Otorrinolaringologia ou Medicina Legal

Pergunta : Lucas ( Faculdade de Medicina de Marília )
Bom dia! Gostaria de parabenizá-lo pelo site, que é excelente. Tenho muitas dúvidas a respeito de uma escolha. Irei prestar otorrino, mas tenho interesse também em Medicina Legal, e como só há residência na USP, pensei em prestar Med Legal lá! Porém, tenho receio de não ter um contato mais amplo com essa área, e acabar escolhendo ela mais pelo imaginário que ela proporciona do que talvez pela rotina em si. Não tenho tantos contatos com pessoas que fazem, e por isso não consigo saber exatamente como é a realidade. Você saberia melhor como funciona? Desde a rotina até salários, qualidade de vida e possibilidade de trabalhar no interior/litoral? As vezes me pego no receio de estar escolhendo pela remuneração/qualidade sem ter aquela certeza de como funciona realmente na pratica, abdicando de prestar otorrino (que me interesso muito também) na USP. Obrigado e otimo dia!

Resposta :

É comum nessa fase da vida na faculdade, o aluno ficar em grande dúvida porque gosta de mais de uma especialidade.

São 54 especialidades médicas, portanto é lógico que se possa identificar com várias. No entanto tem que escolher apenas uma e parar de olhar pra trás, pensando se deveria ter escolhido outra qualquer.

A analise para escolha deve ser feita de forma bem, racional avaliando-se a qualidade de vida que a especialidade vai te permitir, a remuneração própria da especialidade e acima de tudo como vai ser o seu dia a dia naquela especialidade, ou seja com que patologias vai lidar diariamente.

Comparando as duas especialidades apontadas por vc, a otorrino é melhor especialidade que a medicina legal, mas vc precisa conhecer bem as duas para fazer uma boa escolha.

Otorrinolaringologia :

A otorrino é uma das melhores especialidades.

Otorrinolaringologia é uma especialidade médica originalmente predisposta ao estudo das doenças do ouvido do nariz e da garganta.
A importância dessas três áreas e suas interligações com as rmais diversas regiões da cabeça e do pescoço vêm determinando que a abrangência de atuação desse profissional seja cada vez maior.
Isso significa também o envolvimento com os distúrbios respiratórios do sono, roncos e apnéias, com  a prevenção de alterações crânio maxilofaciais, com o manejo das fraturas faciais, com os tumores da base do crânio junto com a neurocirurgia, com  os distúrbios da deglutição, das glândulas salivares e estética facial.
Do ponto de vista prático, trata-se de uma profissão muito dinâmica com atuação clinica e cirúrgica pra doenças muito prevalentes e com elevado impacto na qualidade de vida dos indivíduos nas diferentes populações.
Esse impacto é facilmente compreendido na medida que estamos falando de áreas cujas patologias comprometem funções que nos diferenciam como seres humanos:

·       a comunicação: tanto pela aquisição e desenvolvimento da linguagem através da audição;

·       a incapacidade de verbalizar tal linguagem através da voz ;

·       e ainda pelo olfato e respiração apropriados.

Vejamos de forma sucinta as regiões de interesse à otorrinolaringologia :
Em um corte sagital da cabeça e do pescoço é possível visualizar o perfil da face, as fossas nasais e seios paranasais com seus limites com o sistema nervoso central,
a boca, língua e dentes. Também a rinofaringe, orofaringe, hipofaringe, com alguns componentes linfáticos do anel de waldeyer e a laringe e os seios piriformes.
No outro modelo, somente o aparelho auditivo, incluindo seus seguimentos externo, médio e interno além da comunicação com a rinofaringe através da tuba auditiva até o torus tubário.
Sempre permeado pela função de promover melhor qualidade de vida aos pacientes, o estudo do ouvido, nariz e garganta, é um desafio e uma fonte ininterrupta de pesquisa e aprendizado para as quais esperamos ter despertado a sua atenção com o vídeo.

Apesar dos procedimentos cirúrgicos serem mal remunerados pelos convênios (exceção feita às cirurgias de ouvido interno), é grande a relação de possíveis procedimentos diagnósticos ou terapêuticos na otorrino, o que pode agregar bastante valor ao preço das consultas.
A área de atuação da otorrino abrange cerca de 20 procedimentos diagnósticos e mais de 60 procedimentos cirúrgicos (ver tabela AMB).
É importante para qualquer especialista o encaminhamento feito por outros colegas, mas uma grande parte da clientela do otorrino vem diretamente em função do boca-a-boca de um cliente para outro.
O envelhecimento da população facilita consideravelmente a incidência de deficiências auditivas (o Brasil tem cerca de 4 milhões de deficientes auditivos). Mais de 60 % da população apresenta desvio de septo nasal. É muito grande a frequência de rinites alérgicas. Consequentemente esses fatos permitem um aumento rápido da clientela do otorrino
Além disso, a qualidade de vida desse profissional é boa porque a maior parte das cirurgias é eletiva.
A qualidade de vida nessas duas especialidades é boa  e a remuneração de ambas também é muito boa.
É difícil comparar a remuneração das duas pois existem vários fatores que interferem, como tempo de formado, formação médica, círculo de relacionamentos do profissional, cidade onde se está praticando, resultados dos tratamentos, concorrência local e acima de tudo do marketing que utilizar para alavancar a especialidade.
Procedimentos da especialidade ( otorrino ) :

·       Audiometria comportamental

·       Audiometria de tronco cerebral ( BERA )

·       Audiometria tonal e vocal

·       Avaliação do Processamento Auditivo Central

·       BERA – Potenciais Auditivos de Tronco Encefálico

·       Eletrococleografia

·       Emissão Otoacústica (Teste da Orelhinha)

·       Exames laboratoriais

·       Impedanciometria

·       Otocalorimetria a Ar

·       Polissonografia

·       Polissonografia da Noite Inteira

·       Polissonografia com CEPAP

·       Polissonografia – Incluindo Split Night

·       Teste e adptação de aparelho auditivo( Hi-pro e ganho de inserção )

·       Teste de Deglutição

·       Teste de Latências Múltiplas do Sono (TLMS)

