Pacientes idosos com câncer apresentam maior risco de infecção C difficile

Idosos com câncer, especialmente hematológicos ou recém-diagnosticados com tumores sólidos metastáticos, apresentam um risco maior de contrair infecção por Clostridium difficile (CDI). Isso em comparação aos demais indivíduos sem câncer, de acordo com um estudo publicado no periódico online Emerging Infectious Diseases.

Por ser a principal causa de infecção associada aos cuidados médicos de saúde nos Estados Unidos, é 26 vezes mais provável que a C difficile  atinja pacientes com mais de 65 anos, nos quais os sintomas são mais graves.

Uma união perfeita de fatores predisponentes pode tornar adultos com mais idade com câncer em risco elevado de ICD. Efeitos da quimioterapia que perturbam a resistência à colonização por C difficile no trato gastrointestinal acompanham fatores de risco, como o uso de antimicrobianos, exposição a bactérias em hospitais e baixa imunidade humoral.

Para complicar ainda mais o quadro clínico, tanto a quimioterapia como o CDI podem causar  diarreia grave. Um relatório de 1992 publicado no JAMA Internal Medicine identificou aumento do risco de ICD em pacientes recebendo quimioterapia que não haviam tomado antimicrobianos.

Um grupo de pesquisadores liderado por Mini Kamboj, MD, epidemiologista-chefe médico para controle de infecções no Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering, em Nova York, procuraram desvendar a conexão entre câncer e risco elevado de CDI. Eles buscaram identificar fatores que poderiam ser usados ​​para prevenir a infecção em pacientes com certos tipos de câncer.

Metodologia aplicada

Os cientistas realizaram um estudo de coorte retrospectivo de base populacional com uma análise de controle de caso aninhada para investigar se o risco de ICD é maior entre os idosos com câncer do que entre os idosos sem câncer.

O estudo comparou o registro de câncer de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais com informações de registro do Medicare de 2011 para controles que não tinham câncer nas regiões geográficas do SEER. Os pacientes com câncer tinham tumores sólidos (mama, cólon, pulmão, próstata e cabeça e pescoço) ou tumores hematológicos (linfoma, mieloma , leucemia) e foram diagnosticados entre 2006 e 2010.

Cinco controles foram combinados aleatoriamente para cada paciente para idade e sexo. Todos os beneficiários do Medicare considerados no estudo tinham, no mínimo, 66 anos em 2011 e foram hospitalizados, pelo menos, uma vez naquele ano.

Os pesquisadores avaliaram a incidência de infecção como a porcentagem da coorte na qual o CDI se desenvolveu durante o período do estudo. Eles calcularam odds ratio (OR) ajustadas e não ajustadas para a incidência de ICD, considerando o tipo de tumor, estágio no diagnóstico de câncer e ano de diagnóstico.

Resultados

Dos 93.566 beneficiários, 2,6% tiveram CDI durante o período do estudo. Em análises não ajustadas, 2,8% das pessoas com câncer apresentaram CDI, em comparação com 2,4% para indivíduos que não tiveram câncer.

A proporção de pessoas com CDI foi maior entre os beneficiários que eram do sexo feminino ou residentes da região nordeste dos Estados Unidos. O risco de ICD, avaliado para intervalos de cinco anos, revelou um aumento de 1,9% para pacientes entre 66 e 69 anos, para 2,9% para pacientes com 85 anos ou mais.

A análise de controle de caso aninhada comparou 2421 casos de pacientes com ICD a 12.105 controles. Os pacientes com casos eram mais propensos a ter câncer (54%) do que os controles (49%). Os pacientes com casos também eram mais propensos a terem sidos hospitalizados mais de uma vez ou tinham permanecido em uma instalação de enfermagem especializada.

As chances de desenvolver CDI foram maiores entre os pacientes com câncer do que os pacientes sem câncer (OR ajustado, 1,15, intervalo de confiança de 95% [IC], 1,04 – 1,26, P = 0,005).

Ter um tumor hematológico foi significativamente associado com aumento do risco de CDI em comparação com nenhum diagnóstico de câncer (OR ajustado, 1,74; 95% CI, 1,48 – 2,06; P <0,001), mas com um tumor sólido não foi ajustado (OR, 1,05 IC95%, 0,95 a 1,16), a menos que o diagnóstico fosse desde 2009. Se assim fosse, a fase do tumor não alterava o risco elevado de infecção. Os pesquisadores acreditam que o risco elevado deriva de uma quimioterapia mais intensiva no momento do diagnóstico de um tumor sólido.

