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O uso do celular está mudando o formato do crânio humano

O uso do celular está mudando o formato do crânio humano

Elevação óssea na região da cabeça é ligado a uso exagerado de celulares

São Paulo – Você está sempre olhando para baixo quando usa o celular? Esse hábito pode estar mudando você. Um estudo, publicado pelo jornal Scientific Reports, indica que o uso excessivo de smartphones e outros aparelhos que forcem a cabeça a ficar inclinada para frente pode estar modificando o corpo humano. Mais especificamente, a região da cabeça perto da nuca.

De acordo com cientistas da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, essa é a razão pela qual diversas pessoas mais novas possuem uma pequena cauda óssea na parte de trás da cabeça, exatamente na intersecção entre espinha dorsal e crânio. Tipicamente, o tamanho do crescimento é cerca de 2,6 centímetros, podendo chegar a até 3,1 centímetros de comprimento.

Conhecida cientificamente como protuberância occipital externa, de tipo entesófito ou aumentada, essa pequena elevação óssea surge em locais onde um ligamento ou tendão se conecta com um osso. Visto que essa “cauda” geralmente demora um longo período de tempo para se tornarem evidentes, era comum que apenas pessoas mais velhas fossem estudadas.

Porém, o estudo demonstrou o contrário. Ao analisarem 1.200 pessoas com idade entre 18 a 86 anos, foi constatado que a elevação óssea é mais comumente encontrada em homens de 18 a 30 anos de idade. 33% dos participantes apresentaram grande crescimento na deformação do encontro da região da cabeça com a espinha dorsal.

Texto retirado de:

https://exame.abril.com.br/ciencia/o-uso-do-celular-esta-mudando-o-formato-do-cranio-humano/

Um alerta para a resposta ao surto de Ebola

Um alerta para a resposta ao surto de Ebola

Um pastor de 46 anos morreu de infecção pelo vírus Ebola em Goma, República Democrática do Congo, esta semana. Quase um ano após o início do surto de ebola, a OMS convocou uma reunião de alto nível para analisar a resposta e solicitar uma abordagem coordenada mais ampla com os parceiros da ONU antes da publicação do quarto plano estratégico de resposta (SRP4) pelo governo. O tom da reunião foi desafiador e transmitiu uma mudança definitiva na narrativa, em desacordo com aqueles que afirmam que o surto do vírus Ebola está sob controle. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que irá reunir novamente o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional. Em meio a um imenso déficit de financiamento, a mensagem era clara: o mundo agora deve despertar para a fragilidade da resposta ao surto.

As principais questões foram a necessidade de reconstruir a confiança nas comunidades afetadas e as preocupações sobre a disseminação adicional para os países vizinhos. Foram feitos agradecimentos a algumas nações do G7 e francófonos que ainda não se comprometeram com o financiamento. Mas repetidas solicitações por transparência operacional e financeira e prestação de contas podem explicar em parte porque os doadores não investiram totalmente na resposta até o momento.

Para chegar a zero casos, a escolha foi clara: uma resposta cara e demorada ou uma resposta direcionada mais curta e menos dispendiosa. O Dr. Tedros afirmou que o conflito de longa data é o principal desafio e que o Ebola, o sarampo e a cólera são todos sintomas da causa subjacente. Ele ressaltou que “a liderança do governo [da República Democrática do Congo] é a chave para o sucesso dessa luta”.Mas alguns especialistas argumentam que o conflito, a pobreza e as questões de governança extrapolam a esfera do setor da saúde e não devem prejudicar o tratamento da epidemia agora.

A abordagem proposta parece ser uma ampliação das estratégias existentes lideradas pela República Democrática do Congo, que convida os doadores a aumentar seu financiamento. No entanto, a OMS, reconhecendo a natureza política desta crise, reconhece que a solução exigirá muito mais do que capacidade técnica e investimento financeiro. O esperado SRP4 sob a liderança do governo da RDC será suficiente? Possivelmente. Mas possivelmente não. O que é de suma importância agora é que a comunidade internacional se reúna de forma mais assertiva para conter rapidamente o vírus.

