primeiras semanas ou meses. Raramente, quando a terapia com colchicina falha ou não pode ser tolerada (geralmente ocorre com sintomas gastrointestinais), a pericardite pode exigir imunossupressão mais significativa, como ciclofosfamida, azatioprina, imunoglobulinas humanas intravenosas, antagonistas dos receptores da interleucina-1 (anakinra) ou metotrexato. Se a colchicina associada à imunossupressão mais significativa falhar, a remoção cirúrgica do pericárdio pode ser considerada em casos recorrentes, mesmo sem evidências clínicas de pericardite constritiva. A terapia com drogas antituberculose padrão geralmente é bem-sucedida para a pericardite tuberculosa (consulte o Capítulo 9), mas pode ocorrer pericardite constritiva. A pericardite urêmica geralmente se resolve com a instituição – ou com diálise mais agressiva. O tamponamento é bastante comum e a pericardiectomia parcial (janela pericárdica) pode ser necessária. Considerando que os agentes antiinflamatórios podem aliviar a dor e a febre associada à pericardite urêmica, a indometacina e os corticosteroides sistêmicos não afetam sua história natural. O prognóstico com efusão neoplásica é pobre, com apenas uma pequena minoria sobrevivendo 1 ano. Se estiver comprometendo o conforto clínico do paciente, o derrame é inicialmente drenado percutaneamente. Tentativas de pericardiotomia por balão foram abandonadas porque os resultados não foram mais eficazes do que a simples drenagem. Uma janela pericárdica, seja por abordagem subxifoide ou por cirurgia torácica videoassistida, permite pericardiectomia parcial. A instilação de agentes quimioterápicos ou tetraciclina pode ser usada para reduzir a taxa de recorrência. A terapia sintomática é a abordagem inicial à pericardite por radiação, mas derrames e constrições recorrentes geralmente requerem cirurgia.

 

Quando encaminhar  Pacientes que não respondem inicialmente ao tratamento conservador, que apresentam recidivas ou que parecem estar desenvolvendo pericardite constritiva devem ser encaminhados a um cardiologista para avaliação adicional.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Tecnologia a serviço da demência

Tecnologia a serviço da demência

No Reino Unido, foi criado o Care Research and Technology Centre, instituição voltada exatamente para a pesquisa tecnológica aplicada ao cuidado – o orçamento é de 20 milhões de libras, o equivalente a 97 milhões de reais. O neurologista David Sharp, diretor do centro, diz que de 85% a 90% dos indivíduos afirmam que preferem permanecer em seus lares: “nosso objetivo é buscar tecnologias centradas no paciente com demência para que vivam melhor e em suas casas enquanto isso for possível. As estatísticas mostram que um em cada quatro leitos hospitalares é ocupado por pessoas com demência e 20% dessas internações são causadas por quedas, desidratação ou infecções que poderiam ser evitadas”. Sensores para serem usados no corpo ou espalhados pela residência ajudarão a medir os sinais vitais, como pressão arterial e temperatura, além de monitorar o sono dos idosos. Tais informações poderão ser compartilhadas com cuidadores para viabilizar intervenções mais rápidas.

 

No fim do mês passado, o jornal “Financial Times” fez reportagem sobre iniciativa da organização britânica Alzheimer’s Society, que criou um programa de crowdsourcing para financiar projetos que atendam a portadores da doença. Arrecadou 200 mil libras (970 mil reais) e vai investir em duas propostas: a primeira se chama Jelly Drops: apesar de parecerem atraentes jujubas, elas não são guloseimas – sua composição tem 90% de água e o objetivo é prevenir a desidratação. A segunda é um aplicativo chamado “How I do?” (“Como eu faço?”), que oferece um tutorial simples para tarefas do dia a dia, como preparar uma xícara de chá ou tomar banho, para quem já apresenta dificuldades em executar suas atividades.

 

Vem da Finlândia uma outra abordagem que une tecnologia e calor humano, como mostrou a revista “The Economist”. Através de um monitor, uma enfermeira acompanha o almoço de um grupo de idosos. Ela se certifica de que vão se alimentar bem e na hora certa porque, embora as refeições tenham sido distribuídas pelo serviço social, todos vivem sozinhos e essa companhia, mesmo virtual, representa um estímulo. Esse “encontro” também é uma forma de checagem: se a enfermeira notar algo diferente, pode acionar um cuidador para fazer uma visita.

