Saúde Mental – Widoctor

Saúde mental: a evolução dos tratamentos psiquiátricos no Brasil

Saúde mental: a evolução dos tratamentos psiquiátricos no Brasil

Rio de Janeiro, 1944. Quando soube que um dos internos do Hospital Pedro II estava encarcerado havia mais de dois dias numa cela, a médica Nise da Silveira (1905-1999) correu para libertá-lo. “Trata-se de um psicótico com alto grau de agressividade”, protestou o profissional que o mandara trancafiar. “Ele só precisa ser tratado como um ser humano!”, argumentou Nise. A cena faz parte do filme Nise – O Coração da Loucura (2015) e sintetiza o papel da mulher que mudou o tratamento psiquiátrico no Brasil.

Mais do que se rebelar contra os maus-tratos a pacientes, Nise transformou o setor de terapia ocupacional da unidade num ateliê de pintura e modelagem, interagiu com esquizofrênicos por meio das artes plásticas e encorajou os psicóticos a conviver com cães e gatos, aos quais chamava de “coterapeutas”. “Nise da Silveira sempre atuou da forma mais íntegra, humana e social possível, sendo um exemplo para nós, psiquiatras”, diz o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Quando chegou ao antigo Centro Psiquiátrico Nacional, Nise encontrou um ambiente, para dizer o mínimo, desumano. Seus pavilhões, superlotados, lembravam os de uma penitenciária. Na maioria das vezes, os portadores de doenças mentais viviam confinados em hospitais psiquiátricos como o de Juqueri, em São Paulo, isolados de tudo e de todos, até a morte. Muitos eram submetidos à camisa de força e a técnicas violentas como a lobotomia e o eletrochoque.

Estima-se que, só no Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, mais de 60 mil internos, entre dependentes químicos, ativistas políticos e até mães solteiras, tenham morrido, vítimas de negligência, isolamento social e tortura. “Os manicômios não foram construídos com o objetivo de tratar, mas, sim, de excluir aqueles que não se encaixavam no que se pensava ser um cidadão normal”, analisa o psiquiatra Marco Aurélio Soares Jorge, doutor em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esses “depósitos de gente”, como os próprios médicos se referiam a tais instituições, foram quase todos desativados no Brasil. Ainda existem 161 espalhados pelo país. O Pedro II, onde Nise trabalhou de 1946 a 1974, quando foi aposentada compulsoriamente, aos 69 anos, cedeu espaço ao Museu de Imagens do Inconsciente.

Mas não foram só as instituições que mudaram. Os critérios para diagnosticar um transtorno também sofreram uma evolução gradual. Um exemplo clássico é o homossexualismo. Só em 1990 ele foi excluído da lista de distúrbios mentais.

A mudança na definição dos transtornos psiquiátricos

“Em linhas gerais, podemos dizer que tudo aquilo que foge dos padrões mais aceitos dentro de uma sociedade é considerado loucura”, explica a médica Maria Tavares Cavalcanti, diretora do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Não há uma separação nítida entre o que é normal e o que é patológico. O que há são normas que mudam de acordo com a cultura.”

Quanto ao personagem do início deste texto, aquele descrito como “um psicótico com alto grau de agressividade”, seu nome é Lúcio Noeman (1913-1992) e algumas de suas obras estão expostas entre as mais de 360 mil que fazem parte do museu fundado por Nise em 1952.

“A loucura era até agora uma ilha perdida no oceano da razão”, escreveu Machado de Assis (1839-1908) em O Alienista. “Começo a suspeitar que é um continente.” O que diria o Bruxo do Cosme Velho se soubesse que, 136 anos depois da publicação de seu conto, os transtornos psiquiátricos passaram a atingir 23 milhões de brasileiros, quase o dobro do número de habitantes da cidade de São Paulo?

Sem diagnóstico precoce e terapia adequada, portadores de doenças mentais estão sujeitos a mazelas que vão de incapacidade social a mortalidade precoce. “Todos os transtornos, sem o devido tratamento, oferecem riscos: 96% dos casos de suicídio estão relacionados a distúrbios não tratados ou tratados incorretamente”, aponta Silva. “Quanto mais tempo o indivíduo demora a receber atendimento, mais complexo se torna o quadro e mais difícil a recuperação.”

Desde 2001, quando foi aprovada a Lei Antimanicomial no Brasil, hospitais psiquiátricos estão sendo substituídos por Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Em vez de serem internados por tempo indeterminado e de permanecerem isolados, os pacientes recebem atendimento humanizado em regime diário e com equipes multidisciplinares formadas por médicos, enfermeiros e psicólogos, entre outros profissionais. Os casos mais graves são encaminhados para hospitais com atendimento psiquiátrico.

Pioneiro, o CAP Itapeva, no interior paulista, surgiu em 1986 e, hoje, atende cerca de 500 pessoas, entre egressos de hospitais psiquiátricos, pacientes indicados por médicos e outros que procuram a instituição por conta própria. Lá, têm direito a três refeições, corte de cabelo, atividades recreativas e oficinas de geração de renda, como costura, marcenaria e informática.

Quando o paciente não tem onde morar, pode ficar nas residências terapêuticas. Ao todo, são 489 em todo o país. “Quando comparados aos hospitais psiquiátricos, os CAPs custam menos e funcionam mais”, avalia o psiquiatra Rodrigo Leite, coordenador dos Ambulatórios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Se a procura é baixa, atribuo ao fato de que muitas pessoas custam a aceitar que precisam de ajuda, temem sofrer preconceito ou desconhecem a existência do serviço.”

Felizmente, o número de CAPs saltou de 516 em 2004 para 2 462 em 2017. Enquanto isso, o de leitos de hospitais psiquiátricos caiu de 51 393 em 2002 para 25 009 em 2015. Mesmo assim, ponderam os especialistas, isso não basta. Outras medidas são necessárias, como uma política de prevenção ao uso de álcool e drogas e a ampliação do número de residências terapêuticas. “Todas as ações devem ser pensadas com um único objetivo: oferecer o que há de melhor para o paciente psiquiátrico”, enfatiza o diretor da ABP.

Que as lições de Nise da Silveira se juntem aos avanços terapêuticos para continuar mudando essa história.

Marcos da psiquiatria no país

1831: José Martins da Cruz Jobim (1802-1878), pioneiro na psiquiatria, publica o primeiro escrito sobre doenças mentais no Brasil.

1852: É inaugurado o Hospício de Pedro II, o “Palácio dos Loucos”, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. É o primeiro do gênero por aqui.

1881: Um decreto do governo cria a cadeira de Doenças Nervosas e Mentais nas Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro.

1883: O médico Teixeira Brandão (1854-1921) vira professor de psiquiatria no Rio e é considerado o primeiro alienista brasileiro.

1907: Criada, na capital fluminense, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal.

1921: Inaugurado o famigerado Manicômio Judiciário, órgão que se encarrega dos doentes mentais que cometem delitos.

1987: Realizada a primeira Conferência Nacional de Saúde Mental, em que se lança o lema “Por uma Sociedade Sem Manicômios”.

1992: O Ministério da Saúde regulamenta os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Internação? Só em casos extremos e sob ordem médica.

2001: Sancionada a lei que trata dos direitos dos pacientes com transtorno mental e defende a gradativa desativação dos manicômios.

