Gatroentorologia – Widoctor

Tratamento para Constipação

Tratamento para Constipação

A- Constipação crônica

1- Medidas dietéticas e de estilo de vida

Questões psicossociais adversas devem ser identificadas e abordadas. Os pacientes devem ser instruídos sobre a função defecatória normal e hábitos ideais de higiene, incluindo tempo regular, posicionamento adequado e pressão abdominal. A ingestão adequada de líquidos e fibras dietéticas deve ser enfatizada. Recomenda-se um teste de suplementos de fibra. Aumento da fibra alimentar pode causar distensão ou flatulência, que muitas vezes diminui ao longo de vários dias. A resposta à terapia com fibra não é imediata e o aumento da dose deve ser feito gradualmente ao longo de 7 a 10 dias. É mais provável que a fibra beneficie pacientes com trânsito colônico normal, mas pode não beneficiar pacientes com inércia colônica, distúrbios defecatórios, constipação induzida por opióides ou síndrome do intestino irritável; pode até exacerbar os sintomas nesses pacientes. O exercício regular está associado a um menor risco de constipação. Quando possível, interrompa os medicamentos que possam estar causando ou contribuindo para a constipação. Os probióticos são amplamente promovidos a pacientes em publicidade direta para o tratamento da constipação. Uma meta-análise de 2014 de ensaios controlados randomizados sugere que os probióticos melhoram a frequência e a consistência das fezes; no entanto, mais estudos são necessários.

 

2- Laxante

Os laxantes podem ser administrados de forma intermitente ou crônica para a constipação que não responde a mudanças na dieta e no estilo de vida.  Não há evidências de que o uso prolongado desses agentes seja prejudicial.

2.a- Laxantes osmóticos

O tratamento geralmente é iniciado com o uso regular (diário) de um laxante osmótico. Agentes osmóticos não absorvíveis aumentam a secreção de água no lúmen intestinal, amolecendo as fezes e promovendo a defecação. Hidróxido de magnésio, carboidratos não digeríveis (sorbitol, lactulose) e polietilenoglicol são todos eficazes e seguros para o tratamento de casos agudos e crônicos. As dosagens são ajustadas para atingir movimentos suaves a semi-líquidos. Laxantes salinos contendo magnésio não devem ser administrados a pacientes com insuficiência renal crônica. Carboidratos não digeríveis podem induzir inchaço, câimbras e flatulência. O polietilenoglicol 3350 (Miralax) é um componente de soluções tradicionalmente usadas para lavagem do cólon antes da colonoscopia e não causa flatulência. Quando utilizado em doses convencionais, o início de ação destes agentes osmóticos é geralmente dentro de 24 horas. Para um tratamento mais rápido da constipação aguda, podem ser usados ​​laxantes purgativos, como o citrato de magnésio. O citrato de magnésio pode causar hipermagnesemia.

2.b-  Laxantes estimulantes

Para pacientes com resposta incompleta a agentes osmóticos, laxantes estimulantes podem ser prescritos conforme necessário, como um agente de “resgate” ou regularmente, três ou quatro vezes por semana. Esses agentes estimulam a secreção de líquidos e a contração do cólon, resultando em um movimento intestinal dentro de 6 a 12 horas após a ingestão oral ou 15 a 60 minutos após a administração retal. Os agentes orais geralmente são administrados uma vez ao dia na hora de dormir. As preparações comuns incluem bisacodil, senna e cáscara.

2.c- Agentes secretórios de cloreto

Vários agentes estimulam a secreção intestinal de cloreto, seja pela ativação dos canais de cloreto (lubiprostona) ou guanilciclase C (linaclotídeo e plecanatida), resultando em aumento do fluido intestinal e aceleração do trânsito colônico. Em multicêntrico ensaios clínicos controlados, pacientes tratados com lubiprostona 24 mcg por via oral duas vezes ao dia, linaclotide 145 mcg uma vez ao dia, ou plecanatida 3 mg uma vez ao dia aumentaram o número de evacuações em comparação com pacientes tratados com placebo. Como esses agentes são caros, eles devem ser reservados para pacientes com resposta abaixo do ideal ou efeitos colaterais com agentes menos caros.

2.d- Antagonistas dos receptores opióides

O uso prolongado de opioides pode causar constipação pela inibição do peristaltismo e pelo aumento da absorção do líquido intestinal. Metilnaltrexona (450 mg por via oral uma vez ao dia), naloxegol (25 mg por via oral uma vez ao dia) e naldemedina (0,2 mg por via oral uma vez ao dia) são antagonistas do receptor opióide mu que bloqueiam receptores opioides periféricos (inclusive no trato gastrointestinal) sem afetar a analgesia central. Eles são aprovados para o tratamento da constipação induzida por opióides em pacientes que recebem opioides por dor crônica não oncológica. Uma formulação subcutânea de metilnaltrexona também é aprovada para o tratamento de pacientes que recebem cuidados paliativos para doenças avançadas que não responderam aos esquemas laxantes convencionais.