Fonte:

https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/07/04/tecnologia-a-servico-da-demencia.ghtml

O dilema da medicina genética: intervenções esbarram em limites éticos

O dilema da medicina genética: intervenções esbarram em limites éticos

São Paulo — Fazer ou não fazer? Contar ou não contar? A medicina genética lida diariamente com os dilemas em relação aos testes e aplicações em genes de pacientes, que em algum momento esbarram nos limites éticos. A questão foi abordada durante o EXAME Fórum Saúde, que aconteceu na manhã do dia 12 de junho em São Paulo.

Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo, apresentou um panorama de como as alterações e testes genéticos entraram na pauta da sociedade, após o caso do cientista chinês que editou o gene de duas bebês para deixá-las imunes ao HIV.

“Eu defendo que façamos pesquisas em embriões, mas que não serão implantados para desenvolvimento, já que é melhor aprender a corrigir um defeito do que descartá-lo. Mas, enquanto não tivermos total certeza de que essas alterações não acarretarão outros problemas de saúde no futuro, não devemos modificar os genes”, afirma.

Para a especialista, esse é o principal limite para as alterações. Já em relação aos testes genéticos, eles devem ser feitos. Mas há duas questões a ser respondidas: o que se deve contar ou não das descobertas para os pacientes e para onde vão os dados coletados.

No primeiro alerta, Zatz cita situações em que o teste genético revela equívoco de paternidade. “Como fazemos quando descobrimos que o pai não é o pai biológico? Na maioria das vezes, precisamos chamar a mãe, mas o dilema está aqui”, conta.

Já em relação ao segundo dilema, a proteção de dados e a segurança jurídica são discussões constantes e nem sempre trazem respostas satisfatórias. “A evolução da ciência não pode se sobrepor aos nossos direitos de dados”.

Futuro das pesquisas genéticas

A cientista afirma que as pesquisas genéticas serão cada vez mais comuns em todo o mundo, mas, para que o Brasil não perca sua evolução, será necessário aumentar o financiamento.

“Recentemente tivemos um corte enorme nos investimentos das pesquisas genéticas e há uma série de profissionais competentes para isso. Mas nos últimos meses eles têm buscado oportunidades fora do país. Sem investimento na ciência, não vamos evoluir”, afirmou.

Zatz sugere que as políticas públicas comecem a ser pensadas para inserir a população no investimento em ciência, com incentivos ficais não só para empresas, mas para pessoas físicas também.

“Nos Estados Unidos há esse incentivo e aqui também precisamos começar a elaborar. Quem teve um parente que viveu com Alzheimer, por exemplo, com certeza, se tiver condições financeiras, irá pagar para descobrirmos mais sobre a doença”, conclui.

Fonte:

https://exame.abril.com.br/tecnologia/o-dilema-da-medicina-genetica-intervencoes-esbarram-em-limites-eticos/

Micro-objetivos: como começar (e terminar) qualquer tarefa

Micro-objetivos: como começar (e terminar) qualquer tarefa

Os métodos mais simples para estimular a produtividade levam em conta o princípio de criar pequenas metas, os micro-objetivos. Entenda duas técnicas, com base nos micro-objetivos, que vão te ajudar a começar suas tarefas, e não parar até cumpri-las.

A forma mais simples de estimular a produtividade se baseia na ideia de começar, de qualquer forma, estipulando uma pequena meta. A eficácia dos “micro-objetivos” foi comprovada cientificamente: é possível enganar o cérebro para aumentar os níveis de dopamina – neurotransmissor que ativa os circuitos de recompensa – ao alcançá-los.

Para cada tarefa que precisa ser cumprida, o princípio dos micro-objetivos é fracioná-la nos menores pedaços possíveis e completar um de cada vez. Por exemplo, se a meta final é escrever um texto, um bom começo é abrir o documento no computador. O segundo objetivo pode ser redigir uma frase, o terceiro, a segunda, e assim por diante.

Com o aumento da dopamina, qualquer passo vai parecer uma maior realização do que é. Assim, a motivação cresce e consequentemente, a eficiência também. Esta premissa é utilizada em várias técnicas de produtividade – selecionamos duas das melhores.

