Pediatria – Widoctor

Parecer Sobre a Triagem Oftalmológica de Recém Nascidos

Parecer Sobre a Triagem Oftalmológica de Recém Nascidos

Atualmente no Brasil, o teste do reflexo vermelho é usado como triagem de doenças oftalmológicas com potencial de desenvolvimento de cegueira em crianças e está́ regulamentado pela Lei do Teste do Olhinho em diversos estados e municípios. Por esta Lei, o pediatra ou médico assistente do recém-nascido fica obrigado a realizar o teste antes da alta hospitalar e, no caso de apresentar alteração, o recém-nascido deve ser encaminhado para um oftalmologista. O teste é tecnicamente simples e rápido de ser realizado, não invasivo, indolor, não necessita de dilatação das pupilas, utiliza equipamento simples e de baixo custo (oftalmoscópio direto) e pode detectar várias alterações oculares que se manifestam pela opacidade de meio incluindo catarata, retinoblastoma, hemorragias e inflamações intraoculares, além de descolamento de retina ou malformações da retina e nervo óptico como colobomas. O uso de fotografia de fundo de grande angular em crianças saudáveis como forma de triagem de doenças oftalmológicas, chamado de teste do reflexo vermelho ampliado tem sido discutido na literatura médica e meios de comunicação. Neste teste, o recémnascido é submetido a uma fotografia do fundo de olho que avalia o nervo óptico e a retina, incluindo a mácula e periferia. O exame tem alta sensibilidade para detectar doenças retinianas como alterações do nervo óptico, hemorragias retinianas, retinopatia da prematuridade, cicatrizes corioretinianas, entre outras. A alteração de fundo de olho mais comum observada em recém-nascidos é a hemorragia retiniana, presente principalmente em bebês nascidos de parto vaginal com eventual uso de fórceps. No entanto, essas alterações raramente causam problemas visuais em longo prazo, visto que desaparecem espontaneamente em 1-2 semanas. Portanto, há́ na literatura médica um questionamento sobre a validade do uso desta ferramenta de forma indiscriminada em crianças saudáveis, tendo em vista o alto custo em relação ao benefício questionável, já que as alterações mais frequentemente detectadas não necessitam de tratamento específico nem apresentam potencial de cegueira. Por outro lado, é indiscutível a vantagem do uso desta tecnologia em crianças com doenças como retinoblastoma, uveíte posterior e retinopatia da prematuridade. No caso da retinopatia da prematuridade, a fotografia de fundo de grande angular é usada em alguns centros em países como os Estados Unidos para triagem de prematuros que preencham critérios de inclusão bem estabelecidos. Esta doença é uma das principais causas de cegueira na infância e há uma limitação de profissionais capacitados para o seu atendimento em todo o mundo. Desta forma, o uso de imagem permite a realização de telemedicina e possibilita uma abrangência maior no cuidado desta doença. No Brasil, alguns centros têm usado a fotografia de fundo também para avaliação e seguimento de crianças com retinoblastoma e cicatrizes corioretinianas decorrentes do zika vírus e toxoplasmose. A SBOP e a SBP, baseadas nas recomendações da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo (AAPOS) e na literatura médica disponível, considera que o uso de fotografia de fundo de grande angular é uma excelente ferramenta para seguimento de crianças com doenças como retinoblastoma, retinopatia da prematuridade e cicatrizes corioretinianas. No entanto, o diagnóstico de tais doenças é ainda recomendado pela realização do teste do olhinho como triagem e do mapeamento de retina nos casos cujo teste esteja alterado. Nos prematuros em risco de apresentar retinopatia prematuridade (abaixo de 32 semanas de idade gestacional ou com peso ao nascimento menor ou igual a 1500g), a recomendação é de realizar o mapeamento de retina aos 30 dias de vida e depois, sequencialmente, conforme indicado pelo oftalmologista. O Teste do reflexo vermelho (teste do olhinho) deve ser realizado pelo pediatra, conforme a Lei e é uma forma de triagem bem estabelecida, com excelente relação custo- benefício e adequada à realidade do nosso país. Já o uso irrestrito da fotografia de fundo para triagem de crianças saudáveis não deve ser recomendado no momento atual.

Diretoria SBOP 2017-2019 Diretoria SBP 2017-2019 Dr. Galton Vasconcelos Dra Luciana R. Silva

 

Por Caio Melo

 

Referências:

1-Fierson WM, Capone A Jr. American Academy of Pediatrics Section on Ophthalmology. Telemedicine for evaluation of retinopathy of prematurity Pediatrics. 2015;135(1):e238-54.

2-Goval P et al. Outcome of universal newborn eye screening with wide-field digital retinal image acquisition system: a pilot study. Eye (Lond). 2018; 32(1): 50–52.

