Pacientes idosos com câncer apresentam maior risco de infecção C difficile

Idosos com câncer, especialmente hematológicos ou recém-diagnosticados com tumores sólidos metastáticos, apresentam um risco maior de contrair infecção por Clostridium difficile (CDI). Isso em comparação aos demais indivíduos sem câncer, de acordo com um estudo publicado no periódico online Emerging Infectious Diseases.

Por ser a principal causa de infecção associada aos cuidados médicos de saúde nos Estados Unidos, é 26 vezes mais provável que a C difficile  atinja pacientes com mais de 65 anos, nos quais os sintomas são mais graves.

Uma união perfeita de fatores predisponentes pode tornar adultos com mais idade com câncer em risco elevado de ICD. Efeitos da quimioterapia que perturbam a resistência à colonização por C difficile no trato gastrointestinal acompanham fatores de risco, como o uso de antimicrobianos, exposição a bactérias em hospitais e baixa imunidade humoral.

Para complicar ainda mais o quadro clínico, tanto a quimioterapia como o CDI podem causar  diarreia grave. Um relatório de 1992 publicado no JAMA Internal Medicine identificou aumento do risco de ICD em pacientes recebendo quimioterapia que não haviam tomado antimicrobianos.

Um grupo de pesquisadores liderado por Mini Kamboj, MD, epidemiologista-chefe médico para controle de infecções no Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering, em Nova York, procuraram desvendar a conexão entre câncer e risco elevado de CDI. Eles buscaram identificar fatores que poderiam ser usados ​​para prevenir a infecção em pacientes com certos tipos de câncer.

Metodologia aplicada

Os cientistas realizaram um estudo de coorte retrospectivo de base populacional com uma análise de controle de caso aninhada para investigar se o risco de ICD é maior entre os idosos com câncer do que entre os idosos sem câncer.

O estudo comparou o registro de câncer de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais com informações de registro do Medicare de 2011 para controles que não tinham câncer nas regiões geográficas do SEER. Os pacientes com câncer tinham tumores sólidos (mama, cólon, pulmão, próstata e cabeça e pescoço) ou tumores hematológicos (linfoma, mieloma , leucemia) e foram diagnosticados entre 2006 e 2010.

Cinco controles foram combinados aleatoriamente para cada paciente para idade e sexo. Todos os beneficiários do Medicare considerados no estudo tinham, no mínimo, 66 anos em 2011 e foram hospitalizados, pelo menos, uma vez naquele ano.

Os pesquisadores avaliaram a incidência de infecção como a porcentagem da coorte na qual o CDI se desenvolveu durante o período do estudo. Eles calcularam odds ratio (OR) ajustadas e não ajustadas para a incidência de ICD, considerando o tipo de tumor, estágio no diagnóstico de câncer e ano de diagnóstico.

Resultados

Dos 93.566 beneficiários, 2,6% tiveram CDI durante o período do estudo. Em análises não ajustadas, 2,8% das pessoas com câncer apresentaram CDI, em comparação com 2,4% para indivíduos que não tiveram câncer.

A proporção de pessoas com CDI foi maior entre os beneficiários que eram do sexo feminino ou residentes da região nordeste dos Estados Unidos. O risco de ICD, avaliado para intervalos de cinco anos, revelou um aumento de 1,9% para pacientes entre 66 e 69 anos, para 2,9% para pacientes com 85 anos ou mais.

A análise de controle de caso aninhada comparou 2421 casos de pacientes com ICD a 12.105 controles. Os pacientes com casos eram mais propensos a ter câncer (54%) do que os controles (49%). Os pacientes com casos também eram mais propensos a terem sidos hospitalizados mais de uma vez ou tinham permanecido em uma instalação de enfermagem especializada.

As chances de desenvolver CDI foram maiores entre os pacientes com câncer do que os pacientes sem câncer (OR ajustado, 1,15, intervalo de confiança de 95% [IC], 1,04 – 1,26, P = 0,005).

Ter um tumor hematológico foi significativamente associado com aumento do risco de CDI em comparação com nenhum diagnóstico de câncer (OR ajustado, 1,74; 95% CI, 1,48 – 2,06; P <0,001), mas com um tumor sólido não foi ajustado (OR, 1,05 IC95%, 0,95 a 1,16), a menos que o diagnóstico fosse desde 2009. Se assim fosse, a fase do tumor não alterava o risco elevado de infecção. Os pesquisadores acreditam que o risco elevado deriva de uma quimioterapia mais intensiva no momento do diagnóstico de um tumor sólido.