·       Unidade de Estimulação Precoce

·       Vectonistagmografia

·       Vectoeletronistagmografia Digital

·       Vídeo Frenzel

·       Vídeo Nasofibroscopia Flexível

·       Vídeofaringolaringoscopia

·       Videoestroboscopia laríngea

Medicina Legal

A Medicina Legal é vista como especialidade que “cuida de cadáveres”. Entretanto, seu campo é muito mais amplo: ela auxilia a ciência das normas, o Direito, aplicando conhecimentos médico-biológicos, para que a sociedade consiga atingir um bem maior: a justiça. Na prática cotidiana, o especialista em Medicina Legal utiliza a ciência médica para esclarecer fatos que interessam em um processo judicial ou administrativo. Para tanto, ele lança mão de conhecimentos de toda a Medicina, extrapolando, às vezes, para outras áreas das ciências biológicas. Sua área de atuação são as perícias médicas de qualquer natureza, que se constituem em elementos de prova fundamentais quando as normas (penais, civis, administrativas etc) exigem conhecimentos médicos para serem executadas. A formação de um perito médico exige, além de conhecimentos médicos e de adequadas noções de Direito, o aprendizado e o domínio de critérios específicos, que estabelecem a ligação entre os parâmetros médicos e os jurídicos. No Brasil essa formação é deficiente e deformada. O Programa de Residência Médica em Medicina Legal tem como principal objetivo formar profissionais capazes de atuarem nos diversos segmentos que compõe a Medicina Legal, visando resolver problemas da justiça na esfera pericial, como mostra o presente artigo ( informações fornecidas pelo site da Faculdade de Medicina da USP –artigo do dr Dr.Daniel Munoz- titular de Medicina Legal da USP.)

A especialidade é realmente “pesada “, tanto do ponto de vista técnico porque exige grandes conhecimentos de várias áreas da medicina como clinica, cirurgia, ortopedia, neurologia, anatomia, fisiologia…, como também exige profundos conhecimentos da área jurídica. É uma especialidade onde se lida muito com a burocracia, processos volumosos, trabalhos periciais, processos indenizatórios que podem influir fortemente em futuros de famílias inteiras…

Na variada temática objeto da Medicina Legal, pode-se traduzir sua divisão, da seguinte forma:

Antropologia forense – Procede ao estudo da identidade e identificação, como a datiloscopia, papiloscopia, irologia, exame de DNA, etc., estabelecendo critérios para a determinação indubitável e individualizada da identidade de um esqueleto ;

Traumatologia forense – Estudo das lesões e suas causas;

Asfixiologia forense – analisa as formas acidentais ou criminosas, homicídios e autocídios, das asfixias, sob o prisma médico e jurídico (esganadura, estrangulamento, afogamento, soterramento, etc.);

Sexologia forense – Trata da Erotologia, Himenologia e Obstetrícia forense, analisando a sexualidade em seu tríplice aspecto quanto aos efeitos sociais: normalidade, patológico e criminológico;

Tanatologia – Estudo da morte e do morto;

Toxicologia – Estudo das substâncias cáusticas, venenosas e tóxicas, efeitos das mesmas nos organismos. Constitui especialidade própria da Medicina, dada sua evolução.

Psicologia e Psiquiatria forenses – Estudo da vontade, das doenças mentais. Graças a elas determina-se a vontade, as capacidades civil e penal;

Polícia científica – atua na investigação criminal.

Além disso existem ainda as necrópsias, que nem todos os médicos têm facilidade para lidar com elas ( nem todos especialistas em medicina legal são obrigados a fazê-las ). É uma especialidade triste e complexa e o status desses profissionais deixa a desejar. Existe mesmo um preconceito da população em relação aos legistas ( a maioria das mães não gostaria de ver seus filhos casados com uma médica legista; prefeririam que eles casassem com um clínico, um pediatra ou um cirurgião ).

Por outro lado, o mercado de trabalho é bastante bom, desde que vc tenha um bom relacionamento no meio jurídico para que possa ser indicada com frequência para atuar como perita do juiz ou mesmo perita assistente das partes envolvidas em um processo.

Uma pericia simples como de uma lesão corporal média em um acidente automobilístico ( que o perito não vai gastar mais de 2 horas para confeccionar o laudo ) pode render ao perito cerca de R$ 5.000,00, mas uma perícia grande, tipo a de um homicídio, pode render honorários acima de R$ 50.000,00.

A residência médica em Medicina Legal e Perícia tem a duração de 3 anos e são oferecidas em poucos serviços e com um número reduzido de vagas.

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Mário Novais

 

Anestesiologia : Mercado Competitivo

Pergunta : Renato ( Universidade Estácio de Sá – RJ )
Bom dia, Dr. Estou terminando a faculdade e penso em anestesiologia, gostaria de esclarecer 3 pontos. Primeiramente, sobre a saturação no mercado principalmente no RJ, ouço falar que muita gente está fazendo anestesio e tenho receio da competição ser muito grande. Segundo, ao longo da residência, já ocorre de ser chamado para realizar anestesia em cirurgias eletivas por fora para ganhar um dinheiro extra? se sim, o preço cobrado poderia ser o comercial mesmo ainda não sendo formado? . Por último, com o medo do mercado competitivo, eu já ouvi falar sobre alguns “grupos de anestesistas” como se fosse uma “empresa” ou “colegiado” de anestesia que acaba se vinculando a cirurgiões e fazendo rodízio entre eles ao longo das cirurgias, pode me explicar como isso funciona e como faz para entrar nesses grupos? se o pagamento seria mensal ou seria um percentual de cada anestesia. Obrigado! e parabéns pelo belo site

Resposta :

O mercado da Medicina em geral é mesmo competitivo para qualquer especialidade.

Mercados competitivos exigem boa formação profissional para disputar o mercado.

Não se deve ter medo da concorrência, mas sim se preparar tecnicamente para a disputa e se fizer isso com um bom marketing não deve ter receio.

A escolha da especialidade é fundamental que seja bem feita, porque vai trabalhar nela por muitos anos.

A anestesiologia é uma boa especialidade em termos de remuneração e mesmo inserção no mercado de trabalho, porém, com certeza, perde em qualidade de vida.
É muito importante, na escolha da especialidade, se analisar 3 aspectos : a qualidade de vida que se vai ter, a remuneração e acima de tudo se o candidato vai se sentir confortável com o dia a dia da especialidade.
Muitos estudantes ao se formar analisam apenas a possibilidade de remuneração na especialidade escolhida, e depois se arrependem porque não se adaptam ao cotidiano da especialidade e à qualidade de vida que vai ter.
Isso tem levado muitos recém formandos a optar pela anestesiologia.
Em relação à inserção no mercado de trabalho, não deveria se preocupar porque durante a própria residência seu staff vai te ajudando nisso.
Como todo inicio em qualquer especialidade, pode ser um pouco difícil a colocação dentro de uma equipe de anestesia e vc estará no final da lista do grupo, ralando mais do que os demais membros do grupo e tendo que participar das cirurgias mais chatas e de menor remuneração . Porém com o tempo vc irá se fortalecendo dentro do grupo e subindo na hierarquia, até conseguir priorizar as cirurgias eletivas.
Evidente que fazer um bom network ajudará bastante, principalmente com seus colegas de turma que optarem pelas especialidades cirúrgicas.

