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Lições de carreira das 6 pessoas mais admiradas do mundo em 2019 segundo ranking

Lições de carreira das 6 pessoas mais admiradas do mundo em 2019 segundo ranking

A empresa de pesquisa de mercado YouGov divulga anualmente uma lista com as personalidades mais renomadas do ano e o Na Prática separou lições de carreiras inspiradoras do top 10

No fim de julho, a organização internacional de pesquisa de mercado YouGov divulgou seu ranking anual com as personalidades mais admiradas do mundo. Para chegar ao resultado, 42 mil pessoas de 41 países foram entrevistadas com o questionamento: “Levando em consideração pessoas vivas, qual homem ou mulher você mais admira?”.

O resultado foi o primeiro lugar para a ex-primeira dama norte-americana Michelle Obama, entre as mulheres. Em seguida, respectivamente, aparecem a apresentadora Oprah Winfrey, a atriz e ativista Angelina Jolie, a rainha britânica Elizabeth II e a atriz e ativista Emma Watson.

No ranking masculino, o fundador da Microsoft Bill Gates aparece em primeiro, posição que ocupa desde da primeira edição da pesquisa. Na segunda colocação, aparece o ex-presidente norte-americano Barack Obama, seguido do ator chinês Jackie Chan. Em quarto e quinto lugar, respectivamente, estão o presidente da China Xí Jìnpíng e o empresário e filantropo chinês Jack Ma.

Levando em consideração apenas os votos dos brasileiros, as personalidades mais admiradas mudam um pouco. Entre os homens, estão Barack Obama, Silvio Santos, Sergio Moro, Dalai Lama e Bill Gates. Já entre as mulheres, a admiração vai para Michelle Obama, Angelina Jolie, Fernanda Montenegro, Malala Yousafzai e Ivete Sangalo.

Mas o quê fez com que essas dez pessoas fossem consideradas as mais admiradas do mundo? Uma característica que todos têm em comum é o fato de serem líderes em suas áreas de atuação. Como pessoas de destaque, cada um tem importantes lições de carreira que podem inspirar quem quer se destacar no mercado. Por isso, o Na Prática separou superações e inspirações da trajetória dos seis primeiros colocados. Confira:

O que as 6 pessoas mais admiradas do mundo têm a ensinar sobre carreira

Michelle Obama

Durante a campanha eleitoral de Donald Trump à presidência, em 2016, Michelle Obama fez um discurso criticando o que definiu como “a forma odiosa e repressora” que o candidato falava sobre mulheres.

“Estou aqui, na campanha eleitoral, ouvindo mensagens de ódio sobre mulheres. Isso traz um sentimento de medo e violação que mulheres demais já sentiram quando alguém as agarrou ou assediou. Achávamos que era coisa do passado, mas aqui estamos nós mais uma vez ouvindo o mesmo discurso. E nós mulheres estamos fazendo o que sempre fizemos: tentando sobreviver e fingir que não nos incomoda. Mas quero deixar claro que isso não é normal. Não importa qual seja seu partido, nenhuma mulher merece ser tratada desse jeito. Homens fortes não precisam diminuir mulheres para se sentir poderosos. Se deixarmos Trump vencer, estamos passando a mensagem que esse tipo de comportamento é aceitável. Mas podemos dizer que basta e que esse tipo de atitude não será tolerada. Podemos mostrar às nossas crianças que rejeitamos o medo e o ódio”, discursou. 

A fala de Michelle mostra bem que ela jamais deixou de defender os valores que acreditava e nem teve medo de repreender quem tomava atitudes contrárias ao que ela julgava correto. Contudo, a ex-primeira dama nunca atacou verbalmente a quem se opunha, mas defendia seu ponto de vista de forma não violenta.

Bill Gates

“Sucesso é um péssimo professor. Ele seduz pessoas inteligentes a pensarem que eles não podem perder”, defende o bilionário Bill Gates. E apesar de ser considerado um homem bem-sucedido, Gates já cometeu diversos erros durante sua carreira. Antes de criar a Microsoft, ele investiu em uma empresa fornecedora de dados sobre rodovias a engenheiros de trânsito de municípios. Contudo, o projeto tinha um péssimo modelo de negócios e gerou um prejuízo de US$ 3,4 mil aos sócios.

Durante sua presidência na Microsoft, ele também admitiu ser o culpado pela empresa não se tornar uma potência no setor de smartphones, por uma “falha de administração” de sua parte, o que possivelmente gerou uma perda de US$ 50 milhões à companhia. Contudo, Gates sempre foi capaz de aprender com suas falhas e até virou defensor com a célebre frase: “É bom comemorar o sucesso, mas é mais importante prestar atenção às lições do fracasso”.

Oprah Winfrey

Empresária de sucesso com patrimônio líquido de US$ 3 bilhões, Oprah Winfrey não teve uma vida fácil. Durante a infância pobre, foi abusada sexualmente pelo tio e primos, chegando a fugir de casa aos 13 anos. Aos 14, engravidou mas perdeu o bebê logo após o parto. Depois do trauma, ela deixou a atitude de adolescente problemática (como a própria define) e começou a focar nos estudos. Seu bom rendimento a rendeu uma bolsa de estudos na faculdade, onde cursou comunicação. Depois de se formar criou o talk show The Oprah Winfrey Show que viria a ser um sucesso de audiência e ficar 25 anos no ar.