Ter mais de duas hospitalizações ou uma permanência em uma enfermaria especializada foi cada uma associada a uma maior probabilidade de ocorrência de ICD, independentemente de o paciente apresentar câncer ou não.

“Nossas descobertas coletivamente expandem o conhecimento de como o diagnóstico do câncer afeta a doença associada ao CDI entre adultos com mais idade. Essa avaliação baseada na população pode ser usada para identificar alvos para a prevenção do CDI”, concluem os pesquisadores.

Eles citam dois estudos que discutem tais medidas: um medicamento (bezlotoxumabe) para prevenir a recorrência de CDI e o transplante de microbiota fecal.

“Nosso estudo define o subconjunto de idosos com câncer que provavelmente se beneficiariam mais com essas terapias para minimizar a vulnerabilidade ao CDI durante o tratamento do câncer”, escrevem os pesquisadores.

Eles também apontam que o CDI pode atrasar ou desqualificar um paciente de um novo tratamento para o câncer. “Os efeitos abrangentes do CDI nessa população justificam a avaliação das estratégias de prevenção primária”, concluem.

As limitações do estudo incluem a incapacidade para distinguir se o tipo de tratamento do câncer ou utilização excessiva de antibióticos foi associado com o aumento do risco CDI. Além disso, o estudo não inclui casos de CDI adquiridas na comunidade que não resultam em hospitalização, possivelmente identificando de modo errado alguns casos recorrentes como incidente.

Texto retirado de:

https://pebmed.com.br/pacientes-idosos-com-cancer-apresentam-maior-risco-de-infeccao-c-difficile/

Janeiro Roxo: Campanha de combate à Hanseníase

Considerada a enfermidade mais antiga da humanidade, antes conhecida como “Lepra”, a Hanseníase tem cura, mas ainda hoje representa um problema de saúde pública no Brasil. Doença tropical negligenciada, infectocontagiosa de evolução crônica, se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos como dormências e diminuição de força nas mãos e nos pés. É transmitida por um bacilo por meio do contato próximo e prolongado entre as pessoas. Seu diagnóstico, tratamento e cura dependem de exames clínicos minuciosos e, principalmente, da capacitação do médico. No entanto, fica o alerta: quando descoberta e tratada tardiamente, a hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas. No Brasil, o tratamento é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes podem se tratar em casa, com supervisão periódica nas unidades básicas de saúde.

Anualmente, em janeiro, são promovidas ações de conscientização sobre a hanseníase para marcar o Dia Nacional de Combate e Prevenção, lembrado no último domingo do mês. Conhecido como Janeiro Roxo, a iniciativa é apoiada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), por intermédio do Departamento de Hanseníase. A iniciativa busca melhorar o controle da doença por meio da disseminação de informações especializadas e conscientização da população sobre sua gravidade, bem como a necessidade de diagnóstico e tratamento precoces, contribuindo para a redução do preconceito acerca da doença.

Os sinais da hanseníase são manchas claras, róseas ou avermelhadas no corpo, geralmente com diminuição ou ausência de sensibilidade ao calor, frio ou ao tato. Também podem ocorrer caroços na pele, dormências, diminuição de força e inchaços nas mãos e nos pés, formigamentos ou sensação de choque nos braços e nas pernas, entupimento nasal e problemas nos olhos.

A doença acometeu a humanidade por centenas de anos sem que houvesse tratamento, o que provocou muita discriminação e isolamento dos pacientes. No entanto, atualmente existem antibióticos bastante eficazes contra a hanseníase, que pode ser tratada e curada, sem que o paciente precise se afastar da sua rotina. Quanto mais rápido o paciente iniciar o tratamento adequado, mais rapidamente a doença deixa de ser transmissível e menor as chances de surgirem incapacidades físicas. Por isso, é muito importante a conscientização da população e dos profissionais de saúde visando ao reconhecimento rápido e do maior número de casos precoces da doença. A terapia atual é feita entre seis a doze meses a base de medicamentos antibióticos.

“O atendimento é feito por equipes multiprofissionais e o dermatologista tem um importante papel no diagnóstico e tratamento. É responsável pela avaliação clínica do paciente, com aplicação de testes de sensibilidade, avaliação e monitoramento da função dos nervos periféricos. É um médico que está apto a fazer uma biópsia ou pedir exames laboratoriais, caso evidencie alguma lesão suspeita no paciente”, explica a médica dermatologista Sandra Durães, coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da SBD.

