Walter Gonçalves – Widoctor

Primeiro remédio para depressão pós-parto é liberado nos EUA

Primeiro remédio para depressão pós-parto é liberado nos EUA

Doença que afeta uma em cada sete americanas e uma em cada quatro brasileiras ganha droga que age em até 48 horas, mas tem aplicação cara e complicada

A agência americana responsável pela regulação de alimentos e medicamentos (FDA, na sigla em inglês) anunciou, na última terça (19), a liberação do primeiro remédio já criado para combater especificamente a depressão pós-parto.

A droga, chamada brexanolona (e que terá o nome comercial de Zulresso, nos EUA), é fabricada pela Sage Therapeutics. Ela age em até 48 horas nas pacientes, mas precisa ser administrada por via intravenosa ao longo de 60 horas, segundo a FDA. Por isso, e por poder causar sonolência e tontura, sua aplicação tem de ser feita em um centro médico.

É a primeira vez que a depressão pós-parto, a mais frequente das doenças ligadas à gravidez (afeta mais de 25% das brasileiras, e uma em cada sete mulheres nos EUA), ganha um tratamento considerado eficaz. Até então, as pacientes eram tratadas com antidepressivos comum, cujos efeitos podiam demorar semanas e nem sempre aconteciam.

A brexanolona é uma versão sintética de um hormônio esteroide chamado alopregnanolona, que o corpo humano fabrica naturalmente. Durante a gravidez, os níveis de alopregnanolona aumentam significativamente (até quase 30 vezes, segundo estudos), regredindo a seu nível normal logo após o parto.

Essa oscilação do hormônio é considerada responsável por mudanças no cérebro que, em algumas mulheres, contribuem para a depressão e a ansiedade. A brexanolona se liga a receptores cerebrais e modifica a resposta ao estresse, mas seu mecanismo de ação não foi completamente determinado.

Dois testes clínicos com cerca de 250 mulheres de idades entre 18 e 45 anos que tinham depressão pós-parto mostrou que, num período de 60 horas após a ingestão da droga, metade das que a tomaram não tinha mais sinais clínicos de depressão. Os efeitos de uma única infusão do medicamento duraram por até 30 dias.

A fabricante da brexanolona está testando atualmente uma versão da droga em formato de pílula. A pesquisa está na fase de estudos clínicos e ainda não foi aprovada pela FDA.

O custo do medicamento, segundo a Sage Therapeutics, varia de US$ 20 mil a US$ 35 mil.

O que é a depressão pós-parto

No Brasil, em cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê, segundo estudo da Escola Nacional de Saúde da Fiocruz.

O Ministério da Saúde brasileiro define a doença como “uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto”. Ela traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo.

A literatura cita efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência.

Um estudo feito pela Escola de Medicina da Universidade da Califórnia mediu como a depressão da mãe afeta negativamente o desenvolvimento cognitivo de seu filho: em uma escala de 1 a 19, o QI verbal médio das crianças de 5 anos analisadas foi de 7,64. O desempenho daqueles que tinham mães profundamente deprimidas era de 7,30, enquanto os filhos de mães sem depressão alcançaram 7,78.

Mais raramente, a depressão pós-parto pode evoluir para uma forma mais agressiva e extrema, conhecida como psicose pós-parto.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/primeiro-remedio-para-depressao-pos-parto-liberado-nos-eua-23539310

Musicoterapia: O que é, benefícios, como a música pode mudar sua vida

Musicoterapia: O que é, benefícios, como a música pode mudar sua vida

A música está nas ruas, nas festas, em carros, em celulares, escolas, instituições e eventos da nossa vida. Ela está presente nas nossas lembranças mais tristes e mais felizes.

Como já dizia Rubem Alves, escritor, psicanalista e educador: Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos de volta um passado. Lembramo-nos de lugares, objetos, rostos, gestos, sentimentos. (…) Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu.”  Trecho do livro “Na Morada das Palavras” (Papirus Editora, 2003).

O que é Musicoterapia

Musicoterapia, como o nome já diz, é uma forma de tratar os pacientes através da música. É uma técnica que trabalha com a saúde ao utilizar formas diversas de aprendizado, expressões e arte. Trazendo prevenção e promoção de saúde para todos.

A música faz com que sintamos emoções positivas ou negativas. Ela evoca emoções que são ativadas em partes e áreas de nosso cérebro, por exemplo: córtex, amígdala, cerebelo, hipocampo e etc. Essas áreas são mais desenvolvidas e ativadas positivamente ao serem trabalhadas com a música. Melhora o humor, a atenção, concentração, a memória e lembranças profundas.

São feitas sessões com o paciente ativo, ao se colocar a tocar e cantar junto com o psicoterapeuta. Pode-se trabalhar sessões individuais ou em grupos, e cada um vai fazendo de acordo com o seu ritmo e/ou juntamente com o terapeuta, porém, ambos trabalhando as técnicas juntos, de forma ativa ou  passiva, quando o paciente apenas vai percebendo o que o terapeuta faz, toca ou canta.

A musicoterapia é feita com a execução de uma música ou trecho musical, por meio do qual o paciente vai acompanhando e participando ativamente.

Os benefícios são comprovados pelos estudos científicos e vistos no processo do terapia, os quais são observados um bom desenvolvimento dos pacientes nas sessões, melhor desempenho em suas sensações corporais e na capacidade que vão desenvolvendo em expressar suas emoções com mais facilidade.

Os benefícios da musicoterapia

O ato de ouvir música e/ou tocar, ajuda a melhorar as frequências cardíacas e respiratórias e pressão de pacientes portadores de doença arterial coronária.

Ajudam em transtornos neurológicos, pois tem se mostrado muito eficaz nos sintomas da ansiedade, depressão e de isolamento.

A musicoterapia tem efeitos surpreendente também no tratamento de pacientes vítimas de AVC. Sabe-se que a música desperta emoções nos pacientes vitimizados e ainda por cima estimulam as interações sociais; o que ajuda muito no processo do tratamento.

Pacientes com Mal de Alzheimer e outros tipos de Doenças Neurodegenerativas também são beneficiados com a Musicoterapia, pois o tratamento faz com que os pacientes tenham certa ativação neural.

Na vida social, a musicoterapia estimula a capacidade interativa e de comunicação, promovendo a socialização e melhora dos aspectos emocionais, físicos, biológicos e culturais. Ela une as pessoas e trata o humor, depressão, ansiedade, estresse e motiva cada vez mais os pacientes a encararem a vida com mais energia, motivação e determinação.

Procure se informar mais sobre a musicoterapia e comece também a ouvir músicas que te agradam. Comece a perceber como a troca de experiências entre pessoas e pacientes podem lhe dar mais força, energia e assim enfrentar melhor as dificuldades e ter uma qualidade de vida melhor.

