Medicina Nuclear ou Radioterapia

Pergunta : Mayra ( Universidade Estadual de Londrina )
Olá, estou em dúvida entre residência de Radioterapia ou de Medicina Nuclear. Como está o mercado de trabalho atual? Grata
Resposta :

As duas especialidades citadas não são muito procuradas pelos estudantes em fase de formação e de escolha da especialidade por três razões : Primeiro porque os acadêmicos não conhecem bem a especialidade e o que ela faz na verdade. Segundo porque como lida com equipamentos caros o profissional acaba tendo que trabalhar sempre para grandes grupos, perdendo a característica de profissional liberal. Terceiro porque como lida com radiações, muitos médicos ficam com receio de se contaminarem, embora isso não seja um risco real pelas proteções existentes atualmente nessas áreas.

Mais algumas informações sobre essas especialidades lhe poderão ser úteis :

A Medicina Nuclear é uma especialidade pouco conhecida dos médicos e muitos estudantes nem tem noção do que faz um especialista nessa área. Talvez, por isso, poucos estudantes façam essa escolha. No Brasil temos apenas 438 especialistas em Medicina Nuclear
A Medicina Nuclear é uma especialidade que usa compostos radioativos para obter informações diagnósticas e para o tratamento de doenças. Seus procedimentos permitem a determinação de informações diagnósticas sem que seja necessário, intervenções cirúrgicas, ou de outros testes diagnósticos invasivos. Os procedimentos identificam frequentemente muito cedo anormalidades na progressão de uma doença ao longo do tempo, ou até mesmo antes da apresentação de sintomas.
Em sua forma mais básica, um estudo em medicina nuclear envolve a administração de pequenas quantidades de compostos, que são marcados com radionuclídeos gama emissores ou pósitron emissores, no organismo. O composto radiomarcado é chamado de radiofármaco, ou geralmente chamado de traçador ou radiotraçador. Existem diversos tipos de radiofármacos disponíveis que são úteis para estudar diferentes partes do corpo.
O conteúdo do programa de residência em Medicina Nuclear, geralmente abrange: Física e Biologia das radiações. Normas de proteção radiológica. Radiofarmácia. Recursos tecnológicos. Anatomia, fisiologia, fisiopatologia, indicações terapêuticas e realização e avaliação dos exames nos diversos sistemas orgânicos.
O concurso para residência médica em Medicina nuclear é classificado como de “acesso direto” e tem a duração de 3 anos, mas se o médico  já tiver feito  residência em clinica médica ou radiologia, esse tempo pode ser encurtado ( a critério do serviço). O inverso não é verdadeiro, ou seja, se vc fez a residência de medicina nuclear não pode simplesmente complementar e ser radiologista.
A procura não é muito grande. A relação candidato-vaga é de 1:1 ou 2:1
Os melhores locais para se fazer essa residência são os grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro
O Mercado de trabalho é bom pelo pequeno número de profissionais e além disso permite uma boa qualidade de vida e flexibilidade de horários. Na maioria das vezes vc vai ser sempre “empregado” e não “patrão”.
No Rio de Janeiro, onde existem poucos serviços, e todos exigem exclusividade, o salário mensal para uma carga horária de 30 – 40 h semanais, está entre 10 e 15.000,00.
Em Sao Paulo, o salário é mais do dobro desse.
Fora do eixo Rio-São Paulo aparecem ofertas entre 30 a 40.000,00 mensais.

Embora alguns estudantes achem isso, a radioterapia não tende a se tornar obsoleta porque novas técnicas tem sido desenvolvidas nessa área ( como radioterapia estereotáxica fracionada, braquiterapia, radioterapia 3D…) e o tratamento com irradiação ainda é um elemento muito importante no tratamento do cancer.

Aliás, com o aumento da faixa etária da população e consequentemente mais casos de câncer, a radioterapia será ainda mais útil como coadjuvante no tratamento.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 70% dos pacientes com diagnóstico de câncer serão submetidos à radioterapia em alguma fase de seu tratamento

O mercado é realmente restrito porque depende de serviços já organizados, em número não muito grande, mas durante sua formação na residência, vc será introduzido automaticamente nesse mercado através do próprio staff da residência.

Mais algumas informações sobre a radioterapia .:

A radioterapia também é uma especialidade pouco conhecida até pelos próprios médicos.

Como depende de equipamentos muito sofisticados, existem poucos serviços onde vc possa fazer a residência médica. São cerca de 15 serviços no Brasil, sendo 9 deles em São Paulo , 1 no Rio, 1 em Porto Alegre e outros espalhados.

Ao todo são aproximadamente 30 vagas por ano para novos residentes e os serviços mais conceituados são o Hospital do Câncer A.C.Camargo (SP- 3 vagas para residência) e INCA (RJ- 6 vagas por ano). A duração da residência é de 3 anos. ( acesso direto )

O envelhecimento da população, a incidência maior de Câncer, o diagnóstico mais precoce e o bom resultado obtido com a radioterapia, são fatores positivos para o futuro da especialidade.

Apesar de haver alguma escassez de radioterapeutas, a lei da oferta e da procura não é tão fidedigna nessa especialidade, porque como são relativamente poucos serviços existentes, os empregos públicos são mal remunerados ( como também em outras especialidades ) e os serviços particulares se aproveitam de serem poucos para também remunerar mal.

Se algum dia houver um movimento conduzido pela Sociedade de Radioterapia e semelhante ao realizado pelos anestesistas, de união da classe, com certeza a remuneração dos radioterapeutas vai melhorar.

