Nomofobia: a dependência do telefone celular. Este é o seu caso?

Nomofobia: a dependência do telefone celular. Este é o seu caso?

Desde a metade dos anos 1990, o uso de aparelhos eletrônicos tem aumentado cada vez mais rapidamente. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT) já são mais de 7 bilhões de aparelhos celulares em uso no mundo, sendo esta  a maneira mais usada para acessar a internet. Com o advento dos smartphones, o aparelho já traz diversas facilidades muito além da câmera fotográfica e filmadora de alta resolução, como ampla acessibilidade a e-mails e redes sociais, pesquisas on-line, visualização de filmes e programas de TV, músicas, realização de transações financeiras e diversas outras possibilidades. Apesar de todas estas vantagens, algumas pessoas podem apresentar um padrão de uso problemático.

Antes da popularização do celular, outras dependências comportamentais haviam sido descritas: alimentar, exercícios, compra, trabalho (workaholics), jogo, internet e sexo. Mais recentemente, o termo nomofobia (uma abreviação, do inglês, para no-mobile-phone phobia) foi criado no Reino Unido para descrever o pavor de estar sem o telefone celular disponível. Na realidade, este neologismo atualmente tem sido muito utilizado para descrever a dependência (também conhecida como uso problemático ou compulsão) do telefone móvel.

As prevalências descritas do uso abusivo do celular variam amplamente, muito em decorrência da diversidade dos critérios diagnósticos utilizados e da variabilidade dos indivíduos estudados. As taxas estimadas de dependência de celular podem chegar até a 60% nos seus usuários. Um estudo brasileiro realizado pela pesquisadora Anna Lúcia King, da UFRJ, verificou que 34% dos entrevistados afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto. Assim, com a enorme quantidade de pessoas com pleno acesso ao aparelho, estes índices são extremamente preocupantes.

Dependência precoce

Neste sentido, o ponto que mais chama a atenção aqui é que cada vez mais cedo inicia-se o uso do celular, com milhões de crianças (várias com cerca de dois ou três anos de idade!) e adolescentes com acesso livre, total e irrestrito. Sabe-se que o quanto antes ocorre uma dependência, piores são suas consequências físicas e psicológicas em longo prazo. Em termos comportamentais mais amplos, têm sido observado nestes jovens uma falta de habilidade nos relacionamentos interpessoais, com dificuldades no estabelecimento de vínculos de amizade e/ou afetivos plenos e duradouros.

Em nível neurobiológico, sabemos que existe um “sistema de recompensa cerebral” (SRC) que tem como função estimular comportamentos que colaboram com a manutenção da vida (como sexo, alimentação e proteção). Quando o SRC é ativado, com a liberação do neurotransmissor dopamina, isto proporciona imediatas sensações de prazer e satisfação. Tal qual para as drogas de abuso, as dependências comportamentais (incluindo a nomofobia), são capazes de levar a uma hiperatividade do constante SRC, podendo causar alteração no funcionamento cerebral. Entretanto, as consequências de longo prazo do funcionamento alterado pelo excesso do uso do celular ainda são incertas.

Além disso, as pessoas que apresentam uso abusivo do celular têm maior chance de desenvolver transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e sintomas de impulsividade, embora a relação de causa-efeito nem sempre seja fácil de ser estabelecida. Problemas físicos frequentemente ocorrem, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo. Além disso, é evidente a maior propensão em se envolver em um acidente automobilístico e de sofrerem quedas ao andar.

Sintomas da nomofobia

Portanto, as pessoas com uso problemático do celular apresentam diversos sinais e sintomas muito parecidos com a dependência de drogas:

  1. Fissura: a) usa o telefone celular para se sentir melhor, quando está pra baixo.
  2. Abstinência: a) quando não está com o aparelho fica preocupado e ansioso em perder chamadas ou mensagens; b) acha difícil desligar o aparelho em situações obrigatórias, como no avião ao decolar;
  3. Consequências negativas para a vida: a) atrasa em compromissos por ficar muito tempo no celular; b) gasta valores elevados na compra do aparelho e nas contas; c) ocupa-se demasiadamente com o celular quando deveria estar fazendo outras coisas; d) a produtividade no estudo e/ou trabalho reduz como resultado direto deste padrão de uso do celular; e) recebem mais multas de trânsito.
  4. Perda de controle: a) os amigos ou familiares reclamam do padrão de uso do celular, podendo atrapalhar os relacionamentos; b) permanece conectado ao celular por períodos muito maiores do que gostaria;
  5. Tolerância: a) aumento progressivo no tempo que fica usando o celular; b) incapacidade de gastar menos tempo usando o aparelho.

Dicas

Então, se a primeira coisa que você faz quando acorda é olhar o seu celular; se checa o seu telefone de cada 5 a 30 minutos; se dorme com o celular no seu quarto (pior ainda se for do lado da cama); se sempre arranja uma desculpa para levar o celular para o banheiro (para o chuveiro, é mais grave!) e, se anda com ele na mão a maior parte do tempo, você pode ter dependência do celular. Assim, aqui vão algumas sugestões que poderão te ajudar:

  1. Não perca o seu sono
    Jamais leve o celular para a cama. Desligue-o e deixe ele fora do seu quarto. Se a sua desculpa é que você usa ele para despertar, compre um despertador.
  2. Acordou? Use a regra dos primeiros 45 minutos*
    Ao acordar, você deve se preparar para o dia que terá pela frente, ir no banheiro, preparar o seu café da manhã, se alongar, se vestir e arrumar. Se for casado (a), beije seu parceiro (a). Os primeiros 45 minutos são seus. Não cheque o celular antes disso.
    * Se você for mulher, amplie para 60 minutos.
  3. Carro ligado, celular desligado
    Você vai economizar em multas e reduzir drasticamente a chance de ter um acidente sério. Proteja você e os outros, motoristas e pedestres.
  4. Desligue o celular no seu período mais produtivo
    Ao longo de algumas horas, desligue o seu celular e coloque longe do seu alcance (numa bolsa ou gaveta). Só ligue quando completar o seu trabalho.
  5. Fique atento à criança com celular
    Fique atento ao padrão de uso e conteúdo que a criança acessa no celular e imponha limites com disciplina. Estabeleça os momentos e o tempo de uso que seu filho pode se dedicar esta atividade.
  6. Saia da Matrix
    Não deixe aquela máxima ser verdadeira para você: “O celular aproxima quem está longe, mas afasta quem está perto! ”. Em qualquer reunião; nas refeições; brincando com seus filhos; confraternizando com os amigos, tudo isso é mais importante que o seu celular. Viva no mundo real e dê atenção ao que há a sua volta e a quem te ama e se importa contigo.

Agora, se nada disso ajudar, talvez você precise de uma avaliação de um profissional de saúde mental. Mas neste caso, não se esqueça! Desligue o celular antes de entrar no consultório…

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/nomofobia-a-dependencia-do-telefone-celular-este-e-o-seu-caso/

Transtorno de ansiedade: sem tempo para o agora

Transtorno de ansiedade: sem tempo para o agora

Imagine que, em algumas horas, você fará a entrevista de emprego para a vaga dos seus sonhos. Enquanto se arruma na frente do espelho, o coração fica acelerado, o estômago se remexe todo, a pele se enche de suor e as pernas bambeiam. Ao mesmo tempo, a cabeça é inundada por um turbilhão de pensamentos e incertezas. “E se a moça do RH não gostar de mim? E se eu falar uma bobagem? E se a conversa for em inglês?” Estamos diante de um clássico episódio de ansiedade, sentimento natural e comum às mais variadas espécies de animais, entre elas os seres humanos. Veja: na dose certa, ela é proveitosa e garante até hoje a nossa sobrevivência.

“Quando nos preocupamos com algo que pode vir a acontecer, tomamos uma série de medidas para resolver previamente aquela situação”, diz o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Do mesmo modo que nossos antepassados estocavam comida para não sofrer com a fome nos períodos de estiagem e um macaco evita certos lugares da floresta por saber que lá ficam os predadores que adorariam devorá-lo, hoje elaboramos eventuais respostas às perguntas da entrevista de emprego ou estudamos com afinco antes de uma prova difícil. Ao contrário do medo, que é uma reação a ameaças concretas, a ansiedade está mais para um mecanismo de antecipação dos aborrecimentos futuros.

