Yan Carvalho – Widoctor

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Médicos, Pacientes e Justiça

Médicos, Pacientes e Justiça

De acordo com o livro “Blink”, cujo autor é o americano Malcon Gadwell, as causas de os médicos serem processados ou não nos EUA seguem um padrão.
De forma resumida, 7 pontos foram destacados pelo livro:
1 – Os médicos que possuem boa relação com o paciente não são processados;
2 – Muitos dos processos ocorrem a partir de um mau tratamento oferecido pelo médico, e não por erro do profissional;
3 – Dificilmente médicos são processados por pacientes quando seus atendimentos englobam humanidade, respeito e dignidade;
4 – Por mais que o tempo de atendimento médico seja importante – diminuem os riscos de processo – o mais importante é a qualidade do tempo de serviço prestado. Uma consulta de 15 minutos pode ser muito mais produtiva do que uma consulta de 1 hora de duração;
5 – Em muitos casos, os especialistas mais bem qualificados e os mais arrogantes são mais processados;
6 – Os médicos que mais orientam e fazem escuta ativa do paciente são menos processados;
7 – Uso de comportamento com gestos autoritários – como voz elevada – aumenta as chances do médico ser processado.
Nesse contexto, o livro permitiu demonstrar que determinadas características ligadas à rotina do profissional favorecem ou não a ocorrência de processos médicos. Geralmente, o processo não se liga ao erro médico ou à sua negligência, mas, sobretudo, à forma como o médico se relacionou com o paciente.
Fonte: Livro Blink
Autor: Rafael Kader

Abordando Anestésicos Locais

Abordando Anestésicos Locais

1) Baseado na figura abaixo, explique:
A) O mecanismo de ação dos anestésicos locais (Als);
B) Importância dos pHs dos meios extra e intracelular na ação dos Als;

A) Os anestésicos locais atuam na membrana e impedem a geração e condução do
impulso nervoso. Eles bloqueiam a condução reduzindo ou impedindo o grande
aumento transitório da permeabilidade das membranas excitáveis ao Na+. À medida
que a ação anestésica se desenvolve progressivamente no nervo, o limiar de
excitabilidade aumenta gradativamente, a velocidade de elevação do potencial de
ação declina, a condução dos impulsos fica mais lenta e o fator de segurança da
condução diminui. Essas alterações reduzem as chances de propagação do
potencial de ação e, por fim, a condução nervosa é impedida. Os anestésicos
precisam primeiro atravessar a membrana para exercer sua função. Ao se ligar, o
anestésico em sua forma ionizada inativa o canal de Na+ em sua conformação
aberto inativado.
O bloqueio de condução deve abranger um comprimento da fibra nervosa tal que
impeça a propagação do impulso nervoso. Em fibras não mielinizados, o impulso se
move adiante por despolarização sequencial dos segmentos curtos contíguos de
membrana, logo espera-se que a sensibilidade ao bloqueio seja maior. Já em fibras
mielinizadas, a condução de impulsos ocorre por meio de saltos, de forma que a
sensibilidade ao bloqueio é menor. É importante ressaltar também que a espessura
da mielina influencia no bloqueio – quanto mais espessa a mielina, mais anestésico
é necessário pois é preciso um mínimo de 4 nódulos de Ranvier para que o bloqueio
seja efetivo (o comprimento correspondente a 4 nódulos de Ranvier torna-se maior
quanto mais espessa a mielina). Esse é o chamado bloqueio fásico frequência dependente.
Há, também, o bloqueio tônico, o qual o anestésico, na sua forma apolar, penetra pela
membrana da fibra nervosa e se liga ao canal de Na+ sem necessitar de sua forma
ionizada, inativando-o. Nesse contexto, tal bloqueio se opõe ao fásico por não ser
frequência-dependente.
B) Os anestésicos locais tendem a ser apenas discretamente solúveis como aminas
não-protonadas. Assim sendo, em geral são comercializados como sais
hidrossolúveis, geralmente cloridratos. Como os anestésicos locais são bases fracas
como pka variando entre 8 e 9, seus sais de cloridrato são levemente ácidos,
propriedade que aumenta a estabilidade dos ésteres de anestésicos locais e
qualquer substância vasoconstritora acompanhante. Nas condições habituais de
administração, o pH da solução de anestésico local se equilibra rapidamente com o
dos líquidos extracelulares. Embora a espécie não-protonada dos anestésicos locais
seja necessária para difusão através das membranas celulares, a espécie catiônica
é aquela que interage preferencialmente com os canais de Na+ . O pH do meio
intracelular é responsável então por ionizar a espécie não-protonada, tornando-a
catiônica e capaz de se ligar bloqueando os canais de Na+ . Anestésicos com pka
baixo (3,5) como a Benzocaína, no pH do meio intracelular nunca se ionizariam.
Sendo assim, esses anestésicos interagem com a camada lipídica
através de sua porção lipofílica e promovem diretamente a mudança conformacional
dos canais de Na+ para seu estado inativo, realizando o chamado Bloqueio Tônico.
A diminuição do pH fora da célula aumenta o número de espécies catiônicas do
anestésico fora da célula. Esses anestésicos então não conseguirão realizar
nenhum dos dois tipos de bloqueio, ou seja, fásico e tônico. No entanto, a
diminuição do pH dentro da célula aumenta o número de espécies catiônicas do
anestésico, aumentando assim a sua potência para bloqueio fásico.
Autor: Rafael Kader.