Somente aos 34 anos, a apresentadora viria a falar sobre o abuso que sofreu na infância durante entrevista. A atitude inspirou outras mulheres a se abrirem e seu programa começou a trabalhar o assunto, com segmentos em que vitimas contavam suas histórias. Oprah demonstrou como não se deixar afetar pelas coisas ruins do passado, transformá-las em algo positivo e como é possível ajudar pessoas que passaram pela mesma situação.

Barack Obama

Chegar a presidência dos Estados Unidos já é um grande feito. Como homem negro, Barack Obama abriu um precedente inexistente no governo norte-americano. Como líder, ele mostrou o poder da comunicação para conquistar a simpatia do público em discursos e declarações assertivos, claros e alinhados com seus valores. Seu poder de oratória é reconhecido mundialmente e inspira grandes líderes.

Tanto na entrada como na saída do governo, Obama inspirou com suas palavras e poder de empatia. Ao assumir a presidência, proferiu a frase “Yes, We Can” (Sim, nós podemos) que se mostrou um símbolo de que as minorias poderiam ter mais voz em sua administração, dirigindo a população a um ideal comum. Ao deixar a posição, continuou com o discurso otimista, que inspirou milhões de seguidores, mantendo-se alinhado aos valores defendidos no começo da carreira como presidente com o “Yes, We Can”.

Angelina Jolie

Ativista humanitária, Angelina Jolie é ótimo exemplo de como usar a popularidade e visibilidade para apoiar causas de impacto social e projetar uma imagem positiva. Durante sua vida, fez diversas missões à zonas de conflito e doações para causas diversas. Sua filantropia a ajudou a reverter a imagem de criança rebelde e com gostos particulares que tinha diante o público. Sua atuação em agências internacionais a ajudou a se tornar uma das personalidades mais influentes do mundo, chegando a ser eleita a celebridade mais poderosa do mundo pela Forbes em 2009.

“Não podemos nos fechar à informação e ignorar o fato de que milhões de pessoas estão sofrendo por aí. Eu honestamente quero ajudar. Eu não acredito que eu sinto diferentemente de outras pessoas. Eu acho que todos nós queremos justiça e igualdade, uma chance para uma vida com significado. Todos nós gostaríamos de acreditar que se estivéssemos em uma situação ruim, alguém nos ajudaria”, discursou quando se tornou embaixadora da agência da ONU para refugiados, em 2001, após testemunhar os efeitos da crise humanitária enquanto gravava o filme Lara Croft. Esse foi o começo de sua vida filantrópica.

Jackie Chan

Um dos maiores astros de filmes de ação e luta, Jackie Chan passou por uma infância conturbada. Sua família era extremamente pobre e tentou vendê-lo a um casal britânico ainda bebê. Quando ainda era pequeno, seus pais fugiram para a Austrália, em busca de melhores condições de vida. Órfão, ele foi viver em um rigoroso internato onde aprendeu arte marciais e acrobacias e começou a se destacar. Aos oito anos, conseguiu um papel em um filme ao lado de Bruce Lee e começou a crescer no cinema, até se tornar um sucesso mundial.

Se não fossem as adversidades na vida do ator, talvez ele não teria descoberto seu talento em lutas e não teria tido a chance de participar de um filme e posteriormente se tornar um astro do cinema. Assim como Oprah, Jackie Chan ressignificou os traumas da infância e conseguiu construir um carreira de sucesso a partir de sua resiliência.

Texto retirado de:

https://www.napratica.org.br/carreira-pessoas-mais-admiradas-do-mundo/

Top 10 especialidades médicas no Brasil

Top 10 especialidades médicas no Brasil

O número de especialistas vem crescendo no Brasil. Do total de médicos em atividade no Brasil, 62,5% têm um ou mais títulos. Esses dados são da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Especialidades médicas no Brasil

No total, quatro especialidades médicas representam 38,4% de todos os títulos do Brasil. São elas: Clínica Médica (11,2% do total), Pediatria (10,3%), Cirurgia Geral (8,9%) e Ginecologia e Obstetrícia (8%). Genética Médica é a especialidade com menos títulos (0,1%); Radioterapia e Cirurgia de Mão também são menos procuradas (0,2% cada).

Veja abaixo o TOP 10 especialidades médicas no Brasil em 2018:

 

Residência médica: como escolher a minha especialização?

Ao término da faculdade, o médico encontra um desafio ainda maior: conseguir a tão sonhada vaga de residência médica. E esse longo caminho, que inclui estudar para as provas, começa com a escolha da especialização. Na maioria das universidades e hospitais, as especialidades médicas se dividem em três grandes áreas:

  1. As especialidades básicas e de acesso direto, como Clínica Médica e Medicina de Família;
  2. As clínicas, como Cardiologia e Endocrinologia, que exigem que o profissional tenha cursado uma especialidade básica previamente;
  3. As cirúrgicas, como Cirurgia Plástica Urologia, que também possuem pré-requisitos para o ingresso de novos residentes.

Algumas instituições, como a USP, também possuem uma quarta área, dedicada às especialidades pediátricas, como Medicina do Adolescente e Neonatologia.

