Pediatria – Widoctor

Tratamento para Pediculose

Tratamento para Pediculose

1- Pediculose capitis – A permetrina creme a 1% (Nix) é um pediculicida e ovicida de venda livre tópico. É aplicado no couro cabeludo e no cabelo e deixado por 8 horas antes de ser enxaguado. Embora seja o tratamento de escolha para os piolhos, a resistência à permetrina é comum.

A loção de malatião 1% (Ovide) é muito eficaz, mas é altamente volátil e inflamável, portanto, a aplicação deve ser feita em uma sala bem ventilada ou ao ar livre.

Loção tópica de ivermectina a 0,5%, álcool benzílico a 5%, loção Oxyphthirine®, suspensão spinosad a 0,9% e dimeticona são agentes adicionais que parecem ter eficácia contra a pediculose da cabeça; desses agentes, a ivermectina tópica é a mais eficaz. Todas as pessoas infestadas em uma residência, escola ou outra instituição devem idealmente ser tratadas ao mesmo tempo. Além da ivermectina tópica, as terapias tópicas devem ser repetidas 7 a 9 dias após o tratamento inicial. Para o envolvimento dos cílios, o petrolato é aplicado densamente duas vezes ao dia por 8 dias, e as lêndeas remanescentes são então removidas. Opções de tratamento sistêmico, frequentemente usadas em combinação com agentes tópicos) são ivermectina oral (200 mcg / kg por via oral, repetida em 7 dias) (para crianças com mais de 5 anos e mais de 15 kg) e TMP-SMZ oral (10 mg TMP / kg / dia e 50 mg SMZ / kg / dia divididos duas vezes ao dia por 10 dias).

2- Pediculose corpórea – Os piolhos corporais são tratados descartando-se as roupas infestadas e abordando-se a situação social do paciente.

3- Pediculose pubiana – A aplicação de permetrina 1% por 10 minutos ou creme de permetrina a 5% por 8 horas no púbis é eficaz. Os contatos sexuais devem ser tratados. Roupas e roupas de cama devem ser lavadas e secas a alta temperatura.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Novidades no Calendário Vacinal

Novidades no Calendário Vacinal

O Ministério da Saúde (MS) anunciou mudanças no calendário de vacinas que passaram a valer a partir da última segunda-feira (4/1/16). As alterações são as seguintes.
HPV
O esquema passou de 3 doses para apenas 2 doses. A segunda dose deve ser administrada 6 meses após a primeira e pacientes portadoras de HIV devem continuar a receber 3 doses.
Pneumocócica
O esquema mudou de 3 doses + 1 reforço para 2 doses + 1 reforço. A doses são aplicadas aos 2 e 4 meses de idade. Já o reforço deve ser administrado aos 12 meses ou até os 4 anos de idade.
Poliomielite
A terceira dose da vacina aos 6 meses de idade não mais deve ser a Sabin oral, mas a Salk injetável.
Meningocócica
O reforço deve ser aplicado aos 12 meses de idade ao invés de 15, podendo ser feito até os 4 anos de idade.
Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/21518-ministerio-da-saude-realiza-mudancas-no-calendario-de-vacinacao
 

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)

– Definição: instabilidade da articulação do quadril, por frouxidão ligamentar, predispondo à luxação subsequente;
– Fatores de Risco:

  • SEXO FEMININO (9:1);
  • História familiar;
  • Apresentação pélvica;
  • Gemelaridade;
  • Oligodrâmnio;
  • Primogênito.

 
 
– É mais comum do lado esquerdo (60% dos casos), sendo bilateral em 20% dos pacientes;
– O diagnóstico deve ser o mais precoce possível;
– Exame Físico:

  • Manobra de Barlow: adução da coxa enquanto força-a para baixo… para saber se o quadril é luxável;
  • Manobra de Ortolani: abdução do quadril… verifica se o quadril já está luxado.

