Guilherme França – Página: 9 – Widoctor

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Graduação sanduíche

Graduação sanduíche

Pergunta: Joana Guedes (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Ola Dr Mário, gostaria de saber sobre graduação sanduíche, se vale a pena fazer, em específico na Espanha, pois lá não é tão falado quanto EUA ou Canadá, mas parece ter boas oportunidades, o que o senhor poderia me dizer?

Resposta :

A Graduação Sanduiche faz parte do projeto Ciência sem Fronteiras.

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder 101 mil bolsas até 2014. Para se inscrever é preciso apresentar teste de proficiência no idioma aceito pela instituição de destino e ter cumprido no mínimo 20% e, no máximo, 90% do currículo do curso de graduação.

A bolsa concedida aos candidatos selecionados custeará a permanência do aluno por até 12 meses para a realização de estudos em tempo integral. Os estudantes também terão auxílio-instalação, seguro-saúde, auxílio-deslocamento para aquisição de passagens aéreas e auxílio-material didático.

Ao todo são 20 países de destino: Reino Unido, Bélgica, Canadá, Holanda, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Espanha, EUA, Alemanha, França, Itália, Suécia, Noruega, Irlanda, China, Hungria, Japão, Áustria.

A experiência de morar fora do país por uma ano e poder participar do ensino em uma universidade diferente da sua, será altamente enriquecedora e com certeza vai ser a maior experiência da sua vida; não apenas cientificamente , mas também culturalmente, além de aumentar muito seu ciclo de relacionamentos e contato com novas culturas.

Do ponto de vista cientifico e dependendo do seu interesse futuro em alguma especialidade, a escolha poderá recair em países diferentes.

Considerando alta tecnologia, EUA, Alemanha e Canadá poderiam representar as melhores escolhas.

Considerando cultura e áreas sociais, a França, o Reino Unido e a Coréia do Sul seriam ótimas escolhas.

Se valorizar diversidade cultural em país desenvolvido, a Austrália, Suécia, Noruega e Japão podem ser uma boa escolha.

A Espanha atualmente está em grave crise econômica e mesmo social e acho que não deveria ser a melhor escolha, embora seja um dos países mais desenvolvidos na área de oftalmologia.

De qualquer modo, para qualquer país onde vc for, será uma excelente experiência. Não perca essa oportunidade.

Sucesso

Mário Novais

Como estruturar artigos científicos

Como estruturar artigos científicos

Durante a sua vida profissional e principalmente no início de carreira, o médico precisa aprender a preparar um trabalho científico para ser apresentado em congressos ou para ser publicado em revistas médicas.

É importante que o médico aprenda a divulgar seus conhecimentos, sua experiência e suas descobertas. É um compromisso que ele deve ter com a ciência, já que suas experiências podem ser úteis para outros médicos e, em última instância, para os pacientes.

Além disso, a publicação de artigos, de revisões, de descrição de casos, comunicações prévias ou qualquer outro tipo de trabalho científico, são importantes para o currículo médico, pois serão de grande valor por ocasião de concursos.

Se você pretende mandar algum artigo para uma revista médica, procure na própria revista a orientação que é dada para os autores, de modo que seu trabalho obedeça as instruções dos editores.

De uma maneira geral a estrutura dos trabalhos científicos é uniforme:

  1. Título

O título do trabalho deve ser simples, procurando exprimir com poucas palavras o conteúdo do trabalho

  1.  Autores

Os nomes do autor e dos co-autores podem vir abreviados ou por extenso. No rodapé da primeira folha deve ser citado a titulação dos autores e o local de trabalho dos mesmos

  1.  Resumo

Um resumo, não maior do que uma página e, de preferência, contendo não mais que 250 palavras, deve sintetizar todo o trabalho e deve conter :

  • Um comentário geral sobre o assunto (um parágrafo)
  • Método cientifico utilizado
  • Resultados
  • Conclusão
  1.  Introdução

A introdução tem como objetivo situar o autor no assunto a ser discutido no trabalho. Consta de uma revisão bibliográfica sobre o assunto, procurando familiarizar o leitor com a matéria e encerra-se definindo a razão e os objetivos do trabalho

  1.  Método

Neste item são definidos o número de pacientes utilizados, assim como as características destes pacientes e o método cientifico empregado na execução do trabalho

  1.  Resultados

Os resultados devem ser apresentados de forma organizada, utilizando-se a maior quantidade possível de tabelas e gráficos

Neste item apresenta-se apenas os resultados, não se fazendo comentários sobre os mesmos

  1.  Discussão

Aqui os resultados citados no item anterior são comentados pelo autor e se possível comparados com dados de literatura, encontrados por trabalhos correlatos. É uma seção importante, onde o autor vai expressar sua opinião a respeito dos resultados encontrados  e dar sua real contribuição

  1.  Conclusão

As conclusões finais do trabalho devem estar diretamente relacionadas aos objetivos iniciais do trabalho. Estas conclusões devem ser sucintas, evitando-se inferir suposições que não possam ser concluídas por este trabalho

  1. Bibliografia

Neste item devem ser colocadas todas as referências bibliográficas citadas no corpo do trabalho.