Mais sobre a Demografia Médica 2018

O número de médicos no Brasil atingiu um patamar histórico em janeiro de 2018 com 452.801 médicos (razão de 2,18 médicos por 1.000 habitantes), um crescimento de 665,8% em menos de 50 anos. Apesar disso, a desigualdade na distribuição de profissionais pelas regiões do país e os problemas na assistência ao doente não sofreram redução.

Texto na íntegra:

https://pebmed.com.br/top-10-especialidades-medicas-no-brasil-demografia-medica-2018/

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

 Os avanços dos estudos científicos acerca da curiosidade permitiram que especialistas mapeassem cinco tipos existentes – que se manifestam de formas e intensidade diferentes nas pessoas – assim como as vantagens de cada um deles.

A ciência já comprovou diversas vezes que a curiosidade é um traço que traz uma série de vantagens para quem o tem. Por exemplo:

  • Ela fortalece a inteligência: em um estudo, crianças altamente curiosas, com idades entre três e 11 anos, tiveram resultados maiores em 12 pontos nos testes de inteligência.
  • Ela aumenta a energia: descrever um dia em que a pessoa se sentiu curiosa provou aumentar a energia mental e física 20% a mais do que descrever momentos de profunda felicidade.
  • Ela impulsiona melhor engajamento e desempenho: estudantes de psicologia que se sentiram mais curiosos do que os outros durante o primeiro dia gostaram mais das aulas, tiveram notas finais mais altas e, posteriormente, se matricularam em mais cursos, segundo outra pesquisa.

Esses dados foram apontados por quatro especialistas em psicologia e educação, em artigo na revista Harvard Business Review. Com base nas novas descobertas da ciência, o grupo criou um modelo em que descrevem cinco tipos de curiosidade, que se manifestam de forma (e intensidade) diferente em cada pessoa.

Os 5 tipos de curiosidade

O que desperta sua curiosidade?

#1 Sensibilidade à privação

Sensibilidade à privação é, basicamente, reconhecer uma lacuna de conhecimento. Nessa situação, “preencher” a lacuna, ou adquirir tal compreensão, oferece alívio. E isso motiva a curiosidade. “Esse tipo de curiosidade não necessariamente é traz uma boa sensação, mas as pessoas que o experimentam trabalham incansavelmente para resolver problemas”, destacam os pesquisadores.

#2 Alegria em explorar

Aqui a curiosidade se manifesta impulsionada pela admiração aos aspectos “fascinantes” do mundo. Para quem o vivencia, esse é um estado prazeroso.

#3 Curiosidade social

Curiosidade social é falar, ouvir e observar os outros para aprender o que eles estão pensando e fazendo. “Os seres humanos são animais inerentemente sociais, e a maneira mais eficaz e eficiente de determinar se alguém é amigo ou inimigo é obter informações.”

#4 Tolerância a estresse

Pessoas que aceitam facilmente e até aproveitam a ansiedade associada à novidade. As pessoas que não têm essa habilidade vêem as lacunas de informação, experimentam maravilhas e se interessam por complementar o conhecimento, mas dificilmente avançam e exploram mais.

#5 Procurar emoção

A quinta forma de curiosidade se baseia na disposição a assumir riscos físicos, sociais e financeiros para adquirir experiências variadas, complexas e intensas. Pessoas com essa capacidade buscam ampliar a ansiedade associada às novidades, e não reduzir.

Benefícios dos diferentes tipos de curiosidade

Para entender as vantagens de cada um dos tipos de manifestação da curiosidade, o grupo de estudiosos conduziu uma série de pesquisas nos Estados Unidos. O objetivo era descobrir qual dimensão oferece os melhores resultados e gera certos benefícios em particular.

“Alegria em explorar”, por exemplo, mostrou ter o link mais forte com a experiência intensa de emoções positivas. Nos estudos, a “tolerância ao estresse” é a dimensão com mais relação a satisfazer as necessidades de se sentir competente e autônomo. A “curiosidade social”, por sua vez, está conectada à generosidade, gentileza e modéstia.

Em outros estudos, com foco em outras localidades, o grupo descobriu indícios de que os quatro tipos de curiosidade melhoram o resultado do trabalho. “Curiosidade social” e “tolerância ao estresse” se mostraram ser os mais importantes:

“Sem a capacidade de tolerar o estresse, é menos provável que os funcionários busquem desafios e recursos, expressem discordância e tenham tendência a se sentir mais enfraquecidos e a se desvincular. E funcionários socialmente curiosos são melhores que outros na resolução de conflitos com colegas, mais propensos a receber apoio social e mais eficientes na construção de conexões, confiança e comprometimento em suas equipes”, afirmam os especialistas. “Pessoas ou grupos altos em ambas as dimensões são mais inovadores e criativos.”

Texto retirado de:

Existem 5 tipos de curiosidade – qual você tem?

Conselho de um paciente

Conselho de um paciente
Este pode ser um dia normal no trabalho para você, mas é um grande dia na minha vida.
O olhar no seu rosto e o tom da sua voz podem mudar toda a minha visão do mundo.
Lembre-se, geralmente não sou tão carente ou assustado.
Eu estou aqui porque confio em você, me ajude a ficar confiante.
Pode parecer que estou distraído, mas posso ouvir suas conversas.
Eu não estou acostumado a ficar nu perto de estranhos, não se esqueça disso.
Eu estou impaciente porque quero sair daqui, nada pessoal.
Eu não falo muito bem a sua língua. Você vai fazer o que para o meu que?
Eu posso ficar aqui só por quatro dias, mas vou lembrar de você o resto da minha vida.

