A Ameaça das Bactérias Resistentes

A Ameaça das Bactérias Resistentes

Os produtos a base de álcool utilizados para a desinfecção em procedimentos hospitalares está ficando menos efetivo no extermínio de alguns tipos de bactérias. A constatação de pesquisadores da universidade australiana de Melbourne acompanhou a tendência do desenvolvimento das chamadas superbactérias: após algum tempo, esses seres microscópicos tornam-se resistentes a medicamentos e outras substâncias por conta de mutações.

Algumas das bactérias que se mostraram resistentes aos desifentantes são as mesmas que preocupam as autoridades de saúde em todo o planeta por conta de sua capacidade de sobreviver a antibióticos: é o caso do Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA), uma das principais causadoras de infecções graves em hospitais.

Os cientistas notaram que alguns exemplares da Enterococcus faecium conseguiram aumentar sua resistência aos produtos feitos com álcool a partir de testes com ratos. Mesmo em gaiolas que estavam esterilizadas os animais foram infectados com a bactéria.

Nos últimos anos, cresceram os casos de bactérias presentes em hospitais que, de tão resistentes, causam complicações irreversíveis à saúde já abalada dos pacientes, impossibilitando qualquer tipo de tratamento. Um estudo encomendado pelo governo britânico indicou que, a partir de 2050, pelo menos 10 milhões de pessoas poderão morrer a cada ano por causa das superbactérias.

O ambiente hospitalar se torna um verdadeiro campo de treinamento para selecionar os microrganismos mais resistentes, capazes de superar medicamentos poderosos. Quando o paciente apresenta um quadro de saúde delicado, eles aproveitam o momento para iniciar a infecção, expulsando as bactérias boas  e combatendo com ferocidade as defesas naturais do organismo.

Essas superbactérias podem transmitir suas características para companheiras de outras espécies por meio dos plasmídios, pequenos fragmentos de DNA que são transferidos de um microrganismo para outro quando há uma aproximação física. Bactérias como a KPC e espécies que possuem a NDM-1, enzima capaz de degradar uma ampla gama de antibióticos, são capazes de realizar essa transmissão e gerar populações cada vez mais resistentes aos medicamentos.

Fonte:

Revista Galileu

Edição de genes: a realidade que intriga a OMS

Edição de genes: a realidade que intriga a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira, 4, que pretende convocar especialistas do mundo inteiro para discutir novas normas para a edição de genes em humanos. O anúncio acontece uma semana depois que o pesquisador chinês He Jiankui afirmou ter utilizado a técnica para modificar o DNA de bebês com a intenção de reduzir o risco de infecção por HIV – vírus causador da AIDS. Desde o anúncio, a comunidade científica tem se posicionado contra o procedimento, destacando os riscos envolvidos no uso da edição genética – que é proibida em diversos países.

Segundo He, as alterações genéticas foram feitas por intermédio da CRISPR-Cas9, tecnologia capaz de reparar as falhas em embriões criados por meio de fertilização in vitro; a técnica torna possível alterar o DNA para inserir um gene necessário ou desativar aqueles que causam problemas.

Apesar de parecer a solução para doenças genéticas, especialistas alertam para o risco de que a edição de genes traga consequências graves. “A edição ainda é experimental e está associada com mutações em genes não modificados, podendo causar problemas genéticos no início ou mais tarde na vida, incluindo o desenvolvimento de câncer”, explicou Julian Savulescu, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, ao The Guardian.

Apesar de reconhecer a importância das técnicas de edição do genoma humano para entender as causas das doenças e beneficiar a saúde humana, a OMS advertiu que ainda há muitas questões que precisam ser abordadas cuidadosamente. “O uso dessas tecnologias deve ser regulado por meio de padrões de supervisão ética e de direitos humanos. Estamos falando de seres humanos, a edição genética não deveria comprometer o futuro do indivíduo”, comentou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, durante coletiva de imprensa.

