Prática Médica – Widoctor

Inovação do tratamento de Retinopatia Diabética vence o prêmio Empreenda Saúde 2018

Inovação do tratamento de Retinopatia Diabética vence o prêmio Empreenda Saúde 2018

A fundação everis, que tem por objetivo apoiar e promover o empreendedorismo por meio de atividades em diferentes esferas da sociedade, anunciou no final de 2018 o vencedor da 4ª edição do Prêmio Empreenda Saúde, iniciativa que, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, visa a estimular profissionais e estudantes de diferentes áreas a criarem soluções que contribuam para a melhoria das práticas, processos, tecnologias e métodos de gestão no setor de saúde.

O vencedor foi o tratamento farmacológico não invasivo para retinopatia diabética, projeto que desenvolveu uma nova formulação de base nanotecnológica para o tratamento não invasivo (colírio) da retinopatia diabética. Esta formulação carrega o princípio ativo para a parte interna do olho, liberando-o gradativamente. Atualmente, as modalidades terapêuticas para o tratamento dessa complicação ocular são fotocoagulação a laser da retina, injeção intraocular de medicações ou mesmo cirurgias intraoculares, todas invasivas, caras, arriscadas e com reservado prognóstico visual.

É importante ressaltar que a retinopatia diabética é a maior causa de cegueira irreversível em pessoas diabéticas em idade produtiva. Dados da Federação Internacional do Diabetes mostram que existem hoje cerca de 380 milhões de pessoas com diabetes no mundo e aproximadamente outras 46 milhões que convivem com o diabetes, sem saber do diagnóstico. Estima-se, ainda, que um a cada dois ou três pacientes diabéticos apresentará alguma forma de retinopatia diabética, com risco de perder a visão.

“A retinopatia diabética (RD) é a principal causa de cegueira em pessoas com idade produtiva em diversos países, contribuindo com 12% – cerca de 5 mil – de todos os novos casos de cegueira por ano no mundo. E me incomoda muito continuar vendo pessoas com perda de visão causada por essa doença no meu dia a dia. Esta foi a principal motivação para desenvolver esse trabalho”, afirma a líder do projeto Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, médica pós-doutorada pela Universidade de Harvard, pesquisadora e professora da pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas/UNICAMP.

“Foi o começo de uma história que, tenho certeza, irá evoluir para outra fase e causar grande impacto positivo para muita gente no mundo, graças a essa inesperada premiação da fundação everis. Estou muito satisfeita, feliz e orgulhosa de estar nesse meio, conhecendo pessoas importantes que farão parte dessa história”, finaliza.

A 4ª edição do Prêmio Empreenda Saúde recebeu mais de 200 projetos com foco na melhoria do setor. Todos os trabalhos foram submetidos a uma comissão de avaliação e um corpo de jurados com representantes das áreas de ensino, pesquisa, inovação e empresários dos mais diversos âmbitos da saúde no Brasil. A análise dos projetos levou em conta os critérios de aplicabilidade (relevância do problema), inovação, e nível de contribuição para melhoria do sistema de saúde (tamanho da população beneficiada). Além do prêmio equivalente a R$ 50 mil reais, o vencedor receberá orientação profissional especializada da everis para colocar sua ideia em prática no mercado brasileiro.

Original: https://ipnews.com.br/everis-anuncia-vencedor-do-premio-empreenda-saude-2018/

CFM atualiza lista de especialidades médicas

CFM atualiza lista de especialidades médicas

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou no início de 2019 a nova resolução para atualizar a lista de especialidades médicas no Brasil, com isso foi criada uma área de atuação, a medicina aeroespacial, e também foi ampliada para cinco anos o tempo necessário para a formação do cirurgião cardiovascular. Essas são algumas das mudanças na formação de especialistas previstas na Resolução CFM nº 2.221/18 (acesse o texto aqui), que atualiza a relação de especialidades e áreas de atuação médica. O normativo, aprovado pela Comissão Mista de Especialidades (CME) e homologado pelo plenário do CFM, vai substituir a Resolução nº 2.162/17. A Resolução nº 2.221/18 foi publicado no Diário Oficial da União nessa quinta-feira (24/02) e entra em vigor imediatamente.

Formada por representantes do CFM, da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Ministério da Educação, representado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), a CME tem a competência para, periodicamente, atualizar a lista de especialidades médicas e de áreas de atuação, além de estabelecer as regras para a formação de especialistas. “É natural que ocorra essa atualização, já que novas especialidades e áreas de atuação podem surgir, assim como algumas podem desaparecer ou se transformar”, argumenta o relator da Resolução nº 2.221/18, conselheiro federal pela AMB, Aldemir Humberto Soares.