 

Fonte: http://www.sbd.org.br//dermatologia/acoes-campanhas/campanha-contra-hanseniase/

Zika e Chikungunya: O que preciso saber?

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ZIKA

– Família Flaviviridae;
– Vetor: Aedes aegypti e A. albopictus;
– Assintomáticos em 80% dos casos;
– Possível relação com epidemia de microcefalia, se infecção no primeiro trimestre de gestação;
– Possível associação com síndrome de Guillain-Barré;
– Quadro Clínico: “dengue mais branda”;
– Pode ser transmitido por via sexual;
– Pode ser encontrado no leite materno (discute-se a suspensão temporária do aleitamento);
– Tratamento sintomático (evitar AINEs).
 

FEBRE DE CHIKUNGUNYA

– Vetor: Aedes aegypti e A. albopictus;
– Termo significa “aqueles que se dobram”;
– Quadro Clínico: “dengue mais branda”, porém com maior sintomatologia articular (poliartralgia simétrica, principalmente em mãos, punhos e tornozelos);
Pode cronificar (artralgia inflamatória);
– Tratamento sintomático;
Repouso é fator protetor para evitar evolução para fase subaguda.

Acidentes ofídicos

Embora atualmente mais da metade da população brasileira esteja nas cidades, os envenenamentos por cobra ainda fazem parte da realidade do país, principalmente nas regiões rurais e periurbanas. Vale lembrar que com o serviço militar obrigatório após a graduação, o conhecimento das condutas em casos de ofidismo se torna muito útil, uma vez que servir às forças armadas muitas vezes é sinônimo de trabalhar em regiões isoladas do país, onde estes eventos são muito mais frequentes.
Diante de um caso de picada de cobra, a primeira pergunta a ser respondida é se a serpente envolvida é peçonhenta ou não. As cobras venenosas sempre possuem fosseta loreal, um orifício encontrado entre a narina e o olho. A única exceção são as espécies do gênero Micrurus.
O Brasil possui 4 gêneros de cobras venenosas. São elas:

  • Bothrops: são as principais causadores de ofidismo e possuem cauda lisa (exemplos: jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca)
  • Crotalus: conhecidas vulgarmente como cascáveis, possuem cauda em chocalho e preferem regiões mais áridas
  • Lachesis: possuem cauda com escamas eriçadas (exemplos: surucucu e pico-de-jaca)
  • Micrurus: as famosas corais verdadeiras, conhecidas pelos seus anéis em vermelho, preto e branco, são raramente causadoras de ofidismo

Embora muitas vezes seja dito que idealmente a serpente deve ser capturada para identificação, isto na prática raramente ocorre (pelo risco óbvio) e às vezes a vítima é incapaz de informar a aparência da cobra. Por isso, se a cobra não pode ser identificada por visualização direta ou por relato, devemos inferir o gênero dela pelo quadro clínico, já que não existem exames que determinem qual o tipo de peçonha foi inoculada.

Ação proteolítica Ação coagulante Ação hemorrágica Ação neurotóxica Ação miotóxica Complicações Comentários
Bothrops Provoca dor, infartamento ganglionar, edema, bolhas e necrose locais Consumo dos fatores de coagulação semelhante à Coagulação Intravascular Disseminada Causa sangramentos locais (equimoses) ou à distância (epistaxe, gengivorragia, hematêmese, etc), podendo levar à hipotensão e/ou choque Síndrome compartimental, formação de abcesso, infecção secundária, necrose, choque e Insuficiência Renal Aguda Note a semelhança entre o acidente botrópico e o laquético
Lachesis Provoca dor, infartamento ganglionar, edema, bolhas e necrose locais Consumo dos fatores de coagulação semelhante à Coagulação Intravascular Disseminada Causa sangramentos locais (equimoses) ou à distância (epistaxe, gengivorragia, hematêmese, etc), podendo levar à hipotensão e/ou choque Promove estímulo vagal, causando hipotensão, choque, dor abdominal, náuseas,  vômitos, diarreia, bradicardia Síndrome compartimental, formação de abcesso, infecção secundária, necrose, choque e IRA Note a semelhança entre o acidente botrópico e o laquético
Crotalus Hemorragias à distância discretas por consumo de fibrinogênio Produz bloqueio neuromuscular craniocaudal, causando fácies miastênica (ptose, flacidez facial, sialorréia, oftalmoplegia, diplopia,visão turva) Ocorre rabdomiólise com consequente mialgia e mioglobinúria Insuficiência Renal Aguda e Insuficiência Respiratória Aguda por paralisia da musculatura torácica Edema, dor e eritema no sítio da picada são discretos
Micrurus Efeito colinérgico duplo: há uma toxina que compete com com a acetilcolina (efeito semelhante ao curare) e outra que inibe a liberação deste neurotransmissor. Isto causa fraqueza muscular progressiva (fácies miastência por exemplo) Insuficiência Respiratória Aguda por paralisia da musculatura torácica