Os grupos de anestesistas representam uma maneira de se ter uma melhor qualidade de vida na especialidade e ao mesmo tempo se poder atender a um número maior de cirurgiões. Ë bastante útil e durante a residência mesmo vc já vai ter oportunidade de entrar em algum grupo desses.

Existem várias maneiras de se repartir o dinheiro em grupos de anestesia. Alguns funcionam como caixa única e no final do mês se divide o arrecadado de acordo com a produtividade de cada um. Porém a maioria dos grupos funciona com cada anestesista recebendo o valor integral da própria cirurgia que houver feito.

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Mário Novais

Especialidade Emergência Médica

Pergunta : Yago ( Multivix – Vitória – ES )
Olá, gostaria de saber qual sua opinião sobre a Residência de Medicina de Emergência, uma novidade em nosso país. Qual a expectativa de mercado nos próximos anos? Vantagens e desvantagens? Estava decido em fazer Clinica médica e cardiologia, mas vejo o mercado cada vez mais saturado, algo novo em uma área que gosto possa ser interessante. Obrigado e parabéns pelo belo trabalho do site.

Resposta :

A especialidade emergência recém foi reconhecida pelo CFM como especialidade médica e os programas ainda estão em organização, mas de um modo geral são baseados em alguns já existentes, como esse abaixo da UNIFESP :
O Programa foi credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica em 26/01/2016 sob o nº de Parecer 274/2016, iniciará com 9 vagas para acesso direto. O objetivo da residência é formar médicos para atender as principais emergências médicas, O programa será de 3 anos onde ele passará por diversos estágios, como: Emergências Clínicas, Cirúrgicas, Cardiológicas, Psiquiátricas, Neurológicas, Ortopédicas, ginecológicas e Obstétricas, estágio de Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Terapia Intensiva, Cuidados Paliativos, Simulação, Gestão em Saúde, Atendimento Pré-Hospitalar, Regulação do sistema de emergência, Centro de Toxicologia e Optativos.
O Programa de Residência terá um programa teórico com formação em medicina baseada em evidências com curso de simulação realística, ensinamentos de emergências, curso de ultrassonografia em emergências. Além disso, o aluno terá a possibilidade de ingressar no Mestrado Profissional Associada à Residência Médica – MEPAREM.

Como a emergência somente foi reconhecida como especialidade médica bem recentemente e por isso o mercado de trabalho ainda não beneficia os que optarem por essa especialidade, já que no momento a maioria dos postos de trabalho em serviços de emergência é ocupada por médicos recém formados.
As perspectivas para essa especialidade são boas, porém a médio e longo prazo.
O emergencista precisa gostar de trabalhar sob pressão, com alto índice de estresse e a evolução dentro da especialidade vai ser a de trabalhar como plantonista , podendo posteriormente passar a exercer a função de chefe da emergência.

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Mário Novais

Atuar em Mais de Uma Especialidade

Pergunta : Luiz Felipe ( Escola Superior de Ciências da Saúde – Brasília )
Olá Dr. Mário. Me chamo Luiz felipe, tenho 34 anos e interesse em Psiquiatria. Porém sou apaixonado pela medicina interna. É viável fazer a residência antes para Clínica médica e posteriormente para Psiquiatria? Desejo trabalhar nas duas áreas de atuação. Obrigado.

Resposta :

Não é aconselhável trabalhar em mais de uma especialidade ao mesmo tempo.

Não vai conseguir acompanhar os progressos científicos das duas e acaba não sendo bom em nenhuma das duas especialidades.

Além disso a classe médica (e também a população em geral) não vê com bons olhos os profissionais que atuam em diferentes áreas ao mesmo tempo.

Somente em cidades pequenas existe espaço para o médico “faz tudo “, mas se pensar em trabalhar em uma cidade de pequeno porte, talvez seja mais interessante ir pelo lado da Medicina de Família.

Concluindo : Não é pecado gostar de mais de uma especialidade, porém deve escolher apenas uma e esquecer de vez as outras possibilidades.

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Mário Novais

Neurologia Direto ou Pós Clínica Médica

Pergunta : Cícero ( Universidade do Estado da Bahia )
Olá, Dr. Mário. Queria, primeiramente, agradecer pelas diversas dúvidas sanadas no site, ajuda bastante os jovens médicos pelo Brasil, certeza! Minha pergunta vai mais pela minha preocupação da minha carreira a longo prazo mesmo que sobre a atual decisão. Eu já escolhi desde o 3º ano que quero Neurologia clínica, é a coisa que mais me fascinou na faculdade até agora e parece a especialidade que nasci pra execer, sou realmente apaixonado pela área. Minha pergunta é sobre cursar ou não a Clínica Médica antes da residência de Neuro. Eu vejo diversos professores neurologistas que fizeram isso e vejo como uma oportunidade de expandir seu espaço profissional/pensamento clínico (apesar de saber que o 1º ano da Neuro é rodado na clínica). Não ligo muito para o tempo de me formar. Em termos de oportunidades e aperfeiçoamento profissional, vale a pena fazer os 2 anos de Clínica antes da Neuro? Outra pergunta: Fazer uma delas na cidade que eu quero viver (Salvador) ou numa cidade grande do país (SP/RJ) que tem mais oportunidades?

Resposta :

A neurologia é uma especialidade de acesso direto não havendo o pré requisito de residência prévia em clinica médica.

Optar pela residência de clínica médica antes da residência em neurologia é uma perda de tempo, pois embora possa parecer que vai te dar um melhor embasamento clínico na carreira, na residência de clinica médica vai estar lidando com patologias totalmente afastadas da neurologia. Vale mais a pena fazer direto a residência de neurologia e gastar mais tempo depois se aprofundando nos estudos da neurologia, que por si só já é uma área bem extensa de patologias.

Além disso, como neurologista, vc vai acabar não atendendo mais pacientes de clínica médica no seu consultório, pois isso prejudicaria o encaminhamento de pacientes de outros clínicos, que irão ficar com receio de te encaminhar os pacientes achando que vc vai lhes tomar os clientes.

A residência em grandes centros sempre é mais aconselhável, não somente pelo aprendizado técnico, mas também por aumentar seu circulo de relacionamentos e te dar um maior status quando voltar para sua cidade.