A Resolução 2.221/18 manteve os mesmos números de especialidades e áreas de atuação já reconhecidas anteriormente: 55 e 59, respectivamente. Apesar de a medicina aeroespacial ter sido incluída como nova área de atuação, a medicina de urgência deixou de existir, pois foi incorporada à especialidade Medicina de Emergência, criada nos últimos anos.

Na formação de especialistas, a resolução manteve os três anos para a formação de novos pediatras e cirurgiões gerais a partir de 2019, sendo que, a partir de 2020, passam a vigorar as respectivas Matrizes de Competências dos Programas de Residência Médica destas especialidades.

A nova resolução também definiu a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, respectivamente, como as responsáveis por realizar os concursos para a obtenção de títulos nas duas especialidades. Além das provas aplicadas pelas sociedades, os candidatos a especialistas também poderão cursar os programas de residência médica, cuja duração varia de acordo com a especialidade.

 

Fonte: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2018/2221

https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28053:cfm-atualiza-lista-de-especialidades&catid=3

Tratamento para Cistite Intersticial

Tratamento para Cistite Intersticial

Não há cura para a cistite intersticial, mas a maioria dos pacientes obtém alívio sintomático de uma das várias abordagens, incluindo a hidrodistenção, que geralmente é feita como parte da avaliação diagnóstica. Aproximadamente 20 a 30% dos pacientes notam melhora sintomática após essa manobra. Também importante é a medição da capacidade da bexiga durante a hidrodistenção, uma vez que é improvável que pacientes com capacidades muito pequenas da bexiga (menos de 200 mL) respondam à terapia médica.

A amitriptilina (10 a 75 mg / dia por via oral) é frequentemente usada como terapia médica de primeira linha em pacientes com cistite intersticial. Ambos os mecanismos centrais e periféricos podem contribuir para a sua atividade.

Nifedipina (30-60 mg / dia por via oral) e outros bloqueadores dos canais de cálcio também demonstraram alguma atividade em pacientes com cistite intersticial. O polissulfato de sódio pentosano (Elmiron) é um polissacarídeo sintético sulfatado oral que ajuda a restaurar a integridade do epitélio da bexiga em um subgrupo de pacientes e foi avaliado em um ensaio controlado por placebo.

Outras opções incluem instilação intravesical de dimetilsulfóxido (DMSO) e heparina. O bacilo intravesical CalmetteGuérin (BCG) não é benéfico. Outras modalidades de tratamento incluem estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) e acupuntura.

A terapia cirúrgica para cistite intersticial deve ser considerada apenas como último recurso e pode requerer uretrocistectomia com derivação urinária.

Fonte:

Current Medical Diagnosis & Treatment – 2019, Lange

Segundo caso de cura da AIDS na história da medicina

Segundo caso de cura da AIDS na história da medicina

Em matéria divulgada pelo New York Times na primeira semana de março de 2019, foi relatado o segundo caso de cura de HIV na história.

Por 12 anos os pesquisadores tentaram replicar o procedimento realizado há 12 anos, quando conseguiram pela primeira vez erradicar uma infecção pelo HIV.

Os investigadores devem publicar o seu relatório na revista Nature e apresentar alguns dos detalhes na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas em Seattle.

 

Publicamente, os cientistas estão descrevendo o caso como uma remissão a longo prazo. Em entrevistas, a maioria dos especialistas está chamando o caso como de cura, com a ressalva de que é difícil saber como definir a palavra quando há apenas duas instâncias conhecidas.

 

O procedimento da “cura”, foi realizada por meio de transplante de medula óssea nos pacientes, juntos à terapia antirretroviral. Curiosamente, o objetivo inicial do procedimento não era a cura da AIDS, mas sim tratar a leucemia dos pacientes.

“Isso vai inspirar as pessoas que a cura não é um sonho”, disse Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda. “É alcançável.”

Fonte: https://www.nytimes.com/2019/03/04/health/aids-cure-london-patient.html?smid=fb-nytimes&smtyp=cur&fbclid=IwAR2lbUhBzezBGaewaXNrRn_Y9GSDmC8yTvfeiFoDWdatZqsXgHXAqbXx08k

Limitar o tempo de uso diário de redes sociais resulta em menor sintomas de Depressão

Limitar o tempo de uso diário de redes sociais resulta em menor sintomas de Depressão

Dada a amplitude de pesquisas de correlação que liga as mídias sociais

para um estado pior bem-estar, pesquisadores da Universidade de Pennsylvania realizaram um estudo experimental para investigar uma potencial relação de causa-efeito que as mídias sociais desempenham sobre o estado de bem-estar de seus usuários.