O tratamento é feito segundo a tabela abaixo.
 

Acidente Soro Gravidade Nº de ampolas
Botrópico Antibotrópico Leve: quadro local discreto, sangramento em pele
mucosas; pode haver apenas distúrbio na coagulação
2 a 4
Antibotrópico-laquético Moderado: edema e equimose evidentes, sangramento sem
comprometimento do estado geral; pode haver distúrbio na coagulação
5 a 8
Grave: alterações locais intensas, hemorragia grave,
hipotensão, anúria
12
Laquético Antibotrópico-laquético Leve: alterações neuroparalíticas discretas; sem mialgia,
escurecimento da urina ou oligúria
5
Moderado: quadro local presente, pode haver
sangramentos, sem manifestações vagais
10
Grave: quadro local intenso, hemorragia intensa, com
manifestações vagais
20
Crotálico Anticrotálico Moderado: alterações neuroparalíticas evidentes, mialgia e
mioglobinúria (urina escura) discretas
10
Grave: alterações neuroparalíticas evidentes, mialgia e
mioglobinúria intensas, oligúria
20
Elapídico Antielapídico Considerar todos os casos potencialmente graves pelo risco
de insuficiência respiratória
10

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 7. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009.

Imunização passiva e profilaxia do tétano acidental

O tétano é uma doença bacteriana muito rara atualmente, graças a ampla cobertura vacinal. Entretanto, é uma doença altamente letal (em 2013, aproximadamente um terço dos casos de tétano no Brasil evolui para o óbito), sendo portanto compulsória a sua notificação ao Ministério da Saúde.

Todo paciente da emergência que apresente ferida aberta está sujeito ao tétano até que se prove o contrário, através da correta avaliação do trauma e da história vacinal.

Feridas sujas, mordeduras, fraturas expostas, com presença de corpos estranhos e/ou tecidos necróticos e queimaduras, todas elas são de alto risco para infecção de tétano. Do contrário, o risco é baixo (ex. corte com faca de cozinha limpa).

Cientes deste conceito, avaliamos a ferida e colhemos a história vacinal. Isto nos permite determinar se há necessidade de aplicar a imunização passiva e ativa, conforme a tabela abaixo. Importante notar a lógica da tabela porque isso fará com que ela seja lembrada mais facilmente.

História Vacinal Aplicar vacina? Aplicar Ighat ou SAT? Aplicar vacina? Aplicar Ighat ou SAT?
Ferida de baixo risco Ferida de baixo risco Ferida de alto risco Ferida de alto risco
Desconhecida ou menos de 3 doses Sim Não Sim Sim
Pelo menos 3 doses, sendo a última há mais de 10 anos Sim Não Sim Sim
Pelo menos 3 doses, sendo a última dose entre 5 e 10 anos Não Não Sim Não
Pelo menos 3 doses, sendo a última dose há menos de 5 anos Não Não Não Não

A imunização passiva busca neutralizar a toxina tetânica, prevenindo sua ligação irreversível aos neurônios, reduzindo portanto a mortalidade. Ela só é eficaz quando administrada precocemente, pois a toxina já ligada aos neurônios não é neutralizada.

Para este fim dois produtos estão disponíveis: a imunoglobulina antitetânica humana (Ighat) e o soro antitetânico (SAT), derivado de cavalos.

A Ighat é a primeira escolha. Ela deve ser administrada por via IM na dose de 5.000 unidades em dois sítios diferentes (2.500 em cada).

A SAT apresenta maior frequência de reações anafiláticas e menor meia-vida, mas é mais barata. Antes de infundi-la, devemos usar anti-histamínico. Feito isso, injeta-se SAT 20.000 unidades via IM ou via EV em soro glicosado 5% .