Caso Clínico: Hipertireoidismo

Caso Clínico: Hipertireoidismo

CASO CLÍNICO HIPERTIREOIDISMO
Identificação: AS, 35 anos, feminino, parda, solteira, natural e moradora do Rio de Janeiro, do lar.
Queixa Principal: “Aumento do Pescoço”
História da Doença Atual: Paciente refere que após aborrecimento familiar iniciou quadro de
grande ansiedade e nervosismo. Refere ainda emagrecimento de 8 kg nos últimos 6 meses,
sudorese intensa, mais calor que o habitual e palpitações constantes. Medicada com
medicamentos ansiolíticos por “amiga”, sem grande melhora. Há uma semana reparou que o
pescoço estava inchando, tendo então procurado o médico.
Anamnese Dirigida: Sem Interesse
H Familiar: Irmã com febre reumática e doença mitral (estenose), outra irmã com psoríase.
H Pessoa: Nunca fumou, nunca ingeriu bebida alcoólica. Alimentação variada. Mora com os
pais e duas irmãs.
Exame Físico: Lúcida, orientada no tempo e no espaço, emagrecida, ligeiro tremor de
extremidades, hipocorada +/4+, normohidratada, acianótica, anictérica, afebril, pele quente e
úmida. PA – 150/60 mmHg, PR – 110 bpm, FR – 22 irpm, Tax 36,8oC Oftalmopatia do tipo infiltrativo,
orofaringe normal. Tireoide aumentada de tamanho simetricamente, com consistência firme
indolor a palpação e com bordos bem definidos. Expansibilidade da parede torácica normal.
FTV normal. MV universalmente audível sem ruídos adventícios. RCI (fibrilação atrial) em 3T.
Dissociação pulso precórdio. Sem sopros. Abdome indolor, sem hepatoesplenomegalia. Edema
pré-tibial de MMIIs.
Laboratório: Hms – 4,4 milhões, Hb – 13,5g/dL, Hto – 40%, Leucócitos – 8000/mm3,
0/1/0/0/5/60/24/10, plaquetas – 150.000/mm3.
1) Qual a principal hipótese de diagnóstico funcional do quadro clínico da paciente?
Tireotoxicose por hipertireoidismo.
2) Cite três causas de aumento difuso da glândula tireoide.
Bócio carencial (deficiência de iodo), adenoma hipofisário secretor de TSH, Doença de Graves, tireoidite de Hashimoto em estágio inicial.
3) Qual deve ser a terceira bulha notada durante a ausculta cardíaca: B3 ou B4? E qual o
mecanismo de produção deste terceiro som?
B3 (não pode ser B4 pois não há contração atrial). A B3 se origina do choque da coluna de
sangue proveniente do enchimento ventricular rápido, com o volume residual dentro do
ventrículo. Acontece em situações onde ha disfunção sistólica do ventrículo, com diminuição da
fração de ejeção e aumento do volume diastólico inicial.
4) Que sinais do exame físico especifico do pescoço levariam a suspeita diagnóstica de uma
processo maligno de tireoide?
Tamanho aumentado assimetricamente ou não, consistência endurecida, superfície irregular,
bordos mal delimitados, imóvel e com presença de linfonodos vizinhos sugestivos de metástase.
5) A irmã da paciente tem estenose mitral, Qual o tempo (sistólico ou diastólico), a sede (local
de maior intensidade), a propagação, a intensidade (forte, fraco etc), a tonalidade (agudo ou
grave), e o timbre (áspero, rude etc) do sopro de estenose mitral?
Sopro diastólico (mesodiastólico com reforço pré-sistólico), mais audível em foco mitral, sem
padrão de irradiação característico, de intensidade variável, tonalidade grave e timbre em
ruflar.
Autor: Rafael Kader