Ter mais de duas hospitalizações ou uma permanência em uma enfermaria especializada foi cada uma associada a uma maior probabilidade de ocorrência de ICD, independentemente de o paciente apresentar câncer ou não.

“Nossas descobertas coletivamente expandem o conhecimento de como o diagnóstico do câncer afeta a doença associada ao CDI entre adultos com mais idade. Essa avaliação baseada na população pode ser usada para identificar alvos para a prevenção do CDI”, concluem os pesquisadores.

Eles citam dois estudos que discutem tais medidas: um medicamento (bezlotoxumabe) para prevenir a recorrência de CDI e o transplante de microbiota fecal.

“Nosso estudo define o subconjunto de idosos com câncer que provavelmente se beneficiariam mais com essas terapias para minimizar a vulnerabilidade ao CDI durante o tratamento do câncer”, escrevem os pesquisadores.

Eles também apontam que o CDI pode atrasar ou desqualificar um paciente de um novo tratamento para o câncer. “Os efeitos abrangentes do CDI nessa população justificam a avaliação das estratégias de prevenção primária”, concluem.

As limitações do estudo incluem a incapacidade para distinguir se o tipo de tratamento do câncer ou utilização excessiva de antibióticos foi associado com o aumento do risco CDI. Além disso, o estudo não inclui casos de CDI adquiridas na comunidade que não resultam em hospitalização, possivelmente identificando de modo errado alguns casos recorrentes como incidente.

Texto retirado de:

https://pebmed.com.br/pacientes-idosos-com-cancer-apresentam-maior-risco-de-infeccao-c-difficile/

Exame de sangue detecta tumores 15 anos antes de seu surgimento

A batalha contra o câncer é uma corrida entre a tartaruga – nós – e a lebre – a doença. Mas, como nos ensinou a fábula de Esopo, o vencedor nem sempre é evidente. É assim que a vê a pesquisadora Rocío Arroyo, diretora da Amadix, uma empresa de biotecnologia que inventou um exame de sangue que detecta, com 10 a 15 anos de antecedência, se uma pessoa saudável desenvolverá um tumor maligno de cólon.

Esta madrilenha de 45 anos, pesquisadora de farmacologia experimental, pendurou o avental branco para empreender na Espanha a aventura de converter o conhecimento científico em um modelo de negócio viável, para tentar materializar o sonho de todo pesquisador de melhorar o mundo com seus tubos de ensaio e pratos de cultura. Como ponto de partida, Arroyo conseguiu convencer investidores privados de Castela e Leão e assim nasceu a Amadix, em 2010, em Valladolid. Depois de muito trabalho, neste ano espera finalmente lançar no mercado o Colofast, o primeiro exame de sangue capaz de detectar um tumor de cólon antes que se desenvolva. “Esperamos comercializá-lo neste ano no mercado espanhol. Depois, vamos mirar os Estados Unidos, Europa e China. Até agora, foi testado em mais de 1.000 pessoas e em 20 hospitais europeus, e há estudos em andamento na Alemanha e na Polônia.” Fazer esse simples exame anualmente a partir dos 50 anos pode garantir uma vantagem fundamental na luta para vencer o câncer.

O Colofast é único no mundo (existem produtos semelhantes, mas não tão sensíveis: identificam o tumor quando já apareceu) e abre uma nova era na previsão da doença. Os tumores de cólon começam como pólipos que deixam rastros no sangue, proteínas e moléculas de RNA. A quantidade e a combinação desses marcadores genéticos determinam o que se tornarão. Se a nossa mão de cartas for perdedora, ou seja, o Colofast identifica pólipos pré-cancerosos, restaria uma ampla margem de ação: retirá-los com uma colonoscopia e ganhar. “O objetivo é prolongar a vida de pessoas saudáveis com este diagnóstico. É algo que nunca havia sido feito.” Arroyo e sua equipe já estão trabalhando em outros exames capazes de antecipar tumores de pulmão e de pâncreas. Eles estimam que possam ser uma realidade em cerca de dois anos.

Apesar de ser uma pequena startup com apenas um punhado de empregados, a Amadix está excepcionalmente bem posicionada para competir no diagnóstico preventivo oncológico, um mercado desejado pelos gigantes da indústria farmacêutica. “Não é fácil. O nexo que nos une é melhorar a vida das pessoas. É preciso buscar financiamento de forma permanente, pois ainda não estamos vendendo, dedicar horas a isso, ter uma equipe motivada. Estivemos perto de fechar várias vezes.”