O transtorno começa quando essa emoção passa do ponto. Em vez de mover para frente, o nervosismo exagerado deixa o indivíduo travado, impede que ele faça suas tarefas e atrapalha os seus compromissos. “Isso lesa a autonomia e prejudica a realização de atividades simples e corriqueiras”, caracteriza o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Aí, sair de casa torna-se um martírio. Entregar o trabalho no prazo é praticamente missão impossível. Convites para festas e encontros viram alvo de desculpas. A concentração some, os lápis são mordidos, as unhas, roídas… e a qualidade de vida cai ladeira abaixo.

Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento com estatísticas dos distúrbios psiquiátricos ao redor do globo. Os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos – desses, 18 milhões são brasileiros. Nosso país, aliás, é campeão nos números dessa desordem, com 9,3% da população afetada. A porcentagem fica bem à frente de outras nações: nas Américas, quem chega mais perto da gente é o Paraguai, com uma taxa de 7,6%. Na Europa, a dianteira fica com Noruega (7,4%) e Holanda (6,4%).

Afinal, o que explicaria dados tão inflados em terras brasileiras? “Fatores como índice elevado de desemprego, economia em baixa e falta de segurança pública representam uma ameaça constante”, responde o psiquiatra Pedro Eugênio Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Preocupações com a saúde, notícias políticas e relações sociais também parecem influenciar por aqui.

Apesar de os achados da OMS assustarem, é um erro considerar que estamos na era mais ansiosa da história – muitos estudos sugerem justamente o contrário. Em primeiro lugar, a ansiedade só passou a ser encarada com mais coerência a partir dos escritos de Sigmund Freud (1856-1939) e foi aceita nos manuais médicos como um problema de saúde digno de nota a partir da década de 1980. Portanto, é impossível comparar presente e passado sem uma base de dados confiável.

Além disso, com raras exceções, vivemos um dos momentos mais tranquilos de toda humanidade. Há quantas décadas não temos batalhas ou epidemias de grandes proporções? O que acontece hoje é uma mudança nos gatilhos: se atualmente nos preocupamos com a iminência de um assalto ou de uma demissão, nossos pais se afligiam pela proximidade de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética e nossos avós perdiam noites de sono com o avanço nazista sobre França e Polônia durante a Segunda Guerra Mundial.

Existem, porém, alguns fatores que são patrocinadores em potencial de ansiedade independentemente do intervalo histórico. A infância, por exemplo, é fundamental. “Crianças que passaram por abuso ou negligência têm um risco duas a três vezes maior de sofrer com transtornos mentais na adolescência ou na fase adulta”, descreve o psiquiatra Giovanni Abrahão Salum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A genética e a própria convivência próxima a um familiar com os nervos à flor da pele já elevam a probabilidade de desenvolver a condição posteriormente.

Como saber se eu tenho ansiedade?

A despeito de existirem tantos ansiosos por aí, ainda penamos com a demora no diagnóstico. De acordo com um estudo da americana Universidade Harvard, sujeitos com os quadros graves e agudos levam em média sete anos para buscar o auxílio de um profissional de saúde.

Nos casos em que os sintomas são mais leves e perenes, essa delonga se arrasta por 16 anos. Esse desperdício de tempo valioso faz o quadro evoluir para enfermidades ainda mais sérias, como o alcoolismo e a depressão. Para ter ideia, estima-se que, de cada cinco pacientes depressivos, quatro deles tiveram ansiedade lá no início.

“Infelizmente, persiste um preconceito com os transtornos mentais na nossa sociedade. Para muitos, o psiquiatra segue como o ‘médico de loucos’”, lamenta Nardi. Já passou da hora de virar a chavinha, né?

As doenças que abalam a mente devem ser abordadas com o mesmo respeito e seriedade de diabetes, câncer ou qualquer outra moléstia do corpo. Se você sentir alterações de humor ou se estiver de alguma maneira incomodado com pensamentos que não saem da sua cabeça, procure um profissional. A avaliação com base em um questionário respondido no consultório já ajuda a flagrar a ansiedade e nortear a abordagem terapêutica.

Como a ansiedade surge e de que forma afeta o organismo

1. A todo momento, nosso cérebro analisa o ambiente e identifica possíveis ameaças. Áreas como o hipocampo e a amígdala são responsáveis por fazer essa varredura.

2. Diante de um provável risco, o sistema nervoso dispara uma série de reações. As glândulas suprarrenais, que ficam acima dos rins, liberam doses extras dos hormônios adrenalina e cortisol.

3. Essa dupla de substâncias dilata os vasos sanguíneos, faz o coração bater mais rápido e prepara os músculos para a ação. É daí que vêm taquicardia, suor, tremedeira, falta de ar…

4. Adrenalina e cortisol alcançam o cérebro, onde estimulam a produção de neurotransmissores que deixam certas regiões da massa cinzenta em estado de alerta.

5. No transtorno de ansiedade, uma ou mais etapas desse processo funcionam de modo exagerado. Qualquer estímulo é considerado um perigo e gera respostas de forma desnecessária.

Os seis principais tipos de ansiedade

Fobia social: Medo exacerbado e irracional de participar de festas, aulas, reuniões e eventos com pessoas desconhecidas. O grande receio é ser avaliado, julgado, ridicularizado ou criticado por esses estranhos. Falar em público é motivo para travar, suar em bicas, ter taquicardia e até sentir a memória falhar.

Fobia: Temor crônico e paralisante de objetos, animais ou situações específicas, como medo de buracos, de aranhas ou de lugares altos. Esse sentimento pode surgir a partir de uma experiência real ou se principiar por meio de um pensamento particular e até uma notícia marcante. Já foram descritas mais de 500 versões.

Ataque de pânico: Sem nenhuma razão, o indivíduo sente que vai morrer: o coração dispara, o corpo estremece, surgem náuseas e vômitos. Muitas vezes, ele corre para o pronto-socorro por acreditar que está sofrendo um infarto e sai do hospital sem diagnóstico. Depois de alguns minutos aflitivos, tudo volta ao normal.

TAG: Sigla para transtorno de ansiedade generalizada. Há uma sensação incômoda e persistente de que algo vai dar errado a qualquer minuto e a vida vai fugir de sua direção quando menos se espera. Nesse ciclo de preocupações sucessivas, os problemas são muito valorizados, enquanto a própria capacidade de resolvê-los é subestimada.

TOC: O transtorno obsessivo-compulsivo é marcado por pensamentos invasivos que somente são aliviados quando se repete um comportamento padronizado sem sentido lógico. É o exemplo do sujeito que precisa acender e apagar o interruptor três vezes senão um parente vai morrer ou aquele que lava as mãos várias vezes seguidas.

Estresse pós-traumático: Muito corriqueiro em soldados que retornam da guerra e em vítimas de atentados ou desastres naturais, o transtorno de estresse pós-traumático faz com que a experiência ruim não saia da mente e volte a atormentar por meio de flashbacks. Junto com as lembranças, manifestam-se insônia, irritabilidade e pânico.

Como é feito o tratamento

A primeira coisa que você deve saber é que as opções disponíveis são seguras e ajudam a melhorar e controlar a situação. Existem dois grandes pilares nessa área: a psicoterapia e os medicamentos. “Nós avaliamos cada caso e lançamos mão de um método ou outro, ou até mesmo eles em conjunto, a depender do tipo de ansiedade e do seu grau”, explica a psicóloga Michelle Levitan, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

O ataque de pânico grave, por exemplo, exige a prescrição de alguns fármacos logo de cara. Já uma TAG moderada responde bem a sessões de terapia. Quem vai bater o martelo sobre o caminho ideal é o médico.

Entre as abordagens psicológicas, aquela que mais se destaca em eficácia pelo número de evidências científicas é a terapia cognitivo-comportamental. “Nosso objetivo é identificar a crença que está atrapalhando o indivíduo e, a partir daí, transformá-la em um pensamento novo, que mude suas atitudes e a forma como ele enxerga a vida”, descreve o terapeuta Juan Carlos Picasso, diretor da Rituaali, clínica e spa no Rio de Janeiro.

É um processo de dentro para fora: por meio da conversa, o profissional de saúde faz o paciente refletir sobre alguns de seus temores para, assim, conseguir modificá-los com o passar do tempo.