OMS solicita atenção para carência de inovações de antibióticos

OMS solicita atenção para carência de inovações de antibióticos

Em comunicado recente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta sobre a carência de invenções de novos antibióticos. O fato pode contribuir para terapêuticas progressivamente menos eficientes contra bactérias cada vez mais resistentes. Nesse contexto, a OMS afirmou necessidade urgente de os investimentos no desenvolvimento farmacológico diante desta “crescente ameaça” à saúde mundial.

A OMS registrou, no total, 51 novos antibióticos em estudos ainda em fase de desenvolvimento clínico para combater os chamados agentes patógenos prioritários, a tuberculose e a infecção diarreica atribuída ao Clostridium difficile. São apenas 8, contudo, as inovações no quesito de tratamento capazes de integrar o “arsenal” já existente até o presente momento.

Em fevereiro, a OMS publicou uma lista de 12 famílias de bactérias resistentes – as chamadas “superbactérias” além da tuberculose, que a cada ano mata 250 mil pessoas no planeta. Contra essas famílias, por sua vez, a organização destaca a urgência no desenvolvimento de novos medicamentos, a exemplo de enterobactérias como Klebsiella e E.coli. Algumas destas famílias provocam infecções comuns, como pneumonia e do trato urinário. Caso não sejam tomadas atitudes inovadoras na terapêutica contra essas bactérias, haveria um risco de retroagirmos na âmbito do combate a esses microrganismos e quaisquer infecções comuns se tornariam temidas e pequenas cirurgias ofereceriam risco de vida.

Apenas para a tuberculose estimou-se necessidade de investimentos superiores a 800 milhões de dólares anuais na pesquisa de novos medicamentos. São muito poucas de acordo com a OMS, também, as soluções orais de antibióticos sendo criados, quando na realidade são fundamentais para uso em infecções tratadas fora de ambiente hospitalar.

Até 2050, há a possibilidade de as bactérias resistentes aos antibióticos matarem até 10 milhões de pessoas por ano – equiparando-se aos expressivos números registrados pelo câncer – de acordo com grupo de especialistas internacionais formado em 2014 no Reino Unido.

Por fim, vale ressaltar que não se trataria somente de desenvolvimento de novos antibióticos, mas também de avanços na profilaxia de doenças e evolução de estratégias terapêuticas existentes e futuras para um melhor controle dessa nova realidade em evidência.