Na radioterapia. a qualidade de vida do profissional é boa, mas é uma especialidade triste pelo tipo de paciente, além do médico perder o status de profissional liberal, sendo sempre um médico contratado.

A relação completa dos serviços de radioterapia no Brasil, vc pode obter no site www.sbradioterapia.com.bre até fazer, por telefone, um levantamento de salários na sua região.

Sucesso

Mário Novais

Cirurgia do Trauma

Pergunta : Pedro ( Universidade Federal do Rio de Janeiro – UNIRIO )

Sobre a Cirurgia do Trauma, gostaria de saber se é uma área valorizada da medicina onde o profissional pode obter bons rendimentos. Faço a pergunta porque já li em respostas de outras perguntas que a cirurgia geral é uma área um pouco desvalorizada, na qual os salários são baixos devido as tabelas dos convênios. A Cirurgia do Trauma, sendo uma subespecialidade da cirurgia geral, recai nesta mesma realidade? É possível obter bons salários dando plantão como cirurgião do trauma? Agradeço desde já, e parabenizo o Doutor pelo ótimo site.

Resposta :

Reconhecida pela resolução 1.973/2011 do Conselho Federal de Medicina (CFM), a Cirurgia do Trauma é uma área de atuação médica e subespecialidade da Cirurgia Geral que visa ao cuidado cirúrgico em situações de urgência e emergência. Nestas situações há a necessidade de procedimentos rápidos, intervenções agressivas e outras ações objetivando minimizar os danos causados em pacientes vítimas de trauma. A formação em cirurgia do trauma é opcional em programas de residência médica em Cirurgia geral tendo duração de 1 ano. É necessário como pré requisito dois anos de residência de cirurgia geral.

Em função do atendimento de acidentes ser realizado pelos Bombeiros e esses pacientes serem removidos exclusivamente para hospitais públicos, os hospitais privados nas suas emergências trabalham com cirurgiões de sobreaviso e não de plantão.

Assim, os empregos de plantonistas para cirurgiões  de um modo geral são em hospitais públicos, cujos salários não são muito bons.

Portanto a remuneração dos cirurgiões de trauma ainda é a mesma dos cirurgiões gerais.

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Mário Novais

Especialidades Simultâneas

Pergunta : Rodrigo (Universidade Federal da Bahia )
Olá, gostaria de saber se é possível ter essa rotina. Quero trabalhar como médico rotineiro de segunda a sexta das 07:00 as 12:00 em um hospital exercendo a função de clinica médica nas emergências e UTI. A tarde gostaria de me dedicar aos pacientes de consultório na área de endocrinologia. É possível conciliar a clinica médica e a endocrinologia ?

Resposta :

Na formação como endocrinologista será necessário como pré requisito ter feito a residência de clínica médica, portanto atuar como endocrinologista e como clínico geral, ao mesmo tempo, é perfeitamente factível.

De um modo geral, na prática, o que acontece é que o endócrino termina preferindo ficar somente nessa especialidade, deixando de atender pacientes de clínica geral ( o que sem dúvida diminui seu mercado em potencial ).

Para atuar na área de Medicina Intensiva, o ideal seria fazer uma residência dessa área ou mesmo uma pós graduação de terapia intensiva, embora seja muito comum termos médicos atuando em UTIs sem terem feito essa formação completa.

Apesar de muitos médicos terem vontade de atuar em diferentes áreas da medicina, o principio básico é que é muito difícil acompanhar os avanços tecnológicos de mais de uma especialidade ao mesmo tempo e se corre o risco de não estar praticando a melhor Medicina com seus pacientes.

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Mário Novais

Especialidades Confluentes

Pergunta : Eduardo ( UNISINOS – RS )
Boa tarde, achei ótimo seu site. Gostaria de perguntar a você a respeito das especialidades que se cruzam, que tem rotinas em comum, que são parecidas, o objetivo da pergunta é para um trabalho da faculdade na Unisinos. Podem me ajudar?

Resposta :

Os avanços recentes e céleres da Medicina tem derrubado os limites entre as especialidades. Assim algumas áreas deixaram de ser exclusivas de determinadas especialidades.

Por exemplo : Um paciente com acidente vascular encefálico que necessite de um cateterismo desobstrutivo pode ser atendido por um neurologista, por um neurocirurgião ou ainda por um radiologista intervencionista.

Uma colonoscopia pode ser realizada por um gastroenterologista , por um proctologista ou ainda por um cirurgião gastroenterológico.

Uma biopsia hepática pode ser realizada por um gastroenterologista, por um hepatologista ou ainda por um radiologista intervencionista.

Uma cirurgia estética de pálpebra pode ser feita por um oftalmologista ou por um cirurgião plástico.

Conclusão : O registro profissional como  médico nos Conselhos de Classe ( Conselhos Regionais de Medicina ) permitem ao profissional realizar legalmente qualquer tipo de procedimento médico, porém cabe ao profissional se preparar tecnicamente para isso e atuar apenas em casos onde tenha a habilidade necessária .

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Mário Novais

GH em excesso pode ser sinal de doença rara

GH em excesso pode ser sinal de doença rara

A hipófise é uma glândula endócrina tão pequena quanto uma ervilha e se localiza na base do crânio, no meio da cabeça e diretamente atrás do nariz. Apesar de seu tamanho, a sua importância para o desenvolvimento humano é enorme: além de controlar a função das glândulas da tireoide e adrenal, a hipófise também produz somatotropina, conhecido como o hormônio do crescimento.

