Evolução dos Médicos no Brasil

Evolução dos Médicos no Brasil

Vivemos uma constante alteração no padrão de distribuição dos médicos e nos números proporcionais entre os profissionais e a população ao longo de todo o território brasileiro. Nesse contexto, nesse texto abordaremos brevemente a questão da demografia médica no Brasil.

Em janeiro de 2018 o Brasil apresentava 452.801 médicos – número correspondente à razão de 2,18 médicos por mil habitantes. Pelo motivo de alguns profissionais possuírem registro em mais de um Conselho Regional ao longo do país, na mesma data, o número de registros de médicos nos Conselhos Regionais de Medicina chegava a 491.468 – sendo a diferença de 38.667 entre os números de médicos e o de registros.

Note que, como o estudo foi realizado ao longo de 2017, alguns dados referiram-se ao quantitativo de médicos disponível no momento da análise. Mostram, portanto, a evolução do número de médicos e da população desde 1920, com intervalos de uma década.

Abaixo, na tabela apontada, no período de 1920 a 2017 o total de registros de médicos no País saltou de 14.031 para 451.777, crescimento de 2.219,8%, ou 32,2 vezes o número inicial de médicos. Nesse período, a população passou de 30.635.605 para 207.660.929 habitantes, aumento de 577,8%, ou 6,8 vezes a população inicial. Quando se compara um crescimento com o outro, vê-se que nesse período de 97 anos o número de médicos cresceu 3,7 vezes mais que o da população.

Verifica-se – em todos os quinquênios – que a proporção de crescimento do número de médicos é no mínimo duas vezes a da população. O ano de 2015, por exemplo, indica a taxa de crescimento de 15,1% dos médicos enquanto a da população de 5,4% em relação a 2010. A diferença nas taxas de crescimento – figura abaixo – leva a um aumento constante na razão médico/habitante.

Conclui-se, portanto, que o ritmo mais lento de crescimento da população geral está relacionado a alterações significativas nos níveis e padrões dos eventos vitais de fecundidade e mortalidade. Em contrapartida, o ritmo mais acelerado do aumento da população de médicos ocorre em períodos seguintes à abertura de novos cursos de Medicina e autorização de mais vagas de graduação sem o devido controle da qualidade dos mesmos – assunto a ser abordado em outra discussão.

Além disso, deve-se atentar para a questão de entrada e de saída de médicos do mercado de trabalho. O crescimento constante no número de médicos se deve à diferença a cada ano entre as entradas de recém-formados e as saídas, por morte, aposentadoria, invalidez, cancelamento ou cassação do registro. A entrada de número expressivo de médicos no mercado de trabalho muito devido ao intenso processo de expansão de cursos de Medicina no Brasil – extremamente maior do que a quantidade de médicos em idade de aposentadoria – somada à característica de longevidade profissional (muitos médicos mantêm-se ativos mesmo em idade avançada) proporcionou grande aumento do contingente de médicos em atividade no contexto da saúde brasileira.

No período entre 2000 e 2016, 220.993 novos médicos registraram-se nos CRMs, enquanto 23.124 cancelaram seu registro, seja por aposentadoria, morte ou outras razões. O saldo, nesse período de 16 anos, foi de 197.869. Considera-se, ainda, uma expectativa de aumento dos números apresentados pelo fato de algumas novas escolas médicas não terem concluído a formação de suas primeiras turmas – fato que provocará maior inserção de novos profissionais nos próximos anos.

Diante de todo o histórico apresentado, pode-se concluir que, dos 414.831 médicos em atividade em 2017, 53,3% – mais da metade deles – entraram no mercado de trabalho depois do ano 2000. A figura acima demonstra as entradas e saídas de médicos entre 2000 e 2016, destacando a evolução do saldo em cada ano. O intervalo entre as linhas indicativas da entrada e saída de médicos – verde e azul respectivamente – representa o quantitativo de profissionais acrescido ao total de médicos em atividade.