Fonte: g1.globo.com/bemestar

Autor: Rafael Kader

A formação médica e relação médico-paciente

A formação médica e relação médico-paciente

Texto elaborado por Heitor Alvito – acadêmico do quinto período de medicina da UFRJ e diretor da Liga Acadêmica de Psiquiatria.
Você acha que a relação entre os médicos e os pacientes poderia ser melhor? Isso seria capaz de influenciar na qualidade de nossos serviços de saúde? A formação do estudante de medicina gera médicos preparados para lidar com a população?
A realidade da faculdade de Medicina impõe aos estudantes mudanças radicais em seu estilo de vida. Dentre eles, uma alta proporção está sofrendo com várias doenças mentais. Entre elas destacam-se: Ansiedade (31%); Depressão (30,6%); Burnout (13.1%); Abuso de álcool (32.9%); Baixa qualidade de sono (51,5%) e Sono durante o dia (46,1%). A incidência de Suicídios entre os estudantes de medicina é 4 a 5 vezes maior que a média da população na mesma faixa etária, sendo considerado como grupo vulnerável e suscetível ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas e distúrbios emocionais relacionados à formação médica.
O contato íntimo e frequente com a dor e sofrimento, lidar com a intimidade corporal e emocional do outro, o atendimento de pacientes gravemente doentes ou terminais, e o enfrentamento da morte tornam a graduação em medicina especialmente angustiante.
O currículo do curso médico e suas atividades associadas exigem dedicação, havendo pouco espaço para tempo livre. Soma-se isso ao excesso de conteúdo ministrado, a quantidade exorbitante de disciplinas a serem estudadas e a busca incessante por atividades complementares que supram as deficiências acadêmicas e emocionais dos alunos.
Não bastasse o peso da formação acadêmica em si, o perfeccionismo é característica comum aos estudantes de medicina, que comumente apresentam histórico pessoal de sucesso e bom desempenho escolar, gerando uma tendência em estabelecer padrões elevados de qualidade. A possibilidade do erro gera preoucapação e insegurança, podendo levar os alunos a competições excessivas e dificuldades em lidar com as exigências internas.
Fadiga, cansaço, perda da liberdade pessoal, constante pressão, falta de orientação, excessiva cobrança por parte dos supervisores, falta de tempo para lazer, família, amigos, necessidades pessoais, obsessão pelo trabalho técnico, dificuldade de adaptação à universidade, frustrações relacionadas ao curso, dificuldades inerentes à relação professor-aluno e médico-paciente, são fatores estressantes comuns durante a graduação. Tudo isso leva o estudante a diminuir suas horas de sono, alimentar-se de forma inadequada, abrir mão de atividades físicas e convívio social.
Além disso, em algumas situações, a dificuldade de relacionamento com os professores é apontada como geradora de angústia. São frequentes conflitos interpessoais entre estudantes e professores, em situações que se assemelham àquelas relatadas por pacientes em relação à falta de escuta por parte do seu médico em que o médico inibe a capacidade de expressão do paciente ao desqualificar sua fala.
Na maior parte das escolas médicas, a ênfase na avaliação dos aspectos cognitivos e a prioridade dada às avaliações somativas, com caráter de prêmio ou punição aos examinandos, tem contribuído para uma imagem negativa das práticas de avaliação e tem provocado distorções na educação dos estudantes.  O uso mais extensivo de modalidades formativas e a escolha judiciosa de métodos mais adequados, válidos e fidedignos, podem contribuir para restaurar as funções educacionais mais genuínas da avaliação do estudante de Medicina. Na situação atual, o resultado é a formação de um estudante que, nos semestres finais do curso, dispõe de conhecimentos sobre as diferentes áreas biomédicas, mas apresenta deficiências no relacionamento com o ser humano que tem à sua frente.