Entre os medicamentos, os mais prescritos são os inibidores seletivos de recaptação de serotonina/noradrenalina. Receitados também contra a depressão, esses comprimidos reequilibram a química cerebral e afastam o risco de crises ou recaídas. Seu ponto fraco é a demora para aparecerem os resultados. Isso pode levar semanas, até meses.

É aí que entra outro grupo medicamentoso: os benzodiazepínicos, calmantes por natureza que já mostram serviço após um ou dois dias. Mas eles são utilizados com bastante critério e somente em algumas situações, pois estão relacionados a efeitos colaterais e dependência se tomados em longo prazo. Não custa reforçar: é vital obedecer direitinho as recomendações de tempo e dosagem definidas pelo especialista.

Por fim, há medicações de apoio que atuam sobre sintomas específicos. Os betabloqueadores diminuem os episódios de taquicardia. Fármacos para a tireoide corrigem desvios do metabolismo – se essa glândula está bagunçada, pintam cansaço, prostração e até queixas de ansiedade. Mulheres que entram na menopausa precisam fazer um checkup dos hormônios para ver se eles não estão impactando o bem-estar…

Reforma do estilo de vida

De nada adianta sentar no divã ou tomar comprimidos se alguns hábitos e pensamentos não forem modificados. Aposte numa alimentação equilibrada e variada. Invista em noites de sono tranquilas e reparadoras. E, principalmente, comece já uma rotina de exercícios.

“Além de elevar o ânimo, a atividade física atua na capacidade cerebral, aprimorando a comunicação entre os neurônios”, justifica Nardi. Meditação, relaxamento e atenção plena – o popular mindfulness – também são uma mão na roda: pesquisas demonstram o seu papel de peso contra a ansiedade.

No final das contas, às vezes vale se perguntar sobre a necessidade de entrar num tratamento. Ora, se eu tenho medo de bichos e moro em São Paulo, qual o real dano que essa fobia me traz? “O segredo está em fazer um bom exame da pessoa, de seu contexto e do prejuízo envolvido”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

Desse modo, dá pra evitar que sentimentos absolutamente normais sejam encarados como doenças e tratados com remédios. Contudo, a medicalização da vida, tema que suscita debates na Europa e na América do Norte, está longe de ser realidade no Brasil, onde se estima que só 30% dos pacientes com transtornos mentais recebam uma terapia adequada.

Em uma palestra inspiradora para o TEDx, conjunto de seminários que ocorre em várias cidades do mundo, a psiquiatra Olivia Remes, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, expôs sua experiência na área da ansiedade. Segundo seu relato, mulheres que moram em áreas pobres apresentam maior risco de desenvolver o transtorno do que aquelas que vivem nos bairros ricos. Até aí, nenhuma novidade. Mas em seu trabalho de observação, a cientista descobriu que existem três atitudes certeiras para lidar melhor com a agonia excessiva.

A primeira delas envolve colocar a mão na massa. “Você se pega adiando o início de algo simplesmente por não sentir que está preparado o suficiente para aquela tarefa? Você tende a gastar muito tempo decidindo o que fazer e, na prática, não acontece nada?”, pergunta Olivia, no vídeo de sua palestra, disponível no YouTube. Para quebrar esse ciclo, a recomendação é criar coragem e fazer aquilo que você precisa, mesmo que da primeira vez o resultado não seja lá um primor. O aprendizado com os erros e com os acertos nas diversas tentativas é que faz a gente ser bom em algo. “Essa estratégia apressa nossa tomada de decisões e nos empurra para a ação, o que nos coloca de volta no controle de nossas vidas”, declara.

O segundo passo é se perdoar por qualquer erro que tenha cometido no passado. Pessoas ansiosas ficam remoendo suas próprias gafes e mancadas, de modo que não conseguem focar em outras coisas realmente relevantes que estão à sua frente.

Não coloque tanta ênfase nos seus defeitos e incapacidades. No lugar disso, pense naquilo em que você é craque – e, assim, reverta esse seu ponto forte em algo de bom para a comunidade. “Você faz pelo menos uma coisa pensando no próximo? Pode ser um trabalho voluntário, ou compartilhar um conhecimento adquirido. Dividir com os outros vai melhorar pra valer a sua saúde mental”, finaliza a psiquiatra britânica.

Outro passo fundamental é nunca fugir daquilo que o aflige. “A ansiedade faz com que vejamos um mundo extremamente ameaçador e isso leva a uma inibição comportamental”, destaca a psicobióloga Milena de Barros Viana, da Universidade Federal de São Paulo.

Se medos e temores são evitados, alimentamos esse fantasma até o ponto em que ele se torna um obstáculo intransponível, que impede a promoção no trabalho ou o primeiro encontro com o amor das nossas vidas. “Para sair desse estado de hesitação, enfrente esses incômodos”, orienta Milena.

O copo meio cheio

Domar a ansiedade pode até aumentar nossa produtividade no serviço ou garantir uma rotina mais organizada – que tal adotar uma agenda para anotar todos os compromissos, projetos, aflições e questões existenciais? Lembra que no começo da reportagem dissemos que essa sensação é natural e nos livra de enrascadas?

“Ao prever as possibilidades, podemos usar e abusar de nosso lado criativo na busca por soluções inovadoras e eficazes para os problemas que se apresentam”, sugere a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes Ansiosas (Editora Principium/Globo). Quem sabe a próxima ideia que vai revolucionar o mundo não saia de uma inquietação de sua cabeça?

Por fim, acabe de vez com a noção de que um dia você vai se livrar desse sentimento. Encare-o mais como uma ferramenta essencial para sua sobrevivência. “Temos que aceitá-lo como um preço que pagamos para conseguirmos passar no vestibular, paquerar, enfim, vivermos de acordo com nossos valores”, raciocina o médico Márcio Bernik, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Chega de arrancar cabelos, roer unhas ou comer o lápis: os traumas passados e as preocupações futuras fazem parte da biografia de qualquer um. Aceitá-los é o primeiro passo para ter uma vida completa, feliz… E com a ansiedade sob controle.

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/ansiedade-afeta-o-organismo-e-pode-paralisar-sua-vida/

Metade dos casos de transtorno mental surge até os 14 anos. Como evitar?

Metade dos casos de transtorno mental surge até os 14 anos. Como evitar?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que metade dos casos de transtorno mental surge até os 14 anos de vida, mas a maioria não é detectada ou tratada. Dados da entidade mostram que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. Já o uso de álcool e drogas ilícitas, segundo a OMS, permanece uma importante questão em diversos países, podendo levar a comportamentos de risco como sexo sem proteção e direção perigosa. Transtornos alimentares, de acordo com a entidade, também são fonte de preocupação. Como evitar esses problemas?

“Felizmente, há um crescente reconhecimento da importância de ajudar os jovens a construir a resiliência mental desde as primeiras idades. Crescem as evidências de que promover e proteger a saúde do adolescente traz benefícios não apenas à saúde deles, tanto a curto como a longo prazo, mas também às economias e à sociedade, com jovens adultos saudáveis capazes de fazer contribuições maiores à força de trabalho, famílias, comunidades e sociedade como um todo”, informou a OMS, por meio de comunicado.

A prevenção dos transtornos mentais

Muito pode ser feito para ajudar a construir resiliência mental desde cedo. A prevenção, segundo a OMS, começa com o conhecimento e a compreensão dos primeiros sinais e sintomas de alerta de transtornos mentais.

Fique de olho em manifestações como:

  • Piora no rendimento escolar
  • Falta de interesse
  • Tristeza
  • Irritabilidade
  • Isolamento
  • Automutilação
  • Mudança súbita e inexplicável de comportamentos

“Pais e professores também podem ajudar a construir habilidades em crianças e adolescentes para ajudá-los a lidar com os desafios cotidianos em casa e na escola. O apoio psicossocial pode ser fornecido em escolas e outros ambientes comunitários”, destacou a organização. “O investimento por parte dos governos e o envolvimento dos setores de saúde e educação em programas abrangentes, integrados e baseados em evidências para o bem-estar mental dos jovens é essencial”, completa.

Esse estímulo, aliás, deve estar vinculado a programas de conscientização de adolescentes e jovens sobre formas de cuidar de sua saúde mental e oferecer um braço amigo aos colegas

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.abril.com.br/familia/metade-dos-casos-de-transtorno-mental-surge-ate-os-14-anos-como-evitar/

As principais disfunções sexuais femininas e como enfrentá-las

As principais disfunções sexuais femininas e como enfrentá-las

– Até aquele momento, eu não tinha parado para conversar sobre isso nem com a minha mãe.