Fonte: USP. Emergências Clínicas: Abordagem Prática. 8ª edição. Manole: São Paulo. 2013.

Saúde lança protocolo para uso de medicamentos em situações de exposição de risco ao HIV

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Documento simplifica prescrição para tratamento de PEP nos serviços de saúde e reduz tempo de acompanhamento de seis para três meses

A profilaxia pós-exposição (PEP) do HIV unificada no Sistema Único de Saúde (SUS) passa a valer na rede pública ainda este mês. O novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Profilaxia Antirretroviral Pós-Exposição de Risco para Infecção pelo HIV – publicado nesta quinta-feira (23) no Diário Oficial da União – integra os três tipos de PEP existentes: acidente ocupacional, violência sexual e relação sexual consentida. O documento recomenda também a redução do tempo de acompanhamento do tratamento de seis para três meses.

O protocolo recomenda que os medicamentos utilizados para o tratamento sejam ministrados até 72 horas após a exposição ao vírus. O ideal é que seu uso seja feito nas primeiras duas horas após a exposição ao risco. Ao todo, são 28 dias consecutivos de uso dos quatro medicamentos antirretrovirais previstos no novo protocolo (tenofovir + lamivudina + atazanavir + ritonavir). Em 2014, foram ofertados 22 mil tratamentos em todo o país. A rede de assistência conta atualmente com 517 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), 712 Serviços de Assistência Especializada (SAE) e 777 Unidades de Distribuição de Medicamentos (UDM).

“A grande vantagem desse protocolo é a simplificação e unificação da PEP em um esquema único de medicamentos. Com isso, não será preciso um especialista em aids para dispensar a PEP. Isso não só irá ampliar o acesso à população de forma geral, mas também facilitar o procedimentos para os profissionais de saúde como um todo”, explicou o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita.

Para 2014, a PEP contou com investimento de R$ 3,6 milhões, ou seja, 0,4% do total de R$ 864 milhões investidos com antirretrovirais no ano passado. Disponível desde a década de 1990 no SUS, o procedimento foi implantado, inicialmente, para os profissionais de saúde, como prevenção, em casos de acidentes de trabalho, com materiais contaminados ou possivelmente contaminados. Ainda em 1998, a PEP foi estendida para vítimas de violência sexual. Em 2011, o tratamento passou a incluir qualquer exposição sexual de risco, como o não uso ou o rompimento do preservativo.

Sendo assim, desde 2010 foram dispensados 87.891 tratamentos e a oferta da terapia quase dobrou de 2010 para 2014 – passando de 12 mil tratamentos para 22 mil. Antes da aprovação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Conitec), o novo protocolo ficou à disposição de profissionais de saúde e público em geral para consulta pública durante um mês.

O total de brasileiros com acesso ao tratamento com antirretrovirais no país mais do que dobrou entre 2005 e 2014, passando de 165 mil pacientes (2005) para 400 mil (2014). Atualmente, o SUS oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para os pacientes soropositivos. Desse total, 12 são produzidos no Brasil.

CENÁRIO DA EPIDEMIA – Desde os anos 1980, foram notificados 757 mil casos de aids no Brasil. A epidemia no país está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 39 mil novos casos de aids ao ano. O coeficiente de mortalidade por aids caiu 13% nos últimos 10 anos, passando de 6,4 casos de mortes por 100 mil habitantes (2003) para 5,7 casos (2013).  De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2014,  o público jovem é o que apresentou maior taxa de detecção da doença – passando de 9,6 por 100 mil habitantes (2004) para 12,7 por 100 mil pessoas (2013).

fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/18785-saude-lanca-protocolo-para-uso-de-medicamentos-em-situacoes-de-exposicao-de-risco-ao-hiv
 

Novos medicamentos para hepatite C chegam ao SUS este ano

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No primeiro ano de incorporação ao SUS, 30 mil pessoas serão beneficiadas. O novo tratamento garante mais qualidade de vida e conforto ao paciente

Uma nova terapia que aumenta as chances de cura e diminui o tempo de tratamento aos pacientes com hepatite C estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro deste ano. Composto pelos medicamentos daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir, o novo tratamento vai beneficiar cerca de 30 mil pessoas nos próximos 12 meses. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Saúde.