Fonte:

The Lancet

Cientistas criam primeiro ‘líquido magnético’, que pode revolucionar a medicina

Cientistas criam primeiro ‘líquido magnético’, que pode revolucionar a medicina

A ciência nunca tinha criado um material que fosse ao mesmo tempo líquido e com propriedades magnéticas.

Agora, um grupo de cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (mais conhecido como Berkeley Lab), nos EUA, conseguiu combinar as duas coisas em um material – e as possíveis aplicações são inúmeras.

A equipe, liderada pelos cientistas Tom Russell e Xubo Liu, usou uma impressora 3D modificada para criar a substância.

 

A pesquisa “abre a porta para uma nova área na ciência da matéria branda magnética”, disse Russell, que é professor de ciência de polímeros e engenheiro da Universidade de Amherst, em Massachussets, nos EUA.

 

Em termos concretos, a substância pode provocar uma verdadeira revolução em campos como a medicina e a robótica.

As gotas líquidas magnéticas podem ser guiadas por meio de ímãs externos – o que permitiria “guiar”, do lado de fora, medicamentos dentro do corpo humano. Este procedimento permitiria combater melhor doenças específicas – como o câncer, por exemplo.

No campo da robótica, o novo material permitiria a criação de máquinas mais ágeis.

“Esperamos que a partir desta descoberta as pessoas encontrem ainda mais aplicações. Já que, dentro da ciência, nunca se pensou que isto fosse possível”, disse Russell.

 

Precedentes

Na década de 1960, a agência espacial dos EUA, a NASA, começou a empregar substâncias chamadas de “ferrofluidos” – líquidos que reagiam ao estímulo de forças magnéticas.

Hoje, os ferrofluidos são usados para amortecer impactos em alguns tipos de autofalantes e os discos rígidos de computadores.

O problema é que eles são incapazes de manter o seu magnetismo quando os ímãs que os estimulam são removidos.

E esta é a principal vantagem da nova criação dos americanos do Berkeley Lab, ligado ao Departamento de Energia do governo dos EUA.

 

Como a nova substância foi obtida?

Para criar o magnetismo, os cientistas do Berkeley Lab primeiro produziram algumas gotas de uma solução de ferrofluido que também continha nanopartículas de óxido de ferro.

Depois, usaram técnicas atômicas avançadas e uma bobina magnética, fizeram com que as nanopartículas de óxido de ferro assumissem o formato de “pequenas conchas maciças”. Uma vez que o estímulo magnético era retirado, estas “conchinhas” continuavam gravitando umas em torno das outras de forma uníssona. Ou seja, as gotículas de ferrofluido tinham se tornado magnéticas de forma permanente.

Os cientistas também comprovaram que estas “gotas” mantinham suas propriedades atrativas mesmo depois de serem divididas até o tamanho de um “pelo humano”.

Outras propriedades dessas gotas incluem a mutação de suas formas para se adaptar a qualquer ambiente e a possibilidade de “ativar e desativar o modo magnético”.

Uma vez que as fundações foram lançadas, a pesquisa continuará com a impressão 3D de fluidos magnéticos mais complexos, como células ou robôs em miniatura que podem se mover com fluidez para transportar medicamentos para células doentes dentro do corpo humano.

Texto retirado de:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/22/cientistas-criam-primeiro-liquido-magnetico-que-pode-revolucionar-a-medicina.ghtml

Entenda quais as atribuições do CRM e do CFM

Entenda quais as atribuições do CRM e do CFM

Falaremos de supervisão, normatização, disciplina, fiscalização e julgamento da atividade profissional médica no território nacional. Zelar e trabalhar pelo desempenho ético da medicina e pelo prestigio e bom conceito da profissão a todos que a exercem de forma legal.

De acordo com o Art. 2º da lei nº 3.268, de 30 de setembro 1957, de modo geral, essas são as funções dos órgãos que representam a classe médica no Brasil.