Procure um profissional de saúde para lhe ajudar em seus medos e ansiedades. Saiba que com o tratamento adequado você pode ter uma vida mais feliz, saudável e com mais harmonia em tudo.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.psicologiaviva.com.br/blog/musicoterapia/

Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

RIO – Cerca de 10% das mulheres não sentem desejo sexual nem conseguem ficar excitadas. Quando falamos de mulheres com idade em torno dos 60, essa proporção pode chegar a 20%. Para esse problema dá-se o nome de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo ou Transtorno do Interesse/ Excitação sexual feminino. As causas são as mais variadas possíveis, mas, infelizmente, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos à boa vida sexual delas.

O desejo sexual feminino está longe de ser simples. Há menos de 20 anos, ele era visto de forma similar ao do homem, com um ciclo linear, que começa com desejo, vem excitação, orgasmo e resolução. Porém, desde 2000 a forma de estudar a sexualidade feminina mudou completamente.

Atualmente, há dois tipos de desejo: o espontâneo e o responsivo. O espontâneo surge na mulher independentemente do contato sexual: aquela mulher que tem um pensamento erótico e se masturba, que quando um homem interessante se aproxima pode ficar excitada ou que só de olhar para o parceiro pode ter vontade de transar (frequente em relacionamentos novos). Já o desejo responsivo é a excitação que surge quando a mulher começa a ser estimulada. Ou seja, ela está tranquila, mas com um beijo mais quente ou preliminares ela quer, sim, fazer sexo.

— Ao considerar que a presença do desejo responsivo é válida e, portanto, essa mulher não é disfuncional, houve uma mudança de paradigma muito importante e a redução no número de mulheres que antes eram classificadas como “sem desejo” — afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP).

A mudança de mentalidade é profunda. A mulher não pode mais ser considerada disfuncional se o estímulo não é efetivo.

— O ejaculador precoce já foi o homem mais viril porque ele rapidamente resolvia. Hoje, esse parâmetro é absolutamente obsoleto. Esse homem tem que se tratar para compatibilizar seu tempo com o da parceira. As coisas mudaram. A sexualidade foi uma das áreas em que a mulher foi mais bem contemplada nos últimos anos, atualmente preocupa-se com a sexualidade feminina independente da masculina, estudamos as duas, entre tantas outras — explica Carmita.

Infelizmente, os avanços são lentos e ainda há profundo desconhecimento do próprio corpo por parte das mulheres.

— A mulher que é muito reprimida sexualmente pode até não reconhecer o desejo físico, porque emocionalmente vai reprimindo essa sensação. Tem mulheres que depositam no parceiro ou parceira a sua sexualidade. Só sentem desejo quando estão envolvidas e não se sentem à vontade para se masturbar — afirma a psicóloga, terapeuta sexual e autora do “Sexoterapia”, Ana Canosa.

Muitas mulheres quando chegam à menopausa e perdem o estrógeno e, por consequência, a lubrificação vaginal, não sabem nem por que sentem tanta dor na penetração. Estudos indicam que apenas 4% das mulheres comentam com o ginecologista que estão sentindo dor por falta de lubrificação. Ou seja, se o médico não pergunta, a mulher não relata um problema que pode tomar grandes proporções, mas é possível de se resolver.

Se transar é doloroso, depois de um certo tempo, a mulher vai querer evitar, mesmo que esse processo seja inconsciente. Sexo bom ou ruim faz muita diferença para o desejo. Se o relacionamento já é duradouro, a idade avança e os problemas do dia a dia não dão descanso, o que faz a mulher querer sexo?

— É a memória da gratificação sexual. Ela se disponibiliza a fazer sexo porque sabe que no final ela goza e é bom. Por isso que fazer sexo com qualidade é extremamente importante para uma mulher, como uma motivação para uma outra vez.

Além disso a mulher passa por muitas oscilações hormonais, não só durante a vida, como durante o mês. No ciclo há uma fase mais propícia para o sexo, que é geralmente quando ela está ovulando. Por outro lado, os hormônios dificultam a vida em algumas fases, como na gestação, durante a amamentação, no climatério e pós menopausa.

Causas e tratamentos

A mulher só tem Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo caso isso provoque incômodo ou sofrimento. Se ela não sente desejo, nem se excita, mas está muito bem, obrigada, não há o que ser tratado.

Também é preciso ver se a situação dura há, pelo menos, seis meses. É mais do que natural não ter vontade de transar se acabou de perder o emprego, está de luto, ou com alguma preocupação momentânea.

Uma vez que a situação se prolongue e cause insatisfação, é hora de procurar ajuda e descobrir as causas. E elas são muitas.

— A falta de desejo tem ‘n’ possibilidades. A primeira é a parceria: o parceiro não sabe estimular, tem dificuldade de ereção ou ejaculação precoce. Pode ter origem física, como um distúrbio hormonal ou alguma doença sistêmica, cardiovascular ou diabetes, por exemplo. Também pode ter origem psiquiátrica, com depressão, ansiedade, estresse pós-traumático ou medicamentos que inibem o desejo. Pode ter problemas de ordem relacional: o relacionamento está comprometido e aí o desejo acabou. E pode ter outras questões como autoestima baixa, autoimagem negativa, evitando o contato porque não se sente interessante ou apta. São algumas possibilidades — diz Carmita Abdo.

Quando tudo é investigado e nada encontrado, a mulher realmente sofre com o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo. Nos Estados Unidos, o FDA aprovou a pílula rosa: um medicamento que atua no sistema nervoso e promete acionar o desejo. Ela não foi aprovada no Brasil e é alvo de críticas pois tem um monte de efeitos colaterais. Além de ter que ser tomada todos os dias, sem misturar nunca com bebida alcoólica, pode provocar náusea, tonturas e até queda na pressão.

Há também quem procure tratamentos sem comprovação de ação, com uso da testosterona ou antidepressivos como a bupropiona. Mais uma vez, correndo o risco de vários efeitos colaterais.

— Estamos fazendo pesquisas e trabalhos e vamos encontrar alternativas — afirma a psiquiatra. Por enquanto, ela recomenda terapia sexual, para descobrir um jeito de achar o sexo interessante.

Para a terapeuta sexual Ana Canosa, é importante também se colocar à disposição do sexo:

— Entender como você funciona é essencial para uma mulher. Se não entender como seu corpo funciona, sua fantasia, o que bota você para baixo, o que te desperta, não vai conseguir driblar os momentos em que seu desejo sexual diminui. Aí é melhor dormir.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/celina/desejo-sexual-feminino-entenda-como-funciona-por-que-ele-as-vezes-desaparece-23703094

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Esketamina pode dar esperança aos pacientes adultos que resistem aos remédios disponíveis, como o Prozac; médico ressalta que tratamento deve ser administrado em um centro de saúde

WASHINGTON – As autoridades dos Estados Unidos aprovaram o lançamento no mercado de um remédio apresentado como uma revolução no tratamento da depressão, uma doença minimizada por muitos, mas devastadora para os que são diagnosticados com o ela.

A agência americana de medicamentos (FDA, na sigla em inglês) seguiu as recomendações de especialistas e aprovou a esketamina em forma de spray nasal, que será comercializada com o nome de Spravato pela Janssen, a unidade farmacêutica da Johnson & Johnson’s.