O relato é de Julia*, 30 anos, ao descrever a primeira vez que entrou em um consultório para tratar um assunto que havia evitado até então: sua vida sexual.

Casada desde os 19 anos, há um ano ela procurou um ginecologista ao sentir desconforto físico durante as relações sexuais com o marido. O médico a encaminhou para um serviço de atendimento sexológico gratuito no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. O tratamento com a sexóloga, que já completa 10 sessões, tem caráter de redescoberta. Com o acompanhamento, Julia conta que está no caminho para superar questões emocionais, tabus e as dificuldades de ter prazer durante o sexo:

– Eu sempre guardei todas essas questões para mim. Não tinha aquela entrega durante o sexo, achava que era aquilo mesmo, fazia sem prazer. Fui me dando conta de que deveria ser dona do meu próprio corpo.

A busca por esse sentimento conquistado por Julia é o que leva mulheres a procurarem a terapia sexual quando enfrentam alguma disfunção nessa área. Muitas vezes ignorado, o problema pode levar anos até que seja tema no consultório médico.

Não são poucas as mulheres que relatam dificuldades para ter uma vida sexual satisfatória. Segundo estudo liderado por Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, em 2008, cerca de 48% das brasileiras apresentam alguma queixa sexual ao longo da vida, e o tempo que elas demoram, em média, para buscar ajuda clínica é entre três e quatro anos.

– É impossível ser infeliz sexualmente e ser feliz na vida. Os problemas sexuais afetam a autoestima, aumentam a insegurança no relacionamento e dificultam a aproximação de outras pessoas, já que o sexo passa a ser um momento de tensão. São várias as repercussões negativas – afirma a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler.

Uma questão de saúde pública

Sexo é saúde, e saúde também é sexo. Esse conceito já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS): a sexualidade está oficialmente entre os critérios para se avaliar a qualidade de vida de um indivíduo.

Tudo funciona como um ciclo: disfunções sexuais podem ser sinal de outras doenças, e dificuldades na cama levam à angústia, à frustração e até mesmo à depressão. Em pouco tempo, os efeitos após uma noite de sexo satisfatório são visíveis: a mulher se sente mais em sintonia com o parceiro, os laços afetivos se estreitam, ela se percebe mais bonita.

– Uma saúde sexual favorável implica questões de saúde mental. A curto prazo, é visível, a mulher já se sente mais poderosa. A longo prazo, melhora o relacionamento com o parceiro. Pacientes em tratamento psiquiátrico, por melhorarem a questão sexual, apresentam também melhoras como um todo – explica a sexóloga e ginecologista Sandra Scalco, que coordena o ambulatório de sexologia no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, na Capital.

A iniciativa de oferecer o serviço gratuitamente para mulheres de todo o Estado, segundo Sandra, contribui para sustentar que o assunto é questão de saúde pública, mas ainda é visto como tabu pela sociedade.

Educação repressiva e cultura do medo

O campo da sexualidade feminina começou a virar objeto de pesquisa apenas na metade do século 20. Mas foi a partir da década de 1970 que o discurso sobre o assunto começou a mudar. Com maior conquista da liberdade sexual, abriu-se uma porta para investigar o que elas preferem e como elas sentem prazer. O sexo, antes tratado apenas pelo viés da questão reprodutiva, começou a ganhar um olhar mais voltado para a satisfação pessoal e com o foco na saúde.

Mesmo assim, a sociedade ainda conserva preconceitos e expectativas sobre as mulheres que influenciam a ideia que elas têm sobre o sexo.

– Ainda predominam os fatores culturais, a educação sexual repressiva e a cultura de medo imposta nas meninas quando são adolescentes de que o hímen é algo frágil que deve ser preservado a qualquer custo, que aquilo é o “lacre” da mulher. A educação sexual das mulheres é carregada com valores repressivos, e ela, depois de adulta, vai reaprender a sexualidade de um jeito mais saudável, diferente do que foi ensinado por influência da família ou da escola – analisa a sexóloga Jaqueline Brendler.

A sexóloga analisa o contexto de criação entre os dois gêneros: durante a fase de desenvolvimento, a anatomia sexual das mulheres é frequentemente ignorada. Enquanto que a dos homens é tratada com menos pudor. Nesse cenário, as mulheres são desencorajadas a se conhecerem.

A falta de informação sobre o próprio corpo e o medo, ou até a vergonha de se descobrir, reprimem as mulheres. Isso é visto pelo número de mulheres que nunca se masturbaram, que chega a 36%, segundo a pesquisa Mosaico Brasil. A dificuldade para ter orgasmo, uma das principais queixas femininas, tem como um dos fatores a falta de autoconhecimento.

– Normalmente, a falta de conhecimento do próprio corpo permeia as dificuldades sexuais. Mas existem fatores emocionais e de construção do significado do sexo para cada uma delas. Por isso, dizemos que é multifatorial. A ausência de confiança no sexo oposto, por exemplo, pode dificultar que a mulher se entregue mais – diz Jaqueline.

O que é a disfunção sexual?

É caracterizada quando a dificuldade sexual causa estresse, angústia ou incômodo. Pode ser dor durante a relação ou dificuldade para ficar excitada. A falta de desejo, por exemplo, não é sinônimo certeiro de que alguma coisa está errada.

Entende-se que há disfunção apenas quando a situação passa a prejudicar o bem-estar mental da mulher. Além disso, o problema deve estar persistindo há pelo menos seis meses.

As causas para as disfunções são multifatoriais e incluem componentes biopsicossociais (biológicos, psicológicos e sociais). Vivências, experiências e educação sexual influenciam no seu desenvolvimento. Vítimas de violência sexual, por exemplo, têm grande propensão a terem disfunções sexuais ao longo da vida.

Mulheres em períodos como o pós-parto, a menopausa e o climatério podem ter maior desconforto ou outras queixas devido à oscilação hormonal: com a queda da produção de estrogênio, a vagina pode se tornar mais ressecada e ter menor capacidade de lubrificação, o que dificulta a penetração.

Vítimas de violência sexual ou com traumas relacionados à própria sexualidade também têm maiores chances de terem dificuldades para retomarem uma vida sexual saudável.

Como funciona a terapia sexual?

Sexólogos são os profissionais preparados para fazer esse tipo de terapia. Eles são procurados geralmente por quem apresenta alguma disfunção ou quer ter uma vida sexual com mais qualidade. Profissionais de diferentes áreas podem se especializar no tema, como médicos ginecologistas, psiquiatras e psicólogos. Mas há também outros métodos para esse tipo de terapia.

– É bastante comum que os profissionais sigam a linha de terapia cognitiva-comportamental focada no assunto sexual. Boa parte dos pacientes com quem eu trabalho já tem um equilíbrio nas outras áreas da vida, mas tem um problema sexual que persiste – afirma Jaqueline.

Nessa linha de terapia, vários aspectos da vida da paciente são abordados: a criação, as vivências, os relacionamentos. Além disso, o terapeuta pode indicar um “tema de casa”, atividades para ajudar no tratamento, que variam com a necessidade de cada mulher, mas podem incluir exercícios com o parceiro e técnicas de relaxamento.

A duração desse tipo de terapia é curta em comparação à psicoterapia convencional. Pode durar, em média, de seis meses a dois anos.

– É um conceito de terapia breve. Com 10 encontros, muitas vezes, a mulher já tem uma resposta. Eu fiz um levantamento com as pacientes que atendo e, na terceira ou quinta consulta, em média 50% já apresentava alguma melhora – revela a sexóloga Sandra Scalco.

Principais disfunções sexuais femininas

Falta de desejo

A falta de vontade de procurar o parceiro ou a parceira para uma atividade sexual é um dos principais motivos que levam as mulheres a buscar ajuda. É o chamado desejo hipoativo. A mulher passa a não criar mais fantasias sexuais e perde a vontade de fazer sexo.

Nas últimas décadas, um dos nomes que mais marcaram as pesquisas sobre o desejo sexual feminino foi a canadense Rosemary Basson. A especialista em saúde da mulher quebrou o paradigma que era construído com base no conhecimento do desejo sexual masculino. Para o homem, primeiro vem o desejo, que muitas vezes ocorre pelo estímulo visual. Depois, vem a ereção, que é a parte da excitação. Nas mulheres, principalmente com relacionamentos mais longos, o ciclo nem sempre funciona assim.