O impacto dessas condições na vida do estudante pode afetar a sua capacidade de organizar suas demandas, gerenciar o tempo de horas de estudo socializar e ter uma boa performance acadêmica, uma vez que a empatia e o profissionalismo podem ser prejudicados. A avaliação abrangente do estudante de Medicina poderia cobrir os aspectos cognitivos, as habilidades e as competências práticas necessárias ao exercício da profissão, bem como as atitudes e as características pessoais dos alunos.
Estudantes que trabalham com PBL (Problem-based-learning) reportaram estarem mais satisfeitos com a sua qualidade de vida do que aqueles que têm um currículo tradicional. Tal percepção pode estar atrelada à quantidade de tempo livre que eles têm para dedicar ao estudo, na maior autonomia com o gerenciamento do tempo, e no primeiro contato com o paciente, promovendo sentimentos de utilidade e engajamento. Através do aprimoramento do currículo informal, com atividades que os alunos constroem espontaneamente como a iniciação científica, monitorias e ligas, os alunos do curso de medicina agregam habilidades e práticas que cooperam para a melhoria do cuidado de pacientes e para a sua sensação de utilidade e engajamento com a faculdade.
Em um estudo que comparou  estudantes brasileiros e americanos demonstrou-se que os brasileiros possuem maiores índices de depressão e estresse, principalmente devido diferenças socio-culturais, infraestruturas e curriculares. Além disso os estudantes americanos em geral eram mais velhos, as salas de aulas  possuíam metade dos alunos em comparação com as brasileiras, e o primeiro contato com o paciente ocorria mais cedo.
Outra diferença importante é que as escolas americanas oferecem apoio médico e psicológico para estudantes sem custos dentro do campus e suporte essencial para prevenir identificar e tratar condições que podem ter impacto na qualidade de vida do estudante sua performance acadêmica.
Quando a temática em questão é a forma de se relacionar com o paciente ou com o familiar, o ensino parece limitar-se apenas à demonstração, por parte do professor, da conduta a ser adotada, prescindindo de orientações verbais. Acredita-se, assim, que essa aprendizagem implícita é a forma de transmitir as normas de conduta da relação médico-paciente e que a formação médica consiste numa ação muito mais ampla do que aprender conhecimentos relativos a processos biológicos e terapêuticos; ela “envolve a compreensão de regras sobre sentimentos, erros e manuseio de nossas falhas; em outras palavras, está relacionada à aquisição de caráter e identidade de médico.
Acredita-se que uma compreensão melhor dos fatores identificados como geradores de angústia entre os estudantes de Medicina possa vir a colaborar para o melhor desempenho no processo de humanização dos cursos de Medicina.
Fontes:
1.      João P. Pacheco,Henrique T. Giacomin, Wilson W. Tam,Tássia B. Ribeiro, Claudia Arab,Italla M. Bezerra,Gustavo C. Pinasco. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2017;00
2. Giancarlo Lucchetti1 & Rodolfo Furlan Damiano2 & Lisabeth F. DiLalla3 &
Alessandra Lamas Granero Lucchetti1 & Ivana Lúcia Damásio Moutinho1 & Oscarina da Silva Ezequiel1 & J. Kevin Dorsey4 ; Cross-cultural Differences in Mental Health, Quality of Life, Empathy, and Burnout between US and Brazilian Medical Students. July 2017; Academic Psychiatry 2017
3. IFMSA BRAZIL POLICY STATEMENT
SAÚDE MENTAL DO ESTUDANTE DE MEDICINA . Novembro de 2016, Fortaleza, Ceará
4.      Tempski et al.: What do medical students think about
their quality of life? A qualitative study. BMC Medical Education 2012
12:106.
Autor: Rafael Kader.