 
De 3 a 18 meses: limitação da abdução, encurtamento do membro inferior, sinal de Galeazzi (altura inferior do joelho do lado afetado)… as manobras de Barlow e Ortolani não têm mais efeito;
Após os 12 meses: alteração da marcha, sinal de Trendelenburg (ao ficar de pé no membro afetado, o quadril cai para o lado oposto e o tronco desvia-se);
– Confirma-se o diagnóstico com a USG (pacientes < 3 meses de idade).
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– Tratamento: objetivo é manter a cabeça femoral centrada no acetábulo (SUSPENSÓRIO DE PAVLIK);
– De 6 a 18 meses: redução incruenta (tração abdutora e tenotomia dos adutores);
– De 18 meses a 8 anos: redução cruenta, associada a tenotomia e osteotomia redutiva;
Após os 8 anos de idade, a correção da DDQ não tem mais benefício;
– A displasia acetabular irreversível é a sequela natural da doença não tratada, que certamente acarretará em osteoartrose grave do quadril no adulto jovem.
 
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Teste do Pezinho

Teste do Pezinho

O ideal é que o teste seja realizado entre o 3º e o 7º dia de vida. O teste não deve ser feito antes das 48 horas de vida, pois pode sofrer influência das alterações hormonais e metabólicas que acontecem com a transição da vida fetal para a vida pós-natal.  A coleta tardia pode impedir que a suspeita e o diagnóstico sejam feitos no tempo correto e, consequentemente, atrasar as intervenções e tratamento específicos, fazendo com que a doença provoque sequelas que podem ser irreversíveis, prejudicando o crescimento e desenvolvimento. O exame é feito através de uma pequena picada no calcanhar do bebê. O furo é praticamente indolor e o sangue é coletado rapidamente. O calcanhar é o local escolhido por ser uma região com muitos vasos sanguíneos.

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O teste é obrigatório por lei e sua coleta é garantida e está disponivel em todos os municípios brasileiros, sendo gratuito no Sistema Único de Saúde. Em todo o Brasil, é feita pelo menos a triagem do hipotireoidismo congênito e da fenilcetonúriaUma parte dos estados faz também a pesquisa de hemoglobinopatias (como a anemia falciforme) alguns realizam também a pesquisa da fibrose cística. Já foram incluídos, em alguns locais, o rastreio para a Hiperplasia adrenal congênita e para a Deficiência de biotinidase.  

Os Estados brasileiros encontram-se em diferentes fases de implantação do Programa de Triagem neonatal:

Fase I: Hipotireoidismo congênito e Fenilcetonúria

Fase II: Hipotireoidismo congênito, Fenilcetonúria e Hemoglobinopatias

Fase III: Hipotireoidismo congênito, Fenilcetonúria, Hemoglobinopatias e Fibrose cística

Fase IV:  Hipotireoidismo congênito, Fenilcetonúria, Hemoglobinopatias, Fibrose cística, Hiperplasia adrenal congênita e Deficiência de biotinidase.

Fonte: http://www.endocrino.org.br/teste-do-pezinho/

 

Vacina contra HPV. O que você sabe sobre ela?

Vacina contra HPV. O que você sabe sobre ela?

. O que é o HPV?

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus que infecta a pele e mucosas e pode causar câncer do colo de útero e verrugas genitais.

Já os tipos 6 e 11 são encontrados na maioria das verrugas genitais.

. Como ocorre o contágio?

O vírus HPV é altamente contagioso, sendo possível contaminar-se com uma única exposição, e a sua transmissão acontece por contato direto com a pele ou mucosa infectada.

Embora seja raro, o vírus pode propagar-se também por meio de contato com a mão.

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. O que é câncer do colode útero?

É o crescimento anormal de células no colodo útero.

. Quais são as formas de prevenção do câncer do colo de útero?

A vacinação contra o HPV é a forma mais eficiente de se proteger contra o câncer do colo de útero.Para prevenir, é preciso vacinar as adolescentes de 9 a 11 anos.