A esketamina pode dar uma nova esperança aos pacientes adultos que resistem atualmente aos remédios disponíveis, como o Prozac. O novo fármaco, pensado para pessoas que já testaram outros medicamentos, é apresentado como uma revolução no combate à depressão.

Pierre de Maricourt, médico do hospital Sainte-Anne de Paris, que participou de dois testes clínicos de fase 3 do medicamento, financiados pela Janssen, elogiou a aprovação do remédio. Ele destacou a “significativa efetividade e a velocidade de ação da esketamina em poucos dias, quando leva de seis a oito semanas para um antidepressivo convencional”.

“Nosso programa de pesquisa sobre a esketamina em forma de spray nasal demonstra uma relação de risco-benefício positiva para os adultos que sofrem uma depressão resistente aos tratamentos atuais”, disse Husseini K. Manji, diretora de terapias de neurociências na Janssen. O laboratório afirma que a molécula permite combater os pensamentos suicidas.

Maricourt ressaltou que o tratamento deve ser administrado em um centro de saúde para monitorar o paciente. Além disso, a FDA restringiu a distribuição do remédio, com uso sob vigilância médica, em razão do “potencial de abuso” do medicamento.

Kim Witczak, que representa os consumidores no painel da FDA e denuncia os efeitos colaterais dos antidepressivos desde a morte de seu marido, votou contra a autorização de venda por considerar que os testes podem ser insuficientes.

A esketamina está relacionada à ketamina, que é usada como um anestésico em humanos e animais, mas que também é um narcótico.

De acordo com aOrganização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, uma doença que limita a capacidade de uma vida cotidiana normal, mas que tem sua gravidade frequentemente subestimada ou confundida com uma depressão passageira. Os casos mais graves podem levar ao suicídio/ AFP

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,autoridades-americanas-aprovam-novo-antidepressivo-em-forma-de-spray-nasal,70002744934

Assim é o cérebro de um psicopata

Assim é o cérebro de um psicopata

Revisão científica sugere que o estresse emocional na infância precipita a maturação excessiva de algumas regiões cerebrais e dificulta a gestão dos sentimentos

Embora o imaginário coletivo sempre se volte para a delinquência e a maldade quando se fala em psicopatia, esse transtorno da personalidade é algo mais complexo do que tal associação pode sugerir. Nem todos os delinquentes são psicopatas, nem todos os psicopatas são Hannibal Lecter, o vilão canibal de O Silêncio dos Inocentes. “Os psicopatas são pessoas com problemas de relação interpessoal e de gestão das emoções. Aparentemente são frios, embora não seja verdade que não tenham emoções – as têm, e muito intensas. O que não têm são remorsos, que é o que gera uma tendência à delinquência, mas não em todos os casos, claro”, afirma o médico Jesús Pujol, diretor de pesquisas da Unidade de Ressonância Magnética do serviço de Radiologia do Hospital del Mar, em Barcelona. Ele liderou uma revisão científica de outros estudos publicados e constatou que o cérebro dos psicopatas é diferente. A pesquisa indica que o estresse emocional na infância precipita a maturação excessiva de algumas regiões cerebrais como um sistema de proteção contra o sofrimento, mas termina dificultando também a gestão das emoções.

A complexidade da psicopatia transcende os estereótipos. De fato, um estudo publicado em 2013 na revista Journal of Forensic Science já alertava que a imagem de Lecter como protótipo do psicopata nem sequer era muito realista. O personagem foi descrito como “um psicopata de elite, que exibe níveis exagerados de inteligência, modos sofisticados e ardilosos, às vezes até níveis sobre-humanos e supermidiáticos”. Mais compatível com a realidade era, segundo o estudo, Anton Chigurh, o personagem interpretado por Javier Bardemem Onde os Fracos Não Têm Vez.

O leque de condutas é amplo, mas todos os psicopatas coincidem em uma coisa: as alterações cerebrais que os diferenciam de outros indivíduos sem este transtorno. Pujol e sua equipe revisaram mais de 400 artigos científicos nos quais foi analisado o cérebro das pessoas com psicopatia através de ressonâncias magnéticas. A meta-análise, publicado na revista científica Psychological Medicine, concluiu que a mente dos psicopatas apresenta uma maturação acelerada de várias regiões cerebrais relacionadas ao processamento emocional e cognitivo. “O cérebro dos psicopatas é diferente do ponto de vista anatômico e funcional. Há diferenças nas áreas que processam a cognição e o raciocínio e nas que processam a atividade emocional. A conexão entre estas duas áreas falha”, explica Pujol.

Os investigadores concluíram que, do ponto de vista anatômico, havia “uma aparente atrofia da substância cinza” nas regiões dos lobos temporal (onde está a amígdala, relacionada às emoções) e frontal (encarregado das funções cognitivas). “Entretanto, o que depois nós postulamos é que, na verdade, o que havia era um aumento da substância branca, o que implica uma supermaturação dessas áreas”, aponta Pujol.

Aparentemente são frios, mas não é verdade que não tenham emoções – as têm, e muito intensas

O estudo sugere que a origem dessa maturação acelerada de algumas regiões cerebrais está em ter sofrido situações de estresse emocional em idades precoces. O cérebro desenvolve essa maturação excessiva para se proteger das circunstâncias que lhe causam sofrimento. “Em um contexto de estresse emocional, a criança desencadeia uma maturação excessiva que implica, por um lado, um bloqueio para fugir do sofrimento e, por outro, transforma a pessoa em alguém não escrupuloso e carente de remorsos”, diz o médico. Ao amadurecer precocemente, a criança amplia a capacidade de tolerância ao sofrimento e consegue esquivar-se dessa situação emocional que lhe fere. Entretanto, esse sistema de defesa provoca danos colaterais: “Eles não têm freio emocional”, sintetiza Pujol. O médico observa que não se trata de um trauma, e sim de algo persistente ao longo do tempo, a ponto de modular a anatomia do cérebro.

Na prática, essa alteração cerebral faz que, frente a um dilema moral, a ativação dos dois sistemas (o cognitivo e o emocional) seja bloqueado. Nem sua capacidade de raciocínio nem seus sentimentos ou emoções são anulados. O que ocorre é que “a associação entre emoção e cognição na tomada de decisões fica bloqueada”, esclarece o médico. Contudo, ressalta, esses indivíduos “são responsáveis por seus atos”.

Semelhanças com o consumo de esteroides

Os pesquisadores também encontraram semelhanças entre os cérebros dos psicopatas e de pessoas que consomem esteroides androgênicos durante mais de 10 anos (essas substâncias geralmente servem para melhorar o rendimento esportivo ou aumentar a massa muscular). As alterações cerebrais detectadas nos psicopatas e nas pessoas que consomem esses anabolizantes por longos períodos são as mesmas.

Mas Pujol observa que tal semelhança não significa que os consumidores de esteroides acabem desenvolvendo um transtorno psicopático em longo prazo. “Há uma semelhança anatômica das duas patologias. Embora seja verdade que o controle dos impulsos e a conduta podem mudar após consumir esteroides durante longos períodos, isso está longe de pensar que pode gerar uma psicopatia.”

Apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar da saúde mental

Apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar da saúde mental

Nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. Metade (47%) sofre de algum nível de depressão, recorrente em 14% dos casos. Os dados são da última pesquisa da Isma-BR, representante local da International Stress Management Association, organização sem fins lucrativos dedicada ao tema.

Os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento do serviço. Nos últimos dez anos, a concessão de auxílio-doença acidentário devido a tais males aumentou em quase em 20 vezes, segundo o Ministério da Previdência Social. Com frequência, os doentes ficam mais de 100 dias longe de suas funções. Em todo o mundo, os gastos relacionados a transtornos emocionais e psicológicos podem chegar a 6 trilhões de dólares até 2030, mais do que a soma dos custos com diabetes, doenças respiratórias e câncer, apontam estimativas do Fórum Econômico Mundial. A previsão pode ser subestimada, já que dois terços dos indivíduos não procuram auxílio médico especializado.

A Organização Mundial da Saúde alerta que uma em cada quatro pessoas sofrerá com um transtorno da mente ao longo da vida. Apesar dos números, são raras as empresas que mantêm um programa de saúde psicológica e emocional para seus empregados.

A maioria dos casos ainda é tratada como tabu. Chegou a hora de falarmos abertamente sobre o tema.

A mente adoece

Pesquisas ligam os transtornos mentais a diversas fontes. O excesso de estímulos é uma delas. Na era da hiperconectividade, as pessoas são atingidas por uma avalanche de informações na forma de mensagens instantâneas, e-mails, alertas de compromisso, notícias em tempo real e aplicativos de todos os tipos e gêneros. “A informática fez com que tivéssemos mais controle de nossa vida, mas isso implica maior carga cerebral”, diz a neurocientista Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Estamos o tempo todo sendo lembrados do que não fizemos, das tarefas que não cumprimos, das ligações que não atendemos e dos e-mails não respondidos. E a falta de habilidade em lidar com isso pode levar ao estresse e a distúrbios de ansiedade e humor.

Embora especialistas indiquem a vida pessoal, não só a profissional, como fator de risco, em todo o mundo, apenas um de cada cinco indivíduos aponta a família e os vizinhos como fonte de preocupação, segundo uma pesquisa realizada com 16 000 pessoas pela Regus, especializada em escritórios flexíveis.

Para mais da metade (60%), o trabalho é a causa de se sentirem nervosos, irritados, cansados, tristes ou sem energia. Em tempos de recessão econômica, a cobrança por resultados, o medo de demissão e o enxugamento dos quadros de funcionários tornam as empresas locais ainda mais estressantes.

Não à toa, a procura por atendimento no consultório de Porto Alegre da psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR, cresceu 30% nos últimos seis meses. Quase dois terços dos pacientes são executivos. Entre os novos está uma gestora que descobriu, ao voltar de férias, que havia sido demitida. “Essa situação está se tornando cada vez mais comum e causa um grande impacto tanto em quem sai quanto nos que permanecem na organização”, afirma Ana Maria. Os que ficam, diz, convivem com o medo de sair de férias ou de perder o colega que se arrisque a tanto — tendo de arcar com mais trabalho. “É como se as corporações colocassem os trabalhadores em um barco e mandassem jogar os coletes salva-vidas no mar, para reduzir o peso, deixando todo mundo por sua própria sorte”, diz

Um ambiente de trabalho com pouco apoio, excesso de demanda, baixo controle sobre as tarefas, recompensas inadequadas e comprometimento individual excessivo são fatores que aumentam a chance de afastamento. O sentimento de nunca cumprir as tarefas e a dificuldade de se desligar do serviço leva ao burnout — quando o corpo, sobrecarregado, simplesmente desliga.

O custo do estresse

No Brasil, os transtornos mentais são a terceira causa de longos afastamentos do trabalho por doença. Em 2011, eles foram responsáveis pelo pagamento de mais de 211 milhões de reais a novos beneficiários, de acordo com um levantamento do médico do trabalho João Silvestre da Silva-Junior, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

O último Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, do Dieese, departamento público de estudos socioeconômicos, revela que o número de pessoas afastadas do emprego e que receberam auxílio do INSS chegou a 16 381, em junho de 2015. Episódios depressivos, transtornos ansiosos, reações ao estresse grave e transtornos de adaptação foram os principais diagnósticos.

Nos Estados Unidos, empregados diagnosticados com depressão faltam quase nove dias ao serviço, o dobro da média para trabalhadores saudáveis, segundo o instituto de pesquisa Gallup. O prejuízo com a perda de produtividade supera os 19 bilhões de dólares por ano.

Além do estrago financeiro, há o impacto nos colegas que seguram as pontas quando alguém não aparece. Um estudo da sociedade americana de recursos humanos, a SHRM, revela que os supervisores gastam em média mais de quatro horas por semana lidando com as faltas não programadas, o que inclui fazer recolocações, ajustar o fluxo de tarefas e dar treinamento a quem irá assumir a função por aquele dia. Quando cobrem alguém, os superiores ficam 15% menos produtivos e os colegas, 30%. Quase metade das ausências reflete-se em horas extras dos que ficam.

Há ainda o custo do presenteísmo — quando o funcionário vai trabalhar, mas está com a cabeça em outro lugar. Segundo Ana Maria Rossi, da Isma-BR, 96% das pessoas que têm burnout se sentem incapacitadas para trabalhar. Mesmo assim, 92% continuam indo para a empresa, com medo de serem demitidas ou de se afastarem e não conseguirem voltar. “Elas vão ao trabalho, as luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa”, diz. Esse hábito desencadeia erros, baixo desempenho, aumento dos problemas de saúde e piora na qualidade de vida, afetando mais a produtividade que o próprio absenteísmo.

Tabu corporativo

Os problemas mentais ainda são um assunto velado na sociedade. Um estudo do Dieese, de maio de 2015, mostra que, em 2012, foram realizadas 260 greves com o tema de saúde do trabalhador — três vezes mais do que em 2010. Contudo, nenhuma abordou doenças emocionais e psicológicas. Questões como ritmo de trabalho, lazer, estresse, compromisso com a qualidade de vida e trabalho decente estão fora das pautas de sindicatos e patrões.

Das 267 companhias de médio e grande porte avaliadas pela consultoria Mercer, 46% não planejam investir em um programa de saúde mental nos próximos anos. Apenas 18% mantêm algo nesse sentido, sendo que 54% oferecem exclusivamente palestras sobre o tema. Somente 5% contam com um psicólogo nas suas dependências.

Para Milene Rosenthal, fundadora da Psicolink, empresa que oferece orientação psicológica online, as corporações não estão preparadas para lidar com os transtornos mentais. “A área de RH possui indicadores e números de mercado, mas faltam profissionais capazes de acompanhar esses dados de forma correta”, diz a executiva. Quando os casos chegam ao departamento de recursos humanos já é tarde demais. “O trabalhador já gritou com alguém ou agrediu outro colega, ou diz que vai se matar”, afirma Milene.

Uma vez, ela atendeu um rapaz que ficou 48 horas trabalhando direto para finalizar um projeto. “Ele teve um derrame ocular, o olho começou a sangrar. Ele não só não terminou a tarefa como foi afastado e deixou o time sem uma pessoa estratégica”, diz.