– Sempre se acreditou que a resposta sexual da mulher era igual a do homem, que ela precisava ter desejo para ir para a relação. Mas descobriu-se que os motivos que levam ela a transar são diversos. Pode ser a relação afetiva que ela tem com aquela pessoa. A partir desse jogo de sedução, em que ela começa a se excitar, é que ela vai ter desejo – explica a psicóloga e sexóloga Lucia Pesca.

Há disfunção, alerta a ginecologista Sandra Scalco, quando as mulheres, por mais de seis meses, entram e saem da relação sem ter se excitado e o desejo se manteve baixo. As causas, como nas demais dificuldades sexuais, podem ser psíquicas, como estresse, depressão e experiências negativas relacionadas ao sexo.

Segundo Heitor Hentschel, ginecologista e sexólogo, há uma série de medicamentos que também podem afetar o desejo sexual. Entre eles, estão os antidepressivos, de uso comum da população.

– Alguns medicamentos alteram muito a produção hormonal, o que repercute no corpo. Todas as medicações moduladoras da parte emocional, diuréticos e até mesmo boa parte dos hormônios, como a pílula anticoncepcional, podem diminuir a função sexual e alterar o desejo, reduzindo a excitação e tornando impossível o orgasmo – diz o especialista.

Dificuldade de ter orgasmo

A falta de orgasmo durante a relação sexual é uma das disfunções que mais incomodam as mulheres. Segundo a sexóloga Sandra Scalco, a inabilidade para conseguir chegar lá pode, inclusive, contribuir com o desenvolvimento de outros problemas sexuais.

– É um grande fator de desestímulo a longo prazo. Às vezes, vemos mulheres com desejo diminuído aos 40 ou 50 anos, mas a fonte do problema era a anorgasmia (ausência de orgasmo), e elas poderiam ter sido tratadas ainda jovens – exemplifica.

Os especialistas alertam que não é só o estímulo das partes íntimas que leva ao ápice do prazer. A capacidade de concentração, de autoconhecimento, de saber orientar o parceiro ou a parceira são fundamentais nessa hora. O estresse, por exemplo, pode dificultar que a mulher se mantenha focada na hora do sexo.

– Sexo é emoção pura. A cabeça tem de estar envolvida, se não, dificulta – afirma a sexóloga Jaqueline Brendler.

O orgasmo também fica cada vez mais longe quando há mitos e preconceitos na hora do sexo, que comprometem a entrega da mulher. O mais comum é que elas atinjam o ápice com estímulos no clitóris, onde há maior concentração de fibras nervosas. Outras partes do corpo também levam ao prazer se estimuladas, como o bico dos seios, a pele e a nuca.

– Se ela não souber como se tocar, se não se masturbou antes, como vai saber conduzir o parceiro? Além disso, o aspecto emocional tem grande importância: o envolvimento com aquela pessoa é o ingrediente principal, ter um afeto especial torna a mulher mais confiante e solta para se entregar – avalia Lucia Pesca.

Além da sensação de empoderamento e satisfação, durante o orgasmo, são liberadas substâncias como as endorfinas, que aliviam o estresse e aumentam o prazer.

Dor e desconforto

É normal que mulheres relatem dor na hora da penetração. Essa sensação desagradável durante a relação pode significar a presença de três problemas: vaginismo, dispareunia ou transtorno da excitação sexual. As três têm como principal sintoma a dor.

A dispareunia está relacionada a fatores orgânicos. Quando a penetração é dolorida, o médico deve ser informado para dar seguimento a exames que verifiquem a presença de doenças como endometriose, hérnias genitais ou tumores.

Já o vaginismo indica que há uma contratura involuntária da vagina, o que torna dolorosa a penetração.

– Algumas pessoas, por algum trauma, podem sofrer de vaginismo depois de terem começado a vida sexual. O medo de transar também pode causar o vaginismo – explica a sexóloga Jaqueline Brendler.

Quando uma mulher se excita, a vagina se torna mais profunda, larga e lubrificada, para se adaptar ao pênis. O transtorno da excitação sexual pode ocorrer por fatores físicos, orgânicos ou psicológicos. A excitação emocional libera substâncias vasodilatadoras, responsáveis por permitir a preparação da vagina. Quando a mulher não consegue se excitar, a vagina aumenta pouco e não sai da situação de repouso. Se não há doenças que poderiam afetar essa função, como o diabetes ou reduções nos níveis de estrógeno no período da menopausa, o transtorno pode ter fundo emocional ou psicológico.

– Mulher também “brocha” emocionalmente. Se ela está no meio da relação e o telefone começa a tocar, não há garantia de que vai se manter – diz Jaqueline.

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2016/04/as-principais-disfuncoes-sexuais-femininas-e-como-enfrenta-las-5757621.html

Disfunção erétil

Disfunção erétil

A disfunção erétil é a incapacidade de obter e manter uma ereção firme o suficiente para o sexo.

Ter problemas de ereção de tempos em tempos não é necessariamente motivo de preocupação. Se a disfunção erétil é um problema constante, no entanto, ela pode causar estresse, afetar sua autoconfiança e contribuir para problemas no relacionamento. Problemas para obter ou manter uma ereção também podem ser um sinal de uma condição de saúde subjacente que precisa de tratamento e um fator de risco para doenças cardíacas.

Se você está preocupado com a disfunção erétil, agende uma consulta conosco. Às vezes, o tratamento de uma condição subjacente é suficiente para reverter a disfunção erétil. Em outros casos, medicamentos ou outros tratamentos diretos podem ser necessários.

SINTOMAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Os sintomas de disfunção erétil podem incluir persistentes:

  • Problemas para obter uma ereção;
  • Dificuldades para manter uma ereção;
  • Desejo sexual reduzido.

QUANDO VER UM MÉDICO

Consulte o seu médico se:

  • Você tem preocupações sobre suas ereções ou está enfrentando outros problemas sexuais, como ejaculação precoce ou retardada;
  • Você tem diabetes, doença cardíaca ou outra condição de saúde conhecida que pode estar relacionada à disfunção erétil;
  • Você tem outros sintomas junto com a disfunção erétil.

Você sabia?

Segundo o Massachusetts Male Aging Study, a disfunção erétil, ou impotência sexual, é a principal queixa da medicina sexual masculina, apresentando um índice de 52%, dessas disfunções em homens entre 40-70 anos de idade. Já no Brasil, esta taxa corresponde a 65,5%, com novos casos de queixas nesta área, ou seja, extremamente mais alta.

CAUSAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A excitação sexual masculina é um processo complexo que envolve o cérebro, hormônios, emoções, nervos, músculos e vasos sanguíneos. A disfunção erétil pode resultar de um problema com qualquer um deles. Da mesma forma, preocupações, estresse e saúde mental podem causar ou piorar a disfunção erétil.

Às vezes, uma combinação de problemas físicos e psicológicos causa disfunção erétil. Por exemplo, uma condição física menor que retarda sua resposta sexual pode causar ansiedade. A ansiedade resultante pode levar ou piorar a disfunção erétil.

CAUSAS FÍSICAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Em muitos casos, a disfunção erétil é causada por algo físico. Causas comuns incluem:

  • Doença cardíaca;
  • Vasos sanguíneos entupidos (aterosclerose);
  • Colesterol alto;
  • Pressão alta;
  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Mal de Parkinson;
  • Esclerose múltipla;
  • Certos remédios;
  • Cigarro;
  • Doença de Peyronie – desenvolvimento de tecido cicatricial no interior do pênis;
  • Alcoolismo e outras formas de abuso de substâncias;
  • Distúrbios do sono;
  • Tratamentos para câncer de próstata;
  • Cirurgias ou lesões que afetam a área pélvica ou medula espinhal.

CAUSAS PSICOLÓGICAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

O cérebro desempenha um papel fundamental no desencadeamento da série de eventos que causam uma ereção, começando com sentimentos de excitação sexual. Várias coisas podem interferir nos sentimentos sexuais e causar ou piorar a disfunção erétil. Esses incluem:

  • Depressão, ansiedade ou outras condições de saúde mental;
  • Estresse;
  • Problemas de relacionamento devido a estresse, falta de comunicação ou outras preocupações.