Fonte: SCHEFFER, M. et al. Demografia Médica no Brasil 2018. São Paulo, SP: FMUSP, CFM, Cremesp, 2018.

Código de Ética do estudante de Medicina

Código de Ética do estudante de Medicina

Na terça-feira – dia 14 de agosto de 2018 – durante a III Conferência Nacional de Ética Médica, realizada em Brasília (DF) –  foi lançado o Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM). O documento foi produzido baseado em experiências de códigos semelhantes editados em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. No Brasil alguns conselhos regionais já haviam tomado iniciativa de redigir texto com o mesmo objetivo, mas com abrangência somente local.

O CEEM apresenta 45 artigos organizados em seis diferentes eixos destacando-se tópicos sobre atitudes, práticas e princípios morais e éticos. Contou com a participação de representantes institucionais, médicos, estudantes, academias e outras entidades da sociedade civil. O intuito do documento é orientar não somente aos alunos, mas também para os professores e responsáveis pelas instituições de ensino, encarregados da formação do profissional.

Segundo o coordenador da comissão elaboradora do CEEM Carlos Vital, o CFM e as entidades estudantis vinculadas ao ensino tinham a missão de divulgar o conhecimento nessa área dos princípios universais aos alunos – mais precisamente a honestidade, responsabilidade, competência e ética.

A previsão é de que a partir de setembro o novo Código de Ética do Estudante de Medicina seja encaminhado para as mais de 320 escolas em atividade em todo o País. Será disponibilizado no site do CFM e também distribuído em versão impressa.

O respeito e o sigilo foram outras questões destacadas nos textos descritos no CEEM. Foi reforçado que o aluno deve se posicionar contra qualquer tipo de prática ou trote com violência física, psíquica, sexual que ofereça danos moral e patrimonial.

O acesso restrito às informações de pacientes prezando pelo direito à privacidade e confidencialidade também foi abordada com destaque no documento. O estudante de medicina, de acordo com o CEEM, deve manusear e manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, papeletas, exames e demais folhas de observações médicas.

Além desses tópicos, quatro artigos foram dedicados a relação dos estudantes com os demais profissionais de saúde. Segundo o CEEM, os acadêmicos devem se relacionar com os integrantes das equipes de maneira adequada e gentil, respeitando a atuação de cada um no atendimento multiprofissional ao paciente.

O manejo dos cadáveres, por sua vez, foi outra situação abordada pelo documento. Segundo relatado nos textos, o aluno deve agir respeitosamente no manuseio do cadáver, no todo ou em parte, incluindo qualquer peça anatômica, assim como modelos anatômicos utilizados com finalidade de aprendizado.

O trabalho conjunto foi decisivo na realização do Código de Ética do Estudante de Medicina. Desde sua criação em fevereiro de 2016, além dos conselheiros do CFM, integraram a comissão elaboradora representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), da Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas em Medicina (ABLAM), além da seccional do International Federation of Medical Students Association (IFMSA-Brazil).

A função do Código é, portanto, se tornar um instrumento pedagógico para estimular a reflexão ética do estudante de medicina.

Principais pontos do Código de Ética Médica do Estudante 
Tema O que diz o texto
Sigilo Médico Orienta o estudante a guardar sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde. E veda ao acadêmico a quebra do sigilo.
Assédio moral

 

Orienta o estudante a se posicionar contra qualquer tipo de assédio moral ou relação abusiva de poder entre internos, residentes e preceptores.
Trotes Compreende como um direito o estudante participar da recepção dos ingressantes, mas em um ambiente saudável. Também destaca como dever a denúncia de qualquer prática de violência física, psíquica, sexual ou dano moral e patrimonial.
Exercício ilegal

 