Porém, é constante a dúvida acerca das competências exercidas pelo Conselho Federal de Medicina e pelos Conselhos Regionais.

Mas, afinal, você sabe o que compete a cada conselho?

Para sanarmos essa dúvida, convido-os a analisarmos um pouco mais a lei nº 3.268 e demais leis e resoluções posteriores que vieram para complementar e garantir direitos à classe médica brasileira.

Primeiramente, antes da distinção de competências, precisamos definir a que se refere cada órgão. O Conselho Federal de Medicina (CFM) foi criado em 1951 e é aquele que se estabelece na Capital da República, tendo jurisdição em todo o território nacional.

Ao que tange os Conselhos Regionais, estes localizam-se em cada capital de Estado e Território e no Distrito Federal, ficando subordinados ao Conselho Federal e sendo denominados segundo sua jurisdição.

O CFM é um órgão que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica, além de possuir um papel político, pois constantemente pode atuar junto ao poder público visando garantir melhores condições da saúde para a população.

Dentre as competências do órgão, merecem destaque a organização do seu regimento interno, a aprovação de regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais e a promoção de alterações no Código de Ética Médica e no Código de Processo Ético-Profissional, após ouvir o conselho pleno nacional.

Também possui como função a expedição de regulamentos ou verificações relativas ao funcionamento dos Conselhos de Medicina, nos estados e territórios, e adoção, quando necessárias, de providências cabíveis para sua eficácia e regularidade. Além disso, é de papel do CFM tomar conhecimento de quaisquer dúvidas suscitadas pelos Conselhos Regionais.

Em grau de recurso, por provocação dos Conselhos Regionais ou de qualquer interessado, deve deliberar sobre a admissão de médicos nos Conselhos Regionais, bem como sobre as penalidades impostas aos mesmos e proclamar o resultado das eleições dos Conselhos Regionais.

Em adição, cabe ao CFM representar juridicamente a categoria médica nas questões referentes a interfaces profissionais e também conhecer e julgar recursos interpostos contra as decisões dos Conselhos Regionais em sindicâncias, processos administrativos e disciplinares instaurados.

O CFM também possui o intuito de firmar convênios com os CRMs, instituições de ensino médico, sociedade de especialidades e associações médicas, bem como com outros órgãos dos governos federais e estaduais, buscando o cumprimento de suas funções, além de possuir a responsabilidade de fixar e alterar o valor da anuidade única cobrada aos inscritos nos CRMs, pessoas físicas ou jurídicas.

Em relação aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), se estabelece como principais competências a inscrição e o cancelamento no quadro do conselho, o controle de registo de médicos legalmente habilitados, com exercício em sua respectiva região; a fiscalização do exercício da profissão do médico.

Cabe também aos CRMs a função de conhecer, apreciar e decidir os assuntos atinentes à ética profissional, impondo as penalidades que couberem (julgamento de casos que ferem o Código de Ética Médica); elaboração de proposta de regimento interno (a qual se submete a aprovação do CFM); publicação de relatórios anuais das atividades e trabalhos desenvolvidos, bem como a relação dos profissionais registrados, além de promover ações visando aperfeiçoar a Educação Médica e Ética dos Médicos.

Texto retirado de:

https://academiamedica.com.br/blog/conheca-um-pouco-melhor-quem-representa-a-classe-medica

Qual é o impacto dos genes no índice de massa corporal?

Qual é o impacto dos genes no índice de massa corporal?

O estudo HUNT foi realizado com o objetivo de pesquisar as trajetórias do índice de massa corporal (IMC) na Noruega ao longo de cinco décadas e avaliar a influência diferencial do ambiente obesogênico no IMC de acordo com a predisposição genética. A publicação é do periódico BMJ.

A população geral do Condado de Nord-Trøndelag, Noruega, foi estudada com a participação de 118.959 pessoas, com idades entre 13 e 80 anos, que participaram de um estudo longitudinal de saúde, das quais 67.305 foram incluídas em análises de associação entre predisposição genética e IMC. A principal medida de desfecho foi o IMC.

