Expansores do Plasma - O que você deve saber

Data de publicação Escrito por Felipe Moraes Erthal Tardin

Em meados do século XIX, Thomas Graham’s investigando a capacidade de difusão de líquidos através de uma interface de pergaminho, classificou como cristalóides aqueles cuja difusão era rápida e, como colóides (do grego cola) aqueles que demoravam a atravessar a barreira. Hoje, os fluidos intravenosos são similarmente classificados com base em suas habilidades para passar através de barreiras biológicas que separam os diversos compartimentos fluídicos do corpo (membranas), particularmente entre os compartimentos intra e extravascular e destes, principalmente para o compartimento intersticial.
Os colóides são substâncias constituídas por grandes moléculas ou partículas, ultramicroscópicas, e não-cristalinas. Podem ser classificados como colóides naturais ou semi-sintéticos. O colóide natural é a albumina, que apresenta tamanho e peso molecular uniformes, sendo denominada de solução monodispersa. Os colóides semi-sintéticos são as gelatinas e as dextranas de tamanho e peso molecular não-uniformes, denominados de soluções polidispersas.

Preparamos um resumo sobre as principais informações que você deve saber a respeito desse tema, ainda ao final disponibilizamos um link para um manual completo sobre Hemocomponentes do Ministério da Saúde.

1. CRISTALÓIDES: 

São freqüentemente utilizados para reposição volêmica por terem baixo custo e poucos efeitos adversos. Vantagens: Composição balanceada de eletrólitos, capacidade tampão (Ringer), baixo risco de efeitos colaterais, sem distúrbios de coagulação, efeito diurético e baixo custo. Desvantagens: Amplas quantidades necessárias, redução de pressão colóido-osmótica, risco de superhidratação, edema e hiponatremia.

A) SOLUÇÃO SALINA DE NaCl 0,9%: ligeiramente hipertônica em relação ao plasma (308mOs/l) , contendo 154 meq/l de sódio e 154 meq/l de cloreto.

# Indicações: reposição volêmica. Administrar na proporção de 3:1 em relação ao volume sanguíneo perdido. Preferida em pacientes com comprometimento da barreira hemato-encefálic (ex. TC), alcalose metabólica hiperclorêmica e hiponatremia.
#. Farmacocinética e ações: por via venosa, distribui-se no compartimento extracelular, mas não no intracelular. Após 20 a 30 minutos da administração, apenas 20 a 25% encontra-se no intravascular.
# Desvantagem específica: acidose metabólica hiperclorêmica com potencial redução da perfusão de órgãos-alvo.


B) SOLUÇÃO DE RINGER LACTATO: contém 130 meq/l de sódio, 4 meq/l de potássio, 3 meq/l de cálcio, 28 meq/l de lactato e 109 meq/l de cloreto. Apresenta 274 mOsm/l, sendo levemente hipo-osmolar em relação ao plasma.

# Indicações: corrigir déficits de volume isotônico plasmático.
# Efeitos Específicos:
a) cerebrais – devido a sua hipo-osmolaridade pode aumentar o conteúdo cerebral de água.
b) metabólicos – cuidado em pacientes com hiperpotassemia. Em situações como choque e trauma, a capacidade de metabolização do lactato pelos rins e fígado pode estar diminuída, levando a uma piora da acidose.


C) HIPERTÔNICAS: São soluções com alto teor de sódio (250 a 1200 meq/l) e elevada osmolaridade (600 a 2400 mOsm/l). Mais usada: Solução Salina Hipertônica a 7,5% (disponível em frascos de 500ml), na dose de 4ml/kg em cinco minutos.

# Indicações: Controle da hipertensão intracraniana, reposição volêmica em choque hemorrágico e outras menos práticas.
# Vantagens: Baixo custo, reanimação com pouco volume, melhora hemodinâmica e de perfusão tecidual, reduz a inflamação e a pressão intracraniana.
# Desvantagens: Efeitos Transitórios, causa flebite em vasos de pequeno calibre, hipertensão se infundido em menos de cinco minutos e risco de hemorragia subdural. Risco de mielinólise pontina central quando paciente apresenta hiponatremia crônica.


2. COLÓIDES:


A) ALBUMINA:  proteína plasmática natural obtida para uso clínico a partir do plasma de vários doadores. Apresentações: Albumina a 5% (frasco de 500ml) e 25% (frasco de 50ml).

# Indicações: Insuficiência hepática fulminante, grandes queimados, sepse severa e reposição após paracentese abdominal por ascite. A cada 1 ml infundido com albumina a 20%,  expande-se o plasma em 5ml em pacientes sem extravazamento vascular.
# Desvantagens: alto custo, reações anafilactóides ou anafiláticas, riscos infecciosos (hepatite A, B, C, HIV), transmissão de doenças priogênicas (ex. Creutzfeldt-Jacob), hipotensão (alto conteúdo de ativados de pré-calicreína com geração de bradicinina) e coagulopatia.


B) DEXTRANAS: São polímeros de glicose de alto peso molecular. Há dois tipos comercialmente disponíveis: Dextran 40 a 10 % (peso molecular médio 40000 Da) e Dextran 70 a 6% (peso molecular médio 70000 Da). 1g de Dextran 40 retém 30 ml de agua e 1g de Dextran 70 retém 25 ml de água. A efetividade expansora é de 100% do volume infundido para o Dextran 70 e 175% para o Dextran 40.

# Doses: Máximo diário de 1,5 g/ kg para o Dextran 40 e 70.
# Efeitos Clínicos: Hemodiluição, diminui a agregação plaquetária, risco de insuficiência renal e pode induzir síndrome de von Willebrand. Também podem interferir na tipagem sanguínea e elevar falsamente a glicemia.


C) GELATINAS: São colóides preparados pela hidrólise do colágeno bovino.

Tipos: 
a) Gelatina succinilada; (peso molecular ~ 30000 Da, osmolaridade ~ 274mOsm/ l) 4%;
b) Gelatina com pontes de uréia (peso molecular ~ 35000 Da, osmolaridade ~ 301mOsm/ l) 3,5%;
c) Oxipoligelatina (peso molecular ~ 30000Da, osmolaridade 296 mOsm/ l) 5,5%;

Atualmente, estão disponíveis para o uso clínico as gelatinas com pontes de uréia como Haemaccel, Isocel e as gelatinas succiniladas como Gelafundin, que diferem entre si quanto à concentração de eletrólitos. (As gelatinas ligadas à uréia contêm maior quantidade de cálcio e de potássio do que as soluções de gelatina succinilada).

Os dois tipos de gelatina promovem expansão plasmática equivalente a 78% do volume infundido, que perdura por 2,5 horas, em média.

# Indicações – expansão plasmática.
# Riscos – reações anafiláticas ou anafilactóides e pequena chance de transmissão de doenças priônicas (ex Creutzfeldt-Jacob),  coagulopatias e hemodiluição.

# Preparações:
a) Sussiniladas 4% em salina isotônica;
b) Gelatinas com pontes de uréia a 3 ou 5% em salina isotônica + 5,1 mmol/ l de potássio e 6,5 mmol/ l de cálcio.



Mais informações sobre o tema você pode acessar esse link, que mostra um Guia para uso de Hemocomponentes, do Ministério da Saúde.



Thursday the 24th.