PREVENÇÃO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A melhor maneira de prevenir a disfunção erétil é fazer escolhas saudáveis ​​no estilo de vida e cuidar de quaisquer condições de saúde existentes. Por exemplo:

  • Cuide de diabetes, doenças cardíacas ou outras condições crônicas de saúde;
  • Consulte o seu médico para exames regulares.;
  • Pare de fumar, limite ou evite álcool e não use drogas ilegais;
  • Exercite-se regularmente;
  • Reduza o estresse;
  • Obtenha ajuda para ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental.

TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

A primeira coisa que seu médico fará é certificar-se de que você está recebendo o tratamento certo para quaisquer problemas de saúde que possam estar causando ou piorando sua disfunção erétil.

Dependendo da causa e gravidade de sua disfunção erétil e de quaisquer condições de saúde subjacentes, você pode ter várias opções de tratamento.

MEDICAMENTOS ORAIS

Medicamentos orais são um tratamento bem-sucedido para muitos homens. Eles incluem:

  • Sildenafil (Viagra);
  • Tadalafil;
  • Vardenafil;
  • Avanafil.

Todos os quatro medicamentos aumentam os efeitos do óxido nítrico – um químico natural que o corpo produz e relaxa os músculos do pênis. Isso aumenta o fluxo sanguíneo e permite que você obtenha uma ereção em resposta à estimulação sexual.

Tomar um destes comprimidos não produzirá automaticamente uma ereção. A estimulação sexual é necessária primeiro para causar a liberação de óxido nítrico de seus nervos penianos. Esses medicamentos amplificam esse sinal. Os medicamentos orais contra a disfunção erétil não são afrodisíacos, não causam excitação e não são necessários em homens que têm ereções normais.

O médico irá determinar qual medicação pode funcionar melhor. Esses medicamentos podem não tratar sua disfunção erétil imediatamente.

Antes de tomar qualquer medicação para a disfunção erétil, incluindo suplementos e remédios de ervas, obtenha a receita e aprovação do seu médico. Medicamentos para disfunção erétil não funcionam em todos os homens e podem ser menos eficazes em certas condições, como após a cirurgia de próstata ou se você tem diabetes.

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.clinicahomini.com/disfuncao-eretil/

Transtorno da personalidade dependente: o que é e a quem afeta?

Transtorno da personalidade dependente: o que é e a quem afeta?

A incapacidade de ficar sozinho, uma dependência sufocante dos outros, a insegurança, nenhuma responsabilidade pessoal, o medo obsessivo de ser abandonado… Estas e outras dimensões desgastantes caracterizam uma das doenças mais comuns, mas por sua vez, menos reconhecidas e tratadas. Estamos falando do transtorno da personalidade dependente.

Para entender um pouco mais sobre esse transtorno começaremos com um exemplo simples. Jorge tem 42 anos e hoje tem uma entrevista de emprego. De manhã, quando termina de se vestir, sua esposa sugere que coloque outra gravata: a que está usando é muito escura, muito séria. Jorge não diz nada, mas não se sente bem com o comentário e fica inseguro. Logo depois, começa a se perguntar se a camisa e as calças escolhidas combinam, se os sapatos são adequados …

Atormentado pelas dúvidas e medos, diz a si mesmo que não conseguirá esse emprego. Assim, sem saber como, ele começa a intensificar a sua negatividade, afundando-se em um diálogo circular, repetitivo e obsessivo. Começa a imaginar que se não conseguir o emprego, é muito provável que a sua esposa o abandone. A sua esposa, que conhece bem a sua personalidade, diz que isso não vai acontecer, que ela está lá para apoiá-lo, que confia nele e não há nenhuma razão para temer o abandono.

Ele parece se animar, mas Eva, sua mulher, respira profundamente, sentindo mais uma vez a picada do desespero. Ela sabe que terá que apoiá-lo dando incentivo e reforços positivos durante todo o dia… talvez toda a semana. Sabe também que, provavelmente, Jorge não será capaz de sair para aquela entrevista de emprego. Entende também que o comportamento do seu marido não é normal, que às vezes fica muito difícil conviver com ele, e se sente cada vez mais esgotada. Ela acredita que essa é a sua personalidade, e que essas coisas não podem ser mudadas.

É neste ponto que está a raiz do problema: acreditar que um determinado tipo de comportamento é normal e nada pode ser feito para mudá-lo. Nós associamos essas características a um padrão de personalidade e aceitamos o seu comportamento sem entender que, na verdade, existe um transtorno, uma doença. Um tipo de comportamento que invalida a própria pessoa e o ambiente onde ela vive.

O transtorno da personalidade dependente ou a fragilidade do “eu”

Entre os 10 tipos de transtornos da personalidade coletados pelo DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais), o transtorno mais comum é o transtorno da personalidade dependente. Estamos diante de um quadro clínico que se caracteriza pela notável falta de autoconfiança e a necessidade constante de consolo, segurança e apoio. Normalmente dá os primeiros sinais na adolescência, no entanto, os sintomas são mais graves e podem ser observados com mais clareza após os 40 anos.

Por outro lado, como sugerimos no início, é muito comum que as pessoas com transtorno da personalidade dependente não estejam conscientes de que o que estão sofrendo é uma doença. Apenas quando chegam no limite, quando percebem que não têm nenhum controle da sua realidade e de si mesmas, pedem ajuda.

Características das pessoas com transtorno da personalidade dependente

  • Incapacidade de ficar sozinha.
  • Evitação das suas responsabilidades.
  • Extrema passividade.
  • Dificuldade em aceitar e enfrentar críticas.
  • Incapacidade de assumir o final de um relacionamento.
  • Medo obsessivo de ser abandonada.
  • São muito passivas nas relações interpessoais.
  • Falta de iniciativa: não conseguem tomar decisões sem apoio ou conselhos dos outros.

Quais são as causas do transtorno e como ele é diagnosticado? A quem pode afetar?

Até hoje se desconhece a causa desse transtorno. Sabemos, por exemplo, que ele aparece na idade adulta e que alguns pacientes experimentaram na sua infância ou adolescência um transtorno de ansiedade associado com a separação física dos seus pais. No entanto, este fato nem sempre é determinante.

Por outro lado, a incidência estimada da doença na população geral é de dois por cento (embora se saiba que muitas pessoas nem sempre conseguem ser diagnosticadas). Ele também é mais comum em mulheres do que em homens. Normalmente, este diagnóstico é feito por um clínico geral que é quase sempre o primeiro filtro, o primeiro passo. São eles que encaminham esses pacientes para os profissionais especializados.

Em primeiro lugar é feito um exame de sangue completo para descartar algum desequilíbrio hormonal. Mais tarde, serão analisados os sintomas e a história de vida do paciente.

Tratamento para o transtorno da personalidade dependente

Como sempre, em qualquer condição, cada paciente é único.Ocasionalmente, podem ocorrer mais complicações, como depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de personalidade por evitação, etc, que intensificam ainda mais o quadro clínico.

No entanto, vale a pena ressaltar que a combinação da psicoterapia com o tratamento farmacológico é eficaz na maioria dos casos. A terapia comportamental cognitiva, por exemplo, centrada nos padrões de pensamento, nas crenças ou na incapacidade de tomar decisões, é uma das terapias com melhores resultados.

Não podemos esquecer que são tratamentos a longo prazo, terapias muitas vezes combinadas com antidepressivos ou sedativos, com avaliação médica regular para analisar as melhoras. E para terminar, não podemos nos esquecer do apoio familiar e social do paciente. O ambiente mais próximo é o terceiro pilar em qualquer tratamento, onde o próprio paciente deve combinar esforços contínuos, compromisso e um desejo claro de melhorar, de lutar pela sua qualidade de vida.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://amenteemaravilhosa.com.br/transtorno-da-personalidade-dependente/

Trastorno de Personalidade Narcisista

Trastorno de Personalidade Narcisista

O Transtorno de Personalidade Narcisista, ou simplesmente narcisismo, é classificado pelo DSM-5, o catálogo de transtornos mentais, como¹:

Um padrão difuso de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:
1. Tem uma sensação grandiosa da própria importância (p. ex., exagera conquistas e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as conquistas correspondentes).
2. É preocupado com fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal.
3. Acredita ser “especial” e único e que pode ser somente compreendido por, ou associado a, outras pessoas (ou instituições) especiais ou com condição elevada.
4. Demanda admiração excessiva.
5. Apresenta um sentimento de possuir direitos (i.e., expectativas irracionais de tratamento especialmente favorável ou que estejam automaticamente de acordo com as próprias expectativas).
6. É explorador em relações interpessoais (i.e., tira vantagem de outros para atingir os próprios fins).
7. Carece de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e as necessidades dos outros.
8. É frequentemente invejoso em relação aos outros ou acredita que os outros o invejam.
9. Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes.