Os resultados mostraram que a obesidade aumentou na Noruega entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990 e, em comparação com os grupos de nascimentos mais velhos, os nascidos após 1970 já tinham um IMC substancialmente mais elevado na idade adulta.

IMC diferiu substancialmente entre os maiores e menores quintos da suscetibilidade genética para todas as idades em cada década, e a diferença aumentou gradualmente entre 1960 e 2000. Para homens de 35 anos, os mais predispostos geneticamente tinham 1,20 kg/m² (intervalo de confiança de 95% de 1,03 a 1,37 kg/m²) de IMC maior do que os menos predispostos geneticamente nos anos da década de 60, em comparação com 2,09 kg/m² (1,90 a 2,27 kg/m²) nos anos 2000. Para mulheres da mesma idade, as diferenças correspondentes no IMC foram de 1,77 kg/m² (1,56 a 1,97 kg/m²) e 2,58 kg/m² (2,36 a 2,80 kg/m²), respectivamente.

Este estudo fornece evidências de que pessoas geneticamente predispostas estão em maior risco de IMC maior e que a predisposição genética interage com o ambiente obesogênico resultando em IMC maior, como observado entre meados da década de 1980 e meados da década de 2000. De qualquer forma, o IMC tem aumentado tanto para pessoas geneticamente predispostas quanto não predispostas, mostrando que o meio ambiente continua sendo o principal contribuinte.

 

Original: https://www.news.med.br/p/medical-journal/1340478/qual+e+o+impacto+dos+genes+no+indice+de+massa+corporal+estudo+publicado+pelo+bmj+observa+esta+relacao.htm

Uso de cadeirinhas em veículos reduziu em 33% o número de crianças vítimas do trânsito

Uso de cadeirinhas em veículos reduziu em 33% o número de crianças vítimas do trânsito

No dia 26 de Junho de 2019, cerca de 2 semanas após o presidente Bolsonaro declarar apoio a uma proposta que pretende eliminar multa para pais que não transportarem suas crianças em cadeirinhas de carro, o Conselho Federal de Medicina publicou em seu site o seguinte:

 

Dados epidemiológicos confirmam o efeito positivo do uso de cadeirinhas e outros dispositivos específicos para o transporte de crianças. Após o advento dessa exigência, em 2008, menos crianças têm sido levadas à internação ou morrido por conta de acidentes de trânsito. Essas constatações reforçam a posição dos críticos ao Projeto de Lei 3267/2019, enviado pela Presidência da República ao Congresso Nacional, e que prevê, em um de seus artigos, o fim das penalidades aos condutores que deixarem de observar essas regras.

Pelos números oficiais, desde que a cadeirinha passou a ser obrigatória, com previsão de multa e inclusão de pontos na carteira dos infratores, o número de crianças com até nove anos internadas em estado grave após se envolverem em acidentes de automóveis caiu um terço nos últimos oito anos. No mesmo período, também houve queda de quase 20% na quantidade de vítimas fatais, nesta faixa etária.

Os números foram analisados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). As entidades encaminharão os resultados para análise da Comissão Especial criada no âmbito da Câmara dos Deputados para analisar a proposta.

Efeitos positivos – “As informações falam por si só. Os dados oficiais, que saíram das bases do Ministério da Saúde, permitem verificar os efeitos positivos da Resolução nº 277, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Trata-se de uma regra fundamental para aumentar a segurança nas vias e rodovias e, sobretudo, para proteger a vida e a saúde das crianças com menos de dez anos de idade”, ressaltou a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, uma das críticas à proposta.

O tema mereceu o repúdio da SBP que, logo após o anúncio do PL, divulgou nota – juntamente com a Abramet e outras entidades – externando sua preocupação com o fim das punições aos condutores que não transportemos menores em cadeirinhas de segurança. O assunto também deve ser discutido pela Câmara Técnica de Medicina do Tráfego, do CFM, que recentemente elaborou uma cartilha focada nesse tema.