Proíbe o acadêmico identificar-se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da medicina.
Remuneração O estudante de medicina não pode receber honorários ou salário pelo exercício de sua atividade acadêmica institucional, com exceção de bolsas regulamentadas.
Relação com cadáver Destaca o respeito com o cadáver, incluindo qualquer peça anatômica utilizados com finalidade de aprendizado.
Supervisão obrigatória Instrui que a realização de atendimento por acadêmico deverá obrigatoriamente ter supervisão médica.
Respeito pelo ;paciente Orienta o estudante a demonstrar empatia e respeito pelo paciente.
Respeito no atendimento e aparelhos eletrônicos Destaca como dever do estudante dedicar sua atenção ao atendimento ministrado, evitando distrações com aparelhos eletrônicos e conversas alheias à atividade.
Privacidade Garante o respeito a privacidade, que contempla, entre outros aspectos, a intimidade e o pudor dos pacientes.
Mensagens whatsapp

 

Permite o uso de plataformas de mensagens instantâneas para comunicação entre médicos e estudantes de medicina, em caráter privativo, para enviar dados ou tirar dúvidas sobre pacientes.
Equipe multidisciplinar

 

Orienta os estudantes a se relacionarem de maneira respeitosa e a respeitarem a atuação de cada profissional da saúde.

Fonte: Conselho Federal de Medicina

Justiça: Procedimentos Estéticos apenas por Médicos

Justiça: Procedimentos Estéticos apenas por Médicos

De acordo com decisão tomada pelo Tribunal Reginal Federal (TRF), apenas médicos estão autorizados a realizar procedimentos dermatológicos como aplicação de botox e laserterapia, aplicação de peelings, de preenchimentos ou realização de bichectomias.

A Justiça reafirmou com tal decisão que o entendimento de que todos os procedimentos estéticos invasivos só podem ser realizados por médicos. Ainda segundo a decisão, apenas os especialistas em dermatologia ou cirurgia plástica são aptos a realizar tais procedimentos.  Para a desembargadora envolvida no caso, devido ao conhecimento na área de anatomia e fisiopatologia e da possibilidade de diagnóstico prévio de doença impeditiva do ato e da terapêutica, “a capacitação técnica não pode estar limitada à execução do procedimento”.

Para o TRF também está vetado que os profissionais não-médicos da área de saúde pratiquem atos médicos, como procedimentos estéticos invasivos em maior ou menor grau. A razão para isso seria de que essas atribuições estão definidas por via legal e não podem ser alteradas por normas aprovadas pelos conselhos de classe, como fez o Conselho Federal de Farmácia (CFF) nesta situação.

Esse é mais um exemplo da ação da estratégia elaborada pelo Conselho Federal de Medicina por sua recém-criada Comissão Jurídica de Defesa ao Ato Médico, composta por advogados e representantes de várias entidades, como Associação Médica Brasileira (AMB), Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e sociedades de especialidades médicas. Desde sua gênese, o grupo tem buscado incessantemente ações e medidas em diferentes âmbitos em defesa dos interesses não só dos médicos, como da população e da medicina como um todo.

Paralelamente, a Comissão estabeleceu um fluxo técnico para fazer contraposição aos atos administrativos ilegais praticados por setores da gestão ou de outras categorias profissionais dentro da área da saúde. Para isso, tem buscado todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para suspender e anular judicialmente normativos, requerer a apuração da responsabilidade de gestores que os editaram e denunciar casos concretos de exercício ilegal da medicina, com apuração da responsabilidade civil e criminal dos envolvidos no grande número de casos de prejuízo à população.