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Mário Novais

Dúvida na Escolha da Especialidade

Pergunta : Patricia ( Universidade do Estado do Pará )
Boa noite! Sou médica, tenho 29 anos, formei em 2012, trabalhei com urgência, em UTI e agora estou na atenção básica. Até hoje não fiz minha residência devido problemas financeiros. Mesmo assim tentei algumas provas para oftalmologia, sem estudar adequadamente e não passei. Esse ano decidi fazer “qualquer outra especialidade”. Tenho bom relacionamento com paciente e gosto de procedimentos. Acho que a especialidade ideal seria uma que casasse o consultório com procedimentos e que tivesse um ganho financeiro mais rápido e que fosse acesso direto. Porém, por ser mulher e penso em ter filhos gostaria de uma especialidade que me permitisse horários mais estáveis. Eis as minhas opções: Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Anestesiologia, Radiologia. Antes de entrar na atenção básica, nunca havia aventado a possibilidade de pediatria. Confesso que gostei, principalmente devido a possibilidade de varias subs. Aqui no interior do Pará, a especialidade é bem valorizada e tem muito mercado, tem poucos pediatras, e dos que tem, muitos só atendem particular (agenda lotada e consulta em media 300 reais). O problema que tenho vontade de mudar de cidade, e não sei como é a pediatria fora. Gostaria de saber sua opinião sobre essas especialidades.

Resposta :

A residência médica é fundamental na formação do profissional e vale a pena gastar mais um tempo para ter uma formação melhor; afinal lidamos com vidas e a nossa responsabilidade é muito grande como profissional.

Não é interessante decidir como vc diz “fazer qualquer especialidade …” pois vai trabalhar na especialidade por muitos anos e precisa se sentir bem com a escolha.

Das especialidades apontadas por vc, talvez a mais indicada no seu caso seria mesmo a oftalmologia, já que apresenta excelente qualidade de vida e de remuneração, além de ter um dia a dia bem tranquilo e de ter vários procedimentos ( que vc diz gostar ) .

Pediatria pode ser uma boa especialidade em cidades pequenas pela falta de pediatras, porém a qualidade de vida é bastante prejudicada. Em cidades pequenas o pediatra é solicitado a qualquer hora do dia ou da noite, até mesmo batendo na sua casa sem avisar.

Otorrino também e uma das melhores especialidades; clientela aumentando com o envelhecimento da população, vários procedimentos que agregam valor ao preço da consulta e cirurgia. A qualidade de vida é boa porque a maioria das cirurgias é eletiva. Mas a qualidade de vida do oftalmo é melhor do que a do otorrino.

A anestesio te permite uma boa remuneração a prazo mais curto, porém em algumas cidades menores, às vezes é difícil conseguir furar o bloqueio e entrar para equipes já formadas.

Radiologia é uma especialidade bem tranquila, com boa qualidade de vida, boa remuneração e dia a dia bem tranquilo, só que vai desperdiçar essa facilidade de comunicação com o paciente que vc afirma ter.

Concluindo : vc deve acima de tudo se imaginar no dia a dia de cada uma dessas especialidades e ver em que situação vai se sentir mais confortável.

Acho que a oftalmo seria uma boa opção para vc.

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Mário Novais

Residência em Cirurgia Geral

Pergunta : Danilo ( Universidade Federal de Minas Gerais )
Boa noite, sou de Brasília, mas estou terminando o quinto ano de faculdade em Belo Horizonte e planejo fazer cirurgia geral. Minha dúvida é: aonde fazer essa primeira residência? Eu tenho alguns locais preferidos aonde eu gostaria de fazer minha sub especialidade, mas a residência de cirurgia geral me traz muitas dúvidas. Em Belo Horizonte, vários dos hospitais de referência em cirurgia não tem residência em geral, apenas em especialidades cirúrgicas. Como escolher? Algum do SUS em que terei maior volume de pacientes? O da universidade, o qual já conheço e sei que o fluxo de pacientes é muito reduzido e os casos muito especializados, difíceis de resolução por um cirurgião geral? Ou um particular, em que poderia ser um meio termo de conforto/volume e oportunidade, mas que já ouvi que os residentes as vezes tem pouca autonomia já que se trata de um hospital particular? Outra dúvida é que eu ainda penso em voltar para Brasília, mas não tenho muita certeza, seria essa uma boa oportunidade para conhecer a medicina em Brasília ao fazer residência de geral lá e se eu me desapontasse, voltaria para Belo Horizonte e faria minha especialização aqui?

Resposta :

O ideal na residência médica ( modalidade de treinamento em serviço ) é que seja beneficiado 3 fatores :

1.     quantidade grande de pacientes ( talvez o mais importante )

2.     estrutura hospitalar adequada

3.     staff comprometido com o ensino.

De um modo geral as residências nos grandes centros ( principalmente RJ e SP ) são as mais indicadas porque além de dar uma formação técnica adequada, também oferece mais status ao médico se ele for trabalhar em uma cidade menor no futuro.

Mesmo havendo alguns hospitais particulares de excelente qualidade, a residência nesses hospitais fica prejudicada pelas limitações impostas pelos planos de saúde e mesmo pelos próprios pacientes particulares.

Sucesso

Mário Novais

Aptidões Pessoais e a Escolha da Especialidade

Pergunta : Cesinha ( Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul )
Boa noite, obrigado pela ajuda que o site presta, li várias questões e respostas de especialidades que dão mais qualidade de vida. Mas e quando um aluno gostaria de ser um especialista, como um cirurgião plástico ou dermato por exemplo, mas não tem aptidão para a área? dá para se adaptar ou seria mais sensato procurar uma especialidade que se encaixe em suas próprias características e virtudes, mesmo que isso signifique partir para uma especialidade mais sacrificante, como anestesia ou GO, por exemplo? Qual a melhor escolha para ser um profissional bem sucedido e feliz com o dia a dia? Acredito que está questão será importante para a leitura de outros alunos que visitarem o site. Obrigado pelo espaço e oportunidade

Resposta :

A chave do sucesso na escolha da especialidade é tentar “casar” características do dia a dia da especialidade com características do aluno de Medicina.

De um modo geral o médico recém formado vai trabalhar na especialidade escolhida por mais cerca de 40 anos e assim é importante que ele se sinta bem com a especialidade que escolheu.

O ideal é que durante o curso médico, o aluno procure conhecer o máximo possível das características do cotidiano das diferentes especialidades ( são 54 especialidades ) para ver qual a especialidade que mais combina com ele.

O teste vocacional de nosso site procura exatamente cruzar características das especialidades com características do aluno, através das perguntas ali encontradas.

Na maioria das especialidades o médico, durante a residência médica vai adquirindo habilidades próprias para aquela especialidade e a medida que vai se sentindo habilitado na especialidade, seu gosto pela escolha vai aumentando.

Porém para algumas especialidades é mais difícil que isso aconteça como é o caso da cirurgia plástica, onde o profissional precisa ser “artista” para ser um cirurgião plástico de alto nível.

Na neurocirurgia também isso acontece, pois para ser um grande neurocirurgião, precisa ter uma habilidade manual muito acima do habitual, o que nem sempre se consegue apenas com o treinamento.

Concluindo : procure conhecer a si mesma e procure conhecer mais a respeito do dia a dia de cada especialidade ( principalmente aquelas primeiras apontadas no teste vocacional do site) e aí vai ter condições de fazer uma boa escolha.