“Estes equipamentos foram projetados para dar mais segurança aos usuários em casos de colisão ou de desaceleração repentina. Conforme mostram os números, eles têm sido fundamentais para salvar milhares de vidas ao longo destes anos”, destacou Mauro Ribeiro, vice-presidente do CFM e membro da Câmara.

Registros – Um dado que chamou atenção é que a queda no volume de registros de morbidade e mortalidade envolvendo crianças tem sido inversa ao tamanho da frota de veículos no País, que cresceu cerca de 50% entre 2010 e 2018 (de 37,25 milhões para 54,7 milhões). Na década anterior à imposição das cadeirinhas (2008), em média 944 crianças ocupantes de veículos eram internadas todos os anos. Nos dez anos seguintes, essa média baixou para 719, o que representa uma redução de 24%.

A mesma tendência tem sido observada entre os óbitos nesta população, mesmo após a internação. Antes da Lei da Cadeirinha, em média 37 crianças morriam por ano em decorrência da gravidade dos acidentes de trânsito, apesar dos cuidados recebidos nos hospitais da rede pública. Ao longo da última década, no entanto, o saldo de óbitos baixou para 25, tendo sido registrado no último ano da série 18 episódios desta natureza.

Quando se avaliam o total de mortes registradas no local do impacto, a queda se mantém. Também no período analisado pelas entidades médicas, de 2010, data de vigência da resolução do Contran, até 2017, a queda foi de 19% (de 346 para 279 óbitos). Só no primeiro ano de validade da Lei da Cadeirinha, de 2010 a 2011, a diferença nas mortes foi de 22%.

De 1996 a 2017, o Brasil registrou no total 6.363 óbitos de crianças menores de dez anos dentro de algum tipo de veículo automotor. Mais da metade desses casos (53%) envolviam crianças entre zero e quatro anos de idade. Segundo Luciana Rodrigues Silva, o uso desses dispositivos, quando usados corretamente, reduzem em até 70% o risco de morte em caso de colisão.

“Os dados revelam quão preocupante e perigosa é a proposta encaminhada ao Congresso Nacional pela Presidência da República, que prevê apenas punição com advertência por escrito aos motoristas que transportarem crianças sem cadeirinhas ou assentos adaptados”, alertou Juarez Molinari, presidente da Abramet.

Para ele, apenas campanhas educativas e ações de orientação por parte de profissionais não são suficientes para mudar comportamentos de forma efetiva e, assim, reduzir o número de mortes no trânsito. “É preciso que a essas campanhas se aliem às leis e à fiscalização, para garantir a obrigatoriedade do uso desses equipamentos”, reiterou Molinari, para quem o texto deve ser revisto no Congresso Nacional.

Retrocesso internacional – Atualmente, o Brasil é um dos países que conta o com reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate aos acidentes de trânsito. Segundo o último Relatório de Situação Global da Segurança no Trânsito da organização, publicado no fim de 2018, o País contabilizou progresso evidente no controle do ato de beber e dirigir, amplamente baseados em aplicação rigorosa da legislação.

O documento recomenda, por exemplo, que um número maior de nações adote legislações mais rígidas e aplique penalidades aos infratores de trânsito, com o objetivo de reduzir a velocidade dos veículos, reprimir o ato de beber e dirigir e aumentar as taxas de uso de cinto de segurança, dispositivos de retenção veicular infantil e capacetes de motociclistas.

No quesito proteção de crianças passageiras de veículos, no entanto, a OMS critica o atraso do País, cenário que pode piorar ainda mais com a flexibilização das normas de trânsito. “Esperamos que os parlamentares se posicionem em detrimento dessa iniciativa, alterando o texto enviado pelo Governo de modo a assegurar a punição dos condutores que não respeitarem as regras necessárias para proteção no trânsito da população infanto juvenil”, destacou Mauro Ribeiro, do CFM.