Os seus pacientes precisam da sua paciência.

O dilema da medicina genética: intervenções esbarram em limites éticos

O dilema da medicina genética: intervenções esbarram em limites éticos

São Paulo — Fazer ou não fazer? Contar ou não contar? A medicina genética lida diariamente com os dilemas em relação aos testes e aplicações em genes de pacientes, que em algum momento esbarram nos limites éticos. A questão foi abordada durante o EXAME Fórum Saúde, que aconteceu na manhã do dia 12 de junho em São Paulo.

Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo, apresentou um panorama de como as alterações e testes genéticos entraram na pauta da sociedade, após o caso do cientista chinês que editou o gene de duas bebês para deixá-las imunes ao HIV.

“Eu defendo que façamos pesquisas em embriões, mas que não serão implantados para desenvolvimento, já que é melhor aprender a corrigir um defeito do que descartá-lo. Mas, enquanto não tivermos total certeza de que essas alterações não acarretarão outros problemas de saúde no futuro, não devemos modificar os genes”, afirma.

Para a especialista, esse é o principal limite para as alterações. Já em relação aos testes genéticos, eles devem ser feitos. Mas há duas questões a ser respondidas: o que se deve contar ou não das descobertas para os pacientes e para onde vão os dados coletados.

No primeiro alerta, Zatz cita situações em que o teste genético revela equívoco de paternidade. “Como fazemos quando descobrimos que o pai não é o pai biológico? Na maioria das vezes, precisamos chamar a mãe, mas o dilema está aqui”, conta.

Já em relação ao segundo dilema, a proteção de dados e a segurança jurídica são discussões constantes e nem sempre trazem respostas satisfatórias. “A evolução da ciência não pode se sobrepor aos nossos direitos de dados”.

Futuro das pesquisas genéticas

A cientista afirma que as pesquisas genéticas serão cada vez mais comuns em todo o mundo, mas, para que o Brasil não perca sua evolução, será necessário aumentar o financiamento.

“Recentemente tivemos um corte enorme nos investimentos das pesquisas genéticas e há uma série de profissionais competentes para isso. Mas nos últimos meses eles têm buscado oportunidades fora do país. Sem investimento na ciência, não vamos evoluir”, afirmou.

Zatz sugere que as políticas públicas comecem a ser pensadas para inserir a população no investimento em ciência, com incentivos ficais não só para empresas, mas para pessoas físicas também.

“Nos Estados Unidos há esse incentivo e aqui também precisamos começar a elaborar. Quem teve um parente que viveu com Alzheimer, por exemplo, com certeza, se tiver condições financeiras, irá pagar para descobrirmos mais sobre a doença”, conclui.

Fonte:

https://exame.abril.com.br/tecnologia/o-dilema-da-medicina-genetica-intervencoes-esbarram-em-limites-eticos/

A Medicina não é uma profissão, mas um ofício

A Medicina não é uma profissão, mas um ofício

Tal qual um carpinteiro, o médico exerce um ofício
Não dá para aprender a ser médico nas frases de um livro

Alguém pegou no ombro do jovem artesão
Ensinou o passo a passo, sussurrou com coração
Mostrou como empunhar o martelo, como escolher a madeira,
Mostrou como se faz uma bela cadeira

O advogado leu e decorou as leis
O físico calculou órbita do planeta seis
Construir e edificar tal qual a engenharia
Havia um livro a ensinar toda essa bruxaria

Mas o jovem carpinteiro, que leva a vida moldando um Pinheiro
Exerce um ofício passado de corpo inteiro
Não adianta dizer onde bater o prego ou quão macio será o assento,
Vai lá, aprende, erra, tenta, com empenho

Pois bem, o médico tal qual o carpinteiro
Exerce um ofício, ama, chora, sente o cheiro
Algum grande mestre o ensinou a colher uma história
Disse onde estavam as pedras no caminho da glória

Se fulano sente isso, pergunte sobre aquilo
Se lhe responder isto, complemente, seja preciso
Ouça o que ele quer te dizer
Ouça o que ele não quer te contar
Por fim escute o que ele jamais poderia abordar

Ponha a mão no ombro do doente
Toque, sinta o que ele sente
Ausculte seu coração, peça que respire fundo
aí vem o pulmão
Se mova de um lado para o outro,
Erre e ouça: assim é melhor, não acha meu garoto?

A ti chegarão os mais vulneráveis
Nos piores momentos de suas vidas
Seja paciente e mesmo que não suporte o ambiente
É seu dever, dentro do ofício, lidar com gente

Gente educada, gente bonita
Gente estressada querendo uma boa briga
Gente grata, gente triste, gente sem nada
Que só precisa de uma boa conversada

Você será pai, irmão, neto de alguém
Pois bem,
olhe para aquela pessoa como amor de outrem

William Osler já nos dizia, há muito tempo
Ver pacientes sem ler livros é como navegar ao relento
Mas ler livros sem ver pacientes é a mesma coisa que nunca ter sentido o vento

Vejamos a medicina com paixão
Como me ensinou um certo Tavarão
“Nunca perca o brilho no olhar”
Espero que ele permaneça até minha alma evaporar
Compartilhe dessa arte com grandes amigos
Aqueles que são verdadeiros amantes dos nossos ofícios

Pois tal qual um carpinteiro, o médico não exerce uma profissão, o médico exerce um ofício 24 horas, o dia inteiro.