 

Os metodos utilizados foram distribuir aleatoriamente 143 estudantes de graduação em grupos  para limitar o uso do Facebook, Instagram e Snapchat a 10 minutos por aplicativo por dia, comparando a um controle em que se era permitido usar as mídias sociais de modo normal por três semanas.

 

O estudo utilizou 7 escalas diferentes para avaliar o nível de bem-estar dos participantes durante o experimento, que mensuravam os níveis de suporte social, medo de ser esquecido, solidão, ansiedade, depressão, autoestima, autonomia e auto aceitação.

Dentre esses parâmetros, o que teve maior significância no grupo alvo foi o medo de ser esquecido pelos amigos ao não usar frequentemente as redes sociais.

Em compensação, os pesquisadores descobriram que o grupo de uso limitado mostrou reduções significativas na solidão e depressão por três semanas em comparação com o grupo controle. Análises não revelaram diferenças significativas entre os dois grupos no apoio interpessoal, medo de perder, ansiedade, autoestima e bem-estar psicológico. No entanto, os pesquisadores observaram uma diminuição pequena, mas estatisticamente significativa para ambos os grupos, em relação ao medo de perder, bem como uma pequena diminuição na ansiedade em ambos os grupos. Os pesquisadores notaram que esses resultados sugerem um benefício do aumento do auto monitoramento.

Fonte: https://guilfordjournals.com/doi/10.1521/jscp.2018.37.10.751

Aumento mundial da Incidência de Asma pela Poluição do Ar

Aumento mundial da Incidência de Asma pela Poluição do Ar

A asma é a doença respiratória crônica mais prevalente no mundo, afetando cerca de 358 milhões de pessoas em 2015. Ambientes em que são encontrados altos índices de poluição aérea exacerbam crises de asma e também contribuem como fator de risco para desenvolver a mesma.

O estudo realizado pela Environmental Health Perspectives, divulgado em novembro de 2018, buscou estimar a relação entre o número de novos casos de asma que levaram o paciente a procurar emergências hospitalares e a concentração de Matéria Particulada Fina (PM 2.5), Ozônio e Dióxido de Nitrogênio no ar ambiente desses locais.

Foram utilizadas funções de impacto epidemiológico em saúde combinadas com dados descrevendo população, incidência e prevalência de asma basal e concentrações de poluentes.

Tias fatores de concentração-resposta para exacerbação e incidência de asma foram extraídos de metanálises de estudos epidemiológicos que combinaram múltiplos estudos individuais de diferentes países em estimativas de risco agrupadas, constituindo assim padrões de comparação para os novos resultados coletados.

Com isso, foi construido um novo conjunto de dados de taxas de visita a emergências nacionais e regionais entre as pessoas com asma usando dados de pesquisa publicados.

Os resultados estimaram que cerca de 9 a 23 milhões de casos de asma emergenciais podem ser atribuídos aos niveis elevados de Ozonio e PM 2.5, o que representa de 8 a 20% dos casos totais.

Esses achados estimam a magnitude da carga global de asma que poderia ser evitada pela redução da poluição do ar ambiente. Ou seja, a doença respiratória crônica mais prevalente do mundo poderia ter a incidência de casos agudos reduzida em 20% se a poluição aérea fosse controlada.

 

Fonte: https://ehp.niehs.nih.gov/doi/full/10.1289/EHP3766

Relação entre especialidade médica e sobrepeso

Relação entre especialidade médica e sobrepeso

No relatório de 2014 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA sobre obesidade, foi constatado que cerca de 35% da população dos EUA era obesa, ou seja, apresentavam um índice de massa corporal (IMC) de ≥ 30.

Nesse contexto, a Medscape realizou uma pesquisa em que constatou que 8% dos médicos que respoderam ao questionário eram obesos, e que outros 34% deles estavam no sobrepeso. Ou seja, quase metade dos médicos americanos que participaram da pesquisa não estavam nos padrões de peso considerados saudaveis.