 

Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28313:2019-06-25-19-46-22&catid=3

Tecnologia a serviço da demência

Tecnologia a serviço da demência

No Reino Unido, foi criado o Care Research and Technology Centre, instituição voltada exatamente para a pesquisa tecnológica aplicada ao cuidado – o orçamento é de 20 milhões de libras, o equivalente a 97 milhões de reais. O neurologista David Sharp, diretor do centro, diz que de 85% a 90% dos indivíduos afirmam que preferem permanecer em seus lares: “nosso objetivo é buscar tecnologias centradas no paciente com demência para que vivam melhor e em suas casas enquanto isso for possível. As estatísticas mostram que um em cada quatro leitos hospitalares é ocupado por pessoas com demência e 20% dessas internações são causadas por quedas, desidratação ou infecções que poderiam ser evitadas”. Sensores para serem usados no corpo ou espalhados pela residência ajudarão a medir os sinais vitais, como pressão arterial e temperatura, além de monitorar o sono dos idosos. Tais informações poderão ser compartilhadas com cuidadores para viabilizar intervenções mais rápidas.

 

No fim do mês passado, o jornal “Financial Times” fez reportagem sobre iniciativa da organização britânica Alzheimer’s Society, que criou um programa de crowdsourcing para financiar projetos que atendam a portadores da doença. Arrecadou 200 mil libras (970 mil reais) e vai investir em duas propostas: a primeira se chama Jelly Drops: apesar de parecerem atraentes jujubas, elas não são guloseimas – sua composição tem 90% de água e o objetivo é prevenir a desidratação. A segunda é um aplicativo chamado “How I do?” (“Como eu faço?”), que oferece um tutorial simples para tarefas do dia a dia, como preparar uma xícara de chá ou tomar banho, para quem já apresenta dificuldades em executar suas atividades.

 

Vem da Finlândia uma outra abordagem que une tecnologia e calor humano, como mostrou a revista “The Economist”. Através de um monitor, uma enfermeira acompanha o almoço de um grupo de idosos. Ela se certifica de que vão se alimentar bem e na hora certa porque, embora as refeições tenham sido distribuídas pelo serviço social, todos vivem sozinhos e essa companhia, mesmo virtual, representa um estímulo. Esse “encontro” também é uma forma de checagem: se a enfermeira notar algo diferente, pode acionar um cuidador para fazer uma visita.

Fonte:

https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/07/04/tecnologia-a-servico-da-demencia.ghtml

Suplementos dietéticos ligados a eventos graves de saúde em crianças e jovens

Suplementos dietéticos ligados a eventos graves de saúde em crianças e jovens

O consumo de suplementos dietéticos vendidos para perda de peso, construção muscular e energia foi associado ao aumento do risco de eventos médicos graves em crianças e jovens comparado ao consumo de vitaminas, de acordo com nova pesquisa liderada pela Harvard T.H. Chan School of Public Health. O estudo, publicado online em 5 de junho de 2019 no Journal of Adolescent Health, descobriu que, em comparação com as vitaminas, esses tipos de suplementos estavam ligados a quase três vezes mais resultados médicos graves em jovens.

Food and Drug Administration (FDA) emitiu inúmeros avisos sobre os suplementos vendidos para perda de peso, construção muscular ou melhora do desempenho esportivo, função sexual e energia. Sabe-se que esses produtos são amplamente comercializados e usados por jovens. Então, quais são as consequências para a sua saúde? Essa é a pergunta que este trabalho quis responder, disse a autora principal Flora Or, pesquisadora da Harvard Chan School’s Strategic Training Initiative for the Prevention of Eating Disorders.

Os pesquisadores analisaram relatórios de eventos adversos, entre janeiro de 2004 e abril de 2015, no U.S. Food and Drug Administration Adverse Event Reporting System – banco de dados de alimentos e suplementos dietéticos. Eles analisaram o risco relativo de eventos médicos graves, como morte, incapacidade e hospitalização em indivíduos com idades entre 0 e 25 anos que estavam ligados ao uso de suplementos dietéticos vendidos para perda de peso, construção muscular ou energia comparados às vitaminas.