A somatotropina é secretada durante toda a vida e particularmente durante o sono. Enquanto nas crianças seu principal papel é o crescimento esquelético, em adultos o hormônio do crescimento está envolvido no metabolismo dos músculos, dos ossos e do tecido adiposo. Porém, quando esse é produzido de forma descontrolada e liberado em grandes quantidades, problemas como gigantismo e acromegalia podem ocorrer.

Como regra geral, o gigantismo ocorre em crianças e adolescentes, pois os ossos ainda estão crescendo e são suscetíveis aos efeitos do hormônio do crescimento, e a acromegalia atinge adultos entre os 30 e 50 anos e conta com sinais e sintomas que vão desde dores articulares e suor excessivo, a alterações nas feições faciais, pele, dentes e voz.

“A acromegalia pode afetar as pessoas de formas diferentes. Ao longo do tempo, as mudanças físicas vão ficando mais evidentes, como por exemplo: um anel que não serve mais, sapatos mais apertados, alteração na aparência física… Mesmo assim, mudanças drásticas só são percebidas quando o quadro já está avançado, pois outros sintomas são facilmente tidos como parte normal do envelhecimento”, explica o Dr. André Mello, Gerente Médico da Endocrinologia e Oncologia da Ipsen.

Os sintomas comuns da acromegalia são dores articulares, cefaleias, fadiga, HAS, problemas no coração e mau-humor exacerbado. Esse quadro, principalmente quando visto em mulheres a partir dos 40 anos, ainda podem ser encarados como o começo da menopausa. “A síndrome do túnel do carpo também é comum em pacientes com acromegalia. Ao procurarem pela ajuda de um profissional para tratar as dores, por exemplo, o médico pode acabar passando uma medicação apenas para amenizá-la. A doença em si, muitas vezes, só vai ser diagnosticada quando a pessoa nota a mudança física, forte característica de um estágio já avançado”, reforça.

Causas

De acordo com a World Alliance of Pituitary Organizations, um tumor benigno não-canceroso na hipófise chamado adenoma é a principal causa de acromegalia, ocorrendo em 98% dos casos. Esse tumor produz hormônio do crescimento, o que leva a uma alta nos níveis de somatotropina no sangue. Por sua vez, a alta desse nível faz com que o fígado produza o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1).

“Muito IGF-1 no sangue leva a um aumento anormal de ossos e tecidos, podendo causar também uma resistência à insulina, levando ao diabetes. Embora estudos genéticos estejam em andamento, a maioria dos casos de acromegalia não são herdados e nós ainda não sabemos exatamente o que desencadeia um adenoma”, complementa.

Diagnóstico e tratamento

Como mencionado, a acromegalia é uma doença rara com alguns sintomas que são comuns e, por essa razão, o diagnóstico correto pode levar um tempo para acontecer. Mesmo assim, é possível que o primeiro profissional a desconfiar de um quadro envolvendo o hormônio do crescimento seja um clínico geral, quando procurado para ajudar no tratamento das dores de cabeça e nas articulações, ou até mesmo um dentista que pode apontar o aumento nos espaços entre os dentes ou da língua.

De qualquer forma, ao desconfiar de um quadro mais sério, é possível que o atendimento secundário seja feito por um endocrinologista, o mesmo profissional que será o ponto de contato central caso o diagnóstico de acromegalia seja concluído.

“Uma vez diagnosticado, os tratamentos podem variar entre cirurgia para remoção do adenoma de hipófise, medicamentos capazes de inibir a produção excessiva de hormônios no organismo, aliviando os principais sintomas da doença. Além disso, há também a possibilidade de terapia com radiação ou uma combinação entre os três citados”, conta o médico.

Fonte:

SnifDoctor

Habilidade Manual em Cirurgias

Pergunta : Gabriel ( Universidade Federal do Rio de Janeiro )
Bom dia, Dr. Mario. Eu sou um aluno entrando no 4 ano agora em 2019, e já faz um tempo que comecei a pesquisar e refletir sobre qual especialidade posso seguir ao final do curso. O problema é que eu já ouvi falar que a parte cirúrgica tem muito isso de “dom”, que a pessoa nasce com a “mão cirúrgica” e eu tenho medo de acabar escolhendo alguma área que tenha procedimento/cirurgia e não ser capaz, não conseguir. Sempre que penso sobre o futuro eu divido no meu pensamento as áreas clínicas e as áreas que possuem cirurgias (por exemplo: plastica, ortop, otorrino, oftalmo etc) , aí por medo eu acabo me fechando as áreas cirúrgicas e me viro para as clínicas. Isso acontece também porque esse ano eu tive uma matéria que tinha algumas aulas de sutura e nó cirúrgico e eu tive um pouco de dificuldade para a realização das suturas (porém admito que treinava pouco, fazia a sutura hoje e repetia só daqui há 2 meses na semana da prova, tentava reaprender). Aí meu pensamento era “se eu não consigo nem uma sutura(por mais que não treinasse tanto) quanto mais uma cirurgia” . Gostaria da sua opinião publicada aqui no site por favor. Muito obrigado.

Resposta :

Habilidades manuais provavelmente tem mais a ver com treinamento do que com perfis genéticos.

Exceto para a Neurocirurgia, onde as habilidades manuais são absurdamente necessárias, para as outras especialidades cirúrgicas o treinamento tornará o profissional habilitado para o desempenho diário.