Os cirurgiões gerais relatam ser os médicos com maior incidencia de excesso de peso, com 49% sendo considerados obesos (IMC> 25). Os médicos de família seguem de perto a 48%. Dermatologistas são os menos pesados, com menos de um quarto deles (23%) relatando um IMC> 25, seguido por 29% dos oftalmologistas. De acordo com investigadores de um estudo recente usando dados do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição de 2003-2006, olhar para o IMC sozinho pode perder muitas pessoas em risco de doença cardiovascular. No estudo, cerca de um terço dos homens e quase metade das mulheres classificadas como não obesas tinham uma alta porcentagem de gordura corporal. Alguns especialistas sugerem o uso de um IMC> 27-28 para indicar a obesidade, que se correlaciona melhor com a porcentagem de gordura corporal versus o ponto de corte de 30

 

As diretrizes mais recentes da American Heart Association / American College of Cardiology sobre risco cardiovascular recomendam uma dieta do tipo mediterrânea (rica em frutas, legumes, grãos integrais, peixe, azeite, aves de capoeira, nozes, legumes). Quando os entrevistados da Medscape foram questionados quais dietas escolhiam rotineiramente, 62% dos médicos com peso normal e baixo peso indicaram dietas que recomendam essa quantidade diária saudável de frutas e vegetais, e dentre médicos com sobrepeso esse número cai para apenas 39%. Ainda pior, entre o grupo mais pesado, 44% relataram que rotineiramente escolhem “refeições em movimento” ou uma dieta americana típica (carne na maioria dos dias; carboidratos na maioria dos dias de arroz branco, batatas ou produtos de farinha branca; gordura alta). Além disso, foi constatado na pesquisa da Medscape que 72% dos médicos dentro dos padrões de peso se exercitavam pelo menos 2x na semana, enquanto apenas 32% dos médicos com sobrepeso fazem o mesmo.

 

Fonte: https://www.medscape.com/features/slideshow/lifestyle/2014/public/overview#1

Tratamento para Pericardite Aguda

Tratamento para Pericardite Aguda

Para pericardite aguda, os especialistas sugerem uma restrição nas atividades até a resolução dos sintomas. Para atletas, a duração da restrição ao exercício deve ser até a resolução dos sintomas e a normalização de todos os exames laboratoriais (geralmente 3 meses). As diretrizes 2015 ESC recomendam a aspirina 750-1000 mg a cada 8 horas por 1-2 semanas com redução gradual da dose de 250 a 500 mg a cada 1-2 semanas ou ibuprofeno 600 mg a cada 8 horas por 1 a 2 semanas com redução gradual diminuindo a dose em 200 a 400 mg a cada 1-2 semanas. A gastroproteção deve ser incluída.

 

Os estudos apoiam o tratamento inicial do episódio agudo com colchicina para prevenir recidivas. A colchicina deve ser adicionada à medicação antiinflamatória não-esteróide em 0,5 a 0,6 mg uma vez (para pacientes com menos de 70 kg) ou duas vezes (para pacientes com mais de 70 kg) diariamente e continuada por pelo menos 3 meses. A redução gradual da colchicina não é obrigatória; no entanto, na última semana de tratamento, a dose pode ser reduzida a cada dois dias para pacientes com menos de 70 kg ou uma vez por dia para aqueles com mais de 70 kg. A aspirina e a colchicina devem ser usadas em vez de medicamentos antiinflamatórios não-esteróides na pericardite pós-infarto do miocárdio (síndrome de Dressler), uma vez que medicamentos antiinflamatórios não-esteróides e corticosteróides podem ter um efeito adverso na cicatrização do miocárdio. A aspirina em doses de 750-1000 mg três vezes ao dia por 1-2 semanas mais 3 meses de colchicina é o tratamento recomendado para a síndrome de Dressler.

 

A colchicina deve ser usada por pelo menos 6 meses como terapia em todos os casos refratários e na pericardite recorrente. Às vezes, é necessária uma terapia mais longa. O CRP é utilizado para avaliar a eficácia do tratamento e, uma vez normalizada, a redução gradual é iniciada. A indometacina em doses de 25 a 50 mg a cada 8 horas também pode ser considerada na pericardite recorrente no lugar do ibuprofeno.