Fonte:

Veja

Relógio capaz de fazer ECG só está aprovado nos Estados Unidos

Relógio capaz de fazer ECG só está aprovado nos Estados Unidos

O modelo mais novo do Apple Watch, lançado em setembro, possui um monitor de frequência cardíaca com
sensores, segundo a empresa, capazes de fazer um eletrocardiograma
(ECG) do usuário e avisar caso ele tenha fibrilação atrial. Apesar de polêmicos, os novos recursos foram aprovados pela American Heart Association (AHA) e liberados pela Food and Drug Administration (FDA) – uma espécie de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) dos Estados Unidos – como um novo tipo de dispositivo médico.

O presidente a AHA, Ivor Benjamin, participou do evento anual da Apple e afirmou que “capturar dados significativos sobre o coração de alguém em tempo real está mudando a forma como praticamos a Medicina”. Já a FDA fez um comunicado logo após o lançamento afirmando que “trabalhou junto da empresa, à medida que eles desenvolveram e testaram esses produtos de software, que podem ajudar milhões de usuários a identificar preocupações com a saúde mais rapidamente”. A agência encaminhou documento à Apple citando como um fator de risco o potencial do equipamento sinalizar um problema por engano, levando ao tratamento desnecessário.

No Brasil, a Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (ABEC/DECA), que é um departamento da SBCCV, emitiu nota oficial ressaltando o uso de novas tecnologias associado à educação da população: “A entidade acredita que o relógio pode ser bom para pacientes que têm ritmos cardíacos irregulares e que podem não perceber, ou para aqueles que possuem fibrilação atrial e que nem sempre apresentam sintomas perceptíveis, condição para a qual o relógio faria a triagem.

Em uma situação ideal, alguém que não sabe que tem um problema pode receber um aviso do relógio e encaminhar esses dados ao médico. Porém também existe a preocupação de que o uso generalizado de ECGs, sem iniciativa educacional igualmente ampla, possa sobrecarregar um sistema de saúde que já atua acima do limite”, diz trecho
da nota.

A Apple afirmou que a funcionalidade estará disponível em outros países assim que a aprovação necessária for concedida pelas autoridades locais.

Fonte:

Jornal Sociedade Brasileira de Cardiologia Nº196-11/2018

PROGRAMA MAIS MÉDICOS : A REALIDADE

Demografia Médica: Brasil possui médicos ativos com CRM em quantidade suficiente para atender demandas da população Imprimir E-mail
Seg, 26 de Novembro de 2018 10:02
O Brasil possui médicos ativos, com registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), em número absoluto suficiente para atender às necessidades da população e, inclusive, para ocupar vagas abertas no Programa Mais Médicos (PMM). Em cinco anos, o total desses profissionais cresceu 21,03%. A conclusão é de análise feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a partir de suas bases cadastrais, no período compreendido entre 2013 e 2018.

Na avaliação do CFM, se comparado com as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fica evidente que o percentual de crescimento da população médica foi 5,4 vezes maior do que o de crescimento da população em geral, nesse intervalo de tempo, que ficou em 3,7%. Nos últimos cinco anos, o País ganhou mais 7.462.186 habitantes, passando de 201.032.714 (em 2013) para 208.494.900 (em 2018).

Com o aumento registrado na população médica, também subiu a razão de médico por grupo de mil habitantes no Brasil, que passou de 1,93 (2013) para 2,24 (2018). Essa variação aproximou o indicador nacional de países como Coréia do Sul (2,2), México (2,3), Japão (2,4) e Polônia (2,5).

O aumento significativo da população médica aconteceu nos 26 estados e no Distrito Federal, o que mostra que essa oferta tem crescido mesmo nas áreas mais distantes, apesar de persistir uma tendência de concentração nos estados e regiões mais desenvolvidos, em especial no Sul e no Sudeste, bem como na faixa litorânea.