Disponível em:

https://academiamedica.com.br/blog/a-medicina-nao-e-uma-profissao-mas-um-oficio

Inteligência não é o fator mais importante para atingir o sucesso. Entenda por quê!

Inteligência não é o fator mais importante para atingir o sucesso. Entenda por quê!

Autora de um bestseller sobre o assunto, a psicóloga Angela Lee Duckworth ganhou milhões de adeptos com sua TED Talk e afirma que talento e inteligência não são os únicos indicadores de sucesso; “Garra é ter resistência”, falou

Em maio de 2013, Angela Lee Duckworth apresentou sua teoria sobre o sucesso em uma TED Talk. Ela levou apenas seis minutos para explicar por que a garra (ou grit, em inglês) era fundamental.

Quatro anos, um bestseller e uma bolsa de estudos da Fundação McArthur (conhecida como o “prêmio dos gênios”) depois, a ideia continua ganhando adeptos pelo mundo.

Basicamente, garra é a habilidade pessoal de escolher um objetivo de longo prazo e não abandoná-lo, apesar dos obstáculos e dificuldades que inevitavelmente surgirão no caminho.

Isso exige uma mistura intensa de paixão e perseverança. Mas será que essas características podem ser desenvolvidas?

A faísca da pesquisa veio quando a acadêmica tinha 27 anos e começou a ensinar matemática para crianças no sétimo ano. Analisando suas notas, ela percebeu uma relação inusitada entre os melhores desempenhos e inteligência: não eram necessariamente os mais inteligentes ou talentosos que iam bem, e sim os mais determinados.

“Eu tinha plena certeza de que cada um dos meus alunos era capaz de aprender o conteúdo caso se dedicasse tanto quanto necessário”, contou.

A ideia ganhou forma durante seu mestrado em Psicologia na University of Pennsylvania, onde ela é professora atualmente. Foi lá que Duckworth desenvolveu a “escala de grit”, que previa o sucesso de alunos em uma instituição militar ou uma competição de soletração, por exemplo, ambos cenários bastante desafiadores.

“Minha pergunta era: ‘Quem aqui é bem sucedido e por quê?’”, lembra. “Em diferentes contextos, uma característica se destacou como um indicador significativo de sucesso – e não foi a inteligência social, a boa aparência, a saúde física ou o Q.I. Foi a garra.”

Garra e growth mindset

Para começar, é preciso ser realista. A psicóloga diz que é impossível obrigar-se a se interessar por algo que você não se interessa, mas ao ativamente buscar e aprofundar seus interesses, é possível criar garra para se aprimorar naqueles assuntos.

Essa garra, assim como um sentimento de esperança ou resiliência, vai mantê-lo no caminho mesmo quando surgirem inevitáveis contratempos.

Um dos jeitos que Duckworth oferece para desenvolvê-la na prática é saber mais sobre a mentalidade de crescimento, ou growth mindset.

Desenvolvido por Carol Dweck, uma professora da Stanford University, esse conceito afirma que, ao aprender como o cérebro humano funciona e responde a desafios, o indivíduo tem uma probabilidade maior de perseverar depois de um fracasso porque entende que aquilo não é uma falha pessoal ou permanente.

“Em um estudo, ensinamos às crianças que todas as vezes que elas se forçam a sair de sua zona de conforto para aprender algo novo e difícil, os neurônios em seus cérebros conseguem formar conexões novas e mais fortes, e com o tempo, elas podem ficar mais espertas”, explicou Dueck.

“Estudantes que não aprenderam a cultivar essa mentalidade continuaram a apresentar notas cada vez mais baixas, mas aqueles que aprenderam essa lição deram um grande salto.”

Quando o significado de esforço e dificuldade é transformado, como é o caso da mentalidade de crescimento, as dificuldades servem como estímulos – e fortalecem o sentimento de garra.

Garra, no fim, é saber manter-se resiliente apesar dos obstáculos, sejam eles externos ou internos. “É viver a vida como se fosse uma maratona, não uma simples corrida”, resume Duckworth. Sem isso, objetivos ambiciosos e de longo prazo simplesmente não serão atingidos, pois a pessoa não saberá se manter firme ao persegui-los.

Vídeo disponível em:

 

Fonte:

Na Prática

 

A busca pela excelência

A busca pela excelência

V – Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.

Há um princípio (aprimorar-se) prescrito por meio de uma atitude (melhor uso do progresso científico) em prol de uma causa (benefício do paciente).

A atualização constante é obrigação do profissional, cabendo a ele comprovar sua constante busca por conhecimentos caso seja questionado.[1] O Conselho Federal de Medicina alerta que:

O artigo 5º do CEM configura um dever do médico, qual seja aprimorar seus conhecimentos em benefício do paciente; exorta-o a estudar e instruir-se para servir melhor ao beneficiário. Configura um dever e constitui uma recomendação ao profissional para que busque renovar e aprimorar técnicas ou conhecimentos, quer seja mediante curso, congresso, simpósio ou leitura de livros e periódicos.[2]

Deixar de atualizar-se é negligência, que pode levar ao erro por imperícia.[3]

A caracterização desse erro necessita, além da demonstração do dano e do nexo causal, a demonstração de que uma conduta contrária às regras vigentes adotadas pela prudência e pelos cuidados habituais foi realizada, assim como é necessário demonstrar que o dano causado seria evitado caso outro profissional atuasse nas mesmas condições e circunstâncias.[4]

Há meios oficiais de comprovação da atualização, como o credenciamento de pontos a serem acreditados pelas associações de especialidades junto ao Conselho Federal de Medicina e à Associação Médica Brasileira. Outros modelos consistiriam, por exemplo, em provas periódicas.