 

Os corticosteroides sistêmicos podem ser adicionados em pacientes com sintomas graves, em casos refratários ou em pacientes com etiologias imunomediadas, mas essa terapia pode acarretar um risco maior de recorrência e pode prolongar a doença. A colchicina é recomendada em adição aos corticosteroides, novamente por pelo menos 3 meses, para ajudar a prevenir as recorrências. A prednisona em doses de 0,25 a 0,5 mg / kg / dia por via oral geralmente é sugerida com redução gradual por um período de 4 a 6 semanas. Por via de regra, os sintomas diminuem em vários dias a semanas. A principal complicação precoce é o tamponamento, que ocorre em menos de 5% dos pacientes. Pode haver recorrências nas primeiras semanas ou meses. Raramente, quando a terapia com colchicina falha ou não pode ser tolerada (geralmente ocorre com sintomas gastrointestinais), a pericardite pode exigir imunossupressão mais significativa, como ciclofosfamida, azatioprina, imunoglobulinas humanas intravenosas, antagonistas dos receptores da interleucina-1 (anakinra) ou metotrexato.

 

Se a colchicina associada à imunossupressão mais significativa falhar, a remoção cirúrgica do pericárdio pode ser considerada em casos recorrentes, mesmo sem evidências clínicas de pericardite constritiva.

A terapia com drogas antituberculose padrão geralmente é bem-sucedida para a pericardite tuberculosa, mas pode ocorrer pericardite constritiva. A pericardite urêmica geralmente se resolve com a instituição – ou com diálise mais agressiva. O tamponamento é bastante comum e a pericardiectomia parcial (janela pericárdica) pode ser necessária.

 

O prognóstico com efusão neoplásica é pobre, com apenas uma pequena minoria sobrevivendo 1 ano. Se estiver comprometendo o conforto clínico do paciente, o derrame é inicialmente drenado percutaneamente. Tentativas de pericardiotomia por balão foram abandonadas porque os resultados não foram mais eficazes do que a simples drenagem. Uma janela pericárdica, seja por abordagem subxifoide ou por cirurgia torácica videoassistida, permite pericardectomia parcial. A instilação de agentes quimioterápicos ou tetraciclina pode ser usada para reduzir a taxa de recorrência. A terapia sintomática é a abordagem inicial à pericardite por radiação, mas derrames e constrições recorrentes geralmente requerem cirurgia.

# Pacientes que não respondem inicialmente ao tratamento conservador, que apresentam recidivas ou que parecem estar desenvolvendo pericardite constritiva devem ser encaminhados a um cardiologista para avaliação adicional.

Fonte:

Current Medical Diagnosis & Treatment – 2019, Lange

Incor avança na pesquisa da vacina contra Febre Reumática

Incor avança na pesquisa da vacina contra Febre Reumática

A febre reumática já foi alvo de preocupação latente no Brasil. Era considerada uma das doenças mais importantes no país, cerca de uma década atrás, tanto por causa de sua incidência como por conta do gasto que representava para o sistema público de saúde. Hoje, ela voltou para a agenda dos médicos e da indústria, mas por um bom motivo: uma nova vacina pode mudar o curso da doença no Brasil e no mundo.

Decorrente de reações autoimunes desencadeadas por um tipo específico de faringite, a estreptocócica, a febre reumática atinge, em geral, crianças e adolescentes suscetíveis, por predisposição genética, à bactéria Streptococcus pyogenes. A doença se manifesta, geralmente, de duas a quatro semanas depois de contraída a faringite. Além da febre, que pode ou não ocorrer, ela provoca movimentos involuntários, dores nas articulações e indisposição. E, quando não tratada, acomete o miocárdio, podendo causar danos permanentes às válvulas do coração.

Um dos problemas de desenvolver esse tipo de valvopatia é que ela avança em silêncio. “A pessoa pode levar uma rotina normal, fazer exercícios e viver sem saber que tem a complicação. Mas, quando chega ao hospital, apresenta indícios de doença no músculo, com sintomas de insuficiência cardíaca”, explica Flavio Tarasoutchi – Diretor da Unidade de Valvopatias do Instituto do Coração desde 2014. A incidência da doença preocupa os cardiologistas. A prevalência de novos casos de febre reumática chega a 30.000 por ano no Brasil. E metade, aproximadamente, desenvolve a lesão nas válvulas. A doença é a causa principal de cardiopatias na região sul americana. No mundo, são 16 milhões de indivíduos que convivem com DRCs (Doenças Reumáticas Cardíacas), dos quais, aproximadamente 2 milhões têm doenças invasivas graves causadas por estreptococcias.