O próprio indivíduo pode não perceber seu limite. Fatima Macedo, diretora da Mental Clean, consultoria de bem-estar emocional, explica que os sintomas começam “dissociados e discretos”. A pessoa dorme mal uma noite, mas não chega a ter uma insônia; sente dor ou fica com o estômago inchado; noutro dia, tem uma pequena coceira na pele; depois sente uma angústia ou uma tristeza sem motivos. “O funcionário sente vergonha de estar doente e minimiza os sinais”, diz Fátima. Há casos em que o diagnóstico correto demorou oito anos.

A melhor forma de acompanhar o bem-estar psíquico e emocional é preparar a companhia para tratar depressão, estresse e outros transtornos mentais como qualquer outra doença do corpo.

O tratamento

Primeiro, a equipe de recursos humanos deve estudar o tema e levantar indicadores internos. Feito isso, é hora de buscar apoio. Para Milene, da Psicolink, o RH vai jogar dinheiro fora se ficar apenas nos grupos de corrida ou nas palestras de consultorias especializadas.

“É preciso desenvolver uma cultura corporativa que englobe a saúde emocional — e isso significa comprometimento da alta liderança”, diz. Depois, é hora de usar as ferramentas de comunicação disponíveis para alertar sobre o problema.

Foi isso o que fez a Abyara Brokers, uma das maiores imobiliárias do país. Em 2013, o time de recursos humanos recebia por mês até cinco funcionários, principalmente corretores de imóveis terceirizados, com sinais de estresse, alcoolismo e abuso de drogas. Na época, eram 1 000 corretores. Fossem CLT ou autônomos, a ausência dessas pessoas afetava a produtividade e o resultado dos negócios. O aumento de casos chamou a atenção da diretoria, que autorizou a criação de um programa de saúde mental.

Em 2014, Vanessa Melo, analista de treinamento, mapeou a saúde de 32% do quadro de funcionários. Dos 221, quase 70% responderam que se sentiam estressados “esporadicamente” ou “frequentemente”; 53% estavam acima do peso; e quase metade não praticava exercícios. “Tínhamos pessoas constantemente estressadas, com sobrepeso e sedentárias”, diz Cristiane Zanoelo, gerente de treinamento e desenvolvimento da Abyara.

Depois do mapeamento, a companhia ofereceu ajuda para 56 pessoas. Apenas 23 aceitaram — três estavam em nível de “quase exaustão” ou “exaustão”, a um triz de receber afastamento médico. Paralelamente, a Abyara treinou os líderes, a fim de ter um ambiente menos estressante e de abordar corretamente quem apresentasse os sintomas de estresse.

Fez palestras e oficinas sobre burnout, desenhadas com o intuito de instruir e vencer o preconceito. Realizou dois plantões de atendimento psicológico, com duração de 40 minutos cada sessão, em um andar específi co. Criou um time de “terapia em grupo” e um comitê multidisciplinar de saúde e qualidade de vida. “A ideia era mostrar que a empresa entende que qualquer um pode ter esse problema”, diz Vanessa.

As ações foram estendidas aos corretores terceirizados. Em 2015, por causa da crise, dos 215 empregados, restaram 95. Ficou difícil seguir com o mapeamento de estresse, mas, como muitas pessoas procuravam o RH com medo de ser demitidas, a companhia manteve os plantões de atendimento psicológico. “Nesse período, a produtividade caiu e o nível de ansiedade subiu, mas acredito que conseguimos reduzir os afastamentos médicos”, diz Cristiane.

A empresa de cartões de benefícios Sodexo passou a mapear a saúde mental dos trabalhadores há dois anos e descobriu três, dos cerca de 600, com problema — sendo que dois se afastaram do serviço. A base de baixo número, acredita Rogerio Bragherolli, diretor de RH, está nos valores corporativos, que vão desde interação social, facilidade e efi ciência até reconhecimento e saúde. “Estamos saindo do conceito de ‘work life balance’, de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, para o de ‘life integration’, pois a vida é uma só”, afirma Bragherolli.

Reformada recentemente, a sede da Sodexo, em Barueri, Grande São Paulo, é uma manifestação física dessa ideologia: móveis coloridos, espaços abertos, nada de baias, e rotatividade nas mesas de trabalho. Um andar inteiro se destina às práticas de bem-estar, onde os empregados têm à disposição quiropata, cadeiras de massagem, manicures, churrasqueira e até uma horta. Bragherolli garante que o resultado nos negócios e no engajamento dos profissionais foi tão bom que os escritórios da Sodexo na Bélgica e na França planejam copiar as práticas.

Ainda cabe um esforço da sociedade (e dos indivíduos) para melhorar o autoconhecimento. As comunidades modernas tendem a abandonar as análises mais profundas e tratar os transtornos  mentais com medicação. Mas, do ponto de vista neurológico, o que faz a diferença é o nosso cérebro. Já dizia o filósofo: “Conhece-te a ti mesmo”.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.anamt.org.br/portal/2018/11/27/apenas-18-das-empresas-mantem-um-programa-para-cuidar-da-saude-mental/

Ambiente hostil no trabalho pode comprometer a saúde mental

Ambiente hostil no trabalho pode comprometer a saúde mental

Um ambiente hostil no trabalho pode comprometer a saúde mental. Segundo a psiquiatra Fátima Vasconcellos, da Associação Brasileira de Psiquiatria, as relações humanas no trabalho interferem na saúde mental mais do que o valor do salário e a realização profissional.

“Um ambiente de abuso, de intimação começa provocando esgotamento mental, podendo fazer eclodir uma depressão e crises de ansiedade. Torna-se uma doença que necessita de tratamento”, explica.

Uma atmosfera hostil é aquela em que há humilhação, intimidação e exclusão, de acordo com Fátima.

Ela afirma que o comportamento tirano geralmente é exercido por uma figura de autoridade. “O mais comum é entre chefe e subordinado, e não entre colegas”, diz. “Geralmente, um chefe tirano se vale de tiranizar os mais frágeis. Ele se aproveita de pessoas que têm maior insegurança e baixa autoestima criando um clima de insatisfação que a maioria das pessoas não aguenta”, completa.

De acordo com a psiquiatra, para sobreviver a ambientes hostis, é preciso criar mecanismos de proteção. O mais importante deles, segundo ela, é ter uma vida além do trabalho. “É uma forma de oxigenar a cabeça, de ficar menos sujeito àquele ambiente”, afirma. “Quando a pessoa tem uma vida fora do trabalho, ela fala de outros assuntos e não dá tanta importância àquela pessoa. Além disso, era terá alguém para conversar, inclusive sobre esse assunto. Falar sobre o problema pode trazer alívio”, diz.

Para a médica, ter outros interesses além do trabalho pode ajudar mais a lidar com o problema do que tentar muda a atitude. “Já que o tirano escolhe o frágil para oprimir, a pessoa pode tentar mudar a postura, tornar-se mais hábil, mas cada um tem uma estrutura de ser. Não é tão fácil virar o jogo. O mais indicado é não ficar focado no problema, porque ele aumenta”, afirma.