Bibliografias usadas pelo autor, mas não citadas no corpo do trabalho não devem aparecer neste item

Existem várias nomenclaturas aceitas para a citação da bibliografia, como:

Deita MR, Sandeus DR. Lafayette AP. Diurnal change in refraction after radial keratotomy. Ophtalmology 1998: 95:130-135.

A citação significa que os autores publicaram na revista Ophtalmology  de 1998, volume 95, páginas de 130 a 135.

 

Por Fabricio Gawryszewski

Postergar a residência médica?

Postergar a residência médica?

Pergunta: Diego Bastos (Hospital Geral Universitário – Cuiabá)

Quero parabenizá-lo pelo site.Excelente! Tenho 23 anos, e estou no 11º semestre do curso, e possuo muita dúvida em relação qual caminho tomar após o término da faculdade de medicina:

 Ingressar direto na Residência Médica ou postergá-la por 1 a 2 anos. Tendo em vista que meus pais não terão condições de continuar me sustentando após o término da faculdade, tenho pensado em trabalhar por 1 a 2 a para juntar dinheiro, visando poder fazer posteriormente uma residência médica mais tranquila, sem excesso de plantões extras, e poder se dedicar a residência. Gostaria de saber qual a sua opinião! Desde já agradeço!

Resposta :

A formação médica é fundamental para sua segurança, tranquilidade e também para a segurança dos seus pacientes e quanto mais cedo vc fizer a residência médica, melhor.

Sugiro que vc se esforce mais um pouco, estude muito e consiga passar na prova de residência (o que já não está tão fácil no momento).

Já no primeiro ano de residência, vc não vai ter dificuldade para se sustentar sem ajuda dos seus pais, porque com o salário de residente (cerca de R$ 2.400,00) e mais um plantão de 24 h semanais (fácil de conseguir e fácil de “dar conta sem cansar muito” –com salário mensal de cerca de R$ 7.000,00 ) vc estará com uma remuneração total de R$ 9.400,00 por mês.

Outra possibilidade é se alistar como voluntário nas forças armadas (marinha e aeronáutica são mais tranquilas de horário), ser aprovado na prova de residência, trancar matricula na residência e ter um ano inteiro de “repouso de estudos”, ganhando um salário de R$ 4 a 5.000,00 nas forças armadas e com mais um plantão de 24 h ( R$ 7.000,00 ) dando um total mensal de R$ 11 a 12.000,00.

Sucesso 

Mário Novais

Educação Financeira: o que é investir?

Educação Financeira: o que é investir?

A palavra “investir” significa aplicar dinheiro e/ou tempo e/ou esforço visando obter algo. Essa definição é bem genérica, de forma que diversos aspectos na vida podem ser considerados investimento. Obviamente que aqui trataremos de investimento financeiro, pois o nosso objetivo é o retorno monetário.

É sempre bom investir, pois os investimentos “trabalham para si mesmos”, ou seja, o montante investido cresce (se tudo der certo) quase de forma independente do seu trabalho, por isso são uma excelente maneira de incrementar sua renda sem que você tenha mais de um emprego ou monte um negócio.

Investir é o melhor caminho para alcançar diversos projetos de vida:

  • Uma aposentadoria segura e confortável
  • Ter uma reserva monetária para se proteger dos imprevistos, como uma demissão, por exemplo
  • Ter uma vida despreocupada, sem ter que contar os dias para o dia do pagamento
  • Comprar a casa própria
  • Fazer a viagem dos sonhos
  • Pagar a faculdade para os seus filhos no futuro

Investir não é fácil: significa adiar um consumo imediato (ex: viajar no final de semana) a fim de obter um ganho maior a longo prazo. Mais ainda, para investir é necessário esforço, conhecer as opções, fazer escolhas, sorte, saber a hora de colocar mais dinheiro e a hora de retirar a aplicação… Isto exige disciplina e força de vontade. Por isso pouquíssimas pessoas investem, principalmente no Brasil, enquanto nos EUA, por exemplo, em média 1 a cada 2 pessoas possui ações na bolsa de valores1.

Vale a pena lembrar que guardar dinheiro na poupança NÃO É INVESTIR. O rendimento da poupança não é dos melhores, principalmente no nosso país, onde a taxa da inflação muitas vezes é superior ao rendimento da caderneta de poupança.

Os nossos bens (materiais ou não) podem ser divididos em ativos e passivos. Os ativos são aqueles geram dinheiro, como por exemplo uma casa de praia que alugamos por temporada. Já os passivos são aqueles geram custos, um carro por exemplo.

Em algumas situações você poderá se deparar com uma dívida e se perguntar: será que devo me desfazer de um ativo para pagar a dívida? Se o rendimento dos seus ativos é menor que o custo gerado pelos seus passivos, a resposta é sim. Vamos exemplificar com valores totalmente hipotéticos:

Vamos supor que você possui uma aplicação e uma dívida de empréstimo, ambos de 1.000 reais, mas a poupança rende 1% ao mês e os juros do empréstimo são de 2% ao mês. Quanto mais tempo você demorar para pagar a sua dívida, maior será o prejuízo no futuro, por isso é melhor arcar com a “facada” logo no início e perder a aplicação do que se encontrar numa situação pior no longo prazo

Por Yan Carvalho.

