O dilema da medicina genética: intervenções esbarram em limites éticos

São Paulo — Fazer ou não fazer? Contar ou não contar? A medicina genética lida diariamente com os dilemas em relação aos testes e aplicações em genes de pacientes, que em algum momento esbarram nos limites éticos. A questão foi abordada durante o EXAME Fórum Saúde, que aconteceu na manhã do dia 12 de junho em São Paulo.

Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo, apresentou um panorama de como as alterações e testes genéticos entraram na pauta da sociedade, após o caso do cientista chinês que editou o gene de duas bebês para deixá-las imunes ao HIV.

“Eu defendo que façamos pesquisas em embriões, mas que não serão implantados para desenvolvimento, já que é melhor aprender a corrigir um defeito do que descartá-lo. Mas, enquanto não tivermos total certeza de que essas alterações não acarretarão outros problemas de saúde no futuro, não devemos modificar os genes”, afirma.

Para a especialista, esse é o principal limite para as alterações. Já em relação aos testes genéticos, eles devem ser feitos. Mas há duas questões a ser respondidas: o que se deve contar ou não das descobertas para os pacientes e para onde vão os dados coletados.

No primeiro alerta, Zatz cita situações em que o teste genético revela equívoco de paternidade. “Como fazemos quando descobrimos que o pai não é o pai biológico? Na maioria das vezes, precisamos chamar a mãe, mas o dilema está aqui”, conta.

Já em relação ao segundo dilema, a proteção de dados e a segurança jurídica são discussões constantes e nem sempre trazem respostas satisfatórias. “A evolução da ciência não pode se sobrepor aos nossos direitos de dados”.

Futuro das pesquisas genéticas

A cientista afirma que as pesquisas genéticas serão cada vez mais comuns em todo o mundo, mas, para que o Brasil não perca sua evolução, será necessário aumentar o financiamento.

“Recentemente tivemos um corte enorme nos investimentos das pesquisas genéticas e há uma série de profissionais competentes para isso. Mas nos últimos meses eles têm buscado oportunidades fora do país. Sem investimento na ciência, não vamos evoluir”, afirmou.

Zatz sugere que as políticas públicas comecem a ser pensadas para inserir a população no investimento em ciência, com incentivos ficais não só para empresas, mas para pessoas físicas também.

“Nos Estados Unidos há esse incentivo e aqui também precisamos começar a elaborar. Quem teve um parente que viveu com Alzheimer, por exemplo, com certeza, se tiver condições financeiras, irá pagar para descobrirmos mais sobre a doença”, conclui.

Fonte:

https://exame.abril.com.br/tecnologia/o-dilema-da-medicina-genetica-intervencoes-esbarram-em-limites-eticos/

Exame de sangue detecta tumores 15 anos antes de seu surgimento

A batalha contra o câncer é uma corrida entre a tartaruga – nós – e a lebre – a doença. Mas, como nos ensinou a fábula de Esopo, o vencedor nem sempre é evidente. É assim que a vê a pesquisadora Rocío Arroyo, diretora da Amadix, uma empresa de biotecnologia que inventou um exame de sangue que detecta, com 10 a 15 anos de antecedência, se uma pessoa saudável desenvolverá um tumor maligno de cólon.

Esta madrilenha de 45 anos, pesquisadora de farmacologia experimental, pendurou o avental branco para empreender na Espanha a aventura de converter o conhecimento científico em um modelo de negócio viável, para tentar materializar o sonho de todo pesquisador de melhorar o mundo com seus tubos de ensaio e pratos de cultura. Como ponto de partida, Arroyo conseguiu convencer investidores privados de Castela e Leão e assim nasceu a Amadix, em 2010, em Valladolid. Depois de muito trabalho, neste ano espera finalmente lançar no mercado o Colofast, o primeiro exame de sangue capaz de detectar um tumor de cólon antes que se desenvolva. “Esperamos comercializá-lo neste ano no mercado espanhol. Depois, vamos mirar os Estados Unidos, Europa e China. Até agora, foi testado em mais de 1.000 pessoas e em 20 hospitais europeus, e há estudos em andamento na Alemanha e na Polônia.” Fazer esse simples exame anualmente a partir dos 50 anos pode garantir uma vantagem fundamental na luta para vencer o câncer.