Alguns sinais podem servir de alerta de que o clima ruim do trabalho pode estar prestes a comprometer a saúde mental. Entre eles estão sentir-se aflito antes de ir trabalhar e não dormir à noite porque fica pensando no problema. “Nesses casos, é recomendável que se procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra para lidar com a questão”, orienta.

A psiquiatra ressalta que, embora anacrônica, a hostilidade no ambiente de trabalho ainda existe em algumas empresas. “As boas empresas são aquelas que criam ambientes colaborativos de respeito ao funcionário. Com isso, elas até ganham um aumento de produtividade”, afirma.

Depressão independe de sucessos na vida, como caso de Whindersson:

O comediante e youtuber Whindersson Nunes, 24, compartilhou nas redes sociais na última sexta-feira (12) que sente angústia e tem pensamentos negativos todos os dias. Chegou a falar até que “não sente vontade de viver” e pediu ajuda aos fãs. “Apesar de tudo de bom que vem acontecendo comigo, com tudo que já conquistei, eu me sinto há alguns anos triste,” escreveu. O psiquiatra Ivan Mario Braun explica que é possível alcançar todos os sonhos – fazer o que gosta, ser reconhecido, famoso, rico, viajar o mundo e encontrar o amor da vida – e ter depressão. “Depressão não é um fenômeno psicológico, é uma doença. Está relacionado alterações cerebrais e na comunicação das células nervosas, entre outras alterações”, afirma

Não se sabe ainda se Whindersson tem mesmo depressão. Já o atacante Nilmar, 34, uma das estrelas do Santos, teve o diagnóstico de depressão confirmado e está afastado dos campos. Os mecanismos da depressão ainda não são totalmente conhecidos. Mas, sendo um problema cerebral, não está ligado necessariamente a eventos negativos. “Esses eventos podem servir de desencadeantes, como estresse psicológico ou problemas puramente físicos, como cirurgias e até mesmo uma gripe forte”, diz o psiquiatra

Anitta, 26, afirmou tem desenvolvido a depressão no auge de sua carreira. Segundo ela, esse teria sido o segundo episódio da sua vida – o primeiro foi aos 18 anos. Ela revelou que não conseguia sair da cama e tinha dificuldades para sair de casa. O estresse positivo também pode desencadear a depressão em pessoas mais sensíveis, segundo Ivan Mario Braun. Além disso, fadiga, excesso de trabalho, tudo que desequilibra o organismo pode ser um desencadeador. “É mais frequente desencadeadores negativos, mas não se excluem os positivos. O excesso de estímulo positivo também pode ser um estresse ao organismo. Isso acaba provocando alterações cerebrais que levam aos sintomas da depressão “, diz.

Gisele Bundchen, 38, já revelou ter tido problemas de ansiedade e ataques de pânico e ter pensado em suicídio. O psiquiatra explica que alguns casos de depressão leve podem ser tratados com psicoterapia, mas a maioria necessita de tratamento com medicamentos próprios. “É uma interação entre predisposição e eventos ambientais. É bem mais raro, mas os eventos de depressão podem aparecer ‘do nada’. Não há nenhuma mudança na vida da pessoa, nem psicológica nem física, mas a depressão se instala”, explica o psiquiatra

A cantora Paula Fernandes, 34, já confessou que foi diagnosticada com depressão em torno dos 20 anos de idade. “Percebi que alguma coisa não estava bem, perdi o apetite, quase não dormia, chorava muito e vivia angustiada”, disse em entrevistas. “Avistei a janela e queria pular”, contou ela, sobre a fase mais grave. O psiquiatra afirma que a tristeza é bem mais leve que um quadro depressivo. A tristeza tem duração menor e passa quando o motivo que a gerou desaparece. Já a depressão permanece independentemente de o desencadeante já ter passado. “A depressão é um processo autônomo”, diz

Segundo divulgação na imprensa, o cantor Justin Bieber, 25, estaria passando por um episódio de depressão. “Alguns pacientes descrevem a depressão como uma tristeza profunda”, diz o médico. Segundo ele, na depressão a pessoa perde o prazer nas coisas, tem alterações de apetite, de sono, da libido, dificuldade de concentração e ficam mais lentas. Ela ainda é marcada por pensamentos negativos, que ficam na cabeça na maior parte do tempo, ideias de culpa e de menos valia. A pessoa se sente incapaz.

 

A cantora Zizi Possi contou ter sido diagnosticada com depressão em 2011 e descreveu a situação com “estar em uma caverna sem eco”. “Você sente uma extrema solidão”, disse à imprensa. “Muita gente está com depressão grave, mas pode trabalhar, conversar e até contar piada, mas por dentro está com uma super depressão. A pessoa tem uma face social”, explica o psiquiatra. “Tem algumas raras pessoas que nem sabem que estão em depressão”, completa

A cantora Demi Lovato, 26, afirmou ser bipolar, ter transtornos alimentares e depressão. Ela chegou a ser internada para tratar os problemas. “Não existe nenhuma evidência de que famosos tenham mais depressão que pessoas comuns”, afirma o psiquiatra. Segundo ele, 30% das pessoas vão ter algum quadro depressivo na vida, 10% terão um episódio de depressão mais grave. Dentro desse grupo, 50% vão ter um segundo episódio. Quem teve um segundo, 75% vai ter o terceiro e, entre elas, 90% vão ter um quarto. “A gente considera que, depois do segundo episódio maior, essa pessoa deverá ser tratada a vida inteira”, afirma.

O cantor Lucas Lucco, 28, também chegou a ser internado por causa da depressão. “É uma doença, uma ferida que ninguém pode ver”, disse. Segundo o psiquiatra, o estresse, que pode ser negativo ou positivo, que desencadeia a depressão varia de acordo com cada um. “Depende de como a pessoa vivencia aquela experiência”. Não é o caso de Lucas Lucco, mas o médico ressalta que outros desencadeadores da depressão podem ser o álcool, a droga e o cigarro. “Depressão não é tristeza e independe dos grandes sucessos da vida”, destaca o psiquiatra

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://noticias.r7.com/saude/ambiente-hostil-no-trabalho-pode-comprometer-a-saude-mental-02052019?amp

Posicionamento da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) sobre Espiritualidade e Religiosidade

Posicionamento da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) sobre Espiritualidade e Religiosidade

A Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalham arduamente para garantir que a promoção e os cuidados em saúde mental sejam baseados cientificamente e, ao mesmo tempo, compassivos e com sensibilidade cultural1,2. Nas últimas décadas, tem havido uma crescente conscientização da academia e da população geral sobre a relevância da religião e da espiritualidade nas questões de saúde. Revisões sistemáticas da literatura científica identificaram mais de 3.000 estudos empíricos investigando as relações entre religião / espiritualidade (R/E) e saúde3,4.