A medicina preventiva representará uma revolução no diagnóstico. Os dados associados a uma pessoa – hábitos, alimentação, etc.– juntamente com algoritmos de inteligência artificial e a genômica do paciente construirão um prisma para descobrir as doenças que virão. Arroyo ressalta que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts já desenvolveu um algoritmo que aprende a caçar as lesões de mama interpretadas erroneamente como malignas e que, portanto, evita cirurgias desnecessárias. “Todas as empresas estão na mesma corrida: encontrar um exame único que permita detectar qualquer tipo de tumor que se manifeste no futuro.

Fonte:

El País

GH em excesso pode ser sinal de doença rara

A hipófise é uma glândula endócrina tão pequena quanto uma ervilha e se localiza na base do crânio, no meio da cabeça e diretamente atrás do nariz. Apesar de seu tamanho, a sua importância para o desenvolvimento humano é enorme: além de controlar a função das glândulas da tireoide e adrenal, a hipófise também produz somatotropina, conhecido como o hormônio do crescimento.

A somatotropina é secretada durante toda a vida e particularmente durante o sono. Enquanto nas crianças seu principal papel é o crescimento esquelético, em adultos o hormônio do crescimento está envolvido no metabolismo dos músculos, dos ossos e do tecido adiposo. Porém, quando esse é produzido de forma descontrolada e liberado em grandes quantidades, problemas como gigantismo e acromegalia podem ocorrer.

Como regra geral, o gigantismo ocorre em crianças e adolescentes, pois os ossos ainda estão crescendo e são suscetíveis aos efeitos do hormônio do crescimento, e a acromegalia atinge adultos entre os 30 e 50 anos e conta com sinais e sintomas que vão desde dores articulares e suor excessivo, a alterações nas feições faciais, pele, dentes e voz.

“A acromegalia pode afetar as pessoas de formas diferentes. Ao longo do tempo, as mudanças físicas vão ficando mais evidentes, como por exemplo: um anel que não serve mais, sapatos mais apertados, alteração na aparência física… Mesmo assim, mudanças drásticas só são percebidas quando o quadro já está avançado, pois outros sintomas são facilmente tidos como parte normal do envelhecimento”, explica o Dr. André Mello, Gerente Médico da Endocrinologia e Oncologia da Ipsen.

Os sintomas comuns da acromegalia são dores articulares, cefaleias, fadiga, HAS, problemas no coração e mau-humor exacerbado. Esse quadro, principalmente quando visto em mulheres a partir dos 40 anos, ainda podem ser encarados como o começo da menopausa. “A síndrome do túnel do carpo também é comum em pacientes com acromegalia. Ao procurarem pela ajuda de um profissional para tratar as dores, por exemplo, o médico pode acabar passando uma medicação apenas para amenizá-la. A doença em si, muitas vezes, só vai ser diagnosticada quando a pessoa nota a mudança física, forte característica de um estágio já avançado”, reforça.

Causas

De acordo com a World Alliance of Pituitary Organizations, um tumor benigno não-canceroso na hipófise chamado adenoma é a principal causa de acromegalia, ocorrendo em 98% dos casos. Esse tumor produz hormônio do crescimento, o que leva a uma alta nos níveis de somatotropina no sangue. Por sua vez, a alta desse nível faz com que o fígado produza o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1).

“Muito IGF-1 no sangue leva a um aumento anormal de ossos e tecidos, podendo causar também uma resistência à insulina, levando ao diabetes. Embora estudos genéticos estejam em andamento, a maioria dos casos de acromegalia não são herdados e nós ainda não sabemos exatamente o que desencadeia um adenoma”, complementa.

Diagnóstico e tratamento

Como mencionado, a acromegalia é uma doença rara com alguns sintomas que são comuns e, por essa razão, o diagnóstico correto pode levar um tempo para acontecer. Mesmo assim, é possível que o primeiro profissional a desconfiar de um quadro envolvendo o hormônio do crescimento seja um clínico geral, quando procurado para ajudar no tratamento das dores de cabeça e nas articulações, ou até mesmo um dentista que pode apontar o aumento nos espaços entre os dentes ou da língua.

De qualquer forma, ao desconfiar de um quadro mais sério, é possível que o atendimento secundário seja feito por um endocrinologista, o mesmo profissional que será o ponto de contato central caso o diagnóstico de acromegalia seja concluído.

“Uma vez diagnosticado, os tratamentos podem variar entre cirurgia para remoção do adenoma de hipófise, medicamentos capazes de inibir a produção excessiva de hormônios no organismo, aliviando os principais sintomas da doença. Além disso, há também a possibilidade de terapia com radiação ou uma combinação entre os três citados”, conta o médico.