5. Como será a vacinação?

A vacina HPV estará disponível para adolescentes entre 9 e 11 anos, nas Unidades de Saúde do SUS ou nas escolas.

A adolescente deverá tomar 3 doses da vacina. A primeira dose estará disponível em março de 2015, a segunda, em setembro de 2015, e a terceira será agendada para 60 meses após a data da primeira dose.

Destaca-se que as meninas de 12 a 13 anos que ainda não foram vacinadas devem procurar uma Unidade de Saúde do SUS para tomar a vacina.É preciso completar o esquema vacinal,pois só com a segunda dose a adolescente estará protegida.

Será utilizada a vacina quadrivalente HPV,que confere proteção contra quatro tipos(6, 11, 16 e 18).

. Por que vacinar na adolescência?

Estudos mostram que a vacina tem maior eficácia se for administrada em adolescentes que ainda não foram expostas ao vírus, pois, nessa idade, há maior produção de anticorpos contra o HPV que estão incluídos na vacina.

8. Posso ter alguma reação depois de tomar a vacina HPV?

A vacina HPV é uma vacina muito segura, desenvolvida por engenharia genética. Pode, raramente, ocasionar reações como dor, inchaço e vermelhidão no local da aplicação.Ocasionalmente, podem ocorrer dor de cabeça, mal estar e desmaios (síncope), que são relacionados à ansiedade ou ao medo da aplicação da vacina – reação mais comumente apresentada em adolescentes. O importante é que, depois, todas ficam bem.

A síncope mais frequente é a síncope vasovagal, comum em pessoas com alguma particularidade emocional, geralmente desencadeado por dor intensa, medo da injeção ou um choque emocional súbito,por exemplo.

Até o momento, não há conhecimento de nenhum efeito colateral grave relacionado à vacinação contra HPV.

 
FONTE: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/hpv/

Doença Hemolítica Perinatal (DHPN)

Doença Hemolítica Perinatal (DHPN)

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A incompatibilidade do fator Rh entre mãe e feto é o que desencadeia a doença (Mãe Rh-, Pai Rh+ e Filho Rh+). A doença é envolve, caracteristicamente, os anticorpos da classe IgG.  Para que ela ocorra é necessário que sejam obedecidos os seguintes critérios:

  • Incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto
  • Aloimunização materna
  • Passagem de anticorpos da mãe para o concepto
  • Ação de anticorpos no feto

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Como ocorre a aloimunização materna?

Ela ocorre por meio do contato do sangue fetal, decorrente de hemorragias durante o período gestacional, sendo que 0,25 ml já é o suficiente.

Como saber se houve contato do sangue fetal com o sangue materno?

Para esse fim utiliza-se o Teste de Kleihauer, que identifica e quantifica hemácias fetais na circulação materna. É importante ressaltar que esse teste não diagnostica a aloimunização. Ele apenas identifica a presença de hemácias fetais no sangue da mãe.

E quando os anticorpos maternos entrarem em contatos com o feto, o que pode ocorrer no seu organismo?

  • Inicialmente há um aumento da produção de eritropoietina e da eritropoese medular.  Com a evolução do quadro há a instalação da eritropoese extramedular e consequente anemia fetal, podendo, ainda haver hipertensão portal e hipoproteinemia (hidropsia)
  • Ocorre diminuição da viscosidade sanguínea e posterior hemólise
  • Há um aumento do débito cardíaco (hipercinesia)
  • Pode ocorrer insuficiência cardíaca e falência miocárdica
  • Kernicterus

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Atenção:

Coombs indireto (identifica o anticorpo no plasma materno) indica risco e não diagnostica!!!  Se o resultado for negativo deve-se repetir com 28, 32, 36 e 40 semanas e se menor que 1:8 deve-se repetir mensalmente até a data do parto. Contudo, se o resultado for maior que 1:8 deve-se prosseguir com a investigação da possível presença de anemia fetal.