No campo dos transtornos mentais, demonstrou-se que R/E têm implicações significativas para prevalência (especialmente em transtornos depressivos e por uso de substâncias), diagnóstico (ex.: diferenciação entre experiências espirituais e transtornos mentais), tratamento (ex.: comportamento de busca de tratamento, aderência, mindfulness, terapias complementares), desfechos clínicos (ex.: melhora clínica, e suicídio ) e prevenção, bem como para a qualidade de vida e bem-estar3,4. A OMS já inclui R/E como uma dimensão da qualidade de vida5. Embora haja evidências mostrando que R/E estão geralmente associadas a melhores desfechos de saúde, elas podem também causar danos (ex.: recusa de tratamento, intolerância, coping religioso negativo, etc.). Pesquisas mostraram que valores, crenças e práticas relativas a R/E se mantêm relevantes para a maior parte da população mundial e que pacientes gostariam de ter suas questões em R/E abordadas nos cuidados em saúde6-8.

Psiquiatras precisam levar em conta todos os fatores que afetam a saúde mental. Evidências mostram que R/E devem ser incluídas entre estes, independentemente da orientação espiritual, religiosa ou filosófica dos psiquiatras. No entanto, poucas escolas médicas ou currículos de especialidade fornecem qualquer treinamento formal para psiquiatras aprenderem sobre a evidência disponível ou como abordar adequadamente a R/E tanto na pesquisa quanto na prática clínica7,9.

Para preencher esta lacuna, a WPA e várias outras associações nacionais de psiquiatria (ex.: Brasil, Índia, África do Sul, Reino Unido e EUA) criaram seções em R/E. A WPA incluiu “religião e espiritualidade” como parte do “Curriculum Básico de Treinamento em Psiquiatria”10.

Ambos termos, religião e espiritualidade, carecem de uma definição universalmente aceita. Definições de espiritualidade geralmente se referem a uma dimensão da experiência humana relacionada com o transcendente, o sagrado, ou a realidade última. Espiritualidade está intimamente relacionada com os valores, o significado e o propósito de vida. Espiritualidade pode se desenvolver individualmente ou em comunidades e tradições. Religião é frequentemente vista como o aspecto institucional da espiritualidade, geralmente definida mais em termos de sistemas de crenças e práticas relacionadas com o sagrado ou divino, realizada por uma comunidade ou grupo social3,8.

Independentemente de definições precisas, a espiritualidade e a religião lidam com as crenças fundamentais, valores e experiências dos seres humanos. Portanto, a consideração da sua relevância para as origens, a compreensão e o tratamento dos transtornos psiquiátricos bem como para a atitude do paciente frente à doença deveria estar no centro da psiquiatria acadêmica e clínica. Considerações espirituais e religiosas também têm implicações éticas significativas para a prática clínica da psiquiatria11 . Em particular, a WPA propõe que:

  1. Uma consideração cuidadosa das crenças e práticas religiosas dos pacientes, bem como a sua espiritualidade, deveriam ser abordadas rotineiramente sendo, por vezes, um componente essencial da coleta da história psiquiátrica.
  2. A compreensão da religião e da espiritualidade e sua relação com o diagnóstico, etiologia e tratamento de transtornos psiquiátricos devem ser consideradas como componentes essenciais tanto da formação psiquiátrica como do contínuo desenvolvimento profissional.
  3. Há uma necessidade de mais pesquisas sobre religião e espiritualidade em psiquiatria, especialmente sobre suas aplicações clínicas. Estes estudos devem abranger uma ampla diversidade de contextos culturais e geográficos.
  4. A abordagem da religião e da espiritualidade deve ser centrada na pessoa. Psiquiatras não devem usar sua posição profissional para fazer proselitismo de visões de mundo seculares ou espirituais. Psiquiatras devem sempre respeitar e ser sensíveis às crenças e práticas espirituais / religiosas de seus pacientes, das famílias e cuidadores de seus pacientes.
  5. Os psiquiatras, sejam quais forem suas crenças pessoais, devem estar dispostos a trabalhar com líderes / membros de comunidades religiosas, capelães e agentes pastorais, bem como outros membros da comunidade, em suporte ao bem-estar de seus pacientes e devem incentivar seus colegas multidisciplinares a fazerem o mesmo.
  6. Os psiquiatras devem demonstrar consciência, respeito e sensibilidade para o importante papel que a espiritualidade e religiosidade podem desempenhar para muitos funcionários e voluntários na formação de uma vocação para trabalhar no campo dos cuidados em saúde mental.
  7. Os psiquiatras devem estar cientes tanto do potencial benéfico quanto prejudicial das práticas e visões de mundo religiosas, espirituais e seculares e estarem dispostos a compartilhar essas informações de forma crítica e imparcial com a comunidade em geral, em apoio à promoção da saúde e bem-estar.

 

Alexander Moreira-Almeida1,2, Avdesh Sharma1,3, Bernard Janse van Rensburg1,4, Peter J. Verhagen1,5, Christopher C.H. Cook1,6

1 Seção de Religião, Espiritualidade e Psiquiatria da WPA;

2 NUPES, Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil;

3 ‘Parivartan’ Center for Mental Health, New Delhi, India;

4 Department of Psychiatry, University of the Witwatersrand, Johannesburg, South Africa;

5 GGZ Centraal, Harderwijk, the Netherlands;

6 Department of Theology and Religion, Durham University, Durham, UK.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem a todos que contribuíram durante o processo de elaboração deste Posicionamento, em especial, a D. Bhugra, R. Cloninger, J. Cox, V. De Marinis, J.J. Lopez Ibor (in memoriam), D. Moussaoui, N. Nagy, A. Powell, H.M. van Praag e MF Peres. Este posicionamento se utilizou de partes do texto de recomendações já publicadas no Posicionamento do Royal College of Psychiatrists11. Versão em português traduzida por Mario F. Peres e revisada por Alexander Moreira-Almeida,

Referências

  1. Bhugra D. The WPA Action Plan 2014-2017. World Psychiatry 2014; 13:328.
  2. Saxena S, Funk M, Chisholm D. WHO’s Mental Health Action Plan 2013-2020: what can psychiatrists do to facilitate its implementation? World Psychiatry 2014; 13:107-9.
  3. Koenig H, King D, Carson VB. Handbook of religion and health. 2nd edition. New York: Oxford University Press, 2012.
  4. Koenig HG, McCullough ME, Larson DB. Handbook of religion and health. 1st edition. New York: Oxford University Press, 2001.
  5. WHOQOL SRPB Group. A cross-cultural study of spirituality, religion, and personal beliefs as components of quality of life. Social Science and Medicine 62:1486-1497, 2006.
  6. Pargament KI, Lomax JW. Understanding and addressing religion among people with mental illness. World Psychiatry. 2013; 12(1):26-32.
  7. Moreira-Almeida A, Koenig HG, Lucchetti G. Clinical implications of spirituality to mental health: review of evidence and practical guidelines. Rev Bras Psiquiatr. 2014; 36(2):176-82.
  8. Verhagen PJ, Van Praag HM, Lopez-Ibor JJ, Cox J, Moussaoui D. (Eds.) Religion and psychiatry: beyond boundaries. Chichester: John Wiley & Sons, 2010.
  9. Cloninger CR. What makes people healthy, happy, and fulfilled in the face of current world problems? Mens Sana Monographs 2013; 11:16-24.
  10. World Psychiatric Association. Institutional program on the core training curriculum for psychiatry. Yokohama, Japan, August 2002. Available at: www.wpanet.org/uploads/Education/Educational_Programs/Core_Curriculum/corec urriculum-psych-ENG.pdf
  11. Cook CCH. Recommendations for psychiatrists on spirituality and religion. Position Statement PS03/2011, London, Royal College of Psychiatrists, 2011. Available (in a later edition) at http://www.rcpsych.ac.uk/pdf/PS03_2013.pdf