2008: Criação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, que recomendam a inclusão de profissionais de saúde mental na Atenção Básica.

2015: A história da psiquiatra Nise da Silveira ganha as telas do cinema, popularizando seu trabalho de humanização com os pacientes.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/saude-mental-a-evolucao-dos-tratamentos-psiquiatricos-no-brasil/

Novo ‘Viagra feminino’ é liberado nos EUA

Novo ‘Viagra feminino’ é liberado nos EUA

Vyleesi tem algumas vantagens sobre o medicamento anterior: ele deve ser usado apenas antes da relação e pode ser tomado com bebida alcoólica

Um novo medicamento para tratar o baixo desejo sexual em mulheres , o segundo depois de Addyi , que entrou no mercado em 2015, foi aprovado nos Estados Unidos pela FDA, órgão de vigilância sanitária do país.

O remédio, chamado Vyleesi, será vendido pela AMAG Pharmaceuticals e deverá ser usado 45 minutos antes da relação sexual , por meio de uma caneta auto-injetável que é administrada na coxa ou no abdômen.

— Obviamente que estamos entusiasmados com a possibilidade de trazer uma outra opção aos pacientes —, disse Julie Krop, diretora médica da AMAG, em Massachusetts. — As mulheres vêm sofrendo significativamente, e quase em silêncio, com uma condição estigmatizada, quando muitas não sabem que é algo tratável.

Durante anos, o FDA esteve sob pressão para encorajar mais tratamentos para mulheres com baixo desejo sexual, condição conhecida como transtorno de desejo sexual hipoativo. Medicamentos para homens com disfunção erétil estão no mercado há duas décadas.

Mas os tratamentos voltados às mulheres sempre provocaram controvérsias. O primeiro produto, Addyi, foi aprovado em meio a uma campanha publicitária que acusava seus detratores de machistas. Mas alguns opositores argumentavam que seus riscos superavam seus benefícios. Isso porque o Addyi deve ser tomado todos os dias e não pode ser misturado a bebidas alcoólicas, o que pode causar desmaios.

Logo depois que foi colocado à venda, o Addyi foi adquirido pela Valeant Pharmaceuticals por US$ 1 bilhão, que não conseguiu promovê-la. Assim, a Valeant vendeu de volta o produto para seus proprietários originais em 2017, e as vendas da droga têm sido mornas.

Executivos da empresa se recusaram a dizer quanto Vyleesi custará e disseram que forneceriam mais detalhes quando o produto for colocado à venda, ainda neste ano. Eles informaram que esperavam que as seguradoras cubram o Vyleesi em uma escala semelhante à Addyi e aos medicamentos masculinos para disfunção erétil — a cobertura desses medicamentos por planos comerciais de saúde é mista.

A farmacêutica, responsável por outros produtos para a saúde feminina, estima que cerca de 6 milhões de mulheres americanas na pré-menopausa sofram de baixo desejo sexual, uma condição que em grande parte não é tratada. A empresa disse ainda que o mercado pode se traduzir em cerca de US$ 35 milhões por ano para cada 1% dos pacientes afetados que usam seu produto. A droga foi desenvolvida pela Palatin Technologies, que a licenciou para a venda pela AMAG na América do Norte em 2017.

Algumas mulheres relataram náuseas

Também conhecido como bremelanotida, o Vyleesi tem algumas vantagens sobre o Addyi. Deve ser usado apenas antes da relação e pode ser tomado com bebida alcoólica. Mas também tem algumas desvantagens — ela envolve injeções de agulha e, em testes clínicos, 40% tiveram náusea após tomá-la. No total, 18% das mulheres abandonaram o estudo, incluindo 8% que pararam de participar devido a náuseas.

O medicamento mostrou melhorar os sentimentos de desejo das mulheres e diminuiu sua angústia em relação ao sexo, mas não aumentou o número de “eventos sexualmente satisfatórios” que fosse estatisticamente significativo.

Krop, da AMAG, disse que a FDA não exige mais que as empresas que testam drogas para baixa libido feminina usem a quantidade de relações sexuais que as mulheres têm como um critério de avaliação primária. Isso porque, segundo ela, as mulheres com baixo desejo sexual continuam fazendo sexo com seus parceiros — mas simplesmente não têm prazer. “Muitas vezes as mulheres têm relações por pena ou por obrigação para manter o relacionamento”, disse. “O problema é que elas estão incomodadas com esse tipo esse sexo que estão tendo.”

Alguns críticos da indústria farmacêutica questionaram se Vyleesi seria o exemplo mais recente de uma empresa oferecendo uma solução farmacêutica para um problema que, na verdade, seria muito mais complexo.

“Acho que vale a pena observar o nível aceitável de libido que é influenciado socialmente”, disse Adriane Fugh-Berman, professora do departamento de farmacologia e fisiologia do Centro Médico da Universidade de Georgetown, que estuda marketing farmacêutico. “Fazer com que as mulheres se importem menos com o sexo ruim que elas estão tendo é uma meta duvidosa.”

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/sociedade/novo-viagra-feminino-liberado-nos-eua-23758432

Primeiro remédio para depressão pós-parto é liberado nos EUA

Primeiro remédio para depressão pós-parto é liberado nos EUA

Doença que afeta uma em cada sete americanas e uma em cada quatro brasileiras ganha droga que age em até 48 horas, mas tem aplicação cara e complicada

A agência americana responsável pela regulação de alimentos e medicamentos (FDA, na sigla em inglês) anunciou, na última terça (19), a liberação do primeiro remédio já criado para combater especificamente a depressão pós-parto.

A droga, chamada brexanolona (e que terá o nome comercial de Zulresso, nos EUA), é fabricada pela Sage Therapeutics. Ela age em até 48 horas nas pacientes, mas precisa ser administrada por via intravenosa ao longo de 60 horas, segundo a FDA. Por isso, e por poder causar sonolência e tontura, sua aplicação tem de ser feita em um centro médico.

É a primeira vez que a depressão pós-parto, a mais frequente das doenças ligadas à gravidez (afeta mais de 25% das brasileiras, e uma em cada sete mulheres nos EUA), ganha um tratamento considerado eficaz. Até então, as pacientes eram tratadas com antidepressivos comum, cujos efeitos podiam demorar semanas e nem sempre aconteciam.

A brexanolona é uma versão sintética de um hormônio esteroide chamado alopregnanolona, que o corpo humano fabrica naturalmente. Durante a gravidez, os níveis de alopregnanolona aumentam significativamente (até quase 30 vezes, segundo estudos), regredindo a seu nível normal logo após o parto.

Essa oscilação do hormônio é considerada responsável por mudanças no cérebro que, em algumas mulheres, contribuem para a depressão e a ansiedade. A brexanolona se liga a receptores cerebrais e modifica a resposta ao estresse, mas seu mecanismo de ação não foi completamente determinado.

Dois testes clínicos com cerca de 250 mulheres de idades entre 18 e 45 anos que tinham depressão pós-parto mostrou que, num período de 60 horas após a ingestão da droga, metade das que a tomaram não tinha mais sinais clínicos de depressão. Os efeitos de uma única infusão do medicamento duraram por até 30 dias.

A fabricante da brexanolona está testando atualmente uma versão da droga em formato de pílula. A pesquisa está na fase de estudos clínicos e ainda não foi aprovada pela FDA.