Nova ferramenta identifica células cancerígenas de maneira rápida e precisa

Nova ferramenta identifica células cancerígenas de maneira rápida e precisa

Em artigo publicado por revista cietífica Science Translational Medicine, foi desenvolvida uma caneta – o MasSpec Pen – capaz de identificar células tumorais em dez segundos por cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que o utensílio permitiria que a cirurgia para a remoção de câncer seja realizada de maneira precisa, rápida e, principalmente, segura.

Os cientistas tem a expectativa de que a invenção se torne mais uma ferramenta à disposição dos médicos para evitar a reincidência do câncer. Os testes da caneta já feitos mostram resultados expressivos de precisão em 96% das vezes.

O MasSpec Pen trabalha avaliando o metabolismo singular das células cancerígenas. A bioquímica intracelular das células tumorais difere muito das demais células de um organismo saudável, principalmente por crescerem e se espalharem muito rápido, dentre outros fatores.

A invenção funciona da seguinte maneira: ao tocar em tecido cancerígeno, libera uma gotícula muito pequena de água. A partir daí, modificações nas células vivas acontecem provocando uma movimentação de substâncias químicas presentes em seu interior para a gotícula. Então, a pequena gota é sugada pela caneta para análise. No segundo momento, a caneta é conectada a um espectrômetro de massa sendo o resultado da avaliação uma “impressão digital química”, a partir da qual os médicos podem concluir se há identificado um tecido saudável ou de um tumor.

Nesse momento, apresenta-se um grande desafio dos cirurgiões: verificar a fronteira entre um câncer e um tecido normal. Apesar de em muitas situações a detecção do tumor ser mais simples, em outros, contudo, o limiar entre o tecido doente e o saudável não é tão visível. Retirar apenas uma parte do tecido pode fazer com que as células cancerosas remanescentes deem origem a um novo tumor. Mas remover muito tecido pode causar graves danos, especialmente em órgãos como o cérebro.

Nos testes, a tecnologia foi usada em 253 amostras como parte do estudo. O objetivo é dar continuidade aos testes para aprimorar o dispositivo antes de usá-lo durante cirurgias no ano que vem. Enquanto a caneta por si só é barata, o espectrômetro de massa é caro e volumoso, se apresentando como obstáculo na implementação dessa estratégia clínica na prática médica. Nesse contexto, pesquisadores também estão desenvolvendo um espectrômetro de massa um pouco menor, mais barato e adaptado para este fim, que possa ser transportado dentro e fora dos quartos com relativa facilidade.

O MasSpec Pen, portanto, faz parte de uma série de dispositivos com o objetivo de melhorar a precisão e qualidade das práticas cirúrgicas oncológicas.

Fonte: www.G1.globo.com

Autor: Rafael Kader

Tratamento para hepatite C com cirrose: Atualizações

Tratamento para hepatite C com cirrose: Atualizações

Publicado há alguns dias no Gastroenterology, um estudo baseado em observação analisou as repercussões hemodinâmicas após a resposta virológica sustentada (RVS) em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa (gradiente de pressão venosa hepática > 10 mmHg). Além disso, os autores também investigaram se avaliações de rigidez hepática podem descartar a presença dessa condição.
No estudo, verificou-se a presença do vírus da hepatite C em indivíduos que, inclusive, apresentavam cirrose para introduzi-los na análise de maneira a submetê-los à terapia antiviral oral livre de interferon em seis unidades hepáticas localizadas na Espanha. Como critérios de inclusão foram considerados presença de hipertensão portal clinicamente significativa (dentro de seis meses antes do tratamento antiviral oral) e obtenção da RVS.
Lembrando que a RVS é o estágio o qual o paciente permanece indetectável (negativo) na carga viral seis meses após o final do tratamento com terapia antiviral. Esse dado é obtido após o exame que determina a carga viral e é considerada a cura da hepatite C.
O sexo masculino representou a maioria dos pacientes (53%) e, com uma faixa de 40 a 83 anos, a média de idade foi de 60 anos. Em geral, o gradiente de pressão venosa hepática diminuiu após a RVS. A hipertensão portal com relevância clínica, contudo,  persistiu em 78% dos casos. Notou-se, ainda, que  o gradiente de pressão venosa hepática reduziu ≥10% em relação à linha de base em 140 pacientes (62%). O único fator negativo foi o nível basal de albumina < 3,5 g/dL, associado à redução do gradiente de pressão venosa hepática de 10% ou mais.
A avaliação também registrou diminuição de rigidez hepática. Boa parcela dos pacientes – cerca de um terço – que apresentaram essa redução na avaliação de rigidez hepática após a RVS ainda apresentava hipertensão portal clinicamente significativa.
Um maior gradiente de pressão venosa hepática na linha de base e menor diminuição na avaliação de rigidez hepática após o tratamento foram associadas à persistência de hipertensão portal clinicamente significativa após RVS.
Após a RVS, a hemodinâmica sistêmica melhorou. A hipertensão pulmonar – de maneira curiosa – se fez presente em 13 pacientes na linha de base e em 25 após a RVS, embora apenas três pacientes tenham aumentado a resistência pulmonar. A RVS, ainda, provocou diminuição do gradiente de pressão venosa hepática de modo significativo, em comparação com o período anterior ao do tratamento. A hipertensão portal clinicamente significativa, por sua vez, persistiu na maioria dos pacientes apesar da RVS, indicando risco de descompensação.
O estudo concluiu, nesse contexto, que a RVS para regimes antivirais orais está relacionada à diminuição na pressão portal em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa na linha de base. Ainda que tenha ocorrido esta redução, na maioria dos pacientes a hipertensão portal clinicamente significativa se manteve – cerca de 80% – tendo a possibilidade de estar relacionada a um risco persistente de eventos ligados ao fígado durante um período de tempo não delimitado.
Fonte: Gastroenterology