A prevenção está indicada nos seguintes casos (dose única de 300 mcg) intramuscular:

  • Em todas as gestantes Rh negativo, não sensibilizadas, após o parto (até no máximo 28 dias pós-parto, mas de preferência nas primeiras 72 horas)
  • Em mulheres que apresentaram quadro de hemorragia durante a gestação
  • Abortamento
  • Prenhez ectópica
  • Parto prematuro
  • Doença trofoblástica gestacional
  • Biópsia de vilo corial
  • Cordocentese
  • Amniocentese

Preconiza-se a administração de imunoglobulina, nas pacientes com Coombs indireto negativo, na 28ª semana de gestação.

A anemia fetal pode ser avaliada pelos seguintes métodos:

  1. Invasivos: Amniocentese e Cordocentese (padrão ouro).
  2. Não-invasivos: Cardiotocografia, Ultrassonografia e Dopplervelocimetria (Artéria Cerebral Média).

Tratamento:

  • Intrauterino: Transfusão Intrauterina (TIU)
  • Extrauterino: Exosanguineotransfusão

A fototerapia deverá ser utilizada para auxiliar na redução dos níveis de bilirrubina.

Icterícia Fisiológica do Neonato

Icterícia Fisiológica do Neonato

É aquela que se torna aparente no segundo ou terceiro dias de vida, às custa de bilirrubina indireta, sendo clinicamente observada quando atinge um valor sérico acima de 5-7 mg/dl. O nível máximo de bilirrubina total é de 12 a 13 mg/dl nos RN a termo e 14 a 15 mg/dl nos prematuros.  Dessa forma, diante dos seguintes achados podemos EXCLUIR o diagnóstico de icterícia fisiológica:

⇒Icterícia persistente,

⇒Presença de colestase,

⇒Início nas primeiras 24 horas,

⇒Níveis de bilirrubina muito elevados,

⇒Velocidade de aumento da bilirrubina é alta.

Hiperbilirrubinemia-Neonatal-Ictericia-Piel-Amarilla

Os mecanismos que se destacam na produção dessa afecção são o aumento da produção de bilirrubina, caracterizado por uma maior massa eritrocitária; aumento na circulação êntero-hepática e menor captação, conjugação e excreção da bilirrubina pelo fígado.

Para apoiar na avaliação do quadro evolutivo de icterícia, utilizamos a classificação das Zonas de Kramer, a qual é dividida em 5 zonas ( de I a V):

 Zonas de kramer

É importante destacar que uma icterícia que alcança a zona III de Kramer (12mg/dl), provavelmente, não mais caracteriza uma icterícia fisiológica. Mas atenção, o exame laboratorial é essencial para fechar o diagnóstico.

Exemplo: Um RN sem intercorrências, com 70 horas de vida apresenta-se, ao exame físico, ictérico, classificado na zona III de Kramer, com uma Bilirrubina total de 11mg/dl, sendo 10,5mg/dl de Bilirrubina indireta e 0,5mg/dl de Bilirrubina direta. Sem qualquer outra alteração. A tipagem sanguínea era concordante com a materna. Qual seria o diagnóstico provável?

Resposta: Icterícia fisiológica.

Ora, mas não está na zona III de Kramer? SIM, está. Mas nesse caso a clínica não foi soberana, pois como o exame laboratorial revelou uma Bilirrubina total de 11 mg/dl às custas de Bilirrubina indireta, o provável diagnóstico é de Icterícia fisiológica.

Vacinação contra Febre Amarela – ATUALIZADO!!!!!

Vacinação contra Febre Amarela – ATUALIZADO!!!!!