 

B-  Impactação fecal

A impactação severa das fezes na abóbada retal pode resultar em obstrução ao fluxo fecal adicional, levando à obstrução parcial ou completa do intestino grosso. Os fatores predisponentes incluem medicamentos (por exemplo, opióides), doença psiquiátrica grave, repouso prolongado no leito, distúrbios neurogênicos do cólon e distúrbios da medula espinhal. A apresentação clínica inclui diminuição do apetite, náuseas e vômitos e dor e distensão abdominal. Pode haver “diarreia” paradoxal, como vazamentos de fezes líquidas ao redor das fezes impactadas. As fezes firmes são palpáveis ​​no exame digital da abóbada retal. O tratamento inicial é direcionado ao alívio da impactação com enemas (solução salina, óleo mineral ou diatrizoato) ou ruptura digital do material fecal impactado. O cuidado de longo prazo é direcionado para a manutenção de fezes moles e evacuações regulares.

Fonte:

Papadakis, M; Mcphee, S; Current Medical Diagnosis & Treatment 58 ed. New York: Lange, 2019

Pesquisadores brasileiros identificam bactérias que facilitam diagnóstico de câncer intestinal

Pesquisadores brasileiros identificam bactérias que facilitam diagnóstico de câncer intestinal

Pesquisadores brasileiros publicaram nesta segunda-feira (1º), na revista científica “Nature”, os resultados de um estudo que pode ajudar no diagnóstico precoce do câncer de intestino, o terceiro mais comum no mundo e no Brasil.

Em conjunto com especialistas da Universidade de Trento, na Itália, pesquisadores do hospital A.C Camargo e da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram identificar um conjunto de bactérias que servem como “marcadores” em um teste para o diagnóstico da doença.

No estudo, os pesquisadores analisaram o material genético em amostras extraídas das fezes de 969 pessoas com e sem câncer. Foram usadas amostras de populações da Alemanha, França, Itália, China, Japão, Canadá e Estados Unidos.

Eles descobriram 16 micro-organismos que só estão presentes na microbiota intestinal ou fecal do intestino de pessoas com câncer intestinal. A expectativa dos pesquisadores é que a capacidade de verificar com testes se esses micro-organismos estão no organismo dos pacientes ajude a identificar mais facilmente indivíduos com este tipo de câncer.

O biólogo Andrew Thomas, um dos participantes da pesquisa, explica que descoberta pode ajudar o trabalho de oncologistas.

“Esse estudo mostra que a microbiota de fezes é um indicador forte para a presença do câncer colorretal, independentemente da população sendo estudada ou da dieta das pessoas. Com isso, poderemos empregar testes que utilizam a microbiota fecal em conjunto com o teste do sangue oculto (feito para verificar a presença de sangue nas fezes) para obter detecções mais sensíveis e específicas, inclusive nos estágios iniciais da doença”, diz Thomas.

 

Bactéria causadora ou associada?

Segundo os pesquisadores, no caso do câncer de intestino, não era claro qual o papel ou a relação que os micro-organismos da flora intestinal tinham com a doença, enquanto que já era conhecido que o câncer de estômago só pode ser causado por uma única espécie bacteriana, a H. pylori.

O biólogo explica que ainda não é possível afirmar, com base no estudo, que uma ou mais bactérias específicas causem o câncer intestinal. Entretanto, a pesquisa abre possibilidade para novos estudos que investiguem se algumas dietas podem estar associadas ao desenvolvimento da doença.

“Um dos achados do nosso estudo foi o aumento de uma enzima microbiana que degrada a colina em pacientes com câncer intestinal. A colina é um nutriente presente na dieta (em carne vermelha e ovos), que ao ser degradada libera acetaldeído, um composto altamente carcinogênico, e trimetil-amina (TMA), que já foi fortemente associado a doenças cardiovasculares como a aterosclerose”, explica.

Ainda segundo o biólogo, o alto consumo de carne vermelha já foi associado a um maior risco de câncer colorretal, e o estudo atual abre um caminho para que essa interligação entre dieta, microbiota e o câncer colorretal seja confirmada.

 

Base heterogênea

Segundo o estudo, a identificação destes micro-organismos com dados de diferentes regiões do mundo pode funcionar como uma base de dados heterogêneos e importante para o diagnóstico e tratamento dos pacientes com câncer.

Além disso, pacientes que sofrem com doença de Crohn e retocolite ulcerativa também se beneficiariam, já que ambas não têm cura, mas podem ser controladas a partir de um diagnóstico precoce.