O custo do medicamento, segundo a Sage Therapeutics, varia de US$ 20 mil a US$ 35 mil.

O que é a depressão pós-parto

No Brasil, em cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê, segundo estudo da Escola Nacional de Saúde da Fiocruz.

O Ministério da Saúde brasileiro define a doença como “uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto”. Ela traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo.

A literatura cita efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência.

Um estudo feito pela Escola de Medicina da Universidade da Califórnia mediu como a depressão da mãe afeta negativamente o desenvolvimento cognitivo de seu filho: em uma escala de 1 a 19, o QI verbal médio das crianças de 5 anos analisadas foi de 7,64. O desempenho daqueles que tinham mães profundamente deprimidas era de 7,30, enquanto os filhos de mães sem depressão alcançaram 7,78.

Mais raramente, a depressão pós-parto pode evoluir para uma forma mais agressiva e extrema, conhecida como psicose pós-parto.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/primeiro-remedio-para-depressao-pos-parto-liberado-nos-eua-23539310

Musicoterapia: O que é, benefícios, como a música pode mudar sua vida

Musicoterapia: O que é, benefícios, como a música pode mudar sua vida

A música está nas ruas, nas festas, em carros, em celulares, escolas, instituições e eventos da nossa vida. Ela está presente nas nossas lembranças mais tristes e mais felizes.

Como já dizia Rubem Alves, escritor, psicanalista e educador: Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos de volta um passado. Lembramo-nos de lugares, objetos, rostos, gestos, sentimentos. (…) Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu.”  Trecho do livro “Na Morada das Palavras” (Papirus Editora, 2003).

O que é Musicoterapia

Musicoterapia, como o nome já diz, é uma forma de tratar os pacientes através da música. É uma técnica que trabalha com a saúde ao utilizar formas diversas de aprendizado, expressões e arte. Trazendo prevenção e promoção de saúde para todos.

A música faz com que sintamos emoções positivas ou negativas. Ela evoca emoções que são ativadas em partes e áreas de nosso cérebro, por exemplo: córtex, amígdala, cerebelo, hipocampo e etc. Essas áreas são mais desenvolvidas e ativadas positivamente ao serem trabalhadas com a música. Melhora o humor, a atenção, concentração, a memória e lembranças profundas.

São feitas sessões com o paciente ativo, ao se colocar a tocar e cantar junto com o psicoterapeuta. Pode-se trabalhar sessões individuais ou em grupos, e cada um vai fazendo de acordo com o seu ritmo e/ou juntamente com o terapeuta, porém, ambos trabalhando as técnicas juntos, de forma ativa ou  passiva, quando o paciente apenas vai percebendo o que o terapeuta faz, toca ou canta.

A musicoterapia é feita com a execução de uma música ou trecho musical, por meio do qual o paciente vai acompanhando e participando ativamente.

Os benefícios são comprovados pelos estudos científicos e vistos no processo do terapia, os quais são observados um bom desenvolvimento dos pacientes nas sessões, melhor desempenho em suas sensações corporais e na capacidade que vão desenvolvendo em expressar suas emoções com mais facilidade.

Os benefícios da musicoterapia

O ato de ouvir música e/ou tocar, ajuda a melhorar as frequências cardíacas e respiratórias e pressão de pacientes portadores de doença arterial coronária.

Ajudam em transtornos neurológicos, pois tem se mostrado muito eficaz nos sintomas da ansiedade, depressão e de isolamento.

A musicoterapia tem efeitos surpreendente também no tratamento de pacientes vítimas de AVC. Sabe-se que a música desperta emoções nos pacientes vitimizados e ainda por cima estimulam as interações sociais; o que ajuda muito no processo do tratamento.

Pacientes com Mal de Alzheimer e outros tipos de Doenças Neurodegenerativas também são beneficiados com a Musicoterapia, pois o tratamento faz com que os pacientes tenham certa ativação neural.

Na vida social, a musicoterapia estimula a capacidade interativa e de comunicação, promovendo a socialização e melhora dos aspectos emocionais, físicos, biológicos e culturais. Ela une as pessoas e trata o humor, depressão, ansiedade, estresse e motiva cada vez mais os pacientes a encararem a vida com mais energia, motivação e determinação.

Procure se informar mais sobre a musicoterapia e comece também a ouvir músicas que te agradam. Comece a perceber como a troca de experiências entre pessoas e pacientes podem lhe dar mais força, energia e assim enfrentar melhor as dificuldades e ter uma qualidade de vida melhor.

Procure um profissional de saúde para lhe ajudar em seus medos e ansiedades. Saiba que com o tratamento adequado você pode ter uma vida mais feliz, saudável e com mais harmonia em tudo.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.psicologiaviva.com.br/blog/musicoterapia/

Antidepressivos na geladeira? Ciência estuda como dieta afeta a saúde mental

Antidepressivos na geladeira? Ciência estuda como dieta afeta a saúde mental

Recostado no divã, um homem qualquer descreve um sentimento de ansiedade que o oprime todos os dias. Ele o descreve como se fosse um convidado faminto que não quer ir embora, uma visita indesejada que o obriga a colocar mais e mais aperitivos sobre a mesa, e não é só uma metáfora. Também fala de outros assuntos e relata estados passageiros de tristeza que não pode explicar facilmente. De repente, o psiquiatra tira os óculos, os coloca lentamente sobre a mesinha ao lado e faz uma estranha pergunta a seu paciente… “O que tem dentro de sua geladeira?”, diz. O olhar do homem revela um compreensível estranhamento diante do rumo do interrogatório, mas a questão da qualidade nutricional dos alimentos parece não ser insignificante no que se refere à saúde mental.

Há décadas que os cientistas conhecem os benefícios que uma dieta e nutrição adequadas têm no desenvolvimento das doenças cardiovasculares, digestivas e endócrinas. E não só os médicos são conscientes de que a saúde entra pela boca; a informação dirigida aos mortais comuns para cuidar de sua dieta é tudo, menos escassa. A situação é muito diferente no campo da psiquiatria, ainda que nos últimos anos um número crescente de pesquisas mostra que a alimentação não só tem um papel crucial em nossa saúde física como também na mental. Se levarmos em consideração que a depressão é uma das doenças que se relacionam com a qualidade nutricional da dieta, a ideia de que a felicidade está no prato não é tão disparatada.

Inflamação, um nexo de união entre dieta e doença

É óbvio que as emoções e a comida estão relacionadas; todos nós já fomos fortemente impelidos à geladeira em momentos de ansiedade, e a terapia para superar os momentos de tristeza à base de sorvete é um clássico nos filmes que giram em torno às decepções amorosas. As evidências são muito mais esquivas em uma ótica empírica, mas a comunidade científica começou a se perguntar por que a doença mental também não é tratada da perspectiva nutricional, e os especialistas encontraram um paradoxo muito interessante.