Fonte:

SnifDoctor

Hematologia ou oncologia

 

Pergunta : Eduardo ( Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

Ola Dr. Mario,

 

Estou no 8o período do curso de Medicina da UFRJ e estou em dúvida entre Hematologia e Oncologia como escolha de especialidade. Gosto bastante da parte clínica dessas especialidades e do contato com o paciente de mal prognóstico. Gostaria de saber   como está o mercado atual em ambas as especialidades (meu pai é oncologista e me disse que atualmente o mercado para ambas as especialidades no Rio de Janeiro está muito ruim, está cada vez mais dificil manter uma clinica própria).

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Patologia ou Oncologia Clínica ou Cirúrgica

Pergunta : Augusto ( Universidade Federal de Uberlândia )

Olá Dr. Mário, ainda estou na graduação, mas pelos assuntos vistos, venho me interessando por áreas como patologia, oncologia clínica e oncologia cirúrgica e acho que futuramente posso fazer uma residência médica em uma dessas áreas. Gostaria de saber sobre a qualidade de vida, remuneração e futuro profissional de cada uma dessas especialidades.

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Otorrino, Oncologia, Oftalmo ou Urologia

Pergunta: Pedro Afonso ( Universidade Estadual de Montes Claros )

Após analisar as especialidades medicas selecionei 4 que mais me agradam; Oncologia (eu consigo lidar bem com a parte triste desta), Otorrinolaringologia, Oftalmologia e Urologia .Gostaria de saber detalhes de Oncologia, Otorrino e Urologia (salários, mercado trabalho e qualidade de vida) Já a oftalmologia possuo medo da liberação dos optometristas, saturação do mercado e futuro estagnado.Oftalmo é a que mais me agrada mas temo pelo futuro e estou pensando em desistir desta. Obrigado. Continue com site que está sendo de grande ajuda a muitos acadêmicos.

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Oncologia, Medicina Intensiva, Neurologia ou Psiquiatria

Pergunta: Everaldo Jr. ( Universidade do Estado de São Paulo )

Primeiramente, meus parabéns ao site que é de grande ajuda a médicos e futuros médicos, em seguida quero lhes pedir o seguinte, sobre a remuneração, qualidade de vida e um pouco do dia-a-dia das especialidades de oncologia, medicina intensiva,neurologia e psiquiatria, e queria pedir-lhes sobre a psiquiatria, o psiquiatra e mesmo praticamente um psicólogo que receita remédios?

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Oncologia ou Neurologia

Pergunta: Jonas ( Universidade Federal de Mato Grosso do Sul )

Olá equipe do Widoctor, agradeço-lhes por responderem a minha pergunta, então, eu estou entre as especialidades de neurologia e oncologia, e tenho afinidade por ambas, tanto no quesito pacientes que tratarei, patologias com que trabalharei, estilo de vida, enfim tenho afinidade pelas duas e elas também ficaram entre os primeiros lugares em seu teste vocacional. O que me preocupa na oncologia é a cura do câncer, que está sofrendo vários avanços e pode comprometer o meu trabalho em alguns anos, sem contar que 6 anos é a residência em oncologia( 3 anos de clínica médica antes), e já a neurologia me vem mais atrativa com apenas 3 anos de residência. O que me dizem para decidir enfim?

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Oncologia ou Medicina Intensiva

Pergunta: Rodrigo Coutinho ( Faculdade de Medicina do ABC )

Boa noite!!! Primeiramente, parabéns pelo site é realmente muito bom!! Em segundo lugar, ai vai minha dúvida: qual especialidade seria melhor, em termos de qualidade de vida remuneração, Oncologia ou UTI?? Ainda se ganha com prescrição de QT na Onco?? E na terapia intensiva, realmente faltam profissionais titulados para ser coordenadores ou diaristas?? Quanto eles ganham?? Isso considerando que a principio pretendo me manter em grandes centros, atualmente Sao Paulo. Muito obrigado desde ja, Rodrigo

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Oncologia Pediátrica : Boa Especialidade?

Pergunta : Esther Barreto ( Hospital Orlando Novaes )

Bom dia Mario. Achei o seu site Excelente! Diferente te tudo que se encontra na internet sobre medicina e carreira médica. Parabéns!

Gostaria de algumas informações sobre a Oncologia Pediátrica. Já li todos os comentários sobre a pediatria e vi que remuneração e qualidade de vida não são o forte dessa área e a sugestão para quem gosta de pediatria é procurar subespecialidades com procedimentos.

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