Autor: Rafael Kader

Dieta mais saudável: novas diretrizes

Dieta mais saudável: novas diretrizes

Estudo indica dieta mais saudável com maior consumo de gorduras e menos carboidratos
O estudo publicado no Lancet avaliou pessoas entre 35 e 70 anos de 18 diferentes países entre 2003 e 2013. Cientistas também recrutaram informações dos hábitos alimentares de outras 135.335 pessoas que foram acompanhadas por cerca de sete anos em outros estudos.

Na análise, cientistas identificaram 5.796 óbitos e 4.784 eventos cardiovasculares entre a população estudada. Assim que os pesquisadores dividiram em cinco grupos as pessoas envolvidas com base no consumo de carboidratos, descobriram que as pessoas que ingeriram mais carboidratos tinham 28% mais tendência de morrer por qualquer causa durante o estudo do que as que comiam o mínimo.

Mas, quando as pessoas foram separadas em cinco grupos agora baseadas na quantidade de gordura que consumiam, aquelas que realizaram ingestão de mais gordura – de qualquer tipo – tinham 23% de chances menores de morrer durante o estudo do que aquelas que comiam o mínimo. Os achados foram consistentes com qualquer tipo de gordura consumida.

Uma segunda análise do estudo também sugere que os benefícios de comer frutas e vegetais não são ilimitados. As diretrizes da OMS registram que o consumo ideal é de cinco porções de frutas, vegetais ou leguminosas diários, de acordo com a coautora da pesquisa Victoria Miller, da McMaster University. São diretrizes principalmente baseadas em evidências da América do Norte e da Europa. Em outras partes do mundo, entretanto, esse quantidade de frutas diárias podem ser muito caras.

Caso as indicações de ingestão de frutas na dieta fossem ajustadas para o consumo de uma quantidade menor, a adesão à dieta seria mais viável e mais pessoas atenderiam esse objetivo, de acordo com MillerA pesquisadora constatou, ainda, que as pessoas que estão seguindo o consumo diário adequado de frutas, legumes e leguminosas não devem considerar as descobertas como um pretexto para comer menos desses alimentos.