Evidentemente alguns precisarão de maior treinamento do que os outros, e algumas residências médicas tem tentado definir o número de cirurgias (em treinamento) necessárias para que o residente se torne habilitado.

Por exemplo, na oftalmologia , tratando-se da cirurgia de catarata, que é a cirurgia mais comum na especialidade, o residente pode se  considerar bem treinado após ter realizado 150 cirurgias dessas.

Portanto não se preocupe por enquanto com essa sua habilidade manual porque se for mesmo pela escolha de uma especialidade cirúrgica, durante a residência vc vai adquirir essa habilidade.

Sucesso

Mário Novais

Especialidade Fisiatria – Medicina Física e Reabilitação

Pergunta : Gabriel ( Universidade de Alfenas – MG )
Gostaria de saber como é a carreira em fisiatra. Especialista em Neurofisiologia Clínica. Obrigado

Resposta :

Considerando que no Brasil 10 % da população é portadora de algum grau de deficiência, o mercado deveria ser bom para a medicina física e reabilitação, mas esse mercado é disputado também pelos fisioterapeutas, neurologistas, cardiologistas, ortopedistas e terapeutas ocupacionais.

Medicina Física e Reabilitação ou Fisiatria é uma especialidade médica que se ocupa do diagnóstico e terapêutica de diferentes entidades tais como as consequentes a patologias traumáticas, a lesões do sistema nervoso central e periférico, orto-traumatológicas, cardio-respiratórias, reumatológicas, vasculares periféricas, pediátricas entre outras. A Medicina Física e de Reabilitação aplica diferentes estratégias terapêuticas que vão prevenir ou reduzir as múltiplas consequências clínicas das doenças agudas e crónicas, no âmbito das deficiências das incapacidades e das desvantagens.

Portanto o mercado de trabalho para o fisiatra é muito diversificado e o profissional precisa “focar” em alguma dessas áreas citadas acima. Muitos desses especialistas se dedicam à área ortopédica, mas nesses casos competem muito com os fisioterapeutas.

Na área de reabilitação cardiorespiratória para pacientes pós infartos, o mercado é carente de profissionais, mas exige espaços especiais como academias específicas e monitoração rigorosa.

Na área de doenças neurológicas ( seqüelas de AVE, paralisias cerebrais, síndromes genéticas…) a prática médica para o fisiatra é árdua e os resultados nem sempre são os que os pacientes e familiares esperam.

Vc também deve levar em consideração que essa especialidade é considerada uma especialidade “triste” e portanto exige uma estrutura pessoal forte do profissional.

A qualidade de vida e os ganhos financeiros do profissional vão depender de qual a área da medicina física ele vai se concentra

Abaixo transcrevemos matéria elucidativa publicada no site pebmed.com.br :

” No artigo dessa semana, da nossa série sobre Residência e as especialidades médicas, a Dra. Fernanda Martins fala tudo que você precisa saber sobre Medicina Física e Reabilitação.

1) O que é?

Fisiatria é a especialidade que estuda a reabilitação e a melhora de funções em pessoas com deficiências ou doenças incapacitantes. O termo deriva das palavras gregas physikos/fisio/fúsis (físicas, função) e Iatreia/íotrós (arte de curar, médico).

O fisiatra é um médico que criativamente emprega agentes físicos, bem como outras terapias médicas para ajudar na cura e reabilitação de um paciente. Portanto, fisiatra é o médico da função. Parece simples, mas para nós médicos que estudamos órgãos e funções de sistemas corporais e compartimentamos as especialidades por áreas de doenças, o campo da fisiatria pode parecer um pouco abstrato à primeira vista, pois função é a execução de uma atividade ou tarefa da atuação humana, o que é pode ser bem mais complexo do que estudar um órgão e suas doenças.

Ou seja, o tratamento médico em fisiatria envolve a pessoa toda e aborda as necessidades físicas, emocionais e sociais que devem ser satisfeitas para restabelecer a qualidade de vida do paciente ao seu potencial máximo, para que consiga retomar da melhor forma possível suas rotinas familiar e de trabalho após a instalação de uma deficiência, com olhar voltado não apenas para a doença e suas causas, mas também para o acolhimento e para o entendimento das necessidades de cada paciente.

Fisiatras são médicos que tratam de uma variedade de problemas médicos que afetam o cérebro, medula espinhal, nervos, ossos, articulações, ligamentos, músculos e tendões. O foco da especialidade é na restauração da função das pessoas, atuando na prevenção, diagnóstico e tratamento não-cirúrgico de distúrbios associados à deficiência física.

O fisiatra:

  • trata de pacientes de todas as idades
  • foca o tratamento na funcionalidade da pessoa
  • em um espectro de expertise médica que permite tratar de condições incapacitantes ao longo da vida da pessoa
  • diagnostica e trata dor resultante de uma lesão, doença ou deficiência
  • determina e lidera um plano de tratamento/prevenção
  • lidera uma equipe de profissionais que inclui fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros terapeutas e médicos para otimizar o cuidado ao paciente
  • trabalha com outros médicos que assistem ao paciente

Os fisiatras tratam de condições como por exemplo: dor aguda e crônica e distúrbios osteomusculares, pessoas com lesões na medula espinhal, lesões cerebrais, derrames, amputações, câncer e esclerose múltipla. Todos exigem um processo de reabilitação em longo prazo. A fisiatra pode tratar pacientes diretamente, liderar uma equipe interdisciplinar ou agir como um consultor.