Fonte: CFM

Governo suspende abertura de novos cursos médicos no Brasil

Governo suspende abertura de novos cursos médicos no Brasil

Em reunião entre o ministro da Educação Mendonça Filho e o presidente Michel Temer foi suspensa a abertura de novos cursos de medicina no Brasil nos próximos cinco anos. Dentre as instituições envolvidas pela decisão estão não só as públicas federais, estaduais e municipais, mas também as privadas. Além disso, está suspensa também a ampliação de vagas que as instituições federais já oferecerem pelo mesmo período. De acordo com o ministro, essa decisão é de vital importância para avaliar e adequar a formação médica no país.
“Teremos moratória de cinco anos para que possamos reavaliar todo o quadro de formação médica no Brasil. Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação de médicos no Brasil já foram alcançadas. Mais que dobramos o número total de faculdades de formação de medicina nos últimos anos, o que significa dizer que há uma presença de formação médica em todas as regiões do Brasil”, disse Eduardo Mendonça Filho em entrevista. Duas portarias foram publicadas pelo Diário Oficial da União: uma relacionada à suspensão e outra à orientação dos sistemas estaduais e municipais a cumprirem a norma.
 
A medida vai a favor da classe médica que vem manifestando preocupação com o aumento no números de vagas de cursos de medicina, especialmente após o lançamento do programa Mais Médicos. “Essa portaria vem ao encontro da necessidade de controle da autorização de novas escolas. Temos algo em torno de 31 mil vagas nos curso de medicina. Isso vai projetar o número de médicos per capita a uma demanda que não é compatível com países de primeiro mundo”, disse Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina.
 
Desde o ano passado a Associação Médica Brasileira (AMB) pressiona o Governo por medidas de fiscalização das escolas de medicina e por realização de exame de proficiência após a formação dos estudantes e para egressos de todas as escolas. A AMB, então, demonstrou total apoio à moratória. De acordo com a instituição, nesse contexto, o resultado dessa ação pode ajudar a resolver os problemas relacionados à falta de qualidade do ensino médico oferecido pela maioria das escolas médicas.
A resolução – contudo – contraria os projetos das gestões anteriores do MEC, caracterizados por expandir os cursos para suprir déficits na distribuição de profissionais pelo Brasil; o número de vagas abertas em medicina saltou de 19 mil (2013) para 31 mil (2017).
 
Contra a resolução, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) afirma que a decisão representa “um retrocesso que compromete o desenvolvimento do país e o atendimento à população naquilo que é um direito humano fundamental, o direito à saúde”. A ABMES ainda defende que é contraditório que o governo suspensa a criação de vagas se, no entanto, meses antes criou uma regra específica para o seu aumento, à exemplo do Programa Mais Médicos.
 
Fonte: veja.abril.com.br

Leucemia Infantil: Próximos passos

Leucemia Infantil: Próximos passos

Pesquisadores do Instituto Calos Chagas (ICC/ Fiocruz Paraná), em nova pesquisa realizada, abrem novas perspectivas para o tratamento de câncer, em especial da Leucemia Linfóide Aguda (LLA) – que atinge com mais frequência crianças e jovens.
Desde 1970, a terapêutica da doença é baseada no manuseio da enzima asparaginase extraída de bactérias. No Brasil, cerca de 4 mil pacientes dependem deste tipo de medicamento, importado e utilizado pelos serviços de oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo desenvolveu uma versão inovadora da asparaginase humana, que após alterações estruturais tornou-se mais ativa bioquimicamente – conferindo a ela um potencial terapêutico. Tal descoberta permite novas perspectivas para o tratamento com uma enzima mais especifica e menos tóxica, uma contribuição importante para o tratamento da leucemia infantil.
Por não ser obtida a partir de bactérias, a asparaginase humana não apresenta forte reação do sistema imunológico, diminuindo assim os efeitos adversos no paciente. As células humanas produzem a asparaginase, porém a proteína nativa não apresenta atividade suficiente para utilização como medicamento. Diante da investigação da estrutura dessa molécula natural, então, o grupo de pesquisadores promoveram mudanças estruturais ao longo de quatro anos que resultaram em atividade compatível com potencial uso terapêutico.
Além da redução dos efeitos colaterais, outro fator muito importante seria a disponibilidade do fármaco no nosso país. Sabe-se que hoje o Brasil importe a asparaginase bacteriana utilizada no SUS. A partir do estudo, há esperança de produção nacional do biofármaco e seu posterior uso no tratamento da leucemia, melhorando o tratamento, barateando seu custo e reduzindo a dependência das importações.
Nesse contexto, essa pesquisa reforça a importância de avanços na pesquisa científica na área da sáude no nosso país. As próximas etapas – de acordo com os pesquisadores – se resume em otimizar a produção do fármaco, chegando a quantidades suficientes para realização de testes pré-clínicos a fim de confirmar o potencial farmacológico dessa enzima.
Fonte: Site do Cremerj