Na seção carreira médica do site vc encontra uma relação de vantagens e desvantagens de várias especialidades.

Sucesso

Mário Novais

Radiologia, Anestesiologia ou Coloproctologia

Pergunta : Lucas ( FACIPLAC- Brasília )
olá, estou indo para o internato e ainda não decidi a minha futura residência médica, todos os dias penso em algo diferente que acaba esbarrando em pensamentos como futuro, remuneração e qualidade de vida. Gostaria de ter uma opinião a respeito das especialidades : Radiologia ,Anestesiologia e Coloproctologia. Sobre estas, queria saber como funciona o mercado de trabalho, remuneração e como será o futuro dessas especialidades, se há chance de alguma delas perder espaço para máquinas, ou até mesmo para profissionais de outros cursos da saúde. Desde já,obrigado !

Resposta :

Qualidade de vida, remuneração e dia a dia , devem nortear o aluno na escolha da especialidade.

São 54 especialidades médicas e pode ser comum o acadêmico gostar de mais de uma delas, porém é importante se definir por apenas uma e parar de ficar se questionando se a escolha foi certa ou não.

Todas as 3 especialidades citadas tem futuro tranquilo. Em termos de qualidade de vida, em ordem decrescente diríamos Radiologia, Proctologia e Anestesiologia.

Do ponto de vista remuneração, também em ordem decrescente : Anestesio, Procto e Radiologia.

Mais algumas informações sobre essas especialidades :

Na radiologia vc terá uma vida bem tranquila, lidará menos com pacientes e basicamente trabalhará para os outros, exceto no que se refere à ultrassonografia , que é a parte da radiologia que ainda permite ao especialista ser independente.
Também tem opção de enveredar pela área da radiologia intervencionista que estará em franco desenvolvimento em breve ( atendimento de urgência em AVEs, biópsias guiadas pelo US…)
Como a radiologia tem sido muito escolhida pelos médicos recém formados, os “patrões “tem se valido disso para diminuir os honorários destes especialistas.
O valor dos honorários do radiologista varia de cidade para cidade.
Como laudista de raios-x o mercado paga, em média, R$3,00 a R$ 5,00 por laudo. No caso da tomografia os honorários são na base de plantão. No Rio de Janeiro, p.ex., por um plantão de 24 h semanais, a remuneração mensal do radiologista é de R$ 8.000,00.
Se você trabalhar por conta própria como laudista de tomografia à distancia, receberá cerca de R$ 45,00 a 50,00 por laudo.
Considerando todos os aspectos ( qualidade de vida, remuneração e dia a dia confortável ) a radiologia ainda é uma das melhores especialidades e considere também que a área de imagem como diagnóstico e terapia é uma das áreas de maior desenvolvimento com novos equipamentos e portanto novas oportunidades no mercado

A anestesiologia é a especialidade onde o ganho financeiro é maior e mais rápido. Mesmo durante a residência, aparecem muitas oportunidades de serviços extras ( na maioria das vezes oferecidos pelo próprio staff da residência médica )
Além das atividades regulares, o anestesista ainda tem oportunidade de enveredar por um mercado pouco explorado e em ascensão , que é o das chamadas “Clínicas da Dor”.
A anestesiologia possibilita ganhos financeiros muito grandes e também maior independência de patrões e de convênios. Por outro lado a qualidade de vida é prejudicada, principalmente no início de carreira, pela irregularidade de horários e pelas urgências.
Com o passar do tempo, se o anestesista não for “desesperado por dinheiro “, ele pode organizar sua vida e seus horários e desempenhar a maior parte da sua jornada de trabalho com anestesias eletivas e ficar de sobreaviso para urgências apenas uma ou duas vezes por semana.
Importante na sua avaliação deve ser também como você se sente em relação ao tipo de paciente com os quais irá trabalhar, porque conforme a especialidade os perfis de pacientes são bastante diferentes. Isso é fundamental na sua escolha; lembre que estará fazendo uma escolha para 40 ou 50 anos de atividade profissional.

A coloproctologia é uma boa especialidade pois permite uma boa qualidade de vida, bons ganhos financeiros e apresenta vários procedimentos diagnósticos e terapêuticos que agregam valor ao preço das consultas.

O envelhecimento da população e a atual importância que se tem dado à prevenção do Ca do tubo digestivo baixo, além do aumento dos casos de doenças hemorroidárias ( resultado de dietas extravagantes, constipação intestinal crônica e abuso de álcool ) fazem com que a clientela do proctologista aumente com rapidez, embora o boca-a-boca seja pequeno ( pacientes não gostam de dizer que foram ao proctologista.

 

Abaixo reproduzimos material da sociedade brasileira de coloproctologia :

SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA COMISSÃO DE ENSINO E APERFEIÇOAMENTO MÉDICO
ESTRUTURA E CONTEÚDO PROGRAMÁTICO MÍNIMO NECESSÁRIOS PARA O CREDENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE TREINAMENTO PLENO E RESIDÊNCIA MÉDICA EM COLOPROCTOLOGIA, COM O OBJETIVO DE FORMAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE TÍTULO DE ESPECIALISTA, EXIGIDO PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP)

Rio de Janeiro, 1 de setembro de 2017

Introdução:
A presente regulamentação tem por objetivo definir e padronizar a estrutura e os procedimentos considerados necessários pela SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP) para propiciar a um médico, já devidamente qualificado como Cirurgião Geral em programa credenciado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) ou Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), as habilidades cognitivas e psicomotoras mínimas fundamentais ao exercício da Especialidade de Coloproctologia em toda sua extensão, incluindo aquelas de alta complexidade, nas áreas de Cirurgia Coloproctológica e Endoscopia, permitindo o credenciamento como Serviço de Formação de Especialistas pela Sociedade.
O corpo docente do Serviço que se propõe a formar especialistas em Coloproctologia deverá ser constituído por um mínimo de 4 (quatro) médicos especialistas ou de reconhecida capacidade t cnico-profissional. Ao menos 2 desses deverão ser membros titulares da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

1. Objetivo Geral:
1.1. O programa de Estágio/Residência Médica em Coloproctologia deve ter duração mínima de dois (2) anos e habilitar o médico especialista nas seguintes funções, relacionadas à Especialidade de Coloproctologia:
1.1.1. Atendimento de pacientes em regime ambulatorial;
1.1.2. Atendimentodepacientesemregimedeinternaçãohospitalar;
1.1.3. Realização de procedimentos diagnósticos relacionados à Especialidade;
1.1.4. Realização de cirurgias ambulatoriais;
1.1.5. Realização de cirurgias de pequeno, médio e grande porte da Especialidade;
1.1.6. Capacitação para reconhecimento e atendimento pleno de Urgências em Coloproctologia.