A importância de adquirir uma boa formação com sólidas bases de conhecimento para prosseguir avançando ao longo da vida é uma antiga lição.

II. Aqueles treinados na arte médica por longo tempo têm seus meios à disposição, e descobriram tanto um princípio quanto um método, por meio dos quais as descobertas feitas ao longo de muito tempo são muitas e excelentes. E novas descobertas serão feitas se o inquiridor for competente, se conduzir suas pesquisas sobre o conhecimento já adquirido, tomando-os como ponto de partida. Mas qualquer um que deseja inquirir de forma alternativa ou seguindo outra orientação, deixando de lado e rejeitando tais meios, e afirma que encontrou algo, é e foi vítima do engano. Sua afirmação é impossível; e as causas dessa impossibilidade eu me esforçarei para expor por uma declaração e exposição do que a Arte é.[5]

O médico escuta desde novo que medicina não é e nem será fácil. É necessária uma boa inclinação à vida intelectual.

XVI. Considero uma importante parte da medicina a capacidade de estudar corretamente o que foi escrito. Penso que aquele que aprendeu e usa tais habilidades não cometerá grandes erros ao exercer a arte. Aprender de forma precisa cada compleição das estações assim como a doença, qual o elemento comum na compleição ou na doença que é bom, qual elemento é mau, qual doença é crônica e fatal, qual é crônica e pode terminar em remissão, qual doença aguda é fatal e qual acaba em remissão são coisas necessárias. Com esse conhecimento é fácil examinar o padrão nos momentos críticos e, deles, prognosticar. Quem tem conhecimento disso tudo pode saber quem deve ser tratado, assim como o tempo e o método para o tratamento.[6]

Muitas vezes algum médico poderá ficar tentado a delegar sua responsabilidade – elemento intransferível de seus atos – com a desculpa de que alguma situação é muito complexa e que o seu estudo não foi adequado. Tal desculpa não é uma possibilidade, e não cabe ao paciente arcar com a consequência da falta de estudos de determinado médico. O paciente, muito justamente, espera o que há de melhor, incluindo um médico bom, preocupado, atualizado, inteligente e habilidoso

Texto na íntegra:

https://academiamedica.com.br/blog/a-busca-pela-excelencia

Humildade no Ato Médico

Humildade no Ato Médico

Repost de outubro de 2018

O dicionário da língua portuguesa define humildade como sendo a “qualidade de quem age com simplicidade, característica de pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba”. Dessa forma, a humildade é um sentimento extremamente relevante para o médico, que o faz reconhecer suas próprias limitações, com modéstia e ausência de orgulho. Mas a questão é: qual motivo faz com que essa característica seja extremamente importante para se ter uma carreira médica bem sucedida? Podemos elencar, na verdade, três vertentes principais que podem ser abordadas quando se fala de tal traço: impactos para os pacientes, para a equipe de trabalho e para a carreira.

O mais importante aforismo de Hipócrates postula “primeiro, não causar dano”. Para isso, o médico deve ter em mente que possui restrições na atuação, humildade ao lidar com os pacientes. Sua prepotência pode causar inúmeros danos à saúde daqueles que se submeteram a seus cuidados. O bom médico deve estar sempre disposto a mudar de acordo com o que for melhor para o paciente, seja quando se trata de técnicas cirúrgicas, seja para delineamento de condutas terapêuticas e atualização do conhecimento cientifico que, principalmente na área da saúde, tende a acontecer de maneira cada vez mais veloz. Além disso, o sentimento em questão traz o médico a uma realidade de horizontalidade, onde o paciente está exatamente em seu nível, não inferiorizado pela situação de vulnerabilidade por suas debilidades físicas enquanto o médico, em posição superior, detém o conhecimento para lidar com a doença. Essa situação tende a produzir um atendimento mais humano, atento, enxergando o paciente sob várias perspectivas que não somente a de um “organismo doente que necessita de reparo”.

A humildade também é extremamente necessária quando se trata da convivência do médico com os outros profissionais. Segundo o filósofo chinês Confúcio, “a humildade é a única base sólida para todas as virtudes”. Quando se trata de relacionamento médico com sua equipe, virtudes estão fortemente relacionadas à boa convivência e, portanto, com produtividade e eficiência, o que se prova verdade num mundo progressivamente mais conectado em que a multidisciplinaridade é grandemente difundida e praticada. Nesse sentido, nenhum médico é detentor da verdade absoluta e do conhecimento pleno, sendo profícuos a discussão de casos com os colegas, a troca de opiniões e o pedido de ajuda quando o benefício do paciente o requer. Colocar a vaidade profissional acima da atenção ao paciente causa deformação no bom agir médico. É preciso estar disposto a retificar a opinião, uma atitude que não supõe nenhum demérito, mas sim a procura humilde, com consciência de missão, do bem estar do paciente.