O Colofast é único no mundo (existem produtos semelhantes, mas não tão sensíveis: identificam o tumor quando já apareceu) e abre uma nova era na previsão da doença. Os tumores de cólon começam como pólipos que deixam rastros no sangue, proteínas e moléculas de RNA. A quantidade e a combinação desses marcadores genéticos determinam o que se tornarão. Se a nossa mão de cartas for perdedora, ou seja, o Colofast identifica pólipos pré-cancerosos, restaria uma ampla margem de ação: retirá-los com uma colonoscopia e ganhar. “O objetivo é prolongar a vida de pessoas saudáveis com este diagnóstico. É algo que nunca havia sido feito.” Arroyo e sua equipe já estão trabalhando em outros exames capazes de antecipar tumores de pulmão e de pâncreas. Eles estimam que possam ser uma realidade em cerca de dois anos.

Apesar de ser uma pequena startup com apenas um punhado de empregados, a Amadix está excepcionalmente bem posicionada para competir no diagnóstico preventivo oncológico, um mercado desejado pelos gigantes da indústria farmacêutica. “Não é fácil. O nexo que nos une é melhorar a vida das pessoas. É preciso buscar financiamento de forma permanente, pois ainda não estamos vendendo, dedicar horas a isso, ter uma equipe motivada. Estivemos perto de fechar várias vezes.”

A medicina preventiva representará uma revolução no diagnóstico. Os dados associados a uma pessoa – hábitos, alimentação, etc.– juntamente com algoritmos de inteligência artificial e a genômica do paciente construirão um prisma para descobrir as doenças que virão. Arroyo ressalta que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts já desenvolveu um algoritmo que aprende a caçar as lesões de mama interpretadas erroneamente como malignas e que, portanto, evita cirurgias desnecessárias. “Todas as empresas estão na mesma corrida: encontrar um exame único que permita detectar qualquer tipo de tumor que se manifeste no futuro.

Fonte:

El País

Conselho Federal de Medicina regulamenta consulta, diagnóstico e cirurgia online

Médicos brasileiros vão poder realizar consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância, conforme a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM). O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou off-line.

Por meio de nota, o conselho avaliou que as possibilidades que se abrem com a mudança normativa são “substanciais”, mas precisam ser utilizadas por médicos, pacientes e gestores “com obediência plena” às recomendações. No âmbito da saúde pública, o órgão considera a inovação “revolucionária” ao permitir a construção de linhas de cuidado remoto, por meio de plataformas digitais.

“Além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz o estrangulamento no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes em busca de tratamento”, destacou o CFM. A resolução deve ser publicada nesta semana no Diário Oficial da União.

Sigilo médico

Para assegurar o sigilo médico, o texto estabelece que todos os atendimentos deverão ser gravados e guardados, com envio de um relatório ao paciente. Outro ponto destacado é a concordância e autorização expressa do paciente ou representante legal − por meio de consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado – sobre a transmissão ou gravação de imagens e dados.

Teleconsulta

A teleconsulta é definida pela norma como consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos. A primeira consulta deve ser presencial, mas, no caso de comunidades geograficamente remotas, como florestas e plataformas de petróleo, pode ser virtual, desde que o paciente seja acompanhado por um profissional de saúde.

Nos atendimentos por longo tempo ou de doenças crônicas, é recomendada a realização de consulta presencial em intervalos não superiores a 120 dias. No caso de prescrição médica à distância, a resolução fixa que o documento deverá conter identificação do médico, incluindo nome, número do registro e endereço, identificação e dados do paciente, além de data, hora e assinatura digital do médico.

Telediagnóstico

A emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet é definida pela resolução como telediagnóstico. O procedimento deve ser realizado por médico com Registro de Qualificação de Especialista na área relacionada ao procedimento.

Teleinterconsulta

A teleinterconsulta ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos, com ou sem a presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. É muito comum, segundo o CFM, quando um médico de Família e Comunidade precisa ouvir a opinião de outro especialista sobre determinado problema do paciente.

Telecirurgia

Na telecirurgia, o procedimento é feito por um robô, manipulado por um médico que está em outro local. A resolução estabelece, no entanto, que um médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, participe do procedimento no local, ao lado do paciente, para garantir que a cirurgia tenha continuidade caso haja alguma intercorrência, como uma queda de energia.

A teleconferência de ato cirúrgico, por videotransmissão síncrona, também é permitida pela norma, desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos.