2. Objetivos Específicos:
2.1. PRIMEIRO ANO DE FORMAÇÃO ESPECÍFICA:
Ao final do primeiro ano de residência ou estágio credenciados, o médico deverá ter alcançado os objetivos do treinamento, tornando-se apto a:
2.1.1. Atendimento a Pacientes: Atendimento rotineiro a pacientes portadores de afecções coloproctológicas em ambiente ambulatorial e de internação. Recomenda-se o número mínimo de cem (100) consultas mensais em ambulatório formalmente anunciado e registradoncomo específico da Especialidade de Coloproctologia .
2.1.2. Indicar e interpretar corretamente laudos de exames diagnósticos em geral, relacionados à Coloproctologia, dentre os quais:
• radiologia convencional,
• tomografia computadorizada,
• ressonância magnética,
• testes funcionais como manometria anorretal, defecografia,
• ultrassonografia transanal
2.1.3. Indicar e interpretar corretamente laudos de exames diagnósticos endoscópicos e executar procedimentos endoscópicos mais simples, relacionados à Especialidade, entendidos como:
• Anuscopia: mínimo de 400 exames realizados ao final do primeiro ano;
• Retossigmoidoscopia rígida: mínimo de 400 exames realizados ao final do primeiro ano;
• Retossigmoidoscopia flexível: mínimo de 50 retossigmoidoscopias flexíveis observadas ou realizadas durante o primeiro ano
• Colonoscopia: mínimo de 50 colonoscopias diagnósticas observadas ou realizadas ao final do primeiro ano.
2.1.4. Procedimentos Terapêuticos Cirúrgicos de pequeno porte:
Incluem-se, sob esta denominação, os procedimentos terapêuticos realizados em conjunto com a atividade de consultas clínicas em ambiente cirúrgico, sob anestesia local, locorregional ou sedação, ou mesmo sem assistência anestésica, quando em regime de consulta ambulatorial, obedecendo os parâmetros da resolução CFM 1.670/03, publicada no Diário Oficial da União, 14 jul 2003, secao I, pg 78, sobre necessidades de assistência e capacitação em anestesia. São eles:
• Cauterizações químicas ou cirúrgicas de pequenas lesões, como distúrbios de cicatrização, condilomas anais e outras doenças infecto-contagiosas que assim sejam tratadas protocolarmente;
• Tratamento minimamente invasivo ambulatorial de hemorróidas internas e prolapso mucoso do reto (ligaduras elásticas, fotocoagulação, esclerose, etc);
• Drenagens de processos inflamatórios e/ou infecciosos restritos e não complicados
• Exérese de pequenos plicomas anais
• Injeções de agentes miorrelaxantes, como toxina botulínica ou outras substâncias terapêuticas de conhecimento especializado;
• Dilatações anais leves a moderadas;
• Retirada de fecalomas e corpos estranhos via transanal, de baixa complexidade.
2.1.5. Procedimentos Terapêuticos de porte médio: Incluem-se sob esta denominação os procedimentos cirúrgicos de complexidade superior aos citados no item 2.1.3., requerendo, em sua maioria, a participação de anestesiologistas por meio da realização de bloqueios anestésicos ou anestesias gerais. São eles
• Doença hemorroidária não complexa
• Tratamento cirúrgico da fissura anal não complicada
• Fístulas anais e abscessos não complexos
• Doença pilonidal simples
• Estenoses anais simples
• Prolapsos mucosos
• Plicomas de grande porte
• Incontinência fecal de baixa complexidade
• Reparo de lesões traumáticas perineais de baixa
complexidade
O médico residente, ao final do primeiro, ano deverá ter participado de forma regular e ativa deste grupo de procedimentos, possibilitando o desenvolvimento cognitivo e manual de suas habilidades. Deve haver o mínimo de dez cirurgias deste grupo ao final do primeiro ano, realizadas de forma autônoma, sempre sob supervisão direta do especialista responsável. A formação nessa etapa também inclui a atuação como cirurgião auxiliar nos demais procedimentos de média e alta complexidade, contidos no programa do residente do segundo ano.
2.2. SEGUNDO ANO DE FORMAÇÃO ESPECÍFICA:
Ao final do segundo ano de residência o médico deverá ter alcançado
os seguintes objetivos, estando apto a:
2.2.1. Atendimento a Pacientes
Atendimento rotineiro a pacientes portadores de afecções coloproctológicas em ambiente ambulatorial e de internação. Recomenda-se o número mínimo de cem (100) consultas mensais em ambulatório formalmente anunciado como específico da Especialidade de Coloproctologia.
2.2.2. Indicar e interpretar exames diagnósticos da especialidade em geral, dentre os quais:
• radiologia convencional,
• tomografia computadorizada,
• ressonância magnética,
• testes funcionais como manometria anorretal, defecografia,
• ultrassonografia transanal
2.2.3. Indicar e interpretar exames diagnósticos endoscópicos e executar procedimentos endoscópicos simples e complexos, relacionados à Especialidade, entendidos como:
• Anuscopia;
• Retossigmoidoscopia rígida;
• Retossigmoidoscopia flexível: mínimo de 50 exames
efetivamente realizados ao final do segundo ano;
• Colonoscopia diagnóstica e terapêutica: o Serviço deverá oferecer um mínimo de 120 colonoscopias realizadas pelo residente/estagiário, sob supervisão do especialista habilitado, até o final do período de treinamento. Dentre estas, deverá haver ao menos 30 colonoscopias com finalidade terapêutica.
Considera-se finalidade terapêutica: polipectomia, mucosectomia, dissecção submucosa; ablação com argônio ou outro elemento destinado para tal, próteses endoscópicas, ligaduras mucosas por videoendoscopia, tatuagens, dilatações endoscópicas, tratamento endoscópico de volvo do cólon e de pseudo-obstrução, além de outros procedimentos terapêuticos que usem a colonoscopia como meio de execução. As biópsias por endoscopia, cromoscopia e magnificação de imagem são considerados procedimentos diagnósticos.
2.2.4. Procedimentos Terapêuticos Cirúrgicos: Além dos procedimentos de pequeno e médio porte, caberá ao médico residente do segundo ano a participação e execução de procedimentos de grande porte, sempre sob supervisão e auxílio do especialista devidamente capacitado. Incluem-se, sob esta denominação, os procedimentos cirúrgicos de maior complexidade da Especialidade, que requerem, em sua totalidade, a participação de anestesiologistas para bloqueios anestésicos, anestesias gerais ou supervisão de condições clínicas em pacientes sedados de forma leve, por serem de alto risco. São eles:
• Laparotomias e ressecções intestinais de qualquer natureza para tratamento de afecções coloproctológicas, tanto benignas quanto malignas, de diversas complexidades;
• Fechamentos de estomas intestinais;
• Ressecções intestinais extracorpóreas, como prolapso de estomas ou prolapsos retais por via perineal;
• Acessos posteriores à pelve e transanais;
• Cirurgias para doenças orificiais complexas, incluindo doença hemorroidária, fístulas e doença pilonidal complexas
• Abordagem cirúrgica das doenças inflamatórias intestinais
• Procedimentos perineais e anorretais de maior complexidade, incluindo ressecções tumorais, tratamento cirúrgico de lesões traumáticas, tratamento de prolapsos e alterações pélvicas com indicação cirúrgica.
• Exposição às tecnologias cirúrgicas mais modernas de uso corrente
O médico residente deverá participar deste grupo de procedimentos de forma regular na própria Instituição, para desenvolver suas habilidades, devendo realizar, de forma autônoma e sempre sob supervisão direta, um mínimo de vinte operações deste grupo.
2.2.5. Videocirurgias Colorretais
Definem-se assim os procedimentos cirúrgicos abdominais realizados para o tratamento de afecções coloproctológicas utilizando para tal o acesso videolaparoscópico por meio das seguintes modalidades:
2.2.5.1. Acesso Videolaparoscópico Exclusivo: todo o procedimento é realizado por meio dos portais laparoscópicos, excetuando- se a retirada de espécimes.
2.2.5.2. Acesso com assistência videolaparoscópica: o procedimento abdominal é realizado pelos portais laparoscópicos possibilitando uma abordagem laparotômica exclusivamente pélvica por meio de incisão mínima para a abordagem pélvica e retirada da peça.
2.2.5.3. Acesso videolaparoscópico com assistência manual: o procedimento abdominal e /ou-pélvico é realizado por meio da videolaparoscopia com assistência manual simultânea por meio de portais específicos
O médico residente do segundo ano deverá participar de um número mínimo de 15 videocirurgias colorretais, na própria instituição ou em instituição conveniada.
2.2.6. Atividades Recomendadas: Embora ainda não considerados como pré-requisitos determinantes para a existência do programa de formação em Coloproctologia, recomenda-se que seus participantes tenham acesso ao aprendizado de outros procedimentos diagnósticos e terapêuticos, em instalações próprias ou Serviços conveniados:
2.2.6.1. 2.2.6.2. 2.2.6.3. 2.2.6.4.
Manometria Anorretal
Defecografia
Ultrassonografia Anorretal
Tratamento avançado para incontinência fecal