“As doenças psiquiátricas, como a depressão e a esquizofrenia, não são muito diferentes da diabetes se olharmos as mudanças que ocorrem no organismo a um nível molecular. As pessoas com diabetes e com depressão se encontram em um estado de inflamação sistêmica leve, mas crônica”, diz o professor de psiquiatria e psicologia médica da Universidade de Valência e membro do comitê executivo da Sociedade Internacional para a Pesquisa em Psiquiatria Nutricional Vicent Balanzá. “Assumindo isso, as intervenções com dieta e nutrição podem ser eficazes para corrigir a inflamação também nas doenças psiquiátricas e, em geral, para melhorar o prognóstico das pessoas que as sofrem. No final das contas, a divisão entre cérebro-mente e corpo não tem fundamento científico”, acrescenta o também pesquisador do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Saúde Mental.

Por isso médicos e pesquisadores de todo o mundo começaram a trabalhar sinergicamente para averiguar mais sobre as relações entre os nutrientes e a mente e englobaram o conhecimento adquirido sobre o termo de psiquiatria nutricional. Um dos maiores expoentes da disciplina emergente, o agricultor e psiquiatra da Universidade Columbia, em Nova York (EUA), Drew Ramsey, defende que uma dieta deficiente é um dos maiores fatores que contribuem à depressão. Nesse sentido, uma das metanálises mais recentes publicadas sobre os efeitos da nutrição na saúde mental, da qual participaram cientistas do mundo todo (incluindo dois grupos de pesquisa espanhóis), descobriu que “manter uma dieta saudável, em particular uma dieta mediterrânea tradicional, e evitar uma dieta proinflamatória parece dar certa proteção contra a depressão em estudos observacionais. Isso proporciona uma base de evidência razoável para avaliar o papel das intervenções dietéticas para prevenir a depressão”, diz o texto.

“O crescente campo da psiquiatria nutricional evidencia muitas consequências e correlações entre o que comemos com a forma como nos sentimos e como nos comportamos. É um assunto que ganha cada vez mais força”, diz a psiquiatra especialista em transtorno de vícios e medicina legal Paula Vernimmen. Mas podemos melhorar nossa saúde mental mudando nossa alimentação? Existem alimentos que nos fazem felizes e vice-versa?

Não procure um alimento milagroso, o importante é a dieta

Balanzá alerta que a relação entre os nutrientes e a depressão é muito complexa, e que não é tão direta como pode parecer. Entre outras coisas, porque no desenvolvimento da doença mental há a intervenção de numerosos fatores além desse. “Por exemplo, as diferenças genéticas entre os indivíduos que fazem com que os déficits nutricionais repercutam mais ou menos no risco de se adoecer. E nos últimos anos aprendemos que o mais relevante à saúde mental é o padrão dietético, a dieta, mais do que um alimento e um nutriente concretos. O que importa ao nosso cérebro é a diversidade e a harmonia entre eles. A dieta é como uma orquestra que pode emitir uma linda música, a saúde, se a cultivarmos”, diz o pesquisador.

E se a mediterrânea pode ter efeitos terapêuticos sobre a depressão, uma dieta inadequada poderia piorar seus sintomas? A resposta é sim, especialmente no caso das “dietas hipercalóricas, mas pobres em nutrientes, baseadas em produtos ultraprocessados e comida rápida”, confirma Balanzá. Uma dieta saudável, como a mediterrânea, “traz nutrientes fundamentais para o cérebro, como diversos minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais. São importantes porque têm efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores, que ajudam a combater melhor as consequências negativas do estresse. Mas a carência de nutrientes essenciais tem repercussões ao cérebro das pessoas em geral. Assim, o déficit de algumas vitaminas, como o folato e a vitamina B12, se relaciona com um estado de ânimo depressivo e com a deterioração cognitiva”, diz o especialista.

De fato, em um trabalho de 2015 publicado na BMC Medicine os cientistas observaram que uma ingestão menor de alimentos densos em nutrientes e uma maior de comida pouco saudável se associa a um menor volume do hipocampo esquerdo. “Essa foi a primeira demonstração em humanos de que a qualidade da dieta pode repercutir em estruturas cerebrais”, afirma Balanzá.

Diminuir o risco de depressão em até 35%

De acordo com a doutora Vernimmen, esse campo de pesquisa está proporcionando descobertas satisfatórias. Por exemplo, se sabe que “as pessoas que seguem dietas ricas em verduras, frutas, grãos sem processar, peixes e mariscos, que contêm poucas quantidades de carnes magras e laticínios, têm risco de depressão de 25% a 35% mais baixo. Além disso, uma má hidratação, o consumo de álcool, de cafeína e o hábito de fumar podem precipitar e estimular os sintomas de ansiedade”. A especialista acrescenta que os picos altos de açúcar “podem imitar de uma crise de ansiedade a um ataque de pânico”. Por último, “os períodos prolongados de jejum, em que são gerados estados hipoglicemiantes — caracterizados pela diminuição dos níveis de açúcar no sangue —, podem simular sintomas de depressão”.

Mas ainda que todas essas descobertas sejam, sem dúvida, emocionantes, é preciso lidar com elas com rigor acadêmico como o demonstrado por Balanzá, que vê essa nova tendência com otimismo moderado. “Não é suficiente pressupor que as vitaminas e os probióticos favorecem a saúde mental porque são naturais e saudáveis. Nos testes clínicos é preciso exigir o mesmo rigor metodológico que se pede aos remédios. Uma mensagem importantíssima à população é que melhorar a dieta por si só não irá curar os transtornos mentais e saber isso é vacinar-se contra as promessas dos charlatões e as pseudociências”.

Logo saberemos mais. Desde 2013 um grupo de 300 profissionais psiquiatras, epidemiologistas, nutricionistas, dietistas, psicólogos e pesquisadores básicos se reúnem anualmente para gerar e difundir conhecimento científico. Nesse ano o farão em Londres para falar, justamente, de psiquiatria nutricional. Será uma boa oportunidade para ver em que ponto está essa disciplina que já está ocupando espaços e gerando uma nova narrativa sobre a saúde mental.

 

Fonte:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/27/ciencia/1558955754_406033.html

Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

Desejo sexual feminino: entenda como funciona e por que ele às vezes desaparece

RIO – Cerca de 10% das mulheres não sentem desejo sexual nem conseguem ficar excitadas. Quando falamos de mulheres com idade em torno dos 60, essa proporção pode chegar a 20%. Para esse problema dá-se o nome de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo ou Transtorno do Interesse/ Excitação sexual feminino. As causas são as mais variadas possíveis, mas, infelizmente, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos à boa vida sexual delas.

O desejo sexual feminino está longe de ser simples. Há menos de 20 anos, ele era visto de forma similar ao do homem, com um ciclo linear, que começa com desejo, vem excitação, orgasmo e resolução. Porém, desde 2000 a forma de estudar a sexualidade feminina mudou completamente.

Atualmente, há dois tipos de desejo: o espontâneo e o responsivo. O espontâneo surge na mulher independentemente do contato sexual: aquela mulher que tem um pensamento erótico e se masturba, que quando um homem interessante se aproxima pode ficar excitada ou que só de olhar para o parceiro pode ter vontade de transar (frequente em relacionamentos novos). Já o desejo responsivo é a excitação que surge quando a mulher começa a ser estimulada. Ou seja, ela está tranquila, mas com um beijo mais quente ou preliminares ela quer, sim, fazer sexo.

— Ao considerar que a presença do desejo responsivo é válida e, portanto, essa mulher não é disfuncional, houve uma mudança de paradigma muito importante e a redução no número de mulheres que antes eram classificadas como “sem desejo” — afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP).