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

 
Aproximadamente 11% das mortes em hospitais acontecem pelo declínio do quadro do paciente, não sendo reconhecido logo ou tratado da maneira correta. No entanto, uma das principais organizações de saúde do mundo, a US Department of Veterans Affairs (VA), em parceria com a DeepMind, empresa focada em inteligência artificial, anunciou que está trabalhando para prever mudanças potencialmente fatais na condição de um paciente mesmo antes de qualquer sinal de advertência.
Para isso, especialistas e pesquisadores de renome mundial estão analisando os padrões de 700 mil registros médicos, a fim de determinar se a tecnologia de aprendizado da Learning Machine, equipamento capaz de prever a evolução do paciente, pode identificar com precisão os fatores de risco durante a internação hospitalar, prevendo corretamente a piora do enfermo. A princípio, a pesquisa se concentra nos fatores de risco da insuficiência renal aguda (IRA), que é a perda súbita da capacidade dos rins filtrarem resíduos, frequentemente ocorrendo, sem sinais de aviso, após procedimentos de rotina. A pesquisa também foca na pneumonia, porque seu início também é repentino e, muitas vezes, assintomático. Ambas podem ser fatais.
“Em um mundo onde quase todos os recursos hospitalares se destinam a solucionar sintomas depois que as pessoas já estão doentes, esperamos que técnicas de previsão possam pavimentar o caminho para melhores cuidados preventivos de saúde, evitando que as pessoas fiquem doentes.” – Dominic King, da DeepMind Health.
O Trabalho que a DeepMind e a VA estão realizando ainda é exploratório, mas há otimismo quanto ao potencial de longo prazo da tecnologia de aprendizagem da Learning Machine. Eles esperam aplicar abordagens semelhantes para outros sinais de declínio evitando que pacientes possam desenvolver infecções e condições graves. Em última análise, salvar vidas.
Fonte: DeepMind

Connectom: Tecnologia e Inovação em Neurociência

Connectom: Tecnologia e Inovação em Neurociência

Em uma das edições de aniversário da revista EXAME, que comemora seus 50 anos com uma série de reportagens sobre tecnologia e inovação em diversas esferas do conhecimento, a matéria “Cérebro, A Fronteira Final” traz como recorte temático o novo fôlego das pesquisas na área da neurociência. Com a finalidade de explicitar os impactos que esse tipo de pesquisa tem sobre a sociedade atual, o tema aborda a perspectiva de que compreender o funcionamento do cérebro será a chave para tratar doenças e criar hábitos saudáveis.
Apesar da importância do cérebro para o desenvolvimento das atividades humanas como conhecemos hoje, é espantoso o quão pouco se conhece sobre os mecanismos de ação desse órgão. Para tentar se obter um esclarecimento maior sobre seu funcionamento, em dezembro de 2016 foi instalado, no Instituto Max Planck para a Cognição Humana e Ciências do Cérebro, na cidade alemã de Leipzig, o poderoso aparelho de ressonância magnética chamado de CONNECTOM, produzido sob encomenda pelo conglomerado alemão Siemens. O equipamento é até quatro vezes mais poderoso que um aparelho moderno disponível num hospital, afirma o pesquisador Harald Möller, o que é importante por duas razões: obter imagens mais nítidas da massa encefálica e realizar pesquisas no nível celular em tempo real, ou seja, com o cérebro humano vivo. Esse fato permite que os cientistas consigam acompanhar a evolução das regiões cerebrais ao longo do tempo na tentativa de desvendar os mecanismos da aprendizagem, do raciocínio e das desordens mentais.
Para Nikolaus Weiskopf, um dos diretores do Instituto, a possibilidade de se ter toda essa visibilidade do cérebro é importante porque cada mudança sutil nas microestruturas cerebrais pode causar doenças. “Nós olhamos para a microestrutura ao mesmo tempo em que investigamos as funções cerebrais de determinadas áreas. Se eu encontrar diferenças nas estruturas, preciso saber como isso afeta a função”, diz.
Esse não é um grande potencial apenas para a neurociência, mas também para a psiquiatria. Problemas psiquiátricos estão associados a alguma alteração na estrutura cerebral. Por essa razão, compreender a plasticidade do cérebro através das técnicas de imagem, pode fornecer base para descobrir novos tratamentos para alcoolismo, desordens alimentares e estresse pós traumático, por exemplo. Além disso, os pesquisadores esperam que seja possível treinar o cérebro para driblar áreas lesionadas após um AVC ou atacar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.
Por todos esses motivos, o Connectom apresenta para a sociedade científica uma nova possibilidade de compreensão eficiente do funcionamento do cérebro. A partir daí, transferir os conhecimentos adquiridos pelas pesquisas realizadas através do equipamento para tratar doenças, promover mudança de hábito e bem estar é apenas uma questão de tempo.
Fonte: Revista EXAME