Constataram que havia 977 relatos de eventos adversos relacionados ao suplemento único para a faixa etária alvo. Destes, aproximadamente 40% envolveram desfechos médicos graves, incluindo morte e hospitalização. Suplementos vendidos para perda de peso, construção muscular e energia foram associados a quase três vezes o risco de desfechos médicos graves em comparação com as vitaminas. Suplementos vendidos para função sexual e limpeza do cólon foram associados a aproximadamente duas vezes o risco de desfechos médicos graves comparados às vitaminas.

O autor sênior S. Bryn Austin, professor do Departamento de Ciências Sociais e do Comportamento, observou que médicos respeitáveis não recomendam o uso do tipo de suplementos dietéticos analisados neste estudo. Muitos destes produtos foram encontrados adulterados com medicamentos de prescrição médica, substâncias proibidas, metais pesados, pesticidas e outros produtos químicos perigosos. E outros estudos têm ligado a perda de peso e suplementos de musculação com derrame, câncer de testículo, danos ao fígado e até mesmo morte.

Segundo Austin, “Já é tempo de políticos e varejistas tomarem medidas significativas para proteger crianças e consumidores de todas as idades”, para que os fabricantes destes produtos e os revendedores não prejudiquem a juventude americana.

Este estudo foi financiado pela Ellen Feldberg Gordon Fund for Eating Disorders Prevention Research e pela Strategic Training Initiative for the Prevention of Eating Disorders.

 

Original: https://www.news.med.br/p/medical-journal/1340303/suplementos+dieteticos+ligados+a+eventos+graves+de+saude+em+criancas+e+jovens.htm

 

Pfizer ocultou indícios de que um de seus fármacos poderia prevenir o Alzheimer

Pfizer ocultou indícios de que um de seus fármacos poderia prevenir o Alzheimer

Foi um achado surpreendente. Em 2015, depois de analisar centenas de milhares de reclamações de seguros, uma equipe de pesquisadores da Pfizer descobriu que um dos fármacos campeão de vendas da empresa, o Enbrel, um potente anti-inflamatório para o tratamento de artrite reumatoide, poderia reduzir o risco de Alzheimer em 64%. É o que revela The Washington Post em uma reportagem exclusiva, com base em documentos internos da empresa, aos quais teve acesso.

Acontece que a verificação desses efeitos do remédio exigiria um teste clínico caro. E, depois de um longo debate interno, a gigante farmacêutica decidiu não prosseguir com a pesquisa e não divulgar os resultados, como a empresa confirmou ao jornal.

“O Enbrel poderia potencialmente prevenir, tratar e retardar a progressão do mal de Alzheimer”, dizia o documento em PowerPoint, de acordo com o Post, preparado por um grupo de pesquisadores da Pfizer para ser apresentado a um comitê interno da empresa em fevereiro de 2018. Esses especialistas, do departamento de doenças inflamatórias e imunologia, pediram à Pfizer que realizasse um ensaio clínico com milhares de pacientes e um custo estimado de 80 milhões de dólares (cerca de 320 milhões de reais).

Mas, segundo a explicação da Pfizer ao jornal, após três anos de estudos internos a empresa entendeu que a expectativa de que o Enbrel prevenisse o mal de Alzheimer não era alta porque o fármaco não atinge diretamente o tecido cerebral. A decisão de não continuar pesquisando foi exclusivamente científica, disse um porta-voz da empresa. Eles também consideraram que a publicação de um resumo de suas descobertas estatísticas não teria cumprido seus “rigorosos padrões científicos”.

No entanto a Pfizer compartilhou seus dados em particular com pelo menos um cientista proeminente, de acordo com o Post. Mas outros pesquisadores consultados pelo jornal acreditam que, pelo menos, a empresa deveria ter publicado esses dados para que outros cientistas pudessem acessá-los. As empresas farmacêuticas têm sido alvo frequente de críticas por esconderem os efeitos negativos de seus produtos. Mas não há consenso sobre quais obrigações as farmacêuticas teriam para disseminar possíveis novos efeitos positivos.