A mudança de mentalidade é profunda. A mulher não pode mais ser considerada disfuncional se o estímulo não é efetivo.

— O ejaculador precoce já foi o homem mais viril porque ele rapidamente resolvia. Hoje, esse parâmetro é absolutamente obsoleto. Esse homem tem que se tratar para compatibilizar seu tempo com o da parceira. As coisas mudaram. A sexualidade foi uma das áreas em que a mulher foi mais bem contemplada nos últimos anos, atualmente preocupa-se com a sexualidade feminina independente da masculina, estudamos as duas, entre tantas outras — explica Carmita.

Infelizmente, os avanços são lentos e ainda há profundo desconhecimento do próprio corpo por parte das mulheres.

— A mulher que é muito reprimida sexualmente pode até não reconhecer o desejo físico, porque emocionalmente vai reprimindo essa sensação. Tem mulheres que depositam no parceiro ou parceira a sua sexualidade. Só sentem desejo quando estão envolvidas e não se sentem à vontade para se masturbar — afirma a psicóloga, terapeuta sexual e autora do “Sexoterapia”, Ana Canosa.

Muitas mulheres quando chegam à menopausa e perdem o estrógeno e, por consequência, a lubrificação vaginal, não sabem nem por que sentem tanta dor na penetração. Estudos indicam que apenas 4% das mulheres comentam com o ginecologista que estão sentindo dor por falta de lubrificação. Ou seja, se o médico não pergunta, a mulher não relata um problema que pode tomar grandes proporções, mas é possível de se resolver.

Se transar é doloroso, depois de um certo tempo, a mulher vai querer evitar, mesmo que esse processo seja inconsciente. Sexo bom ou ruim faz muita diferença para o desejo. Se o relacionamento já é duradouro, a idade avança e os problemas do dia a dia não dão descanso, o que faz a mulher querer sexo?

— É a memória da gratificação sexual. Ela se disponibiliza a fazer sexo porque sabe que no final ela goza e é bom. Por isso que fazer sexo com qualidade é extremamente importante para uma mulher, como uma motivação para uma outra vez.

Além disso a mulher passa por muitas oscilações hormonais, não só durante a vida, como durante o mês. No ciclo há uma fase mais propícia para o sexo, que é geralmente quando ela está ovulando. Por outro lado, os hormônios dificultam a vida em algumas fases, como na gestação, durante a amamentação, no climatério e pós menopausa.

Causas e tratamentos

A mulher só tem Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo caso isso provoque incômodo ou sofrimento. Se ela não sente desejo, nem se excita, mas está muito bem, obrigada, não há o que ser tratado.

Também é preciso ver se a situação dura há, pelo menos, seis meses. É mais do que natural não ter vontade de transar se acabou de perder o emprego, está de luto, ou com alguma preocupação momentânea.

Uma vez que a situação se prolongue e cause insatisfação, é hora de procurar ajuda e descobrir as causas. E elas são muitas.

— A falta de desejo tem ‘n’ possibilidades. A primeira é a parceria: o parceiro não sabe estimular, tem dificuldade de ereção ou ejaculação precoce. Pode ter origem física, como um distúrbio hormonal ou alguma doença sistêmica, cardiovascular ou diabetes, por exemplo. Também pode ter origem psiquiátrica, com depressão, ansiedade, estresse pós-traumático ou medicamentos que inibem o desejo. Pode ter problemas de ordem relacional: o relacionamento está comprometido e aí o desejo acabou. E pode ter outras questões como autoestima baixa, autoimagem negativa, evitando o contato porque não se sente interessante ou apta. São algumas possibilidades — diz Carmita Abdo.

Quando tudo é investigado e nada encontrado, a mulher realmente sofre com o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo. Nos Estados Unidos, o FDA aprovou a pílula rosa: um medicamento que atua no sistema nervoso e promete acionar o desejo. Ela não foi aprovada no Brasil e é alvo de críticas pois tem um monte de efeitos colaterais. Além de ter que ser tomada todos os dias, sem misturar nunca com bebida alcoólica, pode provocar náusea, tonturas e até queda na pressão.

Há também quem procure tratamentos sem comprovação de ação, com uso da testosterona ou antidepressivos como a bupropiona. Mais uma vez, correndo o risco de vários efeitos colaterais.

— Estamos fazendo pesquisas e trabalhos e vamos encontrar alternativas — afirma a psiquiatra. Por enquanto, ela recomenda terapia sexual, para descobrir um jeito de achar o sexo interessante.

Para a terapeuta sexual Ana Canosa, é importante também se colocar à disposição do sexo:

— Entender como você funciona é essencial para uma mulher. Se não entender como seu corpo funciona, sua fantasia, o que bota você para baixo, o que te desperta, não vai conseguir driblar os momentos em que seu desejo sexual diminui. Aí é melhor dormir.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://oglobo.globo.com/celina/desejo-sexual-feminino-entenda-como-funciona-por-que-ele-as-vezes-desaparece-23703094

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Autoridades americanas aprovam novo antidepressivo em forma de spray nasal

Esketamina pode dar esperança aos pacientes adultos que resistem aos remédios disponíveis, como o Prozac; médico ressalta que tratamento deve ser administrado em um centro de saúde

WASHINGTON – As autoridades dos Estados Unidos aprovaram o lançamento no mercado de um remédio apresentado como uma revolução no tratamento da depressão, uma doença minimizada por muitos, mas devastadora para os que são diagnosticados com o ela.

A agência americana de medicamentos (FDA, na sigla em inglês) seguiu as recomendações de especialistas e aprovou a esketamina em forma de spray nasal, que será comercializada com o nome de Spravato pela Janssen, a unidade farmacêutica da Johnson & Johnson’s.

A esketamina pode dar uma nova esperança aos pacientes adultos que resistem atualmente aos remédios disponíveis, como o Prozac. O novo fármaco, pensado para pessoas que já testaram outros medicamentos, é apresentado como uma revolução no combate à depressão.

Pierre de Maricourt, médico do hospital Sainte-Anne de Paris, que participou de dois testes clínicos de fase 3 do medicamento, financiados pela Janssen, elogiou a aprovação do remédio. Ele destacou a “significativa efetividade e a velocidade de ação da esketamina em poucos dias, quando leva de seis a oito semanas para um antidepressivo convencional”.

“Nosso programa de pesquisa sobre a esketamina em forma de spray nasal demonstra uma relação de risco-benefício positiva para os adultos que sofrem uma depressão resistente aos tratamentos atuais”, disse Husseini K. Manji, diretora de terapias de neurociências na Janssen. O laboratório afirma que a molécula permite combater os pensamentos suicidas.

Maricourt ressaltou que o tratamento deve ser administrado em um centro de saúde para monitorar o paciente. Além disso, a FDA restringiu a distribuição do remédio, com uso sob vigilância médica, em razão do “potencial de abuso” do medicamento.

Kim Witczak, que representa os consumidores no painel da FDA e denuncia os efeitos colaterais dos antidepressivos desde a morte de seu marido, votou contra a autorização de venda por considerar que os testes podem ser insuficientes.

A esketamina está relacionada à ketamina, que é usada como um anestésico em humanos e animais, mas que também é um narcótico.