Fonte:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/01/pesquisadores-brasileiros-identificam-bacterias-que-facilitam-diagnostico-de-cancer-intestinal.ghtml

Doença do refluxo gastroesofágico

Doença do refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (GERD) é uma entidade que compreende diversos distúrbios, sendo que todos eles estão relacionados ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago e associados a sintomas e/ou complicações mais graves. Destas, a mais importante é o adenocarcinoma de esôfago.
Embora o refluxo seja, até certo ponto, um fenômeno fisiológico decorrente do relaxamento do esfíncter esofageano inferior (EEI), na GERD este refluxo ou está aumentado ou a eliminação dele está reduzida. Na GERD, é comum encontrar fatores de risco e comorbidades tais como obesidade, hérnia de hiato, distúrbios da peristalse, gravidez, estados de hipersecreção gástrica (ex: gastrinoma) e hiperfagia.
A apresentação clínica pode ser bastante variada. No entanto, os sintomas clássicos da GERD são a “azia” e a regurgitação. Por isso, a abordagem da condição é feita através da terapia empírica. Não existe uma relação confiável entre sintomatologia e gravidade da lesão (ex: esofagite, estenose, adenocarcinoma, úlceras…)
O tratamento compreende medidas não farmacológicas, tais como evitar alimentos gordurosos, álcool, hortelã, menta, tomate e seus derivados, café e chá, pois eles promovem o refluxo através do relaxamento do EEI. Além disso, recomenda-se evitar alimentos cítricos e apimentados, e manter sempre que possível o tronco na vertical, pois a gravidade ajuda a impedir o refluxo. A perda de peso é essencial na abordagem da doença.
O tratamento farmacológico baseia-se no uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) e antagonistas do receptor H2, pois eles reduzem não o refluxo em si, mas sim a acidez do conteúdo gástrico, diminuindo os sintomas e a agressão contra a parede do esôfago. Destes, os IBPs são os mais eficazes na redução da esofagite. Naqueles com GERD crônica, a fundoplicatura é o tratamento definitivo.

Apendicite aguda

Apendicite aguda

capa apendicite

A apendicite é a principal causa de abdome agudo, tanto em homens quanto em mulheres. A obstrução da luz do apêndice é o fator desencadeante do processo inflamatório. Essa obstrução pode ocorrer por fecalitos, apendicolitos ( causa mais comum), hiperplasia de folículos linfoides, contraste baritado, neoplasias, parasitos ou corpos estranhos.

Clínica

A dor que se inicia em região periumbilical, seguida de vômitos e anorexia, e que migra para a fossa ilíaca direita após 12 horas é clássica. É o chamado ponto de McMurney, que é a região localizada entre o terço médio e lateral da linha traçada da espinha ilíaca anterossuperior direita ao umbigo.  Os pacientes costumam se movimentar pouco devido à dor e assumem a posição de decúbito dorsal com flexão das pernas, principalmente a direita. Encontra-se , no exame físico, febre em torno de 38 a 40 graus Celsius. A peristalse estará diminuída.

Apendicite aguda 2

Quais são os sinais clássicos?

  • Blumberg
  • Rovsing
  • Markle
  • Aaron
  • Ten Horn
  • Dunphy
  • Lenander
  • Psoas
  • Obturador
  • Percussão calcânea

Qual é a principal complicação?

É a perfuração do apêndice, ocorrendo, geralmente, em sua borda antimesentérica.

Diagnóstico

É basicamente clínico. Os exames de imagem são solicitados em casos duvidosos. Atualmente, como método complementar de imagem, mas que não deve ser solicitador rotineiramente, a TC tem se despontado como o melhor.  Os sinais que podem ser encontrados nesse exame são:

  • Diâmetro maior ou igual a 7 mm
  • Lesão em alvo (parede espessada)
  • Borramento da gordura apendicular
  • Edema
  • Fluido peritoneal
  • Abcesso periapendicular
  • Ar extraluminal
  • Ausência de contraste no apêndice
  • Apendicolito

Outro método de imagem que apresenta boas especificidade e sensibilidade é a ultrassonografia, cujos achados se aproximam bastante dos encontrados na TC.

alvo

E a Escala de Alvarado, o que é?

É um escore que avalia a probabilidade de um quadro de abdome agudo ser apendicite

alvarado

  • 9 a 10 = altíssima probabilidade
  • 0 a 4 = improvável

Tratamento

O tratamento é preferencialmente cirúrgico, mas absolutamente em todos os casos indicam-se dieta zero, antibioticoterapia no pré-operatório e hidratação venosa.

I. Esquemas antibióticos:

  • Cefoxitina ou
  • Clindamicina ou Metronidazol  + Aminoglicosídeo ou Cefalosporina de 3ªgeração

II. As técnicas cirúrgicas abrangem a Apendicectomia Laparoscópica e Apendicectomia Aberta.

cirurgia 1