A busca de novos tratamentos para a doença de Alzheimer até o momento tem sido frustrante. Apesar dos bilhões investidos em pesquisa, não existe uma droga que efetivamente previna ou trate com eficácia essa doença neurodegenerativa, a forma mais comum de demência, que se caracteriza pela perda de memória e outras habilidades mentais e que, atualmente, é incurável e afeta pelo menos meio milhão de novos pacientes por ano. Mais de 400 ensaios clínicos fracassaram desde que a última droga para a doença, que só trata os sintomas, e temporariamente, foi aprovada há mais de 10 anos.

Não é incomum que medicamentos desenvolvidos para tratar uma condição acabem sendo usados para outra. A própria Pfizer tem uma história conhecida de sucesso: a do popular Viagra, concebido para tratar a hipertensão e que acabou como um tratamento para a disfunção erétil, gerando lucros bilionários para a empresa. Ao contrário desse caso, o Enbrel não é atualmente protegido com uma patente exclusiva, como era o Viagra na época, o que reduz os lucros e incentivos para pesquisar outros usos do medicamento.

No momento em que eram concluídas as deliberações internas sobre o Enbrel, a Pfizer estava, na realidade, abandonando a pesquisa sobre o Alzheimer. A empresa anunciou em janeiro de 2018 o fechamento de sua divisão neurológica tecnológica. Na mesma semana houve a divulgação do fracasso de dois medicamentos experimentais desenvolvidos por outras empresas farmacêuticas.

Fonte:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/05/internacional/1559749832_040997.html

A eficácia de diferentes tipos de antidepressivos em idosos

A eficácia de diferentes tipos de antidepressivos em idosos

Apesar de seu uso comum na prática clínica diária, não se sabe a eficácia comparativa e a segurança dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina e dos inibidores da serotonina/norepinefrina em idosos. Para responder a esta questão, uma equipe de cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, realizou uma revisão sistemática e meta-análise com 15 ensaios clínicos randomizados elegíveis para inclusão, incorporando estudos sobre o uso de citalopram, escitalopram, paroxetina, duloxetina, venlafaxina, fluoxetina e sertralina. Os dados sobre a resposta parcial (definida como pelo menos uma redução de 50% na pontuação da depressão em relação à linha de base) e fatores de segurança – tais como tonturas, vertigens, síncopes, quedas e perda de consciência – foram extraídos, uma meta-análise de rede Bayesiana foi realizada e os riscos relativos (RR) foram produzidos.

Em um estudo, publicado pelo Journal of the American Geriatrics Society, envolvendo indivíduos com 60 anos de idade ou mais, os pesquisadores descobriram que, em relação à resposta parcial, a sertralina (RR=1,28), paroxetina (RR=1,48) e duloxetina (RR=1,62) foram significativamente melhores do que o placebo. Os restantes produziram RRs menores do que 1,20. Em relação à vertigem, a duloxetina (RR=3,18) e a venlafaxina (RR=2,94) foram estatística e significativamente piores do que o placebo. Em comparação ao placebo, a sertralina tinha o menor RR para tontura(1,14) e a fluoxetina tinha o segundo RR mais baixo (1,31). O citalopram, escitalopram, paroxetina e todos os outros tinham RRs entre 1,4 e 1,7.

Os autores concluíram que havia evidência clara da eficácia da sertralina, paroxetina e duloxetina. Parece haver também uma hierarquia de segurança associada aos diferentes antidepressivos e uma escassez de relatórios de resultados de segurança. Em um momento de pesquisas comparativas de eficácia, parece que ainda se faz necessário dar maior foco na eficácia comparativa destes e de outros medicamentos psiquiátricos.

 

Original: https://www.news.med.br/p/medical-journal/799919/quais+sao+os+melhores+antidepressivos+para+os+idosos.htm