De acordo com aOrganização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, uma doença que limita a capacidade de uma vida cotidiana normal, mas que tem sua gravidade frequentemente subestimada ou confundida com uma depressão passageira. Os casos mais graves podem levar ao suicídio/ AFP

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,autoridades-americanas-aprovam-novo-antidepressivo-em-forma-de-spray-nasal,70002744934

Assim é o cérebro de um psicopata

Assim é o cérebro de um psicopata

Revisão científica sugere que o estresse emocional na infância precipita a maturação excessiva de algumas regiões cerebrais e dificulta a gestão dos sentimentos

Embora o imaginário coletivo sempre se volte para a delinquência e a maldade quando se fala em psicopatia, esse transtorno da personalidade é algo mais complexo do que tal associação pode sugerir. Nem todos os delinquentes são psicopatas, nem todos os psicopatas são Hannibal Lecter, o vilão canibal de O Silêncio dos Inocentes. “Os psicopatas são pessoas com problemas de relação interpessoal e de gestão das emoções. Aparentemente são frios, embora não seja verdade que não tenham emoções – as têm, e muito intensas. O que não têm são remorsos, que é o que gera uma tendência à delinquência, mas não em todos os casos, claro”, afirma o médico Jesús Pujol, diretor de pesquisas da Unidade de Ressonância Magnética do serviço de Radiologia do Hospital del Mar, em Barcelona. Ele liderou uma revisão científica de outros estudos publicados e constatou que o cérebro dos psicopatas é diferente. A pesquisa indica que o estresse emocional na infância precipita a maturação excessiva de algumas regiões cerebrais como um sistema de proteção contra o sofrimento, mas termina dificultando também a gestão das emoções.

A complexidade da psicopatia transcende os estereótipos. De fato, um estudo publicado em 2013 na revista Journal of Forensic Science já alertava que a imagem de Lecter como protótipo do psicopata nem sequer era muito realista. O personagem foi descrito como “um psicopata de elite, que exibe níveis exagerados de inteligência, modos sofisticados e ardilosos, às vezes até níveis sobre-humanos e supermidiáticos”. Mais compatível com a realidade era, segundo o estudo, Anton Chigurh, o personagem interpretado por Javier Bardemem Onde os Fracos Não Têm Vez.

O leque de condutas é amplo, mas todos os psicopatas coincidem em uma coisa: as alterações cerebrais que os diferenciam de outros indivíduos sem este transtorno. Pujol e sua equipe revisaram mais de 400 artigos científicos nos quais foi analisado o cérebro das pessoas com psicopatia através de ressonâncias magnéticas. A meta-análise, publicado na revista científica Psychological Medicine, concluiu que a mente dos psicopatas apresenta uma maturação acelerada de várias regiões cerebrais relacionadas ao processamento emocional e cognitivo. “O cérebro dos psicopatas é diferente do ponto de vista anatômico e funcional. Há diferenças nas áreas que processam a cognição e o raciocínio e nas que processam a atividade emocional. A conexão entre estas duas áreas falha”, explica Pujol.

Os investigadores concluíram que, do ponto de vista anatômico, havia “uma aparente atrofia da substância cinza” nas regiões dos lobos temporal (onde está a amígdala, relacionada às emoções) e frontal (encarregado das funções cognitivas). “Entretanto, o que depois nós postulamos é que, na verdade, o que havia era um aumento da substância branca, o que implica uma supermaturação dessas áreas”, aponta Pujol.

Aparentemente são frios, mas não é verdade que não tenham emoções – as têm, e muito intensas

O estudo sugere que a origem dessa maturação acelerada de algumas regiões cerebrais está em ter sofrido situações de estresse emocional em idades precoces. O cérebro desenvolve essa maturação excessiva para se proteger das circunstâncias que lhe causam sofrimento. “Em um contexto de estresse emocional, a criança desencadeia uma maturação excessiva que implica, por um lado, um bloqueio para fugir do sofrimento e, por outro, transforma a pessoa em alguém não escrupuloso e carente de remorsos”, diz o médico. Ao amadurecer precocemente, a criança amplia a capacidade de tolerância ao sofrimento e consegue esquivar-se dessa situação emocional que lhe fere. Entretanto, esse sistema de defesa provoca danos colaterais: “Eles não têm freio emocional”, sintetiza Pujol. O médico observa que não se trata de um trauma, e sim de algo persistente ao longo do tempo, a ponto de modular a anatomia do cérebro.

Na prática, essa alteração cerebral faz que, frente a um dilema moral, a ativação dos dois sistemas (o cognitivo e o emocional) seja bloqueado. Nem sua capacidade de raciocínio nem seus sentimentos ou emoções são anulados. O que ocorre é que “a associação entre emoção e cognição na tomada de decisões fica bloqueada”, esclarece o médico. Contudo, ressalta, esses indivíduos “são responsáveis por seus atos”.

Semelhanças com o consumo de esteroides

Os pesquisadores também encontraram semelhanças entre os cérebros dos psicopatas e de pessoas que consomem esteroides androgênicos durante mais de 10 anos (essas substâncias geralmente servem para melhorar o rendimento esportivo ou aumentar a massa muscular). As alterações cerebrais detectadas nos psicopatas e nas pessoas que consomem esses anabolizantes por longos períodos são as mesmas.

Mas Pujol observa que tal semelhança não significa que os consumidores de esteroides acabem desenvolvendo um transtorno psicopático em longo prazo. “Há uma semelhança anatômica das duas patologias. Embora seja verdade que o controle dos impulsos e a conduta podem mudar após consumir esteroides durante longos períodos, isso está longe de pensar que pode gerar uma psicopatia.”

Humildade no Ato Médico

Humildade no Ato Médico

Repost de outubro de 2018

O dicionário da língua portuguesa define humildade como sendo a “qualidade de quem age com simplicidade, característica de pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba”. Dessa forma, a humildade é um sentimento extremamente relevante para o médico, que o faz reconhecer suas próprias limitações, com modéstia e ausência de orgulho. Mas a questão é: qual motivo faz com que essa característica seja extremamente importante para se ter uma carreira médica bem sucedida? Podemos elencar, na verdade, três vertentes principais que podem ser abordadas quando se fala de tal traço: impactos para os pacientes, para a equipe de trabalho e para a carreira.

O mais importante aforismo de Hipócrates postula “primeiro, não causar dano”. Para isso, o médico deve ter em mente que possui restrições na atuação, humildade ao lidar com os pacientes. Sua prepotência pode causar inúmeros danos à saúde daqueles que se submeteram a seus cuidados. O bom médico deve estar sempre disposto a mudar de acordo com o que for melhor para o paciente, seja quando se trata de técnicas cirúrgicas, seja para delineamento de condutas terapêuticas e atualização do conhecimento cientifico que, principalmente na área da saúde, tende a acontecer de maneira cada vez mais veloz. Além disso, o sentimento em questão traz o médico a uma realidade de horizontalidade, onde o paciente está exatamente em seu nível, não inferiorizado pela situação de vulnerabilidade por suas debilidades físicas enquanto o médico, em posição superior, detém o conhecimento para lidar com a doença. Essa situação tende a produzir um atendimento mais humano, atento, enxergando o paciente sob várias perspectivas que não somente a de um “organismo doente que necessita de reparo”.