Atualmente, o Brasil conta com 466.135 médicos ativos, segundo números de outubro passado. Entre 2013 e 2018, um total de 98.006 médicos se inscreveram nos Conselhos Regionais de Medicina. Proporcionalmente, os maiores aumentos foram registrados nos seguintes estados: Rondônia (48,41%), Tocantins (46,85%), Piauí (37,35%), Paraíba (34,08%) e Amazonas (30,87%). Os menores percentuais de aumento foram registrados em: Distrito Federal (14,88%), São Paulo (15,47%), Rio de Janeiro (17,15%), Rio Grande do Sul (17,66%) e Alagoas (19,62%). CONFIRA TODOS OS ESTADOS NA TABELA ABAIXO:

 

Fonte: CFM. Atualização: até outubro de 2018

Fonte: CFM. Atualização: até outubro de 2018

 

Mesmo descontando-se dos novos inscritos o número de médicos que se tornaram inativos no período (por óbito, cancelamento de registro, etc.), o aumento efetivo da população médica continua alto, ficando em 77.716 profissionais. Sob esse prisma, os estados onde foi registrado maior aumento proporcional de médicos foram: Tocantins (38,7%), Mato Grosso (36,5%), Maranhão (33,6%), Piauí (33,3%) e Amapá (32,3%). Por sua vez, os estados com menor crescimento foram: Rio de Janeiro (8,9%), Rio Grande do Sul (14,8%), Alagoas (17,9%), São Paulo (19,6%) e Amazonas (20%).

No Tocantins (estado com maior aumento efetivo proporcional), a população médica apresentou índice de crescimento 7,4 vezes maior que o da população geral. No Rio de Janeiro (estado com menor aumento), o percentual de evolução da população médica foi quase o dobro do que o da população em geral.

Diante dessa evolução, o Conselho Federal de Medicina destaca que há no Brasil médicos regularmente inscritos em número superior à necessidade apresentada pelo Programa Mais Médicos. No entanto, na avaliação da autarquia há que considerar a urgência de fortalecimento da Atenção Básica, em especial nos municípios mais carentes, dotando-os de infraestrutura, insumos, medicamentos, equipes multiprofissionais em saúde e acesso a rede de referência para encaminhar casos mais graves, pois são questões primordiais para que o trabalho médico e, consequentemente, o atendimento à população se deem de modo ético dentro de com padrões técnicos adequados.

CONFIRA AQUI A ÍNTEGRA DAS CONSIDERAÇÕES DO CFM SOBRE O PMM

Leia também:

Presença de intercambistas cubanos é maior no litoral e em municípios mais desenvolvidos

Controle o Tempo da Prova

Controle o Tempo da Prova

Controle o tempo da prova

Controle o tempo da prova

Se você vai fazer prova para residência médica, é fundamental que controle o tempo da prova. Algumas provas tem duração de 4 horas, outras de 5 horas. Sugerimos aqui uma maneira diferente de dividir o tempo que pode te ajudar muito.

Divida a prova em 5 blocos de 20 questões cada e siga a orientação de tempo abaixo. Somente passe para o próximo bloco quando esgotar o tempo destinado àquele bloco. Use o tempo que estiver sobrando para fazer revisão de próprio bloco.

4  HORAS DE PROVA               TEMPO TOTAL : 240 MINUTOS
35 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
35 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
35 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
35 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
35 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
45 MINUTOS                          REVISÃO GERAL
20 MINUTOS                          MARCAÇÃO DO CARTÃO

 

5 HORAS DE PROVA               TEMPO TOTAL : 300 MINUTOS
45 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
45 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
45 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
45 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
45 MINUTOS                          20 QUESTÕES + REVISÃO
55 MINUTOS                          REVISÃO GERAL
20 MINUTOS                          MARCAÇÃO DO CARTÃO

A Polêmica das Vacinas

A Polêmica das Vacinas

Em 1904 a cidade do Rio de Janeiro sofria com sérios problemas de saúde pública. O então presidente Rodrigues Alves nomeou Diretor Geral de Saúde Pública Oswaldo Cruz, que ficou responsável por promover um saneamento na cidade, em que a principal iniciativa foi tornar compulsória a administração de vacinas especificas. Estava implantado o estopim para a Revolta da Vacina, movimento que ficou conhecido pela grande resistência da população em aderir ao plano de imunização devido, principalmente, à falta de informação. Atualmente, temos, ao redor do mundo, uma nova tendência antivacinista que tem preocupado os imunologistas.  Cabe aos profissionais da saúde discutir e esclarecer os motivos que levam os pais a não vacinarem as crianças, refletirem sobre os efeitos das imunizações e a importância de mantê-las em dia.

Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, um dos motivos que explicam o menor índice em 16 anos de cobertura de vacinação em crianças menores de um ano é o fato de que as vacinas estão culturalmente vinculadas à percepção do risco da doença. Quando se trata de doenças erradicadas, a população tem mais dificuldade de enxergar seus perigos. Além disso, alguns grupos antivacinistas acusam órgãos mundiais de introduzir no corpo toxinas capazes de provocar doenças autoimunes e danos cerebrais, sendo o medo de eventos adversos o principal embasamento para o surgimento desses movimentos.

No entanto, segundo Guido Levi, também da Sociedade Brasileira de Infectologia, em entrevista para a revista Galileu, a maioria desses temores são absolutamente infundados cientificamente. Para ele, os efeitos da imunização consistem não apenas na proteção individual, mas é um dever social. “Se toda a população estiver vacinada, a doença pode ser extinta. Agora, se tiver 5% da população sem a vacina, a quantidade de pessoas infectadas vai crescendo, afetando gente que nunca recusou a vacina, mas acaba infectada por ainda não ter se vacinado”.

Dessa forma, entramos no âmbito da importância de manter a vacinação em dia. Quando temos uma população imunizada, há redução nos números de doenças infecciosas em toda a comunidade, uma vez que a transmissão é diminuída. Os impactos disso podem ser sentidos na diminuição do número de hospitalizações, redução de gastos com medicamentos, redução da mortandade e erradicação de doenças.

Fica claro, assim, que os programas de imunização são positivos e devem ser mantidos e incentivados. O que se faz necessário de forma imediata é tornar acessível à população a informação sobre a importância de se submeter à vacinação. Por falta dela, estamos na iminência do ressurgimento de doenças quase erradicadas, além da possibilidade de uma Revolta da Vacina contemporânea em escala global em forma de resistência às imunizações, o que carregará os impactos contrários ao ato de manter a imunização em dia.

Referências:

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/05/como-recusa-em-vacinar-os-filhos-pode-afetar-toda-sociedade.html

https://g1.globo.com/bemestar/noticia/imunizacao-de-criancas-em-queda-por-que-os-pais-deixam-de-vacinar-os-filhos-veja-perguntas-e-respostas.ghtml

 

II COEMED e as Habilidades Médicas

II COEMED e as Habilidades Médicas

Sabe-se que toda atividade extracurricular é essencial para a formação e currículo do médico. Um avanço pelo interesse em assuntos que não são abordados nas salas de aula da graduação em medicina nem vistos diretamente na rotina intra-hospitalar / dentro dos consultórios, por sua vez, tem sido notado entre os estudantes brasileiros. De fato, diante da abertura de tantas faculdades de medicina no país a competição no mercado aumentará de maneira exponencial e os jovens deverão se aperfeiçoar em diferentes áreas para se destacar e obter êxito em suas escolhas – já que atualmente não é segredo para ninguém que os resultados da sala de aula representam pouca relação com um futuro próspero dos alunos. A busca por informações de outras áreas do conhecimento que se apresentam como pré-requisitos para a ‘carreira dos sonhos’  demonstra, portanto, a crescente necessidade dos médicos se destacaram não apenas na área científica mas também em outros quesitos desenvolvendo progressivamente vitais habilidades para o sucesso.

O II Congresso Estadual dos Estudantes de Medicina do Rio de Janeiro (COEMED-RJ) foi um sucesso e serve como exemplo para essa discussão. Entre os dias 31 de agosto a 02 de setembro, na Unifeso, em Teresópolis, foi realizado o evento que contou com palestras e atividades sobre temas de grande relevância na formação de todo profissional médico – tais como medicina atual, novas tecnologias, carreira militar, marketing médico, entre outros. Os três dias de encontros, ainda, atingiram cerca de 400 estudantes.