Certamente estará na sua prova de residência. Não perca essa chance se atualizar!
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Indicação

Esquema

Crianças de 6 meses a 9 meses de idade incompletos A vacina está indicada somente em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença.
Crianças de 9 meses até 4 anos 11 meses e 29 dias de idade Administrar 1dose aos 9  meses de idade e 1  dose de reforço aos 4 anos de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Pessoas a partir de 5 anos de idade,  que receberam uma dose da vacina antes de completar 5 anos de idade Administrar uma única dose de reforço, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Pessoas a partir de 5 anos de idade, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação Administrar a primeira dose da vacina e, 10 anos depois, 1 dose de reforço.
Pessoas a partir dos 5 anos de idade que receberam 2 doses da vacina Considerar vacinado. Não administrar nenhuma dose.
Pessoas com 60 anos e mais, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação  O médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades.
Gestantes, independentemente do estado vacinal A vacinação está contraindicada. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação.
Mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 meses de idade, independentemente do estado vacinal A vacinação não está indicada, devendo ser adiada até a criança completar 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação. Em caso de mulheres que estejam amamentando e receberam a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação (com um mínimo de 15 dias). 
 
Viajantes
Viagens internacionais: seguir as recomendações do Regulamento Sanitário Internacional (RSI). 
Viagens para áreas com recomendação de vacina no Brasil: vacinar, pelo menos 10 dias antes da viagem, no caso de primeira vacinação. O prazo de 10 dias não se aplica no caso de revacinação.

 

Leia mais em http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/427-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/febre-amarela/l1-febre-amarela/10771-vacinacao-febre-amarela

Doença de Wilson

Doença de Wilson

A Doença de Wilson é um distúrbio genético, autossômico recessivo, em que ocorre, principalmente no fígado e cérebro, o acúmulo de cobre.  Sua frequência é de 1 : 30.000 e o diagnóstico se dá principalmente entre 5 e 30 anos de idade.

A alteração genética que ocorre é a mutação no gene ATP7B do cromossomo 13, que é responsável por codificar a enzima Adenosina Trifosfatase tipo-P. Além disso, há um excesso de catabolização da enzima ceruloplasmina, que é uma proteína transportadora de cobre. Dessa forma, a eliminação do cobre através da bile fica prejudicada, acumulando-se no fígado até que este não tenha mais capacidade de armazenamento. A partir daí, o cobre começa a circular na forma livre.

A doença pode apresentar manifestações hepáticas e neuropsiquiátricas:

Hepáticas: Hepatite Crônica Ativa, Hepatite Fulminante e Cirrose.

Neuropsiquiátricas: alterações de personalidade, psicose, cognição PRESERVADA e distúrbio de movimento. SEMPRE acompanhadas de Anéis de Kayser-Fleisher.

O que são Anéis de Keyser-Fleisher?

São alterações pigmentadas localizadas na membrana de Descemet, principalmente na região perilímbica na córnea.

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E o diagnóstico?

Além da clínica, laboratorialmente podemos encontrar:

→Elevação da excreção urinária do cobre

→Cobre total reduzido

→Aumento da fração livre de cobre

→Elevação do cobre hepático ( > 200 a 250 mcg/dl)

→Diminuição da ceruloplasmina ( < 20 mg/dl)

Tratamento:

Além de indicar uma dieta pobre em cobre, pode-se instituir o tratamento à base de quelantes de cobre, que deve ser feito sem interrupções:

Penicilamina

Trientina

Nos casos em que os pacientes apresentam insuficiência hepática crônica severa não responsiva aos medicamentos ou em caso de hepatite fulminante o Transplante Hepático pode ser indicado.

Celso Neto

Pediatria: Desenvolvimento Infantil

Pediatria: Desenvolvimento Infantil

As tabelas de marcos do desenvolvimento (NÃOOOOOOO) podem ser assustadoras à primeira vista. E também depois de muitas vistas. Apesar de, na prática, possuirmos diversas tabelas que nos ajudam, nas provas, as questões sobre o tema são bem frequentes. De fato, não vale a pena perder muito tempo (e muito espaço no cérebro) memorizando cada detalhe de todas as habilidades adquiridas pelas crianças nos seus primeiros meses de vida. Entretanto, alguns marcos básicos podem nos ajudar a acertar boa parte das questões sobre o assunto.