A humildade também é extremamente necessária quando se trata da convivência do médico com os outros profissionais. Segundo o filósofo chinês Confúcio, “a humildade é a única base sólida para todas as virtudes”. Quando se trata de relacionamento médico com sua equipe, virtudes estão fortemente relacionadas à boa convivência e, portanto, com produtividade e eficiência, o que se prova verdade num mundo progressivamente mais conectado em que a multidisciplinaridade é grandemente difundida e praticada. Nesse sentido, nenhum médico é detentor da verdade absoluta e do conhecimento pleno, sendo profícuos a discussão de casos com os colegas, a troca de opiniões e o pedido de ajuda quando o benefício do paciente o requer. Colocar a vaidade profissional acima da atenção ao paciente causa deformação no bom agir médico. É preciso estar disposto a retificar a opinião, uma atitude que não supõe nenhum demérito, mas sim a procura humilde, com consciência de missão, do bem estar do paciente.

Quando se busca uma carreira bem sucedida, a humildade vem, novamente, ocupando lugar de grande importância para a construção de um profissional de excelência. Pelas palavras de Mario Sergio Cortella, “a humildade é a habilidade de reconhecer que ainda há o que aprender, que não se atingiu o ponto máximo de crescimento”. Nesse caso, o médico que deseja fazer crescer e prosperar a carreira não pode portar a impressão de que já obteve todo o conhecimento e que já realizou todas as ações possíveis para alcançar seus objetivos, mas ter a sensibilidade de perceber que há sempre algo inédito para buscar, inovações que o diferenciarão de outros profissionais e o tornarão acima das expectativas do mercado.

De Hipócrates e Confúcio a Mario Sergio Cortella, a visão de que a humildade é extremamente eficaz na construção de um profissional/cidadão brilhante é convergente. Assim, o médico, que desfruta de grande status social pelo simples fato de ser médico, deve cuidar para que a arrogância, a prepotência e a soberba não ofusquem sua missão ao cuidar dos pacientes, ao lidar com os parceiros de equipe e ao planejar e construir sua carreira.

Referências:

https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/viriato-moura/exercicio-da-medicina-humildade-e-preciso

https://www.prospectivedoctor.com/humility-role-medicine/

https://www.dicio.com.br/humildade/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0738081X12002659

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2917943/

Apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar da saúde mental

Apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar da saúde mental

Nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. Metade (47%) sofre de algum nível de depressão, recorrente em 14% dos casos. Os dados são da última pesquisa da Isma-BR, representante local da International Stress Management Association, organização sem fins lucrativos dedicada ao tema.

Os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento do serviço. Nos últimos dez anos, a concessão de auxílio-doença acidentário devido a tais males aumentou em quase em 20 vezes, segundo o Ministério da Previdência Social. Com frequência, os doentes ficam mais de 100 dias longe de suas funções. Em todo o mundo, os gastos relacionados a transtornos emocionais e psicológicos podem chegar a 6 trilhões de dólares até 2030, mais do que a soma dos custos com diabetes, doenças respiratórias e câncer, apontam estimativas do Fórum Econômico Mundial. A previsão pode ser subestimada, já que dois terços dos indivíduos não procuram auxílio médico especializado.

A Organização Mundial da Saúde alerta que uma em cada quatro pessoas sofrerá com um transtorno da mente ao longo da vida. Apesar dos números, são raras as empresas que mantêm um programa de saúde psicológica e emocional para seus empregados.

A maioria dos casos ainda é tratada como tabu. Chegou a hora de falarmos abertamente sobre o tema.

A mente adoece

Pesquisas ligam os transtornos mentais a diversas fontes. O excesso de estímulos é uma delas. Na era da hiperconectividade, as pessoas são atingidas por uma avalanche de informações na forma de mensagens instantâneas, e-mails, alertas de compromisso, notícias em tempo real e aplicativos de todos os tipos e gêneros. “A informática fez com que tivéssemos mais controle de nossa vida, mas isso implica maior carga cerebral”, diz a neurocientista Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Estamos o tempo todo sendo lembrados do que não fizemos, das tarefas que não cumprimos, das ligações que não atendemos e dos e-mails não respondidos. E a falta de habilidade em lidar com isso pode levar ao estresse e a distúrbios de ansiedade e humor.

Embora especialistas indiquem a vida pessoal, não só a profissional, como fator de risco, em todo o mundo, apenas um de cada cinco indivíduos aponta a família e os vizinhos como fonte de preocupação, segundo uma pesquisa realizada com 16 000 pessoas pela Regus, especializada em escritórios flexíveis.

Para mais da metade (60%), o trabalho é a causa de se sentirem nervosos, irritados, cansados, tristes ou sem energia. Em tempos de recessão econômica, a cobrança por resultados, o medo de demissão e o enxugamento dos quadros de funcionários tornam as empresas locais ainda mais estressantes.

Não à toa, a procura por atendimento no consultório de Porto Alegre da psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR, cresceu 30% nos últimos seis meses. Quase dois terços dos pacientes são executivos. Entre os novos está uma gestora que descobriu, ao voltar de férias, que havia sido demitida. “Essa situação está se tornando cada vez mais comum e causa um grande impacto tanto em quem sai quanto nos que permanecem na organização”, afirma Ana Maria. Os que ficam, diz, convivem com o medo de sair de férias ou de perder o colega que se arrisque a tanto — tendo de arcar com mais trabalho. “É como se as corporações colocassem os trabalhadores em um barco e mandassem jogar os coletes salva-vidas no mar, para reduzir o peso, deixando todo mundo por sua própria sorte”, diz

Um ambiente de trabalho com pouco apoio, excesso de demanda, baixo controle sobre as tarefas, recompensas inadequadas e comprometimento individual excessivo são fatores que aumentam a chance de afastamento. O sentimento de nunca cumprir as tarefas e a dificuldade de se desligar do serviço leva ao burnout — quando o corpo, sobrecarregado, simplesmente desliga.

O custo do estresse

No Brasil, os transtornos mentais são a terceira causa de longos afastamentos do trabalho por doença. Em 2011, eles foram responsáveis pelo pagamento de mais de 211 milhões de reais a novos beneficiários, de acordo com um levantamento do médico do trabalho João Silvestre da Silva-Junior, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

O último Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, do Dieese, departamento público de estudos socioeconômicos, revela que o número de pessoas afastadas do emprego e que receberam auxílio do INSS chegou a 16 381, em junho de 2015. Episódios depressivos, transtornos ansiosos, reações ao estresse grave e transtornos de adaptação foram os principais diagnósticos.

Nos Estados Unidos, empregados diagnosticados com depressão faltam quase nove dias ao serviço, o dobro da média para trabalhadores saudáveis, segundo o instituto de pesquisa Gallup. O prejuízo com a perda de produtividade supera os 19 bilhões de dólares por ano.

Além do estrago financeiro, há o impacto nos colegas que seguram as pontas quando alguém não aparece. Um estudo da sociedade americana de recursos humanos, a SHRM, revela que os supervisores gastam em média mais de quatro horas por semana lidando com as faltas não programadas, o que inclui fazer recolocações, ajustar o fluxo de tarefas e dar treinamento a quem irá assumir a função por aquele dia. Quando cobrem alguém, os superiores ficam 15% menos produtivos e os colegas, 30%. Quase metade das ausências reflete-se em horas extras dos que ficam.