3. Conteúdo Programático e Funcionamento do Serviço 3.1.Atendimento a Pacientes
Os Serviços de Coloproctologia responsáveis por programas de formação e que desejem o credenciamento da SBCP deverão incluir
rotina de atendimento a pacientes portadores de afecções coloproctológicas ambulatoriais ou sob internamento na própria Instituição, o que inclui os procedimentos cirúrgicos pertinentes à Especialidade. Tais atividades deverão ocorrer sempre com a participação diária e efetiva dos membros especialistas do Serviço. É vedado ao cirurgião, em período de formação, a realização de atendimentos a pacientes sem a devida supervisão.
3.1.1. As atividades relacionadas a Endoscopia diagnóstica e terapêutica, com exceção dos procedimentos de anuscopia e retossigmoidoscopia rígida, que deverão ser efetivamente realizados na Instituição de origem, poderão ser executadas em Serviços de Endoscopia habilitados e formalmente conveniados ao Serviço de Coloproctologia da Instituição de origem, com a finalidade de treinar os especializandos, com programa que obedeça às especificações mínimas aqui apontadas, garantindo a formação técnica adequada. Os documentos que comprovam a existência desses convênios com compromisso de ensino deverão ter cópias encaminhadas à SBCP juntamente com os demais documentos, por ocasião do pedido de credenciamento e renovações desse credenciamento, e mantidos sob guarda para o caso de serem solicitados a qualquer momento pelos Órgãos e Instituições reguladoras.
3.1.2. O treinamento em atividades relacionadas a testes funcionais, como manometria anorretal, defecografia, testes mais sofisticados de avaliação de trânsito intestinal e assoalho pélvico e endossonografia anorretal também poderá ser executado em Serviços habilitados e formalmente conveniados ao Serviço de Coloproctologia da Instituição de origem, com a finalidade de treinar os especializandos, garantindo a formação técnica adequada. Os documentos que comprovam esses convênios deverão ter cópias encaminhadas à SBCP, juntamente com os demais documentos, por ocasião do pedido de credenciamento, e mantidos sob guarda para o caso de serem solicitados a qualquer momento pelos Órgãos e Instituições reguladoras.
3.1.3. As atividades de Endoscopia e exames complementares específicos da Coloproctologia, sejam eles realizados na Instituição de origem ou em Serviços conveniados, deverão estar instalados em locais que cumpram as normas técnicas e resoluções expedidas pelo Ministérios da Saúde e outros órgãos reguladores pertinentes.
3.1.4. Os residentes/especializandos deverão ser expostos ao conhecimento específico destas normas técnicas, estando habilitados a executar e supervisionar a correta aplicação das mesmas no que diz respeito à segurança do paciente e à sua própria segurança física e jurídica, sejam elas executadas na Instituição de origem ou nos Serviços formalmente conveniados.
3.2. Estrutura de Ensino Além da supervisão prática aos cirurgiões em formação em suas atividades clínicas e cirúrgicas, deverá o programa incluir necessariamente atividades teóricas (com estudo de doenças e
técnicas relativas à coloproctologia, ética em pesquisa, aspectos técnicos e jurídicos relacionados ao exercício da profissão, etc) realizadas com periodicidade regular mínima uma vez por semana. Estas atividades teóricas podem ser executadas por meio de aulas, reuniões científicas, seminários, reuniões com outras especialidades, discussão de casos ou qualquer outro encontro que contemple em seu conteúdo temas relacionados aos diferentes aspectos da especialidade, com periodicidade mínima semanal.
3.3.Atividades de Pesquisa Os programas credenciados de formação em Coloproctologia deverão conter atividades relacionadas à pesquisa, para estimular o estudo dos conhecimentos e interesses necessários e contribuir com a organização e produtividade científica dos Serviços. Para tal, sugere-se a definição de linhas de pesquisa e o estabelecimento de metas de produtividade. Os resultados deste planejamento não deverão ser inferiores a três publicações por triênio em periódicos relevantes de circulação nacional e internacional, sendo ao menos uma ao ano publicada no Journal of Coloproctology, revista oficial da SBCP.