Antes de memorizar, devemos tentar entender alguns conceitos. Primeiro: a maturação das diversas funções se faz em uma ordem cefalocaudal. Segunda regra: desenvolvimento se faz do centro para a periferia (exemplo: na mão, primeiro ocorre o controle da borda cubital e, depois, da borda radial). Outra dica é a seguinte: lembre-se, primeiro a criança pega e, depois, solta. Com essas regrinhas em mente, vamos tentar memorizar os principais marcos do desenvolvimento infantil, listados na tabela a seguir:

 

Recém-Nascido ·         Motor: membros fletidos, postura tônico-cervical (PTC), cabeça pende;
·         Adaptativo: fixa a visão;
·         Social: prefere a face humana.
1 mês ·         Motor: pernas mais estendidas, PTC, levanta o queixo em prono;
·         Adaptativo: segue objetos com a visão até 90⁰;
·         Social: sorri.
2 meses ·         Motor: PTC, levanta a cabeça em prono;
·         Adaptativo: segue objetos com a visão 180⁰;
·         Social: sorri socialmente (em resposta a estímulos);
·         Linguagem: vocaliza (“GU”).
3 meses ·         Motor: PTC, levanta a cabeça e tronco em prono, sustentação pendular da cabeça;
·         Adaptativo: estende a mão (acena) para objetos;
·         Social: estabelece contato social (sorri e vocaliza);
·         Linguagem: sons guturais (“consonantais”).
4 meses ·         Motor: cabeça centralizada (não mais PTC), olha para as mãos na linha média, sustenta a cabeça;
·         Adaptativo: pega cubital;
·         Social: ri alto;
·         Linguagem: sons guturais.
6-7 meses (28 semanas) ·         Motor: vira, senta sem apoio por pouco tempo (desenvolvimento da musculatura axial);
·         Adaptativo: pega radial palmar (sem pinça), transfere objetos entre as mãos;
·         Social: prefere a mãe;
·         Linguagem: poli/monossílabos vogais (“auauau”).
9-10 meses ·         Motor: senta sozinho e sem apoio, engatinha (única etapa que pode faltar);
·         Adaptativo: segura objetos com pinça (não é pegar! Necessita de apoio da mão), solta objetos se retirados;
·         Social: estranha, acena, bate palmas, adquire sentido da permanência (brinca de “cadê”);
·         Linguagem: polissílabos (“papa”, “mama”).
12 meses ·         Motor: anda com apoio, levanta sozinho;
·         Adaptativo: pega com a pinça, entrega objetos por solicitação;
·         Social: interage (vestir, brincar);
·         Linguagem: algumas palavras.

 

Agora, algumas questões para praticarmos.

1 – Universidade Federal do Ceará (2011): Em que faixa etária o lactente consegue passar o objeto de uma mão para outra em linha média?

a) 3 – 5 meses.

b) 6 – 8 meses

c) 9 – 11 meses

d) 12 – 14 meses

e) 16 – 18 meses.

2 – Hospital Universitário Pedro Ernesto (2012): Paralelamente ao deleite ante as sucessivas conquistas dos filhos pequenos, os pais precisam estar atentos a eventuais desvios nas sucessivas etapas do desenvolvimento e buscar pronta ajuda se preciso for. Com certeza, algumas atitudes podem ser consideradas marcos bem definidos nesse processo. Por exemplo, em uma criança saudável com quatro meses, espera-se que ela já seja capaz de:

a) sustentar a cabeça, segurar objeto colocado em sua mão e seguir com o olhar até 180º.

b) tentar alcançar um brinquedo, dobrar o corpo em direção ao som e sustentar a cabeça.

c) rolar no leito, tentar alcançar um brinquedo e segurar objeto colocado em sua mão.

d) dobrar o corpo em direção ao som, seguir com o olhar até 180º e rolar no leito.

RESPOSTAS: 1 – b; 2 – a.