Teletriagem

A teletriagem médica acontece quando o médico faz uma avaliação, à distância, dos sintomas apresentados para a definição e o direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência necessária.

Teleorientação e teleconsultoria

A teleorientação permite a declaração de saúde para a contratação ou adesão a plano de saúde. Já na teleconsultoria, médicos, gestores e profissionais de saúde poderão trocar informações sobre procedimentos e ações de saúde.

Telemonitoramento

Por fim, o telemonitoramento, muito comum, de acordo com o conselho, em casas de repouso para idosos, vai permitir que um médico avalie as condições de saúde dos residentes, evitando idas desnecessárias a unidades de pronto-socorro. O médico remoto poderá, por exemplo, averiguar se uma febre de um paciente que já é acompanhada por ele merece uma ida ao hospital.

Segurança

Para garantir a segurança das informações, o texto estabelece que os dados e imagens dos pacientes devem trafegar na internet com infraestrutura que assegure guarda, manuseio, integridade, veracidade, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional das informações.

Empresas voltadas a atividades na área de telemedicina, seja de assistência ou educação continuada a distância, também deverão cumprir os termos da resolução. Será obrigatório o registro da empresa no Cadastro de Pessoa Jurídica do Conselho Regional de Medicina da jurisdição, com a respectiva responsabilidade técnica de um médico regularmente inscrito.

Quando se tratar de prestador de serviços pessoa física, deve se tratar de médico devidamente habilitado junto ao conselho e caberá a ele estabelecer vigilância constante e avaliação das técnicas de telemedicina no que se refere à qualidade da atenção, relação médico-paciente e preservação do sigilo profissional.

Fonte:

Veja

Tecnologia que permite previsão de piora de pacientes está próxima

 
Aproximadamente 11% das mortes em hospitais acontecem pelo declínio do quadro do paciente, não sendo reconhecido logo ou tratado da maneira correta. No entanto, uma das principais organizações de saúde do mundo, a US Department of Veterans Affairs (VA), em parceria com a DeepMind, empresa focada em inteligência artificial, anunciou que está trabalhando para prever mudanças potencialmente fatais na condição de um paciente mesmo antes de qualquer sinal de advertência.
Para isso, especialistas e pesquisadores de renome mundial estão analisando os padrões de 700 mil registros médicos, a fim de determinar se a tecnologia de aprendizado da Learning Machine, equipamento capaz de prever a evolução do paciente, pode identificar com precisão os fatores de risco durante a internação hospitalar, prevendo corretamente a piora do enfermo. A princípio, a pesquisa se concentra nos fatores de risco da insuficiência renal aguda (IRA), que é a perda súbita da capacidade dos rins filtrarem resíduos, frequentemente ocorrendo, sem sinais de aviso, após procedimentos de rotina. A pesquisa também foca na pneumonia, porque seu início também é repentino e, muitas vezes, assintomático. Ambas podem ser fatais.
“Em um mundo onde quase todos os recursos hospitalares se destinam a solucionar sintomas depois que as pessoas já estão doentes, esperamos que técnicas de previsão possam pavimentar o caminho para melhores cuidados preventivos de saúde, evitando que as pessoas fiquem doentes.” – Dominic King, da DeepMind Health.
O Trabalho que a DeepMind e a VA estão realizando ainda é exploratório, mas há otimismo quanto ao potencial de longo prazo da tecnologia de aprendizagem da Learning Machine. Eles esperam aplicar abordagens semelhantes para outros sinais de declínio evitando que pacientes possam desenvolver infecções e condições graves. Em última análise, salvar vidas.
Fonte: DeepMind