Fisiatras oferecem um amplo espectro de serviços médicos, podendo prescrever medicamentos ou dispositivos auxiliares, como uma cinta ou membro artificial. Eles também prescrevem terapias diversas, tais como calor e frio, eletroterapias, massagem, biofeedback, tração e exercícios terapêuticos. Fisiatras tratam o indivíduo como um todo transpassando a esfera biológica e mecânica do corpo – tratam doenças, distúrbios, deficiências, incapacidades e limitações sociais. São tratadas todas as funções possíveis a um ser humano.

E o que é reabilitação? Reabilitação é definida como o desenvolvimento de uma pessoa ao máximo potencial físico, psicológico, social, profissional, vocacional e educacional compatível com suas limitações por deficiências anatômicas ou fisiológicas e questões ambientais. A equipe trabalha para obter a função ideal, mesmo com deficiência residual, mesmo que o prejuízo causado por um processo patológico não possa ser revertido. Os resultados previstos dos pacientes de um programa de reabilitação global e integrado devem incluir uma maior independência e uma melhor qualidade de vida.

2) Como é o dia a dia?

O dia a dia do fisiatra é muito variável, a depender do seu campo de trabalho. Pode desde passar os dias no seu consultório, atendendo consultas e realizando procedimentos diversos (infiltrações, bloqueios, tratamento por ondas de choque) até passar muitos dias no centro cirúrgico realizando Monitorização Intraoperatória.

O dia a dia em Centros de Reabilitação inclui consultas médicas, atendimentos com terapeutas ou técnicos ortesistas para analisar equipamentos (órteses, próteses, cadeira de rodas), realizar procedimentos como aplicações de toxina botulínica para espasticidade e discussões de caso em reuniões de equipe multidisciplinar (com assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e enfermeiro).

Caso trabalhe em hospitais, pode atuar como interconsultor, avaliando pacientes desde a UTI até o ambulatório do Centro de Reabilitação.

Na Fisiatria, o dia a dia do médico pode ser escolhido de acordo com as oportunidades de trabalho e o que é o desejo do médico fisiatra para sua atuação.

3) Oportunidades de trabalho:

A Fisiatria é uma especialidade médica clínica em grande desenvolvimento na atualidade em todo o mundo, sobremaneira no Brasil com a instituição por decreto da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do SUS em 2012.

Segundo a Organização Mundial de Saúde existe mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo (OMS, 2011). No Brasil 24% da população, ou seja, 45 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência (IBGE, 2014). Atualmente um dos focos da OMS é atuar nessa grande população em todos os países, estimulando o desenvolvimento de acesso à reabilitação, recursos de acessibilidade e consequentemente inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

As oportunidades de trabalho com consultórios ou clínicas de reabilitação particulares são presentes em todo o país. Há demanda reprimida. Os empregos formais e busca de fisiatras pelo país tem aumentado.

Caso o fisiatra opte por realizar exames, na área de Neurofisiologia Clínica pode atuar com Monitorização Intraoperatória ou Eletroneuromiografia.

O trabalho em Centros de Reabilitação especializados ou que estão dentro de Hospitais gerais frequentemente ofertam novas vagas. Alguns planos de saúde suplementar tem contratado diretamente fisiatras para atuar com pacientes com Dor crônica, em Grupos de Dor, ou Centros de Reabilitação próprios. Atualmente, isso mostra-se uma tendência.

As normativas da Atenção em Oncologia preveem que a prestação de atendimento ao paciente no Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) abranja 7 áreas – desde o diagnóstico, cirurgia, oncologia, radioterapia, quimioterapia, reabilitação e cuidados paliativos. A oferta de vagas para fisiatras tende a aumentar.

4) Número de especialistas e locais de referência:

Atualmente temos 900 fisiatras registrados na Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação.

Locas de referência:

– Unidades em vários estados:
AACD – https://aacd.org.br/

– Rio de Janeiro:
ABBR – https://www.abbr.org.br/abbr/index.html

– São Paulo:
Rede Lucy Montoro de Reabilitação – https://www.redelucymontoro.org.br/

Hospital Sírio Libanês – https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/reabilitacao/Paginas/default.aspx

Hospital Israelita Albert Einstein – https://www.einstein.br/estrutura/reabilitacao

– Rio Grande do Sul:
PUC/RS – https://www.pucrs.br/reabilitacao/

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5) Curiosidades:

– A atuação enquanto fisiatra proporciona cada história… A sexualidade das pessoas é sempre um tema desafiador, posto que o médico em geral não está habilitado nesta questão. Os pacientes em reabilitação são estimulados a retomar diversos aspectos da vida, o que inclui a sexualidade – é cada causo que compartilhamos… sejam pacientes paraplégicos, adolescentes com deficiência, ou senhoras em pós-operatório ortopédico. Quando se fala de vida, de retomá-la, ainda que com adaptações, permanentes ou temporárias, o tema da sexualidade sempre traz boas risadas. As histórias em torno da promoção da autonomia das crianças com deficiência gera histórias engraçadíssimas – como todos se envolvem e se desconcertam – “mas ele pode fazer isso? Pegar sozinho o ônibus? Fazer compras?”. É curioso como tantas vezes ouvimos enquanto fisiatras as pessoas refletirem sobre a vida e dizerem (sim, é comum) – “depois do AVC eu sou mais feliz comigo mesmo e com a minha família”.

6) Especialidades correlacionadas:

A Fisiatria potencialmente se relaciona com todas as especialidades médicas clínicas, cirúrgicas ou anestesia.