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

 
Aproximadamente 11% das mortes em hospitais acontecem pelo declínio do quadro do paciente, não sendo reconhecido logo ou tratado da maneira correta. No entanto, uma das principais organizações de saúde do mundo, a US Department of Veterans Affairs (VA), em parceria com a DeepMind, empresa focada em inteligência artificial, anunciou que está trabalhando para prever mudanças potencialmente fatais na condição de um paciente mesmo antes de qualquer sinal de advertência.
Para isso, especialistas e pesquisadores de renome mundial estão analisando os padrões de 700 mil registros médicos, a fim de determinar se a tecnologia de aprendizado da Learning Machine, equipamento capaz de prever a evolução do paciente, pode identificar com precisão os fatores de risco durante a internação hospitalar, prevendo corretamente a piora do enfermo. A princípio, a pesquisa se concentra nos fatores de risco da insuficiência renal aguda (IRA), que é a perda súbita da capacidade dos rins filtrarem resíduos, frequentemente ocorrendo, sem sinais de aviso, após procedimentos de rotina. A pesquisa também foca na pneumonia, porque seu início também é repentino e, muitas vezes, assintomático. Ambas podem ser fatais.
“Em um mundo onde quase todos os recursos hospitalares se destinam a solucionar sintomas depois que as pessoas já estão doentes, esperamos que técnicas de previsão possam pavimentar o caminho para melhores cuidados preventivos de saúde, evitando que as pessoas fiquem doentes.” – Dominic King, da DeepMind Health.
O Trabalho que a DeepMind e a VA estão realizando ainda é exploratório, mas há otimismo quanto ao potencial de longo prazo da tecnologia de aprendizagem da Learning Machine. Eles esperam aplicar abordagens semelhantes para outros sinais de declínio evitando que pacientes possam desenvolver infecções e condições graves. Em última análise, salvar vidas.
Fonte: DeepMind