 

Regra de 5 minutos

Esta método pertence à categoria de psicoterapia chamada Cognitivo Comportamental e consiste em se dedicar a uma atividade por apenas cinco minutos. Parece pouco, mas cinco minutos de atividade são bem mais do que fazer nada – ainda mais a médio ou longo prazo.

Grande parte da procrastinação vem da ansiedade de começar uma tarefa sem saber quanto tempo ela levará, ou exatamente que passos deverão ser realizados. Então, a regra que prevê o micro-objetivo de trabalhar por cinco minutos funciona porque é dá a impressão de ser completamente possível.

Seguindo esta técnica, há grandes chances da energia começar a fluir e, com ela, surgir também vontade de cumprir a meta. Por conta disso, na segunda, ou terceira vez, há chances de o período de trabalho se estender por muito mais do que os minutos previstos.

 

Regra de 2 Minutos (com base na Lei de Newton)

Se cinco minutos ainda parece muito, a Regra de 2 Minutos criada pelo escritor e empreendedor James Clear  pode ser o ideal. Ele também incrementou a abordagem de “apenas começar”, porém com base em uma teoria do físico Isaac Newton.

Esta regra prevê que para acabar com a procrastinação, a pessoa deve encontrar uma maneira – qualquer – de iniciar sua tarefa em menos de dois minutos.

O segundo princípio deste método é baseado no que diz a Primeira Lei de Newton. Também conhecida como Lei da Inércia, presume que um objeto permanece em repouso ou continua a se mover a uma velocidade constante, a menos que seja influenciado por uma força externa.

De acordo com a Lei da Inércia, James Clear diz que assim que conseguir iniciar a tarefa de dois minutos – ou seja, começar a ser produtivo -, vai ser muito mais fácil continuar. Sem perceber, todos os micro-objetivos serão cumpridos e as maiores metas, também.

Disponível em:

Micro-objetivos: como começar (e terminar) qualquer tarefa

A Medicina não é uma profissão, mas um ofício

A Medicina não é uma profissão, mas um ofício

Tal qual um carpinteiro, o médico exerce um ofício
Não dá para aprender a ser médico nas frases de um livro

Alguém pegou no ombro do jovem artesão
Ensinou o passo a passo, sussurrou com coração
Mostrou como empunhar o martelo, como escolher a madeira,
Mostrou como se faz uma bela cadeira

O advogado leu e decorou as leis
O físico calculou órbita do planeta seis
Construir e edificar tal qual a engenharia
Havia um livro a ensinar toda essa bruxaria

Mas o jovem carpinteiro, que leva a vida moldando um Pinheiro
Exerce um ofício passado de corpo inteiro
Não adianta dizer onde bater o prego ou quão macio será o assento,
Vai lá, aprende, erra, tenta, com empenho

Pois bem, o médico tal qual o carpinteiro
Exerce um ofício, ama, chora, sente o cheiro
Algum grande mestre o ensinou a colher uma história
Disse onde estavam as pedras no caminho da glória

Se fulano sente isso, pergunte sobre aquilo
Se lhe responder isto, complemente, seja preciso
Ouça o que ele quer te dizer
Ouça o que ele não quer te contar
Por fim escute o que ele jamais poderia abordar

Ponha a mão no ombro do doente
Toque, sinta o que ele sente
Ausculte seu coração, peça que respire fundo
aí vem o pulmão
Se mova de um lado para o outro,
Erre e ouça: assim é melhor, não acha meu garoto?

A ti chegarão os mais vulneráveis
Nos piores momentos de suas vidas
Seja paciente e mesmo que não suporte o ambiente
É seu dever, dentro do ofício, lidar com gente

Gente educada, gente bonita
Gente estressada querendo uma boa briga
Gente grata, gente triste, gente sem nada
Que só precisa de uma boa conversada

Você será pai, irmão, neto de alguém
Pois bem,
olhe para aquela pessoa como amor de outrem

William Osler já nos dizia, há muito tempo
Ver pacientes sem ler livros é como navegar ao relento
Mas ler livros sem ver pacientes é a mesma coisa que nunca ter sentido o vento

Vejamos a medicina com paixão
Como me ensinou um certo Tavarão
“Nunca perca o brilho no olhar”
Espero que ele permaneça até minha alma evaporar
Compartilhe dessa arte com grandes amigos
Aqueles que são verdadeiros amantes dos nossos ofícios

Pois tal qual um carpinteiro, o médico não exerce uma profissão, o médico exerce um ofício 24 horas, o dia inteiro.