Um dos assuntos importantes que fizeram sucesso dentre os discutidos foi o Marketing médico. Convidada para participar como palestrante, a conselheira e coordenadora da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) do CREMERJ, Kássie Cargnin, discursou sobre ‘Marketing médico e mídias sociais: o que pode e o que não pode”. Na sua apresentação foram destacados os principais pontos da resolução CFM 1.974/11, que estabelece as regras da publicidade médica e veda ao médico, entre outros, fazer propaganda de técnica não reconhecida pelo CFM; oferecer seus serviços por meio de consórcio e similares; anunciar especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no CRM, divulgar especialidade ou área de atuação não reconhecida pelo CFM. Além disso, abordou a resolução CFM 2.126/15, que normatiza as publicações nas redes sociais, proibindo os médicos de publicar selfies em situações de trabalho e de fazer a divulgação de imagens de “antes e depois” de procedimentos. Terminou com uma mensagem de cautela para a próxima geração de jovens médicos, dizendo para que tenham cuidado com todo tipo de informação oferecido pelas redes sociais. Para ela, as mídias estão diretamente relacionadas com a vida profissional dos médicos e até mesmo com seu sucesso, sem que, no entanto, substituam ou sejam extensões de sua atividade e seu papel dentro dos consultórios.

Desse modo, o intuito desse post foi alertar sobre a importância do desenvolvimento de diversas habilidades no presente e no futuro do médico brasileiro – nesse caso destaque para o Marketing ético, moral, legal e eficiente abordado no COEMED. Outras áreas deveriam ser estudadas e exploradas para benefício do médico para o sucesso em sua profissão, como networking, gestão de pessoas, oratória, lógica e resolução de problemas, administração etc. A aparência física, o comportamento e a maneira de se vestir também merecem destaque e são qualidades que também participam, portanto, dos pré-requisitos da ‘carreira dos sonhos’ citada anteriormente.

Fonte: CREMERJ

Câncer e Nobel de Medicina

Nessa segunda-feira dia 01 de outubro de 2018 foi anunciado o resultado do prêmio Nobel de Medicina. O americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo foram premiados por descobertas que levaram a avanços no tratamento do câncer. As informações são da agência de notícias Reuters. Em suas pesquisas, demonstraram variadas maneiras de inibir os freios do sistema imunológico no combate às células cancerígenas.

Descobertas no sistema imunológico

O primeiro dos cientistas, James Allison, de 70 anos, é professor no Cancer Center at The University of Texas. Sua linha de pesquisa aborda o funcionamento do sistema imunológico contra o câncer e como inibir uma proteína que segura as ações das células humanas humorais de defesa. Desse modo, o intuito seria um ataque maior dessas células de defesa do organismo aos tumores. A descoberta levou a tratamentos eficientes contra o câncer.

Honjo, por sua vez, que trabalha como professor na Kyoto University, no Japão, há 34 anos, descobriu outra proteína que, assim como a estudada por Alisson, atua interrompendo a ação das células do sistema imunológico e descreveu como ela opera — embora com ações diferentes. Terapias baseadas em seu método também promoveram mudanças efetivas no combate ao câncer.

Pesquisas como essas voltadas para tratamento de doenças crônicas, agressivas e de prognóstico ruim para os pacientes prometem impactar positivamente tanto a qualidade quanto a expectativa de vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. A medicina, portanto, ainda é a primeira categoria dos prêmios Nobel anunciados a cada ano desde a criação pelo inventor da dinamite e empresário Alfred Nobel em 1901.

Fonte: www.r7.com.br

Evolução dos Médicos no Brasil

Evolução dos Médicos no Brasil

Vivemos uma constante alteração no padrão de distribuição dos médicos e nos números proporcionais entre os profissionais e a população ao longo de todo o território brasileiro. Nesse contexto, nesse texto abordaremos brevemente a questão da demografia médica no Brasil.

Em janeiro de 2018 o Brasil apresentava 452.801 médicos – número correspondente à razão de 2,18 médicos por mil habitantes. Pelo motivo de alguns profissionais possuírem registro em mais de um Conselho Regional ao longo do país, na mesma data, o número de registros de médicos nos Conselhos Regionais de Medicina chegava a 491.468 – sendo a diferença de 38.667 entre os números de médicos e o de registros.