Fonte: www.G1.globo.com e Lancet

Autor: Rafael Kader

Fadiga Crônica: uma doença inflamatória

Fadiga Crônica: uma doença inflamatória

A síndrome da fadiga crônica – ou encefalomielite miálgica – apesar de ainda permanecer com muitas informações não elucidadas, é caracterizada por astenia inexplicável persistente ou recorrente de pelo menos um semestre de duração. O descanso não alivia seus sintomas e a doença é a causa de uma redução substancial dos níveis de atividades ocupacionais, educacionais, sociais e pessoais.
Os sintomas da doença não se restringem apenas à fadiga extrema, mas englobam – em diferentes níveis de intensidade e qualidade dependendo do indivíduo – comprometimento cognitivo, mal-estar, sono irreparável, cefaleia, mialgia, artralgia, dor de garganta, linfadenopatia, hipersensibilidade ao ruído, luz ou determinados alimentos, e distúrbios autonômicos.
Um estudo da Stanford University School of Medicine avaliou o perfil imunológico de pacientes doentes e hígidos avaliando as citocinas dos envolvidos na pesquisa de modo a buscar uma correlação entre as moléculas e a patologia.
Foi constatado um aumento de dezessete citocinas nos pacientes com alto nível de gravidade da doenças, de maneira que, das dezessete, trezes são pró-inflamatórias – fato que muito provavelmente contribui para o desenvolvimento dos sintomas dos doente.
Nesse contexto, o estudo confirma que síndrome da fadiga crônica ou encefalomielite miálgica é uma doença inflamatória. As citocinas identificadas na pesquisa, também, podem ser capazes de auxiliar no diagnóstico da doença e no estabelecimento de novas medidas terapêuticas.
Fonte: https://pebmed.com.br/estudo-comprova-que-fadiga-cronica-e-uma-doenca-inflamatoria/
Autor: Rafael Kader.

Estudo verifica que TDAH tem bases neurobiológicas

Estudo verifica que TDAH tem bases neurobiológicas

Em estudo realizado por pesquisadores identificou que pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH – apresentam modificações na estrutura cerebral em áreas específicas ligadas às emoções.
TDAH  é uma doença que afeta cerca de 5% das crianças, acompanhando em muitos casos o indivíduo até a vida adulta. Se manifesta como desatenção, agitação e impulsividade. Muitos duvidam que a condição seja real, mas o maior estudo já conduzido sobre o tema, por médicos e cientistas de 23 centros de pesquisa ao redor do mundo, revelou que o transtorno tem bases neurobiológicas e pode ser tratado.
Avaliou-se 3 mil pessoas separadas entre pacientes saudáveis e com TDAH, entre 4 e 63 anos, que foram submetidos a exames de neuroimagem estrutural por Ressonância Magnética – técnica a qual possibilita o estudo detalhado do cérebro. Foram avaliadas informações específicas de cada região cerebral, como tamanho e volume, padronizadas através do mesmo protocolo. Nesse contexto, os pesquisadores puderam comparar cada uma das estruturas cerebrais de indivíduos com e sem o transtorno.
Os resultados revelaram que estruturas como a amígdala cerebral, acúmbens e hipocampo, responsáveis pela regulação das emoções, motivação e o chamado sistema de recompensa (que modifica nosso comportamento através de recompensas) são menores nos pacientes com TDAH. Quando se levou em conta a idade dos pacientes, observou-se que estas alterações são mais leves em pacientes adultos, o que sugere que existe uma compensação, ao menos parcial, com o passar dos anos. Esses resultados são a sustentação mais sólida até o momento que o TDAH é um transtorno relacionado ao atraso na maturação de regiões cerebrais reguladoras das emoções.
Os resultados, então, foram de extrema importância para demonstrar a real gravidade da doença, que não é apenas algo inventado por médicos nem resultado de uma má criação dos pais.
Foi o primeiro estudo de relevância no assunto pelo número de indivíduos participantes, pois, até então, estudos anteriores também haviam identificado algumas alterações cerebrais do TDAH, mas devido ao pequeno número de pacientes estudados, era difícil generalizar os resultados. 
Foi descartado pela pesquisa, também, a possibilidade de que tais modificações ocorressem devido ao uso de medicamentos para tratamento do TDAH ou à presença de outros distúrbios de saúde associados ao transtorno, como ansiedade e depressão.
Assim, pode-se verificar a necessidade de tratamento adequado para o TDAH, que é um transtorno do desenvolvimento associado a alterações no nossa arquitetura do cérebro.
Fonte: The Lancet Psychiatry
Autor: Rafael Kader