O narcisista, então, tem como característica principal esse sentimento de ser muito importante, especial, fora de série. Entretanto, isso não permanece apenas no seu pensamento. Suas atitudes cotidianas demonstram essa concepção, pois ele exige que os outros o admirem, reconhecendo o brilhantismo, as qualidades e o talento que ele acredita ter e que o diferencia dos outros. O narcisista reage muito mal quando ele não é colocado nesse patamar de superioridade, quando ele é tratado como uma pessoa “comum” e quando suas necessidades não são atendidas. A maior parte dos narcisistas são do sexo masculino.

Na verdade, por trás de toda essa aparência de superioridade, o narcisista tem, geralmente, uma autoestima incrivelmente baixa. É justamente por essa concepção extremamente negativa de si que ele busca uma compensação exagerada e é muito sensível às críticas ou à rejeição. Para o narcisista, é muito difícil aceitar a derrota e a tendência é que ele coloque sempre a responsabilidade pelos seus problemas nos outros.

Justamente pelo narcisista se achar superior, raramente ele reconhece que tem um problema, e é menos provável ainda que ele procure alguma forma de tratamento. Quanto ele procura, geralmente seu foco são os outros, e ele usa a terapia como um local de desabafo para dizer o quanto o mundo não está dando a ele tudo aquilo que ele merece.

Como qualquer transtorno de personalidade, o tratamento do narcisismo é difícil. O nível de consciência que a pessoa tem sobre o problema, a auto-observação e o questionamento de seus próprios padrões de pensamento e comportamento são fatores que podem favorecer uma melhor administração do quadro.

Conarcisismo

Se por um lado os narcisistas procuram pouco a terapia, por outro, as pessoas com quem eles convivem são as que mais tendem buscar ajuda. Isso porque o narcisista, na sua exigência por admiração, estabelece relações em que o outro é sempre o errado, o inadequado e o incapaz. Não é raro que as pessoas não percebem o jogo bem armado do narcisista e passem a acreditar nisso. Portanto, quando elas procuram ajuda, na forma de terapia, elas chegam realmente acreditando que elas têm algum problema sério e que precisam melhorar ou se “consertar” para atender às necessidades do narcisista. Esse padrão de funcionamento é chamado informalmente de co-narcisismo.

O conarcisismo² se refere a alimentar, inadvertidamente, o narcisismo do outro, do mesmo jeito que um codependente alimenta o vício de um dependente químico. Geralmente a pessoa conarcisista teve pais narcisistas, que ao não a validarem o suficiente, gerando no filho ou filha uma impressão de que se é naturalmente insensível, egoísta, incapaz de amar ou defeituoso. Não é raro que a pessoa conarcisista reproduza esse padrão nos seus relacionamentos, escolhendo parceiros narcisistas, que confirmam as crenças que eles têm sobre si mesmos e se comportando na relação exatamente da maneira que o narcisista espera.

Entre os traços apresentados pelos conarcisistas estão:

  • baixa autoestima
  • se esforça para agradar os outros
  • aceita excessivamente as opiniões dos outros
  • não tem clareza das próprias visões de mundo
  • frequentemente ansiosos e deprimidos
  • têm dificuldade em dizer o que sentem ou pensam sobre um assunto
  • duvidam da validade de suas opiniões (especialmente quando estão em conflito com as de outros)
  • assumem a responsabilidade pelos problemas nas relações

Como se pode ver, as caraterísticas do conarcisista atendem perfeitamente ao que o narcisista espera. Por isso, essas relações tendem a se manter, mesmo carregadas de conflitos. Geralmente o narcisista exige admiração e perfeição num nível que só um conarcisista tentaria prover. Ainda assim, não é suficiente para o narcisista, que coloca a responsabilidade das suas frustrações no conarcisista, que as assume e geralmente pede desculpas por não ter conseguido atendê-las. Obviamente, isso vai minando cada vez mais a autoestima do conarcisista, que tende a se deprimir facilmente. As exigências constantes do narcisista colocam o conarcisista num estado  de ansiedade permanente, com receio de críticas e ataques. Ainda assim, o conarcisista não consegue sair da relação, pois acredita que o problema está em si mesmo e tem um grande medo de perder o narcisista.

Uma relação como essa, que leva a pessoa conarcisista a níveis extremos de baixa autoestima e alimenta a sensação de superioridade do narcisista, é muito intensa. No lado do conarcisista, o trabalho terapêutico busca, em primeiro lugar, fazer com que a pessoa perceba a característica doentia da relação. Ao longo do processo, ela precisa fortalecer as suas opiniões, suas visões de mundo e o respeito que ela tem consigo mesma, de preferência de forma autônoma. Através desse fortalecimento e da consciência em relação aos seus padrões, é possível que ela consiga abandonar esse tipo de relação e ter uma vida emocional mais saudável.

Referências

1. American Psychiatric Association (2014). DSM-5. Porto Alegre: Artmed.
2. Rappoport, A. (2005). Co-Narcissism: How we accommodate to narcissistic parents. http://www.alanrappoport.com/pdf/Co-Narcissism%20Article.pdf

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://nucleointerface.com.br/saude-mental/transtorno-de-personalidade-narcisista-e-conarcisismo

Transtorno de Personalidade Borderline: o que é e como controlar

Transtorno de Personalidade Borderline: o que é e como controlar

Estima-se que 6% da população mundial sofra do transtorno de personalidade borderline (TPB), uma doença caracterizada pela intensa instabilidade emocional. Se por um lado não há estatísticas sobre sua prevalência no Brasil, por outro aproximadamente 10% dos pacientes diagnosticados no nosso país cometem suicídio, segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

A fim de evitar consequências tão graves, é importante conhecer o problema. Para saber quais são os sintomas, as causas e o tratamento, SAÚDE conversou com o psiquiatra da Clínica Nutrindo Ideais, Higor Caldato, do Rio de Janeiro.

Quais são os sintomas do transtorno de personalidade borderline?

Além da oscilação de emoções, o TPB é marcado por impulsividade, irritação diante de respostas negativas, dificuldade no controle da raiva e idealização extrema.

“Geralmente, os pacientes fazem um esforço desesperado para evitar o abandono, que pode ou não ser real. Eles sentem dificuldade em se relacionar por não saberem lidar com essas emoções”, afirma Caldato, associado da ABP.

A impulsividade, aliás, afeta diversas áreas da vida. “Eles passam a gastar muito dinheiro, usam drogas ou álcool ou desenvolvem compulsão alimentar como uma forma de aliviar o sofrimento”, exemplifica.

Em casos mais graves, a integridade física é colocada em risco. Pode-se chegar ao ponto automutilação e até suicídio.

Quais são as causas?

O fator genético é o principal motivo. “Quem tem parentes de primeiro grau com o distúrbio é cinco vezes mais propenso a desenvolvê-lo”, informa Caldato.

Entretanto, o contexto em que esse indivíduo vive também faz a diferença. A falta de suporte social pode desencadear o transtorno de personalidade borderline.

“É comum que a depressão ou ansiedade estejam associadas. Cerca de 10% dos pacientes que procuram o consultório por essas razões são diagnosticados com o borderline”, acrescenta o psiquiatra.

Veja também

Quais as pessoas mais afetadas?

O problema atinge mais as mulheres e a população jovem.

Como é o diagnóstico e o tratamento?

O quadro sempre deve ser fechado pelo psiquiatra. “A suspeita mais comum do transtorno de personalidade borderline é a presença de compulsão alimentar, depressão ou ansiedade”, explica Caldato.

Já no tratamento, o acompanhamento de um psicólogo é primordial. “Por meio da psicoterapia, cria-se maturidade emocional. Trabalhamos para que o paciente consiga lidar com os sentimentos e as frustrações”, aponta o especialista.

Aliado a isso, remédios entram frequentemente em cena. O médico os prescreve para controlar a raiva e a agressividade, além de conter doenças associadas – como a já mencionada depressão.

O que fazer durante uma crise?