Brasil: quase meio milhão de médicos

Brasil: quase meio milhão de médicos

No início de 2018, o Brasil contava com 452.801 médicos. Esse número pode ser traduzido em razão de 2,18 médicos por mil habitantes. Em 2010, quando foi elaborado o primeiro estudo de Demografia Médica, a razão de médicos por habitante era menor (1,91 por grupo de mil).
Naquele período, 16.058 deixaram a faculdade e ingressaram no sistema de saúde. Há dois anos, em 2016, esse número chegou a 18.753. Porém, a tendência é que ele aumente muito mais, devendo chegar a mais de 28 mil, em 2024.
De acordo com a pesquisa da Demografia Médica desse ano, há um crescimento da população médica brasileira acompanhado de uma mudança no perfil de idade e de gênero desse grupo, acentuando-se processos de feminização e de juvenização da categoria no Brasil.
De 1920 a 2017 o total de registros de médicos no Brasil passou de 14.031 para 451.777 (crescimento de 2.219,8%). Ao longo desse grande aumento de profissionais, a população foi de 30.635.605 para 207.660.929 habitantes (aumento de 577,8%). Percebe-se, pelos registros verificados, que ao longo de 97 anos o total de médicos cresceu 3,7 vezes mais que o da população em geral.
Nos últimos anos, contudo, esse processo tornou-se extremamente veloz. De 1970 até a atualidade, o total de profissionais da medicina cresceu 665,8%, ou 7,7 vezes. Por sua vez, a população brasileira aumentou 119,7%, ou 2,2 vezes.
As mulheres vêm de maneira crescente tomando espaço ano após ano na medicina brasileira. Apesar de os homens ainda serem a maioria dos profissionais, com 54,4% do total profissionais, elas já representam 45,6% dos médicos. O sexo feminino, ainda, já predomina entre os médicos mais jovens, sendo 57,4%, no grupo até 29 anos, e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos, surpreendendo os números vistos nos dados demográficos verificados ao longo do século passado.
O Rio de Janeiro já apresenta 50,8% de médicos com sexo feminino. Alagoas, com 52,2%, segue também com maioria das mulheres na área médica. Além deles, o percentual também é alto em Pernambuco (49,6%), Distrito Federal (47,6%) e Paraíba (47,5%). Em São Paulo, as médicas são 45,4% do total e em Minas Gerais, 42,9%. Em contrapartida, o Piauí tem a menor presença feminina, com 37%. Essa tendência também surge no Amapá (37,2%), Goiás (38,5%) e Santa Catarina, com 38,8%.
Já os jovens – a exemplo das mulheres – vem tomando cada vez mais espaço no campo de trabalho da área médica no país. Sendo a outra grande novidade revisada pela pesquisa Demográfica Médica de 2018, a média de idade do conjunto dos médicos em atividade no País tem caído ao longo dos anos, representando, hoje, cerca de 45,4 anos, apontando para o juvenescimento da Medicina no Brasil. A tendência é resultado principalmente do aumento da entrada de novos médicos em função da abertura de mais cursos de Medicina.
Enquanto os homens apresentam média de idade de 47,6 anos, as mulheres possuem valor igual a 42,8 anos. De forma geral, em contrapartida, constatou-se que homens em atividade profissional têm, em média, 4,8 anos de idade a mais que mulheres.
Diante dessa nova realidade analisada pelo estudo demográfico dos médicos nesse ano, verifica-se uma maior força de trabalho feminina em ascendência no contexto brasileiro, além de uma maior juventude dos profissionais em atividade – muito devido ao excessivo número de novas escolas médicas no Brasil.
Fonte: CFM

Febre amarela no Brasil: apenas em ambientes rurais

Febre amarela no Brasil: apenas em ambientes rurais

Ainda não há registro de caso de febre amarela urbana no país confirmado pelo Ministério da Saúde. O caso de febre amarela em São Bernardo do Campo (SP) está sendo averiguado por agentes da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Foi relatado que o paciente mora na região urbana, e possivelmente trabalha na área rural. Qualquer afirmação antes da conclusão do trabalho é precipitada.  É importante informar que São Bernardo do Campo (SP) é uma das 77 cidades dos três estados do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia) incluídas na campanha de fracionamento da vacina de febre amarela.
Até o presente momento, todos os casos de febre amarela registrados no Brasil desde 1942 são silvestres  de acordo com o Ministério da Saúde, inclusive os atuais. Isso que dizer que a doença foi transmitida por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Além disso, o que caracteriza a transmissão silvestre, além da espécie do mosquito envolvida, é que os mosquitos transmitem o vírus e também se infectam a partir de um hospedeiro silvestre, no caso o macaco.
A transmissão urbana de febre amarela no Brasil é baixíssima por uma série de fatores, dentre os quais: todas as investigações dos casos conduzidas até o momento indicam exposição a áreas de matas; em todos os locais onde ocorreram casos humanos, também ocorreram casos em macacos; todas as ações de vigilância entomológica, com capturas de vetores urbanos e silvestres, não encontraram presença do vírus em mosquitos do gênero Aedes; já há um programa nacionalmente estabelecido de controle do Aedes aegypti em função de outras arboviroses (dengue, zika, chikungunya), que consegue manter níveis de infestação abaixo daquilo que os estudos consideram necessário para sustentar uma transmissão urbana de febre amarela. Além disso, há boas coberturas vacinais nas áreas de recomendação de vacina e uma vigilância muito sensível para detectar precocemente a circulação do vírus em novas áreas para adotar a vacinação oportunamente.
Fonte: Cremerj