4. Estrutura médico-hospitalar necessária para que se constituam os locais de treinamento
É necessário que os programas de formação de especialistas em Coloproctologia tenham como sede principal estrutura hospitalar dotada dos recursos necessários para a realização de operações de pequeno, médio e grande porte, segundo as especificações ditadas pelo Ministério da Saúde e órgão reguladores, incluindo:
• Unidade de internação hospitalar com um mínimo de 50 leitos.
• Centro cirúrgico com um número mínimo de quatro salas de operações.
• Unidade de terapia intensiva com ao menos quatro leitos e dotada dos requisitos mínimos segundo normatização da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva.
• Serviço de radiologia dispondo dos equipamentos necessários à realização de, no mínimo, os seguintes exames:
a. Radiologia convencional.
b. Ultrassonografia.
c. Tomografia computadorizada e/ou ressonância nuclear magnética.
d. Serviço de endoscopia digestiva
e. Serviçodeanatomiapatológica
f. Demais serviços hospitalares de apoio necessários para a
realização de operações de grande porte como serviço de nutrição, fisioterapia, comissão de infecção hospitalar e enfermagem dentro dos princípios mínimos de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde e respectivas sociedades profissionais.
Os itens a, b, c e f deverão estar disponíveis dentro da própria instituição hospitalar responsável pelo programa, enquanto os itens d, e e poderão ser constituídos em instituição conveniada com fácil acesso e disponibilidade.
O Serviço originalmente credenciado pela SBCP como centro de treinamento será co-responsável pela vigilância e cumprimento das normas sanitárias e de segurança profissional, seja na Instituição de origem, seja nas unidades de treinamento conveniadas, tanto para o atendimento dos pacientes quanto para a segurança dos estagiários/residentes. O descumprimento das regulamentações sanitárias para tal poderá implicar em descredenciamento do Serviço junto à SBCP.

5. Da avaliação do médico residente e do programa de residência médica
5.1. A cada ano a Instituição credenciada deverá atualizar dados cadastrais e informar à Secretaria da SBCP os nomes dos alunos que ingressam, bem como os egressos do programa, além do seu
Coordenador e Corpo Clínico, até o mês de maio.
5.2.Ao final de cada ano de estágio/residência médica em Coloproctologia
deverá haver avaliação do aprendizado, aplicada pela Instituição credenciada, que poderá ser aferido por meio de prova com conteúdo nos moldes da prova de Título de Especialista, determinado pela SBCP; prova prática, com avaliação de desempenho profissional clínico, endoscópico e cirúrgico e/ou apresentação de monografia, com avaliação de banca examinadora. Ao término de cada programa a SBCP deverá ser informada da aprovação do aluno.
5.3.A manutenção do programa de credenciamento do Serviço também dependerá da aprovação na prova para Título de Especialista de 1⁄4 dos residentes egressos do programa num período de quatro anos.
5.4. T odos os Serviços já credenciados pela SBCP ou que estejam pleiteando o credenciamento deverão encaminhar à SBCP, anualmente, o programa do Estágio/Residência proposto, com todas as atividades docentes e discentes previstas, bem como o edital de divulgação do concurso com programa específico em Coloproctologia, com duração mínima de dois anos, segundo portaria do MEC, que rege o ensino da especialidade. Não serão aceitos os programas incluídos em residências de cirurgia geral ou do aparelho digestivo ou qualquer outra cadeira cirúrgica de ensino, concomitante ao treinamento para formação de especialistas em Coloproctologia..
5.5.Os programas devidamente credenciados sofrerão reavaliação com intervalo máximo de 4 (quatro) anos, sendo visitados por um mínimo de dois membros da Comissão de Ensino e Residência Médica ou, na impossibilidade destes, por dois outros membros titulares, nomeados pelo Presidente da SBCP, que não tenham conflitos de interesse de qualquer natureza com o Serviço.
5.5.1. Tanto o Serviço credenciado quanto os médicos em treinamento, bem como os avaliadores nomeados têm a obrigação de declarar possíveis conflitos de interesse existentes nesse trâmite.
5.6.O médico residente/estagiário do programa de Coloproctologia para formação de especialistas deverá relatar à SBCP as irregularidades ao cumprimento das atividades propostas ou outras existentes no Serviço que o acolhe, imediatamente à percepção da existência das mesmas, para que a SBCP possa atuar auxiliando a Instituição na solução dos problemas que se apresentem, sob a pena de não ter sua formação reconhecida como minimamente suficiente para se aplicar à prova para obtenção do Título de Especialista junto à Sociedade, caso as medidas corretivas propostas não sejam tomadas durante o período de formação.
5.7.O corpo docente também tem obrigação de relatar à SBCP as irregularidades ao cumprimento das atividades propostas ou outras existentes no Serviço, quando a SBCP atuará auxiliando na solução das deficiências, seja localmente, seja apontando convênios com serviços que possam acolher o residente/ especialista em formação, garantindo ensino de qualidade.

Considerações Finais

O programa acima está em acordo com a legislação do Conselho Federal de Medicina (CFM), Resoluções números 1634/2002, 1666/2003 e 1785/2006, 2068/2013, 2116/2015 e da CNRM, Lei número 6932/1981, Decretos números 80281/1977 e 91364/1985 e Resolução da CNRM número 02/2006, todos relativos ao tema, assim, não havendo conflitos que impossibilitem sua aceitação pela Comissão Mista de Especialidades.

Após o cumprimento do estágio/residência médica dentro dos moldes propostos, o médico torna-se apto para prestar a prova de Título de Especialista junto à SBCP.

Maria Cristina Sartor
Presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia
Eduardo Pessoa Vieira
Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

Sucesso

Mário Novais

 

 

 

Cardiologia : Eletrofisiologia

Pergunta : Fernando ( Universidade Federal Fluminense )
Parabéns pelo Site! Gostaria de saber como é a rotina do cardiologista especialista em eletrofisiologia. É mais consultório ou centro cirurgico? Tem volume de pacientes para ficar só com a especialidade ou também tem que atender como cárdio geral?

Resposta :

A definição sobre sub especialidades somente deve ser pensada quando se está durante a residência da especialidade raiz.

Assim é prematuro agora vc perder tempo discutindo a eletrofisiologia. Se estiver realmente definido pela cardiologia, deixe para analisar a eletrofisiologia posteriormente.

O mercado de trabalho para o cardiologista especializado em eletrofisiologia não é muito grande e o diagnóstico e manuseio das arritmias é uma área desafiadora e talvez tecnicamente difícil da cardiologia.

A sugestão em função desse mercado menor é que o cardiologista com essa sub especialidade continue atendendo cardiologia geral.

O dia a dia será de pacientes encaminhados por outros cardiologistas no seu consultório ou pareceres em pacientes internados em UTIs ou vc estará trabalhando em um Hospital especializado em cardiologia.

Essa sub especialidade terá maior mercado em cidades grandes com número razoável de outros cardiologistas.

Sucesso

Mário Novais