Há ainda o custo do presenteísmo — quando o funcionário vai trabalhar, mas está com a cabeça em outro lugar. Segundo Ana Maria Rossi, da Isma-BR, 96% das pessoas que têm burnout se sentem incapacitadas para trabalhar. Mesmo assim, 92% continuam indo para a empresa, com medo de serem demitidas ou de se afastarem e não conseguirem voltar. “Elas vão ao trabalho, as luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa”, diz. Esse hábito desencadeia erros, baixo desempenho, aumento dos problemas de saúde e piora na qualidade de vida, afetando mais a produtividade que o próprio absenteísmo.

Tabu corporativo

Os problemas mentais ainda são um assunto velado na sociedade. Um estudo do Dieese, de maio de 2015, mostra que, em 2012, foram realizadas 260 greves com o tema de saúde do trabalhador — três vezes mais do que em 2010. Contudo, nenhuma abordou doenças emocionais e psicológicas. Questões como ritmo de trabalho, lazer, estresse, compromisso com a qualidade de vida e trabalho decente estão fora das pautas de sindicatos e patrões.

Das 267 companhias de médio e grande porte avaliadas pela consultoria Mercer, 46% não planejam investir em um programa de saúde mental nos próximos anos. Apenas 18% mantêm algo nesse sentido, sendo que 54% oferecem exclusivamente palestras sobre o tema. Somente 5% contam com um psicólogo nas suas dependências.

Para Milene Rosenthal, fundadora da Psicolink, empresa que oferece orientação psicológica online, as corporações não estão preparadas para lidar com os transtornos mentais. “A área de RH possui indicadores e números de mercado, mas faltam profissionais capazes de acompanhar esses dados de forma correta”, diz a executiva. Quando os casos chegam ao departamento de recursos humanos já é tarde demais. “O trabalhador já gritou com alguém ou agrediu outro colega, ou diz que vai se matar”, afirma Milene.

Uma vez, ela atendeu um rapaz que ficou 48 horas trabalhando direto para finalizar um projeto. “Ele teve um derrame ocular, o olho começou a sangrar. Ele não só não terminou a tarefa como foi afastado e deixou o time sem uma pessoa estratégica”, diz.

O próprio indivíduo pode não perceber seu limite. Fatima Macedo, diretora da Mental Clean, consultoria de bem-estar emocional, explica que os sintomas começam “dissociados e discretos”. A pessoa dorme mal uma noite, mas não chega a ter uma insônia; sente dor ou fica com o estômago inchado; noutro dia, tem uma pequena coceira na pele; depois sente uma angústia ou uma tristeza sem motivos. “O funcionário sente vergonha de estar doente e minimiza os sinais”, diz Fátima. Há casos em que o diagnóstico correto demorou oito anos.

A melhor forma de acompanhar o bem-estar psíquico e emocional é preparar a companhia para tratar depressão, estresse e outros transtornos mentais como qualquer outra doença do corpo.

O tratamento

Primeiro, a equipe de recursos humanos deve estudar o tema e levantar indicadores internos. Feito isso, é hora de buscar apoio. Para Milene, da Psicolink, o RH vai jogar dinheiro fora se ficar apenas nos grupos de corrida ou nas palestras de consultorias especializadas.

“É preciso desenvolver uma cultura corporativa que englobe a saúde emocional — e isso significa comprometimento da alta liderança”, diz. Depois, é hora de usar as ferramentas de comunicação disponíveis para alertar sobre o problema.

Foi isso o que fez a Abyara Brokers, uma das maiores imobiliárias do país. Em 2013, o time de recursos humanos recebia por mês até cinco funcionários, principalmente corretores de imóveis terceirizados, com sinais de estresse, alcoolismo e abuso de drogas. Na época, eram 1 000 corretores. Fossem CLT ou autônomos, a ausência dessas pessoas afetava a produtividade e o resultado dos negócios. O aumento de casos chamou a atenção da diretoria, que autorizou a criação de um programa de saúde mental.

Em 2014, Vanessa Melo, analista de treinamento, mapeou a saúde de 32% do quadro de funcionários. Dos 221, quase 70% responderam que se sentiam estressados “esporadicamente” ou “frequentemente”; 53% estavam acima do peso; e quase metade não praticava exercícios. “Tínhamos pessoas constantemente estressadas, com sobrepeso e sedentárias”, diz Cristiane Zanoelo, gerente de treinamento e desenvolvimento da Abyara.

Depois do mapeamento, a companhia ofereceu ajuda para 56 pessoas. Apenas 23 aceitaram — três estavam em nível de “quase exaustão” ou “exaustão”, a um triz de receber afastamento médico. Paralelamente, a Abyara treinou os líderes, a fim de ter um ambiente menos estressante e de abordar corretamente quem apresentasse os sintomas de estresse.

Fez palestras e oficinas sobre burnout, desenhadas com o intuito de instruir e vencer o preconceito. Realizou dois plantões de atendimento psicológico, com duração de 40 minutos cada sessão, em um andar específi co. Criou um time de “terapia em grupo” e um comitê multidisciplinar de saúde e qualidade de vida. “A ideia era mostrar que a empresa entende que qualquer um pode ter esse problema”, diz Vanessa.

As ações foram estendidas aos corretores terceirizados. Em 2015, por causa da crise, dos 215 empregados, restaram 95. Ficou difícil seguir com o mapeamento de estresse, mas, como muitas pessoas procuravam o RH com medo de ser demitidas, a companhia manteve os plantões de atendimento psicológico. “Nesse período, a produtividade caiu e o nível de ansiedade subiu, mas acredito que conseguimos reduzir os afastamentos médicos”, diz Cristiane.

A empresa de cartões de benefícios Sodexo passou a mapear a saúde mental dos trabalhadores há dois anos e descobriu três, dos cerca de 600, com problema — sendo que dois se afastaram do serviço. A base de baixo número, acredita Rogerio Bragherolli, diretor de RH, está nos valores corporativos, que vão desde interação social, facilidade e efi ciência até reconhecimento e saúde. “Estamos saindo do conceito de ‘work life balance’, de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, para o de ‘life integration’, pois a vida é uma só”, afirma Bragherolli.

Reformada recentemente, a sede da Sodexo, em Barueri, Grande São Paulo, é uma manifestação física dessa ideologia: móveis coloridos, espaços abertos, nada de baias, e rotatividade nas mesas de trabalho. Um andar inteiro se destina às práticas de bem-estar, onde os empregados têm à disposição quiropata, cadeiras de massagem, manicures, churrasqueira e até uma horta. Bragherolli garante que o resultado nos negócios e no engajamento dos profissionais foi tão bom que os escritórios da Sodexo na Bélgica e na França planejam copiar as práticas.

Ainda cabe um esforço da sociedade (e dos indivíduos) para melhorar o autoconhecimento. As comunidades modernas tendem a abandonar as análises mais profundas e tratar os transtornos  mentais com medicação. Mas, do ponto de vista neurológico, o que faz a diferença é o nosso cérebro. Já dizia o filósofo: “Conhece-te a ti mesmo”.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://www.anamt.org.br/portal/2018/11/27/apenas-18-das-empresas-mantem-um-programa-para-cuidar-da-saude-mental/