3-Chee RI, Chan RVP. Universal newborn eye screening: an effective strategy to improve ocular health? Eye (Lond). 2017. Jul 21 (e-pub)

4-Sun M et al. Sensitivity and Specificity of Red Reflex Test in Newborn Eye Screening. J Pediatr. 2016;179:192-196.e4.

5-Teste do reflexo vermelho. Conselho brasileiro de Oftalmologia. http://www.cbo.com.br/novo/medico/pdf/jo/ed134/2.pdf 6-American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus. https://aapos.org/resources/choosing_wisely/ 7- Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância. Ministério da Saúde 2013

Dieta Mediterrânea na Gravidez X Desenvolvimento Infantil Saudável

Dieta Mediterrânea na Gravidez X Desenvolvimento Infantil Saudável

Mulheres grávidas que seguem uma dieta mediterrânea têm menor risco de ter filhos com padrão de crescimento acelerado (alto peso ao nascer e ganho de peso acelerado na infância), o que poderia levar a um maior risco de obesidade mais tarde, de acordo com estudo publicado no Journal of Pediatrics.

A dieta mediterrânea é caracterizada por alto teor de frutas, legumes, azeite e nozes. Este padrão de dieta saudável tem sido associado a menores taxa de obesidade e riscos cardiometabólicos em adultos, mas em poucos estudos o foco eram as crianças.

O estudo em questão foi realizado na Espanha, com dados de mais de 2700 mulheres grávidas de Astúrias, Guipúzcoa, Sabadell e Valência, que fazem parte da coorte INMA-Infância e Meio Ambiente. As mulheres preencheram um questionário sobre a ingestão alimentar nos primeiro e terceiro semestres de gravidez. Além disso, a dieta, peso e altura de seus filhos foram acompanhados desde o nascimento até os 4 anos de idade. Outros exames, como análise sanguínea e pressão arterial, também foram realizados aos 4 anos de idade.

Silvia Fernández, RD, PhD, do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), assinala que “as mães com menor adesão à dieta mediterrânea eram mais jovens, consumiam mais calorias, tinham maior probabilidade de fumar e menor escolaridade em comparação com mulheres que seguiram a dieta”.

“Os embasam a hipótese de que uma dieta saudável durante a gravidez pode ter um efeito benéfico para o desenvolvimento infantil”, conclui o coordenador do estudo, Dora Romaguera, PhD, ISGlobal. Em relação aos mecanismos subjacentes a essa associação, o pesquisador menciona “possíveis modificações epigenéticas que regulam o cardiometabolismo fetal, ou padrões alimentares compartilhados entre mães e filhos, embora isso mereça uma investigação mais aprofundada”.

O estudo não encontrou uma correlação entre a dieta mediterrânea na gravidez e uma redução no risco cardiometabólico na primeira infância, mas os efeitos sobre o risco cardiometabólico se mostram na infância mais tardia, explica o Dr. Fernández.

Fonte:

Barcelona Institute for Global Health

Responda se puder! – Pediatria 1

 

1) (UNESP – 2012) Menino de 12 anos apresenta falta de ar há 3 dias, inchaço em olhos e pernas há 2 dias, diminuição da diurese e cefaleia há 1 dia. A irmã apresentou amigdalite há 10 dias. Exame físico: peso no P75, altura P25-50, FC 122 bpm. FR 40 rpm, PA 200 x 112 mmHg, oximetria 92% em ar ambiente. Palidez cutânea, edema palpebral e em membros inferiores +3/+4. Orofaringe e otoscopia normais. Aparelho respiratório: retração em fúrcula, tiragem intercostal, murmúrio vesicular diminuído em bases, crepitações grossas até 2/3 bilateralmente. Aparelho cardiovascular: bulhas taquicárdicas sem sopros. Abdômen globoso, fígado a 3 cm do RCD e ascite. Neurológico: contatante, reativo. Pode-se afirmar que o diagnóstico e a conduta são:

(A) síndrome nefrítica aguda com complicações; internação em UTI e administração de anti-hipertensivo intravenoso.

(B) síndrome nefrítica aguda; internação em enfermaria e administração de furosemida intravenoso e anti-hipertensivo oral.

(C) síndrome nefrótica idiopática; internação em UTI, administração de furosemida e albumina intravenosos, monitorização contínua e programação de biópsia renal.

(D) síndrome nefrótica idiopática; internação em enfermaria, administração de furosemida e albumina intravenosos, controle de diurese, peso e pressão arterial.

(E) injúria renal aguda; internação em UTI, administração de furosemida intravenoso, monitorização de diurese, realização de diálise na persistência de oligúria.