Cálcio atua no surgimento da doença de Parkinson de acordo com estudo

Cálcio atua no surgimento da doença de Parkinson de acordo com estudo

Pesquisadores da Universidade de Cambridge mostra que excesso de cálcio nos neurônios pode contribuir para o surgimento da doença de Parkinson. A pesquisa publicada na “Nature Communications”, no Reino Unido, demonstrou que o mineral permite que células neuronais se ligue à uma substância tóxica, a alfa-sinucleína.
A hipótese é que a relação entre esses dois compostos provoque a morte dos neurônios. A proteína em questão, por sua vez – em excesso – está associada ao desenvolvimento da doença de Parkinson. Ela está envolvida nas sinapses químicas que fazem com quê um neurônio se comunique com outro.
No estudo, as vesículas repletas de neurotransmissores presentes nos neurônios foram isoladas e, quando elevados, os níveis de cálcio acabaram por puxar a “a alfa-sinucleína” para perto dessas bolsas de compostos.
“Há um equilíbrio fino de cálcio e da alfa-sinucleína na célula, e quando há muito de um ou outro, o equilíbrio é quebrado, levando à doença de Parkinson”, disse Amberley Stephens, coautor do estudo, em nota.
Eles acreditam que esse desequilíbrio ocorre por causas genéticas ou pelo uso de medicamentos que alteram os níveis de cálcio no organismo. Cientistas não testaram se um aumento no consumo de cálcio necessariamente pode levar à condição.
O que conseguiram verificar até agora é que o processo ocorre quando neurônios ficam mais sensíveis ao mineral: não se sabe ainda se pela maior concentração de cálcio ou se por uma alteração no funcionamento das células neuronais. Há, nesse sentido, um grande campo de pesquisa a ser desenvolvido na área.
Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/calcio-esta-envolvido-no-surgimento-da-doenca-de-parkinson-diz-estudo.ghtml

Brasil: desafios da alta taxa de gravidez na adolescência

Brasil: desafios da alta taxa de gravidez na adolescência

Em pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. O índice brasileiro está acima da média latino-americana (próximo de 65,5). A média global, por sua vez, é bem inferior, atingindo cerca de 46 nascimentos a cada mil.
O relatório da OMS foi divulgado na quarta-feira (28) e as taxas se referem ao último período analisado – entre 2010 e 2015.
Outra questão de relevância levantada pelo estudo é que a América Latina é a única região do mundo com uma tendência crescente de gravidez entre adolescentes menores de 15 anos.
Também o documento indica que, apesar de a fecundidade total na América Latina ter diminuído nos últimos 30 anos, o mesmo ritmo não foi observado nas gestações de adolescentes.
Comparativo entre os países:
Taxa de nascimentos a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos

Países 2005-2010 2010-2015
Brasil 70,9 68,4
Chile 52,7 49,3
Argentina 60,6 64
Estados Unidos 39,7 22,3
Mexico 71,2 66
Canadá 13,9 11,3
Venezuela 82,6 80,9
Bolívia 81,9 72,6

 
Além disso, outros aspectos foram abordados no relatório, como a mortalidade. Segundo ele, a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas.
Ainda, globalmente, o risco de morte materna se duplica entre mães com menos de 15 anos em países de baixa e média renda.
Para reduzir os casos acima apresentados, a OMS indica que os países com taxas altas apoiem programas dirigidos para mulheres em maior vulnerabilidade para gestações precoces, aliado à um maior oferecimento a métodos anticoncepcionais e que sejam iniciados programas de educação sexual para homens e mulheres.
O relatório sugere ainda que se promovam medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces antes dos 18 anos.
Outras medidas de prevenção indicadas no relatório incluem prevenir as relações sexuais sob coação e manter um entorno favorável para a igualdade de gênero.
Fonte:  Globo.com; OMS e Organização Pan-Americana de Saúde