Nesse momento, a raiva e a impulsividade se sobressaem. Aí, é necessário ter apoio dos amigos e familiares.

Eles precisam acolher, ser compreensivos e incentivar a procura de ajuda profissional quanto antes. Dessa maneira, o paciente aprenderá a lidar com as crises e evitar que novas aconteçam.

“Numa emergência, a pessoa se sente desamparada. Ao conversar sobre o que está sentindo, a ansiedade é controlada”, afirma o psiquiatra.

A diferença entre o borderline e o transtorno bipolar

Não, essas doenças não são a mesma coisa. “A bipolaridade não é um transtorno de personalidade, e sim de humor”, esclarece o Caldato.

O paciente bipolar passa por episódios de 20 a 30 dias em depressão significativa. Após um tempo, ele melhora e tem um período de euforia. Esses comportamentos vão se intercalando, podendo cada um durar meses.

Já no caso do sujeito borderline, a oscilação de personalidade às vezes ocorre várias vezes durante o mesmo dia.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/transtorno-de-personalidade-borderline-o-que-e-e-como-controlar/

Apenas Timidez? Ou Fobia Social? – Ter conhecimento para entender

Apenas Timidez? Ou Fobia Social? – Ter conhecimento para entender

A Timidez deriva do medo da exposição perante as outras pessoas e de falar em público. Este medo pode variar de intensidade, originando pessoas simplesmente mais reservadas, ou no outro extremo, originando pessoas que chegam ao estado fóbico – Fobia Social.

A Fobia Social caracteriza-se por um medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho (avaliação). Exemplos: manter uma conversa, encontrar pessoas que não são familiares, ser observado a comer ou a beber e situações de desempenho diante de outros, tal como apresentar um trabalho. O confronto ou a antecipação de uma dessas situações provoca uma resposta imediata de ansiedade. Esta resposta pode assumir a forma de um Ataque de Pânico, existindo um reconhecimento pela pessoa de que o seu medo é excessivo ou irracional. Nas situações sociais ou de desempenho temidas, as pessoas com fobia social têm preocupações relativas ao seu embaraço e temem que os outros as avaliem de forma negativa, bem como medo em demonstrar sintomas de ansiedade. Existe uma grande tendência da pessoa evitar os sintomas que lhe causam sofrimento e assim, evitar essas situações, criando um condicionamento na rotina diária, no funcionamento ocupacional ou na sua vida social. Os casos de fobia social podem originar o aparecimento de estados depressivos ainda mais limitantes, tal como a depressão, afastando a pessoa do contacto social.

Assim, podemos dizer que o “Núcleo” da Ansiedade Social é o medo de ser incompetente, de falhar ou de se comportar de forma ridícula (Insegurança acerca das suas capacidades) e o desejo intenso de transmitir aos outros uma impressão favorável de si mesmo, havendo uma grande preocupação de uma possível avaliação negativa.

Desta forma, quando sofremos de ansiedade social, as situações sociais tornam-se ameaçadoras, originando uma hipersensibilidade à possibilidade de sermos avaliados, e assim é desenvolvida uma hipervigilância cognitiva à rejeição, que se traduz numa alteração no processamento de informação, mais especificamente, enviesamento nos processos de atenção, avaliação e interpretações das situações sociais. A interpretação das situações sociais como ameaçadoras está relacionada com uma vivência de vulnerabilidade à avaliação pelos outros, que por sua vez resulta da existência de auto-esquemas de ineficácia e incompetência para lidar com situações sociais. A existência de regras rígidas acerca do comportamento social e o engrandecimento das consequências do fracasso são aspectos que também se encontram presentes.

O medo de não causar uma impressão positiva ou de ser avaliado negativamente pelos outros em situações sociais é um dos aspectos centrais. Uma hipersensibilidade às críticas (ou possíveis críticas) dos outros contribui para que nos sintamos permanentemente observados e avaliados. Assim, está presente uma vigilância e avaliação sobre nós próprios e sobre os nossos comportamentos e acções, como também uma comparação com os outros, na tentativa de nos protegermos dessas avaliações negativas.

Quando somos confrontados com uma possível situação desencadeadora de ansiedade, desenvolvemos uma série de expectativas negativas acerca das possibilidades de ficarmos ansiosos, e da percepção dessa ansiedade pelos outros, que nos leva a avaliar a situação como ameaçadora e a conduzir até a uma atenção auto-focada.

A atenção auto-focada faz-nos aumentar a consciência de nós próprios, ampliando a percepção de ansiedade e desconforto (intensificando os sintomas somáticos e cognitivos), fazendo assim diminuir a atenção disponível para os estímulos exteriores relacionados com a situação. Para além disso, cria um efeito de interferência no processamento dos estímulos: interpretamos sinais de forma enviesada, como também construímos uma imagem de nós mesmos que assume automaticamente ser a impressão que os outros têm de nós. Esta imagem é construída a partir de uma perspectiva de observador, como se nos observássemos de um ponto de vista exterior a nós.

Pelo apresentado neste texto, é fácil perceber a importância de enfrentarmos este problema o mais cedo possível. Desse modo, podemos reduzir o desgaste emocional associado à ansiedade social e prevenir os outros problemas que dela derivam. Uma abordagem terapêutica adequada permitir-nos-à ter uma vida mais tranquila e satisfatória, e isso passará naturalmente por nos confrontarmos com as situações, e pensar, sentir e agir nesses momentos, de forma diferente da habitual, para quebrar o nosso ciclo vicioso de ansiedade social.

Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Fontes:

– American Psychiatric Association (APA) (2013). DSM – V: Diagnostic and Satistical Manual of Mental Disorders (5th ed.). Washington: New School Library.

– Gouveia, J. P. (2000) Ansiedade Social: da timidez à fobia social. Coimbra: Quarteto Editora.

 

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_carreira.php?apenas-timidez-ou-fobia-social-ter-conhecimento-para-entender&id=308

Transtornos mentais podem alterar comportamento sexual

Transtornos mentais podem alterar comportamento sexual

Vivemos em um mundo em que o sexo é bastante enfatizado, e a prática da sexualidade para alguns indivíduos é tão vital para a saúde quanto comer, dormir e fazer exercícios.

Alguns componentes envolvidos na sexualidade normal também estão implicados na causa e tratamento dos transtornos mentais, o que torna os indivíduos em acompanhamento psiquiátrico mais propensos a terem dificuldades ou alterações no comportamento sexual.

Até 80% dos pacientes com transtornos mentais têm dificuldades sexuais em consequência da própria doença ou dos medicamentos utilizados para tratá-las, o que pode levar a problemas no relacionamento com o parceiro e uso de substâncias sem prescrição médica. Estas consequências podem provocar um desfecho ainda mais arriscado, que é o abandono do tratamento psiquiátrico.

Sintomas como redução da auto-estima, dificuldades de relacionamento, redução do interesse, cansaço, entre outros, costumam estar presentes em diversos transtornos mentais e podem causar redução da frequência e da qualidade das relações sexuais. Os antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos utilizados no tratamento estão associados a aumento de risco de sonolência, diminuição do desejo sexual, disfunção erétil e redução do orgasmo.

Entretanto, a interrupção do tratamento medicamentoso sem orientação médica, na maioria dos casos, pode levar a piora dos sintomas, prejuízo social, redução do rendimento e da qualidade de vida.A entrevista focada no contexto sócio-sexual e a avaliação médica, portanto, são essenciais para esclarecer a importância da sexualidade na vida do indivíduo e as mudanças que ocorreram após o seu adoecimento.

O acompanhamento médico e psicológico permitem ampliar o entendimento da sexualidade e identificar outras formas de satisfação sexual, analisando as necessidades de cada indivíduo sem prejudicar o tratamento de base. A avaliação ginecológica/urológica, junto ao atendimento em saúde mental, é importante para excluir causas clínicas passíveis de intervenções específicas. Em alguns casos pode ser considerado o ajuste dos remédios que o paciente está usando ou a introdução de novas medicações que ajudem a atenuar os sintomas.

A saúde sexual envolve não somente a ausência de doença, mas também a capacidade de se envolver em relações sexuais consensuais, seguras, respeitosas e prazerosas. Tocar no assunto é o primeiro passo para o alívio do desconforto. Quebrar a barreira da vergonha e discutir o tema com os profissionais envolvidos no tratamento permitem a individualização da terapêutica e a melhora da qualidade de vida.

 

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