Note que, como o estudo foi realizado ao longo de 2017, alguns dados referiram-se ao quantitativo de médicos disponível no momento da análise. Mostram, portanto, a evolução do número de médicos e da população desde 1920, com intervalos de uma década.

Abaixo, na tabela apontada, no período de 1920 a 2017 o total de registros de médicos no País saltou de 14.031 para 451.777, crescimento de 2.219,8%, ou 32,2 vezes o número inicial de médicos. Nesse período, a população passou de 30.635.605 para 207.660.929 habitantes, aumento de 577,8%, ou 6,8 vezes a população inicial. Quando se compara um crescimento com o outro, vê-se que nesse período de 97 anos o número de médicos cresceu 3,7 vezes mais que o da população.

Verifica-se – em todos os quinquênios – que a proporção de crescimento do número de médicos é no mínimo duas vezes a da população. O ano de 2015, por exemplo, indica a taxa de crescimento de 15,1% dos médicos enquanto a da população de 5,4% em relação a 2010. A diferença nas taxas de crescimento – figura abaixo – leva a um aumento constante na razão médico/habitante.

Conclui-se, portanto, que o ritmo mais lento de crescimento da população geral está relacionado a alterações significativas nos níveis e padrões dos eventos vitais de fecundidade e mortalidade. Em contrapartida, o ritmo mais acelerado do aumento da população de médicos ocorre em períodos seguintes à abertura de novos cursos de Medicina e autorização de mais vagas de graduação sem o devido controle da qualidade dos mesmos – assunto a ser abordado em outra discussão.

Além disso, deve-se atentar para a questão de entrada e de saída de médicos do mercado de trabalho. O crescimento constante no número de médicos se deve à diferença a cada ano entre as entradas de recém-formados e as saídas, por morte, aposentadoria, invalidez, cancelamento ou cassação do registro. A entrada de número expressivo de médicos no mercado de trabalho muito devido ao intenso processo de expansão de cursos de Medicina no Brasil – extremamente maior do que a quantidade de médicos em idade de aposentadoria – somada à característica de longevidade profissional (muitos médicos mantêm-se ativos mesmo em idade avançada) proporcionou grande aumento do contingente de médicos em atividade no contexto da saúde brasileira.

No período entre 2000 e 2016, 220.993 novos médicos registraram-se nos CRMs, enquanto 23.124 cancelaram seu registro, seja por aposentadoria, morte ou outras razões. O saldo, nesse período de 16 anos, foi de 197.869. Considera-se, ainda, uma expectativa de aumento dos números apresentados pelo fato de algumas novas escolas médicas não terem concluído a formação de suas primeiras turmas – fato que provocará maior inserção de novos profissionais nos próximos anos.

Diante de todo o histórico apresentado, pode-se concluir que, dos 414.831 médicos em atividade em 2017, 53,3% – mais da metade deles – entraram no mercado de trabalho depois do ano 2000. A figura acima demonstra as entradas e saídas de médicos entre 2000 e 2016, destacando a evolução do saldo em cada ano. O intervalo entre as linhas indicativas da entrada e saída de médicos – verde e azul respectivamente – representa o quantitativo de profissionais acrescido ao total de médicos em atividade.

Fonte: SCHEFFER, M. et al. Demografia Médica no Brasil 2018. São Paulo, SP: FMUSP, CFM, Cremesp, 2018.

Código de Ética do estudante de Medicina

Código de Ética do estudante de Medicina

Na terça-feira – dia 14 de agosto de 2018 – durante a III Conferência Nacional de Ética Médica, realizada em Brasília (DF) –  foi lançado o Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM). O documento foi produzido baseado em experiências de códigos semelhantes editados em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. No Brasil alguns conselhos regionais já haviam tomado iniciativa de redigir texto com o mesmo objetivo, mas com abrangência somente local.

O CEEM apresenta 45 artigos organizados em seis diferentes eixos destacando-se tópicos sobre atitudes, práticas e princípios morais e éticos. Contou com a participação de representantes institucionais, médicos, estudantes, academias e outras entidades da sociedade civil. O intuito do documento é orientar não somente aos alunos, mas também para os professores e responsáveis pelas instituições de ensino, encarregados da formação do profissional.