2) (UNESP – 2012) Considerando que o comportamento hemodinâmico do choque séptico de lactentes é, na maioria das vezes, caracterizado por diminuição do débito cardíaco e aumento da resistência vascular sistêmica, o suporte cardiovascular deve ser iniciado com medicação:

(A) inotrópica por via oral.
(B) vasopressora por via intravenosa.
(C) inotrópica por via intravenosa ou via intraóssea.
(D) vasodilatadora por via intravenosa.
(E) inodilatadora por via venosa periférica.
 

3) (SBP – 2012) O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um dos transtornos invasivos do desenvolvimento e, devido às repercussões na vida da criança e sua família, deve ser diagnosticado o mais precocemente possível, para que as intervenções possam minimizar os sintomas. Entre as condições abaixo, as que fazem o pediatra pensar em TEA são:

(A) hipotonia, convulsões no primeiro ano de vida, prematuridade
(B) diminuição da reciprocidade social, prematuridade, hipotonia
(C) malformações congênitas, prematuridade, atraso de linguagem
(D) atraso de linguagem, prematuridade, convulsões, movimentos corporais estereotipados
(E) atraso de linguagem, diminuição na reciprocidade social e movimentos corporais estereotipados
 

4) (SBP – 2012) Ao examinar um lactente de um ano, observam-se adenomegalias occipitais. O pediatra tranquiliza a mãe e fala que o comprometimento destes linfonodos está associado a:

(A) faringite aguda
(B) erupção dentária
(C) cistos branquiais
(D) dermatite seborreica
(E) processo infl amatório da parótida
 

5) (SBP – 2012) Adolescente feminina, 16 anos, procura serviço médico por ter encontrado dois caroços no seio direito. Relata que notou esses dois “carocinhos” (tipo grão de arroz) há dois ciclos enquanto fazia a palpação preventiva orientada por seu pediatra. Menarca: 13 anos, ciclos regulares. Exame físico: peso e altura nos percentis 50. Presença de duas massas firmes, discretas (2 cm) de consistência elástica e indolores. A conduta inicial indicada é realizar:

(A) mamografia
(B) ultrassonografia
(C) exérese das massas
(D) aspiração com agulhafina
(E) tomografia computadorizada
 

1) Resposta: A
2) Resposta: C

3) Resposta: E. Comentário: o Transtorno do Espectro Autista apresenta comprometimento em três áreas: diminuição de comunicação, incapacidade qualitativa na interacão social e repertório de atividades restritos manifestado por dificuldade de mudança de rotina, movimentos corporais estereotipados.

4) Resposta: D. Os linfonodos occipitais drenam a parte posterior do couro cabeludo e pescoço. O comprometimento destes linfonodos está geralmente associado à pediculose, tinea capitis e dermatite seborreica. Adenomegalias pré-auriculares drenam processos inflamatórios da parótida e cistos branquiais. Adenomegalias submaxilares drenam processos inflamatórios da faringe e herpangina.

5) Resposta: B. A massa sólida mais comum dos seios na adolescência é o fibroadenoma com tamanho médio de 2-3cm, sendo que 10-25% das pacientes apresentam vários nódulos. São circunscritos, móveis, de consistência elástica e não são dolorosos, aumentando no ciclo menstrual. A ultrassonografia é o exame inicial mais indicado, mas caso os nódulos aumentem, deve ser indicada a aspiração com agulha fina e dependendo do resultado, indica-se a excisão.

Dia do Pediatra

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A Pediatria é uma das especialidades que mais trás satisfação pessoal e profissional ao médico, porém também é uma das que mais trás sofrimento, estresse, injustiças, além da baixa remuneração.

O Widoctor parabeniza os pediatras ou futuros pediatras nesse seu dia.

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Ortopedia Pediátrica

Pergunta : Bernardo Guerra ( Universidade Federal de Minas Gerais )

Caro dr. Mario, parabéns pelo site de alto padrão. Sou R3 Ortopedia e tenho interesse na Ortopedia Pediátrica. Gostaria de saber sobre o mercado e possibilidades profissionais e remuneratórias dessa área. grato

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Pediatria ou Gastroenterologia

Pergunta: Livia Gonçalves ( Universidade Federal do Rio de Janeiro )

Caro Dr Mário Novais, estou no 12º período e tenho dúvida entre duas especialidades, das quais gosto muito, a Pediatria e a Gastro. Na pediatria, me sinto mais à vontade com o ambiente de trabalho, acho mais leve, e também sei que não me faltaria emprego. Na Gastro,tenho interesse nos procedimentos, mas sei que alguns deles, como a colonoscopia e a CPRE, só podem ser feitos em ambiente hospitalar, portanto, o espaço de trabalho me parece mais restrito. Na sua opinião é muito difícil entrar nessa área, consegue-se facilmente ser contratada como colonoscopista numa clínica? Teria que trabalhar com plantão de clínica durante muito tempo para complementar a renda? Espero com ansiedade sua resposta, porque se aproxima a época de inscrições para as provas de residência. Muito obrigada.

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