Disponível em:

https://academiamedica.com.br/blog/a-medicina-nao-e-uma-profissao-mas-um-oficio

Pfizer ocultou indícios de que um de seus fármacos poderia prevenir o Alzheimer

Pfizer ocultou indícios de que um de seus fármacos poderia prevenir o Alzheimer

Foi um achado surpreendente. Em 2015, depois de analisar centenas de milhares de reclamações de seguros, uma equipe de pesquisadores da Pfizer descobriu que um dos fármacos campeão de vendas da empresa, o Enbrel, um potente anti-inflamatório para o tratamento de artrite reumatoide, poderia reduzir o risco de Alzheimer em 64%. É o que revela The Washington Post em uma reportagem exclusiva, com base em documentos internos da empresa, aos quais teve acesso.

Acontece que a verificação desses efeitos do remédio exigiria um teste clínico caro. E, depois de um longo debate interno, a gigante farmacêutica decidiu não prosseguir com a pesquisa e não divulgar os resultados, como a empresa confirmou ao jornal.

“O Enbrel poderia potencialmente prevenir, tratar e retardar a progressão do mal de Alzheimer”, dizia o documento em PowerPoint, de acordo com o Post, preparado por um grupo de pesquisadores da Pfizer para ser apresentado a um comitê interno da empresa em fevereiro de 2018. Esses especialistas, do departamento de doenças inflamatórias e imunologia, pediram à Pfizer que realizasse um ensaio clínico com milhares de pacientes e um custo estimado de 80 milhões de dólares (cerca de 320 milhões de reais).

Mas, segundo a explicação da Pfizer ao jornal, após três anos de estudos internos a empresa entendeu que a expectativa de que o Enbrel prevenisse o mal de Alzheimer não era alta porque o fármaco não atinge diretamente o tecido cerebral. A decisão de não continuar pesquisando foi exclusivamente científica, disse um porta-voz da empresa. Eles também consideraram que a publicação de um resumo de suas descobertas estatísticas não teria cumprido seus “rigorosos padrões científicos”.

No entanto a Pfizer compartilhou seus dados em particular com pelo menos um cientista proeminente, de acordo com o Post. Mas outros pesquisadores consultados pelo jornal acreditam que, pelo menos, a empresa deveria ter publicado esses dados para que outros cientistas pudessem acessá-los. As empresas farmacêuticas têm sido alvo frequente de críticas por esconderem os efeitos negativos de seus produtos. Mas não há consenso sobre quais obrigações as farmacêuticas teriam para disseminar possíveis novos efeitos positivos.

A busca de novos tratamentos para a doença de Alzheimer até o momento tem sido frustrante. Apesar dos bilhões investidos em pesquisa, não existe uma droga que efetivamente previna ou trate com eficácia essa doença neurodegenerativa, a forma mais comum de demência, que se caracteriza pela perda de memória e outras habilidades mentais e que, atualmente, é incurável e afeta pelo menos meio milhão de novos pacientes por ano. Mais de 400 ensaios clínicos fracassaram desde que a última droga para a doença, que só trata os sintomas, e temporariamente, foi aprovada há mais de 10 anos.

Não é incomum que medicamentos desenvolvidos para tratar uma condição acabem sendo usados para outra. A própria Pfizer tem uma história conhecida de sucesso: a do popular Viagra, concebido para tratar a hipertensão e que acabou como um tratamento para a disfunção erétil, gerando lucros bilionários para a empresa. Ao contrário desse caso, o Enbrel não é atualmente protegido com uma patente exclusiva, como era o Viagra na época, o que reduz os lucros e incentivos para pesquisar outros usos do medicamento.

No momento em que eram concluídas as deliberações internas sobre o Enbrel, a Pfizer estava, na realidade, abandonando a pesquisa sobre o Alzheimer. A empresa anunciou em janeiro de 2018 o fechamento de sua divisão neurológica tecnológica. Na mesma semana houve a divulgação do fracasso de dois medicamentos experimentais desenvolvidos por outras empresas farmacêuticas.

Fonte:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/05/internacional/1559749832_040997.html