Quanto trata-se de pacientes com dor crônica, muitas vezes o time dos Grupos de Dor compõem Fisiatra, Anestesista, Ortopedista, Neurocirurgião, Neurologista, Reumatologista, Geriatra e/ou Pediatra – os grupos se formam com os especialistas de maior interesse para atender o grupo de pacientes alvo.

A depender da incapacidade que o fisiatra mais atende, a interlocução se dá com especialistas diferentes. Por exemplo: se a atuação é com reabilitação hospitalar, a interlocução é com o especialista que aciona o fisiatra interconsultor – na reabilitação cardíaca pós infarto, trabalham juntos cardiologista, fisiatra e fisioterapeuta; na reabilitação oncológica, depende do que há com o paciente, pois pode ser somente um ombro congelado após mastectomia ou uma síndrome de compressão medular maligna. As publicações em Oncologia cada vez mais tem ressaltado a importância para qualidade de vida e sobrevida da reabilitação seja pré-cirúrgica, durante a quimioterapia ou após a finalização do tratamento ativo.

7) Área de atuação:

No Brasil, as áreas de atuação formais do Fisiatra são Neurofisiologia Clínica e Dor. Na prática, o fisiatra se subespecializa de acordo com sua área de interesse de estudo e campo de prática clínica. Nos Estados Unidos, a formação do Fisiatra contempla programas de fellowship em diversas áreas – por exemplo muskuloskeletal, sports, spinal cord injury, traumatic brain injury, pediatrics e oncology.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

A escolha da Fisiatria alinha-se ao princípio da escolha de ser médico. Após anos de atuação e trabalho com residentes, tenho a firme impressão de que a prática na área da Fisiatria nos coloca em cheque como médicos – com nossa habilidade de comunicação, nosso potencial de estabelecer diagnósticos funcionais e planejar o tratamento para a máxima recuperação, em sermos o médico que suporta/cuida do paciente desde a fase aguda de instalação da deficiência e por um longo período, muitas vezes. Muitas vezes trazemos más notícias – a real possibilidade física, contrabalançando delicadamente para não tirar a esperança.

Na Fisiatria, não se cuida de doenças, se cuida da pessoa – é um cuidado centrado na pessoa. Atendemos pessoas de todas as idades em diversas etapas do seu ciclo de vida, quando ocorre uma perda funcional. Cuidamos também da família – sozinho é muito desafiador cumprir a reabilitação plena. Óbvio que isso varia de acordo com o grau de incapacidade da pessoa – é diferente reabilitar um jovem após um trauma na perna e um jovem após um TCE grave. Nosso papel enquanto fisiatra é estabelecer o planejamento de reabilitação individualizado em cada caso.

A maioria dos fisiatras atua cuidando das pessoas com alguma incapacidade que de fato altera sua vida diária, muitas vezes instalada por experiências súbitas em sua vida (doenças, acidentes). O fisiatra sempre pode auxiliar o médico clínico (oncologista, pneumologista, etc) a maximizar o potencial do paciente tratado e prevenir complicações do tratamento.

Para saber mais, sugiro os links de interesse:
https://www.who.int/disabilities/en/
https://www.pmrismorethan.org/
https://www.aapmr.org/
https://abmfr.com.br/

Paixão Pela Especialidade Médica

Pergunta : Yan ( Faculdade de Medicina de Petrópolis )
Olá, doutor. Minha reflexão é a seguinte: Sou um apaixonado pela área cardiovascular desce o início do curso – talvez até antes – e quero seguir minha carreira dedicado à ela. Cardiologia clínica e intervencionista pouco passam pela minha mente – apesar de eu considerá-las -, pois gostaria de exercer com procedimentos muito maiores; então, a cirurgia cardiovascular é o que mais me interessa no momento. Contudo, quando leio sobre a especialidade, vejo coisas que não condizem com o que observo de conhecidos e histórias de conhecidos. Por exemplo: leio que a especialidade está em baixa e a remuneração deixa a desejar, mas conheço recém-formados que saem ganhando muito bem e são amplamente requisitados. Em suma, o senhor poderia comentar um pouco desta especialidade no momento e também de projeções futuras? e poderia me dizer se a paixão pela área é sim fator determinante na escolha? Agradeço desde já sua opinião e conselho!

Resposta :

Nada errado que o médico seja apaixonado pela especialidade que exerce ou que escolherá ao final do curso médico, mas talvez se devesse fazer uma reflexão sobre o papel da profissão na vida das pessoas.

Será que nosso objetivo maior na vida deve ser nosso trabalho, nossa profissão ou será que nosso maior objetivo é VIVER da melhor maneira que acharmos e a profissão deva ser vista apenas como uma atividade meio, ou seja a “ ferramenta“ que vamos utilizar para atingirmos nossos objetivos de vida.

Se pensarmos assim, não haverá necessidade de ser apaixonado pela profissão ou pela especialidade médica  para ser um excelente profissional, embora seja importante que no cotidiano o médico se sinta confortável com as atividades inerentes à sua especialidade.’