INDICAÇÃO DO TRATAMENTO – As novas medicações vão beneficiar pacientes que não podiam receber os tratamentos ofertados anteriormente, entre eles os portadores de coinfecção com o HIV, cirrose descompensada, pré e pós-transplante e pacientes com má resposta à terapia com Interferon, ou que não se curaram com tratamento anterior. A meta é ampliar a assistência às hepatites virais, minimizando as restrições impostas pelo tratamento anterior. A nova terapia garante ao paciente mais conforto e qualidade.

Pacientes que venham a solicitar, ou que já estejam em tratamento com Boceprevir e Telaprevir, não serão prejudicados, uma vez que o fornecimento desta medicação será assegurado até o final do tratamento. O documento também padroniza uma rotina de exames e de consultas médicas, permitindo maior conhecimento por parte dos profissionais de saúde, do agravo e da assistência necessária aos pacientes.

O diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, destacou que a grande vantagem do novo protocolo é a ampliação do acesso do ao tratamento de hepatite C crônica. “O protocolo prevê que os novos medicamentos sejam disponibilizados aos pacientes com co-infecção HIV/Hepatite C, aos pós-transplantados de fígados e outros órgãos e outras indicações específicas. Isso irá possibilitar que possamos dobrar o número de pacientes atualmente em tratamento”, ressaltou o diretor.

Para a compra dos medicamentos, apenas neste ano, a previsão é de que sejam investidos até R$ 500 milhões. O Ministério da Saúde conseguiu negociar os preços dos medicamentos com as indústrias farmacêuticas, com descontos de mais de 90% em relação aos preços de mercado. Além do novo tratamento, o Protocolo apresenta também as novas diretrizes para o monitoramento da hepatite C. O Brasil é um dos primeiros países em desenvolvimento a incorporar esse novo tratamento.

CAMPANHA – Focada no incentivo ao diagnóstico e ao tratamento, a campanha traz mensagens  com alertas a população. Uma delas, direcionada à população a partir dos 40 anos, incentiva a testagem: “Se você fez cirurgia antes de 1993, precisa fazer o teste para hepatite C. O teste é o primeiro passo para a cura”.

Nesse público entram pessoas que sofreram acidentes nessa época (antes de 1993) e precisaram de transplantes, transfusão de sangue ou que se expuseram a algum tipo de contato com sangue (por meio de compartilhamento de seringas, objetos cortantes). Os personagens do filme para TV são pessoas reais que passaram por cirurgias, transfusões ou transplantes antes de 1993. A campanha conta ainda com material jingle rádio, cartazes, folhetos, mobiliário urbano e ação de internet.

Outro foco da campanha é a hepatite tipo B, com jovens adultos como público-alvo.  O slogan “Vacina de três doses Hepatites B. Eu me amo, eu me previno, eu tomo a vacina”, acompanha as seguintes peças: filme para internet, estratégia rede social, outdoor nas cidades de Recife, Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ceilândia (DF) e Mauá (SP), além de exibição de filme em TV internas de  universidades.

Hepatite C – O SUS garante o acesso aos medicamentos de combate à doença para todos os pacientes diagnosticados e com indicação de tratamento medicamentoso. Vale ressaltar, que nem todas as pessoas que contraíram o vírus precisam ser medicadas, sendo uma recomendação estabelecida por protocolo e avaliação médica.

Em 13 anos de assistência à doença no SUS, foram notificados e confirmados 120 mil casos, e realizados mais de 100 mil tratamentos. Atualmente são 10 mil casos notificados ao ano. Estima-se que a tipo C seja a responsável por 350 e 700 mil mortes por ano no mundo. No Brasil, são registrados cerca de três mil mortes por associadas à hepatite C. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil registra 8.040 novos casos de câncer de fígado ao ano. A doença é responsável de 31% a 50% dos transplantes em adultos.

Desde 2011, o país também distribui testes rápidos para a hepatite C. Naquele ano, foram distribuídos 15 mil testes, já em 2014 o número saltou para 1,4 milhão de testes. Este ano, está prevista uma compra de 8,6 milhões de testes a serem distribuídos nos próximos anos.

Sem diagnóstico até 1993, a hepatite C, como a hepatite B, também é uma doença de poucos sintomas. Outras formas de transmissão são o compartilhamento de objetos de uso pessoal e para uso de drogas. A transmissão sexual ainda é um tema muito debatido por pesquisadores de todo o mundo, estando presente nas populações de jovens; homens que fazem sexo com outros homens, trans e travestis.

Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/18850-novos-medicamentos-para-hepatite-c-chegam-ao-sus-este-ano

 

Vacina contra a malária é aprovada na Europa

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A vacina para combater a malária foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (ELA) e será analisada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A aprovação do Mosquirix (também chamada de RTS,S) é um primeiro passo para combater o problema e é indicada para crianças de seis semanas a 17 meses. O medicamento demorou mais de 30 anos para ser elaborado e foi criado em uma parceria entre a GlaxoSmithKline (GSK) com o instituto Bill e Melinda Gates.
Apesar do grande passo, os benefícios do princípio ativo ainda não são considerados fantásticos. Nos exames realizados neste ano, a vacina reduziu os casos em apenas 30%.
Segundo a nota da EMA, “com base nos resultados dos testes, os benefícios do Mosquirix superaram os riscos e podem ser particularmente importantes nas crianças de áreas em que a transmissão e a mortalidade são muito elevadas”.
Mesmo com a aprovação, o medicamento ainda não está disponível para a distribuição porque precisa de uma recomendação da OMS para ser entregue em larga escala. A análise da entidade mundial será realizada em outubro deste ano.
A ideia é que a vacina seja amplamente utilizada em países africanos, onde ocorrem a maior parte dos casos. Segundo dados da OMS, a doença causada pelo parasita Plasmodium matou mais de 584 mil pessoas em 2013 e as crianças com menos de cinco anos representam dois terços dos falecimentos.
“A vacina evita 50% dos casos em crianças muito pequenas, que são as que mais correm riscos. Se pensarmos que morrem 400 mil pessoas por ano, mesmo com uma eficácia de 30%, isso significa que serão salvas 120 mil pessoas – e isso não é pouco”, destacou.
Lembrando que serão necessárias quatro doses para ter uma eficácia razoável, Ippolito destaca que o medicamento utilizado em conjunto com outras medidas, como o uso de mosquiteiros e inseticidas, ajudará a diminuir os casos.
A opinião positiva é dividida também com o diretor da Amref Health Africa, Githinji Gitaji, que trabalha com as comunidades mais vulneráveis ao problema no continente. “A cada minuto na África, uma criança morre de malária. A vacina ajudará a desenvolver uma solução de amplo respiro na luta contra a doença”, ressaltou Gitaji.
A GSK não revelou o valor que o remédio será vendido, mas confirmou que irá fornecê-lo a preço de custo onde 5% serão reinvestidos para o desenvolvimento de uma segunda geração do produto. (ANSA)
Fonte: http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/brasil/natureza/2015/07/24/Vacina-contra-malaria-recebe-aval-historico-na-Europa_8620381.html

ZIKA…você sabe o que é?

O Ministério da Saúde confirmou, em maio, a circulação do Zika vírus no país. O Instituto Evandro Chagas atestou positivo para o exame de 16 pessoas que apresentaram resultados preliminares para o vírus. Foram oito amostras da Bahia e oito do Rio Grande do Norte. O Ministério acompanha a situação e participa da investigação de outros casos suspeitos de doenças exantemáticas para definir os agentes causadores e adotar as ações de vigilância, prevenção e controle complementares no país.

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1. O que é a febre por Vírus Zika?

Resposta: É uma doença viral autolimitada, via de regra, de evolução benigna, caracterizada pelo quadro clínico de febre, hiperemia conjuntival não pruriginosa e não purulenta, artralgia e exantema maculo-papular.

2. Qual a distribuição dessa doença?

Resposta: O Zika virus (ZIKAV) é um arbovírus do gênero Flavivírus, família Flaviviridae. Este vírus foi isolado pela primeira vez em 1947, a partir de amostras de macaco Rhesus utilizados como sentinelas para detecção de febre amarela, na floresta Zika em Uganda. Por este motivo a denominação do vírus. O ZIKAV é endêmico no leste e oeste do continente Africano e registro de circulação esporádica na África (Nigéria, Tanzânia, Egito, África Central, Serra Leoa, Gabão, Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quénia, Somália e Burkina Faso), Ásia (Malásia, India, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Camboja, Índia, Indonésia) e Oceania (Micronésia, Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook). Nas Américas, o Zika Vírus somente foi identificado na Ilha de Páscoa, território do Chile no oceano Pacífico, 3.500 km do continente, no início de 2014. Casos importados de Zika vírus foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Austrália.

3. Como é transmitida?

Resposta: A principal via de transmissão é vetorial, por meio da picada de mosquitos Aedes aegypti e após um período de incubação (período entre a picada do mosquito e o início de sintomas) de cerca de aproximadamente 4 dias, o paciente poderá iniciar os primeiros sinais e sintomas.