Quando se busca uma carreira bem sucedida, a humildade vem, novamente, ocupando lugar de grande importância para a construção de um profissional de excelência. Pelas palavras de Mario Sergio Cortella, “a humildade é a habilidade de reconhecer que ainda há o que aprender, que não se atingiu o ponto máximo de crescimento”. Nesse caso, o médico que deseja fazer crescer e prosperar a carreira não pode portar a impressão de que já obteve todo o conhecimento e que já realizou todas as ações possíveis para alcançar seus objetivos, mas ter a sensibilidade de perceber que há sempre algo inédito para buscar, inovações que o diferenciarão de outros profissionais e o tornarão acima das expectativas do mercado.

De Hipócrates e Confúcio a Mario Sergio Cortella, a visão de que a humildade é extremamente eficaz na construção de um profissional/cidadão brilhante é convergente. Assim, o médico, que desfruta de grande status social pelo simples fato de ser médico, deve cuidar para que a arrogância, a prepotência e a soberba não ofusquem sua missão ao cuidar dos pacientes, ao lidar com os parceiros de equipe e ao planejar e construir sua carreira.

Referências:

https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/viriato-moura/exercicio-da-medicina-humildade-e-preciso

https://www.prospectivedoctor.com/humility-role-medicine/

https://www.dicio.com.br/humildade/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0738081X12002659

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2917943/

A intensa vida do jovem presidente da Dasa

A intensa vida do jovem presidente da Dasa

Pedro de Godoy Bueno, herdeiro e presidente do Grupo Dasa.

Tudo acontece muito rápido – e muito cedo – na vida de Pedro de Godoy Bueno.

Aos 15 anos, iniciou um “duelo” com o pai, que queria mantê-lo como estagiário na empresa da família (o plano de saúde Amil). Pedro sonhava respirar novos ares, de preferência no exterior.

Aos 16, entrou no curso de economia da PUC-Rio.

Aos 20, participou do programa de trainees do banco BTG Pactual (marcando sua vitória no duelo citado no primeiro parágrafo). “Foi uma experiência sensacional”, diz. “Trabalhava das 8h da manhã até meia-noite, 2h da madrugada. Morava com meu pai e nem o via.”

Aos 22, retornou para a Amil. No mesmo ano, ela foi vendida para a gigante norte-americana UnitedHealth, e Pedro aproveitou o momento de vacas gordas no caixa para montar uma gestora de investimentos, a DNA. “Começamos a fazer uma série de investimentos – entre eles a Dasa.”

No segundo semestre de 2014, foi convidado para assumir a presidência do grupo de laboratórios, então avaliado em R$ 3 bilhões. Em janeiro de 2015, assumiu o cargo – aos 24 anos de idade, foi considerado o CEO mais jovem de uma empresa de capital aberto do Brasil.

Por sua pouca idade, seu estilo low profile (o oposto do pai) e sua “cara de criança”, a nomeação gerou protestos de sócios minoritários e desconfiança de colaboradores mais antigos. Mas Pedro contava com o respaldo do pai, Edson de Godoy Bueno, e de Dulce Pugliese (ex-mulher e sócia de Edson), que haviam assumido o controle acionário da Dasa. “Muita gente acha que foi meu pai que me indicou. Não foi. Foi um de nossos conselheiros independentes. Meu pai era até contra, achava que era cedo para um desafio tão grande, que eu podia me queimar na largada.”

Em fevereiro de 2017, Edson sofreu um infarto durante uma partida de tênis em sua casa, em Búzios. A morte repentina (mas não exatamente inesperada – ele já tinha oito stents) do pai e mentor fez os olhares novamente se voltarem para o jovem Pedro. Mais preocupado em gerar resultados do que em conversas de corredor, no entanto, o jovem executivo concentrou sua energia em expandir a rede de laboratórios, recuperar os níveis de qualidade das instalações e do atendimento e aumentar a rentabilidade do negócio – uma equação difícil até para os mais experientes gestores.

Em março de 2017, ele foi um dos destaques da FORBES Under 30, lista que elenca os jovens brasileiros mais relevantes em seus segmentos. Em agosto de 2018, aos 27 anos, ele se tornou o brasileiro mais jovem a figurar na lista de bilionários da FORBES, com patrimônio de R$ 2,7 bilhões (na 84ª posição; em anos anteriores, Edson aparecia entre os 20 mais ricos do país). O herdeiro não perdeu o foco nem deslumbrou-se: continuou perseguindo a meta de expandir e melhorar a qualidade e a saúde do negócio.

No quesito expansão, a rede superou 750 unidades. No quesito qualidade, basta entrar em uma das novas unidades do Alta Excelência Diagnóstica em São Paulo e no Rio de Janeiro para sair de lá impressionado. Quanto às finanças, depois do ano de estreia apertado (receita de R$ 2,79 bilhões contra despesa de R$ 2,77 bi), a curva foi pendendo a seu favor: 2017 fechou com faturamento de R$ 3,4 bilhões e lucro de R$ 134 milhões, e só o primeiro semestre de 2018 já rendeu um lucro de R$ 128 milhões.