Cirurgia Cardiovascular :

A mudança dessa residência para acesso direto foi um avanço conseguido pela sociedade científica da especialidade, pois diminui o tempo de formação do profissional sem prejudicar a qualidade técnica, e os cirurgiões cardiovasculares já não realizavam mesmo cirurgias gerais depois da formação especifica.
O Mercado de trabalho do cirurgião cardiovascular, realmente, vem diminuindo, já que vários procedimentos vem sendo disputados por outros especialistas como os hemodinamicistas, radiologistas intervencionistas, cirurgiões vasculares.
A área de atuação deve caminhar para procedimentos menos invasivos e patologias congênitas ou cirurgias vasculares periféricas.
Por outro lado a fuga dos estudantes dessa especialidade, pela lei da oferta e da procura, deve diminuir o número desses profissionais com consequente melhoria do mercado a médio e longo prazo.
Não seria uma boa opção para o cirurgião cardiovascular trabalhar como cardiologista clínico, já que essa é uma outra especialidade e que exige outros conhecimentos técnicos.
Concluindo a tendência do mercado não parece muito favorável paras esses especialistas.
Abaixo transcrevo artigo publicado na folha de são Paulo alguns anos atrás :
“Tradicionalmente considerada especialidade nobre e responsável por salvar muitas vidas, a cirurgia cardiovascular já não é a menina dos olhos dos estudantes de medicina. Dados nacionais de 2008 mostram que, das 321 vagas de residência na especialidade oferecidas pelo governo no país, apenas 53 estavam preenchidas.
O levantamento feito pela Associação Brasileira dos Residentes de Cirurgia Cardiovascular mostra que a procura não atinge seu total nem sequer em importantes centros hospitalares. No Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto havia apenas um residente para 12 vagas oferecidas.
Responsável por cirurgias, colocação de marcapasso e outros exames, o cirurgião cardiovascular perde espaço hoje para especialidades mais “atrativas” como dermatologia, em que há 32 candidatos por vaga de residência.
“A baixa procura está relacionada a uma formação longa e deficiente, contribuindo também para este problema um mercado de trabalho repleto de oportunidades ruins”, diz Anderson Dietrich, presidente da Associação dos Residentes em Cirurgia Cardiovascular.
Entre essas “oportunidades ruins” estão os baixos salários. Um cirurgião cardiovascular pode começar ganhando até R$ 2.500, segundo Gilberto Barbosa, presidente da SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular).
Ele afirma que a queda da procura pela profissão é um fenômeno mundial, ligado em parte à diminuição das operações. “As cirurgias de coronária, por exemplo, diminuíram 70% em razão dos avanços que possibilitaram dilatar as coronárias e colocar stents [espécie de tubo inserido na artéria para impedir o seu entupimento].”
A baixa remuneração acontece também em razão de as operações requererem a presença de equipes grandes.
Há ainda a formação longa: são seis anos de residência, sendo dois em cirurgia geral e quatro em cirurgia cardiovascular. Muitos acabam escolhendo carreiras em que possam começar a receber antes.
Outros acabam optando pela obtenção de título da SBCCV, o que pode ocorrer após quatro anos de treinamento e o cumprimento de uma série de requisitos, como número mínimo de cirurgias realizadas.
A sociedade estima que 20% a mais de cirurgiões se formam hoje por essa via em detrimento da residência.
Falta
A preocupação que surge com os dados da associação é a possível falta de cirurgião cardiovascular no país. Para Gilberto Barbosa, o certo é incentivar a escolha pela especialidade, principalmente das estudantes de medicina, que costumam não escolhê-la. “Em 15 anos haverá falta de cirurgião cardiovascular, já que vivemos em um país com uma população cada vez mais idosa.”
Já Anderson Dietrich diz que as vagas ociosas oferecidas pelo MEC hoje poderiam ser redirecionadas, pois incentivar mais profissionais na área seria criar uma reserva de mercado, contribuindo ainda mais para os baixos salários da carreira.
Segundo o diretor de Hospitais Universitários e Residências em Saúde da SESu (Secretaria de Educação Superior), do MEC, José Rubens Rebelatto, “estão em estudo na secretaria, em conjunto com a Comissão Nacional de Residência Médica, algumas ações para a reformulação das residências médicas com o objetivo de garantir um melhor aproveitamento dos recursos e a otimização da ocupação das bolsas”
Sucesso
Mário Novais

 

Residência Médica aos 34 anos

Pergunta : Jorge ( Universidade Federal Fluminense )
Boa noite, Mário. Já sou formado há mais de 5 anos, tenho 33 anos, mas por alguns motivos em minha vida, não cheguei a fazer residência médica ou especialização. Durante a graduação, sempre me interessei por áreas mais cirúrgicas, de estar fazendo procedimentos. Nunca me interessei muito por ficar apenas realizando consultas ambulatoriais e, todo esse tempo trabalhando apenas com isso, me fez desgostar mais ainda. Estou em dúvida em algumas áreas pra me dedicar pra residência no próximo ano. Fico pensando em Oftalmologia, Anestesiologia e algumas áreas cirúrgicas, a própria Cirurgia Cardiovascular ou a Neurocirurgia. Tenho muito receio em relação ao tempo de formação e da questão financeira. Pode me dar uma luz em relação a isso? Agradeço desde já!

Resposta :

Em algumas situações, dar um passo atrás para buscar a satisfação pessoal e profissional vale muito a pena.
Conforme a especialidade escolhida, vc terá um tempo de atividade profissional maior ou menor.
Por exemplo, se escolher uma especialidade clínica, poderá estar clinicando bem depois dos 70 anos de idade.
Se optar por uma especialidade cirúrgica, além de levar mais tempo na formação e na solidificação dentro do mercado de trabalho, dificilmente estará operando a todo vapor depois dos 70 anos . Além disso muitos clientes não gostariam de serem operados por um cirurgião de mais idade.
Uma das maneiras de encurtar o tempo de formação profissional seria optar por uma especialidade de acesso direto.
E querendo ter algum tipo de procedimento cirúrgico durante o exercício profissional, talvez pudesse pensar em oftalmologia, gineco-obstetrícia, dermatologia e mesmo otorrino. Essas são especialidades de acesso direto, que incluem cirurgias, porém depois de uma certa idade poderia continuar fazendo apenas a parte clínica da especialidade.