É, por isso, muito alentador o desenvolvimento da vacina brasileira contra a bactéria S. pyogenes. Além de ser uma possibilidade para a redução expressiva do número de novos casos de DRCs e melhora na qualidade de vida de milhares de crianças e jovens, representa um potencial tratamento para outras doenças autoimunes. “Somos, hoje, o país que, provavelmente, mais contribuiu para o conhecimento da febre reumática”, diz , pesquisadora do Laboratório de Imunologia do InCor e responsável pelo grupo de estudos em autoimunidade na Febre Reumática, que desenvolve a vacina contra o estreptococo pyogenes, um trabalho iniciado há mais de 20 anos. “A partir desse know-how, fomos buscar formas de prevenir a doença”.

Com uma equipe multiprofissional de médicos, biólogos e veterinários, o grupo de Guilherme conseguiu trabalhar em uma vacina que está pronta do ponto de vista científico. Falta, agora, passar pelos ensaios clínicos com humanos – um processo que está a caminho. “E se conseguirmos fazer da vacina uma medida eficaz, ela poderá se tornar um modelo para o desenvolvimento de vacina para outras doenças autoimunes”, diz a pesquisadora.

Fonte: http://www.incor.usp.br/news/artigos/Sintese-trabalho-Dra-Luiza-Guilherme.pdf

Texto original: https://referenciaincor.com.br/vacina-contra-febre-reumatica-pode-mudar-otratamento-de-doencas-autoimunes/

Matéria veiculada pela Globo: https://globoplay.globo.com/v/7392360/

 

Reconhecendo a Depressão Pós-parto

Reconhecendo a Depressão Pós-parto

A Depressão pós-parto, um subconjunto da Depressão Perinatal (DPN), é a complicação obstétrica mais comum nos Estados Unidos. Mesmo quando os resultados da triagem são positivos, as mães frequentemente não recebem avaliação adicional, e mesmo quando a depressão é diagnosticada, as mães não recebem tratamentos baseados em evidências.

 

Estima-se que 80% das mulheres tenham o chamado baby blues, certa melancolia que aparece nos primeiros dias do bebê em casa, dura no máximo um mês, e tem mais a ver com a adaptação física e emocional à nova realidade, além das alterações hormonais bruscas que o corpo sofre nessa fase. Mas a Depressão pós-parto vai além, tanto na intensidade quanto na duração dos sintomas, geralmente notados de quatro a seis semanas após o parto e que podem se arrastar por um ano (ou mais, em alguns casos). Ansiedade, irritabilidade, mudanças de humor, cansaço e desânimo persistentes estão no topo da lista de indícios, que também passam por diminuição de apetite, insônia e sensação de incapacidade.

 

Recentemente, de acordo com uma declaração de política e relatório técnico publicado na revista Pediatrics, foi preconizado que os médicos pediatras devem avaliar as novas mães para detectar efetivamente situações de depressão pós-parto (DPP) em visitas de consultório dos bebês, e fazer uso dos recursos da comunidade para tratamento e encaminhamento. No artigo, os autores americanos observam que a triagem provou ser bem-sucedida na detecção da DPP, e com tratamento adequado e precoce, houve boa redução dos efeitos da depressão e melhora no relacionamento entre mãe e bebê.

 

Além disso, o Estudo revela que a DPP leva ao aumento dos custos de cuidados médicos, tratamento médico inadequado do lactente, descontinuação aleitamento materno, disfunção familiar e aumento do risco de abuso e negligência.

 

A DPP, especificamente, afeta negativamente este período inicial crítico de desenvolvimento do cérebro. A DPN é um exemplo de uma experiência adversa na infância que tem complicações adversas potenciais a longo prazo para a mãe, seu parceiro, o bebê e a relação mãe-bebê. No entanto, o DPN pode ser tratada de forma eficaz, e o estresse sobre o bebê pode ser reduzido. Os atendimentos pediátricos devem coordenar os cuidados de forma mais eficaz com o pré-natal, prestando de serviços, tratamento e acompanhamento psicológico para mulheres com depressão materna diagnosticada no período pré-natal. Além disso, devem estabelecer um sistema para implementar a triagem da DPP e organizar visitas de puericultura periódicas.

 

A Academia Americana de Pediatria, trabalhando com departamentos estaduais de saúde, junto a financiamentos públicos e privados e programas de saúde materna e infantil,

defendem que deve ser intensificado o treinamento para a triagem da DPN e tratamento da mesma. Desse modo, a Academia Americana de Pediatria espera que a triagem para DPN seja aperfeiçoada, de modo a otimizar o tratamento, evitando sequelas tanto para a criança quanto para a mãe.

 

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30559120