4. Quais são os principais sinais e sintomas?

Resposta: A febre pelo vírus Zika é uma doença pouco conhecida e sua descrição está embasada em um número limitado de relatos de casos e investigações de surtos. Com base nessas publicações, os sinais e sintomas incluem exantema maculopapular de início agudo (erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos) e pode ser acompanhado de febre, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia ou artrite, mialgia, cefaleia e dor nas costas. Com menor frequência, há relatos também de edema, dor de garganta, tosse, vômitos e hematospermia. Segundo a literatura, apenas 18% das pessoas apresentarão manifestações clínicas da doença.

5. Qual o prognóstico?

Resposta: Segundo os relatos disponíveis, não há registro de óbitos por esta doença. A doença é considerada benigna e autolimitada, com os sinais e sintomas durando, em geral, de 2 a 7 dias.

6. Há tratamento ou vacina contra o Zika vírus?

Resposta: O tratamento é sintomático e baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) para febre e dor, conforme orientação médica. Não está indicado o uso de ácido acetilsalicílico e drogas anti-inflamatórias devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas, como ocorre com a dengue. Orienta-se procurar o serviço de saúde para orientação adequada. Não há vacina contra o Zika vírus.

7. Quais as medidas de prevenção e controle?

Resposta: As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya. Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas antivirais. Dessa forma, o controle está centrado na redução da densidade vetorial, como por exemplo, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros. Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, proporciona alguma proteção às picadas dos mosquitos e podem ser adotadas principalmente durante surtos. Repelentes podem ser aplicados na pele exposta ou nas roupas.

fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/17702-confirmacao-do-zika-virus-no-brasil

Vacina contra HPV. O que você sabe sobre ela?

. O que é o HPV?

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus que infecta a pele e mucosas e pode causar câncer do colo de útero e verrugas genitais.

Já os tipos 6 e 11 são encontrados na maioria das verrugas genitais.

. Como ocorre o contágio?

O vírus HPV é altamente contagioso, sendo possível contaminar-se com uma única exposição, e a sua transmissão acontece por contato direto com a pele ou mucosa infectada.

Embora seja raro, o vírus pode propagar-se também por meio de contato com a mão.

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. O que é câncer do colode útero?

É o crescimento anormal de células no colodo útero.

. Quais são as formas de prevenção do câncer do colo de útero?

A vacinação contra o HPV é a forma mais eficiente de se proteger contra o câncer do colo de útero.Para prevenir, é preciso vacinar as adolescentes de 9 a 11 anos.

5. Como será a vacinação?

A vacina HPV estará disponível para adolescentes entre 9 e 11 anos, nas Unidades de Saúde do SUS ou nas escolas.

A adolescente deverá tomar 3 doses da vacina. A primeira dose estará disponível em março de 2015, a segunda, em setembro de 2015, e a terceira será agendada para 60 meses após a data da primeira dose.

Destaca-se que as meninas de 12 a 13 anos que ainda não foram vacinadas devem procurar uma Unidade de Saúde do SUS para tomar a vacina.É preciso completar o esquema vacinal,pois só com a segunda dose a adolescente estará protegida.

Será utilizada a vacina quadrivalente HPV,que confere proteção contra quatro tipos(6, 11, 16 e 18).

. Por que vacinar na adolescência?

Estudos mostram que a vacina tem maior eficácia se for administrada em adolescentes que ainda não foram expostas ao vírus, pois, nessa idade, há maior produção de anticorpos contra o HPV que estão incluídos na vacina.

8. Posso ter alguma reação depois de tomar a vacina HPV?

A vacina HPV é uma vacina muito segura, desenvolvida por engenharia genética. Pode, raramente, ocasionar reações como dor, inchaço e vermelhidão no local da aplicação.Ocasionalmente, podem ocorrer dor de cabeça, mal estar e desmaios (síncope), que são relacionados à ansiedade ou ao medo da aplicação da vacina – reação mais comumente apresentada em adolescentes. O importante é que, depois, todas ficam bem.

A síncope mais frequente é a síncope vasovagal, comum em pessoas com alguma particularidade emocional, geralmente desencadeado por dor intensa, medo da injeção ou um choque emocional súbito,por exemplo.

Até o momento, não há conhecimento de nenhum efeito colateral grave relacionado à vacinação contra HPV.

 
FONTE: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/hpv/