Uso exacerbado de aparelhos eletrônicos pode gerar problemas posturais

A pressão exercida pela inclinação da cabeça em diversas situações, como durante a utilização de celular ou de tablet, pode ocasionar em problemas de coluna – fato demonstrado por estudos recentes da revista científica Surgical Technology Internacional. Tendo em vista que o uso desses aparelhos tem sido cada vez mais comum desde a infância, torna-se necessário a atenção para evitar maiores danos à saúde.
O dr. Roberto Feres, coordenador do Núcleo de Ortopedia do Hospital Samaritano (Barra da Tijuca), explica como prevenir e tratar esses problemas. Na posição adequada, a cabeça pesa cerca de 5 kg no caso do adulto. Com a sua inclinação para baixo, o pescoço fica sobrecarregado por ter de sustentar sozinho a cabeça, de modo a comprometer a estrutura vertebral. Ao longo do tempo, caso o indivíduo repita esse posicionamento corporal errado, problemas de dores e de tensão poderão surgir na região do pescoço. Uma sugestão, de acordo com o especialista, seria usar os aparelhos na altura dos olhos; tanto quanto as telas de computadores de mesa e de notebooks deveriam estar na altura do campo de visão. Nos idosos, que apresentam tendência a ter esses lesões degenerativas da coluna cervical, como artrose e hérnias de disco, o uso exacerbado poderá desencadear ou agravar esses problemas.
Além de medicamentos, são aconselhados pelo médico como tratamento alguns exercícios para alongamento e fortalecimento da musculatura cervical – desde que com auxílio de fisioterapeuta – bem como atividades de readaptação postural. “Nas situações mais críticas, em que há agravamento dos sintomas e a presença de dor, poderão ser recomendados a total imobilização e o repouso”, alerta.

Outro ponto seria o uso excessivo de comunicadores estantâneos, como o WhatsApp e as redes sociais, que promovem digitação em tempo integral. Caso não haja uma pausa, podem ocorrer lesões por esforço repetitivo – tendinopatias nas mãos e nos punhos, além de alterações degenerativas, como a artrose. O médico diz, ainda, que apesar de ser inevitável estar conectado nessa era extremamente tecnológica, essencial seria 
usar os dispositivos de forma controlada, de maneira a conter movimentos repetitivos. Se surgirem os primeiros sintomas, nesse contexto, a procura por auxílio especializado deve ser imediata.
Fonte: http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2017/08/19/uso-excessivo-de-celular-e-tablet-pode-gerar-problemas-posturais/

Autor: Rafael Kader

DEEP BRAIN STIMULATION PARA TRATAR PARKINSON

A terapia de estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation – DBS), criada em 2002 por cientistas, consiste na introdução cirúrgica de marca-passo cerebral para tratar Parkinson de maneira a amenizar os sintomas da doença, como os tremores. Essa estratégia é usada para pacientes os quais não responderam adequadamente à terapêutica somente com medicamentos e até o momento, 2017, tem sido bastante utilizada.

O estimulador tem atividade elétrica semelhante ao marca-passo cardíaco e seria implantado no cérebro para alcançar as áreas afetadas pela doença. Sua ação melhora a qualidade de vida do doente com o bloqueio dos sinais de neurônios motores afetados nesses indivíduos, chegando a permitir uma evolução de maior controle sobre os movimentos corporais e até a prática de exercícios físicos, como andar de bicicleta ou praticar outros esportes.

O sistema é composto por um eletrodo, por uma extensão e por um neuroestimulador.

Com a análise da evolução do DBS nos pacientes, torna-se possível ajustar ou até parar com o uso de medicamentos para tratar Parkinson. Entretanto, apesar de auxiliar na melhoria dos movimentos, a terapia não promove a cura da doença.

 

Fonte: TV Brasil, Medtronic Brasil e National Parkinson Foundation

Autor: Rafael Kader

O que já existe de nanotecnologia na Medicina?

O horizonte da nanotecnologia é amplo mas também ambicioso. Muitas idéias baseadas na nanotecnologia precisam ainda aguardar anos de pesquisa para se tornarem realidade. O NIH (National Institutes of Health), porém leva bastante a sério as possibilidades futuras para a nanotecnologia e por isso tem como uma de suas prioridades fomentar a pesquisa em nanomedicina. Entre 2004 e 2006  o NIH estabeleceu uma rede de 8 Centros de Desenvolvimento de Nanomedicina como parte de uma iniciativa chamada NIH Nanomedicine Roadmap Initiative. Em vários países já existem produtos comercializados ou em processo de aprovação que incorporam inovações da nanotecnologia sendo o Brasil um desses lugares.

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O que é afinal a Nanotecnologia?

Há um grande alarde sobre o potencial da nanotecnologia em diversas áreas. A perspectiva de projetar estruturas em uma escala molecular sem dúvida abre o escopo de possibilidades para o futuro.

Um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro. Sendo assim, os nanomateriais tem dimensões equivalentes às das moléculas orgânicas que constituem os organismos vivos. Projetar compostos nessa escala é algo sem precedentes e pode de fato mudar a forma como a indústria farmacêutica produz novas substâncias.

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