A formação profissional é fundamental para o sucesso,. Assim acho que vc deveria( independente da idade ) ir por esse caminho. Se preparar ( estudando muito ) para passar na prova de residência (oftalmo que é uma ótima e promissora especialidade poderia ser uma boa opção ) e mesmo que durante a residência tenha que baixar seu nível de vida e gastar um pouco das suas economias.
O tempo que passou exercendo uma medicina bem prática não foi tempo perdido; vai te dar uma visão geral melhor da medicina e até mesmo te ajudar no dia a dia da futura especialidade.
É claro que o inicio na oftalmo (se for essa a escolha)_não vai ser tão simples ( como em qualquer especialidade ), vai começar trabalhando em clínicas de outros oftalmologistas até poder montar uma clínica básica de oftalmo ( talvez comprando alguns aparelhos usados em bom estado- o que não é difícil ) e aos poucos incrementando sua própria clínica.
Terminando sua formação com cerca de 37 anos ainda terá uma vida útil profissional bem longa, de pelo menos mais 30 a 40 anos.
Conclusão : Vale a pena começar do zero novamente e a oftalmologia será um bom caminho

E os cursos de Pós Graduação seriam boa opção pra vc ?

A formação básica do médico é extremamente importante e como a maioria das faculdades de Medicina é muito teórica, ao final do curso o profissional, agora já formado, precisa de um treinamento mais prático e a residência médica é o melhor caminho.
Por mais que existam bons cursos de pós graduação em diversas áreas da medicina, a residência ainda é , com toda certeza, o melhor caminho para esse aprimoramento do profissional.
A residência médica é fundamental na formação do profissional.
Acho que os cursos de pós graduação deveriam ser pensados somente quando não se consegue de nenhuma maneira entrar para uma residência.
Quando se termina a residência, o médico pode registrar seu diploma de residente no Conselho Regional de Medicina e se intitular especialista naquela área. Os cursos de pós graduação não dão esse direito. Os cursos de pós( se forem reconhecidos pelo MEC) apenas permitem que ao final deles vc preste o concurso para conseguir o título fornecido pela sociedade da especialidade em conjunto com a AMB.
Outra desvantagem dos cursos de pós é que vc não receberá a bolsa que os residentes recebem ( faixa de R$ 3.000,00) e ainda vai ter que pagar uma mensalidade para fazer a pós.
Mesmo com a carga horária puxada da residência você sempre poderá ganhar algum dinheiro dando de 12 a 24 horas de plantão semanal fora da residência .
Concluindo : a primeira opção sempre deve ser a residência. Seus clientes precisarão de um médico competente e você poderá ter uma carreira mais brilhante se tiver uma excelente formação na especialidade.

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Mário Novais

Escolha Precoce da Especialidade Médica

Pergunta : Luis ( Universidade Federal de Pelotas )
Olá! Ingressei no curso de medicina após ter realizado outra graduação e, por isso, aos 29 anos. Concluo a faculdade aos 35 e tenho me interessado bastante pela psiquiatria. Gostaria de saber como está o mercado de trabalho e se a remuneração é atrativa. Além disso, em virtude da idade achas que terminar a residência aos 38 anos influencia em algo? Obrigado!

Resposta :
A escolha da especialidade somente deve ser feita quando o estudante estiver no último ano da faculdade. Antes disso, uma escolha precipitada pode atrapalhar seus estudos durante o curso e acabar numa escolha errada ou pode até te direcionar mais para essa escolha e no final da faculdade vc poderá querer troca-la e terá perdido tempo com essa escolha prematura.
Durante o curso médico vc vai ter oportunidade de fazer contato com diferentes tipos de pacientes e diferentes tipos de especialidades e terá condição de fazer uma escolha mais racional.
A escolha da especialidade adequada, casando características da especialidade com características pessoais suas, deve ser uma decisão muito importante; afinal vc vai trabalhar nessa especialidade por pelo menos 40 anos de vida.
Além disso, uma grande parte dos estudantes de medicina pensam em fazer neurocirurgia, talvez porque achem que é a especialidade mais importante e de maior status e quando começam a frequentar o centro cirúrgico nos rotatórios da faculdade, se desencantam com a cirurgia.
Assim, não tem porque fazer essa escolha agora.
Independente da especialidade que for escolher no futuro, vc pode ir engrossando seu currículo com monitorias e cursos extra curriculares.
Também pode preparar alguns trabalhos simples para serem apresentados em semanas científicas ou congressos, tipo “perfil nosológico de um ambulatório” ou descrição de casos interessantes que vc tenha visto nas enfermarias.
O teste vocacional de nosso site pode dar uma ideia de quais especialidades combinam com características próprias suas.

De qualquer modo, no site vc encontra n seção carreira médica vc encontrará várias observações a respeito da psiquiatria.

Complementando : muitos médicos se formam mais tarde do que vc se formará e  formando com 35 anos, terá ainda pelo menos mais 30 anos de atividade laboral. Seu grau de maturidade pessoal vai te ajudar no exercício da Medicina

Sucesso

Mário Novais