Em outubro de 2018, uma notícia causou alvoroço e dúvida no setor: a Dasa anunciou uma reorganização interna, criando o cargo de diretor-geral – a ser ocupado pelo CFO Carlos de Barros, que será responsável por conduzir o dia a dia da operação – e alterando as atribuições do presidente, que passará a se dedicar a questões estratégicas, como expansão internacional, novos projetos, aquisições, parcerias e transformação digital.

Seria um sinal de perda de poder? Nem um pouco. “Continuo como presidente. O diretor-geral ficará abaixo de mim”, declarou Pedro. Sua família, afinal, já detém 98% da empresa. Sob o guarda-chuva da Dasa estão marcas como o Alta (para o público de alta renda), Delboni Auriemo, Lavoisier, Previlab e dezenas de outros laboratórios, que realizam 250 milhões de exames anuais e empregam quase 20 mil pessoas (2 mil delas, médicos). A família tem participação em outros negócios – incluindo na UnitedHealth, que comprou 90% da Amil em 2012 por R$ 10 bilhões.

“Fiz tudo muito jovem”, concorda Pedro, hoje com 28 anos. “Minha intenção era estudar fora aos 15 anos, mas meu pai já estava com problemas cardíacos e a gente achou melhor eu ficar no Brasil, perto dele, aprendendo e interagindo com ele. Concordei. E comecei a estagiar na Amil. Tínhamos feito um IPO em 2007 e eu era estagiário da área de relações com os investidores. Então tive oportunidade desde muito cedo de participar de reuniões de diretoria, onde se discutiam estratégias, fusões, aquisições”, lembra o executivo. “Nesse ponto, foi bom. Mas, por outro lado, trabalhar na empresa da família te deixa dentro de uma bolha: ninguém te dá bronca, ninguém te enfrenta… Seu desenvolvimento profissional fica prejudicado. Por isso eu queria sair. Demorei seis meses para convencer meu pai, ele não queria deixar de jeito nenhum. Até que, um dia, apelei para a chantagem: ‘OK, eu fico, mas todo dia, saindo da faculdade, vou direto à praia’. Ele achou melhor eu trabalhar em outro lugar.” Era o início dos dois anos intensos no BTG.

Mas por que trabalhar tanto assim “para os outros”? Perfeccionismo e orgulho explicam: ele achava os colegas “brilhantes” e não queria ficar para trás. Para se destacar, trabalhava em dobro.

SEGREDOS DO SUCESSO

Apesar de toda a precocidade, os sustos e percalços pelo caminho, o estilo do jovem executivo tem dado resultados. “Hoje temos inúmeros indicadores para mostrar que a gestão tem sido um sucesso. Ajudou muito o fato de eu ter entrado nisso com muita humildade. Tem muita gente jovem que, por não saber tudo nem ter experiência, sente necessidade de aparentar o contrário”, diz ele.

“Eu queria entender, perguntava muito, tive a sorte e talvez a competência de sempre me cercar das pessoas certas.” Para isso, não faltou coragem para fazer uma mudança radical logo no primeiro ano sob seu “reinado”. “Mudamos 80% da diretoria. Tenho esse mérito, o de ter escolhido as pessoas certas, todas com muita experiência e competência em
vários setores. Estávamos perdendo share para os concorrentes, alguns médicos tinham resistência em relação às nossas marcas, os números estavam em declínio. Era uma empresa que estava muito aquém de seu potencial”, lembra.

Aumentar a qualidade e a eficiência ao mesmo tempo foi um grande desafio. “Tivemos que mudar alguns conceitos internamente. Eficiência, por exemplo, não significa um corte de custos desenfreado. É você diminuir custos em coisas que não agregam ao paciente, ao médico, e direcionar os recursos para onde de fato eles fazem diferença. Um exemplo bobo: cortamos as copeiras da diretoria e contratamos mais recepcionistas nas unidades que tinham filas maiores.” Graças a essa e outras ações do tipo, o NPS (net promoter score, índice de satisfação e lealdade dos clientes), segundo ele, passou de 55 para 74.

O faturamento previsto para 2018 é de R$ 4,6 bilhões. Nada mau para quem ainda nem chegou aos 30. Mas acomodação não faz parte do vocabulário de Pedro Bueno. Ainda este ano, ele pretende concluir o processo de unificação dos sistemas das várias unidades do grupo e começar a lançar “inovações cada vez mais radicais”, contando para isso com a proximidade de startups de saúde – são parceiros do Cubo, o hub de inovação do Itaú. Outra grande aposta é a empresa de genética diagnóstica GeneOne. “Os tratamentos e principalmente a prevenção de doenças com base em informações genéticas são o futuro da medicina. Será possível determinar de forma muito mais assertiva o melhor remédio e o melhor tratamento para cada paciente, com resultados mais rápidos e mais qualidade de vida. Vai acabar esse negócio de tentativa e erro.”

Hoje ele não trabalha das 8h às 2h como na época do BTG, mas acorda às 6h30 (“tento dormir 7 horas por noite para não perder produtividade”), faz academia cinco vezes por semana, come regradamente e leva uma vida sem ostentação nem badalação, quase que totalmente focada no trabalho.

Diante de tanto entusiasmo e dedicação, volto à questão da chantagem que ele fez com o pai, aos 15 anos de idade, dizendo que viraria um “rato de praia”. “Você ia mesmo ficar o dia inteiro sem fazer nada na praia?”, pergunto. “Que nada. Foi um blefe.”

Fonte:

Forbes Brasil