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://consciencial.org/textos-extras/posicionamento-da-associacao-mundial-de-psiquiatria-wpa-sobre-espiritualidade-e-religiosidade/

Tratamento com realidade virtual reduz fobia social

Tratamento com realidade virtual reduz fobia social

A fobia social é um transtorno de ansiedade que atinge 13% da população brasileira, segundo estimativas apresentadas em 2017 pelo Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) criou um novo tratamento para fobia social por meio da realidade virtual. O Jornal da USP no Ar conversou sobre o método com a doutora Cristiane Maluhy Gebara, psicóloga, pesquisadora e professora do curso de Terapia Comportamental Cognitiva em Saúde Mental do Programa de Ansiedade do HC.

Segundo a psicóloga, as pessoas que possuem fobia social têm ansiedade e desconforto intenso ou até evitam exposições públicas e interação com pessoas ou autoridades. Os sintomas apresentados podem ser: taquicardia, palpitações, sudorese, tremor, rubor facial, boca seca, autodepreciação, antecipação negativa – um cenário de sofrimento excessivo capaz de interferir na vida desses pacientes, ressalta a professora.

A simulação através da realidade virtual em 3D, já disponível em aplicativo chamado Socialfobia, é um tratamento aplicado por profissionais em consultórios e permite que os pacientes enfrentem as situações mais temidas por eles. A técnica disponibiliza diferentes cenários, como um diálogo com alguém desconhecido, possibilitando a exposição da pessoa ao caso sem que haja constrangimento. De acordo com Cristiana, o processo é repetido e gradual, mas já manifesta resultados positivos: em média, 75% da ansiedade social dos pacientes submetidos ao novo tratamento foi diminuída.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://jornal.usp.br/ciencias/tratamento-com-realidade-virtual-reduz-fobia-social/

Spray nasal à base de anestésico é aprovado nos EUA para tratar depressão

Spray nasal à base de anestésico é aprovado nos EUA para tratar depressão

A FDA (equivalente norte-americana à Anvisa) aprovou seu primeiro novo tipo de tratamento de depressão em décadas, um medicamento de spray nasal baseado em cetamina sedativa.

O novo remédio, licenciado pela divisão farmacológica da Johnson & Johnson, a Janssen Pharmaceuticals, não é exatamente cetamina. Ele é derivado da esketamina, um parente químico da cetamina. O medicamento será vendido sob a marca Spravato.

Durante anos, a cetamina tem sido prescrita off-label (utilização não indicada no rótulo) para pessoas com depressão severa e idealização suicida, com alguns pacientes experimentando alívio em questão de horas. É importante apontar que esses são, normalmente, pacientes que não responderam bem a outros tratamentos. O spray nasal será aprovado para esse mesmo grupo seleto de pacientes.

“Existe uma necessidade de longa data por tratamentos efetivos extras para a depressão resistente a tratamento, uma condição séria e com risco de vida”, disse em um comunicado Tiffany Farchione, diretora interina da Divisão de Produtos Psiquiátricos do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas, da FDA. “Ensaios clínicos controlados que estudaram a segurança e eficácia dessa droga, junto com uma revisão cuidadosa por meio do processo de aprovação de drogas da FDA, incluindo uma discussão robusta com nossos comitês consultivos externos, foram importantes para a nossa decisão de aprovar esse tratamento.”

De acordo com a FDA, a esketamina da J&J será aprovada para pessoas com depressão resistente a tratamentos, ou seja, pessoas que não responderam a pelo menos dois outros medicamentos antidepressivos. O remédio precisará ser tomado junto com um antidepressivo padrão, e cada dose será aplicada sob supervisão médica rigorosa, com os pacientes sendo monitorados por pelo menos duas horas antes de poderem deixar a clínica.

Dennis Charney, reitor da Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai, foi um dos primeiros cientistas a investigar e encontrar evidências dos benefícios da cetamina no tratamento da depressão e da idealização suicida; mais tarde, ele se tornou um dos coinventores do spray nasal (Charney, a Escola de Monte Sinai e outros têm direitos de patente sobre a droga, que desde então foram licenciados à J&J). Charney disse ao Gizmodo que o Spravato dará às pessoas que anteriormente não podiam arcar com os custos da cetamina uma nova opção de tratamento.

“Eu sou obviamente tendencioso aqui, mas este é, sinceramente, um divisor de águas para o tratamento da depressão”, disse Charney ao Gizmodo, repetindo um chavão compartilhado por muitos no campo. “Quer dizer, estamos falando de potencialmente milhões de pessoas que podem ser capazes de se beneficiar desse tratamento se não tiverem respondido a outros.”

Como as seguradoras de saúde normalmente não cobrem a cetamina quando usada como antidepressivo, os pacientes têm sido forçados a pagar centenas de dólares por infusão do próprio bolso (o número de infusões totais necessárias pode variar, dependendo do paciente e sua resposta, mas muitas vezes é meia dúzia ou mais por cada ciclo de tratamento). A J&J ainda não respondeu a um pedido de comentários do Gizmodo sobre o preço do Spravato.

A decisão da FDA vem na sequência de uma votação quase unânime de um comitê consultivo para aprovar o medicamento no mês passado. Embora a maioria dos especialistas tenha concordado que os benefícios da cetamina superavam qualquer risco potencial, efeitos colaterais de curta duração como desorientação, aumento da pressão arterial e dores de cabeça têm sido comumente encontrados.

Esses mesmos especialistas, mesmo aqueles que aprovaram a droga, também apontaram a falta de pesquisa sobre seus riscos a longo prazo como um tratamento da depressão, como, por exemplo, pacientes desenvolvendo um transtorno por uso de substâncias ou até dano cerebral — ambos vistos em usuários recreativos. E eles pediram pesquisas de longo prazo para manter o controle sobre novos pacientes usando cetamina e para observar esses riscos.

Charney, que disse que não esteve envolvido no desenvolvimento clínico do Spravato pela J&J, acredita que é importante ficar atento aos riscos da cetamina. Mas ele apontou que as dosagens de cetamina normalmente dadas a pacientes com depressão são, geralmente, muito menores do que o que as pessoas tomam de forma recreativa.

“É algo que pudemos observar durante uns dois anos já. E os clínicos com quem conversei e eu não vimos isso (acontecendo) com os pacientes”, afirmou. “Pelo menos até agora, o risco de abuso parece ser bem baixo.”

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://gizmodo.uol.com.br/cetamina-spray-nasal-aprovado-eua-depressao/