Segundo o coordenador da comissão elaboradora do CEEM Carlos Vital, o CFM e as entidades estudantis vinculadas ao ensino tinham a missão de divulgar o conhecimento nessa área dos princípios universais aos alunos – mais precisamente a honestidade, responsabilidade, competência e ética.

A previsão é de que a partir de setembro o novo Código de Ética do Estudante de Medicina seja encaminhado para as mais de 320 escolas em atividade em todo o País. Será disponibilizado no site do CFM e também distribuído em versão impressa.

O respeito e o sigilo foram outras questões destacadas nos textos descritos no CEEM. Foi reforçado que o aluno deve se posicionar contra qualquer tipo de prática ou trote com violência física, psíquica, sexual que ofereça danos moral e patrimonial.

O acesso restrito às informações de pacientes prezando pelo direito à privacidade e confidencialidade também foi abordada com destaque no documento. O estudante de medicina, de acordo com o CEEM, deve manusear e manter sigilo sobre informações contidas em prontuários, papeletas, exames e demais folhas de observações médicas.

Além desses tópicos, quatro artigos foram dedicados a relação dos estudantes com os demais profissionais de saúde. Segundo o CEEM, os acadêmicos devem se relacionar com os integrantes das equipes de maneira adequada e gentil, respeitando a atuação de cada um no atendimento multiprofissional ao paciente.

O manejo dos cadáveres, por sua vez, foi outra situação abordada pelo documento. Segundo relatado nos textos, o aluno deve agir respeitosamente no manuseio do cadáver, no todo ou em parte, incluindo qualquer peça anatômica, assim como modelos anatômicos utilizados com finalidade de aprendizado.

O trabalho conjunto foi decisivo na realização do Código de Ética do Estudante de Medicina. Desde sua criação em fevereiro de 2016, além dos conselheiros do CFM, integraram a comissão elaboradora representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), da Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas em Medicina (ABLAM), além da seccional do International Federation of Medical Students Association (IFMSA-Brazil).

A função do Código é, portanto, se tornar um instrumento pedagógico para estimular a reflexão ética do estudante de medicina.

Principais pontos do Código de Ética Médica do Estudante 
Tema O que diz o texto
Sigilo Médico Orienta o estudante a guardar sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde. E veda ao acadêmico a quebra do sigilo.
Assédio moral

 

Orienta o estudante a se posicionar contra qualquer tipo de assédio moral ou relação abusiva de poder entre internos, residentes e preceptores.
Trotes Compreende como um direito o estudante participar da recepção dos ingressantes, mas em um ambiente saudável. Também destaca como dever a denúncia de qualquer prática de violência física, psíquica, sexual ou dano moral e patrimonial.
Exercício ilegal

 

Proíbe o acadêmico identificar-se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da medicina.
Remuneração O estudante de medicina não pode receber honorários ou salário pelo exercício de sua atividade acadêmica institucional, com exceção de bolsas regulamentadas.
Relação com cadáver Destaca o respeito com o cadáver, incluindo qualquer peça anatômica utilizados com finalidade de aprendizado.
Supervisão obrigatória Instrui que a realização de atendimento por acadêmico deverá obrigatoriamente ter supervisão médica.
Respeito pelo ;paciente Orienta o estudante a demonstrar empatia e respeito pelo paciente.
Respeito no atendimento e aparelhos eletrônicos Destaca como dever do estudante dedicar sua atenção ao atendimento ministrado, evitando distrações com aparelhos eletrônicos e conversas alheias à atividade.
Privacidade Garante o respeito a privacidade, que contempla, entre outros aspectos, a intimidade e o pudor dos pacientes.
Mensagens whatsapp

 

Permite o uso de plataformas de mensagens instantâneas para comunicação entre médicos e estudantes de medicina, em caráter privativo, para enviar dados ou tirar dúvidas sobre pacientes.
Equipe multidisciplinar

 

Orienta os estudantes a se relacionarem de maneira respeitosa e a respeitarem a atuação de cada profissional da saúde